Por
princípio, ninguém vai deixar os seus cães a um hotel canino para ficar sem
eles, muito embora haja quem lá os vá meter para nunca mais os ver, o que ano
após ano infelizmente sempre se repete. Dos muitos itens que devem constar na
folha de hospedagem de um cão, um dos mais importantes é o respeitante aos
medos e aversões do animal, para que de nenhuma maneira se fira ou venha a
pôr-se em fuga, pormenor que os responsáveis de muitos “hotéis à papo-seco”
esquecem ou ignoram, que somado à omissão dos donos sempre acaba lamentavelmente
com cães desparecidos e até mortos.
Ao
mesmo tempo importa saber se o novo hóspede é de tendência fugitiva, propensão
que tende a agravar-se com a ausência do dono. Também se é perito em abrir
portas e janelas – um Houdini canino – para impossibilitar que se venha a pôr
em fuga. Debaixo do mesmo propósito, se porventura as paredes e redes das boxes
do hotel não forem elevadas até ao tecto, mesmo que tenham 2 metros de altura,
importa saber se o cão a hospedar está acostumado a subir muros e paliçadas,
assim como a cortar corda.
Os canis em áreas onde se costuma soltar fogo-de-artifício, também junto a hospitais, aeroportos e estações ferroviárias, não deverão ser exteriores e a paredes das suas boxes internas deverão ter isolamento acústico. Os itens de uma folha de hospedagem correcta são mais de 60, apenas me referi a estes porque actualmente parece ser moda em Portugal deixar fugir os cães dos hotéis, o que é um tremendo certificado de irresponsabilidade para os seus proprietários e pode converter-se num profundo desgosto para os donos – “Quem não sabe ser caixeiro, fecha a loja!” – ou terei que dizer que o barato sai caro?
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