sexta-feira, 31 de março de 2017

LÁ VAI MAIS UM!

Vamos primeiro à notícia, divulgada por todos os tablóides britânicos. Um homem com 41 anos, que se crê cipriota, morador na zona norte de Londres, foi atacado mortalmente em casa pelo seu cão, um Staffordshire bull terrier, até ali com fama de ser inofensivo. Consta que morreu de choque hipovolémico por ter sido atacado no pescoço (sangrou até morrer) apesar de ter sido levado ainda com vida para o hospital. O ocorrido aconteceu na última Segunda-feira, dia 27 do corrente mês, com a vítima a gritar tirem o cão de cima de mim! Ao que tudo indica, foi uma equipa da BBC a trabalhar no local quem chamou a ambulância (o que andaria por lá a fazer?).
Sempre que oiço falar em Staffordshires vêm-me à memória a história verídica dum professor quarentão, solitário, pouco cuidado e de ar pouco másculo, que vivendo numa parte de casa alugada, desejava adquirir um Staffordshire para companhia, solicitando a nossa ajuda na escolha de tal animal e disposto a pagar o que fosse necessário para obter o nosso auxílio. Estranhámos a escolha do homem e advertimo-lo para o perigo daquela opção (a lei sobre os cães perigosos ainda não tinha entrado em vigor). Apesar das nossas advertências, o homem mostrou-se resoluto e não alterou a sua escolha, o que nos fez ir para a Margem Sul, onde havia um criador com cachorros para venda.
Nessa deslocação fiz-me acompanhar por um rapazola – o Eduardo, mais conhecido pelo “Cabeça de Ovo”, por causa do formato do seu crânio e densa cabeleira loira escorrida, um camarada de quem perdi o rasto, apesar de lembrar do seu nome de família (Pardal) e da casa onde moravam os pais. Chegados ao local, apresentaram-nos meia-dúzia de cachorros com 2.5 meses de idade.  Para fundamentar o que já havia dito àquele professor, mandei o “Cabeça de Ovo” picar os animais e pôr-se em fuga para cima duma árvore. Os cachorros seguiram-no de imediato e empoleiraram-se nela. Não tendo a quem morder, aqueles infantes trancaram-se uns nos outros como se fossem um rolo de salsichas! O bom do professor ficou boquiaberto e acabou por não levar qualquer cachorro dali. Teria desistido da ideia? Não sabemos, porque não tornou a dar notícia.
As mutilações e mortes causadas por “Staffies” crescem no Reino Unido, nos Estados Unidos e um pouco por toda a parte, muitas vezes mal identificados como Pit Bulls, cães que por norma só se interessam por dar caça a outros cães, sendo bastante meigos e fáceis de ensinar, isto se não lhes solicitarem a sua tremenda força de mordedura para outros alvos. Ter um “Staffie” na incerteza do seu controlo é apontar uma arma à cabeça, um devaneio que pode acabar em desgraça (o que é válido para os “Staffies” é-o também para todos os cães capazes de causar dolo). O “veneno” presente no Staffordshire precisa quantos antes de se ser extirpado da raça e ontem já era tarde!

TRELA, EXEMPLO E FAMILIARIZAÇÃO

Naturalmente os cães territoriais (o Pastor Alemão é um deles) começam logo desde cachorros a perseguir, a atacar e a expulsar toda a espécie de animais domésticos que com eles coabitam, particularmente quando soltos e/ou na ausência dos donos, podendo num ápice liquidá-los se tiverem condições para isso (tamanho, desenvoltura e força). Alarmados com essa tendência e temendo  o pior, a maioria dos donos ou opta por prendê-los ou por repreendê-los e inibi-los, vociferando sistematicamente “nãos” o que, dependendo do perfil psicológico dos cachorros, pode aguçar ainda mais o seu instinto de presa (surtir o efeito contrário).
Todos sabemos que a sociabilização não dispensa a prévia familiarização e que esta acontece mais depressa e sem transtornos pelo uso da trela, utensílio que condiciona e norteia o caminhar canino. Para quem não sabe, adianta-se que a altura certa para se colocar a coleira num cachorro é aos dois meses de idade e depois do animal já não a estranhar, é altura de lhe pôr atrela e ensiná-lo gradualmente a andar ao nosso lado, ensino que requer tempo, sensibilidade, técnica e paciência, porque cada cão é um caso e alguns resistem mais do que outros.
O cachorro que anteriormente observava os outros animais domésticos sem entrar no seu recinto, depois atrelado será convidado a entrar para dentro do seu reduto e pelo exemplo do dono bem depressa aprenderá a respeitá-los, a conviver com eles e futuramente até a guardá-los, porque passou a conhecê-los, sabe que são dono e que fazem parte do seu grupo, “entendimento” que irá melhorar com o tempo e o treino. Mais do que gritar “não” ou dar-lhe esticões na trela, importa sossegá-lo (se necessário pegar-lhe ao colo) para que entenda que está entre amigos e não entre concorrentes ou intrusos. Uma coisa é certa: quanto mais sossegado estiver o cão, mais à vontade estarão os outros animais.
O uso precoce do comando inibitório “não” tem sido responsável pela inutilidade guardiã de excelentes cães, nomeadamente dos precoces, a quem a genética ofereceu um superior impulso ao conhecimento. E sabem que mais? O “não” é um comando de travamento emergencial e peremptório que não pode ser banalizado, porque das duas, uma: ou o cão não lhe liga peva ou trava ao mando de qualquer um! Feliz é o cão que nunca ouviu um “não” e outro estará tanto ou melhor ensinado quantos “nãos” menos ouvir!  

terça-feira, 28 de março de 2017

POR ESTAS E POR OUTRAS É QUE NOS ORGULHAMOS DE SER QUEM SOMOS!

Sempre nos acusaram de inculcar nas nossas fileiras uma política do tipo “Last Man Standing”, referindo-se aos “sacrifícios” que exigimos aos nossos condutores caninos, que por norma caminham diariamente maiores distâncias com os seus cães, independentemente da hora do dia ou da noite e das condições climatéricas, havendo quem lhes chame por chacota de “papa-léguas”, numa alusão à binomial légua diária que alguns cumprem zelosamente (nunca foram muitos). Quem está a ouvir falar do assunto pela primeira vez certamente questionará o por quê da distância a percorrer que geralmente é vencida numa hora. Se os humanos precisam, para haver uma melhoria significativa dos seus ritmos vitais, de caminhar 3 km diários, os cães necessitam de 5 (cães adultos saudáveis de tamanho médio), feitos em marcha e não a passo ou galope, não só para a melhoria dos seus ritmos vitais mas também para o seu desenvolvimento muscular e saúde articular, procedimento que os condutores caninos não dispensam e que os cães agradecem, porque tal caminhada reproduz também e na íntegra a tão natural excursão de caça canina.
Antes que se inicie tal trajecto, como não podia deixar de ser, é dada aos animais a possibilidade de satisfazerem as suas necessidades fisiológicas. Durante a marcha diária são recapitulados todos os automatismos direccionais e se o percurso o permitir, o cão será conduzido em liberdade e ser-lhe-á pedido o mesmo desempenho, assim como alguns percursos de galope. Este procedimento reforça de sobremaneira a cumplicidade e os vínculos afectivos binomiais pelo trabalho comum de homens e cães, dando-lhes em simultâneo a resistência por detrás da disponibilidade que lhes garante a operacionalidade. Como se calcula, ainda que os horários possam ser rígidos (mais por necessidade dos donos), os percursos devem variar para se evitar a saturação dos animais e equilibrá-los nos diferentes ecossistemas, o que os tornará mais atentos, confiantes e menos receosos. Os donos cumpridores acabam por andar diariamente com os seus cães 90 minutos e não 60, porque durante 30 minutos desenvolvem com eles acções de alerta ou de busca para que mantenham em boas condições e não desusem o seu potencial sensorial, alternando-as invariavelmente com momentos de evasão para que os cães sejam iguais a si próprios e por momentos libertos do condicionamento.
Saiu recentemente um estudo, que parece dar-nos razão, oriundo da Universidade de Leeds Beckett/UK, relativo ao parecer dos proprietários caninos que reclamam espaços livres para soltarem os seus cães onde os animais possam comportar-se naturalmente de acordo com a sua espécie. O estudo foi publicado na revista “Social and Cultural Geography” e conduzido pelo Dr. Thomas Fletcher. O objectivo deste estudo foi o saber como os donos dividem o seu tempo com os cães e como procedem nas caminhadas conjuntas, assim como entender a sua mútua relação. Os proprietários caninos entrevistados disseram sentir-se na obrigação de soltar os seus cães como meio de os recompensar para que sejam iguais a si próprios e preencham as suas necessidades, que esse procedimento torna os cães mais felizes, gratos e próximos dos seus donos. Pelo mesmo estudo ficámos a saber que 40% dos lares britânicos tem um animal de estimação, que 8.5 milhões são cães e que os seus donos caminham com eles em média 8 horas e 54 minutos semanalmente (rigor britânico), também que essas caminhadas são geralmente divididas em dois momentos: antes e depois do trabalho. Resta dizer que a maioria dos cães ali são castrados, andam normalmente à solta e pouco incomodam os seus proprietários, que não lhes exigem um serviço particular e que apenas usufruem da sua companhia, o que nem sempre surte o efeito esperado debaixo do “princípio de que eles se entendem”.
Cães castrados temos cá muitos e cada vez serão mais, agora donos que passeiem com eles 1 hora diária é que são raros, sendo muitos cães confinados dentro de casa como coelhos, pendurados à janela ou soltos em quintais como se fossem cabras anãs ou porcos vietnamitas, o que é o um sério atentado ao seu bem-estar, viver social e saúde. Por estranho que pareça, mandriões como estes não se fartam de falar contra os maus-tratos animais (é preciso descaramento!). Entretanto, fiéis aos nossos princípios, continuaremos a ser “PAPA-LÉGUAS”, caminhada que não nos cansa porque não vamos sós. 

O MUNDO À NOSSA VOLTA: CADA UM FALA DO QUE CONHECE

O ainda Comissário Europeu JEROEN DIJSSELBLOEM continua ser manchete em Portugal e objecto de indignação, porque deu a atender ao jornal alemão “FRANKFURTER ALLGEMEINE ZEITUNG” que os países do Sul da Europa aproveitaram os fundos solidários comunitários para os gastar em copos e mulheres! Afinal o que esperavam ouvir do homem, não falará cada um daquilo que conhece? Quem vai à Holanda, para além dos diques, dos canais, dos moinhos de vento, das tulipas, das bicicletas e dos tamancos, o que vê em abundância em Amesterdão? Um exército de toxicodependentes pelos cafés e rameiras a engalanar montras, mormente no “DE WALLEN” (Bairro da Luz Vermelha), onde os clientes menos escrupulosos e mais exigentes nunca ficam por saciar! Lá como cá há muita gente empreendedora, trabalhadora, séria e o honesta, pessoas que não se confundem com “O BRONCO DOS COPOS E MULHERES”, provavelmente político por lhe faltarem as qualidades atrás mencionadas. A indivíduos como este nunca passámos grande cartucho, porque sempre vão para onde não querem ser vistos!

segunda-feira, 27 de março de 2017

EFICIÊNCIA DE UM HOLANDÊS NA AMÉRICA

Através do “THE HUFFINGTON POST” on-line ficámos a saber da extraordinária eficiência dum cão Pastor Holandês com 9 anos de idade, pertencente à esquadra do Xerife do Condado de Clackamas/Oregon, que em apenas noventa minutos conseguiu ajudar na detenção de três suspeitos, dois homens e uma mulher, acusados respectivamente de roubo de viatura, violação da liberdade condicional e posse de droga, o que é sem dúvida um feito notável para um agente canino (seguem abaixo as fotos dos detidos).
Apesar da qualidade policial de alguns, os Pastores Holandeses são pouco conhecidos, divulgados e procurados para além das fronteiras da sua terra natal, quiçá porque nas suas classes de trabalho a infusão de Pastor Belga Malinois seja por demais evidente e, belga por belga, a maioria das polícias europeias opta pelo original. E por falar em Pastores Holandeses, a PSP tem nos canis junto ao GOE um Pastor Holandês valente e muito obediente, que durante anos tem abrilhantado as suas exibições, um ancião a quem desejamos longa vida e que por ele felicitamos o seu tratador. Voltando ao cão notícia, resta dizer que da detenção do segundo para o terceiro suspeito levou apenas 9 minutos.
Por esse mundo fora há mais cães assim e ainda bem que assim é! Não obstante, lamentamos profundamente que o seu tratador necessite de um "estrangulador de bicos" para melhor o controlar, diante da brutalidade do utensílio e perante a idade do cão. Quanto tempo iremos ainda precisar para libertarmos os cães deste jugo transformado em método?

domingo, 26 de março de 2017

AS CONCLUSÕES DE MARIANNE HEBERLEIN

Marianne Heberlein é um investigadora científica da Universidade de Zurich/Suíça, dedicada ao estudo do comportamento evolutivo animal, que dum momento para o outro saltou para a ribalta em função dum estudo que revelou acerca da facilidade com que os cães usam a decepção para obterem o que pretendem dos humanos, levando-os a dar-lhes os petiscos da sua eleição, o que prova que a sua lealdade tem um preço, que a sua amizade não é desinteressada, que são hábeis no suborno e que tal como os homens são também conquistados pelo estômago, pormenores de que há muito suspeitávamos e que influíram directamente no nosso método de ensino dos cães de guarda e na salvaguarda dos cães de companhia, levando-nos a não abraçar na totalidade as práticas do adestramento em voga para não vulnerabilizar em demasia os cães que nos foram e são confiados. A maioria dos cães manhosos são-no para alcançar os seus intentos e conseguem-no pelo suborno de quem lhes quer bem, chegando alguns a fazer-se de doentes para escaparem aos seus trabalhos, responsabilidades e serviços.
No que concerne aos cães de guarda e que estendemos à generalidade dos cães, sempre evitámos suborná-los e lutado para que resistissem ao suborno alheio, porque temos os pés assentes na terra, sabemos o mundo em que vivemos e temos conhecimento do elevado número de cães ludibriados e até envenenados por larápios, cinófobos e demais gente sem escrúpulos. Por causa disso nunca consentimos que outros dessem comer aos cães a não ser os seus donos, exortando estes a dar-lhes a comida sempre à mesma hora e no mesmo sítio (debaixo de ordem), valendo-se de um comedouro e bebedouro reguláveis para o efeito, que desacostumasse os animais de pedirem comida ou de a procurarem no solo, evitando em simultâneo que se desaprumassem na sua fase plástica (de crescimento), medidas preventivas cujo culminar sempre passou e passa pela recusa de engodos (apatia pela distribuição de comida por terceiros, complementada às vezes por uma resposta desmotivante e agressiva). Parece que não estávamos enganados, porque bem cedo nos apercebemos que o dono da comida é o patrão do cão.
Aos cães muito gulosos ou com forte impulso ao alimento sempre evitámos dar-lhes comida fresca mesmo antes da puberdade e nunca nos cansámos de recriminar os donos menos íntegros e mais propensos à prevaricação, lembrando-lhes que à imitação dos peixes os cães morrem pelo boca e que há vizinhos que podem não morrer de amores pelo nosso cão, que tanto herbicidas como raticidas reclamam para si a vida de alguns cães desprevenidos, que o chocolate pode matar e que muitos dos nossos alimentos são prejudiciais para os nossos fiéis amigos, passíveis de lhes causar graves problemas, mesmo aqueles que ordinariamente reclamam, procedendo assim para que tenham saúde e vida em abundância.

Visando a protecção dos cães de guarda, animais mais sujeitos ao aliciamento e ao envenenamento, sempre instámos que não fossem para o seu ofício de barriga vazia ou empanturrados, para que não aceitassem comida indevida ou viessem a ser surpreendidos, alterando a distribuição do penso diário de acordo com as estações do ano e os horários em que têm maior apetência e necessidade energética (nas estações quentes os cães comem nas horas de menor calor e nas frias quanto mais o frio aperta). É possível educar cães sem suborná-los? Nós dizemos que sim e a prová-lo estão os cães temos ensinado, animais que conquistamos pela parceria e pela cumplicidade, pelo desenvolvimento técnico e pela coabitação, pela descoberta doutras linguagens que dispensam o suborno e que expressam a nossa gratidão aos cães. Não nos arrependemos e pelos vistos não temos razão para nos arrepender! 

AQUILO QUE OS DONOS NÃO VÊEM MAS QUE OS CÃES NÃO DISPENSAM

Ao longo da nossa carreira como adestradores sempre fomos obsequiados com donos apressados e vamos continuar a sê-lo, gente que parece desconhecer que educar é um acto continuado, que os cães aprendem com a experiência, necessitam de tempo e que são uma espécie diferente, quiçá por nascerem assim, viverem no “tempo do imediato” e o facilitismo ser prática corrente. E no meio da confusão que chocalha nas suas cabeças, não conseguem ver que um serviço canino específico não dispensa um conjunto de capacitações complementares que o sustentam e que são imprescindíveis ao bom desempenho esperado. Como os exemplos são muitos, abordaremos só e sinteticamente a importância da pistagem para os cães de guarda.
Todo o cão de guarda “mau de nariz”, que desusa o faro ou que mal fareja, é um guarda impróprio para o serviço e que coloca em risco a sua própria salvaguarda, porque tanto permite ser abordado de surpresa como perde essa vantagem, sendo facilmente ludibriado por sons capazes de o distrair e afastar dos locais da sua vigilância, permitindo assim a intrusão, o que para além de gorar a sua missão, colocará em perigo as pessoas e bens à sua guarda. Será igualmente ludibriado quando pouco activo e não desperto para as odores que lhe chegam às narinas.
Quando se adianta para os donos que desejam formar cães de guarda que estes devem ser aprovados na pistagem, os mais simples dirão de imediato que a caça pretendida tem apenas duas pernas! Mesmo depois de alertados para a importância desta disciplina canina, a maioria frequentará as aulas de pistagem de mau grado e aqueles que já têm os cães a guardar depressa se evaporarão (igual sorte não desejamos aos cães). Apesar da pistagem ser uma disciplina pouco concorrida e não muito do agrado dos donos (é por norma abraçada por gente mais esclarecida e devotada a esta prestação canina), ela agrada de sobremaneira aos cães e robustece-lhes os vínculos afectivos com os seus proprietários, para além de ser de extrema utilidade quando alguém ou algo se perde ou desaparece.
É evidente que para a perpetuação da ignorância contribuem uns tantos pseudo-adestradores, “mestres” que fazem a vontade à sua clientela, para quem o ensino dos cães de guarda é “alto”, “senta”, “deita” e “ataca”, como se a disciplina não fosse das mais exigentes dentro do panorama cinotécnico, considerando a salvaguarda de pessoas e cães, os riscos envolvidos e a sua importância para a conservação patrimonial. Remando contra a maré e combatendo a ignorância, persistimos, mesmo que sós, no ensino da pistagem aos cães de guarda, teimosia que sustentamos pelo amor que lhes temos.

NA AMÉRICA DO TUDO OU NADA

Ninguém duvida das profundas assimetrias sociais presentes na sociedade norte-americana, da ignorância de muitos americanos em matéria de geografia e da sua ausência de etiqueta, sendo muitos deles rudes por tradição e opção, mais dados ao individualismo e ao sectarismo que ao bem-estar colectivo e à fraternidade, e nisto não diferem brancos, negros, mulatos, orientais ou ameríndios, espectro que não impede o aparecimento de iniciativas individuais solidárias de inegável valor, necessidade e actualidade, o que transforma a América num ecossistema social do tudo ou nada, à beira da ruína mas sempre com uma centelha de esperança aqui e ali (assim também vai o Mundo).
Há muito que somos leitores assíduos do “The New York Times”, pois agrada-nos o seu editorial, a investigação jornalística que leva a cabo, o tratamento que dá às notícias e o seu interesse. Através deste jornal ficámos a saber da existência de uma organização sem fins lucrativos, “The Guardians”, que se dedica ao bem-estar animal e que se encontra sediada em Smithtown, Long Island/NY, composta por associados da mais variada procedência: ex-agentes do FBI, da Polícia e militares aposentados, carpinteiros, electricistas, ex-presidiários e até membros de gangues, todos unidos na defesa do bem-estar animal, levando a cabo campanhas de castração, providenciando assistência médico-veterinária, construindo novos abrigos para animais de companhia e até resgatando aqueles que foram vítimas de violência e maus-tratos.
Mais ainda, duas ou três vezes no ano, esta gente sai às ruas daquela gigantesca metrópole (New York) e vai aquilatar da saúde, necessidades e bem-estar dos cães pertencentes aos “sem-abrigo” (sem-teto, no Brasil), valendo em simultâneo aos seus proprietários, que invariavelmente não dispensam a companhia dos amigos que lhe restam e que os usam para o aumento dos seus magros proventos (aqui os ciganos romenos que se dedicam à mendicidade fazem o mesmo). Desconfiados a princípio e com medo de ficarem sem os animais, os mendigos suspeitam das boas intenções dos “The Guardians”, que depois de convencê-los, acabam por valer aos animais, providenciando-lhes comida e assistência médico-veterinária quando necessário, devolvendo-os a seguir aos seus companheiros de infortúnio.
Não sabemos se temos por cá uma ou mais associações que se prestem ao mesmo serviço mas se não existem, breve existirão, até porque sempre será mais fácil valer aos cães que aos homens.  

sábado, 25 de março de 2017

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O RANKING semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ SE UM NÃO SABE ENSINAR, O OUTRO NÃO TEM COMO APRENDER!, editado em 21/03/2017
3º _ O MEU CHEFE QUER UM ROTTWEILER PARA CÃO FAMILIAR E DE GUARDA, editado em 22/03/2017
4º _ HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE?, editado em 11/05/2016
5º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2013
6º _ HUSKY E SERRA DA ESTRELA: UMA PARCERIA DIFÍCIL, editado em 04/01/2014
7º _ A SECRETÁRIA LEADSOM QUER PÔR FIM À RIBALDARIA, editado em 16/03/2017
8º _ VOLKOSOBY: A ÚLTIMA INOVAÇÃO CANINA RUSSA, editado em 01/04/2016
9º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
10º _ PRETO-AFOGUEADO E LOBEIRO: DOIS IRMÃOS DE COSTAS VIRADAS!, editado 16/05/2014

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim escalonado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º França, 4º Estados Unidos, 5º Reino Unido, 6º Espanha, 7º Quénia, 8º Rússia, 9º Alemanha e 10º Sérvia.

PORQUE SE TORNA IMPORTANTE COMBATER O AUTOMATISMO DAS ACÇÕES CANINAS

Todos os que nos dedicamos ao adestramento sabemos que sem o contributo das memórias afectiva e mecânica jamais chegaríamos à associativa e o condicionamento canino procurado seria impossível. Sem prejuízo da cumplicidade que não dispensamos, preferimos os cães cuja memória mecânica seja superior à afectiva, porque são mais fáceis de ensinar, não dependem de estados anímicos, são menos propensos à abstracção e assimilam os conteúdos de ensino com maior celeridade. Todavia, depois de alcançados os automatismos julgados como básicos, importa combater a mecanicidade das acções, obrigatoriedade pedagógica que se prende com a salvaguarda dos animais, com o seu aprimoramento técnico, desenvolvimento cognitivo, superior capacitação, reforço da liderança e melhor uso, tudo através de obstáculos ou exercícios que tendo diversos modos de resolução tornam os cães mais atentos, versáteis e menos previsíveis.
Todos os cães com rotinas assimiladas são presa fácil à mão de quem não lhes quer bem, cativam-se ao conhecem e comprometem a sua salvaguarda, não encontrando solução imediata para novos problemas, por força da novidade, exagerada dependência, menor autonomia e fraca carga instintiva, impropriedades que os levam a correr sérios riscos pelos hábitos adquiridos e sem ordem expressa para isso, como foi o caso do Labrador de um aluno nosso, que acostumado a saltar bancos de pedra, saltou naturalmente um pequeno muro empedrado que lhe surgiu na frente, vindo a cair inesperadamente de 3 metros, exactamente sobre uma entrada subterrâneo dum parque automóvel. Este acidente, que resultou na fractura dos ossos da bacia do animal, seria evitado se esperasse a ordem de salto e o seu dono fosse previdente (o homem passeava descontraidamente e ia falando ao telemóvel).
Desde que se descubra por onde passa um javali, o que não é difícil de descobrir pelos indícios que deixa, é fácil armar-lhe um laço e caçá-lo. Também o cão de guarda, em abono da surpresa que lhe garante a vantagem e a salvaguarda, deverá ser ensinado a ocultar-se em diferentes locais de vigilância e a alterar os seus percursos de ronda. Simultaneamente deverá avançar silencioso e dissimulado, porque caso denuncie a sua presença facilmente será eliminado. E como qualquer cão ignora o que está para além do que salta, importa ensiná-lo a transpor os obstáculos à sua frente com diferentes abordagens, o que possibilitará a sua evasão perante armadilhas e reforçará a liderança. E para que isto aconteça torna-se imperativo recorrer a obstáculos de uso duplo ou triplo.

ENSAIAR PARA VOOS MAIS ALTOS

Hoje a nossa classe de instrução foi convidada para exercícios de pistagem e guarda. Os cães neste momento precisam de reaprender a usar o nariz, desábito que adquiriram pelo contacto com os seus donos cujo sentido director mais usado é a visão. A guarda dos pertences do dono e os ataques lançados superiores contra agressores armados e desarmados foram também exercitados. Na foto acima podemos ver o Paulo Motrena a defender-se de um ataque voado do CPA Tyson, cão que nesta matéria não apresenta grandes dificuldades. A foto fica para a história e o trabalho continua para a próxima semana. Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: Sónia/Shane, Hugo/Tyson e Paulo/Bor.

SERIA DA IDADE OU TERIA NASCIDO ASSIM?

Na estrada para a Serra onde usualmente treinamos, deparámo-nos com uma senhora idosa que nela circulava a pé pela berma esquerda como mandam as mais elementares regras de segurança (até aqui tudo bem). Ao repararmos nela vimos que conduzia um cão atrelado do seu lado direito, circulando o animal quase ao meio da estrada! Quereria a dita senhora fazer do cão reflector ou torná-lo em bandeira de sinalização? Tal despropósito ficar-se-ia a dever à idade, à ignorância ou teria nascido assim? Para que a ignorância não encontre em nós terreno fértil, elucidamos os nossos leitores, quando à circular com os seus cães nas bermas das estradas, a fazê-lo com os animais do lado da berma e nunca para dentro das estradas, valendo-se para isso do comando de “troca” que opera a mudança de lado da condução, procedimento que pode evitar percalços e acidentes. 

ALÔ COSTA RICA!

Desde há muito que temos semanalmente leitores da Costa Rica, pequeno país do Caribe, de paisagens equatoriais e luxuriantes com clientela turística certa, que cativa pela hospitalidade do seu povo, magníficas florestas e praias paradisíacas. Queremos daqui endereçar-lhes o nosso sincero bem-vindo e esperamos continuar a ser alvo do seu interesse, interesse que tem aumentado entre os brasileiros, irmãos do outro lado do Atlântico que nos são igualmente caros. Entre os eslavos, depois dos russos, os sérvios são aqueles que hoje mais nos procuram. Добродошао!

PIADA MUITO ACTUAL

Quem diria que a mudança da hora acabaria por alterar as rotinas dos galos!

quarta-feira, 22 de março de 2017

O MEU CHEFE QUER UM ROTTWEILER PARA CÃO FAMILIAR E DE GUARDA

A afirmação acima reporta-se a um aluno nosso cujo chefe pretende adquirir um Rottweiler, porquanto vive numa quinta, adora cães e tem uma propriedade para guardar. Segundo nos fizeram constar, o homem ronda os 40 anos de idade, é saudável e activo, ainda que por vezes se veja sobrecarregado de trabalho. Se o conhecêssemos e soubéssemos que tinha condições para tal aquisição dar-lhe-íamos de imediato os parabéns pelo acerto na escolha, considerando as mais-valias presentes neste cão alemão que respondem cabalmente às expectativas nele depositadas, porque é dócil e valente como poucos (talvez nisso seja único). Como o futuro proprietário canino é inexperiente na cinotecnia, estranhamos a sua preferência e vemo-nos obrigados aos esclarecimentos necessários.
A esmagadora maioria dos Rottweilers registados que encontramos hoje no mercado são por norma meio desconcertados, afáveis e simpáticos, muito fáceis de sociabilizar, calmos e amantes do sossego, com fracos impulsos ao movimento, ao poder e à luta, sobrando-lhes em contrapartida um forte impulso ao alimento. Animais assim são excelentes companheiros e amigos, por vezes um pouquinho maçadores e carentes de atenção, tropa que não causa transtorno e que não se importa de ser incomodada, mais dada à interacção que à observação – amigos que estão de bem com a vida e que a vêem em tons de rosa. Como se depreende, estes cães não se prestam em absoluto ao ofício guardião, já que a selecção actual apontou na direcção contrária (a castração acabou por vitimar os mais valentes), muito embora se prestem ao alarme e a fama somada à sua imponência física sejam fortemente dissuasoras (deve ser por isto que o homem procura um Rottweiler). Resta dizer que estamos inteiramente de acordo com esta política de selecção considerando a toleima de alguns e a segurança de todos
Conhecedores das diferentes linhas dos Rottweilers presentes em Portugal, inclusive das de trabalho (em franco emagrecimento de fileiras e onde ainda são visíveis esporadicamente exemplares de pelo comprido), sabemos da existência de cães destes para guarda, portadores de fortes impulsos ao movimento, à defesa, à luta, ao poder e ao conhecimento, indivíduos com excelente máquina sensorial e bem aprumados, de envergadura sólida, mandíbulas potentes e forte ossatura, cães territoriais e obedientes que não se enamoram de estranhos, que vivem na estrita dependência dos donos e que não hesitam em dar a vida na defesa dos seus pertences (agregado familiar inclusive). Contudo, porque são armas letais e nem tudo o que parece é, exigem donos ordeiros, experientes, decididos e precavidos, líderes capazes de os activar e desactivar completa e automaticamente, porque doutro modo os acidentes poderão surgir em força e sobre quem menos se espera. Por comparação pergunta-se: poderão todos os cidadãos ter acesso às armas de fogo? A vivência norte-americana diz-nos que não e infelizmente não é única!
Para aqueles que não têm tempo e são coléricos, que têm um agregado familiar irreverente e por vezes exaltado, que recebem visitas assiduamente (inclusive crianças), que são distraídos e pouco apegados aos procedimentos, que entendem o adestramento como uma brincadeira, que são indisciplinados, não tem rotinas e que detestam regras, um Rottweiler assim, para além de ser contra-indicado e um desassossego, poderá reverter-se no pior dos disparates, porque o cão poderá inventar serviço quando não lho distribuem. Optar por um cão com tal poder e potência de mordedura não está ao alcance de todos e ainda bem que não, porque doutra forma há muito que o Rottweiler e outros cães similares teriam entrado em extinção e não em uso restrito.
Como sempre fizemos e vamos continuar a fazer, iremos convidar o chefe do nosso aluno a visitar-nos e a assistir a uma das nossas aulas, para que saiba do que consta o treino dos cães de guarda e a quanto obriga, possa falar das suas expectativas e experimente o papel de cobaia, intercâmbio e experiência que poderão valer-lhe na escolha do cão certo para o seu perfil psicológico e particular familiar. Esperemos que ele venha! À parte disto, conscientes da nossa responsabilidade e para não faltarmos à verdade, dizemos: o Rottweiler é provavelmente um dos mais formidáveis cães do mundo!  

terça-feira, 21 de março de 2017

IT’S JUST A DOG!

Vamos à notícia que se conta em poucas linhas. Na última Sexta-feira, dia 17 do corrente mês, no aeroporto de Auckland/Nova Zelândia, um cadela de nome Grizz, adestrado para detectar explosivos/bombas, obviamente mal adestrada, escapou-se para a pista asfaltada de aterragem e partida dos aviões daquele aeroporto, permanecendo ali três horas sem que ninguém a conseguisse apanhar, vindo depois a ser abatida pela polícia, já que tinha atrasado 16 voos domésticos e internacionais, porque os pilotos dos respectivos aviões, temendo pela segurança dos passageiros, optaram por não descolar com o animal à solta. De Acordo com o jornal “New Zealand Herald”, a cadela não se encontrava na pista mas no perímetro exterior daquele aeroporto. Para não ferir susceptibilidades pela opção letal, foi dito aos passageiros envolvidos no incidente que a Grizz tinha sido apanhada e só depois lhes foi adiantado que havia sido morta. Inquiridos sobre a solução encontrada, 60% deles achou desnecessária a morte do animal. Houve quem questionasse qual razão que levou a polícia a não utilizar dardos tranquilizantes. Decididamente o medo do terrorismo e dos terroristas tem tomado conta das sociedades ocidentais.
Não sabemos que preparação específica tinha a segurança daquele aeroporto para lidar com um problema destes, como não sabemos, e tudo indica que não, se a polícia tinha outros meios à sua disposição. Certo é que a Grizz foi abatida gratuitamente e por “fogo amigo”, talvez por alguém que a considerasse “apenas um cão”, apesar dos custos e da relevância do seu trabalho. Faltarão lá para a Nova Zelândia adestradores? Andarão ali a ter pesadelos com cães-bomba? Em três horas não houve ninguém capaz de apanhar um cão manso à partida? Pese embora a morte da Grizz, pensamos e desejamos que ela não tenha sido em vão, que no futuro o bom senso impere e que situações como estas, ao servirem de lição, não se repitam. Há horas e latitudes onde não se pode ser cão, particularmente tendo como inimigo a Polícia Kiwi.

SE UM NÃO SABE ENSINAR, O OUTRO NÃO TEM COMO APRENDER!

Lá voltamos nós ao velho assunto das pistas tácticas, cada vez mais desusadas por condutores caninos civis, militares e policiais, sequências de obstáculos específicos para um melhor desempenho e capacitação dos cães na sua especialidade. À parte destes benefícios, estas pistas têm muito para ensinar aos binómios, experiência que possibilita a cumplicidade nas situações mais difíceis, obriga os condutores cinotécnicos ao acerto e liberta os cães de esforços desnecessários e consequentemente de indesejáveis lesões. O problema hoje é que tecnicamente os condutores são deploráveis, desconhecendo o que fazer diante de obstáculos onde o simples aliciamento não basta para a sua resolução e, quando basta, acaba por colocar em risco a integridade física e psicológica dos animais pelo mau atavio técnico de quem os conduz nas tentativas indutoras ao acerto.
Este abandono dos cães a si próprios, que desconsidera as ajudas dos seus condutores e que obviamente dispensa também o auxílio da trela (utensílio célere que possibilita o sucesso na transposição dos obstáculos por garantir a direcção certa, a necessária marcação do salto, a sua entrada, área a transpor e saída), acaba por causar-lhes entraves cognitivos sérios e resistência por força dos insucessos experimentados. Devido às tentativas fracassadas, a liderança sai enfraquecida e a cumplicidade comprometida por conta da inusitada autonomia (não estamos a falar de lobos mas de animais que sempre esperam a nossa orientação para a resolução de problemas mútuos).
É evidente que os cães melhoram as suas prestações com o tempo e o treino (estamos a falar da experiência que neles se transforma em lições de vida), mas se nunca aprenderem a ultrapassar correctamente os obstáculos jamais o farão, empregando invariavelmente exagerados esforços ou empreendo desnecessárias reduções da marcha segundo o método de transposição que encontraram mais conveniente. Importa dizer que os diferentes grupos de obstáculos constantes nas pistas tácticas têm sequências naturais, partindo-se do mais simples para o mais complicado e do mais fácil para o mais difícil, só se devendo nelas evoluir depois da aprovação canina nos antecedentes.
Um condutor cinotécnico, para além de ser lesto em recompensar, deve saber ajudar o cão onde ele necessita de auxílio, não o abandonar nas dificuldades, saber colocar-se nas transposições e adiantar-se na saída dos obstáculos, incentivar o animar à voz e acalmá-lo quando dominado pelo stress. Mais, não deve convidar o cão para esforços para além da sua preparação, força e capacidade de resolução, capacidade de resolução que será tanto melhor quanto for a do seu condutor.
Poderemos ensinar cães como se de gatos se tratassem? Nunca! Por vezes, assim como quem não quer a coisa, perante a inoperância do racional e com os cães entregues à sua sorte, observamos certos condutores que nos lembram símios a tentar dialogar infrutiferamente com os seus incompreendidos lobos familiares, valendo-se de umas tantas macacadas para o alcance dos seus intentos. 
No adestramento uma das grandes verdades é esta: tramado está o cão cujo dono não o sabe ensinar!