sábado, 30 de setembro de 2023

SAÍDA NUMA NOITE SUBTROPICAL

 

Debaixo do outono climatológico e uma semana depois do seu equinócio, já com menos horas diárias de sol, saí ontem à noite com a classe e dirigi-me à cidade que, como era sexta-feira, estava pejada de gente nas praças e cafés, pormenor que me interessava face à necessária coabitação harmoniosa dos cães nos ecossistemas com maior burburinho. Os que apenas estão acostumados à sua “almofada de conforto”, que é Pista Táctica, são tomados de um transe frenético quando saem à rua, sentindo-se incomodados perante tanta novidade. Sair numa noite subtropical com um braquicéfalo e mantê-lo em exercício com os demais exige um cuidado suplementar, porque os seus ritmos vitais têm tendência para aumentar desmesuradamente, apresentando por isso maiores dificuldades em arrefecer e por conseguinte em recuperar (o fim dos cães de focinho achatado está para breve e em alguns países já não são permitidos). E já que estávamos na rua, aproveitamos as muitas possibilidades de sociabilização que ela tem para oferecer.

Com tanta sebe natural e obstáculos artificiais à nossa volta, optámos por fazer algumas transposições simples para animar os donos e tornar o treino interessante para os cães, porque estes, ao contrário dos porcos, não se encantam com chiqueiros e procuram sempre qualquer novidade que enriqueça o seu quadro experimental. Os exercícios propostos foram do agrado dos cães e as ruas, de um momento para o outro, ficaram desertas como se as tivéssemos comprado só para nós – o SL Benfica estava a jogar contra FC do Porto! O passeio nocturno citadino foi agradável, os binómios foram poupados e daqui a pouco voltarão a trabalhar (seria óptimo se o dia não aquecesse demais). 

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

DE VAGABUNDO A POLÍCIA

 

Há mudanças de vida nos cães que dificilmente acontecerão às mulheres e aos homens. Será porque as pessoas, como tantas vezes tenho ouvido dizer por aí, gostam mais de cães do que umas das outras? Se é, algo de muito errado está a acontecer com elas, porque até os próprios cães se constituem em matilhas! Tudo isto passa a leste do “SID”, um Pastor Belga Malinois que foi encontrado a vaguear pelas ruas de Cardiff, no País de Gales. Acabou acolhido pela CARDIFF DOGS HOME e quando ficou disponível para adopção ingressou temporariamente na POLÍCIA DE GALES DO SUL.

A citada polícia informou que o Sid passou com sucesso a avaliação a que foi sujeito, sendo agora um cão polícia de uso geral totalmente licenciado. A inspectora Elen Reeves disse: “É um prazer ver o que o PD Sid se desenvolveu no treino desde que ingressou na Polícia de Gales do Sul, de onde começou como um cão abandonado a vagar pelas ruas de Cardiff até se tornar um membro muito querido e valorizado do TeamSWP (da polícia), onde esperamos que ele tenha uma carreira longa e feliz aqui connosco na seção canina. “Estou extremamente grata pelo trabalho que a Cardiff Dogs Home faz e pelo apoio que nos dão. O Sid é um excelente exemplo da parceria que temos.”

Lá como cá e em todo o lado, há sempre alguém à espera que um cão bom caia no meio da rua para o apanhar ou que uma velhota já não se aguente com o valente cão que tem em casa e esteja na disposição de se livrar dele. Seria bom que a ração que a polícia de Gales do Sul dá aos cães seja capaz e própria para o serviço que os animais desempenham, não uma “ração de combate” (1) com um percentual de proteína abaixo dos 15% e com um percentual de gordura abaixo dos 8%, como sucede em países onde os tratadores, se querem ter os cães que lhes estão distribuídos em razoáveis condições, vêem-se obrigados a subsidiar, às escondidas ou às claras, a alimentação dos seus parceiros caninos. Apesar de esporadicamente céptico, sou de predominância optimista e creio que o SID vai ter a barriguinha mais aconchegada do que quando andava a vaguear pelas ruas da capital galesa.

(1)Termo que na gíria cinotécnica é usado para designar uma ração que é boa para todos, menos para os cães.

OS CÃES A TUDO SE PRESTAM, INCLUSIVE PARA O CRIME

 

O suposto traficante de drogas indiano que usava cães para atacar a polícia e pôr-se em fuga, já foi preso no estado de Tamil Nadu. Este suspeito havia soltado cães violentos sobre uma equipa de busca policial antes de fugir. Foi detido no seu esconderijo em Tirunelveli, no estado atrás citado, segundo disse a polícia hoje, sexta-feira. Depois de detido foi levado ontem à Esquadra de Gandhi Nagar para interrogatório. Se não me engano, acabará por confessar sem dificuldade o que fez e aquilo que não fez! “Ele foi capturado em Tamil Nadu e levado para Kerala ontem à noite”. Uma busca surpresa planeada pelo Esquadrão Antinarcóticos da Polícia de Kottayam à casa dele, por suspeita de tráfego de droga, na noite do passado dia 24, apanhou os polícias desprevenidos devido à presença de vários cães violentos treinados para atacar qualquer pessoa que vestisse roupas de cáqui. A presença daqueles cães atrapalhou o processo de busca na noite de domingo passado, permitindo ao suspeito pôr-se em fuga, enquanto os polícias tratavam de defender-se dos ataques daqueles animais. Agora já detido, não há cão que lhe valha!

Todos sabemos que este não é um caso único no mundo, que criminosos de vária índole servem-se também de cães para ameaçar, assaltar, roubar, violar e até matar as suas vítimas, pelo que não é de estranhar que venham até às escolas caninas aprender ou que lhes paguem os serviços a pretexto da necessidade urgente de um ou mais cães de guarda. Como ninguém traz escrito na testa aquilo que é e os adestradores não são por norma bruxos, antes de aceitar a incumbência, qualquer adestrador ver-se-á obrigado a inquirir sobre o propósito e a necessidade daquele serviço, assim como ter o maior número de informações e garantias acerca dos seus donos. Perante qualquer dúvida, a opção certa é não aceitar o serviço, para que não sejamos pagos pela desgraça e sangue alheios. Nos anos que levo a adestrar não tenho notícia de ter fomentado alguma vez o crime, mas sempre me neguei a ensinar cães para segurança aos indivíduos pouco equilibrados e coléricos, a pensar no bem-estar dos seus cônjuges, filhos, famílias, amigos, vizinhos e colegas de trabalho. Como os criminosos já nos chegam com a lição estudada, precisamos de alguma experiência, tacto e perspicácia. Nesta matéria a melhor regra a seguir é da contabilidade: “até prova em contrário, está tudo errado”.

O DOBBY NAS MÃOS DE UMA OLEIRA

 

Ontem dei mais uma lição ao binómio Maria/Dobby objectivando o melhor preparo da dona e consolidar a sociabilização do animal. Debaixo deste propósito, foi o binómio levado para locais bastante concorridos por pessoas, nomeadamente esplanadas onde muita gente vai beber um copo ao final do dia e relaxar depois do trabalho. No entanto, era importante que o Dobby começasse a ter contacto directo com alguém para além da dona e do Adestrador, o que não era de todo uma tarefa fácil. Sem hesitar, levei o binómio para o meio de uma feira temática que dava as boas vindas aos visitantes e despedia-se deles através de diferentes mandalas (foto acima). Numa pequena barraca-stand, encontrámos uma simpática oleira a trabalhar, também mãe de três filhos e psicóloga social, que consegui convencer a ajudar-nos na recuperação do Pastor Alemão, apesar dela ter dito no final da experiência que nunca tinha sentido os seus esfíncteres tão contraídos. A primeira coisa que lhe pedimos foi dar água ao cão (foto abaixo), aproveitando que o animal estava com sede. Depois de algumas lambidelas, o Dobby, como é seu mau-hábito, depois da oleira o ter olhado olhos nos olhos, começou a fixá-la e preparava-se para varrê-la, o que não veio a suceder pela minha pronta intervenção.

Apesar do insucesso da experiência anterior, a oleira ainda se disponibilizou para oferecer biscoitos ao cão, exactamente os da sua preferência, vindos da mochila e das mãos da sua dona. O Dobby abocanhou os biscoitos rápida e suavemente, sem nunca ter lambido as mãos à oleira conforme sempre faz à sua condutora.

A partir daí, o cão sentiu-se mais à vontade com a nova patroa da comida e acabou por ir dar um pequeno passeio com ela, que evoluía tão petrificada quanto o barro cozido. Mas tudo correu bem e correu porque o Dobby já assimilou os comandos básicos da obediência e ainda não foi sujeito ao treino da contra-ordem, capacitação que acontecerá lá mais para diante, quando se encontrar verdadeiramente sociabilizado, porque doutro modo tornar-se-ia descontrolado.

Pouco a pouco, a oleira, de uma simpatia e disponibilidade inexcedíveis, ao tornar-se mais confiante, foi-se soltando e lá ia conseguindo esboçar alguns sorrisos do tipo “parece que desta já me livrei!” A foto seguinte espelha o que acabo de dizer.

Agradecemos vivamente a colaboração da oleira e não lhe comprámos nada, porque nada tinha naquele momento para vender. Se há uma Pátria onde os psicólogos são desvalorizados e mal remunerados essa é a nossa, onde todos se julgam psicólogos e treinadores de bancada. Despedimo-nos daquele local depois de apreciarmos atentamente uma magnífica mandala (1).

Para a semana retomaremos os trabalhos com o até aqui insurrecto Dobby, esperançados em fazer dele um cão capaz, um companheiro que jamais volte a pôr em cheque a sua dona, isto se para tanto ela nos ajudar. Que tenham os dois um bom fim-de-semana, é o que eu desejo!

(1)Mandala é m representação geométrica da relação dinâmica entre o homem e o cosmos, uma figura geométrica em que um círculo está circunscrito num quadrado ou vice-versa. Esta figura possui divisões mais ou menos regulares e é dividida por quatro ou múltiplos de quatro. Uma mandala é também uma espécie de yantra (instrumento, meio, emblema) que nas diversas línguas da Península Indostânica significa “círculo”. As mandalas outra coisa não são do que diagramas rituais geométricos que correspondem a determinado atributo divino e podem também ser uma manifestação de encantamento (mantra).

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

 

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:

1º _ DE PEQUENOS TRABALHOS SE CONTRÓI A LONGEVIDADE, editado em 23/09/2023

2º _ OLD ENGLISH SHEEPDOG: UMA QUESTÃO DE CLASSE, editado em 28/09/2023

3º _ PRAIAS DO PAÍS DE GALES À BROCHA COM ICEBERGUES DE ÓLEO DE PALMA, editado em 28/09/2023

4º _ O CÃO AZUL: O SANTO GRAAL DO CPA, editado em 30/05/2016

5º _ HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE, editado em 11/05/2016

6º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015

7º _ CÃES CAÇADORES DE OSSOS, editado em 26/09/2023

8º _ MAS AFINAL QUANTOS PETS HÁ NA AMÉRICA LATINA?, editado em 26/09/2023

9º _ EM PASSO DE CORRIDA!, editado em 25/09/2023

10º _ ENQUANTO UNS COMBATEM, OS OUTROS CONFIAM NA VIRGEM, editado em 24/09/2023

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

 

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:

1º Portugal, 2º Estados Unidos, 3º Brasil, 4º Alemanha, 5º Singapura, 6º Suécia, 7º Espanha, 8º França, 9º Itália e 10º Moçambique.

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

OLD ENGLISH SHEEPDOG: UMA QUESTÃO DE CLASSE

 

Ao escrever sobre esta raça canina que me é tão querida e que tão bem conheço, estou simultaneamente a prestar homenagem a um cão destes que viveu comigo 23 anos – o Faruk – que nunca me exigiu nada, nem sequer me aborreceu, tudo fez para me agradar e sempre se mostrou feliz, apesar de ter o mau hábito de urinar nas pernas das senhoras de odor mais forte, o que desagradava profundamente as visadas, que eram sempre as mesmas e que obrigava algumas a espreitar antes de saírem de casa e outras a mudar de caminho para evitarem o incómodo. O OLD ENGLISH SHEEPDOG (OES) é famoso pela sua natureza suave e agradável, abundante pelagem desgrenhada, um característico andar de urso e extrema agilidade. Cão excursionista, bastante interactivo, rústico, forte e saudável, que exige ser tratado com boas maneiras, tem ainda como qualidades ser vigilante, corajoso, afectuoso e inteligente, também paciente e protector, um cão de guarda sensato que avisa alto e que é óptimo para as crianças e outros animais de estimação, podendo concorrer a provas de beleza, obediência, agility e pastoreio. Porém, esta raça grande e ossuda, apesar se adaptar bem à vida num apartamento, requer diariamente caminhadas e brincadeiras (jogos). Contrariamente ao que se julga, o Old English Sheepdog não larga tanto pêlo como se imaginaria à partida.

Quanto ao exercício físico de que carece, o OES requer alguma actividade física regular, subsistindo na raça indivíduos com níveis de actividade diferentes. Todavia, eles costumam “desligar o botão” quando entram em casa. Apesar de teimoso, este cão é inteligente e razoavelmente fácil de treinar, abomina repetições sistemáticas, usa preferencialmente a memória afectiva e responde francamente à recompensa. No ensino, pode participar em aulas colectivas sem qualquer problema, tende a bloquear com a coerção e o stress, a marcha é o andamento natural que mais usa, transita de andamentos razoavelmente e o seu galope é mais elástico do que abrangente. Saltos forçados ou corridas em superfícies duras deverão ser evitadas até que estes cães tenham pelo menos 2 anos de idade e as suas articulações estejam totalmente formadas, o que não impede que sejam sociabilizados precocemente. Os conteúdos de ensino a ministrar-lhes deverão pressupor a diversão e a novidade de tarefas – há que evitar a todo custo que fiquem entediados.

O Old English Sheepdog exige uma alimentação de alta qualidade, quer seja ração ou comida confeccionada. A quantidade que um cão adulto deverá comer irá depender do seu tamanho, idade, constituição, metabolismo e nível de actividade. Sobre a actividade há ainda a dizer que estes cães aguentam as amplitudes térmicas porque o seu manto permite o arrefecimento quando necessário e os raios solares não o aquecem em demasia. Como cada cão é um caso (estamos a falar de indivíduos), nem todos precisam da mesma quantidade de comida. Como a raça apresenta tendência para a obesidade, é extremamente importante que os donos verifiquem regularmente o peso dos seus cães, havendo o cuidado de não superalimentá-los, daí a necessidade de observar o consumo de calorias e o seu. As guloseimas que fazem autênticos milagres no treino, não devem ser dadas em demasia para não lhes causar obesidade. Os cinco problemas de saúde que mais afectam o OES são: displasia coxo-femoral; cataratas; atrofia progressiva da retina; hipotireoidismo e surdez, achaques bastantes comuns nas raças grandes e nos cães de pelo encaracolado.

O Old English Dog, também conhecido por BOBTAIL, é um cão curto de origem britânica, com eixos crânio-faciais superiores levemente divergentes o que lhe permite facilmente encontrar pistas recentes e transitar para o galope com alguma facilidade (apesar de nada ter de retriever, pode ser um excelente nadador). Como não é de grandes explosões e é afectuoso, é o companheiro ideal para as crianças e um parceiro vistoso para as senhoras. Poderá ser o parceiro ideal para um idoso desde que possa fazer exercício por si e tenha espaço para isso. Cão típico do ambiente rural, pode executar na perfeição a condução de rebanhos e a guarda de propriedades. Mas se você é daqueles donos que defende a máxima de “donos em casa; cães no canil”, então não adquira um OES, porque eles não suportam ser privados da companhia e do calor das pessoas. Muito mais haveria a dizer sobre este extraordinário cão, que hoje se vê tão pouco, um companheiro capaz de nos acompanhar para todo o lado, uma prenda excelente para um garoto e um verdadeiro subsídio de ensino para quem se quer lançar no adestramento e que não tem pretensões a ser Rambo.

PS: Em termos de similitude, principalmente de carácter, não obstante ser mais pequeno, o cão que cá temos mais parecido com o Bobtail é o Cão de Água Português, um anjo que é igualmente teimoso.

BICICLETAS: UM PROBLEMA COM SOLUÇÃO

 

Ontem, quarta-feira, dia 27 de setembro, por volta das 17h30, no município alemão de Lauf, pertencente ao distrito de Ortenaukreis, na região administrativa de Freiburg, estado de Baden-Württemberg, uma menina foi atacada e ferida por um cão desconhecido na Laufer Lochfeldstrasse. De acordo com o que foi dito pela polícia, a menina estava a andar de bicicleta e viu-se obrigada a parar para apertar um sapato. Quando a garota se agachou para amarrá-lo, um cão correu na sua direcção e mordeu-lhe o rosto. Apesar dos repetidos esforços do dono, o cão não largava a menina, largando-a finalmente quando o dono conseguiu segurá-lo pela coleira. Inacreditavelmente, os dois donos do cão agressor nada fizeram para valer à menina, seguindo o seu caminho como se de nada se tratasse. Foi um residente local que acabou por levar a garota ferida até aos seus pais, que a levaram a um hospital próximo. Acredita-se que o cão agressivo tenha sido um Boxer e os polícias da esquadra de Achern/Oberkirch esperam receber mais informações sobre a identidade dos donos do referido cão através de uma linha telefónica que disponibilizaram para o efeito.

Mais uma vez estamos perante donos irresponsáveis e penso que nunca nos livraremos deles, pelo que aguardamos dias melhores (dizem que a esperança é a última coisa a morrer). Lamentavelmente, esta não foi a primeira criança ciclista a ser mordida e não será certamente a última, não tendo os ciclistas adultos melhor sorte (que o digam os ciclistas de estrada que treinam diariamente). Porque o problema está cá e importa resolvê-lo, as bicicletas e os ciclistas, assim como os motares e as motos, deverão fazer parte do currículo da sociabilização a ministrar aos cães, para que se familiarizem com estes veículos e os seus condutores, evitando-se assim as desconfianças e picardias que sustentam as indesejáveis e por vezes fatais perseguições. A Acendura Brava há muito que sustenta um plano em três frentes para a resolução deste problema e sempre se tem dado bem quando sugere aos seus condutores caninos tarefas domiciliares, escolares, e no exterior, para tornar mais célere a familiarização que sustenta a sociabilização pretendida.

Como cães que são criados com bicicletas e ciclistas raramente lhes ganham aversão, a menos que sejam magoados involuntariamente pelos veículos, aconselha-se a quem tem um cão que compre logo que possível uma bicicleta para acostumar quanto antes o animal ao velocípede. Quando a habituação do cão for plena, e esta deve ser gradual, poderá mais tarde trazê-lo dentro de um atrelado, atrelá-lo ou transportá-lo num cesto adequado, dependendo isso do tamanho e peso do animal. Estas tarefas domésticas que se desejam felizes e sem atropelos, irão ser complementadas na Pista Táctica com obstáculos constituídos por bicicletas sobre os quais os cães irão saltar, exactamente como fazem perante qualquer obstáculo do seu quotidiano. Este trabalho, quando bem efectuado, irá alterar a percepção dos cães em relação às bicicletas, que transitarão de presas para objectos de trabalho. Com as bicicletas assimiladas aos olhos do cão como parte dos acessórios do seu lar e do seu trabalho, é chegada a terceira e derradeira fase: o trabalho no exterior.

Uma vez no exterior e debaixo da orientação do Adestrador, os cães serão convidados para percursos onde serão ladeados por ciclistas, primeiro individualmente e depois por um grupo. Disso se evoluirá para a passagem das bicicletas pela retaguarda dos cães e para os cruzamentos laterais e frontais, primeiro com os ciclistas em silêncio e depois em algazarra; primeiro com os cães atrelados e depois em liberdade. Costumamos selar este trabalho com um ou mais saltos sobre um ciclista sentado na sua bicicleta, pedindo aos animais saltos de ida e volta. Até hoje nunca tivemos um cão por nós ensinado que corresse atrás de bicicletas ou motos, muito embora recapitulemos estes trabalhos várias vezes durante o ano – as bicicletas são um problema com solução! E sabem que mais? A SOCIABILIZAÇÃO que é pedida aos cães é o RESULTADO DA COMUNHÃO DE VIDA QUE TÊM ou deveriam ter! 

PRAIAS DO PAÍS DE GALES À BROCHA COM ICEBERGUES DE ÓLEO DE PALMA

 

Os donos de cães na Ilha de Anglesey, no País de Gales, estão a ser alertados para ficarem atentos aos “icebergs” de óleo de palma que aparecem nas praias da região. Grandes pedaços da substância fétida foram removidos da costa da Baía de Trearddur e os surfistas relataram ter avistado mais a flutuar no mar. O óleo de palma é frequentemente visto em blocos cerosos escuros, amarelados ou brancos. Não é prejudicial aos humanos, mas pode ser fatal para animais de estimação. Os usuários da praia são aconselhados a manter os seus cães atrelados e longe da substância, segundo relata North Wales Live. Voluntários ajudaram a remover dois grandes icebergs encontrados na praia de Anglesey esta semana, mas há preocupações de que a tempestade Agnes possa ainda trazer mais. O primeiro, grande demais para ser levantado, encheu 12 sacos de lixo quando foi partido e retirado. Alguns restos de óleo de palma foram encontrados na manhã de quarta-feira (27 de setembro) e temia-se que a tempestade durante noite passada pudesse trazer mais. Os donos de cães estão em alerta máximo, pois o óleo de palma, que tem um cheiro adocicado e enjoativo, é irresistível para os cães e pode causar-lhes complicações.

A primeira pessoa a dar o alarme foi Paul Dean, que ajudou na limpeza e disse ao NorthWalesLive : “Em ambos os casos, contactámos o departamento de resíduos do Conselho de Anglesey para informá-los onde colocamos os sacos. Nas duas ocasiões enviaram alguém para vir buscá-los no mesmo dia. “Estive na praia na quarta-feira e havia apenas alguns pedaços pequenos, que foram para o lixo. Agora teremos que esperar para ver o que a próxima tempestade trará consigo...”. Por ser um óleo vegetal comestível usado em muitos alimentos processados, o óleo de palma não é venenoso para os cães. Mas tem efeito laxante e, se ingerido, pode causar enjoos, diarreia e desidratação. Em casos extremos, a pancreatite é possível, de acordo com os veterinários consultados. “O óleo de palma resultou em complicações graves numa pequena minoria de cães”, disse a Vets Now num blogue online . “Um estudo com 60 cães que ingeriram óleo de palma descobriu que menos da metade apresentava sintomas como vómitos, diarréia ou fezes moles. No entanto, todos se recuperaram e não houve evidências que sugerissem que a ingestão de óleo de palma em cães pudesse ser fatal.” O óleo de palma chega às praias de todo o mundo porque é utilizado pelos navios como agente de limpeza na lavagem dos seus tanques de combustível no mar.

No início deste ano, Frankie Hobro, director do Zoológico do Mar de Anglesey, disse ao North Wales Live: “Inacreditavelmente, é perfeitamente legal que os navios despejem óleo de palma no oceano quando esvaziam os seus porões, desde que estejam a pelo menos 19 quilômetros da costa. “O resultado são icebergues de petróleo... que chegam às praias. A cor varia, assim como o tamanho e a forma, podendo pesar até um quarto de tonelada! É comum que um grande número deles seja levado para as praias da mesma área ao mesmo tempo.” Acredita-se que Anglesey seja um ponto importante para depósitos de óleo de palma como resultado de um naufrágio em 1991. O navio maltês Kimya transportava óleo de palma na sua carga quando se virou durante uma tempestade a 25 quilômetros a sudoeste de Holyhead. Apesar dos valentes esforços de resgate, 10 tripulantes morreram. Acredita-se que as tempestades subsequentes tenham movido o navio naufragado e desalojado o óleo de palma do porão do navio, parte da qual foi parar na baía de Trearddur. Nas praias, os pedaços congelados muitas vezes parecem seixos cerosos ou pedregulhos e são coloridos de branco, amarelo ou laranja.

Por certo os galeses irão dar conta do recado. O que nos importa saber é que, infelizmente, “icebergues” destes também vêm ter às nossas praias! Há que reconhecê-los, afastar os cães e avisar as autoridades da sua presença para procederem à sua remoção. Caso algum cão proceda à sua ingestão ou de outra substância trazida pela maré, recolha uma amostra caso não saiba do que se trata, contacte logo que possível o seu veterinário e siga as indicações que lhe forem dadas. Lamentavelmente, nem pessoas nem cães podem estar completamente à vontade nas praias nos dias de hoje! Por prevenção, para se evitar maiores riscos para a saúde dos animais, os seus donos deverão percorrer primeiro a praia onde pretendem ficar com os cães atrelados, soltando-os depois e mantendo-os debaixo de controlo, caso se verifique não haver qualquer perigo para a sua saúde. Curiosamente, todos deveríamos fazer o mesmo, inclusive aqueles que não têm cão, independentemente da bandeira que estiver içada na praia.

quarta-feira, 27 de setembro de 2023

MUITO MAIS DO QUE UMA MERA HOMENAGEM A UM CÃO ZAROLHO

 

Você sabe onde fica Berthoud? Você não sabe, eu não sei e penso que a maioria dos norte-americanos também não saberá! Berthoud é uma pequena cidade no Colorado, nos Condados de Larimer e Weld, que tem uma estátua a um Chihuahua zarolho chamado Harley, mandada erigir pela cidade este ano, 5 anos depois do desaparecimento do pequeno animal cuja raça é de origem mexicana como todos sabemos. Vamos saber um pouco da história do Harley e qual o seu significado, uma vez que se encontra ligado a uma organização chamada “HARLEY’S DREAM”.

Foi em 2011 que Rudi Taylor de Berthoud teve conhecimento deste Chihuahua, acabando por resgatá-lo de uma fábrica de cachorros. Enquanto ali esteve, e foram 10 anos, o Harley perdeu um olho numa lavadora de alta pressão, viu as suas pernas mutiladas e foi afligido por outras doenças. Não obstante, Rudi adoptou o Chihuahua, trouxe-o para o Colorado e iniciou o processo de torná-lo num cão amado e amoroso novamente.

A notícia da história e do apoio que Rudi deu ao Chihuahua depressa se espalhou, tornando-se o Harley num exemplo e num embaixador daquilo que pode acontecer nas fábricas de cachorros, sendo em simultâneo uma inspiração para muitos sobre como superar “as suas imperfeições”. Durante os cinco anos que viveu depois de ter saído da fábrica dos cachorros, ajudou a salvar mais de 700 cachorros e cães de fábricas idênticas.

Hoje, o Harley encontra-se imortalizado numa pequena escultura de bronze no Parque Fickel de Berthoud, entre outras esculturas no lado sul do parque. O Fickel Park fica entre as ruas 6 e 7 ao longo da Mountain Avenue em Berthoud. De acordo com o que fez saber o Reporter-Herald, a escultura de bronze foi recriada digitalmente e ampliada a partir de uma peça original muito mais pequena da autoria de Helen Violet em 2016.

Ainda que Harley tenha falecido em 2016, a Harley’s Dream continua a homenageá-lo: “A Harley's Dream foi fundada em 2016 em homenagem a Harley, um sobrevivente sénior de uma fábrica de cachorros com um olho só que se tornou o rosto e a voz dos cães das fábricas de cachorros, ganhando a distinção de ser o AMERICAN HERO DOG DE 2015 pelo seu trabalho. A nossa missão é consciencializar e educar o público sobre a cruel indústria comercial da criação de cães (também conhecida como fábricas de filhotes) e resgatar e realojar cães idosos necessitados.” Para além do significado atribuído à sua vida e por causa dele, o pequeno Chihuahua Harley acabou por pôr o nome de Berthoud no mapa dos Estados Unidos e no Mapa múndi.

O COMMANDER NÃO DÁ TRÉGUAS NA CASA BRANCA

 

COMMANDER”, um dos Pastores Alemães de Joe Biden, presidente norte-americano, mordeu um membro dos serviços secretos na Casa Branca no noite de segunda-feira, sendo este o último de uma série de episódios em que um dos animais da família presidencial morde alguém desde que o “Old Joe” assumiu o cargo em 2021. “Ontem, por volta das 20h00, um polícia da Divisão Uniformizada do Serviço Secreto entrou em contacto com um animal de estimação da primeira família e foi mordido”, disse Steven Kopek, porta-voz da agência, na terça-feira. “O polícia foi tratado pela equipa médica do complexo”, que adiantou ainda que o funcionário agredido se encontra bem. O Commander, um pastor alemão de 2 anos, já mordeu vários elementos do Serviço Secreto desde que chegou à Casa Branca em 2021, inclusive outro a quem mordeu num braço e numa coxa com força suficiente para ser enviado para o hospital. Um dos outros cães de Biden, Major, foi enviado para morar longe da Casa Branca logo após a tomada de posse do presidente, por causa do que foi descrito na época como um “incidente de mordedura” com um funcionário da Casa Branca. Nem o Serviço Secreto nem a Casa Branca forneceram quaisquer detalhes adicionais sobre o incidente desta segunda-feira, dia 25 de setembro.

Mas assessores de Jill Biden, a primeira-dama, disseram que os episódios são resultado do stresse que os cães sentem por estarem na Casa Branca. “Como observámos antes, a Casa Branca pode ser um ambiente stressante para os animais de estimação da família, e a primeira família continua a trabalhar para arranjar maneira de ajudar o Comandante a lidar com a natureza muitas vezes imprevisível dos terrenos da Casa Branca”, disse Elizabeth Alexander, responsável pelas comunicações. Um porta-voz da Casa Branca disse neste sentido: “que o presidente e a primeira-dama estão extremamente gratos ao Serviço Secreto e ao pessoal da residência executiva por tudo o que fazem para mantê-los, às suas famílias e ao país seguros”. E-mails internos obtidos por um grupo conservador de vigilância e divulgados ao público neste verão, documentaram 10 casos de “comportamento agressivo” por parte dos animais de estimação do presidente. Num desses episódios, um agente ficou “abalado”, segundo os e-mails, ao sentir necessidade de puxar da cadeira em que estava sentado para usá-la como escudo quando o Commander começou a a ladrar-lhe do alto da escadaria da Casa Branca.

Os agentes do Serviço Secreto não são responsáveis pelos animais de estimação do presidente, mas frequentemente encontram-se perto dos cães quando patrulham os terrenos da Casa Branca ou desempenham o seu papel de protectores do presidente e da sua família. Em julho, após o último episódio envolvendo o Commander, Anthony Guglielmi, chefe de comunicação da agência, disse que às vezes era inevitável que os agentes estivessem próximos dos animais de estimação. “Embora os agentes e oficiais especiais não cuidem nem manipulem os animais de estimação da primeira família, trabalhamos continuamente com todas as entidades para minimizar os impactos adversos num ambiente que inclui animais de estimação”, disse ele. Autoridades disseram que a Casa Branca já designou áreas para o Commander correr e fazer exercício.

Joe Biden já não tem saúde nem disponibilidade para se encarregar dos seus cães e a sua mulher, Jill, idem. A falta de mão de Joe para os cães parece estender-se também à economia norte-americana, que alguns especialistas dizem estar pior do que durante o mandato do presidente anterior, Donald Trump. Sendo por excelência territoriais, os Pastores Alemães guardam naturalmente os seus donos, mesmo sem ordem expressa nesse sentido. Pela natureza do seu serviço, as movimentações, umas isoladas e outras dissimuladas, dos membros do serviço secreto acabam por chamar à atenção dos cães, que facilmente os confundem com intrusos também por causa do seu comportamento. Os cães de Biden não são próprios para estar na Casa Branca, a menos que faça parte do currículo dos elementos do serviço secreto virem a ser atacados por cães. Cães assim, zelosos de apresentar serviço, estariam melhor na Ucrânia a fazer companhia a Zelensky. Biden, como todos os velhos, presume que ainda é um jovem e ninguém até ao momento o contrariou.

CONVERSAS COM UM TOURO SENTADO

 

Como é de calcular o nosso Touro sentado nada tem nada a ver com o histórico Sitting Bull (Tȟatȟáŋka Íyotake), chefe índio Hunkpapa Lakota que derrotou o 7º Regimento de Cavalaria do General Custer na Batalha de Little Bighorn e que acabou assassinado pela polícia da Reserva Indígena Standing Rock durante uma tentativa para prendê-lo, mas do Dobby, um CPA que sai de casa tal como saem os touros dos curros, dispostos a virar tudo que apanharem pela frente, mas com uma diferença: os touros são picados (torturados) para saírem assim e o Dobby “arrebita as orelhas” pela parcimónia da dona. De algum tempo para cá, o ensino deste binómio tem incidido mais sobre a sua condutora, o seu desempenho e respectivas consequências, também sobre as suas responsabilidades e prerrogativas, para que possa liderar e controlar o cão que tanto a ama, porque o Dobby é um anjo nas mãos do adestrador e transfigura-se num diabo à sombra do aconchego da dona. Se a Maria for mais atenta, usar de maior concentração e se apegar aos protocolos, alterando inclusive algumas rotinas diárias (o cão tem que sair), verá finalmente que o seu “touro” não passa de um adorável “bezerrinho de mama”. Ontem, paralelamente com a condução em liberdade em ambiente resguardado, dedicámo-nos mais uma vez à sociabilização. Devido a várias erros de condução da sua líder, que já deveriam ter sido eliminados, o Dobby reboca a dona à trela, atrasa-se na condução em liberdade e executa o tricomando básico atrasado - trabalho não nos falta!

BERLIM EM QUATRO PATAS OU DE PATAS PARA O AR

 

Esta semana Berlim, a capital da Alemanha, assistiu uma concentração simultaneamente insólita e bizarra, quando centenas de indivíduos se concentraram em frente a uma estação ferroviária, ladrando, uivando e abanando o rabo como cães. Estes humanos assim vestidos, reuniram-se naquele local para reclamar pelos direitos das pessoas que se identificam como cães?! O vídeo desta concentração que mais parece um incidente, tornou excessivamente viral, com muitos internautas a soltar comentários bizarros. A maioria dos manifestantes não acredita ser um cão, mas usam uma “fantasia de fetiche”, diz uma nota.

Esta concentração com cerca de 1.000 pessoas coloriu o evento. Os membros do grupo manifestante usavam máscaras caninas e toucas, e vários pareciam carregar bandeiras, incluindo uma exibindo um arco-íris. A reunião foi realizada na estação ferroviária Potsdamer Platz, em Berlim. Aparentemente foi organizado pelo 'Canine Beings', um grupo que trabalha pelos “direitos das pessoas que se identificam como cães”. Essa reunião ocorreu durante a “Folsom Europe”, que é uma reunião de gays que gostam de vários fetiches, sendo este particularmente chamado de “brincadeira de cachorrinho”, praticado por indivíduos na sua maioria jovens que fazem cosplay (1).

Muitos internautas manifestaram-se chocados com aquela manifestação e chamaram-na de “louca”. Alguns também adiantaram que um novo padrão de vida foi desbloqueado pelas pessoas que se identificaram como cães (já cá faltava esta!). Um dos usuários comentou que “os participantes usavam fantasias ou máscaras realistas de corpo inteiro, enquanto outros usavam coleiras, trelas ou açaimes, uivando, ladrando ou abanando o 'rabo' para se comunicarem entre eles, para além de brincarem à procura de objectos, de se perseguirem uns aos outros e de farejarem.” O usuário acrescentou que os participantes acreditam que enfrentam discriminação e assédio da sociedade e exigem reconhecimento e respeito por sua escolha (como merece respeito qualquer patologia). “A explosão das identidades de género é um sinal recorrente de colapso cultural ao longo da história da civilização”, comentou outro utilizador. Ao que tudo indica, este incidente segue o exemplo de um japonês (Toco) que ganhou destaque nos media internacionais depois de ter comprado uma roupa de cão bastante realista no valor de cerca de 22.000 dólares americanos para realizar o seu sonho de vir a ser cão (foto abaixo).

Este nipónico prefere o anonimato e dá pela alcunha de Toco. O seu canal 'I Want to Be an Animal' tem mais de 56.000 inscritos. Ele postou um vídeo a explicar o seu sonho há um ano atrás, que obteve um milhão de visualizações. Relatos mencionam que Toco quis ser cão desde criança. Ele finalmente encomendou uma roupa rudimentar de Rough Collie à empresa japonesa Zeppet, que cria fantasias para anúncios de TV e cinema, dizendo que optou por ser um Rough Collie devido ao seu grande tamanho, o que o faria destacar ainda mais. Em 2016, foi feito um documentário chamado ‘A Vida Secreta dos Cachorrinhos Humanos’ para mostrar o quotidiano das pessoas que preferem viver vestidas de cães, apresentando várias em toda a Europa que preferiam vestir-se assim e conviver debaixo de nomes caninos como Spot, Hexy e Tebo. O documentário afirmava que a ideia surgiu a partir de grupos de BDSM (2) onde algumas pessoas preferiam viver trasvestidas de cães. Sobre a má sorte que coube à capital alemã ao receber este evento metamórfico vale a pena dizer: “Ai Berlin, quem te viu ontem e quem te vê!”

(1)Cosplay é uma actividade e arte performativa em que os participantes chamados “cosplayers” usam fantasias. (2) BDSM (bondage and discipline, dominance and submission, and sadism and masochism) é uma sigla que denomina um conjunto de práticas consensuais envolvendo bondage e disciplina, dominação e submissão, sadomasoquismo e outros tipos de comportamento sexual humano relacionados. 

terça-feira, 26 de setembro de 2023

ATENÇÃO ÀS ESCOLAS

 

As escolas não são para os cães locais muito aprazíveis, a menos que as associem a locais onde costumam ser recompensados, porque a algazarra é mais do que muita, há sempre crianças a correr, miúdos irreverentes e outros que desregradamente não hesitarão em cair em cima dos animais, causando-lhes desconfiança, temor ou irritabilidade. Hoje, terça-feira 26 de setembro, pelas 11h40 locais, hora de almoço, no município austríaco de Lenzing, localizado no distrito de Vöcklabruck, na Alta Áustria, um Pastor Australiano, inesperadamente, atacou uma turma de crianças da Neue Mittelschule Lenzing que voltava de uma caminhada na área da rotatória de Agerbrücke, no distrito de Unterachmann. O cão, que era conduzido solto por uma senhora de 61 anos de idade e propriedade de um sobrinho desta, tirou previamente o açaime ao rebolar-se no chão. Ao avistar aquela turma escolar, a sua condutora eventual segurou-o com as duas mãos para que as crianças pudessem passar em segurança. O cão conseguiu soltar-se, atacou e feriu com várias dentadas duas crianças, que foram inicialmente atendidas pela Cruz Vermelha e depois levadas para o Hospital Estadual de Salzkammergut onde receberam tratamento ambulatório.

É evidente que a sexagenária não ia adivinhar que se ia cruzar com as crianças, mas deveria ter pelo menos o bom senso de não conduzir à solta o cão de outrem, sobre o qual não deveria ter grande autoridade, animal que por alguma razão saiu à rua açaimado. Manda a experiência e a prudência que junto de escolas, ruas muito movimentadas, estações ferroviárias e aeroportos, os cães sejam invariavelmente conduzidos à trela e com ela ajustada, para que não suceda nenhum imprevisto e algum incidente aconteça, independentemente do grau de obediência que os cães possam ter. Se eventualmente formos obrigados a parar num destes locais e a espera for prolongada, devemos procurar um local que proteja os animais pela sua retaguarda (parede, muro, cerca, etc.) e mandá-los depois deitar, reforçando a ordem com o comando de “quieto” que é o seu trinco ordinário, tendo o cuidado de manter a trela levemente tensa, para podermos reagir atempadamente perante alguma situação adversa. A habituação às escolas e aos seus alunos deverá ser gradual para evitarmos o trauma dos animais, evoluindo-se da simples passagem até à permanência julgada conveniente (antes da saturação dos cães), devendo os animais ser recompensados nestas ocasiões. Numa fase ulterior da obediência canina, todos os cães deverão passar e permanecer junto às escolas sem manifestarem nenhuma animosidade ou incómodo – por alguma razão levamos também os nossos cães à escola!

MAS AFINAL QUANTOS PETS HÁ NA AMÉRICA LATINA?

 

Em março deste ano, o governo chileno divulgou um estudo a estimar a população de animais de estimação no seu território, que mostrou um aumento significativo e em simultâneo uma extraordinária oportunidade de expansão para os produtores de alimentos para animais de estimação. A população de animais de estimação nos mercados latino-americanos é uma métrica complexa de ser determinada com precisão, já que não existem censos oficiais ou registos de animais de estimação, o que indubitavelmente levará a estimativa incorrecta do número de animais de estimação que vivem em cada país. Este preconceito é de extrema importância para a indústria alimentar dos animais de companhia, porque impede-lhe de precisar o numero de animais de estimação necessário à sua previsão de oportunidades de negócio e de calcular imediatamente os investimentos futuros. O primeiro mercado a publicar estatísticas oficiais sobre a sua população de animais de estimação foi o México, após realizar uma pesquisa nacional em 2021 . Os resultados foram surpreendentes: a nova população de animais de estimação atingiu os 60 milhões de cães e gatos, enquanto o consenso da indústria estimava menos de metade disso. Um ano depois, em 2022, o governo chileno realizou um estudo semelhante para actualizar a atual população de animais de estimação no país.

A análise estimou uma população de 12,5 milhões de cães e gatos com donos e mais 4 milhões de animais de estimação abandonados. Ou seja, cães e gatos com donos representam 63% da população humana de 19,83 milhões daquele país! Os projectos do México e do Chile revelaram que o número de animais de estimação é notavelmente superior ao do consenso local. Outros mercados da região provavelmente passarão pela mesma situação. A subestimação da população de animais de estimação é uma boa notícia para os fabricantes de alimentos para animais de estimação. Por exemplo, de acordo com dados não oficiais recolhidos pela Triplethree International, a população atual de cães e gatos na América Latina é de mais de 200 milhões de animais de estimação em 20 países. No entanto, esse número populacional pode estar subestimado em cerca de 50-70%, e então o número real de animais de estimação na região ascenderia facilmente a mais de 300 milhões de animais de estimação. Isso significaria mais oportunidades de negócio.

Independentemente dos reveses económicos (afinal tão endémicos nos países latino-americanos), o mercado de alimentos para animais de estimação na maioria destes países mostra uma tendência ascendente positiva e consistente ao longo do tempo. A provável razão que explica esse crescimento é a vastidão da população de animais de estimação. Milhões de novos cães e gatos criam uma procura por mais alimentos. Além disso, esse dinamismo da população de animais de estimação faz parte de uma tendência global que provavelmente continuará num futuro próximo. Os fabricantes latino-americanos de alimentos para animais de estimação podem ver essa tendência como uma janela de oportunidade para os próximos anos, não apenas para lançar os produtos mais tradicionais de alimentos para animais de estimação, mas também para introduzir produtos, formulações e ingredientes inovadores, conforme sugere a população de animais de estimação. Há de facto muito espaço para crescimento, restando saber se as indústrias regionais e nacionais poderão competir com as grandes multinacionais do sector, que cheirando-lhes a lucro, “são como macacos por bananas!” Teria alguma empresa portuguesa do ramo, por si só, condições para se implantar no mercado de uma nação latino-americana? Não sei, não faço ideia, como não sei e ninguém sabe quantos pets existem na América Latina! 

NOVOS REBOQUES PARA OS CÃES DA POLÍCIA UCRANIANA

 

Na sequência de um pedido feito pela Polícia Nacional Ucraniana (NPU), a Missão de Aconselhamento da UE (EUAM) na Ucrânia forneceu 16 reboques modernos e confortáveis ​​para cães de serviço às unidades regionais K-9 da NPU. Os reboques K-9 foram modificados, tendo em conta as sugestões dos especialistas K-9 da Polícia Nacional Ucraniana. Agora, serão mais confortáveis e agradáveis para cães que fazem longas viagens de trabalho. De acordo com a EUAM, os agentes policiais estão frequentemente entre os primeiros a entrar nos territórios libertados, para restaurar a lei e a ordem.

Os cães de serviço contribuem activamente para estes esforços, estando amplamente envolvidos na desminagem, na detecção de explosivos e na manutenção da ordem pública. Por vezes precisam de percorrer longas distâncias desde as suas bases regulares até aos seus locais de trabalho. “Um cão de serviço faz parte da força policial tanto quanto um polícia humano”, disse Svitlana Kolomiets, Chefe da Divisão K-9 da Polícia Nacional. “Um cão cansado não é produtivo e estes trailers facilitam o transporte e proporcionam um ambiente relaxante no caminho de volta para casa.” Longe vão os tempos em que ninguém se preocupava com os cães na guerra, tanto que os russos na II Guerra Mundial usaram-nos como animais-bomba e condicionaram-nos a ir comer debaixo dos tanques alemães, explodindo com eles. Infelizmente nem tudo mudou – os russos continuam, por enquanto, com as garras enfiadas na Ucrânia!