sábado, 17 de fevereiro de 2018

O VELHO LOBO DO MAR E A AMIGA DE OCASIÃO

Com baixa pressão na Serra e com maré-vazia, adivinhava-se a presença da chuva neste Sábado, dia que escolhemos para mais um passeio urbano com o intuito de melhor adequarmos os nossos cães. A determinada altura das actividades deparámo-nos com velho e solitário pescador, que um pouco alheado de tudo e de todos, comia rezingão a sua “bóia”. Personagens vernáculas destas irão desaparecer gradualmente até pertencerem a algum registo de museu. Pedimos ao velho lobo-do-mar, homem de mil histórias e nem todas felizes, que nos segurasse na SRD Hope para a foto, pedido a que não escusou e que aproveitou para se tornar líder e cúmplice do animal (foto acima). Na foto abaixo podemos ver o CPA Blaze junto dum manequim bastante ousado, que se prestava a exposição de uma gola de pele artificial para casaco de senhora.
Com a marina às moscas e sem os turísticos “mirones” de fim-de-semana, fomos para o Rio na esperança de nele desenvolvemos alguma actividade, ensejo que não vimos cumprido por ausência também dos pescadores, que durante a madrugada carregaram a lota de peixe e que depois se refugiaram em casa, deixando alguns barcos em doca seca.
No passeio fluvial aproveitámos para tirar algumas fotos com os cães, aproveitando algumas das esculturas ali existentes. Na foto abaixo podemos ver a classe de instrução sob um grande golfinho e também o cuidado do Nuno Falé em segurar a CPA Haia, que hoje esteve particularmente endiabrada e de dente afiado.
Com a vida a correr-lhe de feição e com a calma que lhe é característica, O CPA Blaze podia ficar junto ao golfinho que lhe calhou por tempo indeterminado, desde que o sol não rompesse e o calor não se fizesse sentir. Como bom exemplar negro que é, evolui sem ser ouvido e cobre muito terreno, tem um alto sentido de responsabilidade e é de fácil condução.
Na marina preocupámo-nos em familiarizar os nossos cães com as plataformas flutuantes que a cercam e lhe dão acesso. Uns mais depressa que outros, todos se acostumaram à novidade sem maior resistência, muito embora o CPA Bor se incomodasse com a oscilação dos barcos junto ao cais. Depois de terminado esse trabalho colocámos a CPA Haia dentro de uma “chata” e a cadela pareceu gostar do embalo.
E como todos careciam da mesma experiência, acabámos por colocar dentro daquela pequena embarcação três dos quatro binómios em excursão. Condutores e cães adaptaram-se depressa, ninguém caiu ao rio e a SRD Hope até serviu de “Carranca”.
Particularmente enxofrados um com o outro, andaram os CPA’s Bor e Haia, porque o primeiro ladra a tudo e a todos e não pára quieto e a última entende que o há-de pôr na ordem, acostumada que anda a mandar na matilha lá de casa. Para lembrar os seus donos acerca do trabalho a haver, tirámos uma foto dos dois junto ao anúncio de uma bebida alcoólica com um nome mesmo a propósito – “DESPERADOS”.
Mesmo na ponta final das nossas actividades, como dizia o nosso amigo Filipe Pereira, a chuva apareceu e impediu que todos fizessem o exercício proposto, que consistia em convidar os cães para subirem uma rampa de skate e serem recompensados pelos donos, manobra que visava melhorar a capacidade de impulsão de cada um dos animais. Assim, só o binómio João Graça/Hope conseguiu resolver o exercício, enquanto os outros andaram por lá literalmente a fazer “sku”.
Participaram nos trabalhos seguintes binómios Adestrador/Blaze, João Graça/Hope, Nuno Falé/Haia e Paulo Motrena/Bor. Para a semana há mais e, se é para vir chuva, que venha e em força porque estamos carentes dela.

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ O ESTRANHO ANÚNCIO DOS PASTORES ALEMÃES CASTANHOS, editado em 16/04/2013
3º _ JOGAR À MACACA, PORQUE NÃO?, editado em 10/2/2018
4º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2014
5º _ O MEU É QUASE PURO, editado em 14/02/2018
6º _ NÃO COMO BURROS A TIRAR ÁGUA À NORA, editado em 29/08/2013
7º _ THANK YOU ELIZABETH, editado em 11/02/2018
8º _ NÓS POR CÁ: ABSTINÊNCIA SEXUAL PARA OS RECASADOS, editado em 12/02/2018
9º _ O CÃO LOBEIRO: UM SILVSTRE ENTRE NÓS, editado em 26/10/2009
10º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país obedeceu à seguinte ordem:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Rússia, 4º Estados Unidos, 5º Reino Unido, 6º Ucrânia, 7º Angola, 8º França, 9º Irlanda e 10º Alemanha. 

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

NÓS POR CÁ: UM AO DEUS-DARÁ

Faleceu Quarta-feira em Londres um sem-abrigo português de 35 anos, natural de Lisboa, que foi encontrado sem vida na estação do metro de Westminster, perto do Parlamento Britânico. O Líder do Partido trabalhista, Jeremy Corbyn, decidiu colocar um cartão e um ramo de flores no local onde o famigerado português foi encontrado morto. Para além de considerar esta morte desumana, Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República Portuguesa, decidiu mandar uma mensagem de agradecimento a Jeremy Corbyn pela homenagem prestada àquele “portuguese homeless”.
O finado lisboeta e português, segundo um dos grupos de contacto da autarquia de Westminster que lhe deu apoio, já havia trabalhado como modelo e na restauração, adorava cantar e andava à procura de emprego. Ir para Inglaterra à sorte pode ser o cúmulo dos azares, porque a vida por lá não está fácil, a xenofobia e o racismo proliferam entre os mais ignorantes, os emigrantes não são bem-vindos e o chauvinismo inglês é por norma cruel, cego e avesso a mudanças.
Para além dos salamaleques dos políticos e das costumeiras lamentações sobra um cadáver, que deveria ser sepultado em solo pátrio, acto que nada adiantaria ao defunto mas que seria de grande significado para os portugueses vivos, um claro sinal de que o governo está com o Povo e que todos somos importantes, nomeadamente os julgados menos aptos, desafortunados e indigentes, que os há também ingleses e em maior número, apesar de não terem melhor sorte. Poupem no "Guronsan", comam menos, deixem os carros na garagem, sejam menos generosos nos favores, vão de férias cá dentro e tragam o homem para Portugal. 

CÃES: REDE SOCIAL MAIS SEGURA

É possível que logo a seguir ao Facebook, os cães sejam nas cidades a rede social mais em uso, porque através deles estabelecem-se amizades, criam-se grupos como o mesmo interesse, programam-se actividades conjuntas, acontecem namoros, casamentos e também alguns divórcios. 
O sair com o cão à rua tornou-se um acto de reinserção social, porque os proprietários caninos tendem a aproximar-se uns dos outros e a conviverem de modo descontraído, “ao vivo e a cores” tal qual são, pormenor que torna esses contactos mais seguros do que os havidos em qualquer rede social, onde a burla escorre às carradas e as más intenções valem-se do sistema.
Este novo e crescente hábito de convivência através dos cães está também a fazer três coisas extraordinárias: a recuperar o diálogo intergeracional, a contribuir para o bem-estar dos mais idosos e a congregar pessoas de diferentes categorias sociais. Aqui as coisas passam-se assim, é bem possível que aconteçam doutro modo noutros países, onde os proprietários caninos ficarão de costas uns para os outros enquanto os cães se divertem. 

OS CÃES SELVAGENS DE PEDRO DIAS

Pedro Dias, agora em julgamento no Tribunal da Guarda, que é acusado pela prática de dois crimes de homicídio qualificado sob a forma consumada, dois crimes de homicídio qualificado sob a forma tentada e três crimes de sequestro, também conhecido como serial killer de Aguiar da Beira e que andou fugido às autoridades durante 28 dias, quando inquirido pelo Juiz acerca da posse de arma ilegal, justificou-se dizendo que a arma servia para afastar uns “cães selvagens” que atacavam os seus rebanhos.
Não sabemos a que canídeos selvagens se estava referir, porque lobos ali já não há e custa-nos a acreditar que algum mabeco lá fosse parar, depois de árdua travessia pelo Estreito de Gibraltar. As únicas hipóteses plausíveis apontam para uma matilha de cães vadios ou para outra espontânea de donos descuidados. De qualquer modo a desculpa parece-nos esfarrapada, porque depois dos tiros teria que juntar as ovelhas e/ou cabras a cavalo, porque uma vez assustadas não iriam parar perto.
Julgamos que a arma se destinava a abater os fantasmas de Pedro Dias, porque ao invés de afugentar cães selvagens, tomou agentes da autoridade e civis indefesos como tal. Haverá algo a que os cães não se prestem? Será que a saga do cão selvagem renderá a fábula do lobo mau, agora que os lobos estão em vias de extinção? Pedro Dias diz que sim e ele é um hábil e perigoso contador de histórias. 

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

IWS: RARO, DESENGONÇADO E COM CAUDA DE RATO

O Irish Water Spaniel (IWS) é um dos Spaniels mais antigos, há evidências de que já existia no século VII DC. Já era tratado pelo nome atual em 1100, nome que englobava também os cães encontrados a Sul do Rio Shannon na Irlanda. Cão criado originalmente para cobrar caça dentro de água, veio a mostrar igual capacidade em terra firme. O “pai” dos modernos Irish Water Spaniels foi um tal de Justin McCarthy, que na década de trinta do século XIX, através de um cão chamado Boatswain padronizou a raça pela sua descendência. Como McCarthy não divulgou os seus registos de reprodução, o que torna obscura a origem da raça, há quem especule ser descendente do Caniche, do Cão de Água Português e do agora extinto Water Spaniel.
Estamos a falar de um cão que oscila entre os 56 e 61cm, que pesa de 25 a 30 Kg, cor de fígado, robusto e natural da Irlanda, que não larga pêlo e que apresenta “cauda-de-rato”, marca que o distingue dos outros Spaniels de pêlo de arame e de os restantes cães de água seus análogos. Possui as patas espalmadas para lhe facilitar a natação, perfila-se erecto, indicia inteligência, é de construção sólida e neste momento encontra-se em vias de extinção.
Não há um comportamento típico da raça, porque nela subsistem indivíduos totalmente antagónicos, que vão desde os energéticos e extrovertidos aos tímidos que só se sentem bem dentro de casa. Com a chegada da maturidade sexual estes cães podem alterar o seu comportamento e vir a comportar-se de modo diferente, pelo que o comportamento de cachorro não é garante de igual comportamento em adulto. Contudo, os Irish Water Spaniels são excelentes cães de família (invariavelmente muito ternos para os seus proprietários), que adoram a vida e não se escusam a um sem número de disparates. Abraçam sem maior dificuldade qualquer desporto moderno canino, por norma toleram estranhos e são confiáveis entre crianças bem-educadas.
O Irish Water Spaniel é um cão fácil de treinar mas exige paciência e muita recompensa, porque satura-se facilmente, abomina o trabalho sistemático e quando contrariado não cede, pelo que o reforço positivo e a alteração das actividades são o melhor antídoto para a sua resistência. Em simultâneo, exige muita actividade física diária, já que podem andar um dia inteiro a caçar sem demonstrar cansaço. Não é um cão para apartamento e quando confinado tende a ser hiperactivo e destruidor. Uma vez aceite a liderança do dono, o IWP deverá ser objecto de aproveitamento em aulas avançadas de obediência ou agility. A sociabilização precoce e frequente é indispensável para a construção de um Irish Water Spaniel equilibrado, para que não desconfie de estranhos ou venha a ser tímido e temeroso.
Os Water Spaniels são cães muito felizes e sempre insistem em mostrar a sua felicidade, nem sempre com o cuidado necessário, porque debaixo do seu entusiasmo são capazes de partir qualquer coisa à sua volta. Diz que os treinou que os comandos de “quieto” e “deita” são fundamentais para o seu controlo inicial. À parte disto, os machos são agressivos uns com os outros e todos são propensos a perseguir gatos e outros animais domésticos menores, pelo que deverão ser separados e alojados até se encontrarem completamente sociabilizados.
A esperança média de vida do Irish Water Spaniel oscila entre os 10 e os 13 anos. As suas doenças mais comuns são: otites, displasia do cotovelo, displasia coxo-femoral, displasia folicular, epilepsia, entrópio, cataratas, distiquíase, megaesófago e hipertiroidismo. Apresentam ainda sérias reacções adversas a medicamentos como a Ivermectina e as sulfamidas, pelo que usar Ivomec neles pode ser-lhes fatal. Raríssimos na Irlanda e no Reino Unido, o seu maior número encontra-se nos Estados Unidos, país preferencial para os emigrantes irlandeses que acabaram por levar alguns exemplares consigo. Quer se goste ou não, o Irish Water Spaniel é um caçador inveterado e um excelente cão de trabalho.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

O MEU É QUASE PURO

Num dos raros parques camarários destinados aos cães, onde podem brincar uns com os outros e correr livres da trela como lhes der na gana, com o recinto cheio de cães resgatados, diz uma jovem para outra ao comparar o seu cão com um alheio: O meu cão é quase puro, não é como aquele que dizem ser o que nunca foi!”. Entristeci-me ao ouvir tal sentença, porque a vaidade nem a caridade deixa em paz!

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

SVENSKA ARMÉN: MAIS DE 1.209.476,86 € EM CÃES

No último trimestre do ano transacto a compra de cães por parte do exército sueco, ocorrida entre 2006 e 2014, para sustentar o seu programa de reprodução, mereceu o espanto dos seus parceiros internacionais e a suspeição do seu povo, porque esses animais foram adquiridos por preços exorbitantes, no mínimo 10 vezes acima do seu valor de mercado.
As suspeitas aumentaram ainda mais quando se descobriu que o exército dali não tinha aberto nenhum concurso público para a aquisição dos cães, que vieram todos da Alemanha e que chegaram à Suécia através de alguns intermediários, nomeadamente dum revendedor na Dinamarca que conhecia pessoalmente os funcionários e o chefe do “Programa de Serviço de Cães” responsável pelo programa de reprodução, que comprando cães baratos acabou por vendê-los bem caros ao exército sueco.
Contudo, os responsáveis pelos negócios do exército não detectaram nenhuma ilegalidade naquela transacção, adiantando uns que “ao oferecer preços tão atraentes, obtivemos acesso aos cachorros que queríamos", como disse Erik Wilson, antigo reprodutor principal das Forças Armadas da Suécia (Försvarsmakten), citando as linhas de sangue vantajosas dos cães, argumento que não convenceu ninguém, porque mesmo que os cães fossem da melhor linhagem do mundo, jamais justificariam a exorbitância do seu preço.
Para se ter uma ideia concreta acerca da marosca, basta dizer que um cão que foi comprado um mês antes pelo intermediário dinamarquês por 1.915.76€, acabou vendido ao exército sueco por 25.209.37€! E para agravar mais a situação, entre os 59 Pastores Alemães adquiridos, alguns deles ainda não tinham idade para reproduzir, outros apresentavam cicatrizes e outros ainda tinham displasia coxo-femoral, e isto apesar de terem custado em média 20.000€?!
Este negócio, como outros feitos por militares de todas as partes do mundo, não me espantam, porque certa vez conheci um capitão de cavalaria a cavalo que, para além dos cavalos que tinha ao seu encargo, comandava também uma magnífica vara de porcos, cuja venda dizia destinar-se às obras do quartel, beneméritos animais ignotos que nunca se prestaram a inspecções, mas que apesar disso nunca deixaram de dar lucro. Ainda bem que os cavalos daquela subunidade tinham fraco impulso ao alimento e os seus cavaleiros não eram de má boca, porque doutro modo morreriam os porcos à fome.
Tudo isto parece uma brincadeira de Carnaval, mas ainda há bem pouco tempo foi descoberto um “negócio” deste tipo na Força Aérea Portuguesa, que infelizmente julgamos não ser único no panorama das nossas Forças Armadas. O que mais dói nestes casos é que uma maioria sai emporcalhada pelos actos de meia-dúzia de salafrários, ladrões que não se escusaram a vestir uma farda que não lhes pertencia. Oxalá os velhos vícios não atinjam as novas gerações, que os novos ousem ser honestos mesmo que lhes chamem parvos, porque se assim suceder, todos os Estados de Direito agradecer-lhes-ão vivamente. 

SNIPE: O DETECTOR DE FUGAS DE ÁGUA

O Snipe é um simples Cocker Spaniel com 16 meses de idade, um farejador por excelência, que graças ao treino de que foi alvo por parte de alguns veteranos do exército britânico, se transformou no primeiro cão inglês a detectar fugas de água e canalização danificada, vindo por isso a ser contratado pela United Utilities, empresa que abastece de água três milhões de casas no noroeste, que necessitava de um colaborador assim para detectar fugas de água no campo e em zonas húmidas, onde são de difícil detecção, já que possui 26.000 milhas de canos e repara à volta de 27.000 fugas por ano.
O dono do Snipe, o Sr. Ross Stephenson, de 32 anos de idade, gerente da Cape SPC, uma empresa que se dedica ao extermínio de pragas em Liverpool, acompanhou os seus primeiros passos laborais. O cão foi treinado com água da torneira normal que depois foi reforçada com níveis de cloro mais altos. Habitualmente eram colocados na frente do Cocker oito copos e só um tinha água com cloro. Sempre que o cão acertava, era-lhe dada uma bola de ténis para brincar como recompensa.
Depois que o acerto do cão se tornou absoluto, o seu treinador colocou os copos em diferentes ecossistemas (locais), acabando por usar somente água da torneira, derramando-a depois no solo para que o cão a procurasse, treino que transformou o Snipe num excelente detector de cloro, o que não é assim tão fácil, considerando que a água da torneira tem uma parte de cloro por um milhão de partes de água.
Já na “guerra química” que aconteceu na I Guerra Mundial, alguns cães tornaram-se especialistas na detecção do gás cloro que covardemente invadia a trincheiras, avisando os soldados alguns momentos antes da sua chegada, o tempo suficiente para que colocassem as suas máscaras e poupassem as suas vidas.
E como as conversas são como as cerejas, sempre que proceder a grandes ou demoradas desinfecções com lixívia, faça-o munido de uma protecção para os olhos, boca e nariz, debaixo do maior arejamento possível e interrompa os trabalhos de 5 em 5 minutos para respirar ar puro, particularmente se usar aparelhos micro difusores como pulverizadores ou máquinas de pressão. Por experiência própria ficámos a saber que o cloro intoxica as suas vítimas quase sem se dar por isso - somente quando queremos respirar e não conseguimos, o que poderá ser tarde mais. 

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

NÓS POR CÁ: ABSTINÊNCIA SEXUAL PARA OS RECASADOS

D. Manuel Clemente, Cardeal-Patriarca Católico de Lisboa, que de clemente parece não ter nada, através da “Nota para a recepção do capítulo VIII da exortação apostólica ‘Amoris Laetitia’”, por si assinada, defende que a igreja católica tem o dever de propor a vida em continência (sem relações sexuais) aos católicos divorciados que vivem em "situação irregular", ou seja, que vivem um novo casamento civil após o divórcio ou que vivem uma união fora do casamento, para que excepcionalmente possam concorrer aos sacramentos da confissão e da comunhão, parecer apenas válido para a Diocese da Capital que não vincula os demais bispos portugueses, não hesitando alguns em manifestar a sua total discórdia em relação ao documento agora elaborado pelo Bispo de Lisboa.
Todos sabemos que historicamente a Igreja Católica tem uma má relação com o sexo, sendo por isso de lamentar os actos de pedofilia e de estupro perpetrados por alguns dos seus sacerdotes, grei que há partida deveria ser celibatária e liberta das “demoníacas” tentações carnais, como lhe é imposto e já vivessem a vida vindoura. Por outro lado, a Igreja Católica já deveria há muito ter-se libertado da confusão entre o reino do poder e o da Glória, parado de inventar sacramentos que não constam dos Meios da Graça adiantados pelo Evangelho. Os sacramentos adiantados pela doutrina bíblica e bem compreendidos pelos Pais da Igreja são apenas dois: Baptismo e Santa Ceia.
Para que haja um sacramento é necessário que aos elementos naturais esteja associada uma promessa divina de perdão, porque doutro modo estaremos diante de ritos que apenas servem a vaidade e a vanglória de quem os pratica, actos que ofendem Deus por colocarem em pé de igualdade o sacrifício de Cristo por toda a humanidade e o sacrifício de cada um, o que sempre terá como consequência directa a incerteza da salvação. No Baptismo, à água (elemento natural) está associada à promessa que diz: “quem crer e for baptizado será salvo”; Na Santa Ceia (Eucaristia), o pão e vinho estão também associados à promessa da remissão dos pecados. Em que capítulo da Bíblia está escrito que o simples acto de casar oferece o perdão de Deus? Se assim fosse, os padres viveriam em grande pecado e desgraça! Será que alguns não vivem?
O casamento é um contrato nupcial entre dois indivíduos e coisa própria deste mundo, não uma condição pela qual alguém mereça a condenação ou a salvação eternas. Quando um casal acabado de casar vai à igreja, vai ali pedir a bênção de Deus sobre o compromisso que voluntariamente assumiram um com o outro, sabendo que não será fácil mantê-lo válido ao longo da vida face ao grau e número das dificuldades encontradas.
Trapalhadas como a motivada pela “nota” de D. Clemente, para além de contribuírem para a divisão da Igreja Católica Portuguesa, servem perfeitamente para aumentar o número dos católicos nominais e diminuir proporcionalmente o dos praticantes, aumentando ainda mais a hipocrisia reinante nesta igreja histórica. O Sr. Cardeal-Patriarca, que já não chega a Papa, gratias ago Deo, já que gosta tanto de mandar e proibir, que ordene à erva ao redor da Sé Patriarcal que pare de crescer, milagre que a acontecer, mereceria por certo a gratidão dos serviços de limpeza da Câmara Municipal de Lisboa. É evidente que para quem não é católico, o parecer deste prelado é de igual valor ao das vozes daquele burro que não chegam ao Céu. 

HÁ 14.000 ANOS ATRÁS JÁ CUIDÁVAMOS DELES!

Um novo estudo científico, liderado por Luc Janssens, um veterinário doutorado em arqueologia pela Universidade holandesa de Leiden, ao analisar o conteúdo de uma sepultura já encontrada em 1914, em Oberkassel, um subúrbio de Bonn (Bona), situado na zona oeste da Alemanha, comprovou que naquela sepultura, junto às ossadas de um casal humano, havia também ossadas de cães, não de um, como até ali se pensava, mas de dois, sendo um cachorro e o outro adulto. O achado científico, que remonta a 14.000 anos atrás, é a sepultura mais antiga de um cão doméstico e também o túmulo mais antigo para cães e pessoas até agora encontrado.
Os pesquisadores concluíram, pela análise dental, que o cachorro tinha morrido com 28 semanas de idade, por volta dos sete meses, e que havia sido vítima de cinomose canina, doença que contraiu entre os 3 e os 4 meses de idade. Dada a gravidade da doença, sem auxílio humano, provavelmente teria morrido quase automaticamente, caso não o mantivessem quem e limpo de diarreia, urina e saliva e não lhe dessem água amiúde. Esta evidência sugere que já havia uma relação de cuidados única entre homens e cães há 14.000 atrás, algo para além da reciprocidade esperada pelos homens, uma vez que o cachorro ao estar doente não podia trabalhar.
O facto dos cães terem sido enterrados com aqueles humanos parece indiciar que seriam seus donos. Também foi possível saber mais sobre o casal naquela sepultura. O homem de aproximadamente 40 anos tinha dois ossos curados (um num braço e outro numa clavícula) e mulher, de aproximadamente 25 anos de idade, havia sofrido de uma doença dentária de moderada a grave. Junto com as suas ossadas foram encontrados os seguintes artefactos: um alfinete de urso, uma escultura de alce feita dos seus chifres, um osso do pénis de um urso e também um dente de veado vermelho.
Sabemos cada vez mais sobre a nossa relação com os cães. Todavia, anda há muito por descobrir, não tanto como a nosso respeito, mas o necessário para decifrarmos alguns enigmas ou mistérios ligados aos animais da nossa predilecção.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

THANK YOU ELIZABETH

Os criadores, os proprietários e os apaixonados do Welsh Corgi Pembroke têm todas as razões para estar agradecidos à Rainha Isabel II, porque desde sempre foi proprietária de cães dessa raça e nunca escondeu a sua preferência por ela, levando ao longo de décadas muitos dos seus súbditos a seguirem-lhe o exemplo, apesar da raça ser considerada própria para os idosos e para cidadãos da classe média alta. Até há bem pouco tempo o Corgis estava na lista de risco do Kennel Club Britânico (Vulnerable Native Breeds), em vias de desaparecer, junto de outras raças nativas com menos de 300 exemplares registados anualmente, como o Bullmastiff, o Old Sheepdog inglês, o Glen of Imaal Terrier, o Lakeland Terrier, o Curly Coated Retriever, o Irish Water Spaniel e o Terrier Toy Inglês.
Mas graças à série televisiva “The Crown” da Netflix, que é uma história biográfica sobre o reinado da Rainha Elizabeth II do Reino Unido, o Welsh Corgi Pembroke viu aumentar a sua procura cerca de 22% após a transmissão da segunda série do “The Crown” que aconteceu em Dezembro do ano transacto. Como a série assenta sobre a biografia da Rainha e a soberana aparece retratada em várias idades, o Corgi começou também a ser procurado por gente doutros escalões etários. Por outro lado, o Príncipe Harry também deu um pequeno empurrão ao dizer, depois de anunciar o seu compromisso com a actriz norte-americana Meghan Markle, que o Corgi da Rainha aprovou a sua escolha.
E nós por cá, também defendemos o que é nosso e divulgamos as nossas raças caninas? A quantos portugueses proeminentes foram oferecidos ou vendidos cães nacionais? Se Barack Hussein Obama II houvesse nascido junto à praia de Quarteira diríamos que um, mas  não foi o caso! José Mourinho, de quem dizem ser o melhor treinador do mundo, adquiriu um Pastor Alemão e Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa, o nosso omnipresente Presidente da República, enquanto Comandante Supremo das nossas Forças Armadas, recebeu outro Pastor Alemão, oferta da Força Aérea, um cachorro lobeiro com 3 meses de idade chamado “Asa”, animal que bem depressa despachou pela porta dos fundos, a pretexto de ter mais que fazer. Grande número de presidentes da república europeus tem um cão e o nosso, em oposição, pôs o dele a andar!
Até nisto os portugueses são pobrezinhos, muito fracos a defender o que o seu, o que não impede que sejam soberbos nos actos e nas ofertas oficiais, produto de uma “germanite aguda” que afecta certos portuguesitos, que se dizem descendentes dos esquecidos visigodos (godos do oeste) e que juram a pés juntos que tudo o que é alemão é bom! Posição que ao longo da história resultou nuns quantos quiproquós, como foi o caso dos três dias de luto oficial pela morte de Hitler. Quem sabe se o próximo Presidente da República terá um cão nacional? Tudo leva a crer que o actual virá a ser reeleito, mas depois dele tudo é possível (a esperança é a última coisa a morrer).