segunda-feira, 18 de setembro de 2017

OS MARATONISTAS!

Há quem coleccione cães como quem colecciona isqueiros ou outra coisa qualquer, gente que se diz versada nestes animais por conta do número daqueles que alberga, que por maior que seja, jamais espelhará a grande variedade presente nos cães, julgando assim o todo pelo parte e desconhecendo quase em absoluto os que chamou para si. Infelizmente para os animais, é comum ver-se gente com 2, 3 e até 4 cães, atrelados ou soltos, a vaguear pelos parques e jardins por curtos espaços de tempo, em correrias desenfreadas, a perseguir uma bola, a cobiçar o que cada um come ou à volta dos caixotes do lixo. 
Apesar da Lei ordenar que todos os cães saiam à rua atrelados, independentemente do seu tamanho, raça, género e idade, neste País de brandos costumes que também afecta os polícias, poucos são os que respeitam o que lhes é exigido, porque entendem os seus cães pequenos, bem-comportados ou inofensivos, companheiros que segundo o seu parecer estão acima da lei, como também se julgam acima da Lei aqueles donos que sempre se esquecem de apanhar os dejectos dos seus cães, pondo dessa maneira a saúde pública em risco.
Como a maioria dos cães nasceu excursionista e foi seleccionada para interagir, somos obrigados a fazer algumas perguntas incómodas, próprias para quem diz gostar de cães e preocupar-se com o seu bem-estar. O objectivo da sua elaboração prende-se exactamente com os direitos que reclamamos para os animais e que não podem ser dissociados da sua saúde, bem-estar (físico, cognitivo e social), salvaguarda e longevidade. Sabemos que a esmagadora maioria dos cães (comprados ou adoptados) passa a maior parte do dia encerrada dentro de apartamentos ou confinada em pequenos quintais, esperando avidamente o regresso dos seus donos, separação forçada e enfermidade que já tem uma designação científica: ansiedade da separação. 
Os cães assim destinados, para além do isolamento que não aprovam, vêem-se também privados da excursão diária com dos donos, caminhada com 5 km de extensão e a com duração de 1 hora, que não dispensam em abono do seu sentimento gregário, desempenho interactivo e boa forma física, procedimento próprio para os cães acima dos 45 cm de altura e 15 kg de peso.
Dito isto, o que sobrará para os desafortunados cães? Duas horas pela manhã com os donos ensonados e furibundos por temerem chegar atrasados ao emprego ou ao colégio dos filhos? Outras duas horas à noite onde a atenção que lhes é dada é dividida e circunstancial? Sobra a árvore ou o local rotineiro requerido para as suas necessidades fisiológicas! E se isto é já suplício bastante para um cão, imagine-se sujeitar mais 2 ou 3 ao mesmo degredo. Como antigamente se cantarolava numa lengalenga: “se um elefante incomoda muita gente, dois elefantes incomodam muito mais”. 
Indiferente a tudo isto, por despeito ou ignorância, certa gente mantém nestas condições vários cães. Recentemente conheci um proprietário canino que possuía cinco?! Um homem a quem por ironia chamei de “maratonista”, apesar de não ultrapassar os 165 cm e pesar mais de 100 kg, criatura que sai à rua munido dum porrete, com os animais embrulhados uns nos outros, rumo a uns arbustos bem estercados por aquilo que os cães lá deixam.
Maratonista? – Perguntou-me ele. Tentando não me rir, respondi-lhe: Sim, maratonista, porque com cinco cães e passeando o que deve com cada um deles isoladamente, vai chegar ao final de cada mês com 750 km feitos (25X30), o que o transforma num atleta de alta competição, capaz de disputar a maratona com os melhores! Não faltam por aí maratonistas e, enquanto não forem denunciados e alvo de coima, jamais os cães serão compreendidos e respeitados, já que o desprezo pela caminhada diária com os cães é a última das fronteiras a obstar ao seu bem-estar.
Para além doutras vantagens, o hábito regular de caminhar diariamente com eles 1 hora acaba por ser um dos melhores subsídios para a saúde e boa forma dos donos. Quer manter-se em forma? Então honre os compromissos que assumiu com o seu cão quando o foi buscar!

sábado, 16 de setembro de 2017

THEO: UMA DÁDIVA DIVINA PARA COMBATER O CRIME NA TERRA

Como os nossos leitores já há muito se aperceberam, não conseguimos esconder o nosso apreço e admiração pelos cães de serviço e, quando algum cumpre cabalmente a missão para a qual foi preparado, seja em que parte do mundo for, logo disso damos notícia. Desta vez vamos falar do “Theo”, um Pastor Alemão lobeiro pertencente à polícia da Grande Manchester, com seis anos de idade e que é o parceiro habitual do PC (Police Constable) Gareth Greaves, ambos nas imagens acima e seguinte.
Quatro meliantes masculinos, dois caucasianos, um latino e outro asiático, com idades compreendidas entre os 26 e os 31 anos, munidos de uma faca e um martelo de orelhas, decidiram aterrorizar os empregados do Restaurante “The Laundrette”, em Chorlton/ Grande Manchester, numa noite de Domingo do passado mês de Abril, levando da caixa registadora daquele estabelecimento de restauração a quantia de 7.000 libras, o equivalente a 7.965,41 EUR, pondo-se depois em fuga para um lugar seguro, a menos de uma milha do local do assalto, onde contentes celebravam o êxito da sua “proeza”. Um transeunte chamou a polícia durante o ocorrido e a dupla Theo/Greaves, que se encontrava junto a uma lavandaria próxima, acorreu de imediato à chamada, não encontrando no local do assalto os seus autores, que entretanto se haviam posto em fuga.
Quando já se julgava impossível capturar aqueles criminosos, eis que o bom do Pastor Alemão toma-lhes o rasto e vai dar com eles no seu esconderijo. Greaves, o “handler” do Theo, pediu reforço de imediato e os quatro assaltantes foram detidos e agora julgados, apanhando no seu total 33 anos de prisão efectiva. Nada disto seria possível sem a ajuda do cão, acabando este binómio louvado pela polícia a que pertencia por sugestão do juiz do processo. Como todos sabemos “Theo” é o diminutivo de “Theodore”, do grego “Theódoros”, que significa presente ou dádiva de Deus. E não é que o cão foi mesmo!

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ O QUE MAIS EXALTA UMA LINHA DE CRIAÇÃO: OS CÃES OU AS CADELAS?, editado em 24/08/2017
3º _ SELECÇÃO DE CÃES: QUANDO (-1) X (-1) É IGUAL A 1, editado em 24/01/2015
4º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011  
5º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2013
6º _ PASTOR DE SHILOH: SUPER-CÃO OU DECEPÇÃO?, editado em 23/01/2014
7º _ O PESO DOS 4 MESES NO CÃO DO AMANHÃ, editado em 28/10/2010
8º _ CONVERSAS SOBRE PASTORES ALEMÃES À MESA DO CAFÉ, editado em 09/08/2014
9º _ SERÁ O BOERBOEL UMA BESTA APOCALÍPTICA?, editado em 02/05/2015
10º _ COMO FAZER UM MOLOSSO MELHOR, editado em 12/09/2017

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país obedeceu à seguinte ordem:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Espanha, 5º França, 6º Ucrânia, 7º Alemanha, 8º Rússia, 9º Moçambique e 10º Indonésia. 

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

SOUTHWEST AIRLINES, A ARCA DE NOÉ VOADORA

A Southwest Airlines Company, companhia aérea texana, também pioneira dos voos “Low Cost”, tomou sobre si a responsabilidade de transportar por via aérea cerca de 80 cães e gatos de Houston para San Diego, animais que foram resgatados durante a passagem do “Furação Harvey” e cujos proprietários se desconhecem.
Esta operação de resgate ganhou o nome de “Operation Pets Alive” e os cães resgatados, caso não sejam reclamados, acabarão por ser dados para adopção em San Diego na Califórnia. Esta acção da Southwest Airlines transformou um dos seus aviões numa autêntica “Arca de Noé” voadora.
Com estes cães a salvo na Califórnia, vale a pena perguntar se todos os portugueses daquelas áreas já foram resgatados, objecto de socorro e se já se encontram em Portugal, o que sinceramente duvidamos. É por estas e por outras que o povo vira as costas às assembleias de voto, não porque o dia das eleições coincide com um clássico do futebol português. E se prefere o futebol ao dever cívico é porque se encontra profundamente desiludido com as políticas e os políticos desta esfarrapada Segunda República. Há momentos em que mais vale ser cão!

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

AS CONCLUSÕES DO NEUROCIENTISTA GREGORY BERNS

Todos sabemos que “santos de casa não fazem milagres”, a prová-lo está o sucedido com alguns devotos católicos de Santiago de Compostela que vêm a Fátima à procura de milagres! E isto a respeito de quê? Obviamente acerca dos diferentes métodos usados hoje em dia no adestramento e contra o mais usual, aquele que se vale da distribuição de comida como recompensa para o trabalho realizado pelos cães, método que sempre reprovámos por achá-lo desnecessário e atentatório à salvaguarda dos animais. 
Apesar da nossa relutância, não podemos dizer que nunca nos valemos dele excepcionalmente, coisa que fizemos e voltaremos a fazer com cães cuja carga instintiva, por ser tão exagerada, obste à sua concentração, curiosidade e apreensão, o que equivale a dizer que só nos valemos deste método com último recurso. Esta nossa tomada de posição tornou-se sobejamente conhecida, merecendo a reprovação generalizada de gente do mesmo ofício que, ignorando as nossas razões e movida por sentimentos menos nobres, não nos poupou toda a sorte de críticas e acusações infundadas, interrogações do tipo “quem é este portuguesito para contrariar o que se generalizou por este mundo fora?” e afirmações temerárias como “só pode ensinar os cães à paulada!”.
Um neurocientista da Universidade Emory de Atlanta/US, Greg Berns, valendo-se de exames de ressonância magnética feitos a vários cães e ao scanear os seus cérebros, chegou à conclusão que eles gostam mais de nós do que de comida, relação afectiva até hoje nunca comprovada para além dos primatas. As conclusões do estudo deste neurocientista encontram-se na obra “What It’s Like to Be a Dog” que publicou recentemente. 
A ideia de sujeitar os cães aos exames de ressonância magnética veio-lhe da observação dos cães militares que conseguiam ser transportados em helicópteros barulhentos, como sucedeu ao cão “Cairo”, envolvido na eliminação de Bin Laden. A motivação para desenvolver este trabalho prendeu-se em descobrir o que pensam e sentem os cães, já que pretendia também saber se o seu cão recentemente falecido realmente o amava ou gostava dele apenas pela comida que lhe fornecia. Para levar a cabo os seus testes, Berns viu-se obrigado a trabalhar com um adestrador de Atlanta para poder conduzir os cães facilmente para a máquina e mantê-los quietos. 
Depois de vários simulacros viu o seu esforço recompensado. Outra das conclusões a que chegou foi que os cães têm partes dedicadas do seu cérebro para o processamento de caras, que são de muitas maneiras conectados para processar rostos.
Pela prática e não temos pouca, já havíamos chegado à conclusão que os cães conseguem gostar mais dos seus donos que de comida, porque apesar de necessitarem dela para a sua sobrevivência jamais a alcançariam sem o relacionamento afectuoso com os humanos que a torna possível. Também porque muitos cães desprezam a comida e chegam a morrer à míngua quando os seus donos perecem, havendo outros que são naturalmente incorruptíveis e não há petiscos que os levem a aceitar novas amizades e a desprezar as anteriores. 
Assim sendo, a felicitação e recompensa através de festas ou convites para a brincadeira são ainda mais eficazes que engodá-los. Ainda que ensiná-los através da comida seja mais fácil, o preço a pagar é demasiado elevado, considerando a sua vulnerabilidade à comida e a possibilidade de virem a morrer envenenados como infelizmente sempre acontece. 
Mais, todas as relações interesseiras cessam quando satisfeitas, não sendo por isso incondicionais, particular que obsta à profícua e continuada cumplicidade que procuramos dar aos nossos binómios. Parece que sempre tivemos razão ao responsabilizar os donos e ao despertá-los para o amor que o adestramento não dispensa. 

ELAS NÃO MATAM MAS MOEM!

Chama-se “Mojo” e é um cão-polícia britânico especialista em detectar explosivos, trabalhando ordinariamente com Phil Healy que é o seu handler. Este binómio, aquando do concerto de Ariana Grande em Manchester, ocorrido a 22 de Maio último, ocasião em que alguns criminosos, a quem não deveríamos dar nacionalidade europeia ou permitir que entrassem no “Espaço Schengen”, fizeram detonar vários explosivos que causaram 22 vítimas mortais, foi chamado para o local onde procurou por mais explosivos durante 11 horas.
Depois da sua participação e afectado por aquilo que vivenciou, o Mojo foi objecto de maiores cuidados, tendo-lhe sido dado maior descanso, mais comida e suplementos vitamínicos. Está de novo ao serviço e voltou a actuar na reabertura do “Manchester Arena”, apesar de se encontrar apenas a 90% do seu rendimento habitual, porque o stress não o tem largado desde o trágico evento em que foi chamado a actuar, carga negativa que lhe fez cair o pêlo. Neste momento o problema parece estar a ser resolvido e o cão de serviço está a recuperar novamente o seu manto. Como se diz e é costume ouvir-se dizer, “elas não matam mas moem!”. 

terça-feira, 12 de setembro de 2017

COMO FAZER UM MOLOSSO MELHOR

Eles são a presença da Antiguidade no presente, muitos deles encontram-se indexados às listas dos cães perigosos, são de forte constituição e o seu tamanho oscila entre o grande e o gigante (também os há pequenos), têm uma tremenda força de mordedura graças ao formato da cabeça que proporciona ao conjunto dos seus músculos uma maior contracção e poder de destruição, também devido à sua arcaria dentária. Na sua maioria são de ossatura forte e pesada, portadores de uma cabeça maciça (redonda ou em cubo), apresentam lábios espessos e longos, pescoço musculado, curto e grosso, o corpo maciço e o peito amplo e arqueado. Chamam-lhes “molossos” por causa do termo “Molóssia”, advindo geograficamente do Épiro antigo (Grécia Ocidental), onde existia um cão de pastoreio designado por “Molossus”, que viveu no ano 700 A.C., hoje extinto e de quem se julga descenderem (há quem adiante que os molossos têm uma tripla origem sendo descendentes directos do Mastim Tibetano, dos grandes molossos asiáticos e dos “Canis Pugnax” romano. 
Gregos, romanos e assírios usaram cães idênticos na guerra, muito embora o seu uso mais comum ao longo da história tenha sido repartido pelas seguintes actividades: protecção de rebanhos, caça aos lobos e aos ursos e… como cão de arena, onde combatiam contra gladiadores, várias feras e outros cães. Apesar da sua má fama continuam a ser amplamente procurados, porque são fiéis, valentes e excelentes protectores.
A título informativo e antes de abordarmos o tema a que nos propusemos, adiantamos uma lista com as raças mais conhecidas deste grupo somático canino. São elas: Aidi; Boston Terrier; Boxer; Broholmer; Bouvier de Appenzel; Bouvier de Entlebuch; Bouvier da Flandres; Bouvier Suíço; Bulldog Francês; Bulldog Inglês; Bullmastiff; Cane Corso; Cão da Serra da Estrela; Cão de Castro Laboreiro; Cão de Presa Maiorquino; Cão dos Pirinéus; Dogue Alemão; Dogue Argentino; Dogue de Bordéus; Dogue Brasileiro; Fila Brasileiro; Leonberger; Landseer; Mastiff; Mastim Napolitano; Mastim do Tibete; Pastor do Cáucaso; Presa Canário; Pug; Rafeiro Alentejano; Rottweiler; São Bernardo; Sharpei; Terra Nova e Tosa (de tantos que são, ainda falta acrescentar à lista alguns famosos).
Trabalhar (treinar) molossos não é tão fácil como fazê-lo com lupinos, vulpinos ou bracóides, porque ao serem mais confiantes que os demais, por força de uma maior autonomia, resistem por vezes à liderança que lhes é imposta, à divisão de tarefas e à aceitação de recompensas, na propensão que manifestam em resolver as coisas por modo próprio, confiantes na sua determinação e força, o que sempre acaba por torná-los menos solícitos e aparentemente menos propensos para trabalhos que outros aceitarão à primeira e com agrado. 
Nascidos para enfrentar a oposição e os opositores à sua frente, quando contrariados e logo após o alcance da maturidade sexual, tendem a ensurdecer-se para as ordens e a desobedecer sistematicamente, como que incomodados e impróprios para cumprir ordens. Com o tempo e perante insistência, à medida que crescem e se desenvolvem, poderão tornar-se agressivos para os seus proprietários, particularmente se os entenderem como fracos ou iguais, não hesitando inclusive a enfrentá-los, o que nunca deverá acontecer atendendo ao que virá depois.
Ensinar obediência estática a molossos, nomeadamente comandos de inacção e travamento, é trabalho que não rejeitam e que merece a sua imediata aprovação, porque rapidamente aprendem a ficar quietos, a sentar e a deitar-se pelo tempo julgado necessário, vantagens advindas da sua valentia e confiança em si próprios, assim como também da sua autonomia particular. Mas quando se trata de convidá-los para a obediência dinâmica e capitanear-lhes as acções, mostram-se apáticos e desinteressados diante do desenvolvimento atlético básico e exigível que viabiliza o seu uso para além das tarefas ancestrais. 
É evidente que existem excepções rácicas e individuais, diferenças intimamente ligadas aos propósitos que presidiram às díspares selecções (enquanto os ingleses são mais autónomos, escolhem os seus passatempos e exigem respeito, os orientais agradecem que não os aborreçam, mostrando os germânicos maior disponibilidade e cumplicidade que os peninsulares ou de leste).
No que à sociabilização canina diz respeito, pese embora o facto dos molossos serem desconsertados e ingénuos até bem tarde, especialmente os de raça grande ou gigante, há que haver na idade adulta um cuidado redobrado, mesmo quando sociabilizados desde tenra idade, porque não verão com bons olhos a sua inserção em matilhas espontâneas ou heterogéneas, onde estarão presentes diferentes grupos somáticos caninos, particularmente os lupinos cujo comportamento não entendem, gera-lhes suspeitas e é causa de desafio. 
Por vezes não se agradam da inquietude dos vulpinos e não estão para suportar os incómodos bracóides. Ao invés, porque não lhes vêem qualquer ameaça, mostrarão maior empatia e amizade com os cães pequenos que entendem como indefesos sentinelas, parte do seu grupo a proteger.
Caso não nasçam cobardes e/ou inibidos, os molossos não se farão rogados em defender os seus donos e pertences, sendo por norma bons guardiões de habitações, quintas, stands e estaleiros, desde que as áreas a guardar não excedam os 800 m2, porque não são tão rápidos como outros e valem mais pela presença ostensiva. No que à segurança pessoal diz respeito, poucos cães serão superiores a certos molossos, cujo comportamento lembra em absoluto o desempenho de um competente “Bodyguard”. Mas se eu não precisar de um cão de guarda ou de um guarda-costas, será que consigo adaptar o meu molosso para outras actividades ou desportos caninos? Há quem diga que não, nós dizemos que sim e vamos já dizer como.
Se o seu objectivo é tornar o seu cão mais saudável, activo, curioso, versátil e cúmplice, inicie o seu ensino escolar aos 4 meses de idade, seja você mesmo a ensiná-lo, procure uma escola que ministre aulas colectivas e em cujas classes haja diferentes grupos somáticos caninos, que tenha um parque de obstáculos variado e rico, que tenha diferentes disciplinas curriculares e que aposte na capacitação canina a partir do concurso de diferentes ecossistemas. 
Como a maioria dos molossos não sabe nadar satisfatoriamente, convém que ali o ensinem a nadar, a ocultar-se e evadir-se, a não denunciara a sua presença e a tirar partido do efeito surpresa, a desenvolver índices atléticos médio-altos para que tenha saúde e vida em abundância. Para que isso aconteça com mais celeridade é de suma importância que treine na companhia de lupinos, com quem competirá em abono da sua salvaguarda, alcançando requisitos técnicos e técnicas que jamais alcançaria por si mesmo – um melhor aproveitamento e rendimento da sua biomecânica.
Aos 4 meses de idade porquê? Porque importa aproveitar a sua plasticidade física e cognitiva, desenvolver-lhe a curiosidade e o impulso ao conhecimento, operar a sua sociabilização pela familiarização e pela experiência feliz, dotá-lo de maior resistência às amplitudes térmicas e de melhores ritmos vitais. O convite para os mais diversos obstáculos irá despertar-lhe o prazer pelo exercício físico e equipá-lo dos músculos necessários à sua envergadura, peso e saúde articular. Através dessa experiência variada e rica, que seria quase impossível sem o contributo da mestria e participação de diferentes cães, o seu molosso tornar-se-á num companheiro sempre presente e disponível para as acções que vier a solicitar-lhe: em nada inferior aos demais!
É possível que ao principiar a escola tenha que rebocá-lo mas depois prepare-se, porque vai ter que arranjar pernas para ele! Deste modo ensinámos com êxito imensos molossos ao longo de décadas, alguns com mais de 80 kg que venceram toda a sorte de obstáculos e que nunca se furtaram aos mais diversos desafios, animais ensinados com o empenho e a paciência que só o amor é capaz de oferecer. A aptidão da generalidade dos cães sempre espelhará a qualidade dos seus mestres e os molossos não escapam à regra. 

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

NÓS POR CÁ: POR TERRAS DOS CELTAS CURTOS

Este fim-de-semana optámos por visitar o Minho e pernoitámos no Distrito de Viana do Castelo. Visitámos 5 concelhos, 4 nacionais e 1 galego, respectivamente Paredes de Coura, Ponte de Lima, Valença, Vila Nova de Cerveira e Tui, para além de nos determos nas freguesias de Cossourado, Rubiães e Sapardos e de termos assentado arraial no lugar de Antas. Em termos de beleza natural o Minho continua inigualável pelo verde que mantém e pelos rios que o adornam. Do ponto de vista arquitectónico são visíveis algumas diferenças, muito embora não sejam de hoje, já que os solares dos “brasileiros” de outrora (gente que regressava endinheirada do Brasil), cederam lugar às casas dos emigrantes vindos maioritariamente de França, rompendo assim com o desenho e materiais tradicionais, mesmo nos lugares mais recônditos.
Ponte de Lima continua única e linda, agora a braços com as “Feiras Novas”; Paredes de Coura parece perdida no tempo (bem que precisa de mais festivais de verão); Valença fervilha de gente de cá para lá e a luz solar empresta-lhe um carácter idílico à beira de água, o que torna o Rio Minho majestoso; Vila Nova de Cerveira lembra a “Costa do Sol” mas para melhor, porque é ao mesmo tempo paradisíaca e intimista, plena de recantos e de segredos. E quanto a Tui nada a acrescentar, a não ser que é a continuação do Minho no lado galego (espanhol) e que as gentes de um lado e do outro do rio são exactamente as mesmas, gozando entre si de grande amizade e contribuindo ambas para o enriquecimento uma da outra.
Quanto aos minhotos que nos foram dados a observar ali, mais visíveis nas cidades e vilas que nas aldeias, as últimas encontram-se quase desertas a maior parte do ano, sobressai a sua sobriedade e humildade, um carácter por vezes comedido e ao mesmo tempo irreverente que casa na perfeição o sacro com o profano, coisa visível nas romarias que começam graves e solenes e acabam geralmente nos adros das igrejas com bailarinas sensuais e desinibidas bem ao gosto popular (o que é bom é para se ver!). A “reza do terço” é coisa para velhos e os demais são iguais à maioria dos restantes portugueses, que só vão à missa por ocasião de baptizados, casamentos e funerais e também às ditas por alma de alguém, ainda que com menor assiduidade.
Pese embora a sua humildade, esta gente gosta de comer e vestir-se bem (nas feiras encontram-se números grandes, calças até aos 60 cm de cintura), serve quem a visita magnificamente e atende com rara disponibilidade quem a procura, predicados nem sempre visíveis noutros cantos do País e que levam os turistas a regressar ao Minho logo que possam. Antigamente os turistas que se viam nas ruas e restaurantes eram quase todos galegos, agora já se vêem outros e entre eles contámos alemães e franceses, que vermelhos que nem pimentos, alegres tudo depenicavam.
Nas terras onde os celtas acolheram os suevos, contrastando com o passado, o número de gente loura de olhos azuis está a diminuir drasticamente, o que nos parece resultar da extrema mobilidade da população portuguesa, de muitos minhotos residirem e trabalharem noutras áreas do País, no estrangeiro e também devido ao reduzido número de crianças (as escolas da época salazarista encontram-se hoje quase todas encerradas, permanecendo como mausoléu às muitas reguadas que por lá se ouviam). Não obstante, para além dos “Caminhos para Santiago” que são percorridos religiosamente, as tradições continuam vivas e o folclore minhoto continua a dar mostras disso.
E como para nós é um fracasso fazer turismo sem interesse histórico, acabámos por deslocar-nos à freguesia de Cossourado, pertencente ao Concelho de Paredes de Coura, mais propriamente à dita “Cividade de Cossourado”, povoado fortificado (castrejo) construído durante a Idade do Ferro, próprio de uma população que se dedicava à recolecção, à agricultura e à pastorícia e que erigiu distintas edificações, nomeadamente habitações, locais de trabalho, de armazenamento e de recolha para gado. Segundo informações presentes no local, a população que ali viveu dedicava-se também à fiação, à tecelagem, à olaria, à moagem, à pesca e à metalurgia, tudo isto entre os séculos V e II A.C., antes da tomada da região pelas tropas romanas.
Estes nossos antepassados não seriam muito altos a avaliar pela altura das portas das suas habitações, legado que parecem ter perpetuado nos minhotos, em cujo seio se pode ainda ver muita gente baixa, senhoras de 155 a 160 cm e homens de 160 a 165 cm, muito embora as novas gerações sejam bem mais altas e alguns indivíduos ultrapassem largamente os 180 cm. Independentemente do seu tamanho, até porque há quem diga que os homens não se medem aos palmos e tudo leva a crer que tenha razão, não falta aos minhotos força, ambição e destemor, um caminhar alegre e seguro rumo ao futuro, próprio de quem não se contenta e que sempre procura mais. Assim vimos parte do Distrito de Viana do Castelo e haveremos de ir a Viana.
Daqui muito agradecemos a quem nos acompanhou, orientou e serviu de guia turístico.

domingo, 10 de setembro de 2017

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
3º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2013
4º _ HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE?, editado em 11/05/2016
5º _ O SONHO DO LUPINO PORTUGUÊS E O PERRO LOBO MALLORCAN, editado em 18/08/2015
6º _ SIR ALEX É QUE SABE!, editado a 05/11/2017
7º _ HUSKY E SERRA DA ESTRELA: UMA PARCERIA DIFÍCIL, editado em 04/01/2014
8º _ NÃO HÁ PANELA SEM TESTO NEM CÃO SEM PRÉSTIMO, editado em 03/11/2017
9º _ PASTOR DE SHILOH: SUPER-CÃO OU DECEPÇÃO?, editado em 23/01/2014
10º _ O ESTRANHO ANÚNCIO DOS PASTORES ALEMÃES CASTANHOS, editado em 26/04/2013

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país obedeceu à seguinte ordem:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Rússia, 4º Estados Unidos, 5º Angola, 6º Indonésia, 7º Alemanha, 8º Espanha, 9º Moçambique e 10º Ucrânia.