quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

PASTOR AUSTRALIANO: O PREFERIDO DOS FRANCESES EM 2018

No passado dia 23 deste mês, a SOCIÉTÉ CENTRALE CANINE (SCC), equivalente ao Clube Português de Canicultura em Portugal, revelou qual o cão favorito dos franceses nas raças listadas no Livro de Origens Francês (LOF). Pela primeira vez em solo gaulês, o americano PASTOR AUSTRALIANO alcançou o primeiro lugar no ranking das raças registadas no LOF, conquistando os corações e casas dos franceses. Em segundo lugar ficou o PASTOR BELGA e em terceiro, a fechar o pódio, ficou o britânico STAFFORDSHIRE TERRIER, mais conhecido por “STAFFIE”. De 1917 para 2018, o Pastor Alemão baixou do 3º para o 5º lugar continuando o seu compreensível declínio(1), raça que foi a favorita dos franceses durante quase 70 anos!
Para os interessados revelamos aqui o ranking das 20 raças mais apreciadas pelos franceses. São elas: 1º PASTOR AUSTRALIANO; 2º PASTOR BELGA; 3º STAFFORDSHIRE TERRIER; 4º GOLDEN RETRIEVER; 5º PASTOR ALEMÃO; 6º AMERICAN STAFFORSHIRE TERRIER; 7º LABRADOR; 8º BULDOGUE FRANCÊS; 9º CAVALIER KING CHARLES; 10º CHIHUAHUA; 11º BEAGLE; 12º SETTER INGLÊS; 13º COCKER SPANIEL; 14º CANE CORSO; 15º SPANIEL DA BRETANHA; 16º YORKSHIRE TERRIER; 17º HUSKY; 18º DACHSHUND; 19º BERNESE MOUNTAIN DOG e 20º SHIH TZU. Estes resultados permitem-nos concluir que a maioria dos franceses não usa os seus cães contra terceiros, prefere os cães mais pequenos e têm um grande grupo de adestradores profissionais, evidências que reflectem o seu viver democrático.
Porque lhes teria caído no goto o Pastor Australiano? Provavelmente por ser um cão extremamente inteligente, disponível, cúmplice e enérgico, de tamanho médio e de rara beleza, próprio para gente de todas as idades e um devotado auxiliar. Os franceses escolheram bem e estão de parabéns!
(1)Actualmente a maioria dos Pastores Alemães não são cães de trabalho e encontram-se deveras distanciados daqueles que deram bom nome à raça.

CHEGOU A VEZ DO STARBUCKS

Pela manhã em Portugal há três grupos de pessoas que não dispensam os noticiários: um primeiro grupo que apenas quer saber a quantas anda; um segundo que se quer inteirar das iniciativas do “estado providência” e um terceiro que procura ocasiões de negócio. Obviamente que o primeiro grupo é o maior, porque nele podemos incluir o grosso dos aposentados e os parcos em iniciativa. O segundo grupo mais numeroso, ligado à população trabalhadora, grande parte dela suportada pelo Estado, espera dele um milagre económico que possibilite o aumento dos salários. O grupo mais pequeno, diga-se diminuto, é o que procura ocasiões de negócio (árdua tarefa num mundo cada vez mais competitivo), que alberga os que por iniciativa própria e sem salário garantido, ainda conseguem dar emprego a muitos, o que não os isenta da histórica maledicência e da feroz inveja populares. Dava-nos jeito ter mais e melhores empresários, pois ainda não nos livrámos do declínio sofrido no Séc. XVII, talvez de meia-dúzia de judeus descendentes dos muitos que o “Venturoso” (1) daqui expulsou e que os políticos desta II República, em vão e descaradamente, tentam aliciar ao restituir-lhes a nacionalidade, já que grande parte da prata da casa, enquanto manifesta o seu pranto e espera milagres, rende-se às mais variadas paixões, destacando-se das usuais o elevado consumo de ansiolíticos e antidepressivos, o que parece provar que as paixões em matéria de felicidade são pouco fecundas.
Em simultâneo, noutro canto do mundo, um jovem vindo do “quase nada” aproveita aquilo que o sistema tem para dar-lhe e começa a construir um império. Os já instalados procuram acompanhar as drásticas mudanças que acontecem no mundo a uma velocidade vertiginosa e espreitam novas oportunidades de negócio, porque se não se adaptarem perdem o direito à existência. Neste momento os cães e tudo o que lhes diz respeito são uma excelente oportunidade de negócio no mundo do lado de cá, porque estão a tomar o lugar das crianças e nenhum pode ser abatido. Atentas ao que se passa na sociedade, as grandes multinacionais começam a desenvolver serviços e a vender produtos para os nossos amigos de quatro patas, cada vez mais presentes nos nossos lares. Chegou a vez do Starbucks, empresa multinacional norte-americana, com a maior cadeia de cafetarias do mundo, agora com um inovador lanche para cães – o Puppuccino, que é gratuito, invisível no menu, destinado somente a cães e que consiste num copo de papel do tamanho de um café expresso cheio de chantilly. De acordo com o atendimento ao cliente da Starbucks, o “Puppuccino” é composto de leite, Mono e Diglicéridos de ácidos gordos (que funcionam como emulsionante) e Carragenina (polissacarídeo linear sulfatado obtido a partir de extractos de algas marinhas vermelhas conhecidas por algas carraginófitas) que segundo a mesma fonte garante que o líquido permaneça misturado. O valor calórico do Puppuccino é de 50 a 110 calorias e o seu indíce de gordura vai de 5 a 11 gramas.
Apesar da mistela ser do agrado dos cães, o que não me espanta, porque já vi alguns a comer o cocó dos outros, resta saber se ela é ou não indicada para os cães, se o seu consumo continuado irá causar-lhes ou agravar-lhes alguns problemas de saúde. Quanto às intenções da Starbucks não restam dúvidas – ela quer ter na sua carteira de clientes o avultado número de proprietários caninos. Estou convencido que esta inovação irá ser replicada vezes sem conta e que muito em breve terá séria concorrência. Os cães parecem ser um negócio com futuro e estão já hoje a oferecer emprego a muita gente. Depois da Land Rover, da General Motors e do Starbucks, qual será o freguês que se segue? Desde que vi Franciscanos a abençoar cães não arrisco pronunciar-me!
(1)Cognome de D. Manuel I, Rei de Portugal de 1495 a 1521, que assinou a 5 de Dezembro de 1496 o decreto de expulsão dos judeus, concedendo-lhes prazo até 31 de Outubro de 1497 para que deixassem o país. Depois disso, ou a conversão à força ou o desterro.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

A VERDADE COMEÇA A VIR À TONA!

Quando as rações chegaram, já eu cozinhava para cães e continuo a fazê-lo, insistindo ao mesmo tempo na distribuição diária de comida caseira aos cães que vendi e aos que ainda hoje assisto ou que me são confiados para ensinar, não sendo por isso de estranhar que a esperança de vida destes cães, maioritariamente Pastores Alemães, oscile entre os 14 e os 16 anos, conforme temos vindo a dar notícia neste blogue. Apesar deste procedimento ter ido contra o parecer de quem ao longo dos anos nos assistiu e de ter sido contracorrente, os resultados falam por si, porque graças à comida fresca tivemos cães saudáveis e activos por mais tempo, razão pela qual nunca nos inibimos em dizer que a opção pela ração servia mais aos donos que aos cães, que na eventualidade de ter tudo, ainda lhe faltava o essencial – ser fresca!
A chegada das rações, que foi acompanhada por um sem número de contrapartidas e de patrocínios vários, para além dos lucros astronómicos que deu aos seus fabricantes, trouxe problemas a muita gente. Lembro-me de um caso em particular, o ocorrido há algumas décadas numa sociedade de dois veterinários, onde um passou a ser adepto incondicional da ração e o outro continuou a recomendar a comida cozinhada em casa para os cães dos seus clientes, acabando a dita sociedade por dissolver-se mais cedo que o esperado.
A maior parte das rações industriais para cães à venda no mercado é muito rica, doce em demasia, gorda demais, salgada, recheada de aditivos químicos e rica em carboidratos com alto indíce glicémico. Ainda que uma das diferenças entre lobos e cães assente sobre a absorção exclusiva do amido pelos últimos, há cães que não digerem os alimentos ricos em amido, razão pela qual não digerem também os grãos de algumas rações, sendo por isso afligidos por problemas gastrointestinais sistemáticos, problema que os remete para as dispendiosas rações de tratamento ou para outras menos ricas e por isso mesmo menos lesivas, como é o caso da “Orlando” vendida nos supermercados Lidl, que com os seus reduzidos índices de proteína e gordura, acaba por ser melhor tolerada pelos cães, muito embora possa ser inadequada para os que necessitam de mais energia.
O reconhecimento destes problemas tem levado muitos à compra de refeições semifrescas ou congeladas para os seus cães e outros tantos a cozinharem para eles. Esta última opção, a dos que cozinham para os seus cães, pese embora ser a mais demorada, apresenta duas vantagens: a de fornecer comida mais saudável e mais barata do que as rações “premium”! Adepta desta opção, por ser a mais saudável para os animais, é a Dr.ª GERALDINE BLANCHARD, veterinária e fundadora do site de nutrição animal de consultoria nutricional “CUISINE À FOCS”, de quem tivemos notícia através do “20 minutes”, um jornal diário gratuito, traduzido do inglês e destinado a passageiros em França, sob o título “POUR LEURS ANIMAUX, ILS PASSENT DERRIÈRE LES FOURNEAUX”, que adianta uma dieta saudável à base de peixe ou carne mal cozidos, ácidos gordos essenciais (óleo de colza por exemplo), vegetais cozidos, suplementos vitamínicos, minerais e finalmente cereais ou alimentos amiláceos (carboidratos adequados).
Cresce por toda a parte, e ainda bem, o número dos donos que passaram a cozinhar para os seus cães, devolvendo-lhes a saúde, o bem-estar e a longevidade a que têm direito. Contudo, para quem não sabe quais os alimentos recomendados e as suas proporções, é de todo conveniente procurar os conselhos e explicações do veterinário assistente do seu cão, caso opte pela transição da ração para a comida confeccionada em casa, para não dar azo ao disparate. Finalmente a verdade começa a vir à tona!

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

EM TEERÃO NÃO SE PODE TER CÃO!

Não divinizo WINSTON CHURCHILL (1) nem sou seu fã incondicional, como não sou dos ingleses em geral, povo que considero demasiado chauvinista, curto de vistas e pouco polido (há quem o diga naturalmente avaro, tendencialmente cruel e parco de higiene), muito embora subsistam no seu seio pessoas verdadeiramente excepcionais. Quando o assunto nos remete para o islamismo e para as suas arbitrárias políticas sociais, logo me vem à memória o livro que este defunto ex-primeiro ministro britânico escreveu em 1899 com o título “THE RIVER WAR”, Volume II, publicado pela editora Longmans, Green & C Company, onde se debruça e analisa o islamismo e os seus seguidores. Como as opiniões de Churchill a este respeito não são poucas, escolhemos apenas duas que infelizmente ainda não perderam a sua actualidade: “Quão terríveis são as maldições que o Maometismo (Islão) coloca nos seus devotos! Além do frenesim fanático, que é tão perigoso num homem quanto a hidrofobia é num cão, existe essa apatia fatalista e medonha” e “Os muçulmanos individualmente podem mostrar qualidades esplêndidas, mas a influência da religião paralisa o desenvolvimento social daqueles que a seguem. Não existe nenhuma força mais retrógrada no mundo”.
Segundo noticia a BBC hoje, em Teerão, capital do Irão, os iraquianos estão proibidos pelo Ministério Público de passear os seus cães na rua, proibição que se estende também ao transporte automóvel destes animais. Estas medidas repressivas fazem parte de uma campanha oficial de longa data para desencorajar a posse de cães, contencioso que já remonta à Revolução Islâmica de 1979 e que já levou ao confisco de vários animais, tudo porque as autoridades islâmicas do país consideram os cães impuros e a sua posse um símbolo político pró-ocidental e próprio da monarquia deposta. Em 2010, O Ministério da Cultura e Orientação Islâmica já havia proibido qualquer anúncio sobre animais de estimação e produtos relacionados com eles.
O Chefe da Polícia de Teerão, o Brigadeiro General Hossein Rahimi (na foto seguinte), face às recentes proibições, disse que tomará as medidas necessárias para impedir que proprietários caninos passeiem com os seus cães nas ruas e parques da cidade e que tudo se ficou a dever ao medo e ansiedade que os cães provocam nas pessoas que com eles se cruzam (pudera, consideram-nos impuros para os seguidores do profeta!).
Apesar de gostar de cães como poucos, não suporto ver “cagalhotos” abandonados pelas calçadas, resquícios de diarreia canina e o cheiro nauseabundo a urina, porcarias que não podemos imputar aos cães, mas aos donos e às autarquias, uns por não serem asseados e as outras por impedirem que o sejam. Está claro que a “impureza” aqui fica a dever-se aos proprietários caninos e a quem licencia os seus cães. É evidente que o caso iraniano nada tem a ver com higiene, mas com um conjunto de maldições religiosas, inibidoras da liberdade individual, que pretendem perpetuar um brutal e desusado regime esclavagista. Em Teerão não se pode ter cão!     
(1)Winston Churchill foi um dos maiores líderes do século XX, servindo como primeiro-ministro do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial e novamente de 1951 a 1955. Foi também historiador, escritor e artista, sendo o único primeiro-ministro britânico a receber o Prémio Nobel de Literatura (1953) e foi a primeira pessoa tornar-se cidadão honorário dos EUA após a Segunda Guerra Mundial. Como oficial do exército britânico em 1897 e 1898, lutou contra uma tribo pashtun na fronteira noroeste da Índia britânica e também na Batalha de Omdurman no Sudão. Nos dois os conflitos teve encontros surpreendentes com os muçulmanos. Esses incidentes permitiram que seu aguçado sentido de observação e sua sempre fluída caneta pesassem sobre o tema da sociedade islâmica. As passagens que usámos neste artigo foram escritas quando Churchill tinha apenas 25 anos de idade (em 1899) e servem de aviso profético para a actual civilização ocidental.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

PROTEGERAM-NAS E AGORA MANDAM-LHES OS CÃES PARA CIMA!

Através do GEEK, weblog de notícias, ficámos hoje a saber que na mítica SYDNEY OPERA HOUSE, na Austrália, existem agora 5 binómios para expulsar as gaivotas, espécie ali protegida. Estas aves marinhas atacam onde há comida, nomeadamente à volta do bar e da cozinha daquela magnífica sala de espectáculos, onde é comum vê-las a roubar comida da mão e dos pratos dos clientes sem qualquer tipo de cerimónia.
Os cães trabalham em parceria com os seus treinadores e são ali conhecidos por “SEAGULL PATROL DOG”. Desde que entraram em acção, a equipa do restaurante registou uma redução de 80% na substituição de refeições por causa das gaivotas e o público tem apreciado tanto o sucesso como o trabalho destes cães
Antes da entrada em cena dos binómios tudo foi feito para afastar as gaivotas dos pratos e das batatas fritas, infelizmente sem sucesso, desde cloches de arame para proteger os alimentos a dispositivos sonoros, para além da mobilização geral dos empregados que, ao menor sinal de alerta, corriam que nem desalmados para espantar aquelas aves marinhas. Em vão foi também usado um falcão robótico (na foto seguinte), porque as gaivotas agradaram-se dele ao invés de temê-lo.
Todos os cães que trabalham na Sydney Opera House têm botas personalizadas para proteger as suas patas dos pisos quentes que pisam e os clientes podem finalmente comer descansados debaixo da protecção dos esforçados trabalhadores caninos, cujos nomes são: Pepper; Penny; Roxy; Scamp e Tauzer.
Eu tenho um cão que tem por hábito correr atrás dos pombos quando me apanha distraído. Como ele ficaria encantado se tivesse um trabalho destes, provavelmente seria o cão mais feliz do mundo, só que eu não o quero para espantar gaivotas! Regista-se a originalidade da solução encontrada na Casa da Opera de Sydney. Pergunta-se: por quanto tempo será válida? As gaivotas atacam sem receio águias e corvos graças ao seu bico de 5 cm. E, caso decidam cair em cima dos cães, os que não fugirem ver-se-ão obrigados a usar óculos protectores, porque já há notícia de ataques a cachorros por se oporem ao roubo do seu manjar.
PS: Já abraçámos este tema no artigo “GAIVOTAS: A MORTE QUE VEM DO MAR E PAIRA NO AR”, editado em 20/07/2015.  

MEMÓRIAS DE UM HOTEL IMPLODIDO

Este mau hábito de aturar donos e ensinar cães, para além do incómodo, é também farto em amizades, profícuo em paixões e rico em histórias. As histórias tendem a aumentar com o acumular dos anos e algumas nem podem ser contadas, muito embora a sua esmagadora maioria seja hilariante. Hoje vou contar uma delas, passada há cerca de 15 anos atrás num hotel já implodido em Tróia ou “na Tróia” como dizem os setubalenses.
Na altura estava a gravar em Setúbal alguns episódios da série “Inspector Max” para a TVI, no que contava com a colaboração dos CPA’s “Bibos” e “Jazz”, cães inesquecíveis pela sua generosidade, disponibilidade e talento, qualidades que ao fomentarem a cumplicidade necessária, deram vida àquela exigente personagem de ficção. Apesar de na altura não ter tempo para me coçar, ainda abracei outro pequeno projecto, o de dirigir a prestação de um cão, pretensamente de traficantes, que circulava sobre a popa de um barco perto de um atoleiro. A cena passou-se no Porto Palafítico junto da localidade de Carrasqueira do Mar e o cão escolhido foi o “Afonso”, um híbrido dourado de Chow-Chow com CPA, conhecido na altura como “cão-relógio” pelo seu acerto em tudo o que fazia.
Como as filmagens se iniciavam bem perto do romper da aurora, para eliminar a possibilidade de atrasos, a produção entendeu hospedar-nos num hotel em Tróia para chegarmos atempadamente ao local das gravações. Pernoitei no pequeno quarto do hotel durante dois dias com o cão e o motorista dos cães, um amigo de setenta e muitos, grande e anafado, um bom garfo, de bem com a vida e rico nas mais variadas experiências, portador de uns grandes olhos azuis, com uma barriga substancialmente maior e com um roncar levado dos diabos, ao ponto de se tornar ameaçador durante a noite.
Dormimos em duas camas paralelas com o cão deitado entre elas (estou em crer que o Afonso não pregou olho durante toda a noite). O nosso amigo motorista, para além de ressonar ininterruptamente tal qual ribombar de canhões, ainda era importunado pela hiperplasia prostática benigna (próstata aumentada), achaque o que o levava a urinar várias vezes durante a noite em intervalos regulares.
O bom do Afonso, cão que nunca gostou de levar desaforo para casa e que estava acostumado a dormir em paz na sua boxe, entendeu como ameaça ou provocação o roncar daquele motorista, rosnando-lhe amiúde e tendo-o sempre debaixo de olho. Quando o pobre homem despertava para urinar, coisa que acontecia sensivelmente de duas em duas horas, o cão estava pronto para o comer e o homem depressa se apercebeu disso.
Infelizmente, a coisa acabou por sobrar para mim, porque de duas em duas horas era acordado debaixo do seguinte pedido: “Ò João, agarra lá o cão, que ele está a tirar-me a fotografia e eu preciso de ir à casa de banho!” Na altura não sofria da próstata, mas fiquei logo a saber o quando incómoda pode ser. O trabalho correu sem percalços e todos regressámos a casa ilesos, ainda que o Afonso parecesse insatisfeito por não ter sido fotógrafo naquela ocasião.

domingo, 27 de janeiro de 2019

UMA PATINADORA CHAMADA MATILDE

Ontem trabalhámos de manhã e de tarde, parando somente para almoçar num pequeno restaurante afamado pelos seus pratos de peixe, sito numa estreita rua medieval onde o sol só entra no Verão. Iniciámos os trabalhos mais tarde, cerca das 11 horas, para termos a companhia do José Maria e da CPA Mel, que são o nosso binómio mais recente. Na foto abaixo é possível vê-lo a evoluir debaixo do comando de “junto”.
As pequenas Doberman Lupa e Russa mostraram, outra uma vez, uma significativa predisposição laboral e parecem ser feitas de fibra igual à dos campeões, porque não se encolhem aos desafios e parecem ser incansáveis avançando decididas para cima do que tiveram à frente, deslocando-se invariavelmente adiantadas em relação aos seus condutores, facto que a foto seguinte não desmente.
A Svetlana foi objecto das explicações necessárias para não voltar a andar a reboque do Zeus e aprender a usar mais a voz do que a força, para não abusar do cão que lidera e tê-lo sempre à sua disposição - para o que der e vier. Em simultâneo, foi exortada para alcançar outros índices atléticos, condição indispensável para quem conduz um cão saudável acima dos 70 cm de altura, tarefa que não é fácil por exigir dos condutores alguma preparação atlética específica e jovialidade. Na foto abaixo é possível ver este binómio a executar o “junto” em passo de corrida e vale a pena reparar no comprimento da passado do Doberman.
Por solicitação do José Maria, que aparece na foto abaixo como de fila-guia da classe, ensinámos a sua CPA a deitar-se, tarefa que a Mel venceu facilmente ao fim de três ou quatro tentativas bem-sucedidas, não fosse ela uma pastora alemã curiosa, decidida e sempre bem-disposta.
Da parte da tarde, com o sol a brilhar e uma temperatura primaveril, para levar de vencida a sonolência provocada pelo almoço, iniciámos os trabalhos sobre duas extensas escadarias de um auditório ao ar livre, no intuito de dotarmos os binómios de maior resistência, predicado que ainda é parco no João Mendonça, apesar das suas significativas melhoras. Para o progresso deste condutor, no que à disponibilidade física diz respeito, muito tem contribuído a cadelinha que conduz – a Lupa - que apesar da sua tenra idade e pouco peso, carrega-o para toda a parte (a foto abaixo ilustra cabalmente o que acabámos de dizer).
Ao José Maria sucede-lhe exactamente o contrário, porque se vê obrigado a rebocar a Mel, que acostumada a andar toda a semana em liberdade, manifesta por vezes algum desencanto pela condução atrelada debaixo de ordens. O problema é passageiro e brevemente será ultrapassado. Na subida das escadas, conforme se pode observar na foto seguinte, este condutor teve que se empregar a fundo para ter a cadela ao seu lado.
Neste trabalho o binómio Svetlana/Zeus deslocou-se como se evoluísse em piso plano. A opção pelas escadas ficou também a dever-se à necessidade que esta condutora tem de fazer alongamentos, melhorar o seu arranque e arranjar maior resistência.
A Andreia e a Russa parecem feitas uma para a outra e, de tal modo o são, que a expressão “cara de um focinho do outro” parece ter sido criada por causa delas. A Russa tem vindo a melhorar o seu desempenho e hoje mostra-se mais segura, não hesitando em ajudar a sua condutora na subida de escadas.
Depois das escadas optámos pela instrução circular e valemo-nos duma pequena patinadora que apareceu ao nosso lado, uma miúda segura e bem-disposta chamada Matilde, nome que não soa estranho a quem teve uma avó chamada Matilde, uma namorada e uma filha com o mesmo nome. Como somos precavidos e não queremos que algum dos nossos cães venha a atacar crianças ou patinadoras, pedimos à menina que patinasse por entre os binómios presentes em classe. Todos os cães evidenciaram um comportamento irrepreensível.
De um momento para o outro, como se tivesse vindo do nada, eis que surge uma família com um bebé transportado num carrinho. O adestrador apossou-se imediatamente do carrinho e prendeu o Zeus nele, no intuito de reforçar o “junto” do animal, de vencer a sua timidez e de prepará-lo para toda e qualquer eventualidade. Quem assistiu ao desempenho do mestre disse que ele levava jeito e que parecia já estar acostumado.
Depois de ter adaptado o Doberman naquela tarefa, o adestrador entregou-o à sua condutora, esperando dela o mesmo desempenho, o que felizmente veio a acontecer. O Zeus tem tudo para ser um excelente cão e tem-no provado ao longo das sessões de treino em que tem participado. Grande responsabilidade tem a Svetlana!
Com a pequena Matilde à nossa disposição, sentindo-a determinada e confiantes no cão, pedimos à patinadora que levasse o Zeus a dar uma volta, que patinasse com ele atrelado. Conforme o esperado, tudo correu às mil maravilhas e o cão parece ter gostado.
Para cúmulo do que já havíamos feito, lançámos novo desafio à nossa “patinadora de serviço”: que conduzisse o carrinho de bebé com o Zeus preso nele! Desafio feito, aposta ganha! Garota e cão foram aplaudidos por quem assistiu ao seu desempenho.
E porque não há nada melhor do que obstáculos de projecção negativa para ensinar os cães a não tocar nas barreiras verticais, depois de nos despedirmos da Matilde, optámos por vários saltos sobre bancos de jardins, saltando-os de trás para a frente. Na foto seguinte podemos ver o desempenho do binómio J. Maria/Mel.
Depois aproveitámos como bandeiras de slalom uns ferros verticais que impedem os carros de estacionar sobre a calçada, reforçando ali a cumplicidade dos binómios pela divisão do alegre trabalho proposto.
Terminámos o nosso plano de aula com a execução do comando de “quieto”, servindo os cães mais velhos de exemplo para os mais novos. As duas pequenas irmãs Doberman, a quem não é ainda exigido que se sentem, porque não convém enfraquecer-lhes o carácter, começam já a evidenciar a segurança que as levará à plena aceitação desta ordem (“quieto”).
Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: Andreia/Russa; João/Lupa; J. Maria/Mel e Svetlana Zeus. O Paulo Motrena continua de convalescença e tivemos notícias da Carla, que felizmente se encontra bem e que finalmente levou a Maggie para dentro de casa, decisão que a Bull Terrier já reclamava desde o dia em que entrou naquela casa. E sobre o dia de ontem nada mais há acrescentar, resta-nos agradecer à Matilde a sua colaboração e que outras surjam para nos ajudar. Continuação de bom fim-de-semana!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015  
2º _ HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE?, editado em 12/05/2016
3º _ PASTORES ALEMÃES LOBEIROS: O QUE OS TORNA ESPECIAIS, editado em 02/11/2015
4º _ BENEFICIAMENTOS ENTRE AS LINHAS DE TRABALHO E A DE BELEZA NO CPA, editado em 22/05/2017
5º _ OS CARROS DO SADDAM E OS CÃES AO DEUS DARÁ, editado em 22/01/2019
6º _ DIGAM-ME PORQUÊ, editado em 23/01/2019
7º _ O PESO DOS 4 MESES NO CÃO DE AMANHÃ, editado em 28/10/2010
8º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2013
9º _ DOBERMAN: O CÃO QUE É MENOS DO QUE SE SUPÕE E MAIS DO QUE SE IMAGINA, editado em 06/03/2016
10º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país obedeceu à seguinte ordem:
1º Brasil, 2º Portugal, 3º Estados Unidos, 4º Reino Unido, 5º Alemanha, 6º Angola, 7º Rússia, 8º Moçambique, 9º Polónia e 10º França.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

A ESTREIA DA TATIANA POMENKO

Com a Andreia severamente engripada e com treino nocturno marcado, tivemos que arranjar condutora para a Doberman Lupa cabendo esse prazer à Tatiana Pomenko, uma moldava de 21 anos, natural da cidade de Ohrei, 25 milhas a norte de Chisinau, capital da Moldávia. Na foto acima podemos ver esta jovem a ajudar a pequena Doberman na transposição de uma mesa de jardim, tendo como fila-guia o patriarca dos Mendonças. As cachorrinhas Lupa e Russa fizeram o seu primeiro percurso de obstáculos esta noite e o Zeus foi convidado para exercícios de equilíbrio e de endurance como se pode ver abaixo.
As pequenas Doberman estão a despertar para a vida e a sinalizar tudo o que ouvem e o que delas se aproxima. Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: João/Russa; Svetlana/Zeus e Tatiana/Lupa. O Paulo Motrena não compareceu com o Bohr por ter sido finalmente operado ao joelho, encontrando-se de momento a convalescer da bem-sucedida cirurgia. Será desta que deixará de coxear? Estamos convencidos que sim e é isso que desejamos. Resta dizer que a noite esteve óptima e que o treino valeu a pena.

INVERNO, BRAQUICÉFALOS INSOLAÇÃO E HIPERTERMIA

Há por aí muito dono de Buldogue Francês que ignora ser esta raça braquicéfala e quais a implicações desse particular morfológico na saúde e longevidade dos seus cães, ignorância que pode inclusive levar à morte dos animais quando sujeitos a amplitudes térmicas ou a maiores esforços. Os cães braquicéfalos são animais que apresentam o maxilar inferior normal, proporcional ao seu tamanho e o maxilar superior recuado, apresentando-se o seu focinho curto e quase tão largo como comprido. Tudo o que aconselharmos doravante para o Buldogue Francês é também destinado às restantes raças braquicéfalas, a saber: Affenpinscher, Boston Terrier, Boxer, Buldogue Inglês, Bullmastiff, Cane Corso, Cavalier King Charles Spaniel, Chihuahua, Chin Japonês, Chow-Chow, Dogue de Bordéus, Griffon de Bruxelas, Lhasa Apso, Mastim Inglês, Mastim Napolitano, Pequinês, Presa Canário, Pinscher Miniatura, Pug, São Bernardo, Sharpei, Shih Tzu, Spaniel Inglês, Spaniel Japonês, Spaniel Tibetano e Yorkshire terrier (entre outras).
Com a chegada do Inverno, com as das baixas de temperatura, com a neve e com o gelo, os cães braquicéfalos não deverão ser convidados para exercícios continuados no exterior, por mais que o desejem ou estejam acostumados, especialmente se regressarem a casas aquecidas, porque esta combinação poderá provocar-lhes hipertermia não pirogénica, um aumento da temperatura corporal alheio à febre, que os impede de a auto-regular e de mantê-la no nível normal, algo ligado ao facto de movimentarem menos quantidade de ar que os cães normais, gerando esta insuficiência uma maior obstrução e sobreaquecimento das vias respiratórias. Mesmo que dispensados do indesejável exercício anaeróbico e do aquecimento irregular que ele provoca, o sistema respiratório dos cães braquicéfalos é normalmente afectado pela síndrome respiratória braquicéfala, pela estenose das narinas, pelo alongamento do palato mole e pela hipoplasia da traqueia, que uma vez somados podem induzir à frequência de golpes de calor e ser fatais (1).
Um braquicéfalo assim afectado pode atingir 41º graus de temperatura corporal, apresentar os músculos completamente doridos, ser dominado pelo stress e demorar vários dias a recuperar, factores ligados à respiração ofegante, à sede excessiva e à baba. Nestes casos o melhor que há a fazer é correr de imediato para o veterinário, que agirá de acordo com o estado clínico de cada cão, podendo nos casos mais graves optar por um banho frio, por líquidos orais e por medicação que ajude o animal a relaxar, uma vez que o stress e o aumento da temperatura são provocados e resultado do calor.
Para evitar pôr em risco a saúde destes cães, aconselhamos os seguintes procedimentos nas saídas ao exterior: dos -30º a -15º - saídas emergenciais de curta duração, a passo, sem mudanças de marcha e com os animais ataviados de botas próprias (2) (obrigatórias quando os cães se encontram em estâncias de Inverno); dos -14º aos -2º - passeios nunca superiores a 15 minutos, a passo e com botas; de –1º a 5º - passeios de 30 minutos, em marcha e com botas; dos 6º a 11º - 1 hora de permanência com mudanças de marcha e com o uso de botas facultativo. E porque insolação e hipotermia contribuem igualmente para o fenómeno nestes cães, para os arredados do exercício físico diário aconselhamos: dos 11º aos 21º - saída qualquer tipo de restrição; dos 21º aos 28º - saída de uma hora com a possibilidade de mudança de andamentos naturais e dos 29º aos 40º - exercício moderado, redução do galope e medição da frequência respiratória, que obrigará à paragem dos cães quando igual ou superior às 130 pulsações por minuto (os graus aqui indicados dizem respeito à escala de celsius).
Há que evitar as correrias desenfreadas destes fiéis amigos nesta altura do ano, até porque não há necessidade disso, a Primavera avizinha-se e não costuma faltar. Não há nenhum cão perfeito e todos têm os seus problemas, problemas que poderão ser ultrapassados pelos cuidados que os donos lhes dispensarem.
(1)Consultar o seu veterinário assistente para explicações mais detalhadas. (2)Reclama-se a habituação atempada dos cães às botas, que deverá acontecer antes da sua necessidade.