segunda-feira, 31 de outubro de 2022

CANE CORSO: UM CÃO DEMASIADO SÉRIO PARA SE LEVAR A BRINCAR

 

O Cane Corso, cão do sul de Itália, aparentado com o Mastim Napolitano, contudo mais disponível e atlético, é um guarda eficaz de pessoas e propriedades, podendo perfeitamente guardar uma casa quando devidamente preparado para isso. Naturalmente poderoso e de grande força física, dado a qualquer desafio e reactivo a provocações, ele é pouco amigo de crianças e extremamente desconfiado com estranhos, sendo capaz de eliminar um homem surpreso e indefeso sem grande dificuldade. Este molosso nasceu para trabalhar e quando não lhe distribuem tarefas tende a inventá-las e a ser destrutivo. Mercê destas características, longe de ser um vulgar cão de companhia, exige um dono experiente, seguro e dotado de uma força física ou envergadura capazes de o travar e fazer frente às suas investidas não-ordenadas, uma vez que é mais rápido a atacar do que a cessar os seus ataques, que poderão ser meramente de natureza instintiva e suceder num ápice. Quando condicionado torna-se mais seguro, mas não totalmente, necessitando ciclicamente de ser subordinado. A isenção destes cuidados tem estado na origem de lamentáveis acidentes, como o sucedido no passado domingo em Thousand Oaks, no condado de Ventura, no estado norte-americano da California.

Ali, uma menina de 16 anos foi hospitalizada depois de supostamente ter sido atacada pelos cães da sua família na noite de ontem, segundo fez saber o Departamento do Sheriff do Condado de Ventura. As autoridades responderam a uma chamada relativa a um ataque canino no quarteirão 100 de Manzanita Lane por volta das 15h30. Diz-se que a família da sinistrada possui 5 grandes cães Cane Corso. Tanto a adolescente como a mãe foram atacadas, tendo a última sido atacada quanto tentou intervir. As autoridades revelaram que a adolescente sofreu lacerações e dentadas na cabeça, tronco e braços.

Mãe e filha acabaram transportadas para o Hospital Las Robles. A adolescente sofreu ferimentos significativos, mas não mortais; a mãe sofreu apenas ferimentos leves. Ao que tudo indica estamos perante mais um caso de cães errados em mãos erradas.

TODOS PELO LOURENÇO

 

Lourenço é um nome de origem latina que significa “natural de Laurento” e também de dois santos, de um queimado vivo1 e de outro autoflagelado2. Nós não queremos que o nosso venha a ser mártir e trabalhamos já hoje para que tenha vida em abundância, porque ainda agora nasceu e merece ser feliz – assim o proteja Deus! Os nossos trabalhos do último sábado, dia 29 de outubro, para além das preocupações relativas à segurança do bebé, incidiram mais sobre a obediência do que sobre a ginástica, apesar de esporadicamente termos insistido em exercícios de técnica de condução como o visível na foto acima, sobre um obstáculo residual de projecção negativa com saída exígua. A pensar na melhoria atlética do cachorro CPA Marquês, da CPA Olívia e do Akita Ouki, convidámo-los para saltar as costas de um banco encimado por uma pessoa deitada em decúbito ventral, exercício que aponta simultaneamente para a melhoria dos índices atléticos, para o robustecimento de carácter e sociabilização dos animais, para além de reforçar a liderança. Na foto abaixo vemos o Adestrador a executar este exercício com o cachorro CPA Marquês, constituindo a sua dona parte do obstáculo a transpor.

Pese embora o facto de abominar o obstáculo, o Ouki transpô-lo tantas vezes quanto as necessárias, porque precisa de nele ser aprovado “como de pão para a boca”, o que não é nenhuma novidade para ninguém, porque os obstáculos aos quais os cães resistem, são por vezes aqueles que melhoram a sua aptidão, desde que ao seu alcance, sem exigir-lhes grande esforço e de fácil solução.

Retornando ao tema do nosso estimado bebé Lourenço e à formação da CPA Olívia, também à instrução da mamã do pimpolho (Rita), com a Pastora Alemã atrelada ao carrinho de bebé, deu-se início à obediência linear com o binómio excepcional inserido nos trabalhos da classe (o Lourenço estava a dormir e assim continuou). Pretendeu-se com isto fixar a cadela alinhada à lateral do carrinho, a desinteressá-la por outros cães e a não responder às suas provocações, para além de defender o bebé em caso de necessidade, cuidado que a cadela já começa a evidenciar. Por outro lado, a manobra também serviu para a sociabilização dos restantes binómios, para que mais depressa deixem de estranhar os carrinhos de bebé, quem os empurra e a sua preciosa carga – tudo correu conforme o esperado.

Com a CPA Olívia a responder sem reticências aos trabalhos, optei por mandar cruzar o carrinho de bebé com os restantes binómios, manobra que foi executada com segurança e êxito, o que obviamente muito me alegrou, pelo que a Pastora Alemã está de parabéns. Entretanto o pequeno Lourenço acordou cheio de fome e lá foi a mãe a correr como um pronto-socorro!

Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: Cristina/Marquês; Gonçalo/Olívia; João Garrido/Marquês; João Moura Marquês; Paulo/Bohr; Rita/Olívia e Yasmine/Ouki. O Carlo não compareceu com a Tsuki; O Pedro Rodrigues baixou à cama e a Fernandinha zarpou para o Alentejo com o Óscar. Contámos com a presença da Rita, a chuva não nos incomodou e a reportagem fotográfica aconteceu como sempre. Hoje reataremos as nossas actividades.

(1)São Lourenço de Huesca (225 – 258). (2) São Lourenço de Cantuária (séc.VI – 609).

A OLÍVIA E OS MÚSICOS DE RUA

 

A CPA Olívia, exemplar de 3 anos, está a obedecer a um programa de ensino que visa transformá-la em acompanhante e protectora do Lourenço, um bebé de tenra idade que com ela coabita dentro do mesmo espaço. Durante os dias úteis a cadela é treinada isoladamente e aos sábados ao lado do carrinho de bebé com o seu utente lá dentro, normalmente satisfeito, feliz e a dormir. Na passada sexta-feira, como parte da sua formação e habituação, conforme atestam as fotos constantes neste texto, a Olívia foi colocada junto a um músico de rua para se familiarizar com os diversos sons, não se assustar ao ouvi-los ou ousar atacar quem os produz, uma vez que ordinariamente circulará atrelada ao carrinho do bebé, deixando assim as mãos livres à sua dona.

As adaptações ao músico e à música não foram automáticas mas depressa aconteceram, graças às respostas positivas que esta lupina tem demonstrado relativas ao comando de “quieto” e às continuadas evoluções citadinas de que tem sido alvo. Este treino extraordinário da Olívia tem excedido as expectativas e a assiduidade do seu dono às aulas não pode ser desligada do seu sucesso. Breve o Gonçalo regressará a Angola e ao seu trabalho, cabendo à Rita substituí-lo para que tudo continue bem entre o Lourenço e a cadela, constituindo-se a última numa prestimosa auxiliar da jovem mamã.

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

UM CÃO COM O MUNDO A SEUS PÉS

 

Ao longo da minha vida com os cães ao lado, sempre tive e treinei alguns excepcionais (ainda há poucos dias morreu um), jamais esquecerei os seus nomes e o muito que me deram, sinto-me em dívida para com eles e vivem em mim, povoando os meus sonhos num misto de exaltação e saudade. Como dono e adestrador sempre preferi os cães alemães, por serem de fácil interacção, mais atentos e curiosos, fiéis, seguros, previsíveis, versáteis e resilientes – uns amigos para a vida – mesmo o Boxer, o menos mecânico e o mais afectivo de todos, que cheira a Natal e exala alegria. Entre todos destaco o Cão de Pastor Alemão, para mim o “Delfim” das raças caninas germânicas, por ser de fácil condicionamento e de difícil descodificação, incorruptível e de uma lealdade a toda a prova – há trabalhos que só se conseguem fazer com um Pastor Alemão!

Infelizmente estes superdotados caninos acontecem com menos frequência em algumas raças e raramente noutras, dependendo a sua extraordinária aptidão dos critérios que presidiram à sua selecção. Mas não é sobre Pastores Alemães que quero falar com os meus amigos e leitores, mas de um Podengo Português branco que nos coube em sorte, um companheiro que ao contrário do que é comum ver-se na sua raça, interage de forma soberba, aprende tudo automaticamente, tem um desempenho superior nas várias disciplinas cinotécnicas, velocidade e resistência para dar e vender, é competitivo e irradia alegria, parecendo ter chegado para o mundo se render a seus pés! Cães destes, porque são superdotados, carecem de donos com alguma experiência, dedicados e com vontade de aprender para melhor os acompanhar, porque doutro modo serão ultrapassados e desfeiteados, acabando a vontade dos animais por prevalecer! Para melhor se entender da qualidade do Óscar, basta dizer que ele aprende três vezes mais rápido do que a média dos Pastores Alemães, vencendo figuras e obstáculos quase automaticamente. Com apenas 1 mês de treino, este “Podengo-maravilha”, que adora vir para a escola, já começa a dar os seus primeiros passos solto. A sua dona corre contra o tempo, o cão já parte adiantado e não ficará eternamente à espera dela – força Fernandinha!

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

 

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:

1º _ SOCIABILIZAÇÃO E MAIOR CONTROLO, editado em 16/10/2022

2º _ OS KANGAL VOLTAM A MATAR!, editado em 20/10/2022

3º _ IMIGRAÇÃO IRLANDESA PARA SUÉCIA E ITÁLIA, editado em 20/10/2022

4º _ PRESUMÍVEL ENVENENADOR DE CÃES PRESO NO PARAGUAY, editado em 19/10/2022

5º _ APRIL: A FAREJADORA DE ESPERMA, editado em 24/10/2022

6º _ O INVUGAR TRABALHO DA Drª BARBARA WEAKLEY-JONES, editado em 21/10/2022

7º _ DE GATAS OU COM OS CÃES AO COLO, O CAMINHO É PARA A FRENTE!, editado em 17/10/2022

8º _ FOIRE DES BÉNÉDICTIONS DANS l’EGLISE DE SAINTE CATHERINE, editado em 11/10/2022

9º _ TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS, editado em 21/10/2022

10º _ BARKING IN THE RAIN, editado em 20/10/2022

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

 

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:

1º França, 2º Portugal, 3º Brasil, 4º Canadá, 5º Estados Unidos, 6º Países Baixos, 7º Alemanha, 8º Reino Unido, 9º Espanha e 10º Suécia.

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

OS SEIS INCUMPRIDORES DE OSAKA

 

Como dizia o grande Eça na sua obra O CONDE DE ABRANHOS, “quanto toca a dinheiro não há oposição nem governo, são todos iguais” (ignoro se as coisas ainda se passam assim). Muitos de nós têm uma ideia estereotipada dos japoneses, que julgam ser gente certinha, zelosa e cumpridora, gente bem diversa daquela que por cá temos, como se o mérito humano se remetesse apenas aos japoneses e sobre nós tivesse desabado exclusivamente uma torrente de defeitos, quando na verdade não é assim, porque a fuga aos impostos e a procura de bens ilícitos são universais. Seis criadores de cães e gatos na província japonesa de Shiga não declararam um total de cerca de 235 milhões de ienes (cerca de 1,58 milhões de dólares) de receita ao longo de cinco anos até dezembro de 2020, revelaram fontes próximas ao caso Mainichi Shimbun. A revelação veio depois da inspeção fiscal do Escritório Regional de Tributação de Osaka sobre estes criadores, realizada no momento em que a indústria de animais de estimação desfruta de lucros crescentes devido à demanda especial de “ficar em casa” debaixo da pandemia do coronavírus, tornando-se tentadora a fuga aos impostos por parte destes criadores. Da renda não declarada, o escritório de impostos de Osaka reconheceu cerca de 160 milhões de ienes (aproximadamente 1,08 milhões de dólares americanos) como renda não tributada. A referida agência fiscal obrigou os criadores ao pagamento de impostos atrasados no valor de cerca de 78 milhões de ienes (cerca de 526.000 dólares americanos), incluindo impostos de multa adicionais. A maioria dos criadores admitiu aparentemente a evasão fiscal.  

De acordo com as fontes, o departamento de tributação lançou uma investigação intensiva sobre os criadores – que são proprietários individuais – à medida que as suspeitas cresciam sobre suas declarações fiscais no meio da crescente demanda por animais de estimação devido à pandemia. Como resultado, descobriu-se que os seis homens e mulheres registrados como criadores na província de Shiga não relataram os seus enormes lucros com a venda de cães e gatos em pet shops e casas de leilões. Por lei, estes criadores são obrigados a relatar o número de cães e gatos que mantêm, criam e vendem aos governos locais onde se encontram registados registrados. A investigação do departamento fiscal de Osaka descobriu tácticas maliciosas de ocultação de renda ao subnotificar aqueles valores. Também surgiram casos em que o número de cães e gatos vendidos não puderam ser confirmados, por ausência de facturas, recibos e vendas a dinheiro. Há falta de outros meios, o departamento fiscal concentrou-se na prática dos criadores que entregam certificados de pedigree aos clientes a quem vendem cães e gatos de raça pura, tendo assim uma ideia aproximada do número total de certificados emitidos por organizações relevantes. A agência descobriu assim que os criadores acusados já haviam vendido os cães e gatos e que com eles entregaram o respectivo pedigree, não tendo portanto esses documentos na sua posse.

Nesses casos, acredita-se que a agência tenha identificado o valor da renda não declarada com base no preço médio de venda por animal. Com a pandemia às costas, mais e mais japoneses estão a comprar cães e gatos de estimação, na procura de consolo durante o tempo que passam em casa. De acordo com a Japan Pet Food Association, uma fundação oficialmente reconhecida com sede em Tóquio, o número de animais recém-criados em 2020 aumentou 18% para 416.000 cães e 16% para 460.000 gatos em relação ao ano anterior. A taxa de aumento em 2020 foi a maior dos últimos cinco anos, e o número permaneceu alto em 2021. “Os cães, em particular, venderam-se bem logo após a pandemia, desencadeando uma bolha”, confidenciou um criador da região de Kansai, no oeste do Japão. Entretanto, um indivíduo da indústria de animais de estimação disse ao Mainichi Shimbun (importante jornal diário japonês): "Os criadores precisam geralmente de ajuda para cobrir as suas despesas, mas é-lhes difícil obter empréstimos bancários. De repente o negócio tornou-se lucrativo, e eles podem ter recorrido à má conduta para amortizar suas dívidas. Esconder a renda é inadmissível, mas subsistem circunstâncias complexas." No Japão, em Portugal ou na China, criar cães é uma carolice, um negócio que não é rentável só por si, a menos que dê lugar à trafulhice, sirva outros propósitos ou induza a outros negócios (escolas e hotéis caninos), esses sim mais lucrativos. Neste caso foi a miséria e não a ganância que levou à fuga dos impostos, fenómeno que infelizmente também acontece por cá com alguma frequência. De repente, lembrei-me daquela frase já batida: “todos diferentes, todos iguais” - さよなら (sayonara)

TRABALHANDO O “QUIETO”

 

Temos como objectivo para os nossos cães ensinar-lhes a ficar “quietos” até 2 horas e longe da presença donos de modo a garantirem variados serviços. E, quem fica 2 horas “quieto” no seu posto, acabará por lá ficar o dobro ou triplo do tempo - por tempo indeterminado – o que é óptimo para a protecção dos cães e para a protecção que nos dispensam. Como instalar este comando num ambiente protegido não garante que nenhum cão o execute plenamente num ambiente desconhecido, hostil, mais movimentado e rico em surpresas, o melhor que há fazer é ensiná-lo nos locais ou situações em que mais precisamos do comando, quer sejam extraordinárias ou não, para que o ”quieto” seja soberano e não condicionado pelas situações. Debaixo deste propósito treinamos o comando por toda a parte e vamos continuar a fazê-lo pelo êxito que temos obtido, mormente quando chove, perante a evidência de fenómenos naturais e durante a noite, em todas as situações difíceis, evoluindo das mais fáceis para as mais complexas, da proximidade do dono para a sua ausência, de breves momentos para outros mais demorados, já que os cães não nasceram para estar sós e nem todos nascem com a segurança necessária para a execução do comando, necessitando por isso de um condicionamento baseado na experiência feliz (reforço positivo). Na foto acima, numa praça ao anoitecer e junto a um anúncio de rua, podemos ver a CPA Olívia e o Podengo Óscar deitados debaixo de ordem, soltos e distando 5 metros dos seus donos. Na foto seguinte, com os mesmos cães, vemo-los noutro local menos seguro e mais vulnerável.

Uma das maiores dificuldades para a obtenção do “quieto” é a instabilidade provocada pelo movimentos nas costas dos cães, o que põe a nu algumas impropriedades genéticas, traumas havidos ou desequilíbrios individuais, para além de alguns vícios que enraizaram comportamentos impróprios. Como facilmente os cães transitam do comando para o stresse e resistem à ordem, o que deve ser sempre evitado, dividimos a instalação do comando em 3 fases. Na primeira fase o “quieto” é pedido com os cães sentados, protegidos pelas costas e com os donos pouco distantes, de 3 a 5 metros. Sempre que algum cão abandona o lugar, o seu dono deverá recolocá-lo, acalmá-lo e recompensá-lo, já que foi a instabilidade que o fez desrespeitar a ordem e não a obstinação pura e simples. Com a primeira fase vencida, vai-se diminuindo gradualmente o volume da protecção das costas e aumentando a distância entre os animais e os seus donos. Perante a aprovação desta fase, passamos depois para a seguinte, onde os cães serão isolados e deixados numa praça, sem qualquer abrigo por detrás, com pessoas e cães a passar, pelo tempo julgado conveniente e com os donos distantes ou ocultos, conforme podemos ver na foto abaixo, quando a CPA Olívia ficou pela primeira vez no centro de uma praça. Esta Pastora atinada resistiu a tudo menos a carrinhos de bebé, porque sempre que via um, queria acompanhá-lo, não tivesse em casa um com um bebé lá dentro – o Lourenço.

Os cães que mais resistem ao “quieto” são os extremados: os mais agressivos e os mais medrosos. O nosso mui amado Óscar, que felizmente nunca foi caçar javalis, porque doutro modo já estaria todo cortado pelas navalhas dos porcos silvestres, ao ficar “quieto”, é ele contra o mundo e não permite que ninguém o encare – um dez reis de cão que se julga um leão! Participaram nos trabalhos de ontem os seguintes binómios: Fernanda/Óscar; Gonçalo/Olívia e Paulo/Bohr. As fotos nocturnas foram tiradas pelo prestável e inexperiente Gonçalo. A noite esteve serena e a chuva não nos incomodou. Hoje, ao cair da noite, retomaremos os nossos trabalhos dando continuidade ao sucesso que temos alcançado.

25 ANOS DE CADEIA PARA TERRORISTA AMBIENTAL

 

Hoje sou devotadamente albicastrense, porque ontem o Tribunal de Castelo Branco condenou a 25 anos de prisão, à pena máxima, um engenheiro electrotécnico acusado de 16 crimes de incêndio florestal, num dos quais pôs uma vítima em coma durante semanas. O incendiário Nelson Afonso, homem de 39 anos de idade, residente no concelho da Sertã, respondia por 18 crimes de incêndio, ocorridos entre 2017 e 2021 na região Centro e encontrava-se em prisão preventiva desde julho de 2021. No acórdão proferido pelo Tribunal da Comarca de Castelo Branco, o colectivo de juízes deu como provados os factos relativos aos incêndios florestais e condenou o arguido a uma pena de nove anos de prisão por cada um dos 15 incêndios e a uma pena agravada de 11 anos de prisão por um incêndio que causou uma vítima. Este criminoso foi responsável por 64 mil hectares de floresta queimada nos concelhos de Sertã, Vila de Rei; Proença-a-Nova e Oleiros, causando um prejuízo directo avaliado em 200 milhões de euros, onde se incluem casas de habitação, arrecadações, máquinas agrícolas, floresta e culturas agrícolas. Conhecido como o “engenheiro incendiário”, este pirómano valia-se de engenhos incendiários com temporizadores, o  que lhe permitia estar longe do início das ignições. Segundo fez saber a imprensa nacional, foram detidos até hoje 156 incendiários, o que é muito malvado para um País tão pequeno!

Gente assim deveria ser englobada na categoria de terroristas e responder pela prática de terrorismo ambiental, uma vez que os seus actos atentam contra o País e contra o planeta, contribuindo para o aquecimento global e para a desertificação, destruindo ecossistemas e espécies animais, para além de agravar as condições de vida das populações afectadas, não só pelo ar que são obrigadas a respirar, mas pelos avultados prejuízos que sofrem, isto sem falar daquelas que ficam feridas ou que morrem no meio das labaredas, o que implica na destruição de famílias. Terroristas destes, deliberados ou patológicos, porque atentam contra todos e contra ao mundo, deveriam ficar perpetuamente confinados em locais bem longe de qualquer tipo de ignição, comburente e condições propícias a qualquer incêndio, o que descansaria as pessoas e faria muito bem ao mundo. Há que dar os parabéns ao colectivo de juízes do Tribunal da Comarca de Castelo Branco por perpetuarem o nome da cidade no mapa pelo acerto das suas decisões.

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

SÁBIA DECISÃO DE TRIBUNAL ARGENTINO

 

Um tribunal na Argentina emitiu uma decisão de GUARDA CONJUNTA num caso inovador de dois cães cujos donos se divorciaram, conforme fez saber o advogado do ex-casal na terça-feira, dia 18 de outubro. No primeiro caso deste tipo no país, O TRIBUNAL DE FAMÍLIA Nº 6 DE SAN ISIDRO, nos arredores de Buenos Aires, determinou o direito de custódia e visitação dos cães Kiara, de 9 anos, e Popeye de 6, pertencentes a Amorina Abascoy, de 47 anos, e ao seu ex-marido Emmanuel Medina, de 42 anos, que estiveram casados durante 15 anos e que nunca tiveram filhos. Segundo fez saber à imprensa Brian Knobel, advogado do ex-casal, Popeye vai morar com Abascoy e Kiara com Medina. Por vezes os animais trocam de casa e os quatro são vistos regularmente juntos numa praia local nas margens do Río de la Plata.

“Não há qualquer problema em nos encontramos, mesmo estando separados”, disse Abascoy a um canal de notícias. Mais detalhes sobre a decisão judicial não foram revelados, nomeadamente como a dona lida com as divergências sobre as dietas dos animais, porque ela insiste numa dieta saudável e o seu ex-marido alimenta-os com patés. Referindo-se aos seus clientes, Knobel disse à imprensa que Abascoy e Medina acreditam que os cães devem ser considerados como “pessoas não humanas com sentimentos”. Nesta linha de pensamento, em 2015, outro tribunal argentino decidiu que uma orangotango chamada Sandra tinha direitos básicos “ não humanos” que estavam a ser violados ao ser mantida ilegalmente num zoológico, Mais tarde, a primata acabaria por ser transferida para um santuário nos Estados Unidos. Sensível à problemática dos animais, não posso estar mais de acordo com esta decisão do tribunal argentino.

PERSEGUINDO A CONDUÇÃO EM LIBERDADE

 

Durante esta semana temos aproveitado os desenhos das nossas calçadas como subsídio para a futura condução em liberdade dos cães, primeiro com o auxílio da trela, depois com esta pendurada ao pescoço dos condutores e finalmente com os cães em liberdade, executando variados losangos, quadrados e círculos, dos muitos que a cidade tem para nos oferecer, tudo para que o comando de “junto” saia vencedor. É evidente que um trabalho destes só pode ser realizado ao anoitecer, quando todos estão em casa e as ruas se encontram desertas. No GIF acima percebe-se perfeitamente o desacerto do 1º condutor, um verdadeiro perito em erros de posicionamento, que quase pisa a linha destinada ao cão, obrigando-o indevidamente a afastar-se para o seu lado esquerdo. Como temos muito trabalho pela frente e calçadas não nos faltam, vamos continuar neste trabalho até alcançarmos a perfeição. Participaram nos trabalhos de ontem os seguintes binómios: Fernanda/Óscar; Gonçalo/Olívia e Paulo/Bohr.

terça-feira, 25 de outubro de 2022

ILS SONT AUSSI ENFANTS DE LA PATRIE!

 

O primeiro MEMORIAL dedicado aos “CÃES HERÓIS CIVIS E MILITARES” em FRANÇA foi inaugurado na passada sexta-feira, dia 20 do corrente mês, na vila de SUÍPPES. A grande iniciativa visou homenagear os 30 MILHÕES de cães que lutaram pela França em todas as guerras pondo em risco as suas próprias vidas. O monumento de latão em forma de estrela representa um soldado da I Guerra Mundial encostado ao seu cão no coração de Suíppes, um dos locais memoráveis da I Grande Guerra, que alberga também o 132º REGIMENTO DE INFANTARIA CANINA (RIC), o primeiro canil militar da Europa. “Para além deste dever de recordação”, o presidente da CENTRALE CANINE, Alexandre Balzer, pretende fazer deste memorial o emblema do “admirável trabalho dos nossos cães ao serviço do homem, dos cães visitantes nos hospitais e daqueles que patrulharam as montanhas do Afeganistão.” A construção do memorial, com 1 metro de altura e 1,2 de largura, intitulado “Irmãos de Armas” e esculpido por Milthon, foi co-financiado pela Société Centrale Canine (SCC), na origem do projecto, pelo Exército e pelo município de Suípes. Durante a cerimónia de inauguração, muitos cães, na sua maioria Pastores Belgas, mas também Pastores Alemães, ostentavam sobre um peitoral amarelo as mesmas medalhas dos seus treinadores, soldados do 132º RIC. Com 550 cães, este regimento único em terras gaulesas, presta apoio canino durante operações no exterior, do Burkina-Faso ao Iraque, operando também na França continental na detecção de explosivos e narcóticos.

“Este magnífico monumento homenageia soldados e cães ao serviço da protecção das pessoas”, disse Reha Hutin, presidente da Fundação 30 Milhões de Amigos, considerando que desde o início dos tempos os destinos de homens e animais sempre estiveram intimamente ligados, participando em todas as nossas guerras e perecendo ao lado dos soldados nos campos de batalha, tendo por isso mesmo direito a homenagens póstumas. Em 2018, cerca de 30 ONG’s de protecção animal, incluindo a Fundação 30 Milhões de Amigos, enviaram uma carta à presidente da câmara de Paris, Anne Hidalgo, a pedir-lhe a criação de um monumento na capital que homenagearia todos os animais mortos nas guerras sob o comando francês, particularmente durante a I Guerra Mundial, num total de 100.000 cães, 11 milhões de equídeos e 200 mil pombos, animais que foram usados para transportar, atacar, vigiar, resgatar ou informar durante este grande conflito. Paris não pode ser ingrata nem indiferente ao sacrifício destes animais, como não pode nenhuma nação ou país que os levou para a guerra e para a morte. Nos 13 anos que durou a Guerra Colonial, quantos dos nossos cães foram mobilizados e morreram, alguém me saberá dizer? Duvido que alguém saiba ao certo, o que não nos impede de erigir-lhes um memorial, porque foram tão soldados quanto os homens que acompanharam. Parabéns aos franceses pela homenagem – eles não se esqueceram dos seus fiéis amigos e camaradas de armas!

MALINOIS, OUTRA VEZ!

 

Na localidade francesa de LA FERTÉ-SOUS-JOUARRE, no departamento de Seine-et-Marne, no passado sábado, dia 22 de outubro, quando passeava coma sua família na calçada, uma menina de dois anos de idade foi mordida por um Malinois de um vizinho, que a mordeu na área do estômago. Os pais da criança conseguiram libertá-la do cão agressor e alertaram os serviços de emergência. Os bombeiros e uma equipa do SMUR (estrutura móvel de emergência e reanimação) intervieram e levaram a menina para o Hospital Necker, em Paris, onde oi colocada sob observação. De acordo cm os primeiros elementos de investigação realizados pela Gendarmerie, o cão pertenceria a um vizinho e ter-se-ia escapado para a rua quando este abriu o portão para sair. A polícia não efectuou nenhuma prisão, o cão foi devolvido ao seu proprietário e a família da vítima ainda não tinha apresentado qualquer queixa.

Quando acontece um ataque destes é natural ficar a dever-se a uma porta mal fechada ou à evasão dos animais, o que é óptimo para atenuar as responsabilidades dos seus donos e ser catalogado como um acidente, ainda que muitas vezes não o seja. Com isto não estou a dizer que foi este o caso, apenas a recordar quais as desculpas mais frequentes dos donos dos cães. Não me parece que este Malinois fosse muito agressivo ou treinado para atacar duramente, uma vez que os pais da criança conseguiram tirá-la da boca dele. A ser verdade que o cão fugiu quando o seu dono abriu o portão, o que é comum acontecer, convém não esquecer que todos os cães deverão ser condicionados a aguardar ordens tanto para entrar como para sair de casa, quer a porta esteja aberta ou fechada. Se o cão agressor tivesse sido alvo de um condicionamento destes, o dolo da criança teria sido evitado. Nenhum cão é mais ou menos obediente, ou é ou não é, e cães de forte sentimento territorial e de propensão anti-social deverão ser sujeitos a uma obediência a toda a prova, como é o caso dos Malinois, cujas brincadeiras poderão descambar em sérios desastres.

UMA VISITA POUCO COMUM

 

Ontem este blogue foi visitado por um iraniano, visita pouco comum que nos encheu de alegria por insistirmos em fazer pontes entre as nações, tendo como veículo o apego universal aos cães. Esperamos que mais iranianos nos visitem e estabeleçam connosco intercâmbio, trabalhando todos para a edificação da fraternidade entre as nações, caminho que nos trará o respeito mútuo que edifica a paz. Junto com a saudação de bem-vindo, desejamos a este leitor saúde, prosperidade e longa vida.

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

ENFRENTANDO A BEATRICE

 

Neste último sábado, conforme tinha sido noticiado, tivemos que enfrentar a chuva intensa trazida pela DEPRESSÃO BEATRICE, alteração meteorológica que nos obrigou a encerrar as actividades durante sensivelmente 1 hora, mas que não roubou a vontade de trabalhar a nenhum de nós. Na foto acima como lhe compete, considerando a sua idade e tempo de treino, vemos a CPA Luna a vencer uma vertical crua emoldurada, elevada a 120cm com saída sobre calçada. A mesma Luna, atendendo aos mesmos motivos, foi convidada para transpor um castelo com 150cm de altura, obstáculo que ultrapassou natural e comodamente.

Com o intuito de reforçar o comando de “aqui” por modo lúdico e com recompensa, também como subsídio para a condução nuclear, os cães foram convidados para entrar num túnel para depois retornarem aos seus donos que os recompensavam, pormenor que aumentou a alegria dos animais, diminuiu o seu tempo de execução e tornou o comando mais apetecível. Na foto abaixo vemos uma das prestações do cachorro CPA preto-afogueado Marquês, jovem lupino que têm dois amores: o seu líder e o seu elemento-neutro:

O Akita Japonês Ouki, um teimoso de gabarito, exactamente por seu teimoso, teimava em não voltar para a dona mesmo com ela ali ao lado, desinteresse que não se pode desligar da sua recém-chegada maturidade sexual, que o induz a outros interesses para além da interacção com a dona, a quem aconselhámos mais recompensa e trabalho.

Também a SRD Keila foi convidada para o mesmo exercício e a Clarinda não experimentou com ela qualquer dificuldade, porque a cadela raramente abandona os donos e é gulosa como trinta, deixando-se facilmente vender por comida. Atendendo à dezena de anos que leva e ao respeito que eles merecem, a Keila é geralmente poupada ao treino da recusa de engodos.

A cachorra Akita japonesa Tsuki, que se esganiça por ter ao seu lado um macho pouco activo, tem por hábito usurpar cadeias hierárquicas e andar a seu bel-prazer. Nesta tarefa mostrou-se pouco disponível e com propensão para se escapar.

Neste trabalho a cadela CPA Olívia, exemplar de linha estética, apresentou outro problema – medo- medo do obstáculo e medo de evoluir sozinha. Como tudo para ela é novidade e adora os donos, pouco a pouco vai adquirindo novas aptidões.

Independentemente dos seus 3 tamanhos, do facto de terem pêlo liso ou cerdoso, os podengos brancos são por norma menos ásperos e mais interactivos, fenómeno também visível no Óscar que sem qualquer delonga e em alta velocidade retornou para a sua dona.

Para promover a autonomia dos cães nos casos de afastamento forçado e de retorno distante de casa, apostando na sua sobrevivência, instámos com os presentes para que aprendessem a servir-se dos bebedouros públicos. Na foto seguinte vemos o cachorro CPA Marquês a beber água avidamente.

Também a Akita Tsuki estava interessada em beber daquela água, esticando-se tanto quanto possível, só que o seu tamanho não lhe permite beber água em superfícies com aquela altura. Não obstante e apesar das dificuldades, ela não hesitou em obedecer ao seu dono, o que é louvável.

Para memória da DEPRESSÂO BEATRICE e das inundações que causou no último fim-de-semana, aqui fica a foto de uma funcionária camarária empenhada em escoar a água de uma estrada alagada, de vassoura em punho e de vontade inquebrantável.

Num passadiço elevado e interrompido, constituído por 3 assentos quadrados, convidámos os cães para a sua ultrapassem, mais por razões de controlo do que atléticas, muito embora a tarefa também se preste ao robustecimento de carácter. Na foto abaixo vemos o desempenho receoso da CPA Olívia, cujas expressões mímicas isso denotam.

Contrariamente à sua colega de classe, o cachorro CPA Marquês mostrou-se perfeitamente à vontade no exercício, não só por não ser dado a medos, mas porque é altamente concentrado e interactivo, próprio para os mais variados desafios.

Como à cachorra Akita Tsuki não lhe custa nada andar empoleirada, por ser curiosa e endiabrada, andar sobre o rebordo de um lado é uma tarefa que não lhe causa qualquer tipo de aflição. Sábado foi desafiada a fazê-lo e o desafio não lhe custou nada.

Tem sido a vontade do Gonçalo que tem valido ao progresso da CPA Olívia, cadela que no passado não dava qualquer salto e que agora está a aprender a fazê-lo. Também ela conseguiu e em segurança caminhar sobre o rebordo do lago, novidade que nos alegrou e que lhe vaticina mais e melhores progressos.

Com a chuva que caiu não era fácil andar sobre superfícies molhadas e ovaladas, mas quando se tem “pés-de-gato” (mais largos do que compridos) tudo é mais fácil e cómodo, que o diga a Tsuki ao desfilar e à procura de peixinhos.

Quanto ao trabalho do nosso amigo Óscar, cão que teima em acertar o que a dona falha, só há que apreciar a sua disponibilidade e desempenho, atendendo a que é um cão feito para altos voos e capaz de façanhas inesperadas, para além de ser muito bonito e simpático.

Depois de considerar a salvaguarda da integridade global dos animais e seguindo o nosso pressuposto de ensino que diz: “a quem muito é dado, muito é exigido, convidei a CPA Luna para saltar uma sebe natural acrescida de um homem deitado a fazer flexões. E enquanto o Carlo se ginasticava, a cadela lupina “voava” por cima dele.

Também o cachorro CPA Marquês foi convidado para saltar a sebe e não hesitou em fazê-lo, porque veio para agradar, não treme na hora da partida e tem força para isso, muito embora necessite de ser poupado atendendo à idade que tem.

Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: Carlo/Tsuki; Clarinda/Keyla; Fernanda/Óscar; Gonçalo/Olívia; João Moura/Marquês; Paulo/Bohr; Pedro Rodrigues/Luna e Yasmine/Ouki. O nosso fotógrafo teve em dia sim; os trabalhos decorreram dentro de boa ordem e a chuva acabou por abandonar-nos, o que nos facilitou o cumprimento das tarefas.

APRIL: A FAREJADORA DE ESPERMA

 

A UNIDADE CANINA DA ALIANÇA DA POLÍCIA DE CHESIRE E DO NORTE DE GALES deu recentemente as boas-vindas à APRIL (na foto seguinte), uma Labradora dourada com 15 meses de idade, uma farejadora de esperma dos únicos 3 cães que existem com esta especialidade no Reino Unido, especialidade que se espera vir a colocar mais criminosos sexuais atrás das grades, uma vez que foi treinada e aprovada na detecção de pequenas quantidades de fluido seminal entre outros odores. O seu olfacto é tão apurado que consegue detectar apenas 0,016 ml de sémen, por vezes anos depois de ser depositado. O seu treino fez parte de um projecto bem-sucedido de cães de busca forense da polícia de Derbyshire e de investigadores da cena do crime (CSI). Trinta e seis horas após terminar o seu treino de 6 semanas, April e o seu treinador PC Dunn foram convidados para ajudar o CSI depois que uma menina de 10 anos foi supostamente agredida. Diante do préstimo da April, o inspector-chefe Simon Newe disse: “Este é um dos primeiros exemplos de como a dupla PC Steve Gunn/PD April será um grande trunfo para a Aliança, ajudando tanto Cheshire como North Wales a denunciar predadores sexuais e a proteger vítimas, demonstrando quão importantes e vitais são as capacidades dos cães e as habilidades dos seus treinadores durante as investigações de crimes sexuais, nomeadamente em cenas em que os métodos tradicionais não funcionam.”

O treinador policial PC Allen Dean, que treinou a Labradora April, disse acerca da sua entrada naquela força policial: “É fantástico dar as boas-vindas à April na nossa equipa. O seu treino como cão de fluido seminal foi extremamente completo para testar e provar a sua capacidade e melhor poder ajudar o CSI. Nas últimas seis semanas eles (mestre e cadela) aprenderam a identificar e procurar esse odor em vários cenários que lhes montámos: dentro de casa, ao ar livre, em veículos, na relva, asfalto e em materiais como roupas de cama e roupas pessoais. O resultado disto advindo é que poderemos prender criminosos sexuais que talvez de outra forma não o conseguíssemos fazer devido à natureza muito difícil de alguns de crimes sexuais. Os cães podem indicar a presença de fluido seminal em locais onde os kits tradicionais não conseguem detectá-lo e, uma vez identificado o odor, esse pedaço de material ou vegetação pode ser encaminhado para a extracção do ADN perfilado, levando à instauração de mais processos e à prisão de mais criminosos”. Estamos perante uma especialidade canina útil e louvável, uma ferramenta de valor incalculável para denunciar predadores sexuais, porventura útil à COMISSÃO INDEPENDENTE PARA OS ESTUDOS DOS ABUSOS SEXUAIS DE CRIANÇAS NA IGREJA CATÓLICA PORTUGUESA como subsídio para “dar voz ao silêncio”.