sexta-feira, 30 de novembro de 2018

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015  
2º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2013
3º _ HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE?, editado em 11/05/2016
4º _ CONTRA AS ONDAS, AVANÇAR!, editado em 24/11/2018
5º _ DOBERMANN: O CÃO QUE É MENOS DO QUE SE SUPÕE E MAIS DO QUE SE IMAGINA, editado em 06/03/2016
6º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
7º _ "QUIETO" À DISTÂNCIA E SVETLANA DEBAIXO DE OLHO, editado em 28/11/2018
8º _ EU QUERIA UM PASTOR ALEMÃO, DE PREFERÊNCIA TODO PRETO!, editado em 05/06/2010
9º _ TRELA DE DUPLA PRISÃO, editado em 04/03/2010
10º _ A TENTAÇÃO PELOS CÃES ORIENTAIS E O THAI RIDGEBACK, editado 15/03/2014

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país obedeceu à seguinte ordem:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Rússia, 5º Alemanha, 6º Reino Unido, 7º França, 8º Austrália, 9º Espanha e 10º Suíça.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

THE SHERIFF OF KARLSBAD

Um homem de 48 anos, residente em Karlsbad, perto de Karlsruhe, no Estado Federal de Baden-Württemberg, na Alemanha, farto de ser acordado pelo ladrar de um cão durante a noite, não esteve com meias medidas, tal qual um Sheriff do Far West, elaborou um conjunto de folhetos onde oferecia 1.000 euros de recompensa pela morte do animal, folhetos que foram distribuídos pelas caixas do correio, pelas viaturas automóveis e pelas ruas dos arredores.
O autor de tão macabra publicação, que anteriormente já havia produzido outras do mesmo género, mas para destinatários diferentes, quando confrontado pela polícia ontem, admitiu ter sido o autor e distribuidor dos “folhetos reward”, encontrando-se a aguardar um processo criminal por difamação e demanda pública por um crime.
A ideia deste fulano foi tão engenhosa e original que chego a temer pela sua saúde mental. Estaremos perante algum ébrio inveterado ou de alguém com uma patologia crónica? E se não for uma coisa nem outra, só a necessidade de visibilidade ou de protagonismo poderá motivar uma acção deste calibre. Estávamos longe de imaginar que Karlsbad também tinha um “Sheriff” do Velho Oeste!

QUANDO UM STAN LEE CAI, OUTRO SE LEVANTA!

Todos os dias e por todo o lado acontecem histórias comoventes envolvendo cães, o que não impede que na época natalícia surjam novos relatos extraordinários, como se estivessem guardados para esta altura do ano. Uma deles diz respeito a um cachorrinho CPA maltratado, cujo dono foi visto a pontapeá-lo e que na sequência desse acto acabou na prisão. A captura e detenção do homem ficou a dever-se a um anónimo que telefonou para a Polícia de Granada. Depois da agressão, o cachorro foi encaminhado para o veterinário.
Mais tarde enquanto dormia, os agentes que o haviam resgatado decidiram que ficariam com ele, que o iriam adoptar, anunciando a sua decisão no Twitter, o que fez voar a história deste cachorro abusado e resgatado pela Polícia de Granada nas redes sociais, tornando-a conhecida muito para além das fronteiras espanholas, chovendo imediatamente entusiásticas felicitações de todo o mundo, porque não foram poucos os que se comoveram com o início trágico do cachorro e os que se alegraram com a sua rápida e inesperada adopção.
Contudo, ainda havia algo a fazer – dar-lhe um nome! Foram escolhidos para o efeito quatro nomes: Rocky, Lucky, Iron e Stan Lee. A decisão coube aos milhares usuários das redes sociais que se interessaram pelo cachorro. O nome mais votado foi STAN LEE, com mais de 8.000 votos, numa clara homenagem ao judeu nova-iorquino Stanley Martin Lieber, falecido naquela semana (1) e criador da Marvel Comics, a maior editora de banda desenhada dos Estados Unidos e do Mundo (2).
O pequeno Stan Lee começará dentro em breve a sua formação como cão policial, para que amanhã possa vir a ser um agente canino de nomeada, patrulhando orgulhosamente as ruas de Granada. O destino colocou-o em boas mãos e nisso está de parabéns a generosa polícia granadina.
(1)Em Los Angeles, a 12/11/2018. (2)Em colaboração com JACK KIRBY, STAN LEE criou diversos super-heróis, entre eles o Homem-Aranha, Hulk, Doutor Estranho, Quarteto Fantástico, Demolidor, Pantera Negra e X-Men.  

SEGUNDA CHANCE

Nos Estados Unidos, um poodle chamado FIGGY, com 18 ANOS DE IDADE, já cego e com problemas de artrite, foi levado pelos seus donos desagradados a um hospital veterinário para ser abatido. Os médicos dali entenderam não satisfazer o pedido daqueles donos, uma vez que o Figgy estava surpreendentemente apto para a idade e ainda saudável para desfrutar a vida, apesar dos seus proprietários afirmarem que se tinha tornado num animal muito estúpido.
Os médicos ao constatarem a indiferença dos donos pela sorte do cão e antes que outros satisfizessem o seu pedido, decidiram ajudar o Poodle, entrando em contacto com a organização “MUTTVILLE SENIOR DOG RESCUE”, que cuida de cães idosos e abandonados, para que o Figgy viesse a passar o resto da sua vida com alguém que verdadeiramente o estimasse, o que não tardou a acontecer, porque passados poucos dias foi adoptado por uma senhora, de nome EILEEN, que de imediato se prontificou para cuidar dele.
Em declarações à “DODO”, editora online americana dedicada aos animais e aos seus direitos, a nova dona do Figgy disse: “ Eu não posso acreditar que estes preciosos anjinhos, que dedicaram amor e lealdade aos seus donos durante toda a vida, de repente, venham a morrer sozinhos. Eles merecem amor e segurança pelo muito que deram”. Ainda sobre a Dodo, cujo símbolo se encontra a seguir e que tem sede em New York, convém dizer que o seu site foi lançado em Janeiro de 2014, que é é um dos mais populares editores do Facebook, alcançando nesta rede social 1 bilião de visualizações de vídeo em Novembro do ano seguinte.
Afortunadamente o Figgy teve uma segunda chance e teve-a porque ainda há gente que verdadeiramente gosta e preocupa-se com os animais, mesmo com aqueles que são idosos, doentes e com pouca expectativa de vida. O facto de um cão ser uma sombra do que já foi, ao patentear menor forma física, não é motivo suficiente para ser menos amado e merecer menos atenção. Organizações como a Muttville Senior Dog Rescue não há muitas e fazem falta em qualquer lado. Daqui estendemos o nosso profundo apreço por quem abraça diariamente esta missão, particularmente nos dias que correm, onde há gente que abandona os seus num hospital e desaparece sem deixar rasto. Quem abandonará o seu companheiro mais depressa: o cão do dono velho ou o dono do cão velho? Assim é, por vezes, a gratidão dos homens!  

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

"QUIETO" À DISTÂNCIA E SVETLANA DEBAIXO DE OLHO

Na instrução do dia de hoje optámos por treinar o “quieto” à distância, evoluindo gradualmente dos 3 para os 30 metros de distância dos cães. Primeiro na posição de “deita” e depois na de “senta”, com a saída dos condutores pela sua vanguarda.
Vimo-nos constrangidos a prender a CPA Prada para o efeito, porque não ficava quieta no seu lugar e abandonava-o para seguir outra condutora que não a sua, tendência adquirida por se encontrar sujeita a várias pessoas que de uma forma ou de outra, ainda que indevidamente, a subordinam de modo sistemático. Acresce ainda o facto de se encontrar amatilhada e de resistir ao trabalhar isolado. O facto de invariavelmente se encontrar à solta, tanto de dia como de noite, numa autonomia que rasa a silvestre, também em nada ajuda o condicionamento procurado.
O simples facto de sentir o peso da corda no seu semi-estrangulador foi suficiente para que ficasse quieta e não ousasse seguir quem por ela passasse. Mais, foi capaz de resistir a convites e a subornos emocionais, com a sua condutora afastada a 15 metros, conforme se pode ver na foto seguinte.
Não tendo jardineiros nem empregados de supermercado para varrer, também perante a ausência do Paulo Motrena, por norma “ladrão-de-serviço”, a Maggie entendeu vigiar a Svetlana, acompanhando-a a tempo inteiro e escoltando-a até a saída da propriedade que guarda. A Bull Terrier aproxima-se dos estranhos a dar ao rabo e nunca os larga da mão, funcionando literalmente como se fosse a sua sombra, esperando deles um movimento ou atitude suspeita para despoletar as suas acções de captura.
No final da aula, inesperadamente, num misto de lealdade e cumplicidade, a Maggie empoleirou-se nas costas do adestrador sem ordem expressa para tal, lambendo-lhe a cabeça carinhosamente e de modo continuado, o que muito sensibilizou o visado, que nutre por aquela Bull Terrier um carinho muito especial.
E assim se passou mais um dia de instrução, que acordou com os campos cobertos de geada e com o frio próprio da estação.

67.000€ EM TROCA DE 2 CRISÂNTEMOS ANUALMENTE NUM TÚMULO

Uma senhora francesa chamada MAURICETTE BACHET, natural de Pas-de-Calais, aposentada em Plan-de-Cuques, na região de Bouches-du-Rhone, falecida no final de 2014 em Marselha, planeou 20 anos antes do seu falecimento doar 67.000€ AO ABRIGO DE ANIMAIS DA CIDADE DE ARRAS, capital do Departamento de Pas-de-Calais.
A comunidade urbana de Arras aceitou a doação providencial da Sr.ª Bachet para financiar o seu abrigo de animais, que será transferido para novas instalações no próximo ano, para a zona industrial a leste da cidade, em Saint-Laurent-Blangy, no terreno baldio Mory, na rue Montgolfier.
Como contrapartida àquela oferta, a falecida apenas pediu que todos os anos sejam postos 2 crisântemos, no Dia de Todos-os-Santos, no túmulo da sua família que se encontra na aldeia de Bruyaisis, a 30 km de Arras, insólito pedido que não será muito difícil de satisfazer, enquanto a benemérita não for esquecida, já que a gratidão dos homens é tradicionalmente de curta duração.
Há que enaltecer o gesto desta finada senhora, que provavelmente não tinha herdeiros naturais, que não podendo levar o dinheiro para a cova, lembrou-se dos pobres dos animais. E se porventura tinha família viva a quem valer, por certo não deixou de o fazer, considerando o cuidado que tinha pelos seus. Se a coisa fosse feita por cá, por algum dos políticos que aqui temos, primeiro seria feita uma fundação com o nosso dinheiro e depois arranjar-se-ia um jeito de a pôr a render de algum modo para os bolsos da família.
PS: ARRAS, em 02 de Maio de 1935, tornou-se Dama da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito de Portugal por despacho do General Óscar Carmona, Presidente da República de então.

ACTO POLÍTICO OU APELO SENTIMENTAL?

Assim como os actores tendem a transportar para as suas vidas algumas características das personagens que interpretam, o que nem sempre é bom, também os políticos, mesmo os arredados do seu métier, são levados a acções do agrado dos eleitores como se fossem ainda elegíveis, fortalecendo desse o modo o seu culto pessoal pela aceitação de que são alvo, nunca se sabendo ao certo onde acaba o político e começa o homem e vice-versa. Tudo isto para se falar da recente aquisição de JOE BIDEN, Vice-Presidente de Obama, que adoptou um cachorro CPA da DELAWARE HUMANE ASSOCIATION, a quem foi posto o nome de MAJOR, de indubitável ascendência negra e lobeira (1). Este não é o primeiro CPA da família, que anteriormente já havia adquirido um (2008) de um criador conceituado, a quem pôs o nome de CHAMP, aquisição que foi objecto de repúdio por muitos eleitores, considerando o exagerado número de cães a precisar de ser adoptado. Pois desta vez não foi assim e o político acabou louvado pela sua acção cívica em prol dos cães de abrigo.
Major, o cachorro agora adoptado pelos Biden, já estava a ser promovido pela família do ex-governante. Segundo a Delaware Humane Association, o Major pertencia a uma ninhada de seis cachorrinhos CPA’s que foram parar com a sua mãe àquela associação de bem-estar animal, onde acabaram por ser criados (os 5 irmãos do Major já foram também adoptados). Joe e Jill Biden fizeram o “favor” de dizer que estavam muito felizes em ter adoptado o Major e enalteceram o trabalho da Delaware Humane Association na procura de lares para os cães que abriga. Por outro lado, a dita associação, pela boca do seu director-executivo, Patrick Carroll, disse que era “uma honra” enviar o Major aos Biden, desejando os melhores votos para aquela família agora acrescentada.
Não sabemos o que motivou Joe Biden a adoptar o Major, se uma acção política, uma conveniência ou um apelo sentimental. Certo é que o adoptou e pode ser até que o tenha feito pelos três motivos. Seja como for, agrada-nos ver este político católico a conduzir o cachorro pelo seu lado esquerdo, o que não é muito comum e mostra algum conhecimento cinotécnico e também o facto de ser apaixonado por Pastores Alemães. Boa sorte Joe!
(1)A ascendência negra é visível na máscara da cara, nos braços e nos riscos negros sobre os dedos; a lobeira faz-se presente no afogueado, que é mais cinza do que fulvo. Estas duas características, junto com os pormenores morfológicos visíveis nas fotos, indiciam um CPA de linha laboral, muito atento e curioso, ainda que pernalto e estreito de peito.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

ENGLISH POLICE BRAVERY

Quem já lidou com militares ingleses, pelo menos os do meu tempo eram assim, sabe que facilmente incorrem em excesso de zelo e de tal maneira o fazem que acabam por ser ridículos. O que eu não sabia, muito embora fosse fácil de calcular, é que a sua polícia enferma da mesma cegueira. Bungle, um cachorro Chow-Chow com apenas 16 semanas, tornou-se há poucos dias famoso no Reino Unido por ter sido detido pela Polícia de Northamptonshire por mais de 4 dias.
O cachorro conseguiu ludibriar a atenção dos seus donos e fugiu de casa. Perdido e assustado, o pequeno Chow-Chow escondeu-se debaixo de um camião. A polícia para não perturbar o trânsito viu-se obrigada a desalojá-lo dali, não estando o cachorrinho assustado pelos ajustes. O agente que o foi tirar debaixo do camião foi mordido duas vezes e o pobre Chow-Chow acabou preso ao abrigo do “Dangerous Act” do Reino Unido (lei relativa aos cães perigosos).
Ao saber do ocorrido, 8.300 pessoas mobilizaram-se na Internet contra o encerramento do cachorro no canil da polícia por um período mínimo de 9 meses. Graças a esta acção dos internautas, que contou com o empenho do tablóide The Sun, o Bungle foi liberto passado 4 dias. No Facebook e no Twitter, a massiva mobilização dos britânicos permitiu que o cachorro reencontrasse a sua família adoptiva na passada Sexta-feira, dia 23 de Novembro.
Pedidos de libertação do animal, juntamente com a hashtag # FreeBungle, bem como a petição assinada por 2.500 pessoas e um grupo do Facebook com 5.800 membros, forçaram a polícia a devolver o cachorrinho à sua família, gente que descreveu a actuação policial como draconiana e insensível. Não obstante e em sua defesa, a polícia lembrou que era seu dever e responsabilidade monitorar o pequeno Chow-Chow.
Como é possível considerar perigoso um cachorrinho Chow-Chow de 4 meses, que assustado e longe de casa, morde (com dentes de leite) quem o quer arrancar à força de um abrigo que encontrou? Só a ignorância que induz ao excesso de zelo é capaz de uma coisa destas. Para onde teria ido a valentia daquele intrépido agente policial, tão selvaticamente agredido? Provavelmente para o fundo das calças!
PS: Em nenhuma notícia foi dito que este agente policial necessitou de tratamento hospitalar.

SÓ PODE SER PARA RIR!

Um amigo nosso mandou-nos um email da autoria de David Martelo, pessoa que desconhecemos mas que suspeitamos ser militar, cujo conteúdo vamos agora transcrever integralmente: “Durante a Convenção do Bloco de Esquerda, o deputado Pedro Filipe Soares iniciou a sua intervenção com o seguinte vocativo: “Camaradas e Camarados”. A expressão causou algum espanto e não poucos sorrisos, mas não demorou muito tempo a percebermos que, para além de se não tratar de um lapso, estávamos no limiar de um novo cenário civilizacional. Em artigo publicado no jornal Público de 20 de Novembro, Pedro Filipe Soares justifica a originalidade da expressão argumentando que “o modelo patriarcal e machista de sociedade modela os idiomas”.
Depois das consolidadas críticas ao “politicamente correcto”, está aberta a caça ao “gramaticalmente correcto”. Habituados aos termos camarada e camaradagem, é altura de os militares se irem preparando para as necessárias mudanças no dispositivo. Assim – começando pelo princípio – passará a haver recrutas e recrutos, soldados e soldadas. Não se riam! Na instrução, as recrutas armar-se-ão de espingarda e os recrutos de espingardo. A primeira poderá ter baioneta calada e o segundo baioneto calado. Elas terão uma mochila e eles um mochilo. Eles segurarão os calços com um cinto e elas segurarão as calças com uma cinta. Na cabeça usarão boina ou boino.
Quando forem para o campo, os recrutos montarão bivaco e as recrutas montarão bivaca. No quartel, as recrutas dormirão numa caserna e os recrutos num caserno. Eles irão comer ao refeitório e elas à refeitória. Para começar o dia, haverá dois toques: o de alvorada e o de alvorado. Há noite, do mesmo modo, haverá toque de silêncio e de silência. Nas patentes, também haverá identificação do género: caba/cabo; sargenta/sargento; tenenta/tenento; capitoa/capitão; majora/major; coronela/coronel, etc. Nas unidades haverá um comandante ou comandanta; o primeiro deve ser competente e inteligente e a segunda competenta e inteligenta. Se se portarem bem, as recrutas poderão ir de licença e os recrutos de licenço. No final da instrução, haverá juramenta de bandeira e juramento de bandeiro. Todos desfilarão garbosamente, eles com o passo certo e elas com a passa certa. Uff!"
Por este andar, agora dizemos nós, um indivíduo ver-se-á obrigado a pedir desculpas por ter nascido homem e ser heterossexual. Futuramente ficará sujeito a uma taxa adicional ou a um imposto extraordinário? Não me admirava nada!  

NO HESSE E EM TODA A PARTE

A pedido do Grupo de Esquerda, o Ministério do Interior alemão revelou as actuais estatísticas (Beißstatistik) sobre os ataques caninos acontecidos em 2016 e 2017 no Estado do Hesse. Como era esperado, num total de 297 ou 309 pessoas feridas, apenas 35 ou 37 foram atacadas por cães indexados à lista racial dos cães perigosos, o que dá uma percentagem entre os 11,7 e os 11,9% e mostra quão falha e hipócrita é essa lista, porque não tem conseguido diminuir o número de ataques caninos e tem vindo a induzir os comuns cidadãos a uma falsa sensação de segurança.
No Hesse, como noutros Estados alemães e noutras partes do mundo, há mais de 10 anos, o número de ataques caninos estagnou num nível muito elevado e o seu significativo declínio ainda está para acontecer, apesar das actuais listas raciais de cães perigosos. Ainda que a lista das raças consideradas perigosas varie de Estado para Estado, são reconhecidas vinte e uma na totalidade do território teutónico, são elas: ALANO; AMERICAN STAFFORDSHIRE TERRIER; BULDOGUE AMERICANO; BULLMASTIFF; BULL TERRIER; CANE CORSO; CÃO BRAVO; CÃO DE PRESA CANÁRIO; CÃO DE PRESA MAIORQUINO; DOBERMAN; DOGUE ARGENTINO; FILA BRASILEIRO; KANGAL; MASTIM; MASTIM ESPANHOL; MASTIM NAPOLITANO; OWTSCHARKA CAUCASIANO; PITBULL TERRIER AMERICANO; ROTTWEILER (?!); STAFFORDSHIRE BULL TERRIER e TOSA INU.
Diga-se em abono da verdade que existem raças caninas com maior densidade de indivíduos agressivos do que outras e todos sabemos quais são. Contudo, em algumas das raças acima discriminadas esse percentual é mínimo, como é o caso da maioria dos Dogues Argentinos e Bull terriers, entre outros, que foram indexados às listas mais pelo seu mau nome e aparência do que por outra razão qualquer (o Mastim Napolitano é perito em agarrar ladrões coxos, trôpegos e perdidos de bêbado). No meio de todas estas raças, há algumas de fácil controlo, já que foram criadas para a constituição binomial, cite-se o exemplo do Rottweiler e do Doberman. Os pequenos terriers de grande força de mandíbula americanos são por norma muito afáveis para os seus e os grandes molossos só engolem uma mosca depois de se sentirem incomodados por horas a fio.
Mais do que nas raças, futuramente dever-se-á ter em maior consideração os indivíduos, porque em todas elas, como nos homens, há bons e maus elementos, muito embora abominemos fazer esta comparação porque, apesar de ser verdadeira, não nos embriagamos e delongamos a derramar considerações antropomórficas sobre os cães. Todavia, se é para se manter uma lista racial de cães perigosos, então ela deverá ser actualizada, extraindo-se dela raças que nunca atacaram e pondo no seu lugar aquelas que continuam a morder nas gentes. À parte disto, se todos os cães fossem treinados e os seus donos mais responsabilizados, a esmagadora maioria dos ataques caninos passaria à história.

6 CACHORROS PELA PAZ

Segundo anunciou o Gabinete Presidencial sul-coreano no passado Domingo, o casal de cães Pungsan oferecidos pelo líder norte-coreano Kim Jong UN já tem descendência, uma vez que a cadela Gomi deu à luz 3 casais de cachorros no início deste mês. Moon Jae-in, Presidente da Coreia do Sul, que aparece na foto abaixo junto dos cachorros com a sua esposa, confirmou a notícia no Twitter ao dizer: “Aqui estão os cachorrinhos da Gomi nascidos em 9 de Novembro, seis cachorrinhos muito saudáveis” e “É uma grande bênção ter mais seis cachorrinhos adicionados a dois cães. Espero que as relações entre os coreanos sejam boas”.
Espera ele e esperamos todos, já que por pouco não houve uma guerra entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte, conflito que poderia incendiar aquela região e o mundo. Seria também bonito que os presidentes russo e ucraniano trocassem cães entre si (Putin parece gostar deles), ao invés de provocarem incidentes de guerra, como o que aconteceu este último Domingo no Estreito de Kerch, único acesso do Mar Negro ao Mar de Azov e que resultou nos quantos marinheiros ucranianos feridos. O mundo precisa de paz e se há que fazer guerra, então que seja feita à fome e à miséria!

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

UM DIA DE ACÇÃO DE GRAÇAS DIFERENTE

Um Husky Siberiano chamado Sinatra, de olhos azuis, coxo do pé direito e propriedade de um adolescente de 16 anos (Zion Willis), morto a tiro e morador no Brooklin/New York, desapareceu pouco tempo depois da morte do seu dono, jovem que adorava dançar e que era apaixonado por animais. Dezoito meses depois de ter desaparecido, o Sinatra vai ter à casa da Família Verril, na Florida, a 1.900 km de distância! Graças ao Facebook, a família da Flórida descobre a família do adolescente assassinado, que não se cansou de colar panfletos e de passar meses a fio à procura daquele Husky. O cão veio a ser entregue à Família Willis no Dia de Acção de Graças em Baltimore.
Infelizmente nem todos os Huskies desaparecidos têm esta sorte, a maioria dificilmente conseguirá voltar para os seus donos, porque são animais meigos e apelativos, acabando nas mãos de outrem, o que não é mau de todo atendendo a que podem morrer atropelados ou mortos a tiro nas zonas rurais, muitas vezes erroneamente confundidos com lobos. Raros, muito raros, mesmo com algum tipo de treino, são os huskies que permanecerão sempre ao lado dos donos quando soltos, pelo que (não só porque a lei o exige) é de todo conveniente que circulem atrelados na via pública para não fugirem. O seguro morreu de velho, dizem!

A LEGALIZAÇÃO DA CANNABIS E OS CÃES POLICIAIS

A legalização da Cannabis nalguns Estados norte-americanos e em certas partes do Canadá está a causar graves problemas aos departamentos policiais locais, nomeadamente àqueles que possuem uma força K9, cujos cães estavam acostumados a detectar maconha, animais “desactualizados” que estão a ser retirados do trabalho e recambiados para a aposentadoria, porque a sua reconversão é praticamente impossível e facilmente confundem as diferentes drogas, as legais com as ilegais, não podendo o seu esforço ser considerado aos olhos da lei.
A reforma destes cães irá implicar em gastos significativos para as polícias, que se verão obrigadas a preencher o seu lugar com outros que apenas cheirem as 4 drogas ilegais – cocaína, heroína ecstasy e metanfetamina, animais que custam pelo menos 6.000 dólares cada e cujo treino irá custar vários milhares de dólares também. A situação está tão complicada que os cidadãos (comunidade) não hesitam em valer às polícias cujos departamentos não têm recursos para comparar novos cães.
Em Rifle, cidade no Estado do Colorado e no Condado de Garfield, um residente tratou de arranjar dinheiro numa conta do GoFundMe para comparar dois cachorros (Jax e Makai) para o departamento de polícia local. Os cães adestrados para procurar cannabis onde foi legalizada, que ainda se encontram no activo, são apenas utilizados em locais onde ela é proibida, em escolas e cadeias. No Michigan, que este mês se tornou no 10º Estado a legalizar a cannabis para uso recreativo, a polícia estadual não sabe o que fazer aos 50 cães que tem usado até aqui e, como ela outras.
O que agora se passa na América irá a acontecer por todo o lado onde a cannabis vier a ser legalizada, o que será um sério transtorno económico e operacional para as polícias. Em Portugal o uso terapêutico desta droga já foi aprovado pelo Parlamento. Tendo em vista o futuro, pergunta-se: valerá a pena insistir com os cães na detecção da maconha? Para as polícias não trará nenhuma vantagem, mas para as empresas que produzirão cannabis e seus derivados serão extremamente úteis, porque impedirão a saída não autorizada desses produtos por parte de funcionários menos honestos.
PS: A notícia que serviu de suporte a este artigo foi retirada da edição on-line do New York Times de anteontem sob o título: “Marijuana Legalization Threatens These Dogs’ Collars”, da autoria de Stacey Cowley.

MILAGRE OU PESADELO EM COLMENAR DE OREJA?

Primeiro vamos a um excerto da notícia divulgada pelo jornal espanhol “EL PAÍS” on-line há 4 dias atrás: “… Duas mulheres, mãe e filha, de 57 e 41 anos, foram encontradas mortas depois de serem atacadas pelos seus cães em casa na urbanização Balcón del Tajo, em Colmenar de Oreja - localidade com cerca de 8.000 habitantes no sul da Comunidade de Madrid, de acordo com fontes confirmadas pelas Emergências Madrid … O ataque ocorreu depois de uma hora da tarde, de acordo com o porta-voz da emergência. A Guarda Civil indicou que os corpos das duas mulheres tinham muitas dentadas. Com estas já são cinco pessoas que ao longo de 2018 morreram em Espanha por ataques de cães”.
Os dois cães a quem são imputados os homicídios são dois Dogues de Bordéus criados pela senhora de 57 anos, a primeira vítima, seguindo-se-lhe a filha quando a procurava. Estes cães, mais outros quatro que segundo a polícia não participaram no ataque, foram sedados e posteriormente enviados para o Centro de Boas Vindas da Comunidade de Madrid, a rogo da polícia e por ordem do Ministério do Meio Ambiente. Os cães irão permanecer nestas instalações, ligadas ao Ministério da Agricultura, a aguardar os procedimentos ordenados pelo Instituto Armado, que é autoridade responsável pela sua custódia.
O caso à partida parece estar resolvido, mas estará mesmo? Serão os cães os únicos responsáveis pela morte das senhoras? Terão elas contribuído, ainda que involuntariamente, de alguma forma para o trágico acontecimento? Que tipo de coabitação mantinham com aqueles cães? Já alguma vez se tinham manifestado agressivamente contra os seus donos ou outros? Teriam sido objecto de algum tipo de treino? Quem normalmente os alimentava e saía com eles quando necessário? Qual era a relação dos animais com os maridos das vítimas? Já foram calculadas as circunstâncias exactas em que tudo ocorreu? Na família destes cães (ascendente, colateral e descendente) foram ou são visíveis fenómenos ligados à agressividade? Qual é o sexo dos cães? Eram ou não castrados? Estavam num canil ou viviam à solta e encontravam-se amatilhados? O que pensam os maridos das vítimas acerca do ocorrido? O que dizem vizinhos e empregados sobre os cães?
Se os cães falassem, ninguém melhor do que eles responderia a estas questões, mas como não falam, alguém terá que encontrar respostas para o ocorrido mediante testes e apreciações, já que os animais terão que ser desnudados simultaneamente dos pontos de vista genético, ambiental e social, desnudo que só será completo quando ouvidas as pessoas ao seu redor e apreciado o seu relacionamento com eles, para se poder aquilatar da sua autonomia, a quem obedeciam e grau de submissão.
Nesta matéria, até prova em contrário, dou sempre o benefício da dúvida aos cães, que segundo a justiça popular, plena de cinófobos, já se encontram condenados ainda antes de o serem. O meu cepticismo advém-me do muito que presenciei, já vi e ouvi, da experiência vivida com cães ao longo de décadas, da maldade que tenho observado e do facto dos cães poderem ser facilmente induzidos ou ludibriados. Também porque sei que muita gente tem em casa, ao invés de cães, uns ilustres desconhecidos, acabando invariavelmente surpreendida da pior forma possível. Nestes episódios de triste e má memória, há sempre que considerar se o sucedido, aconteceu por ignorância, desrespeito ou indução, porque os cães são reactivos e também não se escusam a agradar.
Já treinei alguns Dogues de Bordéus, não posso dizer muitos porque não os há cá, e todos os que me foram confiados, apesar do temor que os acompanha, nunca se mostraram deliberadamente agressivos ou dispostos a encetar acções ofensivas por si mesmos, o que não impede que ao sentirem-se ameaçados partam para cima seja de quem for, que avancem sobre qualquer um quando tal lhe for ordenado ou que defendam um perímetro quando condicionados para isso. A maioria dos Dogues de Bordéus, e agora falo pelo parecer de entendidos internacionais sobre a raça, quer é festas quanto baste, que os deixem em paz, entregues a uma política de “come e dorme”, a raros galopes e a excursões feitas em passo de andadura (já vi excepções que confirmam a regra).
Por tudo isto tenho dúvidas que estes cães sejam os únicos responsáveis pelo sucedido, mas também sei que os "milagres" acontecem, que há gente que se põe a jeito sem saber, que sem querer deixa de ludibriar a morte que a todos espreita e alcança. Oxalá os cães sejam os únicos responsáveis pelo homicídio das duas senhoras, porque doutro modo estaremos novamente perante um pesadelo.