quinta-feira, 17 de junho de 2010

A noiva prò meu cão ou o noivo prà minha cadela

Em matéria de beneficiamentos não basta juntar dois cães e já está! O assunto é delicado e carece de conhecimento, porque a qualidade dos cachorros será advinda das virtudes e defeitos dos seus progenitores. Cruzar dois cães muito bons não garante uma descendência excelente e por vezes dois cães maus dão alguns exemplares excepcionais (já vimos alguns casos). Por detrás de qualquer linha de criação existem pressupostos e eles diferem de criador para criador, havendo alguns mais dedicados ao deslumbre da morfologia, outros a funcionalidade das raças e a maioria nem a uma coisa nem a outra. O ideal, aquilo que se continua a procurar, é a junção do belo ao funcional, milagre que raramente acontece e que deixa alguma frustração.

Na Acendura preocupamo-nos com a funcionalidade das raças e não descoramos a sua morfologia, valendo-nos para isso do contributo das variedades recessivas na criação, operando dessa forma a recuperação das características que enalteceram cada raça ou grupo somático. Daqui se antevê que não defendemos a consanguinidade ou enveredamos apenas pelas variedades dominantes, hoje catalogadas como responsáveis directas pela perpetuação de doenças típicas que obstam à longevidade e melhor desempenho dos indivíduos seus descendentes. Apesar de nunca termos produzimos um campeão de beleza, temos entregue cães para o contentamento dos seus donos e isso enche-nos de alegria, porque os animais facilmente constituem equipa e sem dificuldade alcançam a cumplicidade e a complementaridade. Respeitando os pressupostos de outros, a quem já adquirimos exemplares para as nossas fileiras, adiantaremos seguidamente os nossos.

A nossa filosofia na criação abraça o eugenismo e despreza o raquitismo, o pernaltismo e os exemplares mais débeis, tendo como referência os distintos estalões raciais. Defendemos para os machos um CAP mínimo de 1.8 e para as fêmeas 2. Procuramos a harmonia entre a envergadura e a estrutura de base, desde que ela garanta futuramente um galope de 6 metros por segundo e uma marcha horária mínima de 7.8 km. Entendemos o abatimento de metacarpos como uma incapacidade e privilegiamos os bons aprumos. Não procuramos exemplares excessivamente angulados porque apresentam dificuldades na transição de andamentos e dispensamos os indivíduos de recta angulação por causa do selamento do dorso. No que concerne à biomecânica dos membros procuramos uma morfologia tipicamente trotadora. Trabalhamos em quadro aberto e produzimos ninhadas heterozigóticas cromáticas, sabendo que as variedades recessivas não sobreviverão sem o contributo das dominantes e estas só ganharão com o concurso das outras. Seleccionamos os indivíduos a partir da excelência sensorial e apostamos na renovação dos sangues pelo contributo de outras linhas de criação (idênticas ou diferentes, nacionais ou estrangeiras).

No que ao carácter diz respeito, considerando o garante prà função e o fim terapêutico canino, optamos pelos exemplares dominantes e submissos, destinando os primeiros para o ofício guardião e os segundos para cães de companhia. Não procuramos cães muito dominantes nem muito submissos, porque uns podem tornar-se incontroláveis e os outros não manifestar qualquer préstimo. Garantimos o equilíbrio dos seis principais impulsos herdados (ao alimento, ao movimento, à luta, à defesa, ao poder e ao conhecimento) e damos maior peso ao último que atrás mencionámos, conscientes dos novos desafios que irão ser colocados aos cães. Apesar de procurarmos e perpetuarmos outros predicados, eis em síntese aquilo que nos norteia. Esclarecidos acerca de alguns dos nossos pressupostos nas áreas da selecção e criação, avancemos para a temática objectiva do texto.

Antes de proceder ao acasalamento dos cães estabeleça o contrato com o proprietário do outro cão e garanta o escoamento da sua prole, porque pode correr o risco de ver aumentado o número de cães ao seu encargo, em especial se for o dono da cadela. Se não tem o Know-How suficiente nesta área procure o conselho e a direcção de quem o tenha, minimizando dessa forma o logro e melhor garantindo a qualidade da ninhada. Antes de efectuar à cópula certifique-se se tem ou o outro tem, todas as condições para a tarefa (económicas e logísticas). Proceda ao acasalamento na altura do ano mais conveniente, quando tem maior disponibilidade e a venda dos cachorrinhos se tornar mais fácil. Requisite os serviços do seu veterinário e inquira da sua disponibilidade, porque nem sempre as coisas correm bem e ele sabe como ajudá-lo. Informe-se atempadamente do particular da raça que pretende aumentar, incidindo sobre os defeitos e incapacidades que lhe são mais comuns, garantindo e exigindo a isenção da sua proliferação. A escolha do outro progenitor deverá ser múltipla e não forçada por circunstâncias ou conveniências alheias ao beneficiamento que, como o próprio nome indica, deverá produzir indivíduos de qualidade superior à encontrada nos seus pais. Como é nosso apanágio, não descartaremos aqueles que reclamarem a nossa ajuda.

Caderno de Ensino: XV. O "busca"

O QUE É O “BUSCA”. O “busca” é um código que despoleta a autonomia direccional canina para a procura de pessoas ou objectos através do faro.

O QUE ACONTECE PRIMEIRO: O CÓDIGO OU A ACÇÃO? A acção acontece primeiro e é típica dos cães (uma resposta natural), porque nascem cegos e valem-se do faro prà procura do leite materno. A somar a isto, eles só transpiram pela língua e pelas plantas palmares, o que os obriga, quando se encontram por demais aquecidos, a colocar as suas patas dentro dos bebedouros.

PORQUE CERTOS CÃES SÃO TÃO MAUS FAREJADORES? Existem razões genéticas e ambientais para o facto, mas tanto umas como outras são da responsabilidade humana, por inibição, desaproveitamento, ignorância, má selecção ou estultícia.

QUANDO DEVE COMEÇAR O SEU APROVEITAMENTO E COMO PROCEDER Á INSTALAÇÃO DO CÓDIGO. Aqui não há lugar a dúvidas: logo após o desmame e poucos dias depois da adopção ou chegada ao novo lar. Começaremos pela procura do prato da comida, evoluiremos pela detecção do esconderijo do dono e procederemos a ocultação dos brinquedos. A instalação do código deve antecipar as acções, acontecendo assim sem maiores entraves. Este é o trabalho que recomendamos entre as 6 semanas e os 4 meses de idade para os cachorros.

A IMPORTÂNCIA DA RECOMPENSA. Só a recompensa estimula a avidez da prestação canina, porque a sua inexistência induz ao desinteresse animal. Sem prémio não há corrida!

PESSOAS OU OBJECTOS? O comando tanto serve para uma coisa como para a outra. Essa universalidade pode comprometer as distintas especialidades e causar entraves nas tarefas específicas, preocupações alheias ao cão familiar, que geralmente se queda pela procura e transporte dos pertences dos donos, o que é de extrema utilidade. A capacidade para distinguir e identificar maior número de objectos é genética.

“RONDA” E “BUSCA”. Esta é uma confusão a evitar e que foi visível durante anos entre os cães militares, no período que antecedeu o aparecimento das distintas especialidades, quando os cães acumulavam funções diversas e se tentava tirar partido da sua versatilidade, o que condenava os “resgatados” a umas tantas dentadas, o que na gíria militar se designa como “abate por fogo amigo”. Entendemos nós que, após a instalação do comando de “ronda”, o “busca” só deverá ser reclamado para a procura de objectos, para se evitar a possível confusão na cabeça dos guardiães.

DE CABEÇA LEVANTADA OU DE FOCINHO AO CHÃO? Existem especialidades que reclamam ambas as acções e outras que apenas valorizam uma delas, consoante se procure o rasto ou a rápida detecção pelos círculos odoríferos. Assim como cada serviço tem um simulacro próprio e um anfiteatro operacional diferente, do mesmo modo se procuram cães com diversos processos de detecção (um prisioneiro em fuga, desde que tenha ocasião para isso, facilmente iludirá um cão de rasto e um “soterrado” poderá perecer perante a delonga de um cão de cabeça levantada).

CRESCENDO OPERATIVO. O desenvolvimento e a adequação dos cães para a tarefa deve ser gradual e acontecer de acordo com a satisfação dos resultados obtidos. Evoluiremos do lar para o exterior, da planície para a montanha, dos ecossistemas húmidos para os secos, dos horários nocturnos para os diurnos, do espaço rural para o urbano, aumentaremos a distância da área a bater e retardaremos o início da busca.

PROPÓSITOS E OBJECTIVOS. A prática da pistagem não deve compreender somente o uso dos cães, mas deve ser primeiro desenvolvida em prol do seu bem-estar, porque é uma actividade que lhes é grata e contribui para o reforço dos vínculos binomiais necessários ao bom desempenho noutras disciplinas cinotécnicas, podendo inclusive ser usada apenas com esse fim, já que um cão acostumado a procurar o dono dificilmente o perderá de vista. Deseja-se que os cães consigam pistar com sucesso em altitudes até 1.500 m, em ecossistemas onde a humidade seja nula ou quase nula, debaixo de qualquer amplitude térmica e em condições extraordinárias (na procura de pessoas ou objectos para além das 72 horas do seu desaparecimento). O exercício do “busca” em altitudes superiores à atrás indicada é próprio para cães excepcionais e para binómios excelentes (profissionais ou semi-profissionais).

O “BUSCA” E A PROCURA DE CÃES DESAPARECIDOS. Os clássicos treinadores de cães, quiçá pelo peso dos seus pergaminhos e mais apostados nas exibições, abominam este serviço e escondem-se quando são solicitados para tal, quer empurrando o encargo para outros quer desculpando-se com a especificidade dos seus cães, que segundo eles se destinam a serviços “mais nobres”. Essa presunção não lhes encherá a barriga e quando acordarem talvez venha a ser tarde demais. O público reclama por um serviço destes e muita gente ficaria agradecida.

AS OPERAÇÕES DE “BUSCA” E O PERDIGUEIRO NACIONAL. Temos em Portugal um cão inato para a pistagem: o Perdigueiro Português. Os indivíduos desta raça são maioritariamente dóceis, fáceis de constituir equipa, são vigorosos, arrojados e resistentes, cuidadosos e silenciosos a actuar, capazes de rastrear dos dois modos e são extremamente glutões, o que os coloca sempre disponíveis para a tarefa atendendo ao peso da recompensa. Infelizmente não são universais e apresentam algumas dificuldades diante de baixas temperaturas. Porém, podem tornar-se excelentes cães de resgate e salvamento nos perímetros urbanos e rurais.

Poucos a trabalhar para muitos

Neste último fim-de-semana foram poucos os binómios que se apresentaram ao treino, muita gente anda a banhos e as mães carregaram a filharada para o litoral. No entanto, uma pequena célula trabalhou afincadamente para o progresso das classes, funcionando como embrião para o desenvolvimento colectivo, capitaneados pelo Bruno II (o alentejano) e pela Ana Pinto. O nosso Würstchen (porque não podemos revelar a sua alcunha escolar) voltou com o Pepe e abraçou os trabalhos com o ânimo usual. O Rui Coito continua a ensaiar para o “Padrinho IV” e tem melhorado as suas performances. A Princesa levou o seu séquito para Tróia e a nossa aluna eslava rumou pra o Algarve acompanhada pelo Max. A condutora da Luna fez gazeta e o Luís Leal foi prà Praceta. A Isabel Paiva não compareceu, O Master foi com Guia de Marcha para a Lourinhã e pouco ou nada sabemos sobre a recuperação do Zappa.

Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: Ana/Loki, António Cunha/Zorro, Bruno/Pepe, Bruno II/Iris II, Célia/Igor, Joaquim/Maggie, Liliana/Bolt, Rodrigo/Tarkan, Tiago/Sane, Teresa/Buster e Vitor Hugo/Yoshi.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

10 de Junho: A unicidade portuguesa

Já não chamam ao 10 de Junho “Dia da Raça”, mas “Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas”, o que nos parece bem atendendo ao particular dos portugueses no mundo, aos que nos transmitiram o seu legado e àqueles que por cá andam, para além da diversidade das suas origens ou antiguidade à sombra da Bandeira, porque esta velha Nação diariamente se renova e expande-se por toda a parte. A capacidade que temos de constituir família em qualquer latitude e entre todos os povos da Terra, torna-nos únicos e há muito que encetámos esse caminho, sem esforço e como se fosse algo natural em nós, dentro do carácter finito da humanidade e no retorno à origem comum, ainda que nem sempre tenhamos a percepção disso, fustigados pelo momento e dominados pela circunstância. O sentimento universal português é difícil de descrever, sendo uma pedra no sapato para muitos, mas fácil de ser comprovado pelos rumos que tomámos, opção intrínseca que nos transportará, se os houver, aos séculos vindouros. Alegro-me de ser português, porque na minha humildade nada fiz para isso, considerando a grandeza da Pátria, os seus feitos, o número dos seus filhos e a sua riqueza multicultural. Por causa disso, não me envergonho de chorar quando oiço o seu Hino, porque o meu pranto espelha agradecimento, relembra a nossa história e exalta a minha filiação, mesmo que eu seja o mais miserável dos seus filhos, que o sou, sem falsas modéstias e diante daqueles que me congregaram. Desejo a todos um Bom Dia de Portugal.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

I wanted to be a superman

Os mais jovens ignoram o que vai pela cabeça dos mais maduros e nós mesmos surpreendemo-nos com o avançar da idade, ainda que os mais radicais pensem que somos como fruta extra madura, daquela prestes a cair da árvore, que ao esborrachar-se no chão, correrá o seu destino e evidenciará a sua inutilidade. Quando tinha ¼ da idade que tenho hoje, pensava que um homem de 30 anos era velho, via os mais idosos como incapazes e como gente sem préstimo, porque não corriam, apresentavam dificuldades de vária ordem, eram geralmente azedos e pareciam viver num mundo à parte. É evidente que não os havia conhecido na sua mocidade, para mim sempre foram velhos e agora que me aproximo deles, descubro o quanto estava enganado. Um dia destes tive um sonho, coisa a que nunca fui muito dado, mas fustigado pela tradição judaico-cristã, logo procurei para ele um significado.

Nele quadruplicava a minha força, resistência e inteligência, tinha mais 25 cm de altura, uma envergadura nunca vista, outra tez e outra cor de olhos, mãos e pés doutro desenho e revelava-me imortal. E porque os sonhos têm destas coisas, vi-me sair daquela criatura, confrontei-me com ela e reparei na estranheza daquele super-homem. Ainda que gostasse, aquele homem não era eu e acordei sobressaltado, disposto a compreender os avisos e trapalhadas do meu subconsciente, questionando-me porque raio me tinha assolado tal ideia, muito embora ela não me parecesse alheia ou de todo estranha e apontasse para um “Déjà vu”.

Depois de muito matutar (porque não acredito no acaso, procuro a lógica das coisas e o seu significado e nem sempre o encontro), descobri finalmente quem era aquela criatura: o cão, animal a que me tenho dedicado com afinco nestes últimos trinta anos, um companheiro tão moldável como a plasticina, mais devotado que os amigos de ocasião, capaz de façanhas para ele inimagináveis e um altruísta de eleição, um verdadeiro super-homem ou simplesmente um cão, porque ele vai onde não consigo, suporta o que não aguento, ultrapassa as minhas limitações, zela pela minha segurança e sempre aposta no meu bem-estar. Todo o cão é um super-cão e espelha em simultâneo o melhor ou o pior dos seus donos. Com o que sonhará um adestrador que vive para o que faz e ainda lhe falta tempo?

Meus amigos, os vossos cães serão aquilo que vocês quiserem e quando não o são, a culpa será sempre vossa, porque não se fizeram entender, não os compreenderam, não encontraram a linguagem certa ou desprezaram as condições para tal. Tudo resulta da experiência dividida e o resultado alcançado é proporcionalmente igual ao vosso empenho. De outro modo como reverteremos o carinho dispensado em protecção, o trabalho numa tarefa específica e alcançaremos a complementaridade? Perante a incapacidade de nos podermos transformar, o cão vem em nosso auxílio, equilibrando-nos e fazendo-nos chegar aonde não chegaríamos sozinhos. Ele não é e não pode ser um Deus, porque vive na nossa estrita dependência, o que nos obriga a salvaguardá-lo eficazmente. Afinal sonhei de olhos abertos, porque a bizarria do sonho transportou-me para a realidade e mostrou-me o quanto devo aos meus cães.

Massacre de animais em Fátima

Recebemos um e-mail de uma amiga nossa acerca deste assunto, que junto anexou as suas fontes: http://www.peticaopublica.com/PeticãoVer.aspx?pi=P2010N2307. Apostados na veracidade dos factos, que a verificarem-se, merecerão da nossa parte a mais veemente reprovação, optámos pela sua consulta. A notícia, com carácter de denúncia, é evasiva no que concerne aos acontecimentos, não identifica os criminosos nem os seus mandantes, muito embora o assunto possa ser plausível, atendendo ao particular do santuário e ao secretismo de tais acções. E dizemos isto pelo corpo do texto adiantado: “ Caro(a)s Amigo(a)s, é tempo de dizer basta, às tristes notícias que têm chegado através desta rede sobre práticas levadas a cabo pelos energúmenos responsáveis pelo Santuário de Fátima, contra animais indefesos e até agora impunes. Consta que o Santuário de Fátima deu ordens para que os guardas capturem qualquer cão e gato que deambulem nas imediações do Santuário, QUER TENHAM UM DONO OU NÃO. Sim dono, porque se o cão fugir dos donos e aparecer la perto do Santuário há uns guardas que para impedir que eles entrem no santuário. De seguida são enjaulados e pela calada da noite espancados até à morte!! Todos juntos pelos que não se conseguem defender a si próprios. Se pelos que já foram vitimas nada podemos fazer, temos por obrigação de não permitir que volte a acontecer.”

Não estamos em crer que Sua Reverência o Bispo de Leiria/Fátima tenha alguma coisa a ver com isto ou os responsáveis directos pelo Santuário, porque Fátima vive dele e de imediato a Câmara adiantaria os seus bons ofícios, procedendo à captura dos animais, de acordo com as suas incumbências e segundo o disposto na Lei. A acontecerem estes actos de pura crueldade, eles serão certamente da responsabilidade de um ou mais funcionários ou de um frade mal-humorado, que tomados de excesso de zelo, darão azo à sua selvajaria. Ao dizermos isto não estamos a defender causa alheia e nem podíamos, porque temos como primeiro objectivo a defesa dos cães. Em abono da razão e a partir da lógica, parece-nos improvável a responsabilidade das pessoas adiantadas. Queira Deus! Publicámos esta notícia na possibilidade da dúvida, porque os cães são-nos caros e a sua salvaguarda é nosso ofício. Não subscrevemos a referida petição porque não revela as suas fontes, não prova qualquer facto e rasa o conceito de um mal apressado julgamento popular. Pela calada da Internet tudo é possível e nós sabemos isso melhor do que ninguém! A ser verdade, perante a evidência de provas e diante da prática criminosa, muitos seriam os que voluntariamente custeariam a instauração duma acção contra aqueles que dizem ser os responsáveis por aquilo que todos condenamos, algo muito mais eficaz do que a mera denúncia ou a simples petição.

A passagem da trela

Temos como prática corrente a “troca de condutores”, manobra típica de sociabilização que não dispensamos, porque oferece em simultâneo três vantagens: a sociabilização dos cães, a supressão da cinofobia e uma avaliação mais justa sobre o progresso dos animais em treino. A manobra consiste em convidar todos os condutores para a condução de todos os cães presentes na classe, pela evolução circular e tirando-se partido dos automatismos instalados mais comuns (de imobilização e direccionais). Sempre aconselhamos a passagem da trela pela retaguarda junto dos cães mais agressivos ou sobejamente territoriais. Pretendemos com isso diminuir os riscos de confrontação e o despreparo de alguns condutores, que involuntariamente poderiam accionar os mecanismos de agressividade dos cães que pretendem conduzir. A passagem do dono para o estranho é aquela que comporta maior risco, já que a efectuada estranho a estranho raramente produz qualquer atrito, muito embora seja exigido o mesmo procedimento. Ultimamente alguns donos têm dificultado essa transição, porque acariciam os animais antes de entregarem a trela, coisa que os cães entendem como apoio e reforço das suas acções policiais, insurgindo-se contra quem deles se abeira, destruindo dessa forma os propósitos da manobra, que desse modo transita da sociabilização para a indução. Depois da imobilização do cão, reforçada pelo “quieto”, os donos estão proibidos de acariciar os seus cães, porque importa salvaguardar a integridade de todos os condutores.

As responsabilidades do Fila-Guia

O Fila-Guia é o binómio que segundo o escalonamento escolar evolui na frente da classe, independentemente da natureza dos percursos escolhidos ou das figuras a desenvolver. Essa posição é honorífica e sujeita a um conjunto de responsabilidades, porque o binómio evolui pela direcção do adestrador e funciona como exemplo para os demais. A ele cabe estabelecer a cadência de marcha, indicar os percursos e garantir os alinhamentos, tornando-se assim num verdadeiro agente de ensino, um auxiliar pedagógico de suma importância. Dele dependerá o bom desempenho da classe e o seu mau desempenho condenará o trabalho ao fracasso. Como em tudo na vida, os fila-guias não são eternos e assiste-se à sua substituição. Cabe aos actuais ligar o passado ao presente, dando assim continuidade aos nossos propósitos e objectivos. Queremos aqui destacar o excelente desempenho dum actual, o constituído pela Ana Pinto e pelo CPA Loki, que durante dois anos tem suportado o encargo irrepreensivelmente, segundo a nossa tradição, em abono da boa ordem e em prol do colectivo. A história da Acendura é também enriquecida pela qualidade dos seus fila-guias e a eles se deve grande parte do nosso sucesso.

O espanto do Bruno

O Bruno é um radiologista de Portalegre, é o companheiro da Liliana e optou por treinar a Iris, uma CPA negra com 2 anos de idade, também ela propriedade da Liliana. A cadela nunca se tinha visto em tais assados, mas nem por isso mostrou qualquer dificuldade, o que muito espantou o Bruno, porque de imediato assimilou a novidade dos comandos e a matilha heterogénea escolar. A Iris descende de cães d’Acendura Brava e tem por detrás o Scwartz. Breve vai entrar em cio e quiçá irá ser progenitora, o que não deixa de ser uma mais-valia, atendendo à sua qualidade e variedade. Desejamos os melhores resultados para este binómio recém-chegado.

Caderno de Ensino: XIV. O "não"

O QUE É O “NÃO”. O “não” é um comando inibitório puro. A sua entoação não deve ser igual à que usamos para declinar um convite para almoçar, mas resultar do pressuposto de um perigo iminente.

PARA QUE SERVE. O “não” serve para a inibição de instintos e supressão das acções não ordenadas, para a cessação das ordens e para o travamento automático.

QUANDO DEVE SER UTILIZADO. Só deve ser utilizado em duas situações: perante a desobediência do cão e quando o seu travamento se tornar imperioso.

USO ABUSIVO DO COMANDO. Para além das duas situações acima indicadas, o seu uso é abusivo. Os condutores menos metódicos e geralmente arredados dos procedimentos, em particular na condução dinâmica, tendem a servir-se do “não” como muleta, usando-o em substituição dos comandos requeridos, o que é um claro abuso.

INSTALAÇÃO DO COMANDO. A sua instalação deve acontecer o mais tarde possível e não ser extensível aos cachorros antes da sua maturidade sexual. Pretende-se com isto não lesar os seus mecanismos de auto-defesa.

O “NÃO” E A OBEDIÊNCIA. Ainda que o exercício da obediência pressuponha a instalação do “não”, ela só será autêntica quando dispensar o concurso deste comando inibitório.

A PERPETUAÇÃO DO “NÃO”. A perpetuação do comando espelha uma obediência imprópria e ineficaz, profundamente inibitória e imprópria, desnudando uma instalação deficitária e violenta, baseada na coerção e distante da cumplicidade exigida.

RAZÕES PARA A SUA PERPETUAÇÃO. As razões para esta lacuna encontram-se na impropriedade dos líderes e no seu desapego aos procedimentos, porque se servem do comando como atalho ao trabalho que não realizaram.

RESULTADOS DO USO SISTEMÁTICO AO COMANDO INIBITÓRIO. Os cães sujeitos ao seu uso abusivo tendem a desinteressar-se pelo treino ou fundamentam a sua desobediência, quer assimilem o comando ou o desprezem pura e simplesmente. Assiste-se normalmente à diminuição dos seus índices de prontidão, à perca de velocidade, a uma menor aceitação dos desafios propostos, evoluindo debaixo de suspeita e na ânsia de se escaparem, mazelas de difícil recuperação quando instaladas desde tenra idade.

O brilho da prata da casa

Hoje 90% dos cães em exercício na Acendura são cachorros, com idades compreendidas entre os 7 e os 10 meses, o que nos obriga a cuidados especiais e mais aumenta a nossa esperança. Quem os vir a trabalhar pensará que são adultos, considerando o seu porte e desempenho, porque a maioria já ultrapassou os 30 kg de peso e comporta-se de forma irrepreensível (os donos nem sempre). Depois de havermos trabalhado no Sábado em S. Julião, optámos pela Capital no Domingo e acabámos instalados no Jardim do Campo Grande (ao som de música jazz). De manhã recapitulámos os automatismos direccionais e de imobilização mais frequentes e de tarde procedemos à sua aplicação, executando as manobras de carrossel. Os binómios comportaram-se exemplarmente e por momentos esquecemo-nos dos adultos que entre nós fizeram história, porque o brilho dos infantes realçou a prata da casa. Queremos aqui também realçar o contributo voluntário do Rui Coito, homem apostado nas mais-valias dos nossos cães e que de bom grado tem vindo a colaborar connosco.

Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: Ana/Loki, António Cunha/Zorro, Bruno/Iris II, Carla Abreu/Becky, Célia/Igor, Francisco/Iris, Isabel Silva/Luna, Joana/Flikke, João Moura/Bonnie, Luís Leal/Teka, Liliana/Bolt, Pedro Rocha/Pipo, Princesa/Ricky, Rodrigo/Tarkan, Tiago/Sane, Teresa/Buster, Vitor Hugo/Yoshi e Zé Gabriel/Master.

Notícia de última hora

No próximo Sábado não haverá aula, porque a Escola irá ao casamento da Marta e do Vitor Hugo, que se realizará na Igreja de Odivelas pelas 12 horas. O casamento destes nossos amigos e camaradas é para nós motivo de redobrada alegria. Domingo retomaremos os nossos trabalhos, à hora do costume e em local a designar.

sábado, 5 de junho de 2010

Eu queria um Pastor Alemão, de preferência todo preto!

Já há muito tempo que não ouvimos o pregão “é para o menino e para a menina” ou aquele que dizia: “cada cor, seu paladar!” Todavia, as pessoas continuam a escolher cães pelo seu particular estético ou morfológico e embriagam-se pelo particular da cor, na escolha subjectiva que ignora a diferença existente entre as distintas variedades cromáticas dentro de cada raça. A procura por Pastores Alemães negros tem aumentado, talvez por causa do direito à diferença e também por imporem mais respeito, razões alheias ao aparecimento e utilização destes pastores, que sendo recessivos são menos vistos. Em todas as variedades cromáticas existem bons e maus cães (mais maus do que bons), ainda que em cada variedade subsistam diferenças, propriedades ou impropriedades advindas ou relativas à cor dos indivíduos. Criámos ao longo de três décadas Pastores Alemães Negros, produzindo cães homozigóticos ou heterozigóticos e deles partindo para outras variedades recessivas, hoje pouco visíveis e advindas da contribuição do factor azul (lobeiros-pretos e cinzentos totais).

Entendemos nós e disso fazemos norma, não aconselhar como primeiro cão um de variedade recessiva, atendendo às possíveis disparidades entre ele e um da variedade dominante, porque elas existem e há que estar preparado, para que a cumplicidade actue e a divisão de tarefas aconteça sem percalços. O que leva à opção pelos animais de cor dominante é a uniformidade do seu desenvolvimento físico-cognitvo e uma maior garantia das qualidades para o trabalho proposto. Devido ao seu particular, o Pastor Negro é um cão para especialistas, para alguém que procura na diferença algo diminuído ou omisso na selecção dominante, o que obriga ao conhecimento prévio, próximo e prático de cães desta última variedade. Temos como propósito elaborar no futuro um trabalho exclusivo sobre a variedade negra presente no CPA, porque pouco se disse, muito menos se sabe e o assunto é deveras extenso. Até lá, manifestaremos aqui alguns (pouquíssimos) pormenores técnico-práticos que realçam a unicidade do Pastor Alemão Negro, de acordo com a nossa experiência, observação e uso. Começaremos pelas desvantagens e culminaremos pela pedagogia, despojando-nos dos aspectos históricos por razões óbvias e anteriormente explicadas.

DESVANTAGENS. O cão negro, quando resultado de beneficiamentos homozigóticos sistemáticos, tende à diminuição da envergadura e porte, à formação de cabeças esguias e à apresentação de uma ossatura mais leve. Na maioria dos casos apresenta-se menos angulado de traseira e com o dorso paralelo ao solo, factores ligados à pouca ou nenhuma participação dos padreadores escolhidos para a selecção actual, que implicam numa diminuição acentuada da sua capacidade de marcha. A sua curva de crescimento é um pouco mais curta, porque atinge a maturidade sexual mais cedo e por conseguinte a emocional, o que obriga à precocidade e a um menor desenvolvimento cognitivo, ainda que guarde a casa mais cedo ou que de imediato absorva as suas tarefas. Não é um pisteiro excelente e apresenta grandes dificuldades em climas secos ou diante de temperaturas elevadas. Procura ataques de surtida e dispensa as vozes de aviso, passando imediatamente da fixação para o ataque. Carece de um acompanhamento objectivo dos seus ciclos infantis, para que o enriquecimento da experiência directa possibilite o desenvolvimento do seu impulso ao conhecimento. Absorve por demais o travamento e automaticamente assimila a regra, o que o transforma num autómato e escravo das rotinas. Resiste à ginástica cinotécnica. Vê diminuída a sua prestação nas épocas estivais e nessas ocasiões o seu manto avermelha-se, necessita de se refrescar amiúde e diminui os seus indíces de prontidão. Mais do que nos seus congéneres, o Pastor Negro sempre dependerá da mestria dos seus líderes.

VANTAGENS. Transita mais facilmente da marcha para o galope. Prontamente absorve a constituição binomial e executa as tarefas que lhe são distribuídas. É um cão de guarda tipo e um guarda-nocturno de créditos firmados. Assimila sem dificuldade qualquer comando inibitório, desconfia naturalmente de estranhos, é silencioso e não denuncia a sua presença. É um exímio nadador (as suas membranas interdigitais anteriores são mais redondas e menos cavadas do que as encontradas nas restantes variedades cromáticas), prefere os círculos odoríferos, o que o transforma num excelente cão de salvamento e resgate (pela brevidade da detecção). É um observador inato e dissumalado, escusa-se a provocações e aguarda a sua hora. Apresenta uma maior resistência à dor e suporta razoavelmente os períodos de invernia, sendo um especialista em climas de montanha e próprio para a prospecção em altitude. O seu sentimento territorial é muito acentuado e sobrevive pelo respeito à hierarquia, o que lhe facilita o desempenho como cão militar, policial ou familiar, sacrificando a sua vida pela defesa dos seus donos. O seu odor é menos intenso do que o encontrado nas restantes variedades cromáticas. Resiste sem dificuldades ao aumento do percentual da humidade e opta pela ocultação no seu desempenho de sentinela. Não é pedinchão e mantém por mais tempo os índices de operacionalidade perante a escassez de alimento, porque é rústico e sumariamente instintivo. O pastor Negro atingirá um rendimento aceitável com um condutor medíocre e atingirá a excelência pela participação de um bom líder.

SELECÇÃO. Que nos perdoem os adeptos desta variedade cromática, mas o Pastor Negro está para o CPA em geral como o zambujeiro para a oliveira, verdade comprovada pelo histórico da raça. Ele pode e deve ser um melhorador para ela (a exemplo do lobeiro), mas jamais deverá constituir-se em variedade dominante ou subsistir isoladamente, porque se assistiria a uma regressão ou a uma evolução extra padrão. Entendemos, mercê da experiência obtida (a nossa e a alheia) e pelo produto dela resultante, que os melhores exemplares negros provêm dos beneficiamentos heterozigóticos cromáticos, exactamente como aconteceu na proto-selecção. O afastamento sistemático do negro na actual selecção tem contribuído para o surgimento de exemplares imaturos, serôdios, altamente instintivos e menos versáteis, porque se atribuiu maior peso à carga morfológica em detrimento dos índices laborais, havendo alguns criadores de CPA de utilidade, tanto nas Américas como na Europa, que têm alguma dificuldade em aceitar o actual cão preto-afogueado como produto autêntico, genuíno e histórico.

PEDAGOGIA. O reclamado acompanhamento dos ciclos infantis no Pastor Alemão Negro, obriga ao enriquecimento da sua experiência directa e ao atraso da instalação dos automatismos de imobilização e travamento, porque a sua curva de crescimento é mais curta e absorção da regra é-lhe automática, comprometendo assim o seu desenvolvimento cognitivo e a sua prestação enquanto guardião. A opção deverá recair sobre a ginástica e sobre evolução sucessiva pelos diversos ecossistemas, suscitando-lhe assim um rendimento alheio ao que normalmente é propenso. A variedade cromática indicada para qualquer condutor inexperiente é a lobeira (azul parcial; cinzento parcial), porque é a que se estabiliza mais tarde, pode esperar pelos requisitos técnico-práticos dos seus líderes, tem uma maior plasticidade, é naturalmente farejadora e é detentora de forte impulso ao movimento, suscitando-se a partir dele os restantes impulsos herdados inerentes às tarefas procuradas. O retorno do lobeiro não se ficou a dever à moda, mas sim à necessidade e diante da fraca prestação do preto-afogueado actual, cuja dominância comprometeu a versatilidade do CPA, o seu desempenho e procura. Nada no cão negro é gratuito, mas nenhum satisfaz tão bem o investimento feito.

Se não tem muito tempo para o cão e a sua experiência é reduzida, não opte por um Pastor Alemão Negro, em prol das suas expectativas e a bem do animal. A adopção de um cão destes requer tacto, sensibilidade, grande disponibilidade, conhecimento prévio e alguma experiência, afim de melhor o aproveitar e a atingir a excelência que ele tem para dar. Existem outras variedades cromáticas mais fáceis de manusear, que dispensam o seu maior empenho e que de pronto o satisfarão. Mas se persistir na escolha, contacte-nos e procure maiores esclarecimentos (de preferência antes de adquirir o cão).

Têm cães para adopção?

A actual crise económica (agora já nenhum filósofo a nega e ninguém diz que foi debelada) manifesta-se de várias formas e estende-se naturalmente ao universo da canicultura, realçando velhos vícios e criando novas oportunidades. Todas as semanas nos surgem pedidos de gente que se predispõe a adoptar cães, a prontificar-se para a adopção de cães de raça e que espera encontrar em nós essa debilidade. Não temos cães para dar e nunca foi nossa intenção descartar qualquer um deles, porque os seus proprietários conhecem as suas responsabilidades e deveres, resistem aos tempos de crise e consideram os animais como parte integrante do seu agregado familiar. Queremos dizer aos que se enganaram no número da porta, que proliferam por cá muitos centros acolhimento caninos, onde um grande número de animais espera encontrar novos donos. É por aí que devem começar a procurar, caso tenham condições para isso, a sua disposição se mantenha e for sincero o seu desejo.

Este mau hábito, próprio de gente de parcos rendimentos, encontra a sua razão de ser em duas realidades: no desrespeito pelos cães e na impropriedade de certos criadores ou proprietários. O “adoptante”, conhecedor das presentes dificuldades económicas, que também o afligem, não tendo como comprar um cão puro, espera que ele lhe venha a cair de mão beijada, porque procura uma raça específica e não se interessa por um cão qualquer. Os saloios desde há muito que alcunharam este tipo de interessados como “gulosos”, obsequiando-os imediatamente com um magistral manguito, o que nos parece apropriado diante da situação. Esta plebe insiste em realizar os seus sonhos à conta da desgraça alheia, não hesitando alguns em abandonar os animais à menor dificuldade, porque não os criou, não desenvolveu com eles os necessários vínculos afectivos e não pode ver agravada a sua situação, o que nos obriga a denunciar este tipo de pedinchões, indivíduos que podem contribuir para o abate inusitado de cães. A aquisição de um cão carece de planeamento, quer ele seja comprado ou adoptado, porque requer um conjunto de condições e solicita um sem número de obrigações, uma vez que se trata um processo puro e simples de adopção. E porque não vivemos num mundo cor-de-rosa, é bom que se saiba que a primeira razão para o abandono dos cães é a económica, a mais eficaz para subverter ideais, violar compromissos e trair sentimentos.

Do Alentejo com amor

Chegou à escola um novo binómio, o constituído pela Liliana Reis e pelo Bolt. A Liliana é uma jovem optometrista, alentejana de raiz e oriunda de Portalegre. O Bolt é um CPA Negro, filho do Thor e da Xita, irmão do Buster; da Babel, da Becky e da Bonnie, família que reencontrou ao ingressar nas nossas fileiras. O binómio tem e mostrou potencial, adaptou-se perfeitamente ao grupo e evoluiu de acordo com as metas propostas. A relação entre a líder e o cão é afectuosa e evidencia uma reciprocidade amorosa. Há que dar os parabéns à Liliana, porque se dispôs a procurar-nos e pôr-se à estrada, vencendo centenas de quilómetros numa viagem de ida e volta que ronda as 5 horas. Oxalá mantenha essa vontade férrea e não contribua para mais uma anedota sobre as gentes ao Sul do Tejo. O grupo escolar acolheu-a de braços abertos e coube à Célia Coito a sua hospedagem. Daqui queremos agradecer a disponibilidade da Célia e também da sua irmã, a Isabel Silva, porque foi no canil da segunda que o Bolt pernoitou. O carácter familiar da Acendura evidenciou-se uma vez mais, tratou a Liliana como igual, acolheu-a sem reservas e aposta no seu progresso. O nosso sincero bem-vindo para a Liliana e para o Bolt.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

A burra: A mala dos acessórios

Doravante a classe expedicionária da Acendura conta com uma mala de acessórios: “a burra”, que a acompanhará para todo o lado e valerá a quem necessitar dela. Seis estranguladores de diferentes tamanhos (inclusive um para um cão-toy), duas trelas padronizadas e demais acessórios ensino fazem parte da sua carga, para substituir temporariamente algum material danificado, valer a quem se esqueceu dele ou incorporar de imediato um aluno recém-chegado. Os reincidentes à burra por esquecimento sujeitam-se a uma multa de 5 euros, valor que contribuirá para a futura substituição do material dispensado. A custódia e a cedência dos acessórios são da exclusiva responsabilidade do Adestrador ou de quem ele nomear para o efeito. Todo o material emprestado deverá retornar à burra no final de cada aula ou no término dos trabalhos, consoante os binómios socorridos façam uma ou duas lições no mesmo dia. A natureza dos acessórios transportados não é sempre a mesma e encontra-se cativa à época do ano, ao trabalho a realizar e ao particular climatérico.

Pessimismo e preparação

Quem será mais prudente: um optimista ou um pessimista? A vantagem dos pessimistas é que nunca são desiludidos, porque o sucedido é geralmente melhor do que os seus vaticínios. Um treinador de cães, ainda que o não seja, comporta-se como tal para que os seus alunos encarem com optimismo os desafios que irão ter pela frente, a isso o obriga a salvaguarda dos cães, a segurança dos condutores e a preservação dos seus bens. A preparação e a adequação binomiais devem pressupor o pior dos cenários para que a surpresa a ninguém apanhe desprevenido, proveito só possível pelo treino rigoroso. E neste sentido o Adestrador é um visionário, alguém previdente que trabalha por antevisão e que imagina os perigos ou percalços adiante, os próprios dos binómios ou os que lhe são alheios. A inexperiência dos condutores ao seu encargo deve ser vencida pelo enriquecimento da sua experiência directa, pela criação de simulacros de difícil resolução, contudo ao seu alcance e visando o seu melhor desempenho. Se amanhã as coisas forem mais fáceis, óptimo, ainda bem! Não valerá a pena ser pessimista? As circunstâncias ideais são raras e a obediência torna-se urgente quando mais necessitamos dela.

Por uma unha negra

Naturalmente não gostávamos de falar sobre os nossos fracassos e os mais sensíveis nem querem tomar conhecimento dos alheios, quiçá temendo o desnudo dos seus ou receando o seu improvável contágio, porque ninguém se quer identificar com quem perde e com facilidade se identifica com os vencedores, ainda que na maioria dos casos essa identificação seja subjectiva, mercê da auto-estima individual e por força da esperança que nos leva adiante. A capacidade objectiva de levar de vencida os erros é aquilo que difere os homens, a qualidade do seu trabalho, o cumprimento dos seus propósitos e a sua utilidade para os outros. E nesta latitude - “terras de Espanha e areias de Portugal”, o erro individual procura responsabilidades colectivas e o fracasso sempre encontra razões alheias, conjunturais ou metafísicas que podem passar também pela predestinação. O português em Portugal é um sorvedor de milagres que só veste o fato de macaco quando daqui sai, na clara ilusão entre o esperar pela morte e o lutar pela vida, alcançando assim notoriedade entre os demais. Será que a necessidade aguça o engenho?

O comum condutor de cães que se faz presente nas escolas caninas sofre da mesma insuficiência, transportando para dentro dos centros de treino igual falta de ambição, desapego aos procedimentos e uma assaz notória falta de pontualidade, ferida exposta na nossa sociedade em geral e de difícil cicatrização, actuando como um mau funcionário público que apenas justifica o salário pela sua presença (ainda que atrasada). É evidente que o adestramento é uma actividade lúdica e um espaço para a evasão, um local privilegiado para a libertação do stress e para o retorno à liberdade virginal reforçada pelo ancestral contacto com os animais. Mas não é e não pode ser só isso, porque os cães têm a vida curta e não podem sobreviver em desacordo com a Lei, acabando estoirados diante da ausência de método que obsta a qualquer estímulo e opera o seu desinteresse. A inexistência de progresso no ensino choca com a competitividade canina, induzindo os cães à saturação e à diminuição dos seus índices de assimilação e prontidão. O treino não pode e não deve constituir-se numa ocasião para o seu castigo, mas uma ocasião soberana, por vezes única, para a sua salvaguarda, parceria e alegria. E quando o treino não produz, à imagem do que se atribui por todo o lado, a culpa é alheia e recai injustamente sobre o cão.

Vamos dispensar a função terapêutica canina? Certamente que não! Porque ainda que a maioria dos condutores não dê por isso, é ela que os leva a procurar-nos, alcançando através dela o seu equilíbrio e uma melhor sintonia com a sociedade. A aquisição de um cão encontra-se muitas vezes ligada a um incontido sonho juvenil e alguns homens voltam a comportar-se como crianças traquinas, perdidas num recreio onde os seus companheiros desperdiçam vida, actuando como teenaggers, que se comportam como infantes e querem ser trados como adultos. Tal não será uma manifestação crua e inequívoca de especicismo? Que nos perdoem os cães! Estar na Escola implica na procura de metas e no alcance de objectivos, na melhoria gradual da comunicação recíproca entre homens e cães e tudo isto é cruel diante da omissão da salvaguarda canina.

A distância entre o insucesso e o sucesso escolar é mínima e muitos não o alcançam por “uma unha negra”, a mesma que os separa da concretização doutros objectivos, cujo alcance os tornaria mais confiantes e realizados. Há que aproveitar a nossa ajuda e empenho, usufruir da nossa experiência e acompanhamento, ousar sair da mediocridade ou mediania e optar pela realização pessoal, obra também só possível pela extrema disponibilidade e maleabilidade presente nos cães. No treino canino o condutor tem tudo para vencer, para sair um vencedor, porque não está só e ao seu redor todos apostam no seu sucesso. O aproveitamento insuficiente ou parcial do ensino ministrado pode levar ao encurtamento dos dias dos cães, comprometer o seu bem-estar e desprezar as suas mais-valias, sentenças que à partida ninguém quer e que sobre muitos infelizmente recairão. Não estamos cá para causar vítimas, apostamos na vida e procuramos a felicidade.

Caderno de Ensino: XIII. O "atrás", "para trás" e corredores direccionais

O “atrás” e o “para trás” são subsídios direccionais com propósitos diferentes. O “atrás” serve para atrasar o cão em relação ao condutor e o “para trás” condiciona-o a recuar. Ambos são instalados mediante a trela e cada um deles tem um comando gestual específico. Na condução atrelada o “atrás” é solicitado pela impulsão do cão para a retaguarda e pelo movimento de vai-vem da mão esquerda do condutor, que impede o animal de se adiantar ou procurar o “junto”. O ensino do “para trás” à trela é feito com o condutor virado para o cão, que constituído em barreira, condiciona o animal a recuar. A indução ao movimento requerido é feita pela pelo movimento circular da mão do condutor que em simultâneo solta o comando verbal próprio. A instalação destes automatismos, assim como o de “à frente”, pode ser alcançada mais facilmente pelo contributo de corredores direccionais, passagens estreitas que impedem o “junto” e persuadem os cães à execução dessas evoluções, evitando-se assim a sobre carga da inibição. Na prática usamos o “atrás nas passagens estreitas e nas descidas íngremes, garantindo o cão a descida segura do seu condutor. Por vezes usamo-lo para refrear os ímpetos do animal ou perante a sua fixação em alvos dispensáveis. Fazemos uso do “para trás” quanto intentamos recolocar o cão no sítio previamente estabelecido e por ele abandonado, movimento útil e por vezes indispensável aos cães destinados ao cinema e à televisão. Usamo-lo também como manobra de submissão e subsídio de musculação, assim como meio para ratificar a liderança. Não convidamos os cães com displasia para a sua prática, porque não queremos ver agravada a sua saúde articular.

O despertar do Tag e o retorno do Bolt

No fim-de-semana passado continuámos as nossas incursões pelo exterior e antes que abrisse oficialmente a época balnear. Fomos visitados pelo Sr. Paulo Serra Pedro e pelo seu filho Nuno, condutores do Tag e da Nicky. O Bolt reencontrou os seus irmãos e restante família. O Tag mostrou que é um típico cão de guarda e a Nicky uma autêntica princesa. A Princesa condutora voltou às nossas lides e o Rui Ribeiro, depois de longa ausência, apresentou-se ao serviço. Em conjunto celebrámos com alegria o aniversário do Francisco, o condutor da CPA Íris, sendo no evento acompanhados pelo Jaime, proprietário do perdigueiro nacional Max.

Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: Ana/Loki, Carla Abreu/Becky, Célia/Igor, Clara/Shara, Isabel Paiva/Amora, Isabel Silva/Luna, Joana/Flikke, João Moura/Bonnie, Liliana/Bolt, Nuno/Nicky, Princesa/Ricky, PSPedro/Tag, Rodrigo/Tarkan, Rui Ribeiro/Babel, Tiago/Sane e Vitor Hugo/Yoshi.