quinta-feira, 26 de maio de 2016

FREYA, A RECORDISTA: 18720 VEZES REJEITADA

A “Freya” é uma cadela com seis anos de idade, cruzada de Staffordshire com Bull Terrier, que se encontra aos cuidados do Animal Rescue Freshfields em Liverpool e que foi resgatada das ruas aos 6 meses de idade. Mantém o título de “Britain’s Loneliest Dog” (o cão mais solitário da Grã-Bretanha) porque já foi rejeitada por 18720 pessoas que poderiam adoptá-la. Segundo se consta, é um animal delicado, meigo e interactivo que adora festas. Como sofre de epilepsia, doença que requer alguns cuidados (medicação e análises), é possível que não venha a ser destronada para breve do título que a acompanha. E mesmo que não padecesse da doença, o facto de ser cruzada de Staffordshire não lhe é nada abonatório, uma vez que nas Ilhas Britânicas tal raça tem vitimado crianças e adultos, por ser muito popular, de grande potência de mordedura e o controlo dos seus proprietários não ser o desejável. Não obstante, quantas “Freyas” haverá em Portugal e no Mundo, animais que ninguém quer resgatar e que acabam para sempre nos canis de acolhimento? Por certo também haverá em terras lusas um recordista destes, provavelmente um cão pouco apelativo e doente que infelizmente nunca virá a ser adoptado. Diante duma notícia destas, depressa se percebe que o amor e a caridade dos povos não é genuíno nem autêntico, que ninguém está para ter trabalhos, que a maioria das gentes prefere ser servida que servir, que a cinofilia não é incondicional, que o amor pelos cães tem limites e anda pleno de vaidades e interesses. E se fizéssemos isso só com os cães… não viria ao mundo grande mal!   

NÓS POR CÁ: CCB E RAQUEL TAVARES

Nasci a ouvir fado, desprezei-o e ridicularizei-o na adolescência, apesar das grandes fadistas de então, por achá-lo próprio de velhos bairros degradados e de tradições em que não me revia, por entendê-lo como um grito de gente “pé-de-chinelo”, mais presa à si mesma, à desventura e ao desgosto que apostada no progresso e na inovação. Redescobri o fado com as composições que Alain Oulman escreveu para Amália Rodrigues, o que me transformou para sempre num “oulmanista” inveterado, muito embora discorde da presença de Amália no Panteão Nacional, mesmo sendo quem foi e o que deu ao fado. A minha fadista de eleição foi e será sempre Maria Teresa de Noronha, pelo timbre de voz, classe, sentimentos que irradiava e pela áurea de mistério que emprestava às suas actuações. Depois dela só Maria da Fé e foi por causa desta fadista nortenha que me desloquei na última Sexta-feira ao CCB, onde de camarote assisti à actuação de Raquel Tavares, que se diz sua sobrinha, restando saber se é dela ou do marido, o poeta alentejano José Luís Gordo.
A actuação iniciou-se com 10 minutos de atraso, a sala estava cheia e a fadista de 31 anos apresentou-se descontraída e cheia de garra, porque cantou até que a voz lhe doesse, culminando a sua actuação a cantar “Estranha Forma de Vida” sem microfone, opção que a comprometeu por destratar as notas agudas. O espectáculo mereceu várias ovações do público que foi convidado inúmeras vezes pela fadista para a acompanhar nalgumas estrofes dos fados. Raquel Tavares é uma fadista de mão-cheia, disso não restam dúvidas, muito embora a sua mímica seja mais “gitana” e tangente ao “flamenco”, plena de gestos largos e desafiadores.
Os músicos presentes não defraudaram e foram inexcedíveis, sendo em grande parte responsáveis pelo sucesso do espectáculo. A fadista em várias ocasiões exaltou o conceito de “fado-verdade”, adiantando que a falecida fadista nortenha Beatriz da Conceição foi o seu ídolo e musa inspiradora, não se escusando também a realçar a sua relação familiar com Maria da Fé e o seu marido (a fadista sénior fez-se presente nas primeiras filas da plateia). O estilo empregue, o repertório e os temas dele constantes, ainda que do agrado do público (que é quem paga os bilhetes) pouco ou nada me disseram, porque esperava algo de novo e acabei por ouvir o que sempre conheci. À parte disso Raquel Tavares esteve bem e proporcionou uma noite agradável a quem a foi ver actuar. Pouco a pouco vou retomando a minha vida social, pois nem só de cães posso viver, mormente agora que o fado é “património imaterial da humanidade”. O “Black” ficou em casa e caso pudesse ter ido comigo ao espectáculo não teria razões para uivar. 

terça-feira, 24 de maio de 2016

VIVEMOS A ENCHER O EGO E FAZEMOS DOS CÃES CEGOS!

Não há gato-sapato que não se diga defensor do bem-estar animal, quando na verdade poucos compreendam o que isso significa e a sua abrangência, lembrando o que acontece com a “Declaração Universal dos Direitos Humanos” que nenhum governo nacional respeita integralmente. Infelizmente não temos como valer ao Mundo mas podemos valer aos cães ao nosso encargo, respeitá-los enquanto espécie diferente e ir ao seu encontro, ao invés de os sobrecarregarmos com truques e habilidades, manifestações hedonistas que não se coadunam com a cinofilia que deverá sustentar todas as actividades relativas aos cães, que hoje mais do que nunca são amplamente explorados, na procura do proveito e em detrimento do seu particular biológico.
E se o vulgo assim procede por ignorância, também os adestradores atentam contra o bem-estar canino, quando varrem dos seus currículos de ensino a pistagem e todas as actividades que não dispensam o farejar. Se perguntassem aos cães e eles soubessem responder qual das disciplinas escolares é a do seu maior agrado, a esmagadora maioria responderia ser a pistagem, a procura de objectos, doutros animais e de pessoas, porque o olfacto é primeiro sentido que desenvolvem e é para eles o mais importante. E neste sentido felizes são os cães entregues ao ofício cinegético.
Enquanto os humanos identificam o mundo ao seu redor usando primeiro a visão, depois o tacto, em seguida o ouvido e finalmente o olfacto, os cães fazem-no primeiro pelo olfacto, depois pela visão, em seguida pelo ouvido e finalmente pelo tacto. Diante disto, privar os cães de usarem o nariz é cegá-los deliberadamente, um crime que cometemos contra a sua natureza e bem-estar, muitas vezes até sem darmos conta. Os cães vivem, reproduzem-se e sobrevivem pela experiência e esta não dispensa a identificação olfactiva prà sua compreensão.
Mais do que petiscos, cliques e afagos, usados de modo interesseiro e que provocam avidez e ansiedade, importa convidarmos rotineiramente os nossos cães para o uso do seu nariz, havendo alguns que têm mais de 220 milhões de receptores olfactivos, 44 vezes mais que os presentes nos humanos. Escola canina que se preze, atendendo ao bem-estar dos cães e também aos benefícios que a pistagem oferece para as restantes disciplinas cinotécnicas, pelo reforço da parceria e da cumplicidade, deveria atribuir à pistagem 60% do tempo destinado às classes. Dir-nos-ão que tal é utópico e impossível de levar a cabo, que os donos não se agradariam e resistiriam a tal ideia. Mas afinal estamos ou não estamos preocupados com o bem-estar animal? Se explicarem para os donos, eles bem depressa compreenderão, pois só querem o melhor para os seus cães. Cego é aquele que não quer ver!

segunda-feira, 23 de maio de 2016

CORREIO DOS LEITORES: O VELHO PROBLEMA DAS ORELHAS

Recebemos dum leitor o seguinte email que transcrevemos na íntegra: “Olá, Gostaria de pedir a vossa ajuda relativamente a um pastor alemão que nasceu 11 de Fevereiro portanto completa 4 meses a 11 de Junho, com 3 meses pesava 13kg, pela estrutura será um amigo(Marley) bem grande e de uma personalidade bem forte. Todos os pastores que eu tive nunca me surgiu a dúvida relativamente às orelhas se manterem erectas, mas este é a primeira vez que tenho um completamente preto e com uma estrutura tão desenvolvida. Na sequência do último artigo “TÊM 3 MESES E MUITAS ALEGRIAS PARA DAR!” e verificar todos os cachorros estarem com as orelhas levantadas fez-me pedir-me a vossa ajuda a esclarecer esta mesma questão pois o, pelo que eu estive a ler a nível da internet não me devo preocupar até pelo menos aos 5/6 meses com esta questão, e efectivamente só estou a pensar visitar o veterinário nessa altura por causa desta questão. Contudo gostaria de saber se esta situação é porque sendo ele aparentemente desenvolvido tenha necessidade de mais tempo, pelo menos até à dentição final ou sendo ele de cor preta e se aconselham algum procedimento, para ajudar na cartilagem tal como na alimentação. Já evitamos qualquer tipo de esfregar nas orelhas, mas é impossível evitar as brincadeiras destes dois... Actualmente está ser alimentado com ração Visan Optima para cachorro, contudo li algumas pessoas a aconselhar dar, pescoços/patas de galinha ou gelatina, contudo não queria a começar qualquer alteração ao que tenho feito sem algum conselho de alguém mais experiente com estas situações. Obrigado pela vossa atenção”.
Em primeiro lugar importa dizer que os problemas com as orelhas de alguns Pastores Alemães, que graciosamente cada vez são menos incidentes, resultam duma origem genética e também da sua implantação em cada indivíduo, se baixa, média ou alta (a fotografia que nos mandou não é conclusiva a este respeito). Por outro lado, os cães maiores, com forte impulso ao alimento e bem alimentados tendem a levantar as orelhas mais tarde e os mais pequenos, esfaimados e mal nutridos a levantá-las bem cedo, razões que não tornam o seu cão negro mais preguiçoso em levantá-las. Não creio, em função do peso aos 3 meses do cachorro, que se trate de um exemplar excepcionalmente grande e lamentamos que em simultâneo não nos tivesse adiantado também a sua altura, valor que nos faria aquilatar melhor do seu crescimento (os nossos cachorros negros pesam aos 3 meses entre 15 e 18 kg). Como também não sabemos se se trata de um exemplar de trabalho ou de linha estética, crescem as dúvidas acerca do particular do seu cachorro (tem pedigree?). Também não nos fez saber se ele alguma vez as teve de pé, porque é normal que tombem por altura da muda dos dentes, vindo depois a levantá-las. E quando isso acontece, temos por hábito, numa primeira fase, enrolar uma a uma e ligá-las depois entre si, para que no futuro não venham a ter uma apresentação peripatética.
Adianto-lhe desde já que, cão que não as levanta até aos 9 meses, dificilmente as levantará daí para a frente. Seria bom e de todo conveniente que expusesse quanto antes ao seu veterinário assistente o problema, ao invés de esperar fazê-lo daqui a 2 meses, porque o tempo não concorre a seu favor e ele melhor do que ninguém o saberá aconselhar acerca das dietas e do seu enriquecimento. Ademais, só os bons cães necessitam de ajuda, porque aos desprezíveis não lhes sobra qualquer conserto. No entanto, como sabemos fazê-lo e nisso temos experiência, pode combinar connosco uma visita através do email deste blogue, porque podemos ajudá-lo na solução do problema, isto se não for de origem genética, pois para isso cá estamos e sentimo-nos gratos em valer aos demais. Como diz o povo: “ao pé do pano é que se talha a obra”, traga-nos o cachorro e faremos tudo o que estiver ao nosso alcance. Obrigado pelo contacto.   

ANDA TÃO MAL-EMPREGADO, SERÁ UM MERO SIGHTHOUND?

A pergunta que formulamos neste título é referente ao Border Collie, um cão que nos apaixona pela sua qualidade e versatilidade de serviços, uma raça que adoptaríamos de braços abertos caso não nos dedicássemos aos Pastores Alemães, paixão que nos acompanhará até deixarmos os cães e rumarmos para a outra vida, onde provavelmente não nos irão fazer falta alguma. Mas enquanto essa hora não chegar, esperamos que tarde, continuamos atentos ao que se passa com a canicultura e cinotecnia. Não nos custa acreditar, assim como o Séc. XX foi o século do Pastor Alemão, que o cão deste seja o Border Collie, animal inteligente, astuto, de fácil aprendizagem, rara disponibilidade, voluntarioso, valente e cúmplice, um camarada que num ápice saltou dos rebanhos para o Agility, como se fosse essa a sua única e verdadeira vocação: um sighthound de obstáculos!
Nos periódicos de língua inglesa é notícia o sucedido no Canadá, quando o Sr. Reid Roberts se viu confrontado na última Terça-feira (dia 17) com uma ursa negra que guardava os seus filhotes, vindo a ser atacado por esta e jogado no chão. Valeu-lhe na ocasião o seu Border Collie, o “Pacer”, que vendo o dono em apuros caiu sobre a ursa e pô-la em debandada, acção que acabou por salvar a vida àquele homem, que jamais esperaria ter um encontro daqueles (há horas felizes).
A bravura do cão não nos espantou porque há muito sabemos do que os Borders são capazes, achamos até que estes cães andam a ser mal aproveitados, que o seu potencial vai muito para além da prática lúdica dos obstáculos e que se prestam a um sem número de disciplinas e especialidades cinotécnicas, guarda inclusive, devido à sua concentração e dedicação aos donos e seus pertences, prestando-se de sobremaneira ao resgate e salvamento, porque são rápidos, incansáveis, rústicos, nadam primorosamente, não são cegos de nariz e adoram trabalhar.
Transformá-los maioritariamente em galgos para obstáculos não será muito pouco para quem tem tanto para dar? Nós julgamos que sim e ninguém nos convence do contrário, porque nunca os vimos ficar para trás, fosse de quem fosse e independentemente das tarefas. Ao invés, sempre os vimos entre os primeiros nos mais diversos trabalhos, ombro a ombro com os melhores, que geralmente levam e continuarão a levar de vencida. Parabéns se tem um Border Collie, não o desbarate, aproveite o seu potencial e torne-o útil, esteja à sua altura, honre e usufrua da sua excepcional parceria. 

TÊM 3 MESES E MUITAS ALEGRIAS PARA DAR!

Estes Pastores Alemães negros têm 3 meses, são naturalmente robustos e de linha laboral, lembram outros que já tivemos e não nos pertencem, tendo como proprietários os mesmos que indicamos a seguir para o cachorro azul. Pelas fotos é visível que são robustos e de excelente envergadura, tendo ao mesmo tempo angulações traseiras que fazem inveja a muitos cães de exposição (a Joana Melo apaixonar-se-ia por eles).
Ser proprietário de um CPA negro é ficar cativo desta variedade cromática, por ser precoce em relação à dominante, silenciosa e concentrada, extremamente cúmplice e ávida de funções e trabalho, não sendo por acaso que, quem teve um CPA negro, acabe por optar por outro da mesma variedade. Estes cachorros, cujo porte impressiona, estão à venda. Quem estiver interessar em adquirir algum deles poderá fazê-lo através do endereço deste blogue, que de imediato o poremos em contacto com os seus criadores.
O desprezo pelos CPA negros não pode ser dissociado da menor prestação dos Pastores Alemães em geral, porque a sua escolha e aparecimento, que remontam aos primórdios da raça, legitimam os propósitos por detrás da sua formação, que normalmente garantem os índices de disponibilidade, versatilidade e prontidão que desde sempre caracterizaram o Deutscher Schäferhund, pelo que criar cães de trabalho sem a contribuição dos exemplares negros é tornar órfã essa mesma criação. O cão negro nasceu para o trabalho e ao contrário de outros nisso tem permanecido. Olhamos par estes cachorros e a saudade invade-nos, porque sabemos quanto valem e as muitas alegrias que têm para dar.

ZEUS UM AZUL QUE PROMETE

O Zeus é um CPA com dois meses de idade, que nasceu todo cinzento (azul) e que manterá essa cor no manto e na máscara do focinho. Pertence à Verónica e ao João e veio do Norte do País. A partir dele se poderão vir a ter cachorros azuis uniformes, caso venha a beneficiar uma cadela negra com um máximo de 4/8 em lobeiro, isto depois de lhe ser feito o despiste das diferentes displasias, obrigação a que os seus proprietários não fugirão por se quererem dedicar à criação de Pastores Alemães.
O cachorro ronda agora os 10 kg de peso, é atento e activo, ladra grosso, come bem e é um regalo para a vista. Evidencia bons aprumos, não se apresenta exageradamente plantígrado, tem a convexidade de linhas que o Estalão reclama, ossatura forte e um manto bastante denso e apelativo. Oxalá assim continue e venha a ser patriarca de uma prole numerosa com idênticas características. Não existem em Portugal, na Europa e no Mundo muitos Pastores Alemães cinzento uniformes (azuis), pelo que são muito admirados e procurados, para além da cor do seu manto ser bastante chamativa. O alcance de um CPA azul uniforme por meios lícitos, sem a recorrência aos exemplares brancos (há muito afastados do Estalão), mostra o saber de quem se dedica à criação da raça e domina os seus segredos. Desejamos bons ventos e melhores auspícios para o cachorro e seus proprietários.

domingo, 22 de maio de 2016

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país obedeceu à seguinte ordem:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Rússia, 4º Reino Unido, 5º Alemanha, 6º Estados Unidos, 7º Angola, 8º Irlanda, 9º Quénia e 10º Cabo Verde. 

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º - OS VÍRUS, OS LOBBIES E AS DOENÇAS TÍPICAS DA RAÇA, editado em 17/05/2016
2º _ HAUS: RESGATADO PARA RESGATAR, editado em 16/05/2016
3º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
4º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/062011
5º _ A LEI DE MURPHY E AS OPÇÕES TÉCNICAS DOS CONDUTORES CANINOS, editado em 15/05/2011
6º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado m 29/08/2013
7º _ OS CÃES DA NICOLE SCHLAEPFER, editado em 30/04/2014
8º _ O MELHOR E O PIOR DO PASTOR SUÍÇO: ANÁLISE MORFOLÓGICA E FUNCIONAL, editado em 21/06/2011
9º _ SERÁ O BOERBOEL UMA BESTA APOCALÍPTICA?, editado em 02/05/2015
10º _ COISAS DA MINHA JOANA!, editado em 16/05/2016

quinta-feira, 19 de maio de 2016

O BLACK E O CANHÃO

O Black é o meu companheiro quotidiano, um camarada que me dá cabo da cabeça e que intenta dominar-me, desafiando-me vezes sem conta e tentando impor-me a sua vontade, apesar de nunca ser bem-sucedido. Rosna-me quando lhe mexo na comida, puxa-me à trela como um desalmado, avança para cima de qualquer cão, tenta abocanhar os gatos, pisa-me o canteiro no jardim, rói-me a mangueira, rouba-me as ferramentas, escapa-se para dentro de casa sem autorização, põe-se atrás da porta de entrada para ladrar aos outros cães e arranha-me a porta. Está a precisar de ser treinado e eu que não conheço nenhum treinador! À parte disto, é extremamente meigo, brincalhão, atento e valente, ainda que pouco concentrado e com o seu quê de suicida, decididamente um espírito livre ou um escravo da selecção que o gerou. Com o tempo quente passa os dias à sombra e à noite deita-se a meu lado, muito embora saiba que não deve fazê-lo por causa do imenso pêlo que larga pela casa fora. E o pior de tudo é que lhe acho graça e aprecio a sua irreverência, educando-o contrariado, fazendo-lhe cara de pau quando me apetece abraçá-lo. Será que os cães não podem ser quem são? Será que não os educamos por conta dos hiatos dos seus criadores? Dá que pensar!
Um dia destes levei-o para a serra e esperava que entrasse em correrias loucas, que nunca mais aparecesse e que me obrigasse a ir à sua procura. Mas não, nunca se afastou de mim e quando deixava de o ver, bastava assobiar-lhe que logo aparecia (não é maluco de todo), desinteressando-se dos viandantes ao seu redor e regressando alegre e desafiador, apesar de não medir os perigos e de ter andado por cima dos telhados de velhas casernas militares desactivadas e degradadas. Acabei por lhe tirar várias fotografias, uma delas junto a uma desusada bateria de costa e não tive que insistir para que ficasse quieto. É realmente uma contradição: na rua encosta-se a mim e em casa resiste à minha liderança. Eu não conheço o seu criador e caso conhecesse teria com ele uma conversa pé-de-orelha, nem que fosse para compreender quais os critérios que seguiu para gerar indivíduos assim. Caros leitores e canicultores, tanto nos Pastores Alemães como em qualquer raça, o primeiro impulso herdado a potenciar é o relativo “ao conhecimento” e não outro! De que me vale um cão que corra muito se não o consigo controlar, para que servirá um cão que morde a torto e a direito? Que resiste à liderança e que sempre incorre na desobediência? Não é o Black que é tonto mas o alienado que o criou! Estou grato a Deus por me ter vindo parar às mãos, porque doutro modo seria irremediavelmente desleixado, catalogado de maluco e perigoso, capaz de ter como certo um fim pouco digno e honroso. Cada um é para o que nasce e eu nasci para ajudar o Black.   

É POR ESTAS E POR OUTRAS QUE EU GOSTO DE PASTORES ALEMÃES

Conheço poucos cães com a capacidade de sacrifício, nobreza de carácter e apego aos donos como o Pastor Alemão, cão que nas condições mais difíceis e em risco de perecer não abandona o seu líder e permanece fiel ao seu lado, um companheiro para os dias bons e maus, um amigo pouco visto e um bicho que quer ser gente. As agências noticiosas norte-americanas têm vindo a divulgar a história da “Freeway Frida”, uma Pastora Alemã que se presume ter seis anos, agora resgatada pela polícia, que foi largada duma pick-up na auto-estrada norte da Califórnia, ficando ali retida durante um mês com uma perna partida, fractura resultante da sua descarga apressada. Depois várias tentativas forçadas, finalmente a cadela foi laçada e resgatada, apresentando pouca resistência por se encontrar fragilizada e com quase 10 kg a menos para o seu tamanho. Neste momento encontra-se a recuperar no VCA Bradshaw Animal Hospital em Elk Grove e será depois operada para tratar da fractura. Pensa-se que conseguiu sobreviver por ter ingerido lixo e ter bebido água da chuva. Facilmente se compreende porque a alcunharam assim: “Frida” por ser de raça alemã e “Freeway” devido ao local onde foi resgatada. Oxalá encontre uma família que a adopte, respeite e ame, porque é uma sobrevivente que merece ser estimada, apreciada e feliz. Caso a Califórnia fosse aqui ao virar da esquina, quem ficava com ela era eu!

quarta-feira, 18 de maio de 2016

OS JAPONESES NÃO BRINCAM EM SERVIÇO E JOJI YAMAGUCHI TAMBÉM NÃO

Durante séculos pensou-se, erradamente segundo provou a história do Séc. XX, que a raça ariana era superior às demais, a única capaz de governar este mundo e que as outras lhe deviam estar sujeitas, razões suficientes para legitimar os impérios agora findos. Debaixo da mesma sobranceria, sofreram os russos estrondosa e humilhante derrota às mãos dos japoneses, aquando da Guerra Russo-Japonesa (1904-1905), o que fez o Império Russo vacilar e transformou o Japão numa grande potência imperial. Todos estamos lembrados do modo como os americanos ganharam a Guerra do Pacífico (1941-1945): lançando duas bombas atómicas, uma sobre Hiroxima e outra sobre Nagasaki. Apesar da derrota e dos custos dessa guerra, o Japão reergue-se e os japoneses encontram-se na vanguarda dos avanços científico-tecnológicos. E quem disso duvidar, basta olhar para a sua indústria automóvel, cujos carros são tão ou mais fiáveis quanto os dos alemães. Quem sabe se o mundo de amanhã virá a ser governado por uma raça asiática, ideia que entre outros assombrou também Napoleão. Quem vier que venha por bem, o ISIS não será certamente!
Joji Yamaguchi saltou para a ribalta por conta dum invento surpreendente que permite visualizar o estado emocional dos cães através de diferentes luzes LED incorporadas num colete, no qual também se encontra incorporado um micro monitor de frequência cardíaca, novidade que torna visíveis as alterações de humor caninas. Quando o colar fica vermelho, o cão encontra-se excitado; quando fica azul, significa que está relaxado; quando fica branco, que está concentrado e quando fica arco-íris, que se encontra feliz. Este invento revolucionário permitirá a qualquer um compreender os estados anímicos do seu cão e as causas ou motivos por detrás das suas alterações de humor, possibilitando em simultâneo compreender imediatamente as suas necessidades e preferências, combatendo o stress e ajudando de sobremaneira quem se preocupa com o bem-estar canino (agora os cães "já podem falar por si"). Até aqui e enquanto este dispositivo não se generalizar, a leitura dos estados emocionais dos cães continua a ser feita pela leitura e interpretação das suas expressões mímicas (linguagem corporal). Estes japoneses são levados da breca!
Não se pode dizer que o invento seja caro, pois custa agora 149.95€. E dizemos custa agora porque se os chineses descobrirem como é feito e como funciona, depressa o imitarão e venderão mais barato como é seu apanágio, restando saber se a sua qualidade será a mesma. Justiça seja feita a Joji Yamaguchi porque através do seu invento tornou possível a empatia imediata entre homens e cães através da visualização dos estados anímicos que os últimos atravessam. O mundo é feito de mudança, está a mudar rapidamente e nisto têm os japoneses uma importante cota-parte. Nem ousamos pensar o que inventarão a seguir!

CESTRUM NOCTURNUM: UMA DAMA PRÓPRIA PARA OS CANIS

Por maior que seja o cuidado com a limpeza e higiene dos canis, acima de 3 cães alojados, dificilmente alguém se livrará do incómodo odor que libertam, particularmente no Verão, em dias de baixa pressão, em locais de cota baixa, normalmente húmidos e pouco arejados. O odor canino tende a impregnar tudo à sua volta, agarrando-se às paredes, móveis, utensílios e roupas das habitações circundantes, para além de se alojar facilmente na nossa pele e de se misturar com a nossa transpiração, ainda que a sua habituação não nos leve a detectá-lo. E quem tem canis nos seus jardins sabe do que estamos a falar, porque mal abre uma porta ou uma janela na sua direcção, logo recebe aquela baforada quente, desagradável e nauseabunda.
Sujeitos durante anos ao mesmo problema, vamos hoje adiantar uma planta para disfarçar ou minorar o odor canino, mais um subsídio a juntar à higiene diária dos cães, à drenagem e secagem dos canis. O nome científico da planta é “Cestrum Nocturnum”, conhecida vulgarmente entre nós por “Dama da Noite” e que é originária da América Central e do Sul, um arbusto que pode ser constituído em barreira, cerca ou latada, que se desenvolve rapidamente à média luz ou sob sol intenso, apesar de ser sensível à geada, largando à noite um perfume agradável, intenso e paradisíaco, que por vezes parece transportar-nos para outras paragens, quando sentados no jardim a beber um gin tónico, um whisky ou uma caipirinha com a família e os amigos, depois de um de trabalho. O perfume vem-lhe das flores que tanto podem ser brancas como amarelas.
Convém dispor somente duas plantas destas por 50m2, porque se plantarmos mais, devido ao seu rápido desenvolvimento, podemos transitar do perfume para o pivete e virmos a ser intoxicados. A Dama da Noite carece de ser podada anualmente, tanto para ser encaminhada como para robustecer os seus troncos, tarefa fitossanitária que deverá acontecer de meados de Outubro até ao início do Inverno, dependendo isso do Outono ser mais ou menos rigoroso. Como a Cestrum Nocturnum é toda ela tóxica (tronco, folhas e flores), convém não a plantar dentro dos canis, portanto na sua área exterior, tendo o cuidado de a proteger da curiosidade e ingestão dos cães. Durante o dia ela tende afastar moscas e mosquitos, só sendo à noite cobiçada por pequenas borboletas nocturnas que não constituem qualquer perigo para os animais.
O preço da planta oscila entre os 15 e os 30€, consoante o seu tamanho e local de compra. Daqui para a frente a maioria dos viveiros já a tem à disposição dos clientes interessados, uma vez que já se encontra em floração. Mesmo para aqueles que têm jardins e não têm cães, a Dama da Noite é uma planta a adquirir, pelo particular do seu perfume, pelo bem-estar que oferece e pela evasão a que convida. Eu tenho uma no meu jardim, entre malmequeres, pelargónios e roseiras e, quando me vou deitar, oiço da rua o comentário consensual: “que bem que aqui cheira”, apesar do meu cão dormir perto dela e não ser por vezes muito asseado.

terça-feira, 17 de maio de 2016

OS VÍRUS, OS LOBBIES E AS DOENÇAS TÍPICAS DA RAÇA

Quando um médico não sabe que doença afecta um paciente logo alvitra tratar-se de um vírus, quando um veterinário não encontra explicação para determinadas afecções de um cão remete-as  imediatamente para o cardápio das doenças típicas da sua raça, explicações que nada satisfazem diante da óbvia relação causa-efeito. Este mundo está sobrecarregado de lobbies, de mentiras inquestionáveis que vitimam homens e cães, que para irem ao médico terão que ter uma saúde dos diabos, porque doutro modo depressa enfermarão. Ao lobby da indústria farmacêutica nos humanos, que chega a destituir governos e a subsidiar campanhas, podemos juntar o da indústria alimentar nos cães, que rapidamente intenta estabelecer parcerias com os veterinários, querendo fazê-los seus comissários a troco de umas migalhas.
Esta semana um proprietário canino pouco letrado e nada informado gabava-se diante doutro por dar ao seu cão a melhor ração do mercado, que segundo ele é à base de salmão, rica em ácidos ómega e do melhor para a saúde do animal. Todos sabemos que a esmagadora maioria do salmão que comemos e que vai para as rações dos animais de companhia é de viveiro e não de mar, que adquire aquela apelativa cor vermelha por via química e não por ingestão de camarão como seria de esperar. Esse cocktail químico, para além ser uma ameaça ambiental por estar a poluir e a envenenar os leitos dos ricos, é altamente cancerígeno. Homens e cães vivem do que comem e diante desta verdade pergunta-se: porque têm os cães actuais menor esperança de vida que os do passado, apesar de auxiliados pelos medicamentos? Serão as alterações climáticas promovidas pelas distintas poluições as únicas responsáveis pelo fenómeno? Não nos parece porque, debaixo dos mesmos condicionalismos, os cães que consomem alimentos frescos vivem por mais tempo. Não é por acaso que alguém apelidou a ração de “Junk food” (comida de lixo)”, não obstante umas serem de melhor qualidade que outras. Sim, o consumo sistemático da ração está a apressar doenças e a encurtar os dias dos cães.
E se o controlo de qualidade dos alimentos destinados aos humanos é por vezes falho e nalguns casos parcial e até inexistente, imagine-se o destinado aos animais, que normalmente comem toda uma catrefa de subprodutos desleixados, nalguns casos verdadeira mixórdia, ainda que por vezes encapotados num rótulo enganoso. Existem doenças típicas de uma ou várias raças? Infelizmente sim, sendo a maior parte delas proveniente da descuidada ou abusiva selecção humana. No entanto, essas doenças congénitas não se manifestam somente numa ração em particular ou quando substituímos uma por outra, ainda que algumas contribuam para o agravamento dos problemas inatos caninos e até lhe arranjem outros. Em termos de alimentação e perante a inevitabilidade da ração segue-se a máxima futebolista que diz: “em equipa que ganha não se mexe!” Ao invés, se determinada ração causa algum problema ou mal-estar aos nossos cães há que desprezá-la imediatamente. Não há nada melhor que a comida fresca, que infelizmente exige conhecimento, dá trabalho, despesa e não dá lucro a ninguém, já que a ração outra coisa não é que um “manjar de combate”, comida de substituição à falta de melhor. Existem boas rações no mercado? Existem, mas nem sempre são as mais conhecidas e badaladas, cujos fabricantes subvertem a sua qualidade e não se escusam à oferta dos mais variados brindes. É mentira, a ração não tem tudo, falta-lhe o essencial - ser fresca!   

segunda-feira, 16 de maio de 2016

COISAS DA MINHA JOANA!

O trabalho da Acendura Brava nos últimos anos não pode ser separado da Joana Melo, porque foi literalmente “pau para toda a obra”, ajudando-me como monitora, figurante e rebocadora de classes. Juntos percorremos quilómetros infindos, montámos uma escola, estruturámos uma matilha funcional e estivemos em vários acampamentos, onde ela exerceu irrepreensivelmente as funções de que foi incumbida. Dedicada, interessada, decidida e valente, nunca rejeitou serviço e deu o melhor de si, qualidades que a elevam dos demais e que sempre mereceram o meu sincero apreço, admiração e gratidão, ao ponto de a considerar mais filha do que aluna pelo tanto que me deu a mim e à Escola. Caso não fosse assim, jamais o “Radar” chegaria onde chegou, porque foi o seu querer que fez dele o Pastor Alemão que é hoje. Orgulho-me de a ter tido como aluna e sinto-me feliz por me ter acompanhado, pelo que suportou e por me ter aturado, sempre solícita e sem queixumes. Obrigado miúda!
Casada e a viver com o marido em Inglaterra, onde se encontra a fazer um mestrado, finalmente vai ser mãe. Agora grávida de 4 meses, tem andado meio enjoada e ao que parece carrega consigo uma menina a quem irá pôr o nome de Alice, notícia que nos deu por email e que divulgamos em primeira mão para os muitos amigos que cá deixou. Perante tamanha e agradável novidade está a família Carreiras de parabéns. Queira Deus que tudo corra bem e que a Alice se desenvolva, nasça e cresça saudável. Força Mamã!

HAUS: RESGATADO PARA RESGATAR

As agências noticiosas norte-americanas têm feito eco do ocorrido com um Pastor Alemão em Tampa/Flórida há três dias atrás, que se interpôs entre uma menina de sete anos e uma cascavel, acabando por lhe salvar a vida apesar de ter sido mordido pela cobra venenosa três vezes (a mais venenosa da América). O Haus, assim se chama o cão, havia sido resgatado de um canil de abrigo há apenas dois meses, o que exalta a sua gratidão pela nova família de adopção. Neste momento luta pela vida e tudo indica que se salvará. Entretanto, ao tomarem conhecimento do feito do Pastor, muitos americanos prontificaram-se a cotizar as despesas do seu tratamento e recuperação, alcançando um montante que ultrapassou os 50 000 dólares. Também por cá existem cães com igual valentia e destemor, companheiros que aguardam ser resgatados das associações que os recolheram. Foi um Pastor, podia ter sido outro cão, com raça ou sem nenhuma em particular, porque a gratidão canina não é mérito só de alguns mas comum a todos os cães. Há sempre um cão que espera por si! Aqui não temos cascavéis mas temos víboras, pelo que aconselhamos os nossos leitores a consultarem o texto “ALERTA VÍBORA: PROCEDIMENTOS ESCOLARES E DOMÉSTICOS”, constante neste Blogue e editado em 28 de Janeiro de 2010.

THE INCREDIBLE !NDIA

A Índia é realmente incrível porque é simultaneamente longínqua e próxima, fácil de compreender e misteriosa, onde a riqueza, a miséria, o ascetismo e a porcaria vivem lado a lado. Terra de homens santos e antro de facínoras, de pompas inigualáveis e de desgraças infindáveis: um retrato do mundo, do que temos e daquele que gostaríamos de alcançar. Apesar de ser um pais que não pára de nos espantar, destaca-se ali a relação harmoniosa entre as gentes e os diferentes animais, tão próxima que por vezes parecem todos “farinha do mesmo” saco, numa desordem ordenada que sendo de gritante paridade, choca os pruridos de muitos ocidentais, quiçá por provir doutros valores culturais e religiosos, doutra visão cósmica, normalmente apelativa à curiosidade e às expectativas juvenis dos que nascem do outro lado do mundo. E já agora, a talhe de foice, falar inglês nalguns recantos daquele subcontinente é atrair sobre si a dita ira presente no “quinto dos infernos” (vá-se lá saber porquê!). Inglês por inglês, mais vale passar-se por ser quem é ou então por norte-americano.
Certa vez alguém me disse, referindo-se à empatia que mantenho com os animais, que se lhe dissessem que me tinham visto montado num hipopótamo acreditaria, o que não deixa de ser um exagero. Já na Índia e entre os indianos tudo é possível devido à coabitação milenar entre humanos e não-humanos, não sendo de estranhar ver gente, civil e militar, montada em toda a sorte de animais (avestruzes, búfalos, vacas, camelos e elefantes), habilidade e conhecimento que nos deixam boquiabertos pela simbiose atemporal que há muito perdemos, que empresta à Índia e aos seus habitantes um colorido único e fascinante a tudo o que fazem, apesar da outrora “Crown Jewel” ser também uma nação de cheiros, de bons e de maus.
Trabalhar no Sul da Índia debaixo dum calor insuportável não é tarefa fácil para ninguém, muito menos para os cães farejadores da Polícia do Estado de Karnataka (Estado que confina a Noroeste com Goa), nomeadamente no Verão e em Bellary, lugar onde as temperaturas são mais elevadas e o calor mais intenso. Sabendo disso, o Departamento de Polícia daquela região dotou os canis de ar condicionado, já que alguns cães sentem-se desconfortáveis e diminuem a sua eficiência em temperaturas iguais ou superiores a 35 graus celsius. Atendendo à mesma razão, também a alimentação destes animais merece cuidados especiais, sendo a sua dieta regular reforçada com alimentos de maior teor nutricional, com glicose e vitamina D, para além doutros aditivos. Sempre têm à sua disposição água fria, os seus repastos são mais líquidos e três vezes ao dia é-lhes distribuído coco para combater a mais que possível desidratação. Como se depreende, as actividades ao ar livre dos cães estão restringidas ao início da manhã e à noite, porque forçá-los a trabalhar noutras horas do dia poder-lhes-ia ser fatal.
É evidente que a maioria dos indianos não usufrui nem usufruirá para breve destas condições (talvez nem os tratadores destes cães as tenham dentro dos seus lares). Com o Verão à porta, agora que a chuva parece ter-se-ido embora de vez, aconselhamos os nossos leitores a manterem grandes quantidades de água fresca à disposição dos seus cães, a alojá-los em locais arejados e afastados do Sol intenso, particularmente os mais débeis, os obesos, os idosos, os de pêlo lanoso ou duplo, os de cores melânicas e os braquicéfalos, animais que na época estival sofrem em demasia com o calor e que mais facilmente entram em colapso. As nossas actividades escolares no Verão sempre privilegiaram os horários matinais e nocturnos, procurando também treinar em matas de maior altitude. Adiantamos para os nossos leitores brasileiros, caso queiram visitar Portugal no Verão, a prepararem-se para o calor, pois aqui ele é mais agressivo e menos húmido que o verificado nos Estados do Centro-Sul brasileiros (chega a ser sufocante). E sobre os cães da índia por agora é tudo.         

domingo, 15 de maio de 2016

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:
1º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
2º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
3º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 19/08/2013
4º _ O CÃO LOBEIRO: UM SILVESTRE ENTRE NÓS, editado 26/10/2009
5º _ MEIA-DÚZIA DE CHECOS, editado em 11/05/2016
6º _ HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE?, editado em 11/05/2016
7º _ O MEU CÃO TOIRO por Sancha Costa Lobo, editado em 10/10/2013
8º _ AZUL? SÓ SE FOR DE PRETO!, editado em 16/04/2015
9º _ ROTTWEILER E SERRA DA ESTRELA (AQUILO QUE OS UNE E SEPARA), editado 07/01/2010
10º _ SERÁ O BOERBOEL UMA BESTA APOCALÍPTICA?, editado em 02/05/2015

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Rússia, 4º Estados Unidos, 5º Alemanha, 6º Ucrânia, 7º República Checa, 8º Angola, 9º Moçambique e 10º Quénia.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE?

Outros antes de nós sonharam em juntar o melhor dos cães do Ocidente com os do Oriente, talvez por isso tivesse surgido na década de 60 o “Wolf-Chow”, um híbrido inicialmente de Wolspitz e Chow-Chow, mais tarde beneficiado com Samoiedo e rebaptizado por “Eurasier”. Um destes exemplares, produto da Sr.ª Charlotte Baldamus, foi parar às mãos de Konrad Lorenz, que o considerou como o melhor cão que houvera conhecido (Babett). O cão mongol, hoje julgado chinês, foi aceite pelos chineses de braços abertos pelas suas características peculiares, sendo por natureza independente, persistente, incorruptível, protector e fiel, mais fácil de sociabilizar com outros animais que com os seus pares, um cão de indómita vontade que acabou a guardar templos e que continua a exigir um dono experiente. Estas características do Chow-Chow fazem as delícias de quem procura ou se dedica aos cães de guarda, porque raramente estão todas presentes nos indivíduos cujas raças se destinam a esse serviço, apesar de ser teimoso que nem um burro, o que por um lado é bom, porque dificilmente alguém o dominará e por outro é mau, porque dá luta e resiste ao controlo dos donos. Sim, ele vale mais do que aparenta.
Amigos de esmiuçar até âmago o potencial de cada raça, para melhor as compreendermos e descobrirmos as suas virtudes, defeitos e mistérios (omissões deliberadas dos criadores), nunca nos interessou vivamente a criação ou procura de híbridos, apesar de permanecermos atentos a toda e qualquer novidade referente à canicultura. Certo dia ofereceram-me um Chow-Chow preto, adulto e de pelo curto, dava pelo nome de “Tuly”, um camarada vistoso, alegre, gracioso e irrequieto, que veio a ocupar uma box num canil repleto de Pastores Alemães, ainda que à noite dormisse em casa. Disseram que havia sido um acidente, depois que havia sido proposital, certo é que ele acabou por cruzar com uma Pastora Alemã preta-afogueada recessiva em negro, nascendo desse enlace dois cachorros (um cor-de-areia e um preto-afogueado) e três cachorras negras. Ficámos com o macho cor-de-areia e depois do desmame oferecemos os restantes a amigos e pessoas conhecidas. O pimpolho recebeu o nome de “Afonso” e mais tarde os títulos de “cão-máquina” e “cão-relógio” devido ao esmero e graciosidade que emprestava ao trabalho e à parceria. Com ele trabalhei em dois filmes e numa série, recebendo de quem nos contratou os mais rasgados elogios e entrando em cena debaixo de um coro de aplausos. Não voltei a ver e a conduzir um cão igual, era de facto uma máquina, possivelmente superior à Babett de Konrad Lorenz, que valia pelo que era e não tanto por aquilo a que se prestava.
Naquele cruzamento juntou-se o melhor dos dois hemisférios: a autonomia presente nos cães orientais e a riqueza de personalidade visível no Pastor Alemão, simbiose que eclodiu no Afonso para nosso contentamento. Todos os cruzamentos entre Chow-Chow e Pastor Alemão darão cães assim? É evidente que não! Bastaria que o pai fosse Pastor e a mãe Chow-Chow, ainda mais quando ambas as raças são dominantes na construção, uma vez que o impulso ao conhecimento presente nos cachorros deve-se mais à mãe que ao pai, transmitindo-lhes o patriarca os impulsos inerentes à dominância (ao alimento, movimento, à luta e ao poder). Qualquer Chow-Chow cruzado com qualquer Pastora Alemã produzirá a mesma excelência? Não, porque ambos carecem de se casar perfeitamente e pertencerem a variedades específicas. Se nos valermos dum Chow-Chow vermelho, cor-de-areia e até preto para cruzarmos uma CPA lobeira sem factor negro será um autêntico desastre, porque à teimosia do cão mongol juntar-se-á a tardia maturidade emocional dos lobeiros responsável pelo seu comportamento silvestre, dotando os cachorros de maior rebeldia e resistência á cumplicidade por mais tempo ou definitivamente.
Também o cruzamento entre um Chow-Chow de pelo comprido com uma CPA de peito estreito, com abatimento de metacarpos e demasiado angulada dos membros traseiros (linha estética) não é recomendável, porque os híbridos que deles nascerão padecerão das mesmas incapacidades e apresentação, para além doutros problemas relacionados com a endogamia de ambos que influirão negativamente na sua biomecânica e desempenho, por serem desaprumados, esgalgados, leves de osso, menos resistentes e propensos a ladrar em demasia. O Chow-Chow recomendado para estes cruzamentos deve ser bem-aprumado, de pelo curto, preto ou dourado, nunca cor-de-areia, porque o factor cinzento está também presente no CPA através dos lobeiros, recriando uma dominância silvestre de pouco ou nenhum préstimo. A CPA a usar para a obtenção deste híbridos deverá ser de linha de trabalho, negra ou recessiva nessa variedade cromática, pormenor que tornará os cachorros mais precoces, curiosos, mais controláveis e menos arredios.
Escrevemos este artigo para aqueles que gostam de comprovar tudo o que ouvem ou para aqueles que querem experimentar a mesma felicidade que nós sentimos. Experimentem cruzar um Chow-Chow negro de pelo curto com uma CPA negra ou recessiva nessa cor e verão se existem cães-máquina ou não! O cão mongol tem muito a dar às várias raças caninas ocidentais em matéria de aptidão e segurança, ainda que pareça um inofensivo e carinhoso ursinho de peluche.