segunda-feira, 24 de julho de 2023

MIGUEL SOUZA: O MOTOCICLISTA DOS CÃES DE RUA

 

O Brasil e os brasileiros são férteis em inventar novas ocupações, a maioria delas por necessidade ou por apelos incontidos, havendo nisto um carácter passional único que é identificativo do brasileiro comum. Na grande cidade de São Paulo existe um motociclista chamado Miguel Pereira de Souza que junto com a sua cadela “Ruby” se tornaram vedetas na comunicação social brasileira por se dedicarem a alimentar os famintos cães de rua de São Paulo.

Há nove anos atrás, Miguel Souza encontrou a cadela Ruby ferida e abandonada debaixo do seu carro e desde então se dedica a valer aos cães carentes. Souza começou o seu serviço e actividade de entrega “Ruby Fofa” a vender guloseimas e comida para cães aos moradores locais, usando os lucros dessas vendas para alimentar os cães de rua. “Eu disse que a partir de hoje toda a vez que eu veja um cão passando fome, eu vou dar-lhe uma porção de ração”, disse ele enxugando as lágrimas.

O seu amor pelos cães já conquistou mais de 150.000 seguidores no TikTok, que acompanham as suas entregas de comida e a situação dos cães de rua. Após as suas postagens, as doações possibilitaram que Souza distribuísse mais de 5 toneladas de alimentos. A cadela Ruby acompanha-o nos giros de mota, usando o seu capacete e mochila. “Eu tinha mais de 700 kg de ração na minha sala”, disse o motociclista que tem o nome de Ruby tatuado no antebraço. “Já doámos mais de cinco toneladas de alimentos.”

A pandemia do COVID-19, que tanta morte e dor trouxe, levou também ao aumento dos cães abandonados, tornando os esforços de Miguel Souza mais cruciais do que nunca. Ao que tudo indica, as suas acções compassivas estão a causar um impacto positivo nas vidas dos cães abandonados de São Paulo, ao distribuir-lhes comida e água, dispensando-lhe tempo e incentivando outros a imitá-lo.

Sem querer desmerecer o trabalho de Souza, que considero válido e inspirador, atendendo ao número de cães abandonados que há em São Paulo, penso que o motociclista já não dá hoje “conta do recado”, que o seu esforço isolado não chega para levar o devido bem-estar a todos os cães carenciados, pelo que muito breve deverá associar-se a outros com a mesma preocupação e  dedicação.

ISTAMBUL ORDENA ESTERILIZAÇÃO DOS CÃES VADIOS

 

O português comum ou não tem nenhuma ou tem uma ideia deturpada da Turquia e dos turcos, quase sempre influenciada pelos seus aliados e parceiros europeus que remonta à época do terrível e ameaçador Império Otomano. E, se para os europeus ocidentais os turcos não são muito apreciados, para os europeus do leste que viveram debaixo do seu jugo chegam a ser odiados. Quando se pergunta aos nossos jovens algo sobre a Turquia, logo alguém se lembra do “fez”, também conhecido por “tarbush”, um pequeno chapéu de feltro ou pano avermelhado que é usado com um turbante (foto abaixo). Contudo, a Turquia é muito mais do que chapéus (chapéus há muitos, seu palerma!”, já dizia o Vasco Santana). Mais de oito vezes maior do que Portugal, a Turquia uma grande nação euro-asiática e geoestratégica, com um PIB per capita bem acima do encontrado nalguns países europeus (inclusivo o nosso), muito embora em termos de direitos humanos fique muito a desejar, o que não impede que haja por lá muita gente preocupada e apostada em defender o bem-estar animal.

O Gabinete do Governador de Istambul enviou uma directiva às autoridades relevantes dos 39 distritos para agilizar a esterilização dos cães vadios no intuito de controlar a sua população, depois que muitos cidadãos manifestaram séria preocupação após alguns incidentes de ataques caninos no país. Na notificação escrita, também enviada ao Município de Istambul, foi enfatizado que a reabilitação dos animais de rua é da competência e responsabilidade das administrações locais (autarquias). “A instrução exige que os cães vadios sejam levados, recolhidos e transportados para centros de reabilitação para esterilização/castração e tratamento, e após um período de observação e confirmação da sua saúde recuperada, deverão ser devolvidos aos seus locais anteriores”, lê-se no comunicado do referido gabinete.

A dita instrução relembrou ainda a Lei de Protecção Animal e o Regulamento de Implementação sobre a Protecção de Animais, afirmando que "os animais sem dono e debilitados devem ser prontamente levados pelas administrações locais para abrigos de animais estabelecidos ou por elas autorizados". Nos últimos anos, a questão do número crescente de animais vadios tornou-se um tema de debate, especialmente devido a alguns incidentes de ataque. Enquanto alguns cidadãos exigem a captura e transferência dos cães vadios para outros lugares, alvitrando preocupações sobre a sua segurança, muitos activistas dos direitos dos animais enfatizaram que tais pedidos violam as leis internacionais sobre animais.

A esterilização dos cães de rua em Istambul é uma óptima notícia para pôr cobro à proliferação destes animais na cidade mais densamente povoada da Turquia (mais de 15 milhões de habitantes) e para quem lá vive e trabalha, porque ao contrário do que sucede na Índia, onde os cães abandonados são na sua maioria de pequeno porte (o que não os impede de matar crianças e adultos), em Istambul prevalece o cão tipo molosso, grande em altura e envergadura, que esfomeado e virado do avesso, não é propriamente “uma pera doce” e sabe como usar bem os seus dentes!

domingo, 23 de julho de 2023

ACEITE UM CACHORRO-QUENTE E ADOPTE UM CÃO

 

Primeiro vou falar sucintamente sobre a cidade de Sainte Augustine (Santo Agostinho em português), cidade norte-americana que é sede condado de St. John, no estado da Flórida e que foi fundada no dia 28 de agosto de 1565 pelo explorador espanhol Pedro Menéndes de Avilés, sendo o primeiro povoado colonial permanente na América do Norte, 33 anos depois da fundação da cidade de São Vicente em São Paulo pelos portugueses.

Em St. Augustine, no 130 N. Stratton Road, existe um abrigo para animais que dá pelo nome de ST. JOHNS COUNTY PET CENTER, que anualmente consegue que sejam adoptados mais de 700 animais de estimação e que ontem realizou o seu “HOT DIGGITY DOG DAY” (Dia do Cachorro-Quente Apetitoso), evento que visa atrair pelo estômago potenciais interessados em adoptar animais domésticos, oferecendo em simultâneo uma oferta especial – um microchip – no meio da temporada de furacões. Os participantes que já tenham animais de estimação e que não tenham microchip, poderão obter um apenas por US $ 10. Se porventura precisarem de um segundo, este será gratuito.

“Centenas de animais de estimação são perdidos a cada ano durante a temporada de furacões”, disse o gerente de operações do controlo de animais do condado de St. Johns, Paul Studivant (na foto seguinte). “Microchipar os seus animais de estimação a um custo reduzido durante o nosso evento aumentará as chances do seu animal de estimação ser-lhe devolvido nos casos de perca ou roubo.” Para o efeito, St. Johns County Pet Center só aceita dinheiro. Além disso, todos os gatos deverão estar numa transportadora e os cães deverão estar à trela. Nenhum animal selvagem ou vadio será aceite. Todos os animais deverão ter quatro meses de idade ou mais.

Não deixa de ser curiosa e extremamente válida esta iniciativa do St. Johns County Pet Center, que longe de se conformar com eventuais subsídios, leva a cabo um conjunto de actividades que visa auxiliar o seu suporte e a adopção dos animais. Iniciativas destas seriam também aqui válidas, não tanto com cachorros-quentes, mas com febras ou sardinhas por ocasião dos santos populares, porque a confraternização leva as pessoas a abraçar projectos comuns.

sexta-feira, 21 de julho de 2023

INSTANTÂNEOS DE UM INÍCIO PROMISSOR

 

O pequeno Ozzy, pequeno no tamanho mas enorme na vontade, como acontece com grande número de Yorkshires, já corre para o treino e todos os dias aprende coisas novas, no que lembra cães bem maiores do que ele e seleccionados para o trabalho. Nos dias ímpares a primazia do seu trabalho vai para a obediência em relação à ginástica e nos pares acontece exactamente o contrário. Ontem foi dia de ginástica e o pimpolho não se atrapalhou. Na foto acima vemo-lo a saltar pela primeira vez um obstáculo tipo alvo elevado 45cm do solo, que ele fez prontamente e em alta velocidade. Esporadicamente foi também convidado para a obediência e deu boa conta de si, já conseguindo executar o tricomando básico quando solicitado pela linguagem verbal e/ou pela gestual (foto abaixo).

São cães como o Ozzy que dão alento aos adestradores para continuarem avante na sua missão de valer aos homens e aos cães. Como o Adestrador não conseguiu ficar insensível ao desempenho do Yorkshire, decidiu fazer com ele um pequeno exercício de ginástica – o salto sobre uma trotineta eléctrica.

A integração do Ozzy e a sociabilização dela resultante devem-se em grande parte ao CPA Bohr, um verdadeiro pai para os cães que chegam. O irrequieto Yorkshire já se identifica com ele e brevemente correrão lado-a-lado. Ontem o Bohr fez-se presente no treino e o Ozzy alegrou-se quando o viu (não demorará muito para que o pequeno Yorkshire pense que é também um pastor).

PIADA PARA O FIM-DE-SEMANA: UMA DONA POUCO INTELIGENTE

 

Dois cães encontram-se num jardim ao final da tarde e um diz para o outro “Tenho a impressão que a minha dona é pouco inteligente, porque já lhe entreguei a bola milhares de vezes e ela continua a deitá-la fora!”

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

 

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:

1º _ HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE, editado em 11/05/2016

2º _ PORCO DA IDADE DO FERRO VERSUS COCKER SPANIEL, editado em 18/07/2023

3º _ LEITOR GATEMALTECO, editado em 17/07/2023

4º _ COMO DEFENDER-SE DO ATAQUE DE UM JAVALI, editado em 19/08/2019

5º _ ACABOU-SE A BALDA NA VILA DE BÉZIERS, editado a 19/07/2023

6º _ TRAPALHADAS A CAMINHO DO MAR DO NORTE, editado em 17/07/2023

7º _ LAIKA: NUNCA NINGUÉM TINHA IDO TÃO LONGE, MAS NÃO VOLTOU PARA CONTAR, editado em 17/07/2023

8º _ YORKSHIRE DEFENESTRADO EM POMPONNE, editado em 20/07/2023

9º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015

10º _ PASTORES ALEMÃES LOBEIROS: O QUE OS TORNA ESPECIAIS, editado em 02/11/2015

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

 

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:

1º Brasil, 2º Portugal, 3º Estados Unidos, 4º Suécia, 5º Alemanha, 6º Suíça, 7º França, 8º Rússia, 9º Angola e 10º Moçambique.

quinta-feira, 20 de julho de 2023

YORKSHIRE DEFENESTRADO EM POMPONNE

 

A malucos e bêbados raramente lhes dá para baterem com a cabeça nas paredes, mas muitos deles não se coíbem de agredir pessoas e animais, sendo os últimos normalmente agredidos por raiva, como vingança ou simplesmente por estarem no sítio e hora errados. A polícia de Seine-et-Marne foi chamada a intervir na localidade francesa de Pomponne na madrugada de ontem, quarta-feira, após ter sido contactada por um cinquentenário, homem que teria, num ataque de raiva, atirado o seu pequeno cão pela janela segundo revelou o jornal regional La Marne. Embriagado na ocasião, o homem de 55 anos alertou a polícia por volta das 03 horas da madrugada. Quando esta chegou ao local deparou-se com o sujeito a transportar ao colo um pequeno Yorkshire com 10 anos de idade. Um vizinho, que também chamou a polícia, disse que ouviu o suspeito a gritar antes de defenestrar o Yorkshire da janela do 1ºandar.

Notoriamente ferido, mormente nos quartos traseiros, o Yorkshire foi entregue a uma associação local que o encaminhou para um veterinário. Lamentavelmente, o pequeno terrier não sobreviveu às suas feridas e sucumbiu algumas horas depois. O suspeito tinha ainda em casa mais dois Yorkshires que acabaram por ser-lhe confiscados e entregues a um abrigo de animais. Uma vizinha que presenciou os factos, disse que os animais ainda não tinham saído à rua. Depois de insultar e agredir a polícia, o cinquentenário foi preso e colocado numa cela de sobriedade (para curar a bebedeira), sob custódia policial, que o Ministério Público de Meaux estender até ao dia de hoje, quinta-feira, dia 20 de Julho. Provavelmente virá a ser processado por actos de crueldade ou de abuso grave a um animal doméstico, crimes puníveis com 3 anos de prisão e uma multa de 45.000 euros, ou ainda com 5 anos de prisão e uma multa de 75.000 euros em caso de morte do animal.

PS. Se tiver dinheiro para arranjar um bom advogado dificilmente será preso e a multa não lhe causará grande rombo nas finanças, mas se precisar de trabalhar para comer, para além da pena de prisão, chorará o montante da multa aplicada e nunca mais ousará perpetrar uma “proeza” igual (o que seria bom). Independentemente do seu estatuto social, o cinquentenário merece ser condenado. Não o será se alguém jurar que é inimputável ou que foi vítima de um ataque de insanidade passageira motivado pela embriaguez. Não deveria o valor das multas ser proporcional à riqueza de cada um para que todos sentissem de igual modo o preço das suas transgressões? 75.000 euros para muitos é uma fortuna e para alguns é quase nada!

NUNCA MAIS APRENDEM!

 

Ontem à tarde, o jornal alemão online BILD surgiu com uma notícia bombástica - “DRAMA AUF DER ELBE – HUNDE STECKTEN IM SLICK – IN LETZTER SEKUNDE GERETTET” (DRAMA NO ELBA – CÃES PRESOS NA LAMA – RESGATADOS NO ÚLTIMO SEGUNDO), onde narra o salvamento de duas cadelas cruzadas que se encontravam atoladas na lama da praia Elba Norte, no distrito de Veddel, em Hamburgo, salvamento que obrigou dois bombeiros ao uso de um barco a remos pneumático.

Os cães avistaram uma nútria (1) e partiram imediatamente no seu encalço. O roedor escapou-se, os cães ficaram presos na lama durante a breve perseguição e a sua desesperada dog walker viu-se obrigada a ligar para os serviços de emergência.

Como a maré estava a subir, as cadelas corriam maior perigo, vindo a ser resgatadas no último momento pelos bombeiros enviados para o local, que as transportaram exaustas para a margem, mas ilesas.

Para que o serviço ficasse completo, servindo-se cuidadosamente de uma bomba de pressão, um diligente bombeiro teve o cuidado de lavar as cadelas com água limpa, libertando-as da lama que lhes ia sendo fatal.

Costuma dizer-se que tudo “está bem quando acaba bem”, acabando as duas desaustinadas cadelas caçadoras por posar diante da viatura de emergência que transportou os seus salvadores, profissionais há muito acostumados àquelas lides.

Contudo, sendo uma estupidez de consequências imprevisíveis e nalguns casos até fatais, não compreendo quais as razões que levam algumas pessoas (não são assim tão poucas) a soltar cães ou a permitir que andem soltos, quando estes não respondem afirmativamente à sua autoridade e controlo, sejam elas alemãs ou não. Andar com os cães à trela pode ser enfadonho para donos e cães, ainda mais agora com o calor que se faz sentir, mas pode salvar a vida aos animais e poupar grandes desgostos aos donos. E quando somos confiados e não cautelosos, estamos ou não estamos a atentar contra o bem-estar dos animais? A cuidadora das cadelas deveria ser objecto de uma pesada multa para se inteirar da sua irresponsabilidade e servir de exemplo a outros tontos como ela – há gente que nunca mais aprende! Dizem que o homem é o único animal que aprende com os seus erros, sê-lo-á quando não embriagado pelas suas paixões. Afinal o aforismo que diz “Perdoa-se o mal que faz pelo bem que sabe”, não se reporta apenas aos portugueses – é universal!

(1)Nútria é um roedor semiaquático e herbívoro, originalmente nativo da América do Sul subtropical e temperada, que foi introduzido pelo homem na América do Norte, na Europa, Ásia e África pela procura da sua pele. Vive em tocas ao longo de cursos de água e alimenta-se dos caules das plantas nos rios. Espécie invasora, é actualmente caçado em algumas regiões por causa dos seus hábitos destrutivos de alimentação e escavação, razões que o colocam em conflito com os humanos. À parte disto, transmite diversas doenças a humanos e animais principalmente através da contaminação da água.

quarta-feira, 19 de julho de 2023

CADA UMA COM UM CÃO À SUA MEDIDA

 

No adestramento clássico, com o cão lado-a-lado com o dono, visando o robustecimento atlético do animal, é de todo conveniente que entre a altura de ambos exista uma diferença mínima de 120cm, podendo aceitar-se 100 (1m) quando os donos são jovens, para que a passada do condutor induza naturalmente, sem esforço, o cão a entrar em marcha, andamento necessário ao bom desenvolvimento muscular do animal e próprio para esforços continuados, robustecendo em simultâneo os seus ritmos vitais, transmitindo-lhe ânimo e aumentando-lhe a disponibilidade global. Quando a diferença mínima entre condutor e cão é inferior a 1m, dizemos estar na presença de “binómios impróprios”, binómios excepcionais que não dispensarão o contributo dos obstáculos para o desejado desenvolvimento atlético dos cães. As duas senhoras acima escolheram o cão certo para a sua altura e envergadura, o que nem sempre acontece. Se porventura tivessem os cães trocados, a Margarida teria que evoluir de patins e o seu cão, o pequeno Yorkshire, deslizaria pelo terreno no embalo típico de um comum praticante de kitsurf. Na aula de ontem, realizada ao fim da tarde e que se prolongou pela noite dentro, os dois binómios foram convidados para trabalhar em conjunto visando a sociabilização dos seus cães e a sua futura inserção no trabalho de grupo.

Assim como todos os condutores sairão da escola a conduzir qualquer tipo de cão, independentemente da sua altura e robustez, a obediência pronta e imediata é requerida a todos os cães, tenham eles 3, 30, 70 ou mais quilos. O Ozzy, o pequeno Yorkshire, acostumado a fazer da dona “gato-sapato”, a mandar lá em casa e a morder quem ouse mexer-lhe na comida, quiçá mal-humorado por conta do calor, não querendo deitar-se, obsequiou o Adestrador com duas dentadas na mão direita, em tudo semelhantes às bicadas de um papagaio. Com muita paciência e algum engenho, sem nunca temer o pequeno Terrier, o Adestrador conseguiu ensinar-lhe o “deita”, tanto através da linguagem verbal como da gestual. Para robustecer a liderança da dona e instituir gradualmente a sua autoridade, convidámos o Yorkshire para um túnel aberto, convite de que a princípio não s agradou, mas que depois aceitou confiante e alegre.

Devido à disparidade de tamanhos e de envergadura, assim como às consequentes diferenças de postura e comportamento, quando os cães são novatos na escola e ainda não se encontram plenamente sociabilizados, há sempre riscos quando se trabalha em simultâneo cães miniatura, normalmente mais nervosos e quezilentos, com cães médio-grandes, porque os pequenotes temem-nos e os grandes suspeitam estar perante alguma variedade inédita de gatos ladradores! Como são todos cães e a inimizade cão-gato não nos faz falta alguma, uma vez tomadas todas as cautelas, que poderão não dispensar a intervenção directa do Adestrador, os cães acabarão por trabalhar em conjunto, iniciando assim o seu processo de familiarização de uns com os outros. Apesar de ser 4 vezes mais alto e pesar 8 vezes mais do que o Ozzy, o CPA Dobby venceu com maior facilidade o circuito de passagens estreitas, o que não pode ser desligado do empenho laboral da sua dona.

Como o calor que se fazia sentir ao final da tarde era demasiado, vimo-nos obrigados a parar o treino entre as 19h40 e às 20h20, ocasião que aproveitámos para refrescar o Ozzy, cuja autonomia em amplitudes térmicas é naturalmente reduzida. O Pastor Alemão não acusou o calor e adorou a refeição de “red fish” que a dona lhe preparou, dieta de verão que os cães muito apreciam.

ACABOU-SE A BALDA NA VILA DE BÉZIERS

 

Já não é novidade nenhuma, porque a medida está a mostrar-se eficaz e por isso mesmo a generalizar-se. Estou a referir-me à introdução de cartões de identificação do genoma canino. A administração da vila francesa de Béziers, situada no departamento de Hérault, na região de Occitanie, cansada dos donos dos cães que não apanham os dejectos dos seus animais, introduziu cartões de identificação genética para cães, porque deste modo os montículos deixados nas calçadas possam ser analisados e atribuídos. A obrigatoriedade destes cartões entrou em vigor esta semana.

Assim, munícipe que saia com o seu cão à rua sem o cartão de identificação genética, incorrerá numa multa de 38 €, sendo a multa de 122 € aplicada a quem não apanhar os excrementos do seu cão, aplicando-se ainda um período de carência de 3 meses. Esta medida irá ser testada durante dois anos.

“Não consigo olhar mais para todas as pilhas de excrementos. Fizemos uma contagem e só no centro da cidade recolhemos mais de 1.000 cocós todos os meses. É obrigatório impor sanções para que as pessoas se comportem adequadamente", disse o prefeito Robert Ménard (foto abaixo) à France Info. Como os testes de saliva são necessários para criar um cartão de identificação genética para os amigos de quatro patas, eles podem ser realizados gratuitamente através de uma oferta da administração municipal e também num veterinário.

Acabou-se a balda em Béziers e aqui já deveria ter acabado há muito tempo, antes que sejamos conhecidos pelos turistas como o “país dos cocós”. Precisamos aqui, urgentemente, de medidas idênticas, porque vivemos nas nossas cidades debaixo de um verdadeiro atentado à saúde pública. Ainda bem que os cães não borram para o ar, porque caso o fizessem, teríamos que andar de chapéu-de-chuva aberto o ano inteiro!

terça-feira, 18 de julho de 2023

ASSIM VAI A CINOTECNIA JAPONESA

 

Parece quase impossível como é o Japão ousou desafiar o gigante americano na II GUERRA MUNDIAL, mas quem conhece os japoneses nada estranha, porque eles são verdadeiramente notáveis naquilo que fazem, ousados para alcançarem aquilo que pretendem e extraordinariamente resilientes quanto ligados a um objectivo maior. Eles não têm só os olhos em bico, eles põem os olhos em bico a todos aqueles que do alto da sua soberba os desdenham! A Prefeitura de Gunma, localizada a noroeste da região de Kantō, na ilha Honshu, está a investir 124 milhões de ienes (873.000 dólares americanos) num projeto para treinar cães que podem farejar problemas de saúde como o cancro em humanos. O governo da província planeia estender o apoio a médicos e cientistas que se dedicam a essas pesquisas durante três anos a partir do ano fiscal de 2023. Embora vários estudos sobre cães de detecção de cancro tenham sido realizados em todo o mundo, as pesquisas nunca foram postas em prática e Gunma pretende ser a primeira a fazê-lo.

De acordo com o governo da província, cães de detecção de doenças, a trabalhar como farejadores de drogas, podem determinar se as pessoas estão doentes com base no cheiro do ar exalado e/ou da urina. A iniciativa na província de Gunma faz parte do esforço do governador Ichita Yamamoto (na foto seguinte) de criar uma “sociedade para viver melhor com animais de estimação”. “Fomos informados (por um painel de especialistas organizado pela prefeitura) que criar um ambiente onde os cães de detecção e outros animais de estimação possam atingir seu potencial, ajudará a promover a nossa simbiose”, disse Yamamoto. A prefeitura está a solicitar propostas de pesquisa de todo o país, querendo especificamente um estudo acerca do modo como os cães conseguem detectar o cancro e outro sobre como encontrar sintomas de COVID-19, doença de Parkinson e outras doenças.

Um máximo de 30 milhões de ienes será entregue para cada projecto. A compra e a alimentação dos cães para a pesquisa serão cobertos pelos recursos do orçamento. As inscrições foram aceites até ao dia 14 de julho. Os pesquisadores estudarão amostras de doenças fornecidas por institutos médicos. A prefeitura espera treinar dois cães da raça Labrador Retriever e outras raças conhecidas pelos seus altos níveis de concentração. Pesquisas sobre esses cães foram realizadas na Finlândia e na Grã-Bretanha. No Japão, a cidade de Kaneyama, na província de Yamagata, financiou um programa semelhante nos anos fiscais de 2017 e 2018.

No ano passado, Yamamoto visitou a Finlândia para observar um teste de verificação de cães farejadores de doenças no aeroporto de Helsínquia, tentando identificar os infectados com o novo coronavírus. “Pessoas e animais de estimação poderão coexistir num sentido muito mais amplo com o programa detector”, disse Yamamoto. “Faremos pleno uso das habilidades dos cães pelo bem da humanidade.” Questionado sobre como pôde o governo local justificar tão elevada quantia, Yamamoto  referiu o estúdio de transmissão Tsulunos dentro do prédio de escritórios da prefeitura e o espaço de trabalho comunitário público-privado Netsugen para empresários: “Estas instalações foram criticadas na época da sua introdução, mas actualmente estão a operar a 100% da capacidade (…) Devemos correr riscos sempre que começamos algo novo.” A cinotecnia japonesa vai bem e recomenda-se – tem um futuro auspicioso!

JOGGER NÃO É LEBRE NEM COBAIA

 

Faz amanhã uma semana que uma menina de 14 anos foi atacada por cães pelas 14h30 (hora local) quando fazia jogging em Windham, cidade suburbana no Condado de Rockingham pertencente ao estado norte-americano de New Hampshire. Membros do Corpo de Bombeiros de Windham foram chamados para socorrer a jovem que tinha sido atacada por dois cães na Blossom Road, perto da Easy Street. Segundo informações, à chegada dos bombeiros, já um transeunte estava no local a tentar afastar aqueles cães da jovem, que apresentava várias dentadas de cão, sangrando no pescoço, peito, braços e mãos. Os cães foram depois fechados pelo seu dono numa carrinha que se encontrava no local, já antes da chegada da equipa de emergência. A menina, cujo nome não foi revelado, foi atendida no local e levada para o Elliot Hospital em Manchester para receber mais cuidados médicos. Os bombeiros confirmaram que a jovem se encontrava a correr naquela área quando o ataque ocorreu. Ao que tudo indica, os cães conseguiram evadir-se do veículo onde se encontravam encarcerados. A polícia de Windham e o oficial do controlo de animais estão a investigar o incidente, não se sabendo ainda se será feita alguma acusação contra o dono dos cães agressores.

Incidentes destes, lamentavelmente, repetem-se com maior assiduidade na época estival, ainda mais agora que não podemos fechar as janelas dos carros devido aos perigos que o calor representa para os cães, que vendo as janelas abertas e alguém a correr por perto, depressa apanham boleia, perseguindo crianças alvoraçadas, corredores e ciclistas, que facilmente tomam por presas e que não hesitam em capturá-los por meios mais ou menos dolosos. Assim como o verão é óptimo para o exercício físico, quando feito nas horas recomendadas, é também uma época áurea, atendendo ao número de pessoas que circulam pelas ruas, para sociabilizar o seu cão, tarefa que deverá iniciar-se com o animal atrelado em abono da segurança de todos. Quando a agressividade indevida de um cão pode resultar na sua morte, sociabilizar é muito mais do que uma mera palavra de ordem! Siga o meu conselho - se ainda não tem o seu cão verdadeiramente sociabilizado, aproveite este verão para fazê-lo!

VORSICHTIG! GIFTKÖDER IN UPGANT-SCHOTT

 

O título acima em alemão pode ser traduzido em português por “CUIDADO! ISCAS VENENOSAS EM UPGANT-SCHOTT”, um aviso que se repete entre os donos do cães, quando algum animal é vítima de uma isca envenenada, sendo esta a frase que se encontra escrita no tronco de árvore da foto abaixo. A polícia local anunciou hoje que na cidade alemã de Upgant-Schott, pertencente ao distrito de Aurich na Baixa Saxónia, na passada sexta-feira, um proprietário canino decidiu ir passear com o seu cão em Meeden, estacionando o seu carro no parque de estacionamento existente entre a Werdener Strasse e a Schottjer Groden. Antes que ele pudesse prender o seu cruzado de Collie com Pastor Alemão, o animal comeu um objecto desconhecido no estacionamento, provavelmente uma isca venenosa.

Nas horas que se seguiram, o estado do cachorro foi-se deteriorando progressivamente, apresentando sinais de envenenamento e vomitando várias vezes, vindo a falecer ontem, segunda-feira. Em função disso, a polícia abriu uma investigação preliminar sobre a violação da Lei do Bem-estar Animal, pedindo em simultâneo a todos os donos de cães que estejam muito atentos nos passeios com os seus animais, aconselhando-os também a contactarem imediatamente um veterinário em caso de suspeita de envenenamento – no verão nem tudo são rosas!

PORCO DA IDADE DO FERRO VERSUS COCKER SPANIEL

 

Pede-se aos donos dos cães, em abono do bem-estar de ambos, que se afastem das matas onde se supõe haver javalis, que neste momento pastam com os seus bácaros, tudo fazendo para os proteger, não hesitando em atacar pessoas, cães e outros animais que se aproximem deles. IRON AGE PIG (Porco da Idade do Ferro (1) ) é o nome dado em língua inglesa para um híbrido entre um javali e um porco doméstico, no intuito de recriar o tipo de porco representado nas obras de arte pré-históricas da Idade do Ferro na Europa antiga. Aviso dado e esclarecimento prestado, vamos à notícia.

Uma Cocker Spaniel chamada Luna foi obrigada a lutar pela sua vida e o seu dono foi ferido, quando foram atacados por um porco da Idade do Ferro durante uma caminhada numa área de reflorestamento. O porco fechou as mandíbulas à volta da Cocker Spaniel e em seguida abriu com os seus dentes afiados um dos joelhos do seu dono, Mark Shadbolt, quando este correu a protegê-la. A barriga da cadela foi rasgada naquele violento ataque (foto abaixo), deixando-a a precisar de tratamento médico-veterinário urgente, ficando o seu dono com um corte feio numa perna. O ataque só terminou quando Shadbolt e a sua esposa Vanessa, de 57 anos, brandiram uma bengala para afastar o porco. Vanessa disse acerca do ataque: “Aquela coisa enorme preta atacou-nos do lado esquerdo (…) A princípio pensei que era um Rottweiler solto e gritei para o Mark (…) Ele (o porco) lançou-se sobre Luna com um barulho que você nunca ouviu na vida e atirou-a para o ar (…) Se tivesse atacado uma criança, ela poderia ter sido morta."

O local do reflorestamento fica numa propriedade perto de Swaffham, Norfolk, e visa criar um "corredor de natureza selvagem". Pouco tempo depois do casal ter entrado na área daquele reflorestamento sinalizado (não deveriam ter entrado nele), eles foram emboscados por um dos porcos da Idade do Ferro presente no local. Durante o ataque, que a Sra. Shadbolt acredita ter sido resultado do desejo da criatura em proteger os seus leitões, o porco agitou-se e canalizou a sua fúria para o Sr. Shadbolt, deixando-o com um ferimento no joelho esquerdo (foto abaixo). A orientação para os passeadores de cães afirma que "o gado é selvagem e tem crias", que os visitantes não devem sair dos caminhos, que devem circular com os seus cães à trela e manter-se à distância dos animais. Mas o possível perigo representado pelos porcos vagando livremente pela propriedade não é mencionado (precisaria a dita senhora, que calculo ser citadina, que lhe fizessem um desenho para melhor compreender a situação?). Vanessa disse ainda: "O ataque durou três ou quatro minutos. Foi absolutamente assustador e não consegui correr naquele momento. Quando fecho os olhos, vejo-a correr na minha direção. Se eu não tivesse aquele bastão, ela rasgar-me-ia em pedaços. A minha principal preocupação é com a segurança de outras pessoas, especialmente com a das crianças (2).

Estranhamente, “há um campo de férias do outro lado da rua e, de alguma forma, a porca ainda poderá vagar por lá livremente." O casal seguiu o conselho e manteve os seus dois cães à trela ao passar pela porca e pelos seus leitões, que estavam escondidos na vegetação "até a cintura". Alec Birkbeck, proprietário da Westacre Estate, disse: “Num mundo ideal, o incidente do ataque da porca não teria acontecido e é extremamente angustiante para todos os envolvidos (…) Agora estamos monitora-la de perto e não vamos deixar de abatê-la caso ela mostre qualquer sinal de agressividade adicional (…) Ela, os seus leitões e os cães não são uma boa mistura, porque os cães são predadores evolutivos”. Após o ataque, a propriedade encerrará a reprodução nas áreas designadas de reflorestamento abertas ao público e "fechará as áreas de acesso público" se a reprodução ocorrer. “Casa roubada, trancas à porta”, não deveria este ilustre cavalheiro tomado atempadamente as devidas precauções ou necessitaria de um incidente para saber o que fazer?  Ainda bem que não se lembrou de colocar ali tigres ou leões!

(1)Os porcos da Idade do Ferro são geralmente criados só na Europa, onde já levam 50 anos de criação, e são criados principalmente para o mercado de carnes especiais. Porque o seu sabor é distinto do encontrado na carne do javali. Estes animais têm um crescimento mais lento do que o verificado nas outras raças mais modernas, tendem a ser magros e pernaltas e podem levar até 18 meses para atingir um peso ideal para o mercado. Com os seus genes selvagens, eles são muito tenazes e são-no ainda mais do que outras raças, são conhecidos por se porem constantemente em fuga, são bastante peludos e talvez por causa disso não gostem tanto de chuva e mesmo de chafurdar, muito embora adorem uma boa sessão de banhos de sol, sendo por norma uma raça de porcos resistente e capaz de viver ao ar livre o ano inteiro. (2) Atendendo à possível presença de crianças, analfabetos, estrangeiros e gente urbana desinformada, deveria existir em todas as placas de aviso de animais selvagens um desenho elucidativo da espécie em questão e dos possíveis perigos que poderá representar para as pessoas.

segunda-feira, 17 de julho de 2023

PORQUE NÃO SE ARRISCOU A MORRER SOZINHO?

 

Um australiano de 51 anos de idade, Tim Shaddock, a bordo do seu catamarã, decidiu atravessar o Pacífico desde a cidade mexicana de La Paz até à Polinésia Francesa em Abril passado, numa extensão de 6.000 quilómetros. Mas não se arriscou a morrer sozinho – levou a sua cadela consigo – animal que dá pelo nome de Bela (se calhar não encontrou outro aventureiro ou maluco disposto a acompanhá-lo). Mas passado pouco tempo depois da partida, o catamarã foi seriamente danificado devido à força do mar, que o deixou à deriva e sem instrumentos electrónicos de navegação. Australiano e cadela conseguiram sobreviver nessas condições durante dois meses no Pacífico, a beber água da chuva e a comer peixe cru todos os dias.

Numa operação espectacular de resgate, a lembrar o filme norte-americano “Cast Away” de Tom Hanks, Shaddock e Bela foram finalmente resgatados do mar por uma traineira de atum mexicana, com o Australiano de barba desgrenhada e significativamente mais magro, mas no seu perfeito juízo, conforme adiantou o canal de televisão australiano 9News. Como entendo que a vida é o melhor dos bens, os cães não deverão ser condenados à morte na mesma hora em que os seus donos morrem, pelo que não posso estar, de maneira nenhuma, de acordo a opção do australiano em levar a sua cadela consigo naquela viagem de alto risco, como se veio a verificar. Por sorte escaparam. Seria Shaddock um lobo solitário, ao ponto da cadela ser o seu ente querido mais próximo? Os seus bens resumir-se-iam ao catamarã? O que teria levado este homem a tamanha aventura sem qualquer tipo de apoio logístico? Não creio que tenha sido este o caso, mas um cão nunca tem como saber se vai parar às mãos de um idiota ou não! Continuam a faltar por toda a parte as certificações psicológicas que garantiriam aos donos a possibilidade de virem a ter cães.