terça-feira, 18 de outubro de 2022

CINOTECNIA: ACABAR COM OS “CASAMENTOS COMBINADOS”

 

Se entendermos a cinotecnia como um ramo especializado dentro da zootecnia focado em cães, que promove a sua selecção genética, o seu manejo assertivo, o estudo do seu comportamento e o seu treino para as mais variadas tarefas específicas, quer elas sejam de âmbito civil, policial ou militar, facilmente compreendemos quão importante é o “casamento perfeito” entre o cão e o seu mestre, condutor ou dono, visando o melhor aproveitamento do animal, o entendimento recíproco, a unidade de propósitos e a felicidade mútua. De uma forma ou de outra, a união entre o cão e o dono sempre acaba por ser um “casamento combinado”, porque o animal é escolhido pelo dono a despeito da sua própria escolha, já que naturalmente aconteceria o contrário – seria o cão a escolher o seu dono. “Casamentos” deste tipo nem sempre resultam, acabando transportados para o adestramento na procura de soluções, subsidiando e fortalecendo o treino canino a sua unidade pela constituição binomial que procura a cumplicidade, prática feliz que tudo suporta e tudo vence. Assim, pelo modo como opera, o adestramento é “um salvador de casamentos”, adequando donos e cães para a união desejável, que a uns traz alegria e aos outros bem-estar, fusão de sentimentos que germina, cresce e floresce pelas tarefas divididas ao longo do tempo – dono e cão revelam-se um ao outro, deixam de ter segredos entre si!

Para se evitar o desgaste, o desânimo, a perca da paciência, também o stresse, a tensão e a infelicidade causados aos animais pelos desentendimentos iniciais, o melhor que há a fazer é procurar alguém para nos ajudar na escolha do cachorro, alguém que pelo seu saber e experiência seja hábil a identificar pessoas e animais ao ponto de melhor os unir, pois não basta entregar um bom cão a qualquer um ou desconsiderar outrem ao entregar-lhe um sério rival ou um cão sem préstimo. A escolha de uma linha de criação canina, investimento que dificilmente será ressarcido, deverá considerar, para além de outros predicados, os seus destinatários, tendo em vista suavizar a adopção dos animais e trazer a felicidade aos seus futuros donos. Pelo que acabei de dizer, escolher cães é ir ao encontro dos cães e preencher as expectativas dos donos, saber que não está ao alcance dos novatos, dos vendedores da banha da cobra e daqueles que se deixam enganar pelas suas próprias mentiras, enveredar pela ignorância e seduzir pela ganância, já que vender cães é fazer bem às pessoas!

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

DE GATAS OU COM OS CÃES AO COLO, O CAMINHO É PARA FRENTE!

 

Os nossos trabalhos de anteontem, sábado, foram muitos, exigentes e variados, ao mesmo tempo oportunos e alegres, exigindo dos binómios uma entrega total face aos desafios que lhes foram colocados. E porque havia necessidade disso diante dos novos binómios, voltámos mais uma vez às escadas. Na foto acima vemos a prestação do binómio Fernanda/Óscar com a dona de gatas e o Podengo alvo a admirar a paisagem lá no alto. No mesmo trabalho, na foto seguinte, vemos o desempenho do binómio Gonçalo/Olívia, onde o condutor se viu obrigado a levar ao colo a sua Pastora Alemã de linha estética.

Não sei porque carga de água a Joana se sentou nas escadas como se estivesse a admirar o panorama. Estou em crer que temeu desequilibrar-se e com isso projectar o CPA Marquês para o solo, cachorro que venceu o obstáculo naturalmente como seria de esperar.

Os trabalhos iniciaram-se sobre pequenos muros de topo irregular para melhorar a acuidade visual dos cães e o seu controlo por parte dos donos, enquanto líderes e gestores do seu esforço. Na foto abaixo vemos o desempenho alegre da Fernanda e do Óscar, com o cão “pendurado à esquerda” e a dona amorosamente a sorrir, sem nada dizer perante o despropósito do Podendo (safou-se a foto).

Em dia grande esteve o binómio Yasmine/Ouki, com o cão a ultrapassar todos os obstáculos colocados a sua frente, evolução que me deixou espantado e que muito aplaudi, uma vez que o Akita resistia tradicionalmente a todo e qualquer exercício de ginástica. Face à extraordinária evolução, há que felicitar a Yasmine pela sua persistência e pelo amor que dedicou ao seu cão.

Quando temos por objectivo preparar os cães para saltos verticais e túneis, valemo-nos dos comuns bancos de jardim que facultam passagens por baixo e por cima, desde que a distância entre o solo e o assento não seja demasiado curta. Na foto que se segue, uma vitória para o binómio, vemos o Gonçalo a saltar com a Olívia, progresso que foi muito saudado.

No mesmo banco, mas agora a passar por baixo dele, vemos a pronta prestação do binómio Yasmine/Ouki, que no sábado este em dia grande, contrastando com muitos dias de insucesso e resistência do Akita Inu japonês.

Depois do salto simples sobre o banco, visando a sociabilização dos nossos cães e o robustecimento do seu carácter, mandei nele deitar um dos condutores, novidade que em nada atrapalhou o desempenho do Ouki, que saltou o banco como se ele estivesse vazio.

Em igual momento captámos a performance do Óscar, cão alegre, perfeito de biomecânica, com predilecção pelos obstáculos e altamente competitivo, que quando embala solicita um par de asas à sua condutora, levando-a desempenhos inesperados, o que a ajuda a manter em forma e a alcançar novas experiências.

O Akita Ouki não esteve só bem a saltar, mas também a rastejar e fê-lo naturalmente e com alegria, prestação que só enaltece quem nunca desistiu dele, mesmo quando saía das aulas sem nada ou quase nada ter vencido.

Com a preparação e o aquecimento feitos, convidei os binómios para vencerem um túnel bastante apertado, com cerca de 4 m de comprido, sobre uma linha de água. Na foto abaixo vemos o Adestrador a chamar o seu cão à saída do Túnel.

No mesmo obstáculo, apesar do esforço patenteado, o CPA Marquês teve um excelente desempenho, pelo que poderá vir a ser chamado de “papa-túneis”. E porque estamos a falar de um cachorro, a Joana foi exortada para ser mais carinhosa com ele, coisa que a técnica não ensina mas que dá excelentes resultados.

No GIF seguinte, para se ter uma ideia aproximada do túnel que foi vencido por todos os binómios presentes, vemos uma das prestações do binómio Joana/Marquês, onde na saída do obstáculo se pode ver o desinteresse do cão pela dona, com ela a chamá-lo e e ele a seguir em frente (o recurso à recompensa tende a vencer o problema).

Perante a incapacidade da Fernanda em fazê-lo, o André, que se fartou de trabalhar, levou o voluntarioso e espectacular Óscar a saltar a vala de água. Como o salto do Podengo foi tão folgado, poderiam juntar-se àquela vala de água outras duas.

E porque importava dar continuidade à evolução sobre passagens estreitas, todos os binómios foram convidados a fazê-lo com os cães debaixo do comando de “à frente”. Na foto seguinte é possível observar a CPA Olívia a fazê-lo sob o comando do Gonçalo.

Também o cão do Adestrador foi convidado para aquela passagem estreita, vencendo-a debaixo da orientação do André, que foi no sábado um verdadeiro bombeiro de serviço, desenvolvendo os trabalhos que lhe foram distribuídos com acerto.

Já noutro local e na procura de maior concentração por parte dos cães, convidámo-los para exercícios de concentração e perícia sobre pequenos círculos desenfiados. Na foto seguinte vemos o binómio Yasmine/Ouki num desses exercícios, onde mais uma vez o cão japonês brilhou.

Inesperadamente, o primeiro cão a evoluir em marcha sobre os círculos desenfiados foi o Ouki, não se distraindo com os numerosos círculos à sua frente e evoluindo decidido e seguro, desempenho que mereceu do Adestrador múltiplos elogios.

Apesar de ser muito efusivo e de andar sempre a perscrutar a toda a hora e por todo o lado, o Podengo Óscar surpreendeu-nos ao vencer os círculos a galope, acerto que para a maioria dos cães não acontece sem o contributo prévio do condicionamento.

Após isto, os cães foram convidados para ultrapassar um pequeno Exel de projecção negativa em mármore, obstáculo enganador pela sua morfologia e reduzida altura. Não obstante, o binómio Joana/Marquês venceu-o correctamente e em segurança.

No sábado o CPA Bohr deu o mote em todos os exercícios e executou-os com muita classe. Exemplo disso foi o elevado salto de fisga que executou sobre uma árvore, momento que o GIF seguinte testemunhou.

O Marquês esteve igualmente bem no salto para a cadeira, obstáculo vertical elevado a 110cm, de duplo uso e de projecção negativa, salto que é próprio para cães de maior traquejo e que este cachorro CPA conseguiu executar quase automaticamente.

Confiante nas vitórias alcançadas, o mesmo Marquês venceu um salto em extensão sobre um arbusto com 80 cm de altura e 150 de extensão, o que é um grande feito para um juvenil e para quem leva tão pouco tempo de treino.

Porque tínhamos alunos novos, aproveitámos o primeiro momento de supercompensação para convivermos à mesa de um café. Feitas as apresentações e com o comportamento dos cães aprovado, a escola retomou os seus trabalhos.

Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: André/Paco; Fernanda/Óscar; Gonçalo/Olívia; Joana/Marquês; João/Paco; Paulo/Bohr; Yasmine/Ouki. A reportagem fotográfica teve a mesma autoria e o André também para ela contribuiu; o aproveitamento escolar foi excelente e o sol não deixou de aquecer-nos. Um excelente dia de Outono que se revelou um proveitoso dia de trabalho.

domingo, 16 de outubro de 2022

SOCIABILIZAÇÃO E MAIOR CONTROLO

 

Há dois dias atrás o País foi surpreendido por uma notícia inesperada: As forças policiais já registaram este ano 1300 ataques caninos, sendo 42 deles contra humanos, valores demasiado altos para a população canina que temos e que denunciam o despreparo de alguns donos e o pouco cuidado que dispensam os seus cães, factores que induzem ao desprezo pela sociabilização dos animais e à dispensa do seu controlo. A grosso modo, são três as causas por detrás destes ataques: 1 _ A falsa ideia de que todos entendemos de cães; 2 _ A impropriedade dos seus donos e 3 _ O desinteresse generalizado pelas escolas caninas.

Os valores atrás adiantados são um aviso claro para as escolas caninas, que ao invés de andarem a brincar aos polícias e aos ladrões, deverão enfatizar a sociabilização canina como uma das suas principais metas para obter o controlo dos cães, sem o qual nem a boa ordem dos trabalhos escolares poderá ser mantida. Aos adeptos das guerrilhas urbanas e aos viciados em dar caça a pretensos ladrões, caso não saibam ou não se lembrem, temos a polícia para nos proteger e a guerra acontece na Ucrânia, a 3 310,65 km por via aérea e a 4 100 km por via terrestre! Por outro lado, a totalidade destes ataques aponta para a urgência de uma habilitação própria para se ter um ou mais cães, já que a maioria dos nossos proprietários caninos é mais cardíaca do que conhecedora no que concerne ao bem-estar, instalação doméstica, cuidados a haver, higiene, liderança, controlo e coabitação social dos animais. O aumento exorbitante de cães nas cidades, para além de um problema ambiental, é um problema mais lato que diariamente coloca em risco pessoas, animais e ecossistemas, ecossistemas que uma vez destruídos, estão a levar à extinção de algumas espécies. Os cães expandiram-se de um dia para o outro e antes que tivéssemos leis para regulamentar a sua posse – hoje corremos atrás do prejuízo!

sábado, 15 de outubro de 2022

SEXTA-FEIRA NIPÓNICA

 

Ontem, sexta-feira 15 de outubro, no que aos visitantes deste blogue diz respeito, tivemos 20 do Japão, número que constitui um verdadeiro recorde diário de visitantes nipónicos. A nação do sol nascente fornece-nos leitores habituais, alguns deles desde o início desta publicação. Desejamos ter mais leitores e amigos japoneses e damos as boas vindas aos que agora nos visitaram. Simultaneamente desejamos paz para todos os japoneses e para o Japão, agora seriamente ameaçado e provocado por Kim Jong-un, ditador dinástico da Coreia do Norte.

sexta-feira, 14 de outubro de 2022

OBEDIÊNCIA E MANOBRAS DE CARROSSEL

 

Os nossos trabalhos de ontem assentaram sobre a obediência e as manobras de carrossel, passando pelos comandos básicos de imobilização e pela evolução por esquadras nas suas diversas frentes. Na foto acima vemos a execução do “quieto” em “frente por 1” a partir do “senta”. Na foto seguinte vemos a evolução da classe escolar na mesma frente com o binómio Gonçalo/Olívia a Fila-guia.

Com o grupo escolar “em frente por 2” podemos observar o excessivo comprimento de trela que o Gonçalo está dar à CPA Olívia, mau-hábito e despropósito que tem obstado ao melhor desempenho da cadela na ginástica, que se vê muitas vezes entregue a si própria. Em simultâneo podemos ainda observar o Pedro a gesticular com a Luna, mímica abusiva que levou a Pastora Alemã a levar o nariz ao chão.

Na foto abaixo, com a escola em “frente por 3”, podemos ver ao meio da segunda fila a Fernanda com o Óscar, amigos que fizeram gazeta à escola durante 4 dias, mas que não esqueceram aquilo que tinham aprendido. Quase imperceptivelmente, vale a pena admirar o esforço da Yasmine a tentar sincronizar a sua passada com a do Akita Ouki.

Na actual classe escolar sobressai uma grande disparidade entre a altura dos condutores, alguns com pouco mais de um metro e meio e outros a rasar os 2 metros, fenómeno que é mais visível quando a escola desfila “em 1 fileira”, conforme se pode ver na foto abaixo. Ainda que esteticamente não seja muito bonito, a isso obriga o escalonamento escolar que é feito a partir dos cães e não dos donos, caso contrário alinharia os condutores por alturas, alteração só possível quando todos os binómios de uma esquadra tiverem idêntica prestação.

No GIF que se segue vemos o desempenho da esquadra em instrução a cruzar-se entre si, uma das formações básicas do carrossel escolar que foi ontem praticada com êxito, apesar de 2/3 dos binómios serem estreantes. O sucesso da formação veio da sociabilização dos cães e do respeito dos condutores pelos alinhamentos.

Participaram nos trabalhos de ontem os seguintes binómios: Carlo/Tsuki; Clarinda/Keila; Fernanda/Óscar; Gonçalo/Olívia; Paulo/Bohr; Pedro Rodrigues/Luna e Yasmine/Ouki. A tarde esteve amena, o Plano de Aula foi cumprido e a reportagem fotográfica pertenceu aos mesmos, não havendo por isso mesmo nada mais a mencionar.

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

 

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:

1º _ PIT BULL: SOMA E SEGUE, editado em 07/10/2022

2º _ O MEU CÃO NÃO FAZ MAL A NINGUÉM!, editado em 05/10/2022

3º _ MANOBRAS DE EVASÃO: PROPÓSITO, ENSINO E APLICAÇÃO, editado em 04/10/2022

4º _ TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS, editado em 07/10/2022

5º _ ESTRANHA VALSA DE UMA POLACA BÊBADA, editado em 27/09/2022

6º _ FOIRE DES BENÉDICTIONS DANS L’ÉGLISE DE SAINTE-CATHERINE, editado em 11/10/2022

7º _ RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS, editado em 07/10/2022

8º _ INSTINTO SUICÍDA, editado em 05/10/2022

9º _ NAS PASSAGENS PARA PEÕES TODO O CUIDADO É POUCO!, editado em 30/09/2022

10º _ RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS, editado em 30/09/2022

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

 

1º França, 2º Portugal, 3º Canadá, 4º Brasil, 5º Países Baixos, 6º Estados Unidos, 7º Alemanha, 8º Suécia, 9º Rússia e 10º Espanha.

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

O ZORRO MORREU!

 

Morreu hoje com 13 anos e 9 meses, o CPA Zorro, um dos cães de excepção que produzi e que muito estimava, o que foi para mim um choque e uma perda irreparável porque não há muitos cães assim. Emocionado, não sei o que dizer agora. Quem me deu a notícia da sua morte foi o dono e com ela a seguinte mensagem: “Boa tarde Sr. João Garrido, Junto texto que acabei de enviar a todos os meus amigos. Quero agradecer-lhe o trabalho que dedicou ao Zorro durante os seus primeiros anos de vida. Todos os ensinamentos que a sua escola transmitiu ajudaram a moldar o Zorro num cão absolutamente fabuloso. Felicidades e continuação do bom trabalho. Melhores Cumprimentos. António da Cunha. ‘Caros Amigos, Quem me dera que o meu grande amigo Zorro pudesse viver para sempre. Não foi o caso ele partiu hoje. Perdi um grande amigo, um amigo que jamais esquecerei, um amigo que sem falar me dizia muito. Só quem já teve um cão sabe o quanto eles nos cativam, nos envolvem e nos fascinam e com o tempo acabam por se tornarem membros integrais e essenciais da nossa família. O tempo vai ajudar a lidar melhor com a perda, porém a saudade permanecerá. Infelizmente a vida do Zorro foi curta (13 anos e 9 meses), sua lealdade e seu amor incondicional foram um exemplo que eu e minha família guardaremos para sempre. Nossa jornada juntos foi curta, mas esses foram dos melhores anos das nossas vidas. O nosso Zorro foi amado até ao último suspiro. Descansa em paz grande companheiro.” Depois desta mensagem resta-me associar à dor porque não há dois cães iguais!

A VIDA DESTE CÃO DAVA UM BOM THRILLER!

 

Não há só pessoas cuja vida daria um excelente thriller, pois há por cá muitas vidas caninas que dariam excelentes novelas ou filmes de acção, como é o caso do mestiço de Setter Inglês “WOODSTOCK”, agora com 5 anos e a viver no município de Sollenau, pertencente ao distrito de Wiener Neustadt-Land, no estado da Baixa Áustria. Este SRD (na foto seguinte) foi encontrado há três anos atrás na Eslováquia com várias vértebras partidas. Apesar do resgate que lhe salvou a vida, ele nunca mais conseguiu mover as suas patas traseiras. Enviado para a Áustria através de uma organização de bem-estar animal, viria mais tarde a ser adoptado e a encontrar um novo lar junto de Marco Poiß, um homem de 25 anos, com quem vivido feliz com a ajuda de uma cadeira de rodas especial. Tudo corria bem até que um dia desapareceu do jardim, sem deixar rasto num período de 5 minutos.

Uma grande operação de busca foi montada, na qual também participou o reputado esquadrão canino de busca “SPÜRNASEN”. Como os cães perderam o seu rasto num parque de estacionamento próximo, não deixou dúvidas a ninguém que havia sido roubado. Marcus Poiß, o seu dono, nunca descartou a hipótese do sequestrador ter sido alguém da região. Passaram-se algumas horas até que o “Woody” foi encontrado perto de uma floresta “sujo e a tremer por todo o lado”, conforme adiantou o seu dono, que se mostra tremendamente feliz por tê-lo de volta, são e salvo. Porém, Poiß não está totalmente satisfeito por não saber quem lhe roubou o cão, o que não o impediu de apresentar uma queixa contra desconhecidos e de pôr a polícia em campo. Não se sabe quem sequestrou o Woody, seria algum bêbado ou algum alienado? O que importa é que já está em casa e o que se deseja é que não volte a ser sequestrado, pois não merece ser mais uma vez atribulado.

PS: Estou em crer que o seu dono, depois do sucedido, irá ter o dobro do cuidado com ele.

COMO AGIRIA VOCÊ?

 

No passado domingo, dia 09 de outubro, na cidade francesa de Troyes, a 160 km de Paris, quando passeava com o seu Weimaraner, um homem viu avançar para eles um Staffordshire que se encontrava solto e sem açaime. Perante a investida do molosso, para tentar proteger o Weimaraner, o dono pegou-o ao colo, acabando ambos feridos. O cão teve que ser suturado e o seu dono, que ficou gravemente ferido, foi operado a uma mão, vindo a necessitar ainda de outra intervenção cirúrgica. Em função do ocorrido, o dono do Weimaraner apresentou queixa contra desconhecidos. Como agiria você numa situação destas, ao ver um cão perigoso a avançar para cima de si e do seu cão?

1 _ Agiria como o cavalheiro francês e agarraria o seu cão ao colo? 2 _ Manteria o seu cão atrelado no solo? 3 _ Com o seu cão atrelado colocar-se-ia entre ele e o cão agressor? 4 _ Soltaria o seu cão e fugiam os dois? 5 _ Permaneceria quieto e gritaria para que o cão agressor se afastasse? 6 _ Deitar-se-ia no chão e encobriria o seu cão? 7 _ Soltava simplesmente o seu cão? 8 _ Soltaria o seu cão para que ele melhor se pudesse defender (para evitar males piores) e correria em seu auxílio? 9 _ Soltaria o seu cão e ambos fariam frente ao cão agressor, escorraçando-o? Qual destas opções melhor serviria a sua salvaguarda e a do seu cão?

A opção nº 1 acaba por não proteger nem o dono nem o cão; a nº 2 não pouparia o seu cão e podia lançá-lo a si no chão; a nº 3 impediria a melhor defesa do seu cão e não evitaria que ele fosse atacado; a nº 4 é a opção menos recomendável porque o seu cão acabaria morto ou às portas da morte, muito embora você pudesse escapar ileso, isto se o cão agressor apenas se interessasse pelo seu cão, o que é mais acontecer; a nº 5, a opção pela interrupção da marcha, reduziria o ímpeto do cão agressor, mas a gritaria estimulá-lo-ia; a nº 6 só é possível se o seu cão for pequeno e você for capaz de suportar a dor de umas quantas dentadas; a nº 7 é uma roleta russa e uma opção cobarde do tipo “morrer por morrer, que morra o meu pai que é mais velho!”; a nº 8 é uma opção razoável e ao alcance de mais gente, mas nem sempre eficaz, porque os cães podem correr para longe e o seu auxílio chegar atrasado; a opção nº 9 é a opção mais eficaz para a protecção do binómio, para quem o ataque é melhor defesa numa situação excepcional destas. É evidente que aqui o homem e cão devem ser um, fenómeno advindo da unidade binomial que foi forjada na cumplicidade e endurecida na experiência comum. Não obstante, sem maiores delongas e naturalmente, há cães que partem automaticamente para a defesa dos seus donos, mesmos antes que estes lhes peçam ajuda.

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

BEBÉS E CÃES DE NATUREZA ANTI-SOCIAL

 

Os leitores deste blogue provavelmente já se aperceberam que resisto veementemente a comentar notícias nacionais por serem pouco rigorosas e isentas, sendo ao invés panfletárias e sensacionalistas, o que as torna dignas de pouco crédito e de sofrível interesse. Todavia, lamentavelmente, ontem, terça-feira, dia 11 de outubro, conforme noticiaram os media portugueses, no lugar de Casais Novos, na freguesia do Carregado e Concelho de Alenquer, um menino com 1 mês de idade foi morto acidentalmente por um Pastor Belga Malinois que pertencia à sua família. Não comento o ocorrido porque ainda há investigações em curso, mas continuo sem compreender a opção daqueles que levam para dentro dos seus lares cães de natureza anti-social quando pretendem vir a ser pais, animais instáveis, subversivos, reactivos, altamente territoriais e predispostos para a agressão, como é o caso da maioria dos Malinois, cães que não se compadecem de descuidos e que por si mesmos são capazes de “arranjar o que fazer”, exigindo por isso mesmo uma liderança inequívoca de difícil transição.

Sem fugir à verdade, dir-me-ão alguns que o Malinois não está listado como cão perigoso, o que contudo não esconde o propósito da sua criação e os seus destinatários, considerando o elevado número de cães desta raça recrutados para os mais variados exércitos e os que anualmente são alistados nas distintas forças da ordem. Sim, o Malinois é uma arma formidável, muito embora menos segura que as convencionais por ter vontade própria e ceder por vezes às suas inclinações ou apelos incontidos (instintos). Disparar um Malinois é automático e muito fácil, mais difícil é suspender o seu fogo, porque tende a ficar engatilhado. Será responsável ter uma ou mais crianças debaixo da mira de um cão destes? Eu digo que não! Poucos me dão razão, e até que todos se convençam, mais bebés perecerão – infelizmente.

terça-feira, 11 de outubro de 2022

NOVO BINÓMIO

Deu hoje entrada nas nossas fileiras um novo binómio, o constituído pelo Gonçalo e pela Olívia. O Gonçalo foi pai há poucos dias de um menino chamado Lourenço que se encontra bem. Como pai cabe-lhe adequar a sua cadela ao membro da família recém-chegado. A Olívia é uma CPA preto-afogueada de linha estética, bem aprumada e com 3 anos de idade, um animal de família que tem de aprender a respeitar o bebé, os seus pertences e espaço. Apostados em tudo fazer para que haja harmonia no seu lar, desejamos ao Gonçalo e a Olívia franco progresso no adestramento; à mãe do bebé endereçamos votos de rápida recuperação e ao Lourenço muita saúde pela vida fora.

TOLICE E DESESPERO

 

Um berlinense com 30 anos de idade, Alexander Renaldy, designer de profissão, na última sexta-feira, dia 07 de outubro, foi ao supermercado NETTO na Wolframstrasse de Tempelhof, deixando amarrado à porta deste o seu pequeno SRD David, um cãozinho cinzento e preto com 5 anos de idade, que é para ele também um cão de terapia. Ao sair do supermercado, para grande surpresa sua, reparou que o seu cão havia desaparecido, que alguém o havia sequestrado. Aflito e querendo recuperar o seu cão, Renaldy contactou a polícia, o serviço de animais “SAVINGSOUL”, distribuiu cartazes e colocou avisos, mas até ao momento sem qualquer êxito. “Por vezes ouço-o ladrar”, diz o dono desapontado, para quem o pequeno David é mais do que um mero animal de estimação, uma vez que lhe tem valido em tempos difíceis, funcionando como cão de terapia. “Eu só quero saber onde ele está”, recriminando-se em seguida por ter deixado o pequeno cão sozinho na frente daquele supermercado. ”Quero avisar todos os donos de cães para nunca fazerem o mesmo”, certo de que alguém lhe furtou o cão.

O acto impensado deste dono, próprio de quem recorre invariavelmente ao improviso e tem pouca experiência, leva-me mais uma vez a exclamar: “para se ser cão é preciso sorte, muita sorte!” Nos tempos que correm, em que se oferecem quantias astronómicas por pequenos cães graças à superioridade da procura sobre a oferta, deixar um cão sozinho em qualquer lugar é quase como dizer-lhe adeus, como um convite para que nunca mais o veja. É evidente que episódios destes sempre sucedem aos mesmos, aos confiados e “desenrascados” que pensam ser o mal apenas destinado aos outros. Se eu tenho um cão dócil, daqueles que aceita guloseimas de qualquer um e dá a mão para toda a gente, caso tenha que ir a um supermercado ou a uma loja, deixo primeiro o cão em casa e vou depois fazer as compras descansado! Ao deixar um cão amarrado, qualquer um poderá soltá-lo por comoção ou malvadez, liberdade que o animal assustado poderá aproveitar para se pôr em fuga e correr inúmeros riscos. E depois, um cão preso a uma trela está para um dognapper como um carro deixado aberto está para um ladrão de automóveis! Jamais proceda assim, opte por deixar o cão em segurança dentro de casa.

MORRER ESTUPIDAMENTE

 

De acordo com o que as autoridades policiais do Condado de San Bernardino (California/US) disseram num comunicado à imprensa, na passada sexta-feira, dia 07 de setembro, uma octogenária, Soon Han, foi espancada até à morte por dois cães na estrada de uma comunidade rural no Deserto de Blady Mesa, por sua vez pertencente ao Deserto de Mojave, quando se encontrava a passear, sendo encontrada gravemente ferida e inconsciente pelas autoridades enviadas para o local, que ali a viriam a declarar morta. Segundo foi informado, o dono dos animais está a cooperar com a polícia nas investigações e os cães encontram-se debaixo de custódia no San Bernardino County Animal Control, permanecendo ali até ao final das investigações e depois do parecer do tribunal. Este lamentável incidente é o mais recente ataque canino fatal em território norte-americano, depois do ocorrido na semana passada no Tennessee, onde duas crianças morreram e a sua mãe ficou gravemente ferida. No mês passado, no Colorado, uma octogenária foi também morta quando dois cães a atacaram a ela e ao seu neto.

Grande parte dos octogenários, alguns bastante teimosos, agora na sua segunda meninice, quer o reconheçam ou não, por conta da sua maior fragilidade física, menor senso de responsabilidade e demais problemas psicossomáticos que a idade é pródiga em trazer-lhes, não deverão sair sozinhos para lugares ermos ou durante a noite, mesmo que avisem previamente os seus familiares das suas intenções, porque caso lhes aconteça algo de extraordinário, o seu socorro pode não chegar a tempo, cuidado que a falecida Soon Han não teve por razões que desconheço. Quanto aos Dogos Argentinos, antes que mais gente os diabolize, importa dizer que apenas uma minoria restrita deles é perigosa, sendo por norma menos reactivos que os lupinos e menos territoriais do que a maioria dos molossos, com um forte instinto de caça e mais previsíveis e equilibrados do que Fila Brasileiro, cães que devidamente mimados são verdadeiramente “os meninos de sua mãe”. Bravos ou mansos, porque são poderosos e em parte resistentes à dor, dados a fazer o que lhes apetece e de propensão excursionista, exigem donos que tenham sobre eles absoluto controlo, capazes de os subordinar inequivocamente para que as suas brincadeiras não se venham a transformar em lamentáveis casos sérios, fazendo também parte das suas incumbências prendê-los quando não podem olhar por eles, que foi exactamente aquilo que o dono de Blady Mesa não fez – mais uma morte evitável e por isso mesmo estúpida!