terça-feira, 13 de agosto de 2019

O LEITE E A BORRA

Eu tenho um vizinho, proprietário de alguns cães, para quem o tempo parou, um saudosista da austeridade doutros tempos que persiste em considerar mais os gastos do que o bem-estar dos animais, enveredando naturalmente por reprováveis dietas do passado, formuladas por gente simples, à revelia da ciência, que forçada pela economia da subsistência, tendia a julgar o todo pela parte, como se os cães não fossem indivíduos e todos diferentes uns dos outros.
O hábito pouco enraizado de dar leite aos cães, mais comum entre quem o tinha e tem em abundância (pastores e proprietários de animais de leite), tem-se revelado terrível para os cães e continua a ser responsável pelo emporcalhar contínuo das nossas calçadas, outrora de calcário branco pérola e hoje de uma coloração lembrar o “mármore amarelo de Negrais”, devido à borra (diarreia) que sobre elas cai diariamente.
Apesar dos cães gostarem de beber leite e de uns tantos donos “entenderem” que ele só lhes faz bem, este líquido segregado pelas tetas das vacas não é nada saudável para o organismo canino, porque este tem estruturas corporais e necessidades nutricionais bem diversas das encontradas nos bezerros. Por via disto, distribuir leite de vaca aos cães acaba por ser uma atitude nutricional pobre e até maléfica para a esmagadora maioria deles, que passam a apresentar sintomas gastrointestinais incomuns, razões só por si suficientes para não darmos leite aos nossos fiéis amigos.
Assim como sucede com alguns de nós, também há cães que apresentam intolerância ao leite, nomeadamente à lactose, substância que existe em maior quantidade no leite de vaca. Esta intolerância resulta das diferentes composições dos leites bovino e canino em relação aos nutrientes e a espécie. Para além do mais, distribuir leite a cachorros e cães não irá acrescentar-lhes nutrientes ao seu organismo.
Como a maior quantidade de lactose presente no leite de vaca acaba por exceder a capacidade de digestão dos cães, estes acabam por entrar em diarreia. E caso esta seja desconsiderada, os animais poderão evoluir para problemas gástricos mais severos (vómitos e inapetência).
Dar leite aos cães, para além do mal que lhes faz, é também um atentado ao meio-ambiente e por conseguinte à saúde pública, porque a borra espalhada pelas calçadas não dá saúde a ninguém, mormente às crianças que nelas brincam. Não siga nefastas receitas do passado, não invente dietas para o seu cão, mantenha-se informado e procure o parecer do seu veterinário-assistente, pessoa a quem deverá pedir orientação nesta matéria. Por tudo o que dissemos – leite não!

domingo, 11 de agosto de 2019

UM “PASSEIO” COM MUITO QUE CONTAR

Há dias, felizmente que são poucos, em que qualquer plano de aula parece desajustado para a classe que temos em mãos, deixando-a fluir naturalmente ao encontro das suas necessidades, sem preocupações de maior ou atropelos. E foi debaixo deste estado de espírito que encetámos os nossos trabalhos de ontem. Com a classe em movimento por um jardim que nos encanta, quase deserto por culpa das aprazíveis praias, deparámo-nos com uma amiga que muito prezamos – a mãe da Sónia, que por mais incrível que pareça, nunca nos lembramos do seu nome.
Na foto seguinte podemos ver o Labrador Soneca e a Pitbull Cosi a executar o “quieto” deitados, de modo próprio, desajeitado e deselegante, despropósito a que não são alheios a estranheza da condutora do primeiro e a idade da segunda, que há muito ultrapassou os 8 anos, período de vida que aproveitou para fazer o que lhe deu na real gana.
Longe vão os tempos em que as “Testemunhas de Jeová” iam parar aos campos de concentração e andaram à “rédea curta” durante a ditadura salazarista. No passado recente incomodavam toda a gente ao baterem porta a porta. Hoje a sua estratégia prosélita passa por distribuir-se pelas artérias mais movimentadas das cidades, montando em cada esquina um pequeno stand de propaganda acoplado a um carrinho, onde se pode encontrar literatura temática em várias línguas (o turismo tem destas coisas). Como demonstração dos novos tempos e da aceitação da liberdade religiosa, três dos nossos binómios posaram para a fotografia com um casal simpático de Testemunhas de Jeová, organização que há muito cativa portugueses de etnia africana.
Aproveitando o fino relevo de uma estrutura decorativa à nossa frente, convidámos os nossos cães a vencê-la, desafio perfeitamente ao seu alcance que depressa venceram. Na foto abaixo é possível ver o desempenho do binómio João/Ben, com o condutor atrasado e o cão a querer sair dali para fora (acontece aos melhores).
Como complemento a esta passagem estreita decidimos completá-la com um pequeno salto em extensão, valendo-nos de uma placa comemorativa de cimento. Na foto seguinte podemos ver a prestação do binómio Paulo/Bohr, com o condutor, mais uma vez, a dar uma indesejável ajuda cruzada, ao passar a trela para a mão esquerda, causando assim travamento ao animal pelo impacto visual causado. Contudo, valeu o boné, que até lhe fica muito bem, apesar de não faltar por aí quem use e abuse de chapéus.
Mas como as modas não tiram as dores, nem as menos valias técnicas, visando a melhor capacitação do CPA Bohr e a franca recuperação do Paulo, o adestrador pegou no cão e levou-o a transpor um muro de pedra com 180 cm, obstáculo que foi usado como manutenção para a boa forma física do animal, já que há muito ultrapassa muros de 250 cm.
Depois de a termos posto fora da cama, contámos com a presença sempre agradável da Sónia e do Shane, amigos que muito estimamos e que invariavelmente cerram connosco fileiras, evidenciando elegância e brio.
Com um muro de 100 cm pela frente convidámos todos os binómios para o ultrapassarem em conjunto, para reforço dos comandos de “em frente” e “up”, já que eram esses os comandos a utilizar por todos os condutores.
Tendo em conta o que aprendemos com o ensino dos Border Collies para o pastoreio, utilizamos a mesma técnica e chamamento circular para alcançarmos mais facilmente a condução nuclear, condução que visa a minimização do esforço humano e a maximização do canino. Na foto abaixo podemos ver o reencontro do Soneca com a Liliana, sua condutora neste Sábado.
Perante as dificuldades que o José Maria tem em se fazer compreender à CPA Mel, o Adestrador correu em auxílio deste binómio e resolveu a tarefa em défice, solução que serviu de ânimo para a cadela e de esclarecimento para o seu condutor.
Ainda debaixo do mesmo propósito, o de alcançar a condução nuclear, foi também pedido ao binómio acima citado que realizasse uma passagem entre estruturas metálicas de um monumento levantado naquele jardim.
Convidado para o mesmo trabalho, o Labrador Soneca venceu-o com a serenidade e boa-disposição que o caracterizam, boa disposição também visível no rosto da sua condutora, própria de quem resolveu uma tarefa e não foi surpreendida.
No meio dos trabalhos surgiu-nos um casal de brasileiros de São Paulo – Capital, gente dos seus trinta e poucos anos que se fazia acompanhar por dois filhos e um Border Collie com 3 meses, que surpresos por nos verem, entabularam diálogo connosco. Num ápice, o pequeno Border integrou os trabalhos da classe, sendo na ocasião introduzido pelo paciente José António.
E como um Border Collie é aquilo que os outros não são, bem depressa aprendeu a ficar “quieto”, o que muito espantou os seus proprietários que, para não apanharem tanto cocó, reduziram-lhe injustificadamente o penso diário, coisa que não aconteceria caso o cão comesse logo de seguida aquilo que faz!?
Esclarecidos os brasileiros, que prometeram apresentar-se amanhã no treino, convidámos os dois cães mais adiantados para exercícios de “duo” a partir de um banco, com o Soneca a fazer “abaixo” e o CPA Bohr “up”.
Depois dificultámos o trabalho e colocámos o Soneca em cima do banco. Na foto seguinte podemos apreciar o olhar do pequeno Labrador, como que a dizer: “aqui há gato, não estava à espera disto!”
A foto abaixo surpreendeu em flagrante delito duas beligerantes reincidentes, a CPA Mel e a Pitbull Cosi. A CPA faz o salto e intenta cair imediatamente sobre a Pitbull e esta espera pela outra para o ajuste de contas. Esta inimizade resultou da Pitbull ter atacado a CPA quando esta era ainda cachorra. Perante a inoperância dos seus donos, a peleja foi imediatamente sanada pelos bons ofícios do Adestrador, interferência que possibilitou a continuação do bom andamento dos trabalhos.
Quando já nos preparávamos para dar por concluídos os trabalhos, surgiu-nos um casal que disse ser proprietário de um cão problemático. Entre outras explicações, adiantámos que um cão pode abraçar um sem número de préstimos quando correctamente ensinado.
Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: João/Ben; José António/Ben; José António/Border Collie; José António/Shane; José Maria/Mel; Liliana/Soneca; Paulo/Bohr; Sónia/Shane; Svetlana/Ben e Svetlana/Cosi. As fotografias estiveram a cargo do José António e do Paulo; os Juniores Mendonça foram a banhos para São Pedro de Moel e o Jorge foi requisitado pró trabalho. Para a semana voltaremos com outras novidades e aventuras.

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

ESTÃO FARTOS DE APANHAR PORRADA, MAS NEM ASSIM LHES DÃO RAZÃO!

Não fora a existência de vítimas e o respeito que lhes é devido, passam-se coisas nos Estados Unidos que não acontecem em mais lado nenhum, que de tão escabrosas que são, chegam a provocar a hilaridade quase incontida por parecerem ficção. Esta semana, para espanto dos menos informados acerca dos States, surgiu vinda do Texas uma fotografia que rapidamente se tornou viral e que originou muita contestação, por ressuscitar velhos fantasmas, abrir velhas feridas e recriar o mundo cowboy, rude e sobejamente rico em justiceiros pouco escrupulosos. Por outro lado, persiste nos Estados Unidos uma exagerada protecção do direito individual mesmo que ofenda ou vá contra o colectivo, como sucede agora com os proprietários de certos cães e as companhias de aviação.
As companhias aéreas norte-americanas têm-se visto à brocha com falsos cães de apoio emocional, o que as levou a proibir a entrada a certas raças de cães e a variadas espécies animais. Um mês depois de um comissário de bordo ter sido mordido por um pretenso cão de apoio emocional, o Departamento de Transportes dos Estados Unidos informou ontem o sector da aviação que as transportadoras não podem barrar a entrada a certas raças caninas só por considerá-las perigosas, parecer que muito agradou, entre outros, aos detentores de cães do tipo Pitbull.
Em contrapartida, a mesma agência federal (Departamento de Transportes) deu luz verde às companhias aéreas para exigirem dos cães de apoio emocional um certificado de vacinas e a comprovação de treino específico na categoria que lhes é atribuída. Este esforço do Departamento de Transportes pretende esclarecer a sua política sobre animais em aviões é o capítulo mais recente da longa saga sobre animais de apoio emocional.
Entretanto, a United Airlines, uma das maiores transportadoras aéreas do país, relatou um aumento de 75% em animais de apoio emocional nos voos de 2017 em comparação com o ano anterior. Juntamente com o aumento veio um aumento nos incidentes de animais urinando, defecando, mordendo e a ladrar nos aviões. E como se isto não bastasse, um passageiro foi atacado por um cão de 23 kg num voo da Delta em 2017 e uma comissária de bordo da American Airlines teve que receber cinco pontos na mão esquerda depois de ser mordida por um cão de apoio emocional no passado mês de Julho.
Penso que o esforço levado a cabo pelo Departamento de Transportes dos Estados Unidos não surtirá o efeito desejado, porque nem as companhias aéreas nem o seu pessoal terão como certificar-se se determinado animal é ou não de apoio emocional. Caberá ao governo federal sabê-lo e certificar de forma peremptória estes cães, não como até aqui, aceitando várias agências emissoras de certificados, muitas vezes comprados e oferecidos a bom preço na Internet. Será que a seguir à dificuldade de proibir a venda livre de armas de fogo vai seguir-se o imbróglio dos cães ferozes nos aviões? O tema dava um grande filme de terror, imaginem um cão dito de apoio emocional, que a seguir ao jantar a bordo e com os passageiros a dormir, começa a matá-los um após outro. Na América nunca faltaram bons guiões para filmes, a realidade fornece-os! Será que nos voos internos dos States ainda veremos passageiros ataviados de capacete e munidos de Tasers? Queira Deus que não, já que por lá dizem que “in God we trust“.  

PIADA PARA O FIM-DE-SEMANA: UMA CASA DE MALUCOS

Numa consulta, uma senhora queixa-se do seu marido ao Médico, dizendo que não o aguenta mais e que o clínico tem que a ajudar, porque o seu cônjuge está completamente maluco e traz a casa numa tremenda confusão, ao colocar dentro dela mais de quarenta cães, o que provoca um cheiro insuportável com as janelas fechadas. O Médico reflecte um segundo e pergunta-lhe por que não abre as janelas, ao que ela prontamente responde: O quê? Nem pensar em abrir as janelas! Porque se o fizer, os 240 pombos da minha criação fogem todos!
PS: Esta piada poderia também aplicar-se aqueles que dizem que os pombos só fazem porcaria e cujos cães borram diariamente as nossas calçadas, alguns de tal maneira que nem os sacos conseguem apanhar a bosta.

AINDA BEM QUE O CÃO NÃO ESTAVA A DORMIR!

Segundo informou a polícia da cidade de Bassum, no Distrito de Diepholz, Baixa Saxónia, na Alemanha, faz hoje uma semana, pela noite, um cão evitou uma iminente tragédia ao acordar os seus donos, que inadvertidamente haviam deixado uma panela a aquecer no fogão e da qual então saía muito fumo, o que levou o pai daquela família a chamar de imediato os bombeiros. Apesar dos moradores daquela casa terem inalado gases de combustão, nenhum neles ficou gravemente ferido. Após a ventilação da habitação operada pelos bombeiros, a família pôde retornar a casa sem novidade.
Perante o sucedido, que poderia ter consequências bem piores, é caso para se dizer: ainda bem que o cão não estava a dormir! Desconhece-se o seu nome, a sua raça, sexo e idade, porque uma vez ultrapassado o perigo, os agradecimentos podem esperar. Quantos cães já salvaram os seus donos em idênticas circunstâncias? Muitos certamente! Em tempos idos tive um CPA chamado QUETZAL, que sem ninguém o ensinar, vinha até à minha cama acordar-me quando alguma janela se encontrava aberta ou o piloto do esquentador se encontrava ligado, apesar de gostar de dormir como poucos, quiçá obrigado pelo seu tamanho e envergadura. Ao tomar conhecimento desta notícia lembrei-me dele e sempre que assim acontece parece que o vejo na minha frente, imponente e de olhar sereno, como que a dizer – estou aqui!

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:
1º _ NÃO HÁ BELA SEM SENÃO: A CAPNOCYTOPHAGA CANIMORSUS, editado em 01/12/2017
2º _ REPÔR A ORDEM, MAIS DO MESMO E GUEST STAR, editado em 04/08/2019
3º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
4º _ UM TEM NOME DE PINTOR, MAS É O OUTRO QUE PINTA A MANTA!, editado em 05/08/2019
5º _ HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE?, editado em 11/05/2016
6º _ MODO SINGULAR DE LIDAR COM A TRAIÇÃO, editado em 05/08/2019
7º _ PODENGO: PREFERENCIALMENTE PRETO!, editado em 13/11/2014
8º _ PASTOR DE SHILOH: SUPER-CÃO OU DECEPÇÃO?, editado em 23/01/2014
9º _ NÃO LHE DEVERIAM TER PEDIDO O CERTIFICADO DE VACINAÇÃO ANTI-RÁBICA?, editado em 05/08/2019
10º _ CADERNO DE ENSINO: XX. O “NADAR, editado em 16/07/2010

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Japão, 5º Indonésia, 6º Reino Unido, 7º Irlanda, 8º Região Desconhecida, 9º Alemanha e 10º Angola.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

3250,51€ ANUAIS

Segundo o MONEY EXPERT, um dos principais sites de comparação do Reino Unido, os proprietários caninos das Ilhas Britânicas gastam anualmente com o seu cão 3 250,51€ (£ 3.000), sendo 108,35 destes gastos em presentes. Em média, os britânicos gastam mensalmente 255,71€ em produtos e serviços essenciais para os cães, como alimentos, pet care, desparasitações e pet sitters. Estes dados sugerem que os ingleses gostam de brincar com os seus animais de estimação tanto quanto com seus familiares e amigos. Os donos dos cães entrevistados admitiram gastar em média 99,91€ por ano em presentes para os seus pais, apenas 55 centavos a mais do que gastam com seus cães.
Vindo donde vêm, estes montantes não espantam, já que 96% dos proprietários de pets no Reino Unido consideram o seu animal de estimação como um membro da família e 25% deles confessaram que compraram um presente de aniversário no ano passado para o seu gato ou cão. A extravagância não acaba aqui, pois 36% disseram que compraram um presente de Natal para o seu animal de estimação.
Os britânicos também gostam de gastar dinheiro em artigos de luxo para os seus animais de estimação, 23% admitiram que adquiriram móveis para os seus pets e 12% compraram-lhes tecnologia, como câmeras e GPS. Quase metade dos donos de animais britânicos não tinha conhecimento de quanto custaria cuidar do seu gato ou cão, com 47% dos entrevistados a dizer que tinham subestimado o quanto iriam gastar. Por via disso, 25% das pessoas disseram que se viram obrigadas a cortar noutros gastos, para garantir a manutenção dos seus animais de estimação (?!).
Não obstante, 46% dos donos de animais britânicos admitiram não ter qualquer tipo de seguro para os seus animais, o que obrigou Jason Smith, CEO do moneyexpert.com, a aconselhar os futuros proprietários de animais a calcular previamente os gastos de tal aquisição e a lembrar que “contas do veterinário, seguro, acessórios, treino e até mesmo comida podem abalar inesperadamente as finanças de cada um, caso não sejam previstas com antecedência e que os custos podem aumentar vertiginosamente se não houver cuidado." Bem, não há dúvida que os britânicos são felizes com os seus animais de estimação. Há quem diga que gostam tanto dos seus pets que abominam os emigrantes, temendo que estes contribuam para uma menor qualidade de vida dos seus cães e gatos, o que por certo abalaria o seu ancestral e sagrado “British way of life”. Será?

A DÚVIDA DE UM LEITOR

Recebemos de um leitor o seguinte email: “Gostaria que me informassem, caso soubessem, se os cães pertencentes a sociedades estão ou não dispensados do seu licenciamento (licença)? Obrigado (…)”. Apesar desta dúvida não nos fazer muito sentido, mas respeitando sempre aqueles que nos procuram, adiantamos seguidamente o nosso esclarecimento e parecer:
O DL n.º 314/2003, de 17 de Dezembro, provou o Programa Nacional de Luta e Vigilância Epidemiológica da Raiva Animal e Outras Zoonoses e estabeleceu as regras relativas à posse e detenção, comércio, exposições e entrada em território nacional de animais susceptíveis à raiva, remetendo para portaria as normas técnicas de execução regulamentar. Ao abrigo deste dispositivo a Portaria nº 421/2004, de 24 de Abril, aprovou o Regulamento de Registo, Classificação e Licenciamento de Cães e Gatos.
O diploma estabelece, como regra, que os detentores de cães são obrigados a proceder ao seu registo e licenciamento na junta de freguesia da área do seu domicílio (no caso de pessoas singulares) ou sede (no caso de pessoas colectivas). São, todavia, isentos de licença os cães para fins militares, policiais ou de segurança do Estado, que deverão, no entanto, possuir sistemas de identificação e de registo próprios sediados nas entidades onde se encontram.
O licenciamento está sujeito a uma taxa, com excepção de cães-guia e de guarda de estabelecimentos do Estado, corpos administrativos, organismos de beneficência e de utilidade pública, bem dos canídeos recolhidos em instalações pertencentes a sociedades zoófilas legalmente constituídas e sem fins lucrativos, e nos canis municipais, salvo quando transmitidos para outros detentores que os utilizem para fins diversos.
Deste modo todos os detentores (sejam pessoas singulares ou colectivas) de cães que não se destinem a fins militares, policiais ou de segurança do Estado, encontram-se obrigados ao respectivo registo e licenciamento na junta de freguesia competente. Todos esses detentores devem ainda pagar uma taxa pelo licenciamento dos animais, com excepção dos cães-guia, de guarda e demais referidos no parágrafo anterior.
Esperamos ter esclarecido este leitor e eventualmente outros com a mesma dúvida.

SCHWIRKUS: LARGAR A BOMBA E LEVAR PANCADA DE TODOS OS LADOS

KATHARINA SCHWIRKUS, uma jornalista alemã praticamente ignota até aqui (nas foto acima), escreveu no início do mês passado, na sua coluna do jornal NEUES DEUTSCHLAND, o artigo “LASS UNS DIE KÖTER ABSCHAFFEN” (Vamos livrar-nos do rafeiro), artigo bombástico onde dizia, entre outras coisas, que “Se você quer fazer algo de bom pelo clima, não deve comprar um cachorro ou um gato" e “Os animais de estimação são péssimos para o clima e é egoísta mantê-los numa cidade grande”. Schwirkus, que pretendia ironizar o tema, foi mal-entendida e recebeu ataques de todos os lados, de alto a baixo e da esquerda à direita, de cidadãos individuais e de partidos políticos, que se viram indignados e que não lhe pouparam insultos, sendo um dos mais suaves “saudita”.
Não contribuirá o exagerado número de animais domésticos para as alterações climáticas e para a alteração e desaparecimento de alguns ecossistemas? Parece que ninguém tem dúvida. O problema é dizê-lo num país como a Alemanha que tem 34 milhões de animais de estimação. Katharina Schwirkus, voluntária ou involuntariamente, saltou do “politicamente correcto”, mas não disse nenhuma mentira acerca de um tema tão sensível, ao exaltar razões num panorama dominado por afectos. E se ela não o dissesse, outro o diria, tudo seria uma questão de tempo – o problema salta à vista.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

MODO SINGULAR DE LIDAR COM A TRAIÇÃO

Uma enfermeira de 38 anos, a trabalhar na Cidade do Cabo, na África do Sul, foi presa na passada Sexta-feira e levada no mesmo dia a tribunal, por supostamente ter postado um vídeo nas redes sociais onde aparecia a obrigar outra mulher a comer as fezes do seu cão. Elizabeth Williams, assim se chama a arguida, de Elsies River, permanecerá sob custódia policial até ao final desta semana, altura em que irá comparecer diante do Tribunal de Magistratura de Goodwood, segundo informa o Daily Voice.
Os sul-africanos reagiram com grande indignação à publicação daquele vídeo com 4 minutos de duração, onde Williams supostamente força outra mulher a comer as fezes do seu cão, como punição por esta se haver deitado com o seu marido. A executora aparece no vídeo a falar afrikkans, dizendo para a outra que coma as fezes do cão, que coma e não fale, porque doutro modo vai apanhar. Quando a mulher sentada relutantemente dá a primeira dentada, Williams diz-lhe que é assim que deve ser e quando a desgraçada começa a vomitar, avisa-a que a sua casa se encontra limpa. A mulher continua sentada faz mais barulho, prende a garganta e parece engasgada. A enfermeira diz-lhe para engolir e que pode escolher o modo de o fazer: se suavemente, de modo firme, a escorrer pela boca abaixo ou doutra maneira qualquer.
No final do vídeo a enfermeira fala para a camera e informa do marido do que fez àquela mulher. A vítima, de 27 anos, acusou-a judicialmente de agressão, danos corporais graves, intimidação e crime na semana passada. A Comissão de Direitos Humanos da África do Sul diz que já está a investigar o incidente. A porta-voz do Tybergerg Hospital disse à News24 que Williams já trabalha ali há 4 anos e que ainda não foi suspensa ou colocada em licença compulsiva porque a investigação interna ainda está por concluir.
Este é sem dúvida um modo singular de lidar com a traição e uma aplicação inesperada das fezes caninas! A África do Sul ainda tem muito para andar.