quarta-feira, 19 de junho de 2019

OS NEOZELANDESES NÃO ESQUECERAM O CEASER

No passado dia 26 de Maio, numa cerimónia realizada no Museu Nacional do Exército em Waiouru, Nova Zelândia, foi homenageado a título póstumo com a MEDALHA DA CRUZ AZUL, o primeiro CÃO DE GUERRA conhecido daquele país – o CEASER, um Bulldog que junto com o seu tratador, o fuzileiro THOMAS TOOMAN, partiu para a I Guerra Mundial em 1916, onde viria a ser também a mascote da COMPANHIA A, pertencente ao 4º BATALHÃO da BRIGADA DE RIFLES DA NOVA ZELÂNDIA. Esta distinção póstuma foi-lhe atribuída pelos serviços prestados e pela bravura demonstrada durante a I Guerra Mundial. O Ceaser foi o primeiro cão a receber esta medalha, que doravante será atribuída anualmente.
Tooman e Ceaser foram primeiro parar ao Egipto, onde o primeiro recebeu treino para conduzir ambulâncias e o segundo viria a ser um cão da Cruz Vermelha. Após treino intensivo chegaram à Frente Ocidental, no Somme, em França. Conforme fez saber o Curador Sénior do Museu do Exército, WINDSOR JONES (na foto seguinte), o Ceaser foi treinado como cão-socorrista e para ir ao campo de batalha identificar e socorrer militares aliados feridos, uma vez que carregava uma mochila que continha alguns papéis e ligaduras. Caso o soldado não se encontrasse gravemente ferido, poderia tratar das suas feridas e escrever uma nota indicando a sua posição e se havia algum atirador inimigo na área, nota que o cão levaria para trás das linhas. Segundo o mesmo Director Jones, há registo do Ceaser ter salvado um soldado enterrado após uma explosão, ao cavar uma abertura para que o militar pudesse respirar, acto que lhe salvou a vida.
Cães como o Ceaser foram treinados para diferenciar os soldados aliados dos soldados inimigos, o que de certa forma é um mistério. Jones adianta a hipótese dessa identificação se ter ficado a dever à diferente côr dos uniformes ou à diferenciação dos seus tecidos. Seja lá pelo que for, certo é que os cães sabiam diferenciá-los. Infelizmente o Ceaser teve um fim trágico, porque foi baleado mortalmente por um franco-atirador duas ou três semanas depois de ter chegado à Frente Ocidental. Só viria a ser encontrado no dia seguinte à sua morte, quando o seu tratador foi procurá-lo por não ter voltado. Viria a ser encontrado junto de um soldado que pretendia socorrer, soldado cuja mão descansava sobre a sua cabeça. Jones fez ainda saber que cerca de 10.000 cães serviram na Cruz Vermelha durante a I Guerra Mundial.
PATRICIA STROUD, 2ª sobrinha de Thomas Tooman, que escreveu um livro infantil sobre Ceaser e Tom, disse na ocasião que o tratador ficou destroçado com a morte do cão, que “eles teriam cuidado um do outro nas trincheiras e no campo de batalha”, que Ceaser era um animal muito corajoso e que a ideia de conceder-lhe uma medalha foi maravilhosa. “Eu sei que ele foi apenas um cão, mas um cão muito amado que ajudou os homens a passar por um momento terrível" – completou.
A ortografia do nome do cão, Ceaser, em vez de Caesar, tem intrigado muitos. Windsor Jones disse que era possível que Tooman não soubesse soletrar Caesar ou que este nome possa ter sido deliberadamente atribuído. "Mantemos o erro ortográfico na medalha da Cruz Azul e na exibição no Museu. Recentemente, os CANIS DE TRABALHO NO CAMPO MILITAR DE LINTON receberam o nome de CEASER – afirmou Jones. Patricia Stroud disse que o nome era muito popular na época porque o Rei, EDUARDO VII (1), tinha um pequeno terrier chamado César. NIGEL ALLSOPP (na foto seguinte), representante da Austrália e da Nova Zelândia para a organização BLUE CROSS, sediada no Reino Unido, chamado a pronunciar-se, disse que cerca de 18 mil cães foram usados oficialmente pelas forças aliadas durante a 1ª Guerra Mundial e que "quando a Cruz Vermelha começou a ajudar os humanos, a Cruz Azul começou a ajudar os animais… A medalha é uma forma de reconhecer formalmente o seu serviço ao homem e a esta nação".
Agradou-nos saber desta homenagem e mais felizes ficaríamos se houvesse por cá uma distinção canina idêntica, porque também fomos para a Guerra do Ultramar com cães e as polícias e os bombeiros continuam a usá-los diariamente no socorro e resgate da população - há que mostrar a nossa gratidão a quem vive para nos socorrer!
(1)Monarca britânico, o primeiro da Casa Saxe-Coburgo, que reinou entre 22/01/1901 e 06/05/1910 e que em 1902 visitou Lisboa para reafirmar a aliança entre Inglaterra e Portugal, instituída pelo Tratado Anglo-Português de 1373. Em 1903, o então PARQUE DA LIBERDADE, veio a ser rebaptizado em sua honra por PARQUE EDUARDO VII DE INGLATERRA, vulgo PARQUE EDUARDO VII, nome que este parque da Capital ainda conserva.

terça-feira, 18 de junho de 2019

PARA QUE NINGUÉM DUVIDE

Para que ninguém duvide das alterações climáticas, do aquecimento global e dos perigos que fustigam a vida no Planeta, o pesquisador Steffen M. Olsen, do Instituto Meteorológico Dinamarquês, foi num dia excepcionalmente quente, na Terça-feira, à cidade de Qaanaag na Groenlândia e tirou a foto acima, onde podemos ver 8 Huskies a puxar um trenó sobre água proveniente da adjacente camada de gelo derretida. A foto correu mundo e chegou aos dois lados do Atlântico Norte pelo contributo dos grandes meios de comunicação internacionais. É urgente fazer algo pelo Planeta e já começa a ser tarde demais. Morreremos com ele? A solidariedade é para a vida, os mortos dispensam-na!

OLHOS DE “CARNEIRO MAL MORTO” PORQUÊ E PARA QUÊ?

Porquê e para quê fazem os cães “olhos de carneiro mal morto, com eles bem abertos e mortiços? Uma equipa de investigação liderada pela psicóloga comparada Juliane Kaminski, da Universidade de Portsmouth, incluindo também uma equipa de especialistas em comportamento e anatomia do Reino Unido e dos Estados Unidos, parece ter encontrado a resposta a estas questões num estudo que publicou na revista Proceedings of National Academy of Sciences (PNAS), onde adianta que os cães desenvolveram novos músculos ao redor dos olhos para melhor comunicarem com os seres humanos. Novas pesquisas, ao compararem a anatomia e o comportamento de cães e lobos, sugerem que a anatomia facial dos cães mudou ao longo de milhares de anos especificamente para melhor comunicarem com os humanos.
Na primeira análise detalhada e comparativa da anatomia e comportamento de cães e lobos, os pesquisadores descobriram que a musculatura facial das duas espécies era semelhante, excepto acima dos olhos: os cães têm um músculo pequeno que lhes permite levantar intensamente a sobrancelha interna e os lobos não. Os autores deste estudo sugerem que o movimento de elevação das sobrancelhas internas desencadeia uma resposta estimulante nos seres humanos, porque faz com que os olhos dos cães pareçam maiores, mais infantis e também mais semelhantes a um movimento que os humanos produzem quando estão tristes.
A Dr.ª Kaminski (na foto seguinte) disse a este propósito: "A evidência é convincente, os cães desenvolveram um músculo para levantar a sobrancelha interna depois de serem domesticados. Estudamos também o comportamento de cães e lobos e, quando expostos a um humano por dois minutos, os cães levantaram mais e com maior intensidade as sobrancelhas do que os lobos. As descobertas sugerem que as sobrancelhas expressivas nos cães podem ser resultado de preferências inconscientes dos seres humanos que influenciaram a selecção durante a domesticação. Quando os cães fazem o movimento, parecem provocar nos humanos um forte desejo de cuidar deles. Isso teria dado aos cães que moviam mais as suas sobrancelhas uma vantagem na seleção sobre os demais, reforçando assim a característica 'olhos de cachorro' para as gerações futuras”. A pesquisa anterior da Dr.ª Kaminski mostrou que os cães moviam mais as sobrancelhas quando os humanos olhavam para eles do que quando não o faziam, explicando que "O movimento AU101 é significativo no vínculo entre humanos e cães porque pode provocar uma resposta cuidadosa dos seres humanos, como também pode criar a ilusão de uma comunicação semelhante à humana".
A anatomista-chefe, Anne Burrows (na foto seguinte), da Duquesne University, Pittsburgh, EUA, co-autora do artigo, disse: "Para determinar se esse movimento da sobrancelha é resultado da evolução, comparámos a anatomia e o comportamento facial das duas espécies e encontramos o músculo que permite o aumento de sobrancelhas nos cães, que nos em lobos não passa de um aglomerado irregular de fibras. O movimento da sobrancelha interna levantada nos cães é impulsionado por um músculo que não existe consistentemente no seu parente vivo mais próximo - o lobo. Esta é uma diferença marcante para espécies separadas há apenas 33 mil anos e acreditamos que as mudanças musculares faciais notavelmente rápidas podem estar directamente ligadas à interacção social melhorada dos cães com os seres humanos".
Outra co-autora deste estudo, a psicóloga evolutiva Bridget Waller (na foto abaixo), também da Universidade de Portsmouth, mapeou previamente a estrutura muscular facial de cães, nomeando o movimento responsável pela sobrancelha levantada como Unidade de Acção (AU) 101, acrescentando que "este movimento faz com que os olhos de um cão pareçam maiores, dando-lhes uma aparência infantil, podendo com isso imitar também o movimento facial que os humanos fazem quando estão tristes" e "As nossas descobertas mostram quão importantes são os rostos na captura da nossa atenção e como a expressão facial pode ser poderosa na interação social".
O anatomista Adam Hartstone-Rose, da North Carolina State University, EUA, também autor do estudo, disse: "Estes músculos são tão finos que você pode literalmente ver através deles  e o movimento que eles permitem parece ter um efeito tão poderoso que parece terem estado sob substancial pressão evolutiva. É realmente notável que essas diferenças simples na expressão facial possam ter ajudado a definir a relação entre cães primitivos e humanos”. Outro co-autor deste trabalho, Rui Diogo (na foto seguinte), um anatomista da Howard University, Washington, EUA, um jovem investigador português de Castelo Branco radicado nos Estados Unidos, confessou: "Devo admitir que fiquei surpreso ao ver os resultados porque a anatomia geral dos músculos normalmente é muito lenta para mudar na evolução, e neste caso aconteceu muito rápido, apenas em algumas dezenas de milhares de anos”.
O tecido mole, incluindo o citado músculo, não tende a sobreviver no registo fóssil, o que dificulta o estudo deste tipo de evolução. No estudo, a única raça canina em que não foi encontrado este músculo foi o Husky Siberiano, que está entre as raças de cães mais antigas (parece-nos sintomático). Uma razão alternativa para a ligação entre homens e cães poderia ter resultado da preferência dos primeiros por indivíduos que tivessem branco nos olhos ou cujos movimentos intensos da AU 101 expusessem a parte branca dos olhos. Não se sabe ao certo quando os seres humanos trouxeram lobos do frio e a evolução do lobo para o cão começou, mas esta pesquisa ajuda-nos a entender alguns dos prováveis ​​mecanismos subjacentes à domesticação do cão.
Se ninguém contesta que o Husky Siberiano é uma das raças caninas mais antigas, com muito ainda para evoluir, também não vale a pena contestar que o Border Collie é uma das mais evoluídas, já que estamos a falar de olhos e de olhares. Agora entendo a razão que levava os populares de um lugarejo onde vivi a confundir os Huskies com os lobos e... eu que os julgava tão ignorantes!

segunda-feira, 17 de junho de 2019

COMO ESCOLHER O HOTEL IDEAL PAR O MEU CÃO

Antes de falar do hotel ideal para o meu/seu cão, importa dizer que o alojamento canino em hotéis para esse efeito é uma medida extraordinária, que os animais sempre estarão melhor junto dos seus donos ou no território que conhecem e consideram seu, já que detestam ser privados do seu grupo social e território. As dicas para a escolha de um hotel para o seu cão no período de férias foram extraídas do jornal alemão online HAZ (Hannoversche Allgemeine Zeitung), na sua edição de hoje, do artigo intitulado “Urlaubszeit: Woran erkenne ich eine gute Hundepension?”, elaborado segundo o parecer da Associação Alemã de Bem-Estar Animal (Deutsche Tierschutzbund erklärt).
Dica nº 1 _ VISITA PRÉVIA: Os proprietários caninos devem ir conhecer o hotel o mais cedo possível antes das férias, de preferência sem pré-aviso e visitar as áreas onde os cães são alojados. Maus odores não são bom sinal e são razão mais do que suficiente para desprezar aquele hotel. Dica nº 2 _ INSPECÇÃO DO EQUIPAMENTO: Os bons canis oferecem caixas de dormir e canis suficientemente grandes, climatizados e bem iluminados. As boxes devem ser separadas e nunca superlotadas, as colectivas só deverão ser usadas por cães que se podem juntar. Os cães não deverão estar fechados no canil o dia inteiro, mas ter acesso a um recinto onde se possam espraiar livremente ou serem convidados para passeios regulares. Dica nº 3 _ VERIFICAR A POSSÌVEL EXISTÊNCIA DE RECLAMAÇÕES: Os proprietários caninos deverão informar-se acerca de possíveis reclamações do hotel na internet, bem como perguntar ao veterinário e à associação de bem-estar animal locais qual o seu parecer sobre a qualidade do serviço prestado.
Dica nº 4 _ O HOTEL DEVERÁ TER UM CERTIFICADO DE COMPETÊNCIA: É também importante que o hotel tenha um certificado de competência ou de excelência e estar conforme as leis relativas ao sector. Dica nº 5 _ DO NÚMERO DE EMPREGADOS DISPONÍVEIS: Os empregados do hotel deverão ter uma habilitação própria e ser em número suficiente para atenderem ao número de cães hospedados (cada empregado não poderá ter mais de 10 cães ao seu encargo). Dica nº 6 _ OS BONS HOTÉIS INFORMAM-SE ATEMPADAMENTE DO PARTICULAR DOS SEUS HÓSPEDES: Os bons hotéis procuram antecipadamente saber todos os detalhes dos cães que irão hospedar, nomeadamente investigações detalhadas sobre hábitos alimentares, vacinação, medicamentos, preferências individuais e rotinas dos animais, porque há cães que preferem ficar com outros cães, outros só com alguns em particular e outros ainda que preferem ficar sozinhos. Também se o animal a hospedar está com o cio ou se encontra castrado.
Dica nº 7 _ LAVRAR UM CONTRATO DE ASSISTÊNCIA COM O HOTEL: Faz todo o sentido lavrar um Contrato de Assistência com o hotel porque é bom para ambas as partes e através dele cada uma  delas vê salvaguardados os seus interesses e aceites as suas condições. Quanto custa a diária de um bom hotel para cães na Alemanha? Os preços variam de região para região e oscilam em média entre os 12 e os 40 euros (174.54 Reais brasileiros).
Julgo que a observação destas 7 condições garantem minimamente uma hospedagem feliz ao seu cão, por isso transcrevemos estas dicas que julgamos de extrema importância. Cumprimos com o nosso dever de ensinar e esclarecer, oxalá venhamos a ser ouvidos.

EGIPTO: NOVA PRAGA OU VELHO NOJO?

Através do ARAB NEWS, jornal diário de língua inglesa publicado na Arábia Saudita a partir de Riade, cujo público-alvo são os empresários, os executivos e os diplomatas, ficámos a saber que na Província egípcia de Menoufia houve 6.241 casos de pessoas hospitalizadas por terem sido atacadas por cães vadios nos últimos quatro meses, segundo informou do Ministério da Saúde e População através de relatório.
Ao que parece os cães vadios estão por toda a parte, as autoridades demoram a tomar uma decisão e os habitantes da Província de Menoufia temem pelo bem-estar e saúde dos seus filhos, diante da contínua ocorrência de ataques ferozes, geralmente rechaçados à pedrada.
Entretanto, YASMINE FOUAD (na foto abaixo), Ministra do Meio Ambiente, garante que o seu ministério está pronto para lidar com a crise dos cães vadios. Será que irá distribuir porretes à população?
A somar à crise dos cães acresce outra não menos grave – a dos ratos. Um relatório do Departamento de Medicina Preventiva da Directoria de Assuntos de Saúde em Menoufia revelou que 759 pessoas já foram hospitalizadas este ano devido a mordidelas de ratos. Hassan Shafiq, vice-chefe do Serviço Veterinário Egípcio, disse que as picadas de ratos podem transmitir doenças mortais e que estes vivem perto de lagoas, pântanos e plantações, alimentando-se principalmente de grãos, frutas e vegetais, sendo frequentemente responsáveis por danos nas plantações.
Se tudo o que o Arab News faz saber não fugir à verdade, pese embora a gravidade dos acontecimentos, de uma coisa podemos ter a certeza: o Egipto não está a ser governado por fundamentalistas, porque doutro modo as Fatwas(1) já teriam acabado com um cães vadios de uma vez por todas.
PS: Se for viajar para o Egipto tome cuidado com os cães vadios, mesmo que lhe pareçam inofensivos.
(1)Fatwa (Fátua), decisão jurídica baseada na lei islâmica (Sharia).

domingo, 16 de junho de 2019

A IMPORTÂNCIA DA RECAPITULAÇÃO DOMÉSTICA

Recebi uma SMS de um aluno que dizia “Boa tarde Sr. João. Hoje fui dar uma volta com o Max e estive a praticar os exercícios que ensinou, enviei-lhe umas fotografias”. As fotos chegaram por email e ilustram este artigo. O cuidado do Aníbal releva uma vez mais a importância da recapitulação doméstica no adestramento, trabalho indispensável para que se torne mais célere, dinâmico e votado ao progresso.
Quem não recapitula em casa os exercícios escolares com o seu cão, arrisca-se a voltar sempre à estaca zero no regresso às aulas, porque a adaptação dos cães não é automática e os donos também precisam de praticar. 
Oxalá o Aníbal mantenha a mesma determinação e cuidado, porque o Max merece e o dono tem ainda muito que aprender, pelo que importa arranjar método de trabalho antes que a sobrecarga atinja o binómio.
Como é possível observar pelas fotos, O CPA Max é um cão de família e para a família, um cachorro a chegar a adulto, que irá dar grandes alegrias a quem tão bem dele tem cuidado.
Daqui estendemos os nossos parabéns ao Aníbal pelo trabalho desenvolvido e incentivamos todos a seguir-lhe o exemplo.

PREPARAR TODOS E ACORDAR O SONECA

Ontem voltámos a trabalhar na Serra e demos continuidade ao trabalho encetado no fim-de-semana anterior. Dedicámos a maior parte do nosso tempo à disciplina de guarda e aos vários subsídios de evasão e resgate. Na foto acima vemos o CPA Bohr a esgueirar-se debaixo de um jeep e na seguinte o Labrador Soneca a fazer o mesmo.
Iniciámos os trabalhos sobre uma passagem estreita com 10cm de largo, convidando depois os cães a sentar-se a deitar-se sobre aquela passagem estreita pelo tempo julgado conveniente. Na foto abaixo podemos ver a Doberman Russa deitada sobre aquela plataforma mural.
A Doberman Lupa executou a tarefa irrepreensivelmente e o seu condutor sentiu-se confortável no seu desempenho.
Perante a irreverência do Soneca, que ainda leva tudo a brincar, o Adestrador viu-se obrigado a introduzi-lo no exercício, tarefa que não demorou a vencer e que lhe aumentou simultaneamente a capacidade de equilíbrio e a cumplicidade com o dono.
A Doberman Russa está mais concentrada e confiante, mostra gostar da sua condutora e já aceita desafios com maior grau de dificuldade. Passagens estreitas não são problema, mesmo que a sua condutora evolua escusadamente com a mão de condução tão alta, dificultando-lhe o equilíbrio e impedindo-a de reconhecer comodamente a superfície a bater.
Sempre preocupados com os nossos cães guardiões e empenhados em dar-lhes o melhor treino possível e ensinar-lhes meios de evasão, passámos depois pelo rastejar debaixo de um SUV mediante introdução e chamamento pelo dono. Na foto seguinte é possível ver a Doberman Russa em acção e o incentivo que lhe é dado pela sua condutora.
Também o CPA Max foi convidado para o mesmo trabalho, vencendo-o cómoda e instantaneamente como se já o conhecesse. Na foto abaixo é visível a aplicação deste jovem Pastor Alemão, produto de uma selecção despretensiosa que veio a revelar-se a mais acertada, mistério que só a sorte ou o acaso conseguem explicar.
Os binómios presentes foram depois convidados para um pequeno percurso de obstáculos. Somente o Binómio Jorge/Soneca conseguiu fazê-lo em liberdade. Na foto que se segue é possível ver o binómio Aníbal/Max durante o percurso.
Devido à ausência dos irmãos Tomás e Afonso, coube ao Jorge provocar e fugir às Dobermans que tudo fizeram para o caçar. Aninhado que nem águia no meio dos troncos de um frondoso pinheiro manso, este aluno tudo fez para que as Dobermans “ganhassem asas” e estiveram em vias disso.
Faltou muito pouco à Doberman Russa para apanhar um “pardal atrevido de 75kg”. A altura que lhe faltou para alcançar aquela presa dentro em breve será alcançada e deixará de ser um problema (é para isso que o treino serve).
Não somos milagreiros, mas entendemos o treino como rigor e temos o Know-How suficiente para atingir metas que são para outros inatingíveis. Como também já vimos muitos cães e conseguimos capacitar labradores para os mais diversos serviços, pacientemente e certos do êxito, estamos a fazer do Soneca um surpreendente guarda. Na foto abaixo vemo-lo a perseguir o Aníbal, que de tanto olhar para trás podia ter caído.
Entusiasmado pela perseguição que lhe foi consentida, o pequeno Labrador, agora com 6 meses de idade, avançou para a manga sem a conhecer de lado nenhum, graças ao desempenho da Svetlana e ao incentivo do seu dono.
Mais uma vez, já parece sina, a Svetlana foi designada para cobaia, desta vez para enfrentar o CPA Max, que pouco a pouco vai disferindo ataques cada vez mais altos e consistentes.
Como ao grande ovinicultor e empresário da restauração, Manuel Delgado, não lhe sobra tempo para treinar o seu cão, o CPA Blaze, incumbimo-nos nós dessa tarefa, encargo voluntário que nos tem trazido muita alegria. Na foto abaixo vemos este CPA a atacar o Jorge, figurante muito solicitado apesar do pouco tempo que está entre nós.
Depois de sete anos sem pegar numa manga, O Adestrador decidiu “matar saudades” e testar a valentia do CPA Max.
Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: Aníbal/Max; João/Lupa; Jorge/Soneca; Maria/Blaze; Paulo/Bohr e Svetlana/Russa. A Pétia não compareceu com o Bjorn, a Carla encontrava-se adoentada e a Ana atarefada. Os fotógrafos nomeadas foram a Maria e o Paulo. Não houve qualquer treino da parte da tarde.
E assim se passou o nosso Sábado com os cães. Para a semana há mais. Uma óptima semana para todos vós!  

sexta-feira, 14 de junho de 2019

OS CARRASCOS DE NEW SOUTH WALES

No extremo sul da Bacia de Sydney fica a cidade de Nowra, na região de New South Wales, na Austrália, onde na passada Segunda-feira, um pouco antes do meio-dia, um homem de 51 anos de idade foi encontrado em sua casa, na Douglas Street, com feridas horríveis que resultaram em grande perca de sangue e na sua morte. A polícia inicialmente suspeitou daquela morte, mas desde então descartou a hipótese de crime, atribuindo a sua autoria ao cão de estimação do falecido, que se crê ser mestiço de Staffordshire Bull Terrier. Entretanto, aguarda-se o relatório do médico-legista que está quase concluído.
Este incidente é mais um a acrescentar a uma série de mortes de proprietários caninos perpetradas ali pelos seus próprios cães. Em Março, um homem foi atacado por dois cães no oeste de Sydney e acabou por morrer no hospital. Este indivíduo de 40 anos estava hospedado numa casa em Tregear, nos subúrbios de Sydney, com dois American Staffordshire Terriers quando foi atacado por eles. Em consequência desse ataque, a vítima sofreu uma paragem cardíaca e foi levado em estado crítico para o Westmead Hospital, onde viria a morrer cinco semanas depois. Em Maio, no sudoeste de Sydney, uma mulher de 72 anos morreu no hospital depois de ter sido atacada com o marido pelo seu próprio cão dentro de casa.
Os registos de ataques caninos mantidos pelo Oficial do Governo Local de NSW revelaram 4.770 ataques sobre pessoas e animais de Junho de 2017 a Junho de 2018, o que levou 681 pessoas a receberem tratamento médico. Estes números estão um pouco acima dos verificados nos 12 meses anteriores a Junho de 2017, quando o número de incidentes deste género foi de 4.643. Os cães que mais contribuíram para o aumento dos ataques caninos sobre pessoas em NSW foram os American Staffordshire Terriers e Staffordshire Bull Terriers, os mais inexoráveis carrascos de New South Wales.
Esta notícia chegou-nos através ABC News Australia, serviço de notícias estatais australiano produzido pela divisão News and Current Affairs da Australian Broadcasting Corporation (ABC) divisão que é também responsável pela produção de todas as notícias para a televisão, rádio e serviços online.
Perante a gravidade do que foi divulgado, pergunta-se: Serão estes cães indicados para toda a gente, nomeadamente para quem não tem tempo para eles? Nós dizemos que não, outros terão outra opinião!