Penso que muito poucos
leitores deste blogue já ouviram falar em Motta Baluffi, um município com 893 habitantes,
na Província de Cremona, Região da Lombardia, no norte da Itália, território
duramente castigado pela presente pandemia. Lá, um cão de raça desconhecida mas
de feitos agora conhecidos, toma todas as manhãs a estrada rumo ao cemitério
local, passa pela portão e vai até à capela, um ritual para se deslocar ao
túmulo de Daniele Gaspari, outrora mecânico naquele município. Quando lá chega urina
como que a dizer “hoje estive aqui”. Oliver aprendeu a ir ao cemitério com a
sua mãe, a já desaparecida cadela “Desy”.
Hoje é Oliver quem vive
com a viúva e os filhos do Sr. Daniele, viúva que diz acerca deste cão: “Ele
não incomoda ninguém e nunca tivemos nenhum problema, espera que alguém lhe
abra o portão e depois sai.” As mulheres que se deslocam ao cemitério sempre
dizem ao ver o animal por lá: “Al par c'al vaga a catar al to om” (parece
que vais encontrar-te com o teu marido). A história de Oliver mostra a influência
que exercem os cães mais velhos sobre os mais novos em termos de comportamento,
que pode continuar para além da sua morte, não sendo por isso de estranhar que
um cão sofra com o desaparecimento de outro ou com a morte do seu próprio dono,
drama comum a todos os seres sociais. Amanhã é outro dia e o Oliver irá mais
uma vez ao cemitério - boa viagem amigo!
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