No
adestramento, tudo aquilo que os cães fazem reflecte o tipo de entendimento que
têm com os seus donos e o método de ensino a que foram sujeitos, pelo que mais
do que o simples fazer, importa ver como os cães fazem ou resolvem os
exercícios. Se os fazem céleres e radiantes é porque os alcançaram pela
experiência feliz sem o contributo da coerção e da inibição; se os executam
lentamente, de semblante abatido e sem qualquer alegria é porque os aprenderam
por medo ao castigo, mercê de desgastantes repetições e pela exagerada
submissão aos donos. Isto é verdade tanto para os exercícios de obediência como
para os de ginástica, porque os intervenientes são os mesmos e em tudo é
denunciado o seu modo de entendimento. Como condutor, eu posso demorar a adquirir
os requisitos técnicos de determinados exercícios, vou ter todo o tempo do
mundo para o fazer, mas jamais poderei contribuir ou consentir que o meu cão
perca a alegria em fazê-los! Ontem considerámos estes aspectos no treino do “aqui”,
tanto à trela como em liberdade. Os donos não estiveram perfeitos, mas os cães
vieram alegres quando os chamaram.
O
medo da repreensão tem o demérito de desenvolver nos cães a manha, o que
normalmente resulta numa menor apetência para o trabalho e nalgum
desencantamento diante dos desafios propostos, que sendo muitas vezes
repetitivos, acabam por gerar nos cães compreensível desinteresse. O objectivo
do adestramento não se resume a ensinar cães, mas também a ensinar os donos adestrá-los
alegremente. Sem a alegria canina todo o ensino sai comprometido: os índices de
prontidão baixam, a obediência demora, a confiança cede lugar à desconfiança,
os cães evoluem debaixo de suspeita e o seu desempenho torna-se circunstancial,
o que não é bom para os cães de companhia, obsta à necessária celeridade dos
cães destinados ao socorro e pode ser fatal para os cães de guarda (voltarmos a
este assunto).
Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: Arnaldo/Niki; Clarinda/Keila; Inês/Oliver; Lucas/Bock; Paulo/Bohr e Pedro Rodrigues/Luna. O binómio Arnaldo/Niki, apesar de só o ter aprendido ontem, já consegue fazer o “aqui” em liberdade, o que aponta para o excelente entendimento entre o dono e o cão. O Jorge Filipe teve que acudir a alguma emergência, por isso não compareceu. Depois de algumas dificuldades iniciais, o Lucas lá se entendeu com a trela extensível. Já se notam os dias a crescer, a noite esteve aprazível, a poeira do deserto está pouco a pouco a desaparecer e as nossas tarefas foram alegremente cumpridas.
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