Como se raposas, cobras e lagartos não
bastassem, as aves que nidificam no solo encontram-se seriamente ameaças por
caminhantes com cães, corredores, ciclistas de todo o terreno, cavaleiros e
motociclistas, que chegada a primavera invadem as nossas matas e reservas, para
além os caminhos já estipulados, irreverência e loucura que leva os pássaros a
abandonar os seus ninhos e a condenar à morte a sua descendência. Cães e gatos
têm contribuído decisivamente para o desaparecimento de algumas aves, porque os
primeiros caçam e estragam os seu ninhos no solo e os segundos não hesitarão em
subir qualquer árvore para caçá-los.
Assim se compreende, entre outras espécies, a
drástica diminuição do número de toutinegras e cotovias entre nós, para além de
outras pequenas aves insectívoras. Em Portugal continental e insular existiam,
entre 1999 e 2005, 235 espécies de aves nidificantes, 221 autóctones e destas
205 de nidificação regular, segundo o ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas).
Por norma, se as alterações climáticas não intervierem, a nidificação acontece entre nós desde o 1º dia de março até 31 de julho, podendo atrasar-se um pouco em função de alguma descida de temperatura. Neste período, visando a protecção da nidificação que induz à perpetuação desta aves, aconselhamos os donos dos cães aos seguintes cuidados: 1 _ A conduzirem à trela os seus amigos de 4 patas em reservas naturais, santuários de aves, matas e charnecas de arbustos rasteiros; 2 _ A evoluírem somente nos caminhos já abertos e 3 _ A não consentir que os cães corram atrás de aves ou danifiquem os seus ninhos. Tudo isto para se evitar o declínio destas aves, que fica a dever-se em parte a pessoas e a cães.
A meu ver, e espero não estar enganado,
gostar de cães deveria levar-nos à protecção da natureza e dos restantes
animais, pois não nos cabe escolher quais vamos deixar viver, mas sim trabalhar
para conservar a sua biodiversidade, afinal também importante para o equilíbrio
dos ecossistemas e para o nosso bem-estar. Para que amanhã não nos venhamos a
queixar de primaveras lôbregas e marços sem encanto, comecemos já esta a
respeitar a nidificação das aves.
É evidente que faltam espaços para os cães
correrem à vontade, para se esticarem, e isso é fundamental para a sua saúde e
bem-estar, mas não podemos consentir que a inércia de quem nos governa nos
empurre para espaços que comprometem a natureza, a biodiversidade e o
território de outras espécies, por serem mais baratos e ali não se poder
construir. É urgente que cada bairro tenha minimamente um quadrado com 75 m de
lado para os cães dos seus moradores, para que não precisem de sair das cidades
e invadir os campos para poderem valer aos seus cães.
Outrossim, somos obrigados simultânea e
obstinadamente a pedir às direcções tutelares da protecção à natureza uma melhor
e mais activa fiscalização prà defesa da nossa rica fauna mediterrânica, uma
das mais diversificadas da Europa e do Mundo.
Eu
quero continuar a ver e a ouvir os pássaros, não desejo que desapareçam de uma
vez por todas, porque o seu chilrear traz-me vida e alento, enquanto música natural
que me desperta emoções e sentimentos. Está nas mãos de cada um querer
continuar a ouvi-los cantar! Se amanhã não os tivermos, jamais poderemos descrever
o Vale de Santarém como o fez Almeida Garrett!
PS: Curiosamente não são os caçadores quem mais viola a época da nidificação, mas os donos de cães de companhia com a sua falta de cuidado e respeito pelas aves.
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