quinta-feira, 24 de setembro de 2015

ASTÚCIA DE LOBOS, PRÁTICA DE LADRÕES

Segundo hoje tornou público a agência noticiosa canadiana CBC através do seu site, em Winnipeg, Capital da Província multicultural de Manitoba/Canadá e farta em praias fluviais, pela confluência dos rios Red e Assiniboine com grandes vales ao redor, uma matilha de lobos, constituída por 3 machos e 1 fêmea, matou 3 cães de grande porte e deixou um em muito mal estado, nos lugares de Hillside Beach e Albert Beach, de acordo com as declarações de Stewart MacPherson, Chefe da Polícia de Victória Beach. Segundo a mesma fonte, os lobos usaram de uma estratégia até ali desconhecida, usando uma loba para cativar e afastar os cães de casa, caindo-lhes depois o resto da alcateia em cima. Até ali os ataques de lobos a cães grandes eram raríssimos, acontecendo só e esporadicamente sobre cães pequenos e gatos. Que conclusões práticas podemos tirar desta notícia, enquanto adestradores de cães para guarda?
Antes de respondermos à pergunta que formulámos, importa dizer que a coabitação entre lobos e animais domésticos não tem sido fácil naquelas paragens, quiçá por ausência de alimento e invasão do território dos lobos, razões bastantes para a alteração da sua dieta e comportamento. Uma vez dito isto, passemos às conclusões práticas do ocorrido, segundo o ofício que abraçámos e o nosso propósito de bem servir. Como em Portugal é raríssimo avistar-se um lobo, cães e donos podem dormir tranquilos, muito embora o que adiantamos para os cães de guarda seja também válido para os guardadores de rebanhos. Apesar dos nossos “lobos” serem outros, valem-se da mesma estratégia, quando os ladrões usam uma cadela com o cio para distraírem os cães de guarda, prática antiga e que infelizmente ainda hoje resulta.
Para evitar que os “lobisomens” sejam bem sucedidos e o nosso património venha a ser depauperado, sempre que haja essa possibilidade, aconselhamos um casal de cães para a guarda de uma casa ou moradia, porque a cadela residente bem depressa expulsará a invasora, desde que tenha o porte e o tamanho adequados para lhe fazer frente e não se encontre castrada, motivando o seu companheiro de vigília a secundá-la nesse propósito, o que não será difícil, porque a invasora ao pôr-se em fuga, constitui-se automaticamente em presa. O treino dos machos para resistirem a este apelo natural acontece no treino, que uma vez condicionados a obedecerem aos donos, resistem às cadelas em cio, o que os fará abandonar os rituais de acasalamento e aumentará o seu desinteresse. Se os cães forem castrados não correm esse risco, mas a maioria dos eunucos, ao perderem a virilidade, perdem também alguma tenacidade e a constância nas guardas. Assim, as cadelas em cio, longe de serem um impedimento, são mais do que bem-vindas às classes de adestramento colectivo pelo serviço que prestam.
E quando se trata de constituir uma matilha funcional para guarda há que ter o mesmo cuidado, o de nela fazer constar machos e fêmeas de características díspares, o que facilitará o seu escalonamento, serviço de cada um e unidade, para além de enriquecer o seu desempenho colectivo. Constituir uma matilha funcional só com machos é um tremendo disparate, porque sendo-lhes apresentada uma fêmea com o cio, longe de a escorraçarem e guardarem a casa, bem depressa guerrearão uns contra os outros pela sua posse e favores. Para os nossos leitores menos acostumados aos termos em uso na cinotecnia, adiantamos que o termo “matilha funcional” reporta-se ao conjunto de dois ou mais cães treinados que executam em simultâneo e em conjunto o mesmo serviço (sempre que o perímetro duma propriedade é maior que a velocidade do som (343 m/s), subsiste a necessidade de uma matilha funcional). Dificilmente uma loba nos entrará pela casa adentro ou no quintal seduzindo os nossos cães, mas não é impossível que uma cadela com o cio o faça a mando dum “lobisomem”. 

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