sábado, 2 de agosto de 2014

QUANDO NEM PRECISAMOS DE FALAR

Sempre temos ouvido falar de dons em contraposição ao esforço, como se ambos fossem inconciliáveis e o esforço raramente fosse premiado, o sucesso dependesse da sorte, o acerto da inspiração momentânea e a predestinação reinasse sobre todos, exclamações de quem sucumbiu à contrariedade e não ousou espreitar a vitória, desprezou a ambição e se conformou com pequenos nadas. E quando alguém consegue comunicar com o seu cão, dispensando as palavras, logo outro diz que o dono é um génio ou que o cão é uma excepção, desconsiderando o esforço de ambos para o alcance daquela simbiose, que não dispensou a coabitação, a observação mútua e o estudo recíproco, enquanto alicerces para novas formas de entendimento. O que para muitos é telepatia ou transcendental, outra coisa não é que humildade, entrega e trabalho, experiências divididas que se transformaram em lições de vida. É preciso amar para ensinar, amparar, perdoar e continuar a acreditar, para suportar os retrocessos e não esmorecer, acções que não dispensam a introspecção e o desejo de melhor servir. Os cães serão aquilo que deles fizermos e se alguns não são melhores, é porque não tiveram quem os ensinasse. Se ama o seu cão, descobrirá todo o seu potencial e novas facetas em si, desejos que realizará e que julgava impossíveis, emoções e sentimentos nunca aflorados que o tornarão mais feliz e que estenderão a mesma felicidade ao animal.

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