quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

যুক্তরাজ্য দারিদ্র্য COMPANHEIROS DE INFORTÚNIO

Sam Edmonds, um fotógrafo e operador de câmera australiano, numa viagem ao Bangladesh, descobriu na Capital daquele País, Dhaka, quando se encontrava a trabalhar junto da ONG Obhoyaronno e por indicação do seu presidente, um grupo de 10 crianças de rua que adoptaram 10 cães vadios, vivendo com eles familiarmente no Parque Robindra Shorbod daquela Cidade, maioritariamente muçulmana, infestada de cães transmissores de raiva e uma das mais populosas do Mundo, que há muito ultrapassou os 15 milhões de habitantes. Os miúdos sobreviviam e sobrevivem da apanha do plástico que encontram e servem-se dos seus magros proventos para se valerem a si e aos cães. Graças ao trabalho de Edmonds, que fotografou aqueles miúdos e cães, intitulado “Robindra Boys” e aos esforços da já citada ONG, o Governo Bengali, ao invés de proceder a um plano de matança canino generalizado, como já aconteceu noutras latitudes, levou a cabo um programa de vacinação anti-rábica sem precedentes.
As crianças saíram do anonimato ao ser conhecida a sua história através das fotos, que acabaram por enternecer meio mundo e alertar a opinião pública para o problema dos animais abandonados naquelas paragens. Pondo de parte o sensacionalismo da notícia e o seu aproveitamento político, porque histórias destas há-as por toda a parte (aqui superabundam os ciganos romenos com pinschers e os sem-abrigo com cães de toda a espécie), exalta-se uma vez mais a função terapêutica canina, a sua contribuição para o bem-estar das gentes, no combate ao ostracismo, à exclusão social e à solidão. Oxalá os miúdos sobrevivam, cheguem à idade adulta e singrem na vida. Registam-se aqui os nomes que deram aos cães (por ordem alfabética): Basha, Bullet, Jaz, Kula, Lalu, Michael, Moti, Romeo, Tiger e Tom, uns que nos são familiares e outros próprios da cultura do lugar. O final feliz da história não esconde o crime, a vergonha e a miséria de haver crianças abandonadas e jogadas na rua. Queira Deus que a Sr.ª Christine Drummond, uma neozelandesa produtora e apreciadora de comida de cão, que ainda recentemente disponibilizou 42 toneladas dela para valer às crianças esfomeadas do Quénia, não tome conhecimento dos “Robindra Boys”, caso contrário, de uma só cajadada mataria dois coelhos, sentir-se-ia imensamente feliz e benemérita, ao enviar-lhes umas quantas paletes de “junk food”! Talvez a esperança de haver vida para além da morte, nos impeça, de alguma forma, de nos matarmos todos aqui, onde a injustiça reina e o fratricídio não cessa. Força miúdos!

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