terça-feira, 13 de setembro de 2016

VENEZUELA: MORRER À FOME OU ACABAR NO PRATO

A vida dos cães na Venezuela não está fácil, como não está a dos gatos e dos pombos, com os venezuelanos a passar fome e sem ter o que dar de comer aos seus filhos. Estes animais, de um momento para o outro e por causa da crise político-económica ali instalada, são muito disputados nas maiores cidades do país onde a comida escasseia e a sobrevivência é palavra de ordem e imperativa. Com mais facilidade se resolverá o problema que afecta os cães que os problemas sociais que assolam este país latino-americano, outrora próspero e hoje esfomeado, carente de quase tudo e sujeito a toda a sorte de “madurezas”, dominado por um modelo político há muito falido, petróleo-dependente, comprovadamente incapaz de valer às mais elementares aspirações populares e obstruente às reformas estruturais que as actuais sociedades exigem. Perfila-se naquelas paragens um “Impeachment à brasileira”, um golpe de misericórdia (é uma questão de tempo), já que a acção solidária de uma ONG internacional resolverá o problema dos pets e o “chavismo” está moribundo, isolado e não tem quem lhe valha. Quando cairá Maduro do topo da árvore do poder? Só os venezuelanos nos poderão dizer!
E como há que optar entre alimentar as pessoas ou os cães (muitas delas vão para a cama de estômago vazio), também porque a ração canina custa agora o equivalente a um dia de trabalho para quem ganha o salário mínimo, os cães são doados, abandonados nas clínicas, canis de abrigo e nas ruas. A falta de comida para os animais, que já vitima também os cavalos e os grandes mamíferos do Zoológico de Caracas, tem obrigado à desesperada tentativa de se alcançarem substitutos alimentares, medida de difícil implementação e que se tem revelado insuficiente, morrendo muitos cães à fome. Os que são jogados à sua sorte e abandonados na rua (nunca se viram tantos cães de raça nessas condições: Pastores Alemães, Rottweilers e outros) ou morrem à fome ou acabam no prato. Nem mesmo o maior abrigo para cães, apelidado de “Nevado” em honra do cão de Simon Bolívar, que é estatal e obra de Maduro, escapou ao colapso diante de tamanho influxo.
Com o descarrilamento de Nicolás Maduro, outrora condutor do metro de Caracas e hoje presidente de um país esfomeado, que resiste a um pedido de ajuda internacional para o seu esfaimado (hambriento) povo, nada impede que indivíduos ou organizações estrangeiras adoptem aqueles cães, antes que os outros os carreguem e engordem para fins culinários, na incansável procura de iguarias da sua preferência.
Como sempre, ao longo da história e por todas as latitudes, os animais são os primeiros a sofrer nas sociedades em colapso, as primeiras vítimas da fome quando ela se instala. Assim aconteceu e acontece agora na Venezuela. Dios permita que los vientos cambien y que los hombres los aprovechen, que el hambre cese y los perros puedan vivir en paz al lado de sus dueños en Venezuela. 

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