sexta-feira, 4 de julho de 2014

PERDER PRECONCEITOS E BUSCAR ACERTOS

Agora que os pais actuais já não conhecem e não cantam para os filhos a canção de embalar do “Papão”, típica do Alentejo e que dizia assim “ Ó Papão vai-te daí / de cima desse telhado/ deixa dormir o menino/ um sonho descansado”, é estranho reparar que os papões (medos) nunca nos abandonaram. O último de que tivemos notícia chamava-se “Alemanha” e apareceu no 1º jogo da Selecção Nacional de Futebol para o Campeonato do Mundo, a decorrer no Brasil, porque muito antes da partida começar, já o “papão teutónico” nos havia devorado (derrotado). O mesmo sucede na canicultura portuguesa, nomeadamente com os criadores de cães nacionais, mais apostados nas tradições do que nas mais-valias das suas raças, que por medo resistem ao adestramento dos seus pupilos, quiçá para não expor publicamente os seus desacertos, como se o treino fosse tarefa exclusiva dos cães estrangeiros e os nacionais o dispensassem, preconceitos tornados pressupostos que aguardam milagres como foi o caso do “cão do Sr. Barack Hussein Obama II”, pois só assim se compreende que apenas 5% dos cães em treino sejam de raça portuguesa, cabendo ao Fila de S. Miguel o seu maior número.
Apostado em melhor conhecer a sua cadela e esperançado no seu desempenho, o Carlos Conde decidiu, depois de alguma insistência nossa, introduzir a Musa à Pista Táctica, uma fêmea de Cão de Água Português, negra, não castrada e agora com 12 meses de idade. As suas e as nossas expectativas não saíram goradas, porque a cadela venceu alegremente uma dúzia de obstáculos, acabando por fazer alguns deles em liberdade (extensor de solo, verticais de 60 e 80cms, paliçada, passerelle, bidons, ponte-quebrada, pórtico latino, pneu, muro de 1.08m, túnel e baloiço), aprendendo ainda a nadar correctamente, completamente livre, para alegria dos seus donos, rivalizando no desempenho com os cães residentes (pastores alemães). As duas fotos atrás testemunham o que acabamos de dizer e daqui exortamos todos os proprietários de cães de raça portuguesa a seguirem o exemplo dos donos e condutores da Musa (Isabel e Carlos). Um dia memorável para todos e que nos dispensou do dobrar a língua para dizer o nome da raça daquela excelente cadela. 

Sem comentários:

Enviar um comentário