quarta-feira, 22 de julho de 2009

::: Cuidado com as hienas :::

Quem for de viagem à Nigéria pode ser confrontado com o insólito, encontrar uma hiena açaimada e atrelada nas mãos de um homem (não sei como o hei-de tratar), armado de um comum porrete. Mas se lá for só por causa disso, perde tempo e dinheiro, porque a mesma imagem super abunda por aqui. Agora que a gaita-de-foles deixou de se ouvir nas planícies do Sul (os últimos focos foram na Lourinhã e em Sesimbra), vibra o porrete que veio para ficar. Mercê da novidade, uma nova cantilena vai para o cancioneiro popular: “ Pira-te, senão apanhas!”

Ironia à parte, porque de um verdadeiro drama se trata, quando os idosos saem à rua com os seus cães, vêm de porrete em riste, não vá o diabo tecê-las e encarnar na figura de um cão raivoso. A moca serve para afastar os cães alheios e faz parte da indumentária das suas idas ao jardim. Os mais novos, que se podem vergar sem dificuldade, resolvem geralmente o problema à pedrada, quando a alma é pequena e têm em consideração as suas pernas.

E a história repete-se todos os dias, um pouco por todo o lado, tal qual arraial saloio em final de feira. Há sempre um que dá e outro que leva, a rixa começa com os cães e acaba nos donos. Haverá melhor reconstituição para a evocação da Batalha de Aljubarrota?

A coreografia da contenda lembra os “Pauliteiros de Miranda”, contudo com uma diferença: enquanto os bailarinos dançam, os donos dos cães rebolam-se no chão. Mas quanto à técnica do porrete, não há dúvida, comportam-se como autênticos espadachins.

Apesar de hilariante, esta situação deve acabar, porque além de ridícula, deixa marcas e umas quantas nódoas negras, os cães ficam mais atiçados e os donos tolhidos. E porque a morte espreita, existem outros modos para aproveitar a vida.

Desde pequeno que não entendo, qual a utilidade da licença dos cães, e à medida que o tempo passa, as minhas dúvidas mais se agravam. Nunca duvidei da importância da vacinação nem da sua obrigatoriedade, facilmente se entende porquê. Se eu pago para ter cão, o que recebo em troca? Uns tantos sacos de plástico para os dejectos? A morte assistida do meu animal? Para que serve a licença afinal? A que me habilita? A circular pelos passeios a meu belo prazer? Acredito que todos os cães-hienas se encontrem licenciados!

Tal qual os automobilistas, não deveriam os condutores de cães ser sujeitos a exame? Parece que acidentes não faltam, alguns até de graves consequências, não é isso que nos chega através dos noticiários? Porque é mais fácil reprimir do que construir, eu acredito na formação em detrimento da coima, porque mesmo que se proíba os cães de sair à rua, os seus donos continuarão a não saber conduzi-los.

Quero acreditar que no futuro, uma vez aprovado um código de conduta para os cães, os centros de treino caninos funcionarão como escolas de condução, instruindo e propondo os seus binómios a exame, quer ele venha a ser autárquico ou nacional. Só assim consigo entender a licença relativa aos cães, que deverá acontecer mediante aprovação em exame e constituir-se em habilitação. Até lá, zumbe o porrete e salve-se quem puder! Cuidado com as hienas.

1 comentário:

  1. Mestre João,
    Efectivamente o seu texto é um tiro na "mouche"!
    E nem de propósito, comentava faz uns dias atrás tal facto com um amigo, que estou a tentar acordar para o pôr também no bom caminho da Acendura Brava, acerca de haver tão poucos cães na Freguesia de Mafra. Pois à data de 10 de Março deste ano o Micks tornou-se no seu 43º habitante canino.
    É deveras impressionante!
    Saudações e um grande obrigado pela sua paciência e amizade! Eduardo

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