quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

DESILUDES-ME DE DIA E FASCINAS-ME À NOITE

NOTA INTRODUTÓRIA: O artigo que se segue é demasiado maçador para quem tem pressa.
A esmagadora maioria dos homens não consegue realizar os seus sonhos, idêntico percentual de cães não consegue ser feliz, alguns homens socorrem-se dos cães para aliviar o seu desalento e estes contentam-se com o que têm mesmo que sejam infelizes, ambos vivem para o presente, os primeiros porque deixaram de acreditar no futuro e os últimos porque não o alcançam, condições que transformam o infortúnio humano no pior dos flagelos caninos, graças à dependência que tudo aceita. Resultará a procura dos cães do livre arbítrio humano ou serão eles a panaceia para um mal recidivo e incurável? Se os homens não se bastam como poderão valer aos cães? De qualquer modo, se os homens quiserem, os cães poderão ser felizes, porque têm como divindade quem os criou para o seu serviço, agarrando-se aos seus donos como se de deuses se tratassem. Nós acreditamos nisso, apesar de não ser fácil pôr um cego a guiar outro ou servir-nos dum derrotado como exemplo para um vencedor. Vamos a um hipotético binómio do qual se poderá dizer que “junta a fome à vontade de comer”.
Comecemos pelo dono e condutor do cão, um homem simpático e educado; de formação superior; a uma dezena de anos da andropausa; divorciado; a viver em casa dos pais; a coabitar com o pai reformado e atormentado pela depressão da 3ª idade; obeso; em má forma física; outrora enredado pelo alcoolismo; com baixa médica sensivelmente há doze meses; a quem foi diagnosticado uma depressão grave (ainda em tratamento); que não dispensa a psicoterapia e os psicofármacos, “esgotamento” evidenciado pelos seguintes sintomas:
Humor depressivo durante a maior parte das horas diárias; choro esporádico e sem razão aparente; cefaleias; diminuição do interesse e do prazer em quase todas as actividades; distanciamento dos amigos de longa data; vontade excessiva para comer; alterações intestinais; insónia; lentidão psicomotora; fadiga e perca de energia; diminuição do interesse sexual; sentimentos de desvalorização; ausência de preocupação com a sua própria imagem; culpa excessiva e inadequada; alterações de pensamento, concentração e memória; dificuldade em ler e assimilar novos conteúdos; indecisões constantes e sem razão de ser; aceitação de comportamentos abusivos para não causar atritos; pensamentos mórbidos (dizia-se importunado por vozes) e tentativa de suicídio.
Voltemo-nos agora para o cachorro e para as suas principais características. Trata-se de um animal de índole submissa; descendente em parte de exemplares de exposição; sujeito a um mau imprinting e desmame; atento; já sexualmente maduro; leve, energético e de propensão atlética; com fraco impulso ao alimento e superior impulso ao conhecimento; com uma curva de crescimento alongada; de fácil sociabilização; interactivo; afável; curioso; disponível para a novidade de desafios; que se mostra decidido à noite e temeroso de dia, escapando-se com a cauda por entre as pernas quando o tentam afagar até que o sol se ponha (daí o título deste artigo). E porque os cães não são só produto da genética e são em grande parte reflexo do ambiente que os rodeia, sendo por vezes difícil identificar-lhes se determinados comportamentos são de origem genética ou ambiental, por serem animais sociais, vamos descrever agora quando foi adoptado, com quem coabita, em que condições se encontra alojado e quais as rotinas diárias a que se sujeita.
O ainda cachorro foi adoptado aos 3 meses de idade, resgatado dum canil por uma família constituída por um casal de septuagenários e pelo seu filho, que já tinham dentro do apartamento outro cão, animal que não lhe causou entraves nem oposição mas que em simultâneo não lhe serviu de mestre, possivelmente por ser de menor tamanho e ser objecto de tratamento antropomórfico, apesar de vivo, guloso, ciumento e ardiloso. A coabitação do cão e a sua interacção com os três residentes humanos tem acontecido de três modos díspares: com a anuência de um, a tolerância doutro e com a cumplicidade possível do seu dono, condições que levam o considerar aquele lar como seu território, onde se sente à vontade e perfeitamente integrado. No que concerne ao peso ambiental resta dizer que o animal frequenta classes de adestramento nocturno.
Como contributo para o duplo tema aqui tratado, que abraça a precariedade da liderança e os seus reflexos negativos nos cães, adianta-se que pesquisadores austríacos, da Universidade de Viena, publicaram recentemente os resultados de um estudo feito com 100 cães e seus proprietários, onde comprovaram que ambos influenciam directamente na disposição duns e doutros (díades sociais), que essa influência é maior dos homens para os cães que o contrário, que os cães são sensíveis aos estados emocionais dos donos, podem reflectir as suas emoções e que ao apoderarem-se delas por ajustamento, podem espelhar idêntico comportamento. Agora, de uma vez por todas, não podemos falar só de zoonoses, somos também obrigados a falar das doenças que causamos aos cães, nomeadamente as passíveis de alterar do seu comportamento e comprometer o seu bem-estar, onde o stresse ocupa um importante lugar enquanto afecção e modo dissimulado de crueldade.
De acordo com o caso hipotético que aqui tratamos, facilmente se antevê que estamos perante um binómio desajustado, que os dois elementos que o constituem são problemáticos, que os problemas vividos pelo dono acabem por reflectir-se no cão, independentemente das menos valias do animal. E se isto é verdade (tudo nos leva a crer que sim), então a solução dos problemas do dono acabará também por solucionar os visíveis no cão, que sem ter idade e treino para isso, outra coisa não tem sido que um animal de terapia, um terapeuta de valor inestimável que insiste em devolver o seu dono à vida e à felicidade que ambos não dispensam.
Dissemos dois parágrafos atrás que o cão frequenta classes de adestramento mas não dissemos que o seu dono está a educá-lo debaixo da supervisão de um adestrador, personagem de suma importância para a recuperação de ambos, porque dependendo da pedagogia que emprega, tanto poderá auxiliar como agravar os problemas daquele binómio, ainda hoje de costas viradas e carenciado de reconciliação. Diante desta situação não sobrará outra opção ao cinotécnico do que ajudar na recuperação do dono para que este venha a valer ao cachorro, caso que irá exigir raro tacto como iremos ver a seguir.
Com o dono emocionalmente abatido, indeciso, com ausência de amor-próprio, desmotivado e pouco interessado, acossado pela lentidão psicomotora e pela fadiga, com dificuldades na apreensão de novos conteúdos de ensino e a assumir culpas alheias para não causar atritos, apelar à disciplina e exigir rigor são pressupostos de ensino contraproducentes que mais agravariam o seu estado. Ao invés, há que suscitar-lhe a afeição pelo animal para que a cumplicidade dela resultante opere a melhoria de ambos, através de exercícios ao alcance do cão que aumentem a confiança e o bem-estar do dono, levando-o depois disso à aquisição das rotinas necessárias à sua reinserção social por conta da experiência feliz havida.
Perguntar-se-á depois: Então e o cão? Propositadamente escolhemos um cão serôdio para este binómio, com uma curva de crescimento maior e mais lenta, já a pensar nas possíveis delongas que a recuperação do seu dono possa apresentar, bem como na felicidade do animal. Convém dizer que perante indivíduos afectados por depressões graves, para além do pormenor da curva de crescimento do cão, este deverá ser submisso, meigo, com um alto coeficiente de aprendizagem, fácil de satisfazer, de alguma forma rústico e de fácil interacção. Compreende-se porquê – ele irá ser um terapeuta, um subsídio complementar e seguro para a recuperação do seu proprietário. Respeitadas as condições que atrás adiantámos, o cão irá ser feliz e trará felicidade ao seu dono, conseguirá aperceber-se dos seus estados de ânimo e de pronto correrá em seu auxílio quando tal se justificar, convidando-o para o abandono da letargia e desafiando-o para a interacção.
Por mais fraco que seja um cão, ele sempre fará das tripas coração para que o seu dono se robusteça e sinta bem. Quem educa quem? Não faltam casos em que os cães ensinaram os seus donos a apreciar os simples prazeres desta vida. Como é bom não estar só e usufruir da companhia de um cão, ter alguém que nos ajude a saltar da escuridão para a luz!     

O HOMEM DE FLORIANÓPOLIS VISITOU-NOS

No passado Domingo recebemos a visita do Marcelo, um brasileiro de Florianópolis que assistiu aos nossos trabalhos e que foi transportado para o efeito pelo Hugo. De sobrenome Alves, o nosso visitante não pretende e não consegue esconder as suas origens portuguesas. Agradámo-nos da sua presença, respondemos às suas questões e aguardamos novas visitas. Para quem não sabe, adianta-se que em Florianópolis, Capital do Estado de Santa Catarina, no Sul do Brasil, a presença da colonização açoriana é assaz evidente, o que de certa forma transforma a visita do Marcelo a Terras Lusas num regresso a casa. Será sempre bem-vindo entre nós!

NUNCA FORAM TANTOS NUM SÓ DIA

Anteontem, Segunda-feira dia 13 de Fevereiro, foi o dia em tivemos mais leitores dos Estados Unidos: 474, número que superou o dos leitores de língua portuguesa conjuntamente. Desde o início desta publicação, que não é publicitada em nenhuma rede social, que os leitores americanos ocupam o 3º lugar no “TOP 10 DE LEITORES POR PAÍS”, somando até hoje 15.000 visitantes, sendo antecedidos por portugueses e brasileiros e precedidos por russos e alemães (oxalá continuemos a ser alvo do seu interesse). Entretanto, cresce o número de leitores dos Países Bálticos, Hungria, República Checa, Polónia, Albânia, Bangladesh, da Indochina e de países de influência hindu. O número de brasileiros tem aumentado significativamente e os espanhóis são os que mais aumentaram nos últimos seis meses. Anteontem foi o dia dos norte-americanos e assim vai este blogue pelo mundo.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

OS ACTORES, A MATILHA E A HISTÓRIA DAS 5 PEDRINHAS

Não se sei os actores chegam a atingir a idade adulta alguma vez, se a sua versatilidade não depende de serem eternamente crianças e da capacidade invulgar de continuarem a sonhar, dando corpo a personagens que parecem vir de si pela transmutação que nos convence. Por força daquilo que bem fazem, chegam a não fazer nada por si mesmos, dominados pela ficção que os prende e afasta da realidade na procura do efémero e momentâneo aplauso que lhes desconsidera o futuro. Gente estranha que parece viver arredada dos problemas quotidianos e destituída de senso comum, capaz de dar vida mas não de a compreender.
Certo dia, quando me encontrava rodeado por alguns deles, num intervalo de filmagens que aproveitavam para aliviar o stress, repreendi-os por estarem a abusar da boa vontade dum cão, já que o obrigavam a obedecer a todos indistintamente como se de uma máquina ou brinquedo se tratasse. E como lidar com gente sensível exige certo cuidado, comecei por explicar-lhes que os cães são animais sociais, que se aglomeram em matilhas e que estas têm um escalonamento próprio, tirado a partir do seu líder até ao mais submisso dos cães, adiantando-lhes também que os nossos fiéis amigos, ao coabitarem connosco, esperam de nós aquilo que o seu grupo natural lhes daria.
Para que melhorem entendessem o erro em que incorriam, peguei em cinco pedras para explicar-lhes como funciona a hierarquia dentro duma matilha, representando cada pedra um cão. Com as pedras enfileiradas, expliquei-lhes que a primeira dominava sobre as restantes; que a segunda submetia-se à primeira e dominava sobre as outras três; que a terceira obedecia às duas primeiras e sujeitava as duas últimas; que a quarta sujeitava-se às três primeiras e dominava sobre a quinta e que esta se submetia a todas, lugar social geralmente destinado aos mais fracos e inibidos.
Através daquele exemplo concreto conseguiram compreender que estavam a promover o enfraquecimento do carácter daquele cão e a fazê-lo infeliz, a operar a sua despromoção e a remetê-lo para o último lugar do escalonamento social, despropósito que operaram quando o obrigaram a obedecer a todos. Agradeceram a explicação e partiram contentes, apesar de repetirem no dia seguinte o mesmo erro. Deveria ter guardado as pedras no bolso para depois os correr à pedrada? Há quem diga que sim mas nós pensamos que não, porque a educação de homens e cães é um processo continuado que exige tempo, perseverança e paciência.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

DONOS: PAIS BIOLÓGICOS OU PAIS PEDAGÓGICOS?

Em vão tentam inúmeros cidadãos ser pais biológicos dos seus cães e muito poucos conseguem ou intentam ser seus pais pedagógicos. A sociedade envelhecida em que vivemos parece estar louca, como loucos andam os cães de certa gente, verdadeiros meninos rabinos que somos obrigados a suportar e que transformam os nossos dias num Carnaval constante. Perante a novidade, quem deverá adaptar-se: a sociedade aos cães ou vice-versa? Nós não temos dúvidas mas há por aí muita plebe que as tem! 

PIADA DA SEMANA

Se o México deixar de enviar cocaína para os Estados Unidos durante dois meses, são os próprios americanos que derrubam o muro!

ESTENDE-ME A MÃO E SEREI UM CAMPEÃO!

Na semana passada o Hugo saiu do treino abatido porque o Tyson não conseguiu atravessar a fossa, caindo sistematicamente do tronco que a atravessa. Hoje saiu extasiado porque o cão conseguiu levar de vencida aquele obstáculo. O Tyson é um CPA morfologicamente côncavo que apresenta jarrete de vaca, abatimento de metacarpos e mãos divergentes, menos valias estruturais que o impedem de ir adiante em passadeiras estreitas e redondas por ausência de equilíbrio. Perante animais com estas dificuldades e insuficiências, visando a ultrapassagem de obstáculos deste tipo, convém ensiná-los a avançar primeiro os membros posteriores e ampará-los durante a progressão, técnica que o Hugo assimilou e que surtiu o resultado esperado. Hoje este condutor canino aprendeu uma grande lição: “que a vontade do dono é alma do cão”. O cão perfeito ainda está para chegar e aqueles que chegam mais longe devem-no aos donos, porque sempre que necessário estendem a sua mão para ajudá-los. 

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O RANKING semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2013
3º _ UM FINLANDÊS POUCO CONHECIDO: O CÃO DE URSOS DA CARÉLIA, editado em 12/10/2014
4º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011 
5º _ PASTOR DE SHILOH: SUPER-CÃO OU DECEPÇÃO?, editado em 23/01/2014
6º _ COMO FALAR PARA QUE ELES NOS OIÇAM?, editado em 05/02/2017
7º _ OBSTÁCULOS PORQUÊ?, editado em 04/02/2017
8º _ O CÃO CHAMADO RAIO QUE O PARTA, editado em 05/02/2017
9º _ O CÃO LOBEIRO: UM SILVESTRE ENTRE NÓS, editado em 26/10/2009
10º _ OS CÃES DA NICOLE SCHLAEPFER, editado em 30/04/2014

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim escalonado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Alemanha, 5º Moçambique, 6º Espanha, 7º Rússia, 8º França, 9º Suíça e 10º Áustria.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

DOGS ON MARIJUANA: NOT COOL

O título deste artigo não é nosso mas bem que poderia sê-lo, apesar de o podermos substituir por “DIZ-ME COM QUEM ANDAS E DIR-TE-EI QUEM ÉS”, pertence ao “New York Times” e o assunto mereceu a nossa especial atenção pelo insólito, apesar de já não estranharmos nada, depois de sabermos que alguns ingleses distribuem álcool aos seus cães, também não nos custa acreditar que alguns americanos dividam as suas “ganzas” com eles, como de facto acontece em Nova Iorque e na Califórnia (é por estas e por outras que o Trump é visto por muitos yankees como “salvador da pátria”). Mas deixemos a política para lá e vamos ao que interessa.
O flagelo da droga em Nova Iorque e o consumo de Marijuana não se limita somente aos bairros de Queens, Bronx ou Brooklyn, encontra-se disseminado por toda a Cidade e também não são só os hispânicos, as minorias raciais, os cidadãos na base da pirâmide social e os emigrantes que a consomem, há muita gente de classes privilegiadas e doutorada que não dispensa o seu consumo (delegados do Ministério Público, políticos, veterinários e por aí adiante), mau hábito que não escolhe idades e que se banalizou. Os cães dali acabam pedrados por insanidade, cumplicidade ou descuido dos donos e quando a coisa fica preta vão a correr para os veterinários. Certo é que de 2005 a 2015, o número de cães assistidos com overdose aumentou 144%, montante só ultrapassado pelo Estado da Califórnia.
Os sintomas caninos mais comuns de intoxicação por Marijuana são os seguintes: letargia, irregularidade de andamentos, locomoção em ziguezague, desprendimento de urina e hipersalivação, afortunadamente os cães não correm risco de vida, porque reagem muito bem ao som, à luz e ao movimento. O tratamento utilizado consiste em provocar-lhes o vómito, isto se a ingestão da droga for recente. Caso contrário, os animais deverão ser hidratados e conservados num lugar calmo até que os efeitos da droga desapareçam, o que poderá levar alguns dias. Até hoje não há notícia da morte de nenhum cão por inalação ou ingestão de Marijuana, apesar de alguns poderem entrar em coma ou apresentarem a pressão arterial muito baixa quando ingerem Marijuana envolta em chocolate (branco ou negro), “iguaria” muito do agrado dos seus donos.
Acontece na América, é possível que aconteça também entre nós, apesar de não haver notícia disso, porque toxicodependentes acompanhados por cães é coisa que não nos falta, como não nos faltam tontos que dão pólvora aos cães para os tornar ruins, podendo com isso intoxicar gravemente os animais e condená-los à morte, graças à mistura do enxofre com salitre e pó de carvão. Também não nos custa a crer que haja cães sujeitos a drogas mais pesadas, lá e cá, porque eles vivem na dependência dos seus donos e sujeitam-se à mesma sorte, já que a relação homem-cão é para o animal uma carta fechada – nunca sabe a que mãos vai parar! Estamos perante mais um caso de pura crueldade que viola não um, mas todos os artigos constantes na Declaração Universal dos Direitos do Animal. Diante de tamanha insanidade cada vez é mais difícil confiar cães a alguém!

domingo, 5 de fevereiro de 2017

LÁ DISSO NÃO SE PODEM QUEIXAR OS CÃES PORTUGUESES!

Os cães não param de nos surpreender, o que prova sabermos ainda muito pouco acerca deles. Por encomenda do fabricante de ração para animais “Forthglade”, no Reino Unido, foi realizada uma pesquisa com conclusões de inéditas, que nas Terras da Rainha Isabel II não são só os seus súbditos de duas pernas que sofrem de “Seasonal Affective Disorder/SAD” (Transtorno Afectivo Sazonal), que os cães padecem igualmente dessa doença e que 61% deles já se encontra afectado.
A “SAD” nos humanos, que tem como consequência deprimi-los e votá-los à letargia, condenando alguns ao consumo exagerado de álcool, resulta da ausência do sol e dos meses escuros e sombrios do Inverno. Os seus sintomas nos cães, segundo Nick Jones, um especialista em comportamento animal, apontam para letargia, aumento de apetite, irritabilidade e resistência em sair de casa. De acordo com o mesmo especialista, a melhor maneira de combater a SAD canina é convidá-los para se transferirem para perto duma janela ensoleirada, incentivá-los a permanecerem nos jardins durante as poucas horas de luz, manter-lhes o cérebro activo com operações de “busca” dentro do lar e administrar-lhes dietas equilibradas. Ora, desse mal não se podem queixar os cães portugueses, agora que o País está sob um clima quase equatorial. E se por acaso sofrem de mal idêntico, é porque os seus donos dão-lhes pouca ou nenhuma importância (oxalá o Radar, um cão ensinado por nós e a residir em Sheffield (ENG), não esteja a sofrer de idêntica maleita).

COMO FALAR PARA QUE ELES NOS OIÇAM?

Desde que nos constituímos em Escola temos instado com os nossos alunos para que se dirijam aos seus cães com uma voz clara, forte e modelada, o que nem sempre está ao alcance de todos por entraves genéticos, psicológicos e ambientais, inibições que de alguma forma comprometem o pronto cumprimento das ordens pelos cães e que atrasam o condicionamento procurado pela surdina dos códigos sugeridos (falar-se-á em surdina com eles depois de devidamente condicionados, caso não sejam matreiros ou manhosos, pois há muitos que se fazem surdos ou que aparentam algum mal-estar para não cumprirem as ordens). Recentemente uma equipa internacional de investigadores da Hunter College/Universidade da Cidade de Nova Iorque (CUNY) e da Universidade francesa de Lyon/Saint-Etienne comprovou que os cães assimilam mais rápido o discurso humano e cumprem prontamente as suas ordens quando falam com eles num timbre alto e num ritmo lento, exactamente como fazemos com os nossos bebés, o que vem reforçar o que sempre temos dito quando insistimos na entoação grave das ordens, na reforço das sílabas tónicas e na sua divisão silábica. Diante do que agora ficou comprovado, válido tanto para cachorros como para cães adultos, parece que não andámos a enganar ninguém!

O CÃO CHAMADO RAIO QUE O PARTA

Os portugueses são conhecidos nos círculos de emigração como praguejadores, como gente que larga impropérios que os outros não alcançam, caso não sejam acompanhados pela mímica que os desnuda, apesar de serem trabalhadores, pacíficos e ordeiros, empreendedores inclusive quando se encontram fora da sua terra. As gentes do Norte do País, mais ontem do que hoje, quando à vontade e entre os seus, são as que apresentam um linguajar menos elegante, demérito que compensam com a sua franqueza, solidariedade e disponibilidade, grandeza de alma que ultrapassa em muito os seus desabafos. Um dos desabafos mais aplicados aos cães é “cão do raio que o parta”, também conhecido como filho duma mãe pouco reputada, sentença que os sulistas tendem a substituir por “estupor de cão”. E como há tanto cão chamado “raio que o parta” por aí, vamos agora tentar explicar de quem se trata.
O animal assim chamado é aquele que incomoda, causa transtorno, aumenta as despesas ou obriga a trabalhos suplementares, normalmente entendidos como sobrecarga, que veio para o lar sem consenso familiar e que acaba por prejudicar quem não o mandou vir, porque ladra e não se cala (a tudo e a todos), estraga o jardim, não gosta de estar preso ou de ser confinado, vira a casa do avesso, corre dentro dela que nem um desalmado, faz as necessidades onde menos se espera, emporcalha os donos, exige atenção e limpeza, reclama pela dieta diária, rouba comida, parte ou rói o que não devia e que não pára quieto até ir à rua, onde puxa que nem um endiabrado e não se intimida com as condições climatéricas, e isto para já não se falar que pode alterar os planos familiares de férias, em suma: o cabo dos trabalhos!
Mas merecerá o cão tal vocativo? Não terá ele o direito de ser quem é? Impôs porventura a sua presença? A resposta às três questões é a mesma: não! Geralmente este animal tem um dono ou tratador forçado que não morre de encantos por ele, que o recambiaria para bem longe sem qualquer peso na consciência, não descartando a hipótese de o passar a outrem e até de o abandonar caso ninguém desse por isso, como infelizmente sempre tem acontecido. Para que não se veja nestes assados, quando pensar em adquirir um cão, pese bem os prós e os contras de tal aquisição, tendo consciência daquilo em que se vai meter, decisão que não poderá encarar de ânimo leve pelas alterações a que obrigará. 

E para que não restas dúvidas quanto aos trabalhos a que um cão obriga, para além do privilégio de o termos como companheiro ou auxiliar, vamos enunciar aqui sucintamente o que ele espera de si, protocolos que irão alterar definitivamente as suas rotinas quotidianas e que poderão chocar com alguns dos seus interesses ou prioridades, assim como do seu agregado familiar. Todos os cães requerem carinho, atenção, protecção, espaço próprio, limpeza, cuidados sanitários, educação, interacção, inserção social, excursão e respeito pela sua individualidade, enquanto espécie diferente que não dispensa o bem-estar, cuidados que reclamam a necessária disponibilidade física, intelectual, emocional, económica e temporal dos seus donos, porquanto se instituíram voluntariamente como seus líderes, protectores e mestres, tornando-os assim parte integrante do seu grupo familiar, responsabilidades que apontam também e por inerência para a coabitação harmoniosa destes animais na sociedade.
Mesmo tendo todas estas condições, se não houver unanimidade familiar quanto à aquisição do animal, é melhor desistir da tal ideia, porque mais cedo ou mais tarde estará a braços com um problema de difícil solução, provavelmente a lamentar a sua opção individual e a vociferar “cão de um raio que o parta” (nestas circunstâncias o futuro do animal não se avizinha risonho!). Escrevemos este artigo para obrigar os futuros proprietários caninos a reflectirem sobre as suas decisões, também para lembrar os que já o são dos seus deveres, assim como alertar para a necessidade do bem-estar canino e de alguma forma combater o abandono destes nossos fiéis amigos, que queremos ver como raios de sol nas nossa vidas e nunca fulminados por um raio de estrondosa ignorância, já que o “cão do raio que o parta” sempre é propriedade de quem não faz contas à vida por pensar que tudo é descartável. Quer um cão? Agora já sabe aquilo que o espera!
Porque apreciamos cães, temos conhecimento do seu valor e estamos-lhes gratos, voltaremos a este assunto até que todos eles sejam tratados condignamente (algo nos diz que lamentavelmente iremos repetir-nos muitas vezes). Se a luz deste artigo tem todas as condições para adquirir ou adoptar um cão, porque raio não o faz? Há muitos à espera e estão loucos por fazê-lo feliz!

O MUNDO À NOSSA VOLTA: AMERICA ÜBER ALLES OR AMERICA FIRST?

Anda a Europa a curar-se das feridas que o tribalismo lhe vem causando ao longo de milénios e agora surge o Trump com uma mensagem tão velha quanto o Mundo, que no século passado por duas vezes pôs o Planeta a ferro e fogo. No Velho Continente, para além de se aguardarem com rara expectativa as cenas dos próximos episódios do “ Old Mad Donaldinho”, que de certa forma lembra o carácter impetuoso do “Donald Duck”, surgem vídeos a troçar das afirmações deste multimilionário que foi eleito Presidente dos Estados Unidos, no que parece reencarnar outro que se suicidou num bunker abaixo duma Berlim destruída. E se a América é para ser a primeira nação do mundo, as outras adiantam agora argumentos para virem a ser a segunda. Os portugueses não escapam à regra e não querem perder o comboio, elaborando um vídeo onde justificam as suas pretensões: https://www.youtube.com/watch?v=mcehg0LG5J4 (para poderem vê-lo basta carregar em cima do link). Brincadeiras à parte, a paz no mundo parece mais uma vez seriamente ameaçada, queira Deus que não e que tudo não passe de uma tempestade dentro dum copo de água. Gott behüte uns Angela Merkel!

sábado, 4 de fevereiro de 2017

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O RANKING semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ A TENTAÇÃO PELOS CÃES ORIENTAIS E O THAI RIDGEBACK, editado em 15/03/2014
3º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
4º _ PASTOR DE SHILOH: SUPER-CÃO OU DECEPÇÃO?, editado em 23/01/2014
5º _ QUEM PRECISA DO ESTRANGULADOR DE BICOS?, editado em 31/01/2017
6º _ O PESO DOS 4 MESES NO CÃO DO AMANHÃ, editado em 28/10/2010
7º _ QUANDO A CONFIANÇA SUBESTIMA O RISCO, SÃO AS CRIANÇAS QUE PAGAM!, editado em 26/01/2017
8º _ CANE CORSO: O CÃO QUE NÃO BRINCA EM SERVIÇO, editado em 30/01/2017
9º _ SALUKI (سلوقی): O PRÍNCIPE DO DESERTO QUE NUNCA DORMIU AO RELENTO, editado em 02/04/2015
10º _ O DUELO ENTRE O LÍDER E O COMPINCHA, editado em 02/02/2017

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim escalonado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Alemanha, 5º França, 6º Reino Unido, 7º Quénia, 8º África do Sul, 9º Suíça e 10º China.

NOTA EDITORIAL: A SEITA E A CHUVA

Há alguns anos atrás, um menino que hoje já é papá, pouco dado ao exercício físico e mais chegado aos desportos motorizados, alcunhou a Acendura Brava de “seita”, aludindo à militância visível nos alunos desta Escola que não se detêm debaixo de sol ou chuva, quer seja dia ou noite, mostrando igual empenho e desempenho debaixo de circunstâncias climatéricas excepcionais, trocando o seu conforto pelo apego ao adestramento. Apostados na mesma tradição, os Binómios Hugo/Tyson e Paulo/Bor trabalharam hoje debaixo de chuva intensa e sem protesto na procura de melhor capacitação.
O Plano de Aula foi cumprido através de exercícios de condução dinâmica que induziram à prática de obstáculos tácticos e de endurance (fossa e muros). Os objectivos propostos foram alcançados e o Bor mostrou a aptidão que sempre notabilizou a linha Rhein-Möselring, vencendo de imediato e em liberdade a fossa para que foi desafiado, o que  também coloca de parabéns o seu criador, porque soube conservar incólume a tradição que recebeu.
Quanto à Acendura ser uma seita, sê-lo-á se entendermos esse adjectivo como sinónimo da nossa dedicação aos cães, o que longe de nos defraudar antes nos dignifica, porque continuamos a apostar na adaptação, salvaguarda e operacionalidade dos animais que nos foram confiados, compromisso que não desprezamos e que nos faz ir para diante. E se amanhã, no meio duma intempérie ou de uma forte trovoada, vir um binómio isolado a marchar no meio da rua, é bem possível que seja um “acendra”, porque dificilmente encontrará outros, já que a maioria dos donos prefere ficar de chinelos em casa com seus cães amedrontados pelos trovões.

OBSTÁCULOS PORQUÊ?

Esta semana perguntaram-nos porque não dispensamos os obstáculos do nosso método de ensino e sujeitamos os nossos cães às pistas tácticas. Como o tempo urgia e a audiência mostrava-se pouco atenta, optámos por sintetizar a nossa respostas: “ Para melhor controlo dos cães, para capacitá-los superiormente, aumentar o seu quadro experimental, proceder ao seu desenvolvimento cognitivo, dotá-los da confiança necessária para os desafios do quotidiano, operar a supressão de medos infundados e proceder à melhoria dos seus índices atléticos”. Infelizmente depois do que dissemos não voltámos a ser importunados, porque também nos interessava levantar uma questão: “Como é possível ensinar cães convenientemente sem o concurso dos obstáculos?”.

A NINHADA ESPECTACULAR E AS CONTAS QUE NINGUÉM GOSTA OU NÃO QUER FAZER

O melhor indicador do desenvolvimento de uma ninhada é peso que os cachorros vão atingindo semana a semana, normalmente associado ao pelo brilhante, ao silêncio entre as mamadas e à gradual destreza física. Todos os criadores, penso que nenhum irá dizer o contrário, dizem que têm em casa uma ninhada espectacular, muito embora não tenham como compará-la a outras, o que torna essa afirmação uma verdade subjectiva tangente à especulação. Um conhecido nosso, agora também criador de Pastores Alemães, orgulhoso da ninhada que viu nascer em casa, não se cansa de dizer que nunca viu uma assim, porque os cachorros “se encontram lustrosos e apresentam grandes patas”. E como de um amigo se trata e os amigos são para as ocasiões, perguntámos-lhe de imediato com que peso haviam nascido os promissores cachorros, adiantando-nos ele que todos haviam nascido com 450g.
Quem nestas andanças da canicultura sabe que cada criador elabora para si uma tabela de crescimento para colmatar os deficits das suas proles e assim se poder vangloriar, havendo ainda alguns que, a despeito do rigor, publicam esses valores como verdades absolutas, induzindo outros em erro e atentando contra o bom-nome das raças que indevidamente criam. Numa ninhada de Pastores Alemães até 4 cachorros, caso nasçam com 450 g, é natural que pesem às 4 semanas dez vezes mais (4.5 kg). Por cada cachorro a mais desse número há um decréscimo de peso de 10% nessa data (450g), como a ninhada do nosso amigo é composta de 7 cachorros, eles apresentarão às quatro semanas menos 30% de peso (3.150 kg), o que aponta para um aumento semanal de peso de 787.5 g, devendo pesar à primeira semana 787.5g, na segunda 1.575kg, na terceira 2.362kg e na quarta os já adiantados 3.150kg (os cachorros perdem algum peso até dois dias após o nascimento, vindo a recuperá-lo e a ultrapassá-lo nos dias seguintes).
O menor peso dos elementos de uma ninhada, para além do seu número, que pode obrigar na fase de aleitação à adição de leite de substituição, fica a dever-se à presença de parasitas, à má nutrição ou saturação das gestantes, à má qualidade do seu leite, a um desmame impróprio e também ao fraco impulso ao alimento dos cachorros, menos valia hereditária que aponta para a escolha errónea dos seus progenitores. Os cachorros espectaculares do nosso amigo, agora com duas semanas, pesam apenas 1.020kg, menos 555g que o desejável, o que aponta para a má qualidade das dietas dispensadas à matriarca, as havidas antes, durante e depois da gestação, já que possui um substancial impulso ao alimento e o macho que a cobriu é de idêntica característica. Caso o desmame seja adequado, é possível que ele venha a dar as cachorros aquilo que o leite materno não lhe deu. Por norma e temendo animais pernaltos e incaracterísticos, nunca comprámos Pastores Alemães aos 45 dias com menos de 5kg e aos 60 com menos de 6.5kg, preferindo obviamente cachorros acima desse valor por abominarmos cães abaixo dos 36kg e cadelas abaixo dos 28kg (aconselhamos os nossos leitores a seguirem o mesmo critério).
Há casos e não são tão raros assim, em que se beneficiam cadelas de 55cm de altura com cães de 65, 68 e mais centímetros, beneficiamentos responsáveis por exemplares pernaltas e com ausência de envergadura, que apesar de mais leves, acabam por concorrer a um sem número de lesões por anomalias morfológicas que afectam a sua biomecânica, designadamente nos impactos ao solo, nas mudanças de direcção, na eventualidade de choques e diante da necessidade de travamento. Quando desejar comprar um cão, seja de que raça for, veja várias ninhadas, compare-as e tire as suas conclusões, atente para o particular dos seus pais e inquira do seu peso. Caso procure um cão para um serviço específico certifique-se que os seus progenitores são portadores das características exigidas e isentos das maleitas que normalmente afectam a sua raça, pois assim estará a contribuir definitivamente para a eliminação de exemplares desprezíveis e para a perpetuação dos expectáveis. Poderá um cão recuperar de uma criação descuidada ou desprezível? Sim, desde que haja investimento, as suas insuficiências sejam ultrapassáveis e venha a ser convenientemente acompanhado.   

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

O DUELO ENTRE O LÍDER E O COMPINCHA

Conhecemos um médico que era capaz de tudo prescrever aos seus pacientes mas que se negava terminantemente a tratar dos seus familiares e amigos mais chegados por recear vê-los ou fazê-los sofrer, endereçando-os sem qualquer pejo para os bons ofícios doutros clínicos. Igual dilema sentem os proprietários caninos que são obrigados a treinar os seus cães, por serem em simultâneo seus líderes e companheiros de brincadeira, no conflito entre a exigência e a tolerância que a razão e os vínculos afectivos sustentam. E como o dever e a disciplina esmorecem diante da afeição, à imitação do médico atrás citado, alguns proprietários caninos optam por incumbir a educação dos seus cães a outros, que por norma se fazem pagar muito bem e que nem sempre alcançam os resultados acordados e expectáveis.
Nas relações de paridade absoluta entre homens e cães, modelo que todos dizem seguir por ser agora politicamente correcto e do agrado das mentes mais ingénuas, perde-se a liderança e ganha-se o amigo, assistindo-se invariavelmente ao suborno mútuo: o dono tenta subornar o cão para que ele faça algo e cão lança mão da chantagem emocional para não o fazer, particularmente diante de exercícios mais complicados ou de maior exigência. Para que isto não suceda, importa separar os momentos lúdicos dos dedicados ao trabalho objectivo, ainda que os primeiros subsidiem e facilitem de sobremaneira o alcance dos últimos, estabelecer uma clara diferença entre os momentos de supercompensão e os pedagógicos propriamente ditos, tendo o cuidado de os equilibrar para que os cães não resistam ao trabalho e alcancem com alegria os desafios inerentes à sua capacitação.
O adestramento canino não dispensa o são equilíbrio entre a razão e a emoção, o domínio do inteligente sobre o irracional, que mediante estratégias adequadas, aproveita o potencial individual de cada cão para fim útil, transformando assim as suas respostas naturais em mais-valias. Quer queiramos ou não, a qualidade de um cão sempre espelhará a maior ou menor qualidade dos seus mestres.