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quinta-feira, 24 de junho de 2010

O adufe e o espanto

O adufe é um instrumento musical português, um pandeiro bimembrafone quadrado que foi introduzido pelos árabes na Península Ibérica entre os Séculos VII e XII. É geralmente tocado por mulheres e a madeira usada para a sua confecção é de pau de laranjeira. Hoje encontra-se essencialmente concentrado no Distrito de Castelo Branco. Um aluno nosso que nasceu nessas paragens, depois de inscrever a sua filha numa escola de equitação, admirou-se com o modo de instrução daquele estabelecimento de ensino. Para espanto seu, as aulas são colectivas e preferencialmente sujeitas à evolução circular. Mais espantados ficámos nós com a causa do seu espanto, porque recorremos ao mesmo método e sempre dissemos onde o fomos buscar. A evolução circular, a formação de esquadras, as evoluções do carrossel e até as normas relativas à segurança no escalonamento escolar que usamos, foram extraídas da equitação e das tácticas da cavalaria (a cavalo). Aconselhamos aos interessados no assunto a consulta dos seguintes textos dos cadernos escolares: “ O Círculo de 36 metros”; “ Manobras de Sociabilização” e “O Escalonamento Escolar”, a fim de dissiparem as suas dúvidas.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Uma gaivota de língua de fora

Ainda que os nossos fotógrafos não se prestem para evidenciar as nossas virtudes, contudo, mediante os erros que chapam, servem cabalmente o nosso propósito pedagógico. Aqui o caçado foi o Jorge Santos quanto intentava subir a arriba com o Juvat. O cachorro vai a desfrutar a paisagem, a admirar tudo ao seu redor e sem ajudar o condutor. Sem o auxílio da tensão da trela, mercê do esforço e porque estivemos junto ao mar, o rapaz parece uma gaivota com a língua de fora, ideia reforçada pelo movimento do seu braço esquerdo e posição pouco ortodoxa da língua. O Jorge tem que melhorar os vínculos afectivos com o Juvat e descobrir que existem outros prazeres para além da inércia e da contemplação. Subir sem o auxílio do cão é penoso, mesmo que se tente voar!

E para que se saiba como executar o exercício correctamente, aqui fica a prestação da Teresa com o Buster, ainda que a condutora pareça ir ao sabor do vento ou avance pelo auxílio de um para-pente. A maioria dos condutores teve uma prestação correcta e levou satisfatoriamente de vencida os exercícios propostos, fenómeno a que o reforço dos vínculos afectivos não foi e não é alheio.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O condutor nocturno

Há uns anos atrás, Avª de Roma acima e no meia da noite, usufruindo da companhia da saudosa Dª Beatriz Silva, fomos surpreendidos por um binómio que se deslocava irrepreensivelmente naquela mítica avenida da Capital. O adestrador agradado pelo facto exclamou: “ Ò Beatriz, aquele é que devia ser meu aluno!” Olhando mais amiúde, a Sr.ª respondeu-lhe: “ O menino não está a ver que aquele é o Diogo com o Klint! E era mesmo, um binómio da nossa Escola constituído por um condutor zeloso e acompanhado por um cão não menos brioso. Os anos passaram e o Klint está velhote, o Diogo raramente dá notícias e encontra-se distante das lides do adestramento. O binómio na foto acima é o constituído pela Princesa e pelo Ricky, que se desloca célere e compenetrado. A história repete-se ano após ano, a Princesa adquiriu a técnica e o Ricky é neto do Klint! Dá gosto ver binómios assim, principalmente quando a maioria anda “à boleia” e prestes a esborrachar-se. Princezinha aceita o recado: o cão vai ligeiramente atrasado, coisas das fotos, as suas patas dianteiras deverão ir paralelas ao pé de projecção e nunca alinhadas pelo pé de sustentação. Bem sabemos que faltam escassos centímetros, mas buscamos a perfeição.

Saltar sim, mas bem!

Este fim-de-semana reforçámos o comando de “up” e convidámos algumas das nossas crianças para fazerem de obstáculo. Para além da instalação do automatismo direccional, ao alcance de qualquer cachorro, o exercício serviu para o robustecimento de carácter dos cães em classe, contribuindo para a supressão do medo de estranhos e para a supremacia da ordem. Sucintamente, as transposições verticais quer sejam instantâneas ou alongadas, carecem da mesma técnica independentemente dos materiais usados prá construção dos obstáculos. No terceiro momento do salto, na saída, o condutor deve estar para além do obstáculo a transpor (no comprimento total da trela). E isto porquê? Para que o peso corporal do cão seja o mais rapidamente distribuído pelos seus dois pares de membros, graças à indução fornecida pelo segmento de recta. Quando se ignora este princípio técnico, por força do mau condicionamento, os cães afundar-se-ão nas saídas dos obstáculos, mesmo quando em liberdade. Quando se salta com o cão alinhado ou adiantado, o animal vê-se obrigado a rebocar o dono e tal pode ser-lhe lesivo. O vício encontra-se associado a saltos cavados ou tirados do meio da rua, isentos de marcação e entregues à fortuna, fruto duma precária obediência e resultante também da indolência dos condutores. Esta semana a proeza coube ao Eduardo e a vítima foi a Vega (foto acima).

E para que seja visível a diferença entre o correcto e o errado, evidenciamos a prestação da Teresa com o Buster (foto abaixo), com a condutora já adiantada no momento da execução. Considerando o bem-estar canino, importa mais o modo como são feitos os obstáculos do que a sua simples transposição. Para o Eduardo colocamos duas questões: quem lidera o binómio e quem ensina obediência a quem?

É de manguitos que o povo gosta!

A foto acima já foi publicada na 2ª Feira, dia 8 do corrente mês, exactamente após o 3º parágrafo do texto “O SUCESSO VEM DA INSTALAÇÃO DOMÉSTICA”. Foi ali parar pela graciosidade inata da Elisabete e não pela qualidade da condução patenteada. O exercício por si mesmo já é difícil (conduzir em simultâneo dois cães: o nosso e outro alheio), porque obriga a alguns reparos e não se pretende subjugar o cão de outrem. E nisso a Elisabete cumpriu e não mereceu qualquer reparo. O que não entendemos foi a postura de condução, um par de invejáveis manguitos sobre as trelas, como se os cães fossem dois cabazes pesados a necessitar de serem vistos. Beta, no teu caso particular (1 metro e meio mal medidos e plenos de invejável juventude), deves conduzir os cães com as mãos sobre o remate da trela (cabedal preto), descaídas naturalmente sobre as coxas. E deves fazê-lo por duas razões: para melhorar o teu equilíbrio e para não prejudicares os cães. O aumento da folga na trela possibilita a fuga dos cães e atenta contra a concentração dos animais, porque vão esganados e isso traz consequências, porque a uns pode causar stress e a outros o aumento inadequado da agressividade.

O tango dos marrecos

8 marrecos decidiram ir passear ao parque com os seus cães (foto acima). Como é sabido, um condutor avalia-se pela postura, modo de respirar e pela entoação dos comandos. A postura contraída dos condutores é normalmente transmitida para os cães. Se reparem bem, 6 deles vão cabisbaixos como os seus líderes. O Zorro vai certo por força do desaguisado do Flikke e este vai de cabeça levantada porque tem a cauda do Ricky imediatamente à sua frente. São os cães que devem olhar para os donos e não o contrário, a menos que pisem terreno minado ou procurem algo perdido. O tombar da cabeça dos condutores, enquanto expressão mímica, duas coisas pode originar: o atraso dos cães ou a sua transição imediata para o andamento seguinte. Como tal não havia sido solicitado, estamos convencidos que de uma coreografia de tango se tratava.

AVISO

Como a temática dos “apanhados” é essencialmente técnica e para uso exclusivo da Família Acendura Brava. Esta foi a sua única aparição no Blog. Doravante a sua publicação ficará restrita ao Site e será apenas visível para as pessoas nele cadastradas. Agradecemos aos nossos alunos a contribuição para o crescimento individual prático-cognitivo, porque querem melhorar e sabem que podem contar connosco na sublime arte de adestrar. A nossa virtude está na correcção dos erros e a sua solução torna-nos maiores. A aposta na mudança é o nosso objectivo e procuramos outros limites que outros nem ousam sonhar. É isso que a sigla “Fidutia et Labor” significa também para nós.