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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O miúdo que falava com os cães

Em tempos idos tivemos um aluno de Santarém, chamava-se José e conduzia um Husky. Era um aluno simpático e cordial, daqueles que enriquecem qualquer grupo e de quem se sente falta (por norma, os condutores dos huskies são gente assim). Todos os dias saia à rua com o seu cão, não dispensava a recapitulação doméstica e exercitava-se pelas vielas daquela cidade. A partir de determinada altura verificou que não estava só, que atrás dele vinha um miúdo com um cão preso por uma corda, reproduzindo todos os exercícios que ele fazia com o Husky. A caminhada comum levou-os à amizade e o Zé ficou surpreso: o miúdo não tinha cão, cada dia era um diferente, de acordo com o cão vadio que conseguisse laçar. A habilidade do infante transtornou o nosso aluno, obrigando-o a confessar o sucedido. E porque não se calava sobre o assunto, mandámos que trouxesse o miúdo. O rapazinho veio e convenceu, conduzindo todos os cães em classe de modo irrepreensível, como se participasse das lições e nelas tivesse alcançado superior aproveitamento. O adestrador ficou boquiaberto, não queria acreditar no que via: o miúdo era um fenómeno! Dirigindo-se a ele, perguntou-lhe porque não tinha cão. “Não tenho cão porque os meus pais não querem. Eu peço-lhes mas eles não me deixam ter!” Atendendo ao tempo que já passou, esse miúdo é hoje um homem, que será feito dele, terá finalmente um cão?

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Elas não sabiam (a história das duas manas)

Esta é uma histórica verídica que nos foi contada, aconteceu recentemente e serve de aviso. O nome das personagens foi alterado propositadamente, para evitar a exposição ao ridículo dos seus intervenientes. É uma história muitas vezes repetida que nem sempre tem um final feliz.
Por força do acaso ou não, duas irmãs tornaram-se vizinhas, as suas moradias eram sucedâneas e apenas um muro as separava. Uma delas, a que mais gostava de animais, era proprietária de um casal de Pastores Alemães, a outra temia os cães e sentia-se importunada com o seu reboliço, detestava o ladrar dos bichos e não fazia segredo disso. Para evitar maiores chatices, ainda que a empreitada não fosse barata, o cunhado optou por subir o muro, aumentando-o com blocos anti-sonoros. Sempre que a medrosa visitava a irmã, o procedimento era igual: primeiro prendiam-se os cães e só depois se abria o portão.
Certo dia a “Violeta” teve cachorrinhos, uma ninhada de bebés gordos e lustrosos, daqueles a que ninguém resiste e que apetece pegar ao colo. Feliz com o sucedido, a Dª Mafalda bem depressa contactou a irmã, convidando-a para os ver, o que a outra aceitou (se calhar com alguma relutância). O macho foi preso e ambas rumaram à ninhada. Os cachorros dormiam de “papo para o ar”, digerindo o rico leite materno, alimento exclusivo para a sua idade. De repente e sem razão aparente, porque a cadela nunca agiu assim e já conhecia a vizinha, a matriarca lançou-se ao pescoço da visitante, apertando-o como advertência. Nenhuma das senhoras ganhou para o susto, a admoestada perdeu o pio e ficou sem pinta de sangue. Deo Gratias que a cadela era obediente, cessando o ataque por ordem da dona da casa, já que o líder dos cães estava ausente e se encontravam ali sozinhas. Parece que demoraram algum tempo a restabelecer-se, o caso não foi para menos!

A reacção da Violeta foi natural, típica das matriarcas que intentam proteger os filhotes das mãos alheias, ainda que neste caso, o rastilho possa ter sido accionado pelo medo da visitante, condicionada pela insegurança e denunciada pela adrenalina. Quando você tiver uma ninhada, não corra riscos desnecessários, porque a história pode ter outro final.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A piada da semana

Num dos momentos de supercompensação, uma condutora dizia para os demais:
- Se acham o meu nome estranho, imaginem o do meu irmão. A minha mãe deu-lhe o nome de Pólio!
Estupefacto ao ouvir tal, o Director de Instrução questiona-a:
- A Senhora sua mãe bebe?

Esquecemos os condutores mais antigos e ausentes?

É evidente que não! Apesar de ausentes, eles viajam connosco e estão sempre presentes no Treino, os seus desaires e vitórias dão-nos a experiência para valer aos actuais. O percurso de alguns é constantemente relembrado, certos cães viraram ícones e muitos binómios exemplo. A solidez de uma escola canina sempre assentará sobre o número dos seus membros, tal qual passado que garante o presente e alicerça o futuro. Algumas personagens da nossa história “ficaram” pelo caricato das situações que criaram. Tal foi o caso dos Sr.s Manuel e Joaquim que narraremos sinteticamente e de imediato:

O Sr. Manuel era um comerciante de vinhos que detestava fiscais. Um dia contactou-nos para comprar dois cães: “daqueles que não deixam dúvidas e que põem os intrusos para correr, para me ver livre daqueles filhos da ... !” Dizia. Os seus setenta e poucos anos e os 100 kg que suportavam, dificultavam-lhe o treino dos bichos e viu-se obrigado a recorrer a um empregado: o Joaquim. “ Como o Sr. vê, não tenho condições para isto, nem idade nem saúde. Vou mandar para cá o meu empregado Joaquim. Mas fica desde já avisado: o gajo é burro que nem uma porta!”

Passados alguns dias, lá veio o Joaquim com os cachorros, vindo da terra da loba (Lourinhã). Era um individuo quarentão, roliço, ruço de pelo e rosado de cara. Cara, tinha-a de anjo! Depois de escolher o cão para iniciar os trabalhos, prontificou-se para os exercícios. “Ó Sr. Joaquim faça a paliçada, se faz favor!” O homem nem hesitou, subiu prontamente o obstáculo, com o cão admirado, a olhar para ele do solo!

sexta-feira, 27 de março de 2009

Sopa da Pedra fora de horas


Tínhamos ído fazer o reconhecimento de um futuro passeio que havemos de fazer com os nossos cães um dia destes e de regresso à Escola, a determinada altura do percurso, o Sr. João diz-me: "Vou-te mostrar onde se come a melhor Sopa da Pedra... nem em Almeirim é tão boa!". E continuou: "Como até já perdi a vergonha há muito tempo vou pedir que te arranjem uma colher da sopa para provares!". Sopa da Pedra a esta hora?...pensei eu - é que o relógio marcava 11h30... ok, vamos lá provar a tal Sopa da Pedra. Parámos nas Barras, no Restaurante A Charrua. De aspecto típico e com decoração a fazer juz ao nome lá entrámos. Fomos calorosamente acolhidos e lá veio a Sopa da Pedra. Só vos posso dizer uma coisa: é que mais uma vez o Sr. João tinha razão naquilo que diz - a sopa era maravilhosa! Por isso, um dia destes temos de lá ir todos até porque consta que as iguarias que por lá se servem são de "comer e chorar por mais". Para quem ficou com "água na boca" aqui fica o contacto do Restaurante A Charrua: 261 961 281, nas Barras (a caminho de Torres Vedras pela EN).