terça-feira, 26 de setembro de 2023

CÃES CAÇADORES DE OSSOS

 

Na Alta Baviera (Oberbayern), com sede no município de Otterfing, pertencente ao distrito de Miesbach, existe uma associação desde 2014 –  a ARCHAEO-DOGS – que treina cães para detectar ossos humanos, apoiando os arqueólogos nas suas escavações e a polícia na resolução de casos de homicídio.

Em 2022, numa escavação sob a cave de uma casa medieval no distrito de Erding, na Baviera, Dietmar H. Kroepel junto com o seu cão Flintstone e outros membros da associação ARCHAEO-DOGS encontraram dois esqueletos. Para Kroepel, ele próprio um arqueólogo treinado, foi uma missão particularmente emocionante porque a localização da descoberta era incomum, porque não é todos os dias que se encontram duas pessoas sepultadas debaixo de um casa do Séc.XVI. Tal sepultamento teria sido de emergência ou esconderia algum crime?

O arqueólogo Kroepel (na foto seguinte) fundou a citada associação depois de ter ensinado o seu velho Pastor Alemão, Flintstone, a farejar ossos. “Os cães sentem o cheiro da excreção de bactérias nos ossos”, explica Kroepel e aparentemente com muito sucesso. Desde 2016, a associação tem sido regularmente solicitada pela polícia criminal para ajudar a resolver “casos arquivados”, processos criminais ocorridos há muito tempo. Em 39 casos, encontraram o que procuravam na Alemanha, Áustria, Polónia e Itália, diz Kroepel. Ele lembra-se particularmente de um caso na região do Ruhr. Ali, Flintstone encontrou pacotes de ossos de um homem embrulhados em plástico. Um caso de assassinato provavelmente da década de 1960 – mas a identificação da vítima não foi ainda declarada. Noutros casos deste ano, familiares das vítimas também se fizeram presentes durante as buscas, podendo finalmente começar o seu processo de luto. “Esta é a minha principal motivação”, diz Kroepel, pois os “Archaeo-Dogs” são voluntários.

Flintstone, o seu primeiro cão, morreu há alguns meses. Para que o conhecimento não se perca, Kroepel treina outros donos de cães na sua casa perto de Munique. O seu objetivo é treinar duas pessoas em cada estado federal que possam assumir missões. Para isso, ministra cursos de arqueologia, geologia, decomposição e criminologia. A teoria é utilizada principalmente durante as férias de inverno, quando não é possível utilizar o solo devido à geada. A associação conta com 18 associados em todo o país em diversos estágios de formação. Eles treinam sozinhos ou em pequenos grupos, enviam vídeos do treino para Kroepel e reúnem-se de 3 em 3 meses. Há uma boa razão para que mais gente não participe na formação: Ela é muito demorada, dura cerca de dois anos (não acho que seja assim tanto tempo!).

No treino prático, os cães são ensinados primeiro a encontrar guloseimas em latas. Em seguida, os saquinhos de chá são adicionados às latas - e, finalmente, apenas os saquinhos de chá são procurados. “Realmente não importa com que transportador de odor você começa”, diz Willi Bötticher, que lidera um grupo em Saarland. “Os saquinhos de chá são baratos e o cachorro muda para um cheiro diferente muito rapidamente. Isso pode ser feito em apenas algumas semanas”. “Os cães quase prontos são treinados com ossos humanos fornecidos por arqueólogos. Antes que isso aconteça, eles podem perder o interesse por um odor específico. Porque a busca é muito árdua para os cães. Dez minutos de farejar intenso são comparáveis a uma corrida de dez quilômetros para uma pessoa”, explica Kroepel. A raça do cão não desempenha um papel significativo. No entanto, os cães de nariz comprido têm mais membranas mucosas olfactivas e, portanto, um melhor olfacto.

Mas não são apenas os cães que precisam ser treinados, mas também os seus treinadores. Eles têm que aprender a ler o cão para avaliar correctamente suas reacções. Cada cão tem sua própria maneira de relatar uma descoberta (o que deverá estar ligado aos diferentes perfis psicológicos caninos). Alguns ladram, outros deitam-se e há ainda aqueles que ficam parados a olhar com expectativa para o dono. Depois que um cão indica uma localização, ela é sempre verificada por um segundo cão, porque a escavação é cara. A ARCHAEO-DOGS tem mais cinco missões planeadas para este ano: dois casos arquivados, a busca de sepulturas no pátio da catedral em Freising e num castelo em Allgäu. Há também um projecto que acompanha os “Archaeo-Dogs” há vários anos: a busca de vítimas do nazismo no antigo campo de trabalhos forçados em Liebenau, perto de Graz. “O que mais me chocou foi uma exibição em que Bonya corria de um lado para outro num local como um louco”, diz o proprietário Bötticher sobre a operação no ano passado. Provavelmente há ali uma vala comum. Neste outono eles tentarão vasculhar a área restante para redigir um relatório final. Após isso, a “Iniciativa Memorial Graz-Liebenau” poderá solicitar uma licença de escavação para lançar luz sobre este capítulo sombrio da história.

Entre tantos ensinamentos práticos, há a retirar daquilo que a ARCHAEO-DOGS disse que qualquer cão pode ser um farejador de ossos e que o seu treino, apesar de moroso, é barato e divertido, que os treinadores dos cães têm também muito que aprender para melhor compreenderem os seus parceiros caninos e que os adestradores de cães carecem de mais e melhores habilitações para desempenharem o seu ofício.

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

EM PASSO DE CORRIDA!

 

Na tarde de ontem, domingo 24 de setembro, uma corredora de 32 anos que corria ao longo do rio Isar e que queria aproveitar os últimos raios de sol, foi mordida por um cão no município bávaro de Ismaning, no distrito de Munique, sendo ferida numa perna, estando agora a polícia local a investigar a proprietária do cão. O incidente ocorreu por volta das 17h15 quando a corredora corria em direcção a Garching e outra mulher se aproximou dela com o seu cão, De acordo com as investigações preliminares da polícia, o cão de tamanho médio mordeu a perna da corredora quando ela passou a correr. Segundo as autoridades, a jovem sofreu pequenas marcas de dentadas num joelho. Ainda não se sabe a causa pela qual o cão a mordeu repentinamente (o autor da notícia não sabe), não se sabendo também ao certo qual era a raça do cão, cuja dona aguarda agora uma queixa criminal por lesão corporal negligente. Como é protocolar nestes casos, o Escritório de Ordem Pública será informado do incidente, sendo ele quem decidirá se o cão será classificado como perigoso, se deverá sair açaimado ou se deverá passar por um teste de carácter.

Apesar do jornalista que elaborou esta notícia não descortinar a causa deste ataque canino e a polícia não se querer pronunciar antes do parecer do Escritório de Ordem Pública, “está na cara” que a corredora ao passar a correr pelo cão instigou-o a persegui-la induzido pelo movimento da mulher, pela surpresa da sua aparição ou por ambas as razões. E para fazer isto não precisa de ser nenhum cão perigoso ou feroz, porque a perseguição das presas é inata nos cães. Assim, não tenho dúvidas que estamos perante um ataque instintivo, restando saber se defensivo ou não. Para evitarmos situações desagradáveis destas, para que os cães não se assustem ou persigam quem lhes aparece vindo detrás, também para que se acostumem a imobilizar-se instantaneamente perante a saída apressada dos seus condutores, em caso de necessidade ou perante um imprevisto, é que executamos esporadicamente o exercício de “EM PASSO DE CORRIDA” nos percursos circulares da obediência linear, aquela que executamos com os cães sem o concurso dos obstáculos e sem solicitar-lhes qualquer transição de andamento, exercício que não é do agrado de todos os donos, destacando-se nestes os gordos, os inimigos do exercício físico, aqueles que já não conseguem correr e aqueles que praticamente nunca correram, apesar do exercício raramente exceder os 2 minutos e nunca ultrapassar os 5. Penso, agora todos sabemos para que serve o “PASSO DE CORRIDA” e qual a vantagem que  traz para os cães, que esta capacitação será doravante recebida com maior disponibilidade. O cão agressor de Ismaning, infelizmente, não foi objecto desta instrução e a coisa deu no que deu!

ROCKET E ROCKY: DE DISPENSADOS A INDISPENSÁVEIS

 

Mais dois cães de resgate se juntaram às fileiras da Polícia Inglesa de Nottinghamshire, perseguindo criminosos, farejando drogas e mantendo o público seguro. A equipa do Dogs Trust percebeu o incrível potencial de Rocket e Rocky enquanto estavam sob os cuidados desta instituição de bem-estar animal britânica. Ambos eram inteligentes, ávidos por aprender e tinham um grande impulso pela procura da bola, o que os tornava os candidatos ideais para o treino policial. Rocket e Rocky juntaram-se agora à estrela do Dogs Trust, Dougie, nas tarefas com seus mestres policiais. Rocket, um Malinois de dois anos, juntou-se à força em junho e demonstrou uma capacidade excepcional de rastrear suspeitos. Ele chegou aos cuidados do Dogs Trust em junho de 2022, quando era um cachorrinho de sete meses, onde o seu potencial para combater o crime foi descoberto pela equipa de Ilfracombe.

Ele foi adoptado em agosto do ano passado, passou no treino policial com louvor e deteve seus primeiros suspeitos no mês passado. Enquanto isso, o Labrador Rocky foi entregue aos cuidados do Dogs Trust Loughborough, depois que o seu dono deixou de poder cuidar dele. Recentemente certificado como cão farejador de drogas, dinheiro e armas de fogo, ele já foi destacado sob mandados e começou a encontrar drogas escondidas no seu primeiro trabalho. Rocket (na foto seguinte) e Rocky são os mais recentes de um trio de animais vindos da atrás citada instituição de bem-estar animal, indo juntar-se ao Labrador Dougie, cão detector de drogas que ingressou na polícia no ano transacto. Dougie também foi recrutado no Dogs Trust Loughborough e tem trabalhado desde então para tornar a economia nocturna mais segura.

A inspectora-chefe Amy English, responsável pela seção canina da Polícia de Nottinghamshire, disse: “Encontrar bons candidatos para o treino dos cães policiais não é fácil, por isso estamos gratos à Dogs Trust por apresentar candidatos tão excelentes. “Estes cães podem não ter tido o melhor começo de vida, mas agora encontraram um lar de longo prazo connosco e estão a prosperar sob os cuidados dos seus treinadores especializados. “Treinar cães policiais é um árduo trabalho e não há garantia de que os candidatos atenderão aos padrões exigidos, por isso é extremamente gratificante para todos na equipa quando um novo cão como Rocket, Rocky (na foto abaixo) ou Dougie retribui a fé que depositamos nele e obtém o seu primeiro grande resultado.

Louise Crawford, coordenadora do esquema de bem-estar animal da Dogs Trust, acrescentou: “O esquema de bem-estar animal também para valer à unidades policiais e nisso tem trabalhado nos últimos 21 anos e a Dogs Trust tem vindo a apoiar este esquema desde o seu início. “Achamos que todos os cães sob nossos cuidados são estrelas, mas a equipa que trabalha nos nossos centros de realojamento é treinada para identificar cães com um potencial especial para o combate ao crime e trabalhamos com forças policiais inscritas no esquema de bem-estar animal para combiná-los e fornecer assistência contínua. “Rocket, Dougie e Rocky foram identificados pela equipa dos nossos centros de realojamento de Loughborough e Ilfracombe como adequados para uma casa de trabalho. Estou emocionada que os três cães se tenham saído tão bem e sejam cães polícias totalmente licenciados pela Polícia de Nottinghamshire, alcançando tanto e atingindo todo o seu potencial. “É uma mensagem maravilhosa para promover os cães resgatados e mostrar como eles são especiais.”

A procura de candidatos a cães de trabalho nos abrigos para animais não é um exclusivo da polícia de Nottinghamshire ou da polícia britânica no geral, já que este recrutamento está a ser cada vez mais solicitado por toda parte, contribuindo para isso a gratuitidade dos animais e uma nova vaga de cães mais apropriada para os diversos desempenhos laborais caninos. A demanda fica também a dever-se a novas formas de avaliação dos cães e à erudição das actuais metodologias de treino. Longe vão os tempos em que se saía daqui para a Alemanha e para outros lugares no estrangeiro a fim de se comprarem cães de trabalho. Dirão os saudosistas: “velhos tempos”, porque o tempo agora é outro - o de honrar a prata da casa!

OS NÚMEROS DO ABATE DE CÃES PELA POLÍCIA DE SOUTH YORKSHIRE

 

Mais cães perigosos foram eliminados pela Polícia de South Yorkshire no ano passado do que nos três anos anteriores juntos. Um total de 148 cães tiveram que ser abatidos pela força em 2022. Nos anos de 2021, 2020 e 2019, os números anuais totalizaram apenas 58, 56 e 32 – e o máximo dos últimos 10 anos aconteceu em 2016, quando 96 cães em todo o condado foram apreendidos e destruídos pela polícia. Apesar deste ano ainda não estarem disponíveis os números sobre os cães abatidos, um bebé com menos de um ano de idade já foi registado como vítima de um cão perigosamente fora de controlo em South Yorkshire durante os primeiros seis meses de 2023. Também 28 crianças pequenas com cinco anos ou menos foram vítimas de crimes '008/21' no condado este ano. Este código é uma classificação do Home Office para crimes que envolvem cães que estão perigosamente fora de controlo. Mas os números que se estendem apenas até junho não retratam o quadro completo. Ainda este mês, a polícia revelou que quatro crianças - a mais nova com dois anos - foram atacadas durante um fim-de-semana de setembro pelos seus “cães de família” em South Yorkshire. E na semana passada, um homem que passeava com o seu cão em Handsworth foi atacado por um cão solto que lhe causou ferimentos graves nos braços e no peito.

Estes dados foram revelados ao abrigo de um pedido de liberdade de informação apresentado à polícia a solicitar-lhe o número de cães apreendidos e destruídos; o número de ataques de cães na última década e o número de pessoas mortas por cães em South Yorkshire. No ano passado, as vítimas mais velhas de cães perigosos, registadas na base de dados, tinham 86 e 85 anos. As vítimas mais idosas deste ano até agora tinham 82 e 81 anos. As raças dos cães destruídos pela polícia não foram registadas nos dados divulgados pela polícia, nem o motivo específico do abate de qualquer cão. No ano passado, 449 cães foram apreendidos pela polícia – quase o dobro dos apreendidos em 2021. Destes, 300 não foram abatidos - as razões para a apreensão incluíram: "cão perigoso pelas suas acções"; "cão de raça perigosa" ou ambos; “atentado ao bem-estar, abandono, ou "outros", incluindo.se no último item o caso dos cães cujos donos se encontravam presos ou que tinham falecido repentinamente. Este ano cinco pessoas até agora, até 20 de junho de 2023, foram acusadas ou intimadas a comparecer em tribunal por terem um cão perigosamente fora de controlo. No ano passado, 23 pessoas foram acusadas e outras 215 pessoas foram admoestadas através de uma resolução comunitária.

O oficial de legislação canina PC Paul Jameson, da Polícia de South Yorkshire, disse: “A nível nacional, o país viu um aumento de dois milhões de cães desde a pandemia de Covid-19 e, infelizmente, em South Yorkshire, estamos agora a ver a realidade de cães não socializados com necessidades complexas que representam um risco para o público. Recebemos em média de 150 a 185 relatos de cães fora de controlo ou que causam medo mensalmente, e não podemos fugir das horríveis capacidades desses cães, que causam mortes e ferimentos graves. Enfrentar a ameaça que esses cães representam continua a ser a nossa prioridade e peço a qualquer pessoa preocupada com um cão na sua rua ou na sua vizinhança que entre em contacto connosco. Como força policial, estamos liderar e a transmitir as nossas melhores práticas relativas à intervenção precoce para reduzir o risco e agir de acordo com as preocupações quando elas nos são relatadas. Os nossos esforços são mais fortes com a sua ajuda (do público). Se soubermos que um cão representa um risco ou está a causar medo, iremos intervir. Não destruímos todos os cães que nos forem denunciados, podemos intervir e em alguns casos trabalhar em conjunto com os proprietários para que, através da sua educação, possamos encontrar uma outra solução. Em última análise, estamos e podemos proteger as crianças e as pessoas vulneráveis que vivem com ou perto do cão”.

Que critérios são usados para decidir quando um cão deve ou não ser abatido? Polícia: “Um proprietário pode desistir de um cão e entregá-lo à polícia. Se o proprietário não desejar fazer isso e estivermos preocupados com o risco que representa se for devolvido, podemos solicitar uma ordem de confisco, concedida pelos tribunais. “A decisão de destruir um cão é baseada em vários factores. Levamos em consideração a razão pela qual foi trazido ao nosso conhecimento, a sua socialização, se tem necessidades complexas e se poderia ser realojado ou reabilitado, levaria uma vida saudável e feliz, onde não poderia causar danos ou medo. Trabalhamos, sempre que possível, com instituições de caridade (de bem-estar animal) e centros de realojamento”. Quais são as raças que são destruídas com maior frequência e se houve um aumento de alguma raça em particular? Polícia: “25 por cento dos cães que apreendemos são XL Bullys , outros incluem raças protectoras maiores, incluindo mastins, pastores alemães, Malinois, huskies, etc. Existe algum aviso que você pode dar aos donos de cães? Polícia: “Estamos a trabalhar com outras forças a nível nacional. Infelizmente, muitos dos incidentes graves que vemos podem ser evitados através da posse responsável de cães. Pedimos a todos os donos de cães que considerem o comportamento de seus cães e tomem medidas simples, como andar com trela e açaime, que procedam à instalação de caixas de correio externas, assim como ao levantamento de cercas e que  não deixem as crianças com os cães sem supervisão com cães.”

Para os proprietários caninos interessados, a polícia de South Yorkshire aconselha a consulta do CURSO DE PROPRIEDADE RESPONSÀVEL DE CÂES DA BLUE CROSS, curso que foi das primeiras forças a adoptar como parte do seu esforço na prevenção contra os graves incidentes e para a protecção do público. Dispenso-me de qualquer comentário porque a notícia é por si mesma esclarecedora e cada um pode e deve tirar as suas próprias lições ou conclusões.

domingo, 24 de setembro de 2023

OS CÃES E OS BÊBADOS

 

Na manhã de hoje, domingo, aconteceu um grave acidente em Niederau, aldeia austríaca do município de Wildschönau, no Tirol, onde um automobilista subiu a calçada e atropelou o cão de um morador local, levando também na frente um poste de iluminação e uma caixa de distribuição eléctrica. O cão acabaria por morrer pouco tempo depois devido aos ferimentos e pertencia a um morador local de 58 anos de idade que com ele passeava na calçada por volta das 06h00 da manhã. O motorista, também um morador local, homem de 43 anos, que transportava na viatura outro passageiro, não conseguiu descrever uma leve curva para a esquerda e por “motivos desconhecidos” seguiu a direito, galgou a calçada e foi atropelar o cão. O animal ficou preso na região do pneu esquerdo dianteiro e quando o seu dono tentou libertá-lo acabou por morder-lhe, vindo o animal a morrer pouco mais de uma hora depois do acidente. O condutor da viatura entrou em estado de choque e o seu acompanhante ficou gravemente ferido no rosto. Um teste de álcool ao condutor revelou que ele se encontrava significativamente intoxicado, motivo pelo qual foi a sua carta de condução apreendida no local.

Ainda antes que os bêbados lhes façam mal, já os cães não se agradam deles, eventualmente pela anormalidade do seu comportamento, progressão errante, gestos largos e desconsertados, gritaria e até pelo odor que por vezes os identifica. Devido ao seu estado de embriaguez, até o mais pacato dos cães pode ter uma reacção intempestiva, podendo agir do mesmo modo perante toxicodependentes. Perante avistamentos ou cruzamentos destes devem os condutores caninos usar de todas as cautelas, sabendo de antemão que os ébrios têm um especial fascínio pelos cães, acabando muitas vezes por serem suas vítimas ao importuná-los.

E como poucas coisas há pior do que aturar um bêbado, o melhor que há a fazer é arrepiar caminho e deixá-lo a falar sozinho! Perante a aproximação de um indivíduo neste estado, se porventura tiver o seu cão solto, prenda-o imediatamente, não vá o animal persegui-lo e causar-lhe maior dano do que aquele que o álcool já lhe havia causado. Como os bêbados estão no TOP 5 dos indivíduos que os cães mais detestam, todo o cuidado é pouco! Se eventualmente ao sair à rua com o seu cão se deparar com um bêbado inanimado e quiser socorrê-lo, prenda primeiro o animal num sítio seguro, ligue para o 112 e aguarde as instruções que lhe serão dadas – nunca avance na companhia do seu cão em direcção a um ébrio, porque o animal poderá atacá-lo!

PS: Não são só os cães que podem causar dolo aos ébrios, o contrário também acontece, porque há indivíduos que quando intoxicados e perante o ladrar dos animais, tentam agredi-los de alguma maneira diante da menor resistência dos seus donos, procurando pontapeá-los, esmurrá-los e até esfaqueá-los.

ENQUANTO UNS COMBATEM, OS OUTROS CONFIAM NA VIRGEM

 

No município de Trappenkamp, pertencente ao distrito de Segeberg e ao estado de Schleswig-Holstein, como noutros pontos da Alemanha onde o risco é iminente, equipas cinotécnicas de cães detectores de carcaças buscam cadáveres de javalis para ajudar a evitar a transmissão da peste suína africana para os porcos domésticos, nomeadamente animais jovens já afectados pela epidemia. Hoje, domingo 24 de setembro, 31 donos de cães da floresta de aventura de Trappenkamp aprenderam sobre o trabalho e o treino dos cães de busca de cadáveres de javali. Após uma introdução teórica, os seus cães tiveram que rastrear e denunciar 4 javalis escondidos num recinto de caça com 7 hectares, provando assim a sua adequação como cães de busca de caraças.

Os cães não estão autorizados a recuperar o animal morto ou a retirá-lo da vegetação rasteira”, explicou Stefanie Hausser, da associação de caçadores do distrito de Segeberg. “Não é uma questão de raça, mas sim de disposição.” As pessoas também precisam atender a certos requisitos para o revezamento. “Elas precisam de estar fisicamente aptas para poder seguir os cães no matagal”, disse Hausser. Além disso, se necessário, o dono do cão também deverá estar disponível durante a semana, se lhe for possível. Existem duas equipas de cães desse tipo em Schleswig-Holstein. A unidade de caça distrital de Segeberg foi fundada em 2018. Destina-se a prevenir a transmissão de doenças animais de javalis para os porcos domésticos e outros animais.

Provavelmente graças à Padroeira de Portugal, a imensidão de javalis que está a invadir os nossos campos e cidades diariamente, causando avultados prejuízos à agricultura, não tem até ao momento indícios de peste suína africana, porque caso tivesse, os prejuízos seriam substancialmente maiores por afectarem directamente as suiniculturas e outras explorações pecuárias, contribuindo dessa forma para o agravamento da inflação que já nos sufoca e que tende a manter-se até que a Guerra da Ucrânia acabe. Não sei se temos em Portugal cães detectores de carcaças, mas se não temos deveríamos ter, porque a isso obriga a prevenção. Por outro lado, continuo sem perceber porque é que os javalis continuam a foçar livremente dentro dos parques e jardins dos aglomerados humanos (aldeias, vilas e cidades). Não haverá por cá cercas de arame electrificadas que impeçam a passagem dos javalis e que resguardem as explorações de suínos em caso de necessidade? Sem cães detectores de carcaças e sem cercas eléctricas amovíveis, não vejo como poderemos combater uma epidemia destas nem garantir a saúde pública e a segurança das pessoas! Provavelmente só a Virgem saberá, mas ela não tem estado a pagar os prejuízos que os javalis estão a causar aos agricultores!

UM ANO DE ESCOLA E AINDA NINGUÉM PODE CUMPRIMENTAR O DONO!


Se Camões pudesse ouvir alguns daqueles que agora o evocam como mestre, voltaria a morrer ainda mais desconsolado. Imagine-se a história verídica de um comum cidadão que se dirige a uma “escola” canina para melhorar o comportamento do seu cão, na esperança de melhor o controlar. O cão, por sinal de uma raça bastante amistosa e muito estimado no seu lar, sem necessidade objectiva disso e sem antes estar garantido o seu absoluto controlo, foi desafiado para se lançar sobre um fato de ataque. Sensivelmente um ano depois de ter iniciado o treino, ninguém pode cumprimentar descontraidamente o seu dono sem se arriscar a ser mordido, incorrendo na mesma ameaça se voluntariamente se cruzar na frente deste binómio! Pagar para este autêntico disparate é algo que ultrapassa em muito a barreira do razoável e que coloca o dono imediatamente em oposição à lei atendendo à possibilidade de dolo e de crime.

Mas afinal o que é que este cão andou a fazer na escola? A aprender a ser um justiceiro para engrossar as fileiras do terrorismo urbano? Se entretanto não for controlado, é mais do que certo que acabará por morder em alguém! E se isso vier a acontecer de quem será a culpa? De quem instigou o cão a morder, de quem consentiu que isso acontecesse ou de ambos? E como ficará a situação do cão? Costuma dizer-se que este País é farto em santos, soldados e poetas, mas não o é menos em idiotas e quando falo deles, lembro-me imediatamente daquele jovem que sem razão aparente, intentou mandar a Faculdade de Ciências de Lisboa pelos ares! Infelizmente não é único, uns já foram encarcerados junto com uns tantos pirómanos e outros estão em vias de se verem privados da liberdade por limitarem abusivamente a dos seus concidadãos. Brincar aos cães é como brincar com o fogo – pode ser muito perigoso! 

sábado, 23 de setembro de 2023

DE PEQUENOS TRABALHOS SE CONSTRÓI A LONGEVIDADE

Com a atenção que os cães estão a ter e com os cuidados que lhes são dispensados, somos obrigados a falar de adestramento geriátrico, porque são cada vez mais os donos que se preocupam com o bem-estar e a longevidade dos seus companheiros caninos, mantendo-os activos bem para lá do treino de que foram alvo na sua infância, puberdade e juventude – querem vê-los saudáveis, a usufruir de uma aposentadoria participativa e radiante, capaz de garantir-lhes a interacção por mais tempo. A partir dos 8 anos, excepcionalmente antes desse idade por alguma incapacidade, os cães de trabalho entram na reforma, ainda que muitos continuem aprovados nos seus serviços até aos 10 anos de idade, particularmente quando estes são menos desgastantes. Nesta fase da vida dos cães há que propor-lhes pequenos desafios diários que lhes reavivem os códigos que nortearam a sua vida, para que possam valer-se a si próprios e mantenham a disponibilidade e a curiosidade que gradual e naturalmente tendem a diminuir. No GIF acima vemos o CPA Bohr num exercício de técnica de condução a partir do reavivamento de quatro comandos direccionais, no intuito de manter-lhe a autonomia condicionada. No GIF abaixo, a partir do uso de 5 comandos da mesma categoria, vemos o Pastor Alemão a executar um percurso multidireccional sem o acompanhamento físico do dono. 

Foi isto que andámos a fazer na aula de ontem, com o cão a executar sem dificuldade aquilo que lhe foi pedido e a merecer o aplauso de quem assistia ao seu desempenho. Como sempre, acabou por interagir com alguns parceiros ocasionais, gente desconhecida que com ele se encantou e que gostaria de ter um cão assim, levando dele gratas recordações. E, quando assim acontece, não mantemos somente em alta os seus índices atléticos, mas exercitamos também a sua sociabilização, sociabilização de que não poderá abdicar enquanto por cá andar. Os exercícios foram executados debaixo de uma temperatura amena, num lugar medianamente concorrido e sem sujeitarmos o cão à exaustão. 

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

A IMPORTÂNCIA DE TER O CÃO A LADRAR À ORDEM

 

Ontem, quinta-feira, na cidade alemã de Hamm, no estado de Nordrhein-Westfalen, aconteceu um incidente que quero comentar com os meus leitores pela sua importância para o treino canino. Uma senhora de 56 anos que passeava com o seu cão foi vitima de uma tentativa de assalto perpetrada por um homem munido de uma faca, que pretendia que ela lhe entregasse o dinheiro que trazia e o telemóvel (celular). Só que o seu Labrador começou a ladrar e assustou o assaltante, que fugiu de bicicleta com as mãos a abanar (as primeiras tentativas para encontrá-lo não surtiram efeito).

Todos nós sabemos que o “ladrar” é um aviso e não uma ameaça, pelo que até os cães mais cobardes podem fazê-lo debaixo de ordem, comando que nestes casos é conveniente ser tirado a partir da brincadeira (a recompensa só facilitará a sua assimilação). A pensar na salvaguarda do cão e do seu líder, logo que possível, o comando verbal deverá ser substituído pelo gestual correspondente, para que o animal ladre sem denunciar o emitente da ordem, assustando assim pela surpresa quem intentar fazer-lhe mal ou ao seu dono, que foi exactamente o que aconteceu na cidade de Hamm. Uso este comando normalmente no meu cão quando o deixo “quieto” em algum lugar e alguém não pára de incomodá-lo, forçando-o a interagir ou tentando suborná-lo na esperança de o tirar dali. Há distância dou-lhe o comando gestual de “ladra” e os prevaricadores costumam sair a correr sem esperar autorização! Facilmente se depreende que ter um cão a ladrar à ordem tanto pode impedir o seu roubo como até livrar o seu dono de apuros.

PS: A obtenção deste comando também pode acontecer por provocação nos cães de carácter mais sólido. Contudo, tal não é conveniente, para não vulnerabilizar a liderança e instigar o animal à rebeldia.

PIADA PARA O FIM-DE-SEMANA: ELEMENTAR, MEU CARO WATSON!

 

Um grupo de amigos combina juntar-se na casa de um deles para verem um jogo de futebol na televisão. Sempre que algum deles chegava e tocava à campainha, o cão do dono da casa corria para um canto da sala. Um dos convivas intrigado com o comportamento do animal pergunta ao seu dono a razão daquele proceder. Com a maior naturalidade deste mundo, o proprietário do animal responde-lhe: “Elementar, meu caro Watson: o cão é um Boxer!

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

 

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:

1º _ VAMOS LÁ FALAR ACERCA DA RAIVA, editado em 21/09/2023

2º _ CÃES-ROBOTS JAPONESES À PROCURA DE LARES ADOPTIVOS, editado em 17/09/2023

3º _ HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE, editado em 11/05/2016

4º _ PRIMEIRO HÍBRIDO DE RAPOSA-DAS-PAMPAS COM CÃO DOMÉSTICO, editado em 20/09/2023

5º _ COMO DEFENDER-SE DO ATAQUE DE UM JAVALI, editado em 19/08/2019

6º _ APANHAR UMAS ONDAS COM UMA PÍTON ENROLADA AO PESCOÇO, editado em 18/09/2023

7º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015

8º _ RÚSSIA NA FRENTE, editado em 21/09/2023

9º _ ACABOU A CONFUSÃO NO TEXAS, editado em 18/09/2023

10º _ VALENCIENNES: QUEM NÃO SABE BEBER VINHO, QUE BEBA …, editado em 20/09/2023

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

 

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:

1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Alemanha, 5º Suécia, 6º Espanha, 7º Moçambique, 8º Angola, 9º Canadá e 10º Itália.

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

KILIAN: UM SUECO À PROCURA DE SOBREVIVENTES EM MARROCOS

 

O KILIAN deste relato da vida real é um cão farejador que procura sobreviventes após o Terramoto de Marrocos, um Golden Retriever que faz parte de uma equipa sueca de resgate junto às Montanhas do Atlas. Ele é um veterano de missões de resgate em desastres anteriores e os seus mestres dizem que ajudou a encontrar 18 pessoas vivas sob escombros no início deste ano na Turquia. TNIRTE, Marrocos, os homens da aldeia fazem uma pausa, apoiam-se nas pás, suando - e rezam pelo doce som do ladrar de um cão. O silêncio cai pesado sobre a multidão de sobreviventes que cercam um monte de tijolos de barro vermelho e escombros de dois andares – tudo o que resta das suas casas – enquanto os cães farejadores correm, usando botas especiais para proteger as suas patas. Eles estão à procura da última pessoa desaparecida nesta aldeia - uma menina de 9 anos chamada Shaima.

O pai dela, Mohammed Abarada, escava há dias com as próprias mãos. “Ele está em estado de choque”, diz a cunhada do homem, Latifa Abarada. "Ele perdeu a primeira esposa há alguns anos e a segunda no terremoto." Mais de 50 pessoas morreram nesta aldeia de apenas algumas centenas. Durante as primeiras 48 horas após o terramoto de 8 de Setembro em Marrocos, Abarada e os seus vizinhos não tiveram ajuda externa. Eles próprios retiraram sobreviventes e corpos dos escombros, incluindo o de sua esposa. As equipas de cães farejadores da Europa chegaram agora. Os cães estão treinados para detectar sinais de vida sob os escombros.

Um deles, um golden retriever chamado Kilian, veio da Suécia e viaja pelo mundo. No início deste ano, ele participou numa missão de socorro ao terremoto na Turquia, onde seus acompanhantes dizem que ele ajudou a encontrar 18 pessoas vivas sob os escombros. Ele só ladrará se sentir alguém vivo. Todas as escavações são interrompidas enquanto Kilian sobe numa pilha de destroços. Sobreviventes, equipas de resgate e jornalistas estrangeiros  reúnem-se ao redor. O cão circula pelos destroços e concentra-se no que antes foi uma casa de banho no segundo andar – onde Abarada pensa ter visto sua filha pela última vez. Todos prendem a respiração, à espera de ouvirem o menor ruído de ladrar do cão. Um galo canta ao longe. Alguém tosse nervosamente. Kilian funga – mas permanece em silêncio. Depois de algumas rodadas, os parceiros de Kilian dão-lhe água e seguem para a próxima aldeia. Existem muitas outras aldeias como esta, onde a ajuda ainda nem sequer chegou. Depois do anoitecer, a equipa de resgate espanhola descobre o corpo da pequena Shaima – e seu pai finalmente pára de cavar.

Se houver sobreviventes, Kilian e os outros cães encontrá-los-ão e oxalá haja. Apesar do meritório trabalho dos cães, os verdadeiros heróis são aqueles ignorados marroquinos, que muitas vezes sem comer e sem beber, andrajosos e agora praticamente sem nada, não desistem de desenterrar os seus, vivos ou mortos, nem que para isso tenham que cavar com as próprias mãos, gente que voltará a erguer-se ainda mais pobre, por momentos abatida, mas jamais vencida – que exemplo de vida! Vai Kilian, vai cão e nunca te canses, porque pode ainda haver alguém a precisar da tua ajuda!

PS: Aconselham-se os alunos mais novos que ainda não compraram as botas para os seus cães que o façam quanto antes, porque elas são importantes para a salvaguarda das patas dos animais na maioria dos pisos lesivos (químicos, pedregosos, ásperos, espinhosos, gelados, quentes, etc.), pois mais vale estar preparado do que ser surpreendido por qualquer desastre natural. A habituação às botas deverá acontecer durante as aulas.

DORAVANTE OS PISTOLEIROS JÁ NÃO VÊM A CAVALO, TRAZEM CÃES

 

Não vale a pena negá-lo, as sociedades contemporâneas estão cada vez mais violentas e menos solidárias, o egoísmo está a tornar-nos insensíveis e a defesa do que é nosso numas autênticas bestas, conflitos entre cães podem culminar na morte dos animais ou dos seus donos, porque há quem saia à rua preparado para o pior, inclusive para caçar os incautos. Ontem, quarta-feira dia 20, por volta das 09h40 locais, na cidade georgiana de Atlanta, nos Estados Unidos, na 860 West Peachtree Street NW, perto da 7th Street NE, estalou uma briga entre um Pit Bull e um Yorkshire Terrier, terminando o conflito com o primeiro abatido a tiro e o segundo em estado crítico.

A polícia diz que o dono do Yorkshire Terrier atirou no Pit Bull depois que os dois donos não conseguiram separar os dois cães. O dono do Pit Bull fugiu do local (quiçá por pensar que um segundo tiro poderia acertar-lhe no fundo das costas) e só o dono Yorkshire, o atirador, esperou pela polícia. Evite a todo o custo situações de conflitos com cães, porque os pistoleiros trazem-nos agora no lugar dos cavalos. Cumpra a lei e traga o seu cão atrelado na rua, se ele morder traga-o também açaimado e se for demasiado frágil, seja previdente, não arrisque e livre-o sempre que possível da presença de cães maiores, belicosos e com donos incapazes de controlá-los. Em Atlanta só havia uma pistola no conflito, mas ninguém me garante que amanhã o dono do Pit Bull abatido já não carregue também uma. Diz-se que o amor aos cães pode dar a volta à cabeça de uma pessoa, especialmente àqueles que a desusam e que pouco ou nada têm a perder!

A região de Atlanta foi outrora habitada pelos índios Creek e Cherokee, que gradualmente foram perdendo a posse daquele território, até que em 1835 foram ilegalmente forçados a ceder o que dele restava, sendo expulsos e obrigados a ir para o que é hoje o Oklahoma. Este episódio vergonhoso da história norte-americana ficou conhecido como a “ TRILHA DAS LÁGRIMAS”.

RÚSSIA NA FRENTE

 

Rússia na frente das estatísticas europeias de propriedade de animais de estimação, nunca não na guerra que moveu à Ucrânia! Rússia, Reino Unido e Alemanha tiveram o maior número de cães de estimação na Europa em 2022. Nesse mesmo ano, o mercado europeu de alimentos para animais de estimação cresceu para 29,1 mil milhões de euros (31,1 mil milhões de dólares), com uma taxa média de crescimento anual de 5,1% durante os últimos três anos (é obra!).

Embora os gatos fossem o animal de estimação mais populoso da Europa em 2022, com 127 milhões em 26% dos agregados familiares, os cães foram apenas inferiores em um ponto percentual, com 25% dos agregados familiares europeus incluindo um cão de estimação. O relatório “FACTS AND FIGURES 2022” da Federação Europeia da Indústria de Alimentos para Animais de Estimação (FEDIAF) incluiu esses dados juntamente com uma exploração mais detalhada dos padrões de propriedade de animais de estimação na Europa.

Populações de cães de estimação na Europa em 2022: 1. Rússia – 17.558.000; 2. Reino Unido – 13 milhões; 3. Alemanha – 10.600.000; 4. Espanha – 9.313.000; 5. Itália – 8.755.000; 6. Polônia – 8.019.000; 7. França – 7.600.000; 8. Ucrânia – 4.984.000; 9. Romênia – 4.193.000 e 10. Portugal – 2.605.000.

A Europa abrigou 150 empresas de alimentos para animais de estimação no ano passado. Essas empresas operavam cerca de 200 instalações que empregavam 118.000 pessoas. Em 2022, a FEDIAF registou 91 milhões de agregados familiares europeus que possuíam pelo menos um animal de estimação. Isto significa que aproximadamente 46% dos agregados familiares europeus têm um animal de estimação, assim distribuídos: 127 milhões de gatos; 104 milhões de cães; 53 milhões de pássaros; 29 milhões de pequenos mamíferos; 22 milhões de aquários e 11 milhões de répteis.

Com a população europeia cada vez mais envelhecida e os índices de natalidade a descerem a pique no Velho Continente, lá vamos levar com o Papa mais uma vez a pedir filhos aos outros quando ele se dispensou de tê-los! Será que os adestradores ainda terão que ensinar os cães a ir e a estar na missa?  Entrar, já entram – já não falta tudo! Antigamente só entravam nas pinturas, agora, se alguém se descuidar, logo “pintam” os enegrecidos bancos. Ironias à parte, a indústria de alimentos para animais de estimação é um dos maiores e florescentes negócios deste mundo e assim continuará se os russos e outros como eles não condenarem todos à fome (homens e animais).

VAMOS LÁ FALAR ACERCA DA RAIVA

 

Ao falar sobre este assunto, sinto-me grato às anteriores gerações de portugueses que através da vacinação eliminaram do nosso território a raiva, doença terrível que continua a matar dezenas de milhares de pessoas pelo mundo afora, cabendo-nos agora a nós manter o País livre deste flagelo que tanto sofrimento causa aos infectados que conseguem sobreviver-lhe. Ontem, a ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS) pronunciou-se mais uma vez sobre a raiva, adiantando que é uma doença viral evitável por vacinação que ocorre em mais de 150 países e territórios; que causa dezenas de milhares de mortes todos os anos, principalmente na Ásia e em África, 40% das quais são crianças com menos de 15 anos de idade; que os cães são a principal fonte de mortes humanas por raiva, contribuindo com até 99% de todas as transmissões de raiva para humanos.

A raiva pode ser prevenida através da vacinação de cães e da prevenção das suas mordeduras; que após uma potencial exposição de pessoas a um animal raivoso, elas podem valer-se da profilaxia pós-exposição (PEP), que consiste na lavagem imediata e completa da ferida com água e sabão por 15 minutos, uma série de vacinações anti-rábicas e, se indicado, a administração de imunoglobulina anti-rábica ou anticorpos monoclonais, que podem salvar vidas. Globalmente, a raiva causa um custo estimado de 8,6 mil milhões de dólares por ano e que uma abordagem de saúde única garante o envolvimento de múltiplos sectores e comunidades locais para consciencializar e conduzir campanhas de vacinação em massa de cães.

Depois de enunciar estes factos importantes sobre a raiva, a OMS, num capítulo que denominou de “Visão Geral”, faz saber que esta doença viral zoonótica, evitável por vacinação, afecta o sistema nervoso central. Assim que os sintomas clínicos aparecem, a raiva é virtualmente 100% fatal. Em até 99% dos casos, os cães domésticos são responsáveis pela transmissão do vírus da raiva aos humanos. No entanto, a raiva pode afectar animais domésticos e selvagens, espalhando-se para pessoas e animais através da saliva, geralmente através de mordeduras, arranhões ou contacto directo com mucosas (olhos, boca ou feridas abertas). Crianças entre 5 e 14 anos são vítimas frequentes. A raiva está presente em todos os continentes, excepto na Antártica, com mais de 95% das mortes humanas a ocorrer na Ásia e na África.

Contudo, os casos de raiva raramente são notificados e os números registados diferem muito da carga estimada. A raiva é uma das doenças tropicais negligenciadas (DTN) que afecta predominantemente populações já marginalizadas, pobres e vulneráveis. Embora existam vacinas e imunoglobulinas humanas eficazes para a raiva, estas muitas vezes não estão prontamente disponíveis ou acessíveis aos necessitados. Gerir uma exposição à raiva, onde o custo médio da profilaxia pós-exposição à raiva (PEP) é actualmente estimado em uma média de 108 dólares americanos (juntamente com custos de viagem e perca de renda) pode ser um fardo financeiro catastrófico para as famílias afectadas, cuja renda diária média pode ser tão baixa como de 1 a 2 dólares por pessoa.

Todos os anos, mais de 29 milhões de pessoas em todo o mundo recebem PEP. Estima-se que isso evite centenas de milhares de mortes por raiva anualmente. Globalmente, o fardo económico da raiva transmitida por cães é estimado em 8,6 mil milhões de dólares por ano, além do trauma psicológico não calculado para indivíduos e comunidades. Como já se disse, a raiva é uma doença evitável por vacinação. A vacinação de cães, incluindo cachorros, é a estratégia mais rentável para prevenir a raiva nas pessoas porque interrompe a transmissão na sua origem. Além disso, a vacinação canina reduz a necessidade de PEP. A educação sobre o comportamento canino e a prevenção de dentadas, tanto para crianças como para adultos, é uma extensão essencial dos programas de vacinação contra a raiva e pode diminuir tanto a incidência da raiva humana como o fardo financeiro do tratamento de dentadas caninas.

Estão disponíveis vacinas muito eficazes para imunizar pessoas após uma exposição (como PEP) ou antes de uma exposição à raiva. A profilaxia pré-exposição (PrEP) é recomendada para pessoas com certas ocupações de alto risco como trabalhadores de laboratório que manuseiam raiva viva e vírus relacionados com a raiva e pessoas cujas actividades profissionais ou pessoais possam levar ao contacto direto com morcegos ou outros mamíferos que possam estar infectados com raiva (funcionários de controlo de doenças animais e guardas florestais). A PrEP também pode ser indicada para viajantes ao ar livre e pessoas que vivem em áreas remotas e altamente endémicas para a raiva, com acesso local limitado a produtos biológicos anti-rábicos.

Porque não era meu objectivo reproduzir na íntegra o documento da OMS (que está ao dispor de todos), mas alertar para a importância da vacina anti-rábica para a saúde da população mundial, não reproduzi ou comentei os capítulos relativos aos Sintomas, ao Diagnóstico, à Transmissão e à Profilaxia pós-exposição (PEP), o que não me impede de realçar aqui os perigos do tráfego de animais vindo do Leste europeu e de outros continentes, onde a raiva não foi ainda irradiada, razão que continua a justificar de sobremaneira a vacinação anti-rábica dos cães nascidos em Portugal. Infelizmente, e isto dói, as doenças são implacáveis com os miseráveis!