quarta-feira, 21 de junho de 2023

NÃO HÁ DE SER SÓ NA CAROLINA DO NORTE

 

Uma equipa de cientistas da Universidade Estadual da Carolina do Norte (NC State), nos Estados Unidos, identificou níveis elevados de “produtos químicos eternos” (1) no sangue de todos os cães e cavalos de estimação que testaram num estudo recente da comunidade. A pesquisa, publicada na quarta-feira na revista ENVIRONMENTAL SCIENCE AND TECHNOLOGY, estabelece os cavalos e confirma os cães como importantes espécies sentinelas para avaliar a exposição humana a substâncias per e polifluoroalquil (PFAS) (2) ligadas ao cancro dentro e fora de casa. Os painéis de química do sangue realizados nos animais também revelaram mudanças nos indicadores biológicos usados para avaliar a disfunção hepática e renal – dois sistemas que são os principais alvos da toxicidade do PFAS em humanos, de acordo com o estudo. A região central da Carolina do Norte, onde residem os cães e cavalos do presente estudo, está altamente contaminada com PFAS, devido à produção local desses compostos sintéticos de longa duração, explicaram os autores. Conhecidos pela sua capacidade de permanecer no corpo e no ambiente, os PFAS são encontrados em descargas industriais, em algumas espumas de combate a incêndios e numa variedade de utensílios domésticos.

Muitas dessas substâncias – das quais existem milhares – estão ligadas ao cancro renal, doenças da tireóide, cancro testicular e outras doenças. “Reforçando a sua utilidade como sentinelas para os efeitos na saúde humana, os animais domésticos têm uma sobreposição substancial em riscos de saúde partilhados”, afirmaram os autores. Embora este método tenha sido usado historicamente para estudar a propagação de doenças, os pesquisadores descreveram “um interesse crescente na sua aplicação para os riscos induzidos prà saúde por produtos químicos como o PFAS”. Os pesquisadores do NC State avaliaram os níveis de PFAS no sangue de 31 cães e 32 cavalos de Gray's Creek, na Carolina do Norte, a pedido de membros da comunidade que expressaram preocupação com o bem-estar dos seus animais de estimação. Todas as residências incluídas no estudo tinham água de poço, e todos eles foram analisados por inspetores estaduais e considerados contaminados com PFAS, adianta o estudo. Depois de receber um exame geral de saúde veterinária, os animais foram submetidos a uma triagem de soro sanguíneo para 33 tipos diferentes de PFAS, escolhidos com base em compostos presentes na bacia adjacente do rio Cape Fear, disseram os autores.

Entre esses 33 compostos de interesse, os cientistas identificaram 20 PFAS diferentes nos animais de estimação. Embora todos os animais participantes do estudo tivessem pelo menos uma dessas substâncias no sangue, mais de 50% dos indivíduos tinham pelo menos 12 dos 20 tipos de PFAS. Um dos tipos mais notórios de PFAS, um ingrediente industrial e comercial chamado PFOS (3), tinha as maiores concentrações no soro de cães, de acordo com o estudo. Os pesquisadores encontraram o PFHxS, um surfactante usado em certas espumas de combate a incêndios e produtos de consumo, no sangue dos cães, mas não no dos cavalos. Outros tipos específicos de PFAS – incluindo o composto conhecido coloquialmente como GenX – foram identificados apenas no sangue de cães e cavalos que bebiam água de poços. Nos cães que bebiam água de poços, os níveis médios de dois tipos de PFAS – PFOS e PFHxS – foram semelhantes aos das crianças incluídas no Estudo de Exposição ao GenX também realizado por aquela universidade na bacia do rio Cape Fear. Tais paralelos sugerem que cães de estimação podem servir como indicadores significativos de PFAS doméstico, concluíram os autores. Os cães que bebiam água engarrafada, por outro lado, tinham diferentes tipos de PFAS no sangue e não estavam livres dessas substâncias, conforme adiantou o estudo.

Na verdade, os cientistas identificaram 16 dos 20 PFAS em cães que bebiam água engarrafada. “O facto de algumas das concentrações em cães serem semelhantes às de crianças reforça o facto de que os cães são importantes sentinelas domésticas para esses contaminantes”, disse o autor Scott Belcher, professor associado de biologia na NC State, num comunicado. “E o facto de que o PFAS ainda está presente em animais que não bebem água dos poços aponta para outras fontes de contaminação dentro das casas, como poeira doméstica ou alimentos”, acrescentou Belcher. Em comparação com os cães, os cavalos em geral tinham concentrações mais baixas de PFAS no sangue, descobriram os autores. No entanto, estes animais apresentaram níveis mais elevados de uma substância chamada NBP2, um subproduto da fabricação de fluoroquímicos. Essa presença elevada de um subproduto da fabricação sugere que a contaminação do ambiente externo – potencialmente a descarga de PFAS na forragem – pode estar ligada à sua exposição, de acordo com o estudo. “Os cavalos não foram usados anteriormente para monitorar a exposição ao PFAS”, disse a primeira autora Kylie Rock, pesquisadora de pós-doutoramento na NC State, num comunicado. “Mas eles podem fornecer informações críticas sobre as rotas de exposição do ambiente externo quando residem nas proximidades de fontes de contaminação conhecidas”, acrescentou Rock.

As conclusões deste estudo são reveladoras e ao mesmo tempo preocupantes. Exige-se aqui (em Portugal) uma pesquisa idêntica em prol da nossa saúde e esclarecimento, para que se possam tomar atempadamente medidas capazes de garantir uma melhor qualidade de vida para os portugueses e para os seus animais, pois o revelado na Carolina do Norte não é um produto exclusivo daquele estado, longe disso!

(1)Produtos químicos eternos (“Forever chemicals”) são substâncias que não se decompõem no meio-ambiente e nos nossos corpos, que são resistentes à água, à gordura e ao calor, presenes numa variedade de produtos do nosso quotidiano, como embalagens de alimentos, roupas, cosméticos, papel e produtos de higiene pessoal. (2) As substâncias per e polifluoroalquil (PFAS) são um grupo de produtos químicos usados para fazer revestimentos e produtos de fluoropolímero que resistem ao calor, óleo, manchas, gordura e água. Os revestimentos em fluoropolímero encontram-se numa variedade de produtos. (3) PFOS é um produto químico sintético e um poluente persistente com efeitos nocivos ao nível do desenvolvimento; da reprodução e do sistema imunológico; também causador de problemas hepáticos e renais.

SOCIABILIZAR É PRECISO, GUERREAR NÃO É PRECISO!

 

A sociabilização dos cães entre iguais, com outros animais e com os humanos é obrigatória em qualquer parte do mundo civilizado, onde todos os cidadãos são iguais perante a lei, os direitos individuais são respeitados e ninguém é juiz em causa própria, muito menos carrasco dos demais – jamais eu e o meu cão deveremos substituir a polícia e os tribunais! Neste momento tenho em mãos a sociabilização do CPA Dobby, animal voluntarioso e generoso que reclama da sua dona uma liderança mais activa e rigorosa, maior objectividade e confiança, para que brevemente a deixe de defender gratuitamente. Na foto acima, num dos momentos da sociabilização inter pares, vemos o Dobby ladeado pelo Bohr dentro de uma moldura quadrada que serve de banco aos viandantes. Na foto seguinte, agora no período dedicado à sociabilização com humanos, vemos o Dobby a saltar sobre duas simpáticas moças que foram convidadas para o efeito.

Num dos momentos de supercompensação, tendo como fundo uma paisagem idílica, junto a um barco de recreio, vemos o Dobby na companhia da sua dona, companheira que ele muito preza e a quem devotadamente dedica a sua vida (ambos ficaram bem na fotografia).

Dando continuidade aos trabalhos de sociabilização com humanos, este Pastor Alemão foi depois levado a uma esplanada repleta de pessoas e de cães a passar, sendo ali convidado para passar por baixo de um banco duplo de jardim, cumprindo as ordens recebidas sem hostilizar fosse quem fosse ao seu redor.

Alternando as diferentes sociabilizações, para o poupar do stresse e livrar da irritabilidade, pus o Dobby a saltar na direcção contrária à do Bohr simultaneamente e sobre o mesmo obstáculo, não resultando da manobra a mais ténue das ameaças de parte a arte.

No final da aula convidámos, para relaxar dona e cão, o binómio Maria/Dobby para ultrapassar um caixa eléctrica elevada a 110 cm de altura, caixa essa que alguém adornou com a frase: “Podia ser pior”. Podia, mas não foi, porque depois de duas ou três tentativas frustradas, o binómio conseguiu vencer aquele obstáculo de alvenaria. Curiosamente, ao fundo da fotografia, vê-se uma senhora agachada com um cão, é a Stephanie com um dos seus cães, a quem dias antes foi receitado um laxante nas urgências hospitalares. Se o dito medicamento tivesse como acções secundárias o aumento da clarividência da paciente, certamente seria milagroso.

Participaram nos trabalhos dois binómios: Maria/Dobby e Paulo/Bohr. A reportagem fotográfica teve a autoria de sempre. A Stephanie foi integrada na classe de instrução e o Jorge Filipe andou a lutar pela vida. O tempo esteve esplêndido e o trabalho decorreu conforme o Plano de Aula, não havendo por isso nada mais a acrescentar.

terça-feira, 20 de junho de 2023

INCIDENTE ESCUSÁVEL

 

Conviver harmoniosamente com cães não é automático, exige algum conhecimento e o cumprimento de alguns protocolos. Quando assim acontece, evita-se um sem número de acidentes capazes de causar maior ou menor dolo a alguém. No distrito alemão de Oberhavel, localizado no estado de Brandenburg, ontem, segunda-feira dia 19 do corrente mês, pelas 07h40, num local chamado Eichenallee, uma corredora intentou ultrapassar um cavalheiro que se fazia acompanhar pelo seu Pastor Alemão. Quando ia a ultrapassar aquele binómio, o cão lançou-se sobre ela e acabou transportada para um hospital pelos paramédicos que a socorreram.

Este incidente escusável resultou a meu ver de dois factores: do descuido do condutor canino e da imprudência (ignorância) da corredora. Descuido do condutor porque não circulava com o cão açaimado e ignorância ou imprudência da corredora porque não avisou atempadamente o dono da animal da sua pretensão em ultrapassá-lo, acabando por surpreendê-lo a ele e ao seu cão, ao apresentar-se vinda das suas costas sem prévia autorização, o que muito desagradou ao cão e que o levou a identificá-la como uma intrusa ou agressora provocatória. Nestes casos, os corredores deverão atempadamente avisar os donos dos animais que pretendem ultrapassá-los, para que estes tomem as devidas cautelas. Suspeitando-se que o dono do animal não o controla eficazmente, os corredores, sem perderem o embalo, deverão sempre que possível optar por outras direcções. Quanto tal não for possível, há que suspender a corrida, não olhar o cão nos olhos, virar-lhe mui lentamente as costas e esperar que eles se afastem até uma distância considerável. Muitas vezes, sem disso tomarem conhecimento, os corredores acabam por convidar os cães a persegui-los!

A GUERRA DA PENÍNSULA DE MORNINGTON

 

Existe um conflito latente e generalizado, sem fim à vista, entre os amantes de cães e aqueles que os odeiam. Na prática, atendendo ao fim procurado, uma isca envenenada outra coisa não é do que uma mina, sendo a arma mais usada pelas milícias anticão mormente nas grandes cidades. Esta “guerra” há anos que se estendeu à Península de Mornington (Shire of Mornington Peninsula), a sudeste da área metropolitana de Melbourne, em Victoria, na Austrália, onde há vários anos são os cães assim eliminados, tanto em Mornington como em Mount Martha, depois de ingerirem restos de animais que se acredita terem sido envenenados com veneno de rato.

Neste momento o Conselho do Condado da Península de Mornington não pode ainda adiantar mais detalhes sobre o envenenamento de um cão em Tootgarook, mas o MORNINGTON PENINSULA DOG RESCUE está a alertar os proprietários caninos da região para o perigo da existência de iscas envenenadas, de carne envenenada com toxinas como isca para raposas, em trilhos de caminhada e nos parques de Melbourne até à citada península. A porta-voz deste grupo de bem-estar animal, Erin Shaw, disse que sempre houve pessoas que deliberadamente fizeram mal aos cães e que os seus donos deverão continuar a ficar atentos, alertando para a importância de circularem com eles atrelados nos locais públicos.

Alguns donos de cães disseram também que os seus animais foram afectados por peixes-balão, vivos ou mortos, levados para as praias que rodeiam a Península, cujo odor atrai os cães. Como o peixe-balão é tóxico para pessoas e animais, ele não deve ser tocado (na semana passada um cão foi levado de urgência para um veterinário em Rosebud, depois de haver tocado num peixe-balão). As farpas deste peixe podem ainda injectar veneno após serem arrancadas e não se conhecem antídotos para as suas toxinas, que podem causar doenças graves e até a morte. Os sintomas começam entre 20 minutos e duas horas depois do peixe ter sido tocado ou comido. O poster de uma página da cidade litoral de Rosebud no Facebook aconselha as pessoas a usar luvas ou a valer-se de gravetos para pôr no lixo os peixes-balão mortos que encontrarem nas praias.

Estou em crer que este conflito poderá ser amenizado quando passarmos do “estado de graça” que nos leva só a ver vantagens na aquisição de cães e passarmos a considerar também as suas desvantagens e os seus riscos para a saúde humana. Neste sentido, urge criar parques separados, uns para as pessoas sem cães e outros para aqueles que não podem viver sem eles. Atendendo ao risco de possíveis infecções, nada mais me arrepia do que ver um proprietário canino a apanhar o cocó do seu cão e ir-se embora, para depois vir um bebé mexer ou levar as mãos à boca naquele mesmo sítio! 

EM TERRA DE CÃES QUEM TEM UM OLHO É REI!

 

Há velhos levados da breca e na Nova Zelândia alguém parece ter visto o anúncio televisivo da trivago ou algo semelhante. Ronald Reagan, um cidadão da cidade de Picton, no dia do seu 81º aniversário, ontem, segunda-feira, lançou o DOGALONG, um banco de dados on-line que conecta donos e cães a hotéis, restaurantes, cafés e praias que aceitam animais de estimação em toda a Nova Zelândia. “É o meu presente de aniversário para mim mesmo”, disse ele, que conheceu o co-fundador do site, Alex Diethelm, no ano transacto e ambos ganharam o prémio principal do People’s Choice Award com a sua ideia. O conceito da dupla chamou à atenção dos jurados, que lhes sugeriram que fizessem dele um verdadeiro negócio. “Eu vejo-os como um TripAdvisor para cães, é assim que eu vejo o negócio”, disse Tracy Atkins, membro do painel de jurados e investidora no negócio.

O negócio do octogenário tem mesmo pernas para andar, porque a demografia canina não pára de crescer naquelas longínquas paragens superando a humana em 10 para 1! O aumento exponencial do número de cães aponta directamente para o desenvolvimento da indústria de serviços para animais de estimação, também para a inclusão de uma nova agência de informações e viagens como é o caso da Dogalong. Para que se possa ter uma ideia mais tangente das suas possibilidades de negócio, basta dizer que a Nova Zelândia é o lar de meio milhão de cães registados e que é o segundo país de cães per capita no mundo! Há velhos que nunca param e jovens que mal se mexem!

domingo, 18 de junho de 2023

PARECE QUE OS CÃES MORDEM MAIS NOS DIAS QUENTES E NUBLADOS

 

Segundo um recente estudo norte-americano, parece que os cães, à imitação dos humanos, ficam mais irritados quando as temperaturas sobem e os níveis de poluição do ar aumentam, muito embora os seus autores reconheçam a necessidade de novas pesquisas para confirmar essa possibilidade, conforme disse o autor principal do estudo, o Dr. Tanujit Dey, do departamento de cirurgia do Centro de Cirurgia e Saúde Pública do Brigham Women’s Hospital em Boston (foto abaixo).

Os pesquisadores usaram neste estudo dados de ataque à dentada de cães de 2009 a 2018, em oito cidades dos Estados Unidos: Dallas, Houston, Baltimore, Baton Rouge, Chicago, Louisville, Los Angeles e New York. Os dados incluíram mais de 69.000 dentadas de cães relatadas, uma média de três por dia ao longo de 10 anos. Quando os pesquisadores compararam essas informações sobre mordidas com os níveis diários de material particulado fino (PM2,5 - ozónio, temperatura, luz ultravioleta e precipitação, eles descobriram que os ataques caninos aumentaram 11% nos dias com níveis mais altos de UV; 4% em dias de temperatura mais alta; e 3% em dias com aumento dos níveis de ozónio.

Os ataques caninos diminuíram 1% nos dias com maiores níveis de chuva. Não sofreram qualquer alteração nos dias com níveis mais altos de poluição do ar PM2,5. Os resultados deste estudo foram publicados online na revista Scientific Reports, no passado dia 15 de junho, quinta-feira. Estes registos não incluíram informações sobre outros factores que poderiam ter despoletado o ataque individual de um cão (raça, sexo e se o cão foi castrado/esterilizado ou não). Os dados também não incluíam informações sobre possíveis interações anteriores entre os cães e as suas vítimas, segundo adiantaram os pesquisadores num comunicado à imprensa. Em pesquisas anteriores, dias quentes e poluídos foram também associados ao aumento da agressividade em macacos Rhesus e diferentes ratos, segundo observaram os autores do estudo.

Há pessoas que se comportam de diferente modo em dias diferentes (diz-se que “estão iguais ao dia”), pelo que não me custa acreditar que o mesmo aconteça com os cães. Porém, o presente estudo está longe de ser conclusivo e parece ser mais um trabalho para dizer que os seus autores estão vivos e que não devem ser esquecidos. Os cães, mais do que nós, encontram-se mais dependentes do relógio biológico, pelo que as mudanças climáticas por um lado e as alterações meteorológicas por outro podem suscitar-lhes ou induzi-los a alterações de comportamento. Seguindo a mesma ordem de ideias, parece que nem tudo é mau no aquecimento global, pois o aumento da temperatura na Grã-Bretanha deverá fazer diminuir ali a incidência da “SASONAL AFFECTIVE DISORDER (SAD), mal que sempre afectou muitos britânicos durante o inverno (cerca de 2 milhões), condenando-os nessa ocasião e perante uma fase mais aguda da doença a sofrer de uma depressão caracterizada pela perca de interesse por actividades de que anteriormente gostavam; pela experiência da perca de apetite ou de peso; a sofrer alterações de sono (hipersónia); a terem a percepção de estar mais lentos ou agitados; a sentirem-se com menos energia; a julgarem-se desesperançados e sem qualquer valor; a terem dificuldades de concentração e frequentes pensamentos de morte e suicídio. Será que o amor dos britânicos pelos cães tem a ver com isto, uma vez que acusam privilegiadamente as alterações providas pelo relógio biológico? Sempre há mistérios!

À SOMBRA DE OLIVEIRAS

 

Apesar de já o ter sido mais, Portugal ainda é um País de oliveiras e terra de azeite de muito boa qualidade. Com a elevada temperatura que ontem se fazia sentir, não nos sobrou outra alternativa do que ir trabalhar para a sombra, para junto de um velho olival onde os troncos das árvores em forma de fisga reproduziam “verticais cruzadas” de diferentes alturas e com díspares aberturas, próprias para serem usadas como obstáculos de um percurso linear como convém aos cães novatos na condução em liberdade, como são os casos do CPA’s Dobby e Gaia. No GIF acima vemos o desempenho do binómio Maria/Dobby, com a condutora obrigada a chamar o cão para si após cada transposição por não ter pernas para o acompanhar (o treino é para o cão e para o dono). No GIF seguinte, exactamente no mesmo percurso, vemos o desempenho do binómio Jorge/Gaia, com o Jorge a fazer de tudo para incentivar a sua cadela, que ontem se mostrou pouco encantada diante dos obstáculos naturais, apesar de não ter apresentado qualquer dificuldade em fazê-los.

Excepcionalmente alterámos o cronograma das nossas actividades, que normalmente começam pela obediência e transitam depois para a ginástica. Para não abusarmos dos cães e atentarmos contra o seu bem-estar, ao sujeitá-los a obstáculos no pique do calor, invertemos essa ordem e começámos pela ginástica. Na obediência, considerando o forte sentimento territorial do CPA Dobby, a Maria terá que dar-lhe maior atenção, ser mais rigorosa, não se esquecer que o “junto” é “ombro direito do cão; joelho esquerdo do dono” e melhorar o seu tempo de reacção face à previsibilidade das acções do Dobby.

Como já tive ocasião de dizer noutros relatórios de actividades, a CPA Gaia precisa mais de escola e de tempo com o dono, porque quando se encontra no exterior distrai-se em demasia e tende a procurar outros interesses para além da desejável interacção com o seu condutor e proprietário, muito embora responda prontamente à sua chamada, ainda que a sua atenção possa estar noutro lugar.

Participaram nos trabalhos os seguinte Binómios: Jorge/Gaia; Maria/Dobby e Paulo/Bohr. Este último binómio não aparece na reportagem das actividades, porque, como é costume, o fotógrafo-do-dia foi o Paulo. Não obstante, este binómio cumpriu acertadamente e sem delongas o Plano de Aula estabelecido. A Stephanie não compareceu por motivos de saúde (infecção intestinal) e fomos visitados pela Liliana, uma amiga da Maria. Debaixo do mote “dá-lhe para baixo”, numa alusão a uma eclosão que se deseja alegre, todos regressámos a casa bem-dispostos.

sexta-feira, 16 de junho de 2023

3 ELEMENTOS DO SEK ESCALDADOS E UM CÃO ESFAQUEADO

 

Conforme anunciou a polícia berlinense hoje, sexta-feira dia 16 de junho, os serviços de emergência foram chamados ontem a um apartamento no distrito de Tiergarten por causa de um suicídio anunciado. No decorrer da operação, os agentes policiais do SEK (Spezialeinsatzkommando) entraram com uma ordem judicial no apartamento de um homem de 33 anos no Lützowufer. Pegando numa chaleira de água a ferver, o residente despejou-a sobre os polícias, escaldando três deles nos antebraços, vindo depois a esfaquear várias vezes um cão da polícia, animal que em resposta lhe mordeu uma das coxas. Crê-se que o homem ter-se-ia ferido com uma faca, sendo por isso transportado ao hospital com ferimentos graves. Os três polícias do SEK escaldados receberam também tratamento médico no hospital (ontem a polícia tinha divulgado no Twitter que apenas dois polícias tinham sido feridos). O cão esfaqueado teve que ser sujeito a uma cirurgia de emergência numa clínica veterinária e a investigação do ocorrido segue os seus trâmites.

A SEK é uma Special Task Force inspirada na SWAT norte-americana, fortemente armada, anteriormente chamada de Sondereinsatzkommando e pertencente ao Departamento Estadual de Polícia Criminal (LKA). Unidade especial de polícia, especializada em acções anti-sequestro e ataques terroristas, ela é normalmente chamada quando a polícia supões que os suspeitos possam estar armados, sendo sobretudo usada em detenções, rusgas e buscas domiciliárias, mas também em ocasiões banais como brigas em apartamentos e perturbações da paz.

PIADA PARA O FIM-DE-SEMANA: QUEM É O MAIS INTELIGENTE?

 

Numa destas tardes quentes de junho, dois vizinhos, um americano e o outro português, qual deles o mais aldrabão, residentes no condomínio de luxo da Quinta do Lago, na freguesia de Almancil, no concelho de Loulé, discutiam acerca da inteligência dos seus cães. Diz o americano: “O meu cão é muitíssimo inteligente e de tal maneira o é que lê regularmente o jornal pela manhã!” O português, depois de mirar o vizinho de alto a baixo, responde-lhe com altivez: “Já sei disso, o meu cão já me contou!”

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

 

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:

1º _ HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE, editado em 11/05/2016

2º _ PASTORES ALEMÃES LOBEIROS: O QUE OS TORNA TÃO ESPECIAIS, editado em 02/11/2015

3º _ QUATRO ENCONTROS, QUATRO PROBLEMAS E QUATRO SOLUÇÕES, editado em 14/06/2023

4º _ RAMBO: UMA HISTÓRIA DE SUPERAÇÃO, editado em 13/06/2023

5º _ COMO DEFENDER-SE DO ATAQUE DE UM JAVALI, editado em 19/08/2019

6º _ A MARIA FOI AO GERÊS E O DOBBY TAMBÉM FOI, editado em 10/06/2023

7º _ FAZENDO A ALEGRIA DOS MAIS NOVOS, editado em 12/06/2023

8º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015

9º _ O CANIBALISMO CANINO, editado em 12/04/2018

10º _ NÃO É FÁCIL VIRAR AS COSTAS AO GERÊS E DIZER ADEUS AO MINHO, editado em 14/06/2023

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

 

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:

1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Irlanda, 5º Alemanha, 6º Suécia, 7º Rússia, 8º França, 9º Moçambique e 10º Angola.

E O MILAGRE ACONTECEU!

 

Tendo o binómio Jorge/Gaia como fila-guia, ontem foi um dia especial para a Stephanie, porque conseguiu conduzir o seu cão, o SRD Harley, pela primeira vez em liberdade, apesar de ser uma condutora excepcional que troca invariavelmente os comandos, esquece-se sistematicamente dos protocolos, desbarata a linguagem corporal, demora a exteriorizar sentimentos, ensurdece-se para os reparos, é parca a recompensar e sempre acaba por acusar o Harley do seu insucesso – que grande cão tem a Stephanie – ontem aconteceu um milagre! Na foto acima vemos os dois binómios a evoluir “em frente por 1”, com o Harley fixado na sua dona. Na foto seguinte, noutro momento do treino, vemos os binómios a evoluir “em frente por dois”, com o SRD demasiado afastado da dona e esta a olhar para parte incerta, apesar do animal não a perder de vista.

A Stephanie irá ter pela frente um longo caminho para poder vir a conduzir satisfatoriamente o seu cão, processo que a obrigará a uma profunda mudança de atitudes para que o adestramento surta efeito. Contudo, o primeiro passo está dado e com paciência (muita) outros serão dados, já que a esperança é a última coisa a morrer (conto com o cão).

Quanto à CPA Gaia, o trabalho que deveria ter feito e não fez, está agora a fazer-lhe falta e há que correr atrás do prejuízo. Curiosamente, por fortes razões ambientais, é na obediência que esta cadela apresenta maiores dificuldades, contrariando o que é comum ver-se nos indivíduos da sua linha e variedade cromática. A vida para o Jorge não está fácil, a construir uma casa, a trabalhar por turnos e ainda a acorrer a biscates, o que lhe dificulta ter ainda tempo para a família (mulher e filhos) e para a cadela. Não se faz mais depressa, faz-se mais devagar, todos hão de lá chegar!

MAIS UM PARA A CONTA DA NEW ZEALAND POLICE

 

A polícia da capital da Nova Zelândia, Christchurch, alvejou e matou a tiro um cão que na noite de anteontem atacou um morador que ficou gravemente ferido em consequência do incidente, isto segundo confirmação da polícia. A polícia deslocou para o local, Truman Road, grande número de agentes e viaturas, no subúrbio noroeste de Bryndwr, pouco antes das 18h00 locais. Sem sucesso, os agentes policiais destacados para a ocorrência não conseguiram dominar o cão e como este nas palavras da polícia “era um risco imediato para a vida humana”, os mesmos agentes decidiram alvejá-lo a tiro, acabando o cão por morrer.

O morador ferido foi transportado ao hospital e as investigações sobre as circunstâncias do ataque estão em andamento. Sete viaturas policiais, duas ambulâncias e um carro de bombeiros estiveram estacionados no local. O New Zealand Herald revelou no mês passado que 10 cães foram baleados nos últimos 12 meses. No mesmo período, 9 veados, 7 ovelhas, 2 cabras, 2 porcos selvagens, 1 porco doméstico, 1 mamífero marinho não identificado, 1 cavalo, 1 Wallaby solitário e 1 lebre foram baleados. Estes números reportam-se ao número de ocorrências do Animal Tactical Option Report (TOR), que avança onde a polícia disparou uma arma de fogo e o total dos seus disparos, separados por tipo de animal. Entre 2018 e 2022, os agentes policiais dispararam um total de 1.024 tiros contra animais, numas ilhas onde os únicos mamíferos selvagens existentes são os morcegos!

As polícias na generalidade dos países carecem de formação para poderem lidar assertivamente com os cães, reduzindo assim o seu abate despropositado e abusivo. Em simultâneo deverão ser acompanhadas nestes incidentes por entidades com competências próprias para o efeito. Não sei se o cão agora abatido era feroz ou não, mas sei que é o 11º primeiro abatido pela polícia da Nova Zelândia nos últimos tempos, o que no mínimo é lamentável – terão os cowboys atravessado o Pacífico?

quinta-feira, 15 de junho de 2023

CONFIRMADA LARVA MIGRATÓRIA EM ESPANHA

 

Trata-se um parasita intestinal presente em cães e gatos que também penetra na pele humana “por engano”, originando uma doença considerada tropical há apenas uma década e que é agora endémica em Espanha após um aumento do número de diagnósticos em pacientes que contraíram a doença sem saírem do país vizinho. Os parasitas também cometem erros, como são os casos das larvas ANCYLOSTOMA BRAZILIENSE e ANCYLOSTOMA CANINUM, duas espécies de nematóides que causam uma doença conhecida como LARVA MIGRANS CUTÂNEA quando infectam uma pessoa, confundindo-a com um cão ou gato. Esta larva precisa de chegar ao trato digestivo destes animais para completar o seu ciclo de vida, podendo depois facilmente passar por todas as camadas da pele canina e felina. A larva não consegue ultrapassar nos humanos a primeira camada da pele – a epiderme – ficando presa nela. Uma vez na epiderme, à procura de acesso ao sangue, vagueia sem rumo, deixando um rasto característico visível a olho nu, morrendo finalmente sem atingir a fase adulta. A infecção nas pessoas é quase sempre leve, mas sem tratamento causa uma comichão insuportável.

Como esta larva era até há bem pouco tempo considerada como uma doença tropical, caso um paciente não tivesse viajado para fora de Espanha, seria improvável que o médico acertasse no seu diagnóstico. Todos os especialistas consultados admitem que a situação mudou e António Zurita, professor do Departamento de Microbiologia e Parasitologia da Universidade de Sevilha, adianta possíveis causas: “Pode ser pelas mudanças climáticas, pelo maior número de viagens, pelo facto dos médicos estarem mais familiarizados com a doença ou por uma combinação dos três. Mas é claro que o número de casos autóctones diagnosticados aumentou nos últimos anos.” Todos os casos de Larva Migrans têm a sua origem no intestino delgado de cães e gatos. A Ancylostoma braziliense afecta ambos os animais enquanto a Ancylostoma caninum afecta apenas os cães (outras espécies de nematóides podem produzir a doença, mas é muito raro). Lá, no intestino delgado, os espécimes adultos do parasita, que medem entre um e três centímetros, reproduzem sexualmente. “Os animais infectados expelem milhares de ovos pelas fezes. Se o solo for húmido, sombreado, tiver matéria orgânica e temperatura alta, dentro do ovo vai formar-se uma larva, que poderá desenvolver-se até medir 300 mícrons [1 mícron é a milionésima parte de um milímetro] e tornar-se infectante”, observou o clínico atrás mencionado.

Se um cão ou um gato vaguear, pisar ou se deitar num solo contaminado, a larva continuará a sua jornada, enterrando-se na pele do animal até atingir o seu sistema circulatório e os pulmões, seguindo dali para as vias respiratórias superiores. Ao engolir, o próprio animal irá ajudar o parasita a chegar ao intestino delgado, onde completará o seu desenvolvimento e dará início a um novo ciclo. Se o mesmo acontecer com uma pessoa, provavelmente acabará com a larva migrans. Disso conhecedores, os especialistas consideram ambientes de risco as margens pouco ensoleiradas dos rios, assim como as lagoas e praias de água doce em áreas quentes (o sol directo e o sal impedem o desenvolvimento das larvas). Como pomares e jardins apresentam um risco semelhante, os especialistas recomendam que as pessoas não andem descalças ou se sentem neles, devendo sempre usar luvas, roupas compridas e botas nos solos húmidos. “É importante ter em mente que os cães ou gatos infectados devem defecar numa determinada área por representarem um risco. Por isso a doença é muito mais comum em países menos desenvolvidos socioeconomicamente, onde as populações desses animais são menos controladas”, dizem os especialistas. Se todos os cães e gatos que vivem em Espanha fossem regularmente desparasitados, a espécie causadora da larva migrans estaria erradicada do país. Assim, os especialistas recomendam primeiro desparasitar todos os animais de estimação.

“Em Espanha não costuma haver cães vadios, então a outra grande medida de controlo deverá ser feita com colónias de gatos ou outras espécimes sem dono”, explica Ana Pulido, dermatologista que dirige a clínica de infecções da pele do Hospital Gregorio Marañón, em Madrid. Pulido diagnosticou a doença num jardineiro madrileno de 59 anos, um dos primeiros casos ocupacionais de Espanha, e publicou-o numa revista científica em 2019. “Ele usava botas e luvas, mas infelizmente parte do tornozelo estava exposta, e foi aí que ele foi infectado. O solo deve ter sido muito contaminado, provavelmente por gatos”, explica. No início deste século, apenas especialistas em medicina tropical e medicina do viajante estudavam a doença. O trabalho mais significativo realizado em Espanha foi uma série de 34 casos, todos importados e diagnosticados entre 1991 e 2002, publicados por pesquisadores já aposentados da Unidade de Medicina Tropical do Hospital Carlos III em 2004. “Esta doença é relativamente comum em viajantes que foram para áreas quentes e húmidas do mundo”, explica Marta Díaz Menéndez, chefe do Unidade de Patologia e Saúde Internacional Importada do hospital. América do Sul, Sudeste Asiático e África são, nessa ordem, as áreas donde vem a maioria dos infectados. Só em meados da década passada é que casos autóctones da doença começaram a aparecer nas revistas médicas espanholas. “Lembro-me de uma conferência nacional de dermatologia há sete ou oito anos em que comentamos que estávamos a começar a ver casos em pessoas que não haviam saído do país. A partir daí foi crescendo o número de casos autóctones publicados”, explicou Ana Pulido.

Em 2016, uma equipe do Hospital Universitário de Donostia (Gipuzkoa) publicou uma série de quatro casos autóctones. Um ano depois, Altea Esteve, chefe da Secção de Dermatologia Pediátrica do Hospital Geral de Valência, publicou o único caso conhecido na Espanha de uma pessoa infectada duas vezes. “Era uma menininha que ia para a creche. Na primeira vez, a infecção aconteceu no pé e na segunda vez, cinco meses depois, foi no tronco. Aparentemente, a fonte da doença foi a caixa de areia da creche, que deveria ter sido contaminada por gatos. Também fez muito calor naquele ano”, diz o especialista. Até o momento, as revistas médicas relataram cerca de 25 casos autóctones diagnosticados em toda a Espanha, embora os especialistas concordem que isso provavelmente subnotifica o número de infecções. “Muitos casos não são divulgados e há um notável subdiagnóstico, pois, em seus estágios iniciais, a larva migrans pode ser confundida com outras dermatoses”, diz Antonio Zurita. A sarna é uma das doenças com as quais tem sido mais comummente confundida nos últimos anos; ivermectina é um tratamento possível para ambas as condições. Francisca Gómez Molleda escolheu este medicamento para tratar o paciente em Torrelavega. “Existem outros tratamentos para a larva migrans, como o tiabendazol. Mas nos últimos anos nós, médicos de atenção primária, tratamos muitos casos de sarna e nos acostumamos a usar ivermectina. É um medicamento que não apresenta muitos efeitos colaterais e podemos identificá-lo rapidamente, por isso é uma opção terapêutica segura e eficaz”, concluiu.

Não sei se já há casos de Larva Migrans Cutânea em Portugal sem ser trazida do exterior, mas sei que de Portugal a Espanha e vice-versa é um pulo. Por vezes demoramos a diagnosticar novas doenças e possíveis infectados, negando por vezes a sua existência por razões políticas, quando importa serenar a população face à possível inexistência de meios eficazes para combater uma ou mais doenças. Não é de excluir que futuramente, devido à coabitação desregrada entre donos e animais que despreza os cuidados higiénicos mais básicos, os cães venham a transmitir outras infecções e doenças constituindo-se assim em vindouros focos de pandemias (queira Deus que não!).

PS: No penúltimo parágrafo deste texto, ao falar-se de tratamento com Ivermectina, lembrei de um homem, tido como pouco ajuizado, que pediu a um veterinário que o desparasitasse com uma injecção de Ivomec no pescoço, pedido que não viu satisfeito. Será que de “médico e de louco temos todos um pouco?”

quarta-feira, 14 de junho de 2023

UM BRAÇO DECEPADO E DOIS PITBULLS MORTOS

 

No município de West Chester (West Chester Township), localizado no condado de Butler, no estado norte-americano do Ohio, duas pessoas foram transportadas para o hospital local depois de terem sido feridas num ataque que envolveu dois Pitbulls na manhã do dia de hoje, quarta-feira, segundo fez saber um porta-voz municipal. O dono dos cães ficou com um braço decepado durante o incidente, de acordo com uma ligação feita para o 911 (número de emergência nos States) um pouco antes das 08h30 por uma residente no bloco 8700 da Cincinnati-Dayton Road.

O dono dos cães “sofreu ferimentos graves no braço durante o ataque”, disse a porta-voz do município, Barb Wilson. “Dois cães estiveram envolvidos e dois pacientes foram transportados para o West Chester Hospital. O segundo paciente, uma mulher, sofreu ferimentos menos graves.” O capitão Rick Bucheit, do Gabinete do Xerife do Condado de Butler, disse à FOX19 NOW que os cães eram pitbulls grandes.

A autoridade responsável para a recolha de cães do condado foi chamada e o dono dos cães transferi-os para a sua alçada, que optou pelo seu abate, segundo fez saber a vice-directora deste organismo, Abigail Forkner. “ O que quer que tenha acontecido, um dos animais ficou raivoso. O seu dono foi mordido severamente. É uma história trágica”, disse o capitão Bucheit, que adiantou ainda: “Não importa qual o tipo de raça que você possua, você deve ser cauteloso; não importa se criou o seu cão desde cachorro ou se o foi buscar já adulto – você tem que tomar conta dele.” Segundo o mesmo capitão, o dono dos cães não será alvo de qualquer acusação (o prejuízo saiu à casa!).

NÃO É FÁCIL VIRAR AS COSTAS AO GERÊS E DIZER ADEUS AO MINHO

 

De um jeito ou de outro, a maioria dos portugueses com ascendência europeia está directa ou indirectamente relacionada com o Minho, pelo que esta província acaba por ser a casa de todos nós, uma região onde nos sentimos bem e que não pára de fascinar-nos pelas suas paisagens, pela hospitalidade das suas gentes, pela sua gastronomia e pelos seus usos e costumes, que nos trazem de volta um antigo e aparentemente perdido mundo celta que se estende pela restante Galiza, porque os galegos são os minhotos de Espanha e os minhotos são os galegos de Portugal. Vai-se ao Minho para lá voltar e teme-se nunca mais o ver. O Gerês é para nós mais do que um mero parque natural, porque nele existem belezas paisagísticas pouco vistas e várias espécies endémicas, terreno livre para andar e sustentar a evasão que há em cada um de nós. É de lá que a Maria está a regressar com a Liliana e o CPA Dobby e não vai ser fácil virar as costas ao Gerês e dizer adeus ao Minho. Na foto acima vemos, num momento de extravasação, a Maria encavalitada em cima de uns tocos na companhia do seu cão. Na localidade de Calvos, na Póvoa do Lanhoso, conforme se pode ver abaixo, vemos com alguma dificuldade o CPA Dobby debaixo de um carvalho-alvarinho (Quercus robur L.) com 700 anos de idade, considerado o mais antigo da Península Ibérica.

Numa passagem por Guimarães, considerada cidade-berço da Nação porque ali nasceu D. Afonso Henriques que viria a ser o primeiro rei de Portugal, na base da sua estátua, a Maria colocou o seu cão para assinalar a passagem de ambos por aquele lugar histórico. O Dobby ignora e vai continuar a ignorar tudo o que diga respeito a D. Afonso Henriques, mas sabe que deve obediência à sua dona e se ela o mandou para ali, foi para lá que ele foi, apesar de pouco ou mal se ver.

Do que o Pastor Alemão gostou foi do campo aberto à sua frente, da liberdade de andar por todo o lado sem encontrar gente, do contacto da natureza que lhe aflorou os poucos instintos que lhe restam e das contínuas excursões que empreendeu na companhia da sua dona, pessoa que considera o melhor dos seus bens. Inevitavelmente, face ao calor que se fazia sentir e com a permissão da dona, na reserva da biosfera transfronteiriça – Gerês-Xurés, o Dobby lançou-se alegremente à água, ecossistema fluvial pelo qual nutre especial preferência, conforme atesta a foto seguinte.

Assim se despediu este lupino do Gerês onde foi tão feliz, nadando em águas límpidas, serenas e incontaminadas, provenientes de montanhas atemporais que atraem quem ousa descobri-las e visitá-las. Ele foi ao Gerês mas não ficou no carro ou no hotel, pisou-o, cheirou-o e sentiu-o na sua pele – que grandes férias teve este cão!

É evidente que a Maria e a Liliana também tiveram uns dias de merecido descanso e alguma diversão, comeram bem, viajaram muito, conheceram coisas que desconheciam, tiveram novas experiências e já estão hoje a caminho de casa, com o inseparável Dobby no banco traseiro do carro, que se alegrará vivamente quando finalmente chegar à porta da sua casa, território que considera seu e onde coabita com a sua líder. Quanto a si, caro leitor, aconselho-o veementemente a visitar o Minho quanto antes e se porventura tiver um cão, leve-o consigo - não fique por visitar Viana!