domingo, 26 de junho de 2022

CAMARADAGEM, CRIANÇAS, PASSAGENS ESTREITAS E VERTICAIS CRUAS

 

Dirigir os trabalhos de uma classe em excursão não é tarefa muito fácil, porque há que contar com a unidade de propósitos do grupo escolar e com a camaradagem entre os condutores, ao ponto de se ajudarem reciprocamente e contribuírem para o alcance das metas e objectivos previamente traçados. Assim aconteceu mais uma vez nos trabalhos de ontem (sábado), quando nos deslocámos  a um amplo e aprazível parque. Na foto acima é possível ver o CPA Marquês a deslocar-se seguro sobre um muro estreito e na seguinte o Carlos Silva a conduzir o seu Cão de Água em liberdade.

Como no nosso ensino todos os cães são objecto do mesmo cuidado, perante crianças sequiosas de interagir com eles, costumamos logo que possível a preparar e a sociabilizar os animais com crianças. Ontem a gentileza coube primeiro ao CA Oliver, que foi conduzido por uma menina que adora cães e que manifestou algo envergonhada.

Um rapazinho um pouco mais alto e mais forte que a acompanhava, mostrou-se também disponível para conduzir e interagir com um dos nossos cães, vindo-lhe a calhar o cachorro CPA Marquês. O desempenho do miúdo foi perfeito e acabou por contribuir com essa experiência feliz para a adequação do cachorro.

Como agradecimento aos miúdos pela sua colaboração na habilitação dos nossos cães, acabámos por proceder a evoluções contando com a presença de uns e de outros. O cão chamado para  nelas participar foi o CPA Bohr. No GIF seguinte vemo-lo a saltar sobre as duas crianças, que encantadas com o desempenho do cão não cabiam em si de alegria.

Como a alegria das crianças é um tónico para a vida de quem as aprecia, acabámos por dar-lhes outra experiência, que entendemos vir a agradar-lhes, quando pedimos ao generoso lobeiro que passasse por baixo dos miúdos e graúdos presentes, tende o cuidado de não virar nenhum de pernas para o ar. O cão foi cauteloso e as crianças ficaram mais uma vez extasiadas.

Pondo de parte a convivência social e as operações de charme, evoluímos das passagens estreitas para a transposição de uma vertical crua com 110 cm, transposição que obrigou ao uso da trela atendendo ao pouco treino de um dos cães e à novidade do obstáculo. Na foto seguinte vemos o Carlos Silva a conduzir o Oliver com êxito.

Também a Kira, que só leva 1 mês e poucos dias de treino, foi convidada para vertical crua e acabou por ultrapassá-la graças ao empenho do seu dono (Miguel). Chama-se vertical crua a todo o obstáculo elevado a partir de 80 cm que apenas apresenta uma vertical de transposição, deixando a descoberto o restante corpo do obstáculo. Quanto mais alto estiver a vertical de transposição maior é a confusão para os cães, uma vez que a seu modo e desrespeitando as ordens dos donos, tanto podem saltá-la como passar por baixo dela.

O cachorro CPA preto-afogueado Marquês, na foto abaixo a ser conduzido por uma das suas donas num percurso circular, foi primeiro introduzido às passagens estreitas pela Inês Pedro, para depois ser entregue ao seu dono, que com ele alcançou o mesmo desempenho.

Para relaxar os cães, aliviar o possível stresse dos donos e aumentar a confiança de ambos, convidámos os binómios para vencer um banco de alvenaria perfeitamente ao seu alcance. Na foto que se segue podemos apreciar o binómio Miguel/Kira num dos momentos do seu desempenho.

Por opção do nosso fotógrafo, cujo sentido de oportunidade nunca o levará a ganhar um prémio de fotografia, acertando por vezes, como foi o caso, por mera ou ignota casualidade, vemos a Cristina a saltar o banco com a CPA Kira, demonstrando um acerto técnico invejável e despertando na cadela uma motivação extra. Bem, que mais posso dizer – há gente que nasceu para a cinotecnia.

No final da aula, junto a um anfiteatro que nunca vi ser usado, tirámos a protocolar foto do grupo, praxe que mantemos para saber onde e com quem estivemos, também como recordação dos momentos felizes que vivemos ao lado dos nossos cães.

O treino acabou cedo, beneficiou quem tinha quilómetros para andar, ninguém chegou tarde ao almoço e os cães partiram vigorosos e felizes. As fotos são do Paulo Jorge e a sua edição coube, como sempre, ao Adestrador. Amanhã retomaremos os nossos trabalhos.

MÍUDOS DO SECUNDÁRIO DÃO NOME A CÃO POLÍCIA

 

Tudo aconteceu na cidade de Woodstock, que nada tem a ver com o famoso e já finado Woodstock Music & Art Fair, festival de música realizado em 1969 na cidade de Bethel, na estado norte-americano de Nova Iorque, pertencendo esta cidade à província canadiana de Ontário, a 80 km a sudoeste de Toronto. Ali, o SERVIÇO DE POLÍCIA DE WOODSTOCK (WPS) deu as boas-vindas ao seu mais recente polícia de quatro patas. O cão de serviço policial TAZ, que é o mais recente membro da Unidade Canina WPS, é um pastor alemão de três anos de idade, oriundo do Quebec, que se juntou à força de Foxfield K9 na área de Ottawa.

Este lupino alemão recebeu o nome de Taz graças ao concurso “NAME THE POLICE DOG” lançado nas escolas WOODSTOCK CRISTHIAN SCHOOL and L’ECOLE STE. MARGUERITE BURGEOIS. Na passada terça-feira, o Taz foi apresentado na Woodstock Christian School, perante a turma do sexto ano que escolheu seu nome. A WPS implementou um plano de sucessão para a Unidade Canina em 2021, no intuito de alcançar uma transição dos cães policiais. O cão policial Striker, que serviu a cidade de Woodstock nos últimos sete anos, está agora a mostrar ao Taz as tarefas que terá pela frente. Durante esta transição, o Striker foi capaz de continuar a valer à cidade de Woodstock enquanto Taz treinava e completava as certificações necessárias.

Taz concluiu com sucesso a CERTIFICAÇÃO GERAL DE DETECÇÃO GERAL e a CERTIFICAÇÃO GERAL DE PATRULHA, começando a partir daí a responder a chamadas que exigem capacitações em rastreamento e detecção, tarefas que aconteceram logo a partir de janeiro. Com o Taz a cumprir plenamente as suas missões, o Striker está ser transferido gradualmente para serviços comunitários, educação pública e a ajudar na formação de futuros adestradores policiais, tarefas que também o ajudarão a manter sua saúde, conforme a WPS. Estas novas funções permitirão que Striker continue a servir a comunidade e permaneça activo enquanto se aproxima da reforma. Qualquer pessoa interessada em conhecer o Striker e o Taz pode fazê-lo no Southside Park, no evento Canada Day Touch a Truck, que se realizará no próximo dia 1º de julho, na sexta-feira correspondente. Desejamos as maiores felicidades e êxitos par o Taz e felicitamos vivamente o SERVIÇO DE POLÍCIA DE WOODSTOCK por haver aproximado os cães da população, nomeadamente das novas gerações, perpetuando assim o seu bom-nome e o respeito pelo serviço que presta à comunidade.

SEXTA-FEIRA DE MEIA-VOLTA VOLVER

 

No treino de anteontem, sexta-feira, iniciámos os nossos trabalhos com a inversão do sentido de marcha, vulgo “roda”, para que este comando direccional se constitua num automatismo binomial. Como nenhum dos nossos cães vive isolado num eremitério ou dentro de uma redoma de vidro e todos vivemos em comunidade, insistimos mais uma vez na sociabilização dos nossos parceiros de 4 patas, levando uma jovem a conduzir um deles depois de lhe termos interrompido por breves instantes o namoro.

Apostados em habilitar a CPA Kira no trabalho colectivo, condicionando-a em simultâneo a uma maior concentração, optámos por fazê-la passar por dentro de um suporte de bicicletas helicoidal, enquanto o CPA Bohr lhe saltava por cima.

Junto a dois marcos de correio, num largo por demais movimentado, solicitámos o “quieto” aos nossos cães no intuito de reforçarmos o comando de imobilização e a sua sociabilização, uma vez que na sua frente corriam crianças, havia algazarra e gente que não se furtava a atitudes mais efusivas.

E como nestas coisas de sair à rua com os cães é bom contar com o auxílio de anjos e diabos, talvez mais com alguma sorte, visando os objectivos já adiantados atrás, colocámos os dois Pastores a ladear sentados a estátua de uma pessoa de reconhecida caridade.

Para ajudar na profunda e dolente ansiedade da separação que ainda causa estragos na CPA Kira, também para lhe diminuir os latidos que espalha em todas as direcções, pedimos-lhe um “quieto” isolado em frente a uma loja de aprestos marítimos (a cadela respondeu afirmativamente ao desafio).

Por melhor que se preste como ama-seca dos cachorros e cães que chegam à escola, o CPA Bohr tem que fazer pela vida para se manter em boas condições físicas e garanti o seu bem-estar e longevidade, especialmente agora que já ultrapassou os 6 anos de idade. Com uma Pick-up maneirinha à mão, o lobeiro decidiu pular para dentro dela.

Com todos os cuidados deste mundo, não fosse o rapaz esborrachar-se na calçada, já que é dado a azares, pedimos ao Paulo que subisse numa trotineta eléctrica com o seu fiel cão ao lado, para que o animal se familiarizasse cada vez mais com estes veículos, agora uma verdadeira peste sobre as nossas ruas e calçadas.

Depois de ultrapassada a hora de ponta, com as pessoas já em casa e as ruas quase desertas, servimo-nos de uns círculos pavimentares para treinarmos imobilizações precisas e instantâneas, tendo o cuidado de mandar parar os cães dentro dos círculos indicados.

A isto se resumiu o treino de sexta-feira, desenvolvido debaixo de uma temperatura amena e convidativa para sair de casa. A reportagem fotográfica foi da autoria do Paulo Jorge e a sua edição da responsabilidade do Adestrador. 

sábado, 25 de junho de 2022

UMA DESGRAÇA E DOIS CONSELHOS

 

Na cidade universitária alemã de Ilmenau, no distrito de Ilm, na Turíngia, cidade onde Johann Wolfgang von Goethe costumava passar férias (já falarei dele), na passada quinta-feira, aconteceu um ataque canino de trágicas consequências, segundo divulgou a polícia ontem, sexta-feira dia 14 do corrente mês. Por voltas das 20h45, na Ziolkowskistrasse, um homem de 37 anos encontrava-se a passear o seu Yorkshire Terrier. De repente, um cão pastor que se encontrava solto, correu para eles, mordendo o Terrier no dorso e o seu dono numa das mãos. O Terrier morreu e o seu proprietário foi transportado de ambulância para o hospital. Como incidentes destes são o “pão-nosso de cada dia” e incidente destes podem dar azos a outros ainda maiores, daqui aconselho todos os proprietários caninos que não tenham verdadeiramente os seus cães sociabilizados, a fazê-lo quanto antes e até lá não os soltar, mesmo nos parques onde tal é permitido. Face aos muitos cães miniatura, toys e cups que temos por cá, normalmente irritadiços, provocadores e barulhentos, é de todo conveniente sociabilizar os cães grandes com eles, por mais impossível que isso pareça.

O segundo conselho que tenho a dar (que nada tem a ver com cães), particularmente aos portugueses que se interessam pela cultura germânica, é que conheçam e saibam um pouco mais sobre Johann Wolfgang von Goethe e a sua obra, uma vez que foi uma das figuras mais importante da literatura e do romantismo europeu desde o final do séc. XVIII até ao início do séc. XIX. Para além de escritor, Goethe foi também poeta, romancista, filósofo, diplomata, funcionário público e dramaturgo, ficando célebre a sua peça de teatro “Fausto” com diálogos rimados, sendo acima de tudo um poema trágico baseado numa lenda medieval, onde a insatisfação de querer mais leva à procura do absoluto, nem que para isso o diabo tenha que dar uma ajudinha (Mefistófeles). A insatisfação e curiosidade humanas, tão típicas das pessoas que querem andar para diante, qualidades por demais enraizadas nos germânicos, estão bem patentes nesta obra. Vale a pena ler ou ver a peça e a partir daí absorver mais de Goethe para melhor o compreender. Entretanto, oxalá cada vez mais donos ousem saber mais sobre os seus cães, conhecimento que os levará a compreendê-los melhor, a sociabilizá-los e a controlá-los eficazmente.

sexta-feira, 24 de junho de 2022

UM PASSEIO CHEIO DE SURPRESAS

 

Ontem optámos mais uma vez por um périplo pela cidade, ainda que noutra direcção e perante novos desafios, porque tínhamos um cão em formação (Oliver) e outro em recapitulação e manutenção (Bohr). A execução do comando direccional “Troca” deu início aos trabalhos e foi executado de dois modos: em cruzamento frontal e paralelamente. Este comando, que consiste na mudança do lado de condução, é importantíssimo para a salvaguarda dos cães, porque impede a confrontação de uns com os outros, a sua protecção junto às estradas e o seu abrigo em dias de intempérie, quando importa circular com eles debaixo d toldos e varandas. O movimento é primeiro condicionado à trela para depois ser requerido em liberdade. No GIF acima vemos o troca a ser usado num cruzamento frontal e no seguinte a ser executado de modo paralelo.

Logo ao início da nossa caminhada deparámo-nos com um grupo de indivíduos, na sua esmagadora maioria brasileiros, pertencentes a uma seita entusiasta, vulgo “evangélica”, que batendo palmas e cantando a alta voz, entoavam hinos de pretenso reavivamento cristão. Ao reparar naquele ajuntamento ruidoso, o Adestrador entendeu mandar os binómios para o seu meio, para acostumar gradualmente os cães às multidões e também aos músicos e espectáculos de rua. Os cães necessitaram do apoio dos donos e de algum tempo para tolerar aquele chinfrim, que abandonaram a gosto sem contudo serem “convertidos”.

Para acostumar o nosso Cão de Água às bicicletas e aos ciclistas, o adestrador levou-o pela primeira vez a saltar sobre uma pequeníssima bicicleta sobre a qual se encontrava a sua dona, no intuito de lhe diminuir a resistência e a estranheza. O cão executou o salto à primeira e o Adestrador sentiu-se útil.

Se há coisas que o Oliver gosta, o churro é uma delas não se importando de o transportar para todo o lado, desejo que realizou durante parte do percurso que empreendemos. À partida poderá parecer estranho ver um Cão de Água Português com um churro na boca. Porém, desde cedo se percebeu que Oliver não quer só a boca para comer, que adora procurar, capturar e transportar os mais variados brinquedos ou objectos.

A foto seguinte prova o que acabei de dizer, porque nela podemos ver este Cão de Água totalmente suspenso sem largar o churro, habilidade pouco comum nos indivíduos da sua raça e própria de cães de diferentes grupos somáticos. Será este babalú uma arma secreta? As opiniões dividem-se, mas eu acredito que sim!

Sem que o CPA Bohr contasse, eis que inesperadamente alguém pega numa cadeira e tenta agredir o seu dono. Ao ver tal e sem qualquer preparação prévia para isso, o lupino de pêlo comprido avançou para o agressor e fê-lo desistir das suas criminosas intenções.

Num dos momentos de supercompensação, como seria de esperar, o Paulo felicitou e agradeceu efusivamente a protecção dada pelo cão, animal fiel a toda a prova,  extraordinariamente versátil e recém-entrado na 3ª idade (o tempo passa sem darmos por isso).

No que diz respeito ao Oliver, na foto abaixo ao lado do dono, esteve na origem de um episódio caricato do qual não temos qualquer registo fotográfico, porque tudo aconteceu de repente e inesperadamente. Quando pretendíamos sentá-lo ao lado de um teclista que actuava na esplanada de um pequeno café, para dar continuidade ao trabalho desenvolvido junto da seita cantadora, o músico pula endiabrado, larga o instrumento e intenta “dar corda aos sapatos". Retirámos o babalú de imediato e serenámos o homem, que acabou por confessar-nos estar traumatizado com cães. Para que outros não reajam assim e venham a ser mordidos, é que desde tenra idade ensinamos aos nossos cães que os músicos não são inimigos a abater, quer saltem, dancem, cantem ou façam um barulho dos diabos.

O passeio acabou por revelar-se bastante abrangente em matéria de ensino multidisciplinar, promoveu alteração nos cães e suscitou dos seus donos a camaradagem e a alegria que não dispensamos. A reportagem fotográfica esteve a cargo do Paulo Jorge e a sua edição foi da responsabilidade do Adestrador. O Miguel não teve o cuidado de avisar que não vinha e o Charrôque deve ter viajado para águas mais profundas. Apesar de ter chovido durante o dia, a chuva não nos visitou ao final da tarde.

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

 

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:

1º _ KING SHPHERD: EVOLUÇÃO OU INVOLUÃO?, editado em 01/05/2022

2º _ MOMENTOS DOS 3 DA VIDA AIRADA, editado em 17/06/2022

3º _ INTERAJUDA E PROGRESSO, editado em 20/06/2022

4º _ A VIDA NÃO ESTÁ FÁCIL NO BAIRRO VANIER!, editado em 17/06/2022

5º _ FILHOS DO SOL E CAVALEIROS ANDANTES, editado em 12/06/2022

6º _ CÃES MATAM CREE ENQUANTO CORTA A RELVA DO VIZINHO, editado em 16/06/2022

7º _ AINDA NÃO FOI DESTA, MAS FICA-LHE A MATAR!, editado em 15/06/2022

8º _ RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS, editado em 17/06/2022

9º _ COMO VENCER A CINETOSE CANINA SEM RECORRER A DROGAS, editado em 19/06/2022

10º _ AS 10 RAÇAS CANINAS MAIS BARULHENTAS, editado em 15/06/2022

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

 

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:

1º França, 2º Brasil, 3º Portugal, 4º Canadá, 5º Estados Unidos, 6º Países Baixos, 7º Indonésia, 8º Alemanha, 9º Suécia e 10º Espanha.

quinta-feira, 23 de junho de 2022

O CADERNO DE VACINAÇÕES, UM SACO DE RAÇÃO PARA CACHORROS E … UMA GLOCK 26

 

Segundo o THE NEW YORK TIMES de hoje, sob o título “Never Mind Your Wallet. Armed Robbers Want Your French Bulldog”, o Buldogue Francês tornou-se numa das raças caninas mais caras dos Estados Unidos e a segunda na ordem de preferência dos norte-americanos, obrigando alguns dos seus criadores e proprietários a vir armados quando saem à rua com cão destes. Tal é o caso de um tal de Del Rosário, um criador californiano que, quando vai entregar um cachorro, leva sempre na sua bagagem o caderno de vacinações, um saco de ração e uma pistola Glock 26! Há uns dias atrás, pela tarde, o mesmo Del Rosário, enquanto exibia Cashew, um Buldogue Francês com 6 meses de idade foi peremptório: “Sempre trago a arma quando não conheço a área e as pessoas-“ Estes cães podem custar ali até 30.000 dólares ou ainda mais, se forem das variedades novas e modernas.

Os “Frenchies” estão a ser violentamente roubados aos seus donos com uma frequência alarmante. No ano passado foram relatados roubos em Miami, Nova Iorque, Chicago, Houston e em toda a Califórnia. Não raramente os cães são levados debaixo da ameaça de uma arma de fogo. O roubo mais mediático do ano transacto foi o dos dois buldogues de Lady Gaga, Koji e Gustav, que foram arrancados das mãos do seu handler, que foi agredido, estrangulado e baleado numa calçada de Los Angeles (felizmente sobreviveu ao ataque). A somar ao seu avultado custo, quem compra um adorável cãozinho destes arrisca-se a ficar com a paranóia “do ladrão quem tenta saltar a vedação do jardim” e a sofrer de hipervigilância quando sai com o animal à rua.

Neste contexto vale a pena conhecer o sucedido a Rita Warda numa noite fria de janeiro, uma moradora no Bairro de Adams Point, em Oakland, na Califórnia, quando passeava a sua Buldogue francesa de 7 anos e chegou um SUV, saindo de lá os seus ocupantes na sua direcção. Armados, obrigaram.na a passar-lhes a cadelinha para as mãos. Três dias depois, um estranho ligou-lhe e disse que tinha encontrado um cão a deambular perto de uma escola local. A Sra. Warda está agora a ter aulas de defesa pessoal e a aconselhar os donos de buldogues franceses a trazerem consigo um spray de pimenta ou um apito. Esta senhora não sabe por que razão os sequestradores lhe devolveram a cadela, suspeitando que tenha sido pela sua avançada idade, uma vez que estes cães têm uma vida mais curta do que os demais e 7 anos já é uma idade considerável para a raça.

Como os casos são mais que muitos, vou reportar-me a apenas mais um caso, o de Cristina Rodriguez, uma residente em Los Angeles, que em abril ao regressar a casa, em North Hollywood, alguém lhe abriu a porta do carro e levou-lhe a sua cadelinha preta e branca. A assaltada não se lembra de muitos detalhes e disse porquê: “quando você tem uma arma apontada à cabeça, você fica meio atordoado.” As imagens das câmeras de vigilância do bairro parecem indicar que os ladrões já a seguiam há 45 minutos!? Debaixo deste cenário e parafraseando um post do French Bull Dog Club of America, uma coisa é certa - Os criminosos estão a ganhar mais dinheiro a roubar Buldogues Franceses do que a roubar lojas de conveniência. Nos tempos do Far West roubavam-se cavalos e agora roubam-se cães. Nenhuma arma conseguiu acabar até hoje com os ladrões nos Estados Unidos, assim como não conseguiu acabar com a miséria e falta de instrução de muitos norte-americanos. Caso tal arma já houvesse sido descoberta ali, depressa a importaríamos também para nós, já que tanta falta nos faz (talvez não tanto como aos norte-americanos).

DE MOCHILA ÀS COSTAS E COM O CÃO AO LADO

 

Trabalhar com os cães na cidade implica em trazer uma mochila às costas, onde se carrega a água para os animais, os diversos acessórios de ensino e alguma roupa para os donos quando necessário, carregando cada condutor entre 3 e 7 kg, peso que depois de uma caminhada de 3 a 5 km em passo apertado ou a resolver obstáculos pelo caminho, parece aumentar significativamente. Ontem empreendemos uma caminhada com obstáculos de 3 km com os cães ao lado, só parando para resolver eventuais exercícios. Na foto acima vemos o binómio Miguel/Kira sobre um conjunto de travessas próprias para avivar a marcha canina e na seguinte deparamo-nos com a Kira quieta no topo de uma pedra nua e rude, que algum erudito entendeu ser de interesse decorativo.

A meio do nosso caminho encontrámos uma menina loirinha com 3 anos, pequena para a sua idade e igual a umas quantas que por cá temos. Viemos a saber que se chama Anna e que é ucraniana. Com a permissão da sua mãe, a miúda já estava louca para se mandar aos cães, autorizámo-la a mexer e a conviver com os dois Pastores Alemães. Como a criança não se cansava de interagir com os cães, o que para nós foi óptimo, detivemo-nos um pouco naquele local a apreciar os beijos e abraços com que a criança obsequiava os cães.

E como nem só de beijos é feito o treno dos cães e importava exercitar a Kira na condução em liberdade, que desta vez foi também acompanhada ao treino pela dona, pedimos à fugaz lupina que passasse por debaixo de 3 bancos de jardim consecutivos, alinhados e espaçados entre si, solicitação que foi imediatamente satisfeita.

No seguimento deste exercício, a Kira foi ainda convidada para um pequeno percurso em liberdade sobre assentos turísticos, convertidos na ocasião em obstáculos para ensinar aos Miguel os meandros da Técnica de Condução, uma vez que se viu obrigado a conduzir a duas mãos, a fazer uma rotação de tronco e a efectuar uma passagem pela retaguarda. Porém, indicou alguns saltos com a mão errada).

No final da caminhada, há que agradecer a quem a organizou, os condutores depararam-se com um conjunto de aparelhos públicos de ginástica, Com os cães ao seu lado sem incomodar ninguém, cada um escolheu o seu aparelho e nele permaneceu durante alguns minutos.

A CPA Kira substancialmente mais nervosa que o lobeiro que a acompanhava, permaneceu a maior parte do tempo sentada, talvez preocupada com a sua dona que tinha ficado para trás, cuja gravidez não lhe permite excursões em passo acelerado.

Quanto ao CPA Bohr, para quem o dono é um Deus, ficar deitado aos seus pés é o melhor que lhe podem dar. Se permanecêssemos mais algum tempo naquele lugar, seria mais do que certo que se deixaria dormir e enveredaria por uma aprazível sesta, opção que poderia ser secundada pelo dono.

Participaram nos trabalhos os binómios atrás mencionados. As metas e os objectivos constantes no Plano de Aula foram cumpridos. O Jorge Filipe não compareceu (deve andar a trabalhar para as férias na Ilha da Culatra) A tarde esteve óptima e a noite trouxe uma brisa fresca.

O ESTRANHO VAIVÉM DO CONDUTOR

 

Nada do que ensinamos visa em primeira instância a competição e tudo o que ensinamos visa a salvaguarda dos cães, preocupação que é o objectivo central do adestramento que professamos. No GIF acima vemos um CPA (Bohr) a transpor um muro de pedra com aproximadamente 115 cm. Como tanto a entrada como a saída do obstáculo foram operadas em segurança, o que é para nós obrigatório, estranha-se o vaivém operado pelo condutor no momento da descida do cão. Estará ele a fazer uso de um recurso técnico inaudito e nunca visto? Muito pelo contrário! O seu movimento fica a dever-se à correcção atempada de uma falta grave que poderia colocar em risco o bem-estar e a saúde do cão, porque ao ver o animal descer, virou-lhe as costas e preparava-se para correr, abandonando o cão à sua sorte. Corrigido imediatamente pelo Adestrador, o dono do cão emendou o seu erro e indicou ao animal o modo correcto para sair do obstáculo, levando-o a escorregar pelo muro para diminuir o impacto ao solo e o risco de lesão. Na saída dos muros acima dos 2 metros de altura, visando a salvaguarda da integridade física dos atletas caninos, que nunca deverão saltar para o solo de uma altura superior a 1,5m, é obrigatório colocar depois dos muros uma plataforma que garanta essa diferença de segurança. Assim, todos os cães convidados para os muros deverão ficar condicionados a escorregar por eles abaixo antes de se jogarem para o solo (outros procederão de outro modo de acordo com os seus propósitos e expectativas).