Dois vizinhos que se dão pessimamente e que vociferam recíprocas ameaças de morte por tudo e por nada, têm um quintal ao lado um do outro. Um pôs no seu quintal um coelho dentro de uma vistosa coelheira e o outro levou para o seu um podengo experimentado. Uma noite, ao ir apanhar a roupa que se encontrava estendida no quintal, a esposa do dono cão repara que este traz o coelho do vizinho na boca. Imediatamente manda o cão largar a presa, ralha com ele e dá-lhe dois sopapos. Depois verifica o coelho e vê que felizmente não sangra, que apenas está um pouco sujo de terra. Querendo evitar uma desgraça, salta o muro separador dos quintais, limpa o coelho o melhor que pode e mete-o na sua vistosa coelheira. No dia seguinte acorda com o barulho da sirene de uma ambulância, levanta-se e abre a janela do quarto para se inteirar do ocorrido. A ambulância está parada na frente da casa do vizinho e ao ver a mulher deste, pergunta-lhe o que tinha acontecido. “Foi o meu marido que teve um ataque cardíaco! – respondeu a vizinha que concluiu: “Há dois dias ele enterrou o coelho morto e hoje pela manhãzinha encontrou-o de novo dentro da coelheira!”
sexta-feira, 28 de maio de 2021
RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS
O
Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:
1º
_ JÁ ULTRAPASSÁMOS OS 1000 LEITORES DIÁRIOS, editado em 22/05/2021
2º
_ ENQUANTO UM DANÇAVA O OUTRO FERRAVA, editado em 20/05/2021
3º
_ TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS, editado em 21/05/2021
4º
_ UM SÁBADO DE PRIMAVERA A LEMBRAR O OUTONO, editado em 22/05/2021
5º
_ O MAX É O MÁXIMO!, editado em 20/05/2021
6º
_ NÃO FOI À TROPA E DEU-SE MAL, editado em 24/05/2021
7º
_ ERRADICAR OS ARMINHOS DAS ILHAS ORKNEY, 19/05/2021
8º
_ AO CAIR DA TARDE COM O DOC E O RUKY, editado em 18/05/2021
9º
_ EQUADOR: COMBATER O TRÁFEGO DE DROGA NO PORTO DE GUAYAQUIL, 24/05/2021
10º _ RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS, editado em 21/05/2021
TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS
O
TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:
1º França, 2º Estados Unidos, 3º Portugal, 4º Brasil, 5º Canadá, 6º Indonésia, 7º Países Baixos, 8º Alemanha, 9º Reino Unido e 10º Itália.
OS CÃES TINHAM SOLUÇÃO, OS DONOS TALVEZ NÃO
Na
comuna francesa de Lamonzie-Saint-Martin, no departamento de Dordogne, em Abril
de 2020, 3 cães Staffordshire Terrier atacaram violentamente uma transeunte e
mataram o seu cão, um Jack Russell Terrier. Os cães agressores foram abatidos
após a tragédia e os seus donos foram esta semana condenados a penas suspensas
pelo Tribunal Criminal de Bergerac, segundo relata o Sud Ouest. “Eu não sabia
que os cães eram categorizados (listados como cães perigosos). Eles nunca
morderam um ser humano”, garantiu o réu de 36 anos perante os juízes. Contudo,
a investigação revelou que 2 meses antes do ataque, o maior dos cães, já tinha
matado um cão de um casal, o mesmo que quebrou a cerca para atacar a senhora e
o pequeno Jack Russell.
O tribunal condenou o homem a uma pena suspensa de 5 anos de prisão e a sua parceira a três penas suspensas, ficando ambos obrigados a pagar 3.300€ de indemnização à vítima, ferida no braço, e ao filho, proprietário do Jack Russel. A somar a isto, ficaram também proibidos de terem cães durante 3 anos. Como adestrador continuo a não perceber por que razão tiveram os cães que ser abatidos, porque não lhes deram uma segunda oportunidade, uma vez que tinham solução, podiam ser reeducados e confiados a outra gente. Ao invés, não sei se os seus donos terão remédio e duvido que as penas que lhe foram aplicadas surtam o efeito desejado, levem-nos a sentir-se culpados, a alterar o seu comportamento e a torná-los mais responsáveis. Penas de prisão efectiva teriam outro peso e evitariam muitos disparates deste tipo.
quinta-feira, 27 de maio de 2021
UM PIZZURRO QUE DE BURRO NÃO TEM NADA
Estamos
na era do “pampering”, de mimar os
cães e de fazer fortuna com serviços a eles destinados, mesmo que dispensáveis,
graças ao exagerado antropomorfismo ao seu redor. Lá para o sudoeste
de Gainesville, cidade norte-americana no Estado da Flórida, um casal decidiu
inaugurar na passada segunda-feira um espaço destinado a oferecer aos cães
múltiplos cuidados, ao qual deu o nome de “Scenthouse”
(cão de caça/sabujo), um local em tudo idêntico ao salões de beleza que as
mamãs (donas) frequentam.
A co-proprietária
Kathryn Pizzurro disse que levou entre seis e oito meses a inaugurar o espaço e
que a sua missão é tornar os animais de estimação ainda mais adoráveis do que
já são (lata não lhe falta!) e adianta que “um cão com cheiro a limpo recebe
mais abraços e beijos e quem é que não quer isso”. “Portanto oferecemos um
clube limpo que ajuda os pais dos animais de estimação a cuidar deles rotineiramente,
com o foco nas cinco áreas principais da saúde de um cão: pele, pelagem,
orelhas, unhas e dentes”, concluiu.
Joseph Pizzurro (o apelido é italiano de origem siciliana), seu marido, disse que já tem 300 associados (clientes) e que todos os dias o seu número aumenta. “A nossa missão e a missão da Scenthouse (do espaço) é ajudar a eliminar as barreiras que impedem as pessoas de estar mais perto do seu cão todos os dias e tê-lo limpo e saudável é certamente uma ajuda para toda a família”, disse Joseph Pizzurro. “Caminhamos pela cidade e ao conhecê-la, ficamos maravilhados com a quantidade de cães que tem e com o que podemos fazer para ajudar as famílias a ficar mais perto deles”, concluiu. Como o negócio corre bem, o casal já pensa em abrir mais espaços pelo norte da Flórida Central. Pampering Houses? Why Not? É o que está a dar!
NEM ÀS FOCAS DÃO DESCANSO!
Cães
soltos e à deriva são motivo de séria preocupação na região do Mar do Wadden,
também conhecido por Mar Frísio, situado ente as Ilhas Frísias e o Mar do
Norte, que em 26 de Junho de 2009 foi declarado património Mundial pela UNESCO.
Lá, apesar de ser proibido transitar com cães soltos, são muitos os cães que
vagueiam livremente, o que deixa os nervos em franja dos que respondem pela
administração do Parque Nacional em Tönning, especialmente na época de
reprodução de aves e focas, já que os cães são para elas e para as suas crias uma
verdadeira ameaça. A fuga aos cães gasta escusadamente energia e reservas de
gordura que aves em repouso e reprodução necessitam urgentemente para a sua
rota de migração.
Como
as aves reprodutoras são incapazes de proteger os seus ovos e crias dos
predadores, a consequência a longo prazo poderá levar ao abandono das suas
tradicionais áreas de reprodução, alimentação e descanso, o que obviamente se
pretende evitar a todo o custo. Também os pastores se queixam dos cães soltos a
correr pelos diques afora, que ao que tudo indicam já lhes causaram alguns
problemas e embaraços.
Michael Kruse, chefe da administração deste Parque Nacional, aludindo aos problemas causados pelos cães soltos, disse esta quarta-feira: O problema é uma mistura de ignorância e falta de percepção por parte dos proprietários dos cães em questão.” O apelido deste responsável pelo parque em alto alemão significa “jarro” e ele entornou-o a preceito, denunciando os verdadeiros responsáveis – os donos. Donos que devem ser analfabetos, porque não faltam no parque escritórios de turismo, placas, painéis informativos e publicações. E também não devem ser muito inteligentes, porque não faltam por lá praias para os cães e nos últimos anos foram criadas várias áreas onde também podem ser soltos e correr livremente. O que levará estes proprietários caninos a pôr em causa um ecossistema tão sensível? Michael Kruse já o disse e disse-o bem!
$ 35 MILHÕES PARA A TRACTIVE
De acordo com as suas próprias informações, a start-up Tractive from Pasching, com sede no município austríaco de Pasching, na Alta Áustria, fornecedora e líder mundial de rastreadores GPS para cães e gatos receberá um capital de 35 milhões do investidor americano Guidepost Growth Equity.
A
start-up quer usar esse investimento para expandir a sua liderança no mercado
europeu, conforme anunciou hoje. Para além disso, os Estados Unidos tornar-se-ão
este ano no único mercado .
Chris Cavanagh, sócio geral da Guidepost, e Andrew Wait, ex-CEO da Ancestry e Lynda.com, farão parte do Conselho de directores da Tractive. Attila Balogh, ex-sócio da Partner in Pet Food, também está envolvido no investimento. Segundo fez também saber, a Tractive possui actualmente 400.000 assinantes activos em 175 países, inclusive em Portugal.
quarta-feira, 26 de maio de 2021
AFINAL O MAX ESTAVA INOCENTE!
Sempre
que alguém nos procura para que o ajudemos a educar o seu cão, a culpa dos
desaguisados entre dono e cão sempre recai sobre o animal, o que é raro acontecer,
pelo que na dúvida atribuímos aos cães o princípio da presunção de inocência
até que se comprove terem sido eles os culpados. Hoje recebemos com alegria e com
alguma expectativa o binómio José Mortágua/Max e o Filipe, que geralmente auxilia
o pai nas sessões de treino do cachorro Castro Laboreiro. Segundo o José, que
chegou algo desanimado, o Max fartou-se de puxá-lo quando saiu com ele à rua, o
que até não seria de estranhar, atendendo que o cão fez hoje a sua terceira
lição. É evidente que não dei crédito às queixas do dono, certo que estava da
inocência do cão. Disposto a entender o problema e a resolvê-lo, levei primeiro
o binómio para a Pista Táctica, onde convidei o José para a prática do “junto”.
Depressa se viu a quem cabia a culpa – ao condutor – que ao invés de corrigir o
cachorro, se pendurava na trela. Na foto acima vemos o binómio na Pista Táctica
durante um momento de “junto” e na seguinte a fazê-lo ao lado de um recinto
próprio para soltar os cães, já que a sociabilização do Max não pode ser
desleixada (no canto superior direito da foto vê-se um Border Collie ao fundo).
Quando
é possível, e nem sempre é, tentamos arranjar um exercício que ajude a
solucionar o maior número de problemas que os cães nos colocam. O Max,
felizmente, não nos coloca muitos, mas ainda teme um pouco as alturas. Juntando
o útil ao agradável, convidei-o a fazer o “junto” sobre um pequeno muro elevado
a 40 cm do solo, para que depois o fizesse com o dono, visando três objectivos:
a perca do medo das alturas, o reforço da liderança do dono e o desenvolvimento
da cumplicidade entre ambos, para que o cachorro possa confiar no dono mais
depressa e se sinta seguro a seu lado. Escolhi intencionalmente um muro em
semicírculo para obrigar o dono a mexer-se, porque doutro modo, o cão sairia do
trajecto, uma vez que importava que o líder não se atrasasse e se
desacostumasse de andar sempre a travar o pobre animal (deverá haver coisas bem
mais fáceis do que pedir em simultâneo disponibilidade e celeridade a um
septuagenário depois de um longo período de confinamento).
Com
o cão confiante e o José sem o esganar, fomos gradualmente procurar muros mais
altos para executar “o junto”, opção que se revelou acertada pela prestação
alegre do cachorro, que pouco a pouco se foi libertando dos seus medos. Na foto
seguinte vemos o binómio a evoluir sobre o muro de uma piscina, na ocasião
vazia, com 70 cm de profundidade.
Dali
se evoluiu para um muro de largura idêntica, mas elevado a 120 cm, onde o Max
se sentiu cómodo e não ousou puxar pelo dono, preferindo segui-lo ao invés de tomar
outras opções mais desastradas e menos seguras.
O
GIF seguinte mostra o desembaraço do binómio sobre o muro atrás citado, onde se
vislumbra claramente a boa disposição do binómio, o à vontade do cão e a desenvoltura
do dono, dando a falsa impressão que o exercício já era conhecido do seu
quotidiano.
Para
auxiliar na fixação do “junto” e sujeitar o cão às orientações do seu dono e
condutor, convidámos o binómio a serpentear por umas tantas árvores alinhadas
entre si, conforme atesta o GIF seguinte. Este trabalho foi desenvolvido perto
de cães soltos, sendo alguns deles pequenos e irritantes.
Como
recapitulação dos conteúdos de ensino referentes à lição anterior pedimos ao
Max para saltar um banco de jardim, tendo o cuidado de avisar o seu condutor
para não se atrasar e causar o indesejável “efeito âncora”.
Para
vencer de uma vez por todas o medo do cachorro em relação a alturas e paisagens
estreitas, para induzir o seu condutor a uma maior disponibilidade física e robustecer
a sua autoridade, pedimos ao binómio que subisse o remate lateral de uma escada
com bastante inclinação nalguns pontos.
No
GIF que se segue é possível avaliar com mais pormenor esta execução binomial,
que é mais difícil do que à partida parece, já que o remate da escada
encontra-se coberto de mosaicos escorregadios. Todavia, tudo correu conforme o
esperado.
Vencemos um dia de muito trabalho e com algum calor. Todos os intervenientes esforçaram-se para cumprir o Plano de Aula e os resultados estão à vista. O Max bem mereceu ir descansar para casa – temos cão. Deseja-se que a segunda vacina contra o Covid-19 não tenha suscitado nenhuma reacção adversa ao José. Brevemente estaremos de novo juntos.
TUDO EM FAMÍLIA
Hoje
foi o dia da Isabel, elemento neutro (NE) do FSM Doc, participar de actividades
lúdicas com o cão que tem acompanhado e ajudado a formar. Na foto acima, num
dos momentos de supercompensação, ambos estão presentes, a Isabel sentada a
apanhar o ar do campo e o molosso-alano deitado com as patas cruzadas, quadro
muitas vezes repetido. No GIF seguinte, num exercício comum de combate à
mecanização das acções, com a Isabel sentada numa cadeira, o Doc alterna o “up”
com o “abaixo”.
Reproduzindo
uma vertical crua a partir duma vara, o Fila foi convidado a ultrapassá-la com
um objecto na boca, executando um folgado salto instantâneo de difícil execução.
Mais uma vez ficou patente a facilidade com que este cão se eleva do solo e a
sua predilecção por saltos.
Sabendo
que a transposição estava ao seu alcance, pusemos a Isabel sobre uma vertical
fechada de 105 cm de altura e pedimos ao Doc que ultrapassasse aquele obstáculo
misto e composto, agora elevado a 125 cm. Teve maiores dificuldades a Isabel a
equilibrar-se do que o cão a ultrapassá-la.
Como complemento a estas actividades, foi ainda pedido a este incansável Fila que defendesse a sua dona, trabalho que desempenhou prontamente e conforme o esperado. Estes momentos lúdicos bem que poderiam ser catalogados como “TUDO EM FAMÍLIA”. Participaram nos nossos trabalhos de ontem os seguintes binómios: Isabel/Doc; José António/Doc; Noé/Ruky e Paulo/Bohr. As imagens são do Adestrador e a montagem do Paulo Jorge.
terça-feira, 25 de maio de 2021
A VIDA NÃO ESTÁ FÁCIL PARA OS CÃES
Como
se já não bastassem as salsichas com alfinetes, o frango envenenado e a carne
moída com vidros, chega agora a cannabis para atazanar ainda mais a vida aos
cães. Na cidade francesa de Toulouse, no Departamento de Haute-Garonne, um
vulgar passeio com um cão terminou numa emergência veterinária. Na manhã do
passado dia 06 de Maio, enquanto passeava no Parque Biscotte, um cão
supostamente ingeriu cannabis, segundo relata o “La Dépêche du Midi”. Naquele dia, o Labrador havia sido solto da
trela pela dona e dirigiu-se de imediato para uns arbustos. Em vão chamava a
dona por ele e outro cão foi fazer-lhe companhia, ensurdecendo-se também para o
chamamento do seu dono. Não tendo outro remédio, a senhora foi buscar o
Labrador e ao chegar lá viu que comia alguma coisa, julgando ela ser pão.
Percebeu imediatamente uma mudança de comportamento no seu cão, que já cambaleava a caminho de casa. Naquela mesma noite, o animal deixou de se mexer e urinou-se. Sem saber do que se tratava, o veterinário fez-lhe um exame ao sangue de emergência que não revelou nada de grave. Para o clínico, o animal estava intoxicado com cannabis, muito embora não tivesse material para testar narcóticos. O cão demorou uma semana a recuperar. De acordo com um veterinário entrevistado pelo jornal atrás adiantado, Jarek Szeczepaniak, os cães têm um apetite particular por cannabis, consumindo-a facilmente quando a encontram. Mesmo que esse consumo não possa levar à morte do animal, é de suma importância consultar o veterinário nos casos de mudança de comportamento do seu cão. A vida não está nada fácil para os cães e muito menos para aqueles que costumam andar soltos.
QUANDO DEU POR ELE, JÁ TINHA O ROTTWEILER EM CIMA!
Nego-me a acreditar que o novo proprietário do Rottweiler o tenha comprado para guarda e o tivesse testado na criança. O mais certo é tê-lo comprado já adulto para evitar maiores trabalhos durante a fase de crescimento do animal. Contudo, não havendo testemunhas que corroborem a versão do dono, o cão tanto poderia ter-se soltado como já se encontrar solto. Continuo sem perceber por que razão ou razões a sociabilização dos cães com as crianças não é prioritária. Também não compreendo, caso seja verdade, que o dono do cão não se tenha munido de acessórios capazes para segurar um cão poderoso, com “sangue na guelra”, que mal conhecia. Vale a pena esperar pela conclusão do processo criminal.
OLHANDO PARA TRÁS COM POUCOS DIAS À FRENTE
Com a idade, com o gastar dos anos, os infortúnios e as doenças à mistura, somos mais dados a reflexões do que nunca, talvez porque consciente ou inconscientemente sabemos que não iremos viver tantos anos como aqueles que já vivemos, verdade que a depressão própria da idade sempre faz questão de nos lembrar, mesmo que não lhe demos grande importância. Assim, as retrospectivas, tarda não tarda (não tardam muito), estão na ordem do dia, invadem-nos sem pedir licença e não escolhem hora, circunstância ou local, surgem simplesmente. Dei comigo a pensar nos anos que levo no adestramento e das gentes que ensinei, nas vitórias que alcancei e nos problemas que solucionei. Parece até que vejo o sorriso de alguns que já partiram, alunos, amigos e companheiros de jornada que sublimaram momentos inesquecíveis, que me fizeram sentir que pertenço a este mundo e que a felicidade está mesmo ao nosso lado. Porém, também sinto um travo amargo a passar-me pelos lábios, deixado por aqueles que, sem sentimentos, só andaram a martelar cães, os mesmos cujas emoções não consegui soltar e isso dói-me profundamente. Infelizmente há cada vez mais gente a precisar de muito sem nada para dar, indivíduos fechados em si mesmos que teimam em não se incomodar temendo o seu desnudo. Aos cães que tiveram donos assim e que eu não consegui transformar, raso de lágrimas, eu quero pedir perdão. Recomposto por uma vontade superior à minha, reafirmo convictamente: gente que não solta sentimentos só serve para martelar cães e trazer infelicidade aos outros!
ALELUIA, CONSEGUIU TROCAR DE MÃO!
O
Paulo deve ter algo visceral contra a condução à direita, porque sempre que é
obrigado a fazê-lo confunde o Bohr e fica todo embasbacado a maldizer a sua
sorte, faz uma birra e acaba a condenar o cão por não ter mudado de lado. A
dificuldade já leva anos, há muito que deixou de ser burrice para passar a
maldição. Mas ontem um obstáculo ajudou a quebrar o enguiço e o rapaz acabou
por fazer tudo bem feito, disso dando mostras o GIF que introduz este texto. O
Tomás, o nosso enfant terrible, também
compareceu aos trabalhos com o HIB Dingo, com o qual tem que usar de maior
sensibilidade e carinho, já que o animal é de uma afectividade extrema.
Participaram nos trabalhos de ontem os seguintes binómios: Clarinda/Luna; Patrícia/Keila; Paulo/Bohr e Tomás/Dingo. Demos pela falta do André e do Shelby, devendo o primeiro estar a apanhar banhos de sol e o segundo a trazer-lhe conchinhas para lhe agradar, apesar do tempo estar a fazer caretas e a oscilar entre o luminoso e o nebuloso. Hoje retomaremos os trabalhos com outros intervenientes, mas provavelmente debaixo das mesmas condições climatéricas.
RODRIGUES NO FEMININO
Vinda
do estrangeiro, onde foi a trabalho, a Patrícia Rodrigues regressou finalmente
às aulas e à Pista Táctica acompanhada pela SRD Keila, conforme se pode ver na
foto acima, quando executavam o “junto” linear. Na mesma ocasião do treino,
podemos ver a sua mãe, a Clarinda Rodrigues a conduzir excepcionalmente e bem a
CPA Luna, em virtude do seu filho se encontrar embarcado num navio da Marinha
Portuguesa.
A
Clarinda esteve num dia de particular acerto, conseguiu cumprir o plano de aula
e alcançar as suas metas. No GIF abaixo vemo-la a conduzir a Luna num pequeno percurso
de obstáculos com uma mudança de mão, pormenor técnico que ela resolveu com
recurso ao travamento da cadela.
segunda-feira, 24 de maio de 2021
NÃO FOI À TROPA E DEU-SE MAL
Hão-de
haver dias em que os austríacos já andarão um pouco fartos (os suíços também) dos turistas alemães e dos disparates que fazem no seu território, que invariavelmente
acabam no hospital, apesar de receberem múltiplos avisos, particularmente nas
zonas montanhosas. Uma turista alemã, senhora de 40 anos que se fazia acompanhar
do seu cão, decidiu apanhar no município de Hinterglemm o “Glemmer
Talschlusszug”, um pequeno comboio constituído por um tractor e alguns
atrelados que se desloca a baixa velocidade, normalmente usado para percursos
turísticos, como também acontece por cá. De acordo com a polícia, o cão saltou
repentinamente de uma carruagem para a estrada e a dona foi com ele, ao que parece
por não lhe ter largado a trela, esparralhando-se no chão, o que lhe resultou
em ferimentos na cabeça e nas mãos, sendo depois transportada para o hospital
de Zell am See onde foi tratada.
Infelizmente esta senhora parece não ter ido à tropa, porque doutra forma teria largado a trela e já sabia como sair de uma viatura em andamento. Penso que ela foi tomada de aflição, porque se assim não fosse, teria gritado para o motorista parar a pequena composição. É hábito da casa, na Acendura, reproduzir um sem número de situações embaraçosas para resolução dos nossos condutores, procedimentos que, de tantas vezes repetidos, acabam quase por ser instintivos para quem tem menos sangue-frio e que podem valer ao binómio como um todo ou a cada um dos seus elementos isoladamente. Uma viagem atribulada para uma quarentona alemã que demorará algum tempo a esquecer-se dela, se for capaz.
MAIS DE 90% DE PRECISÃO
Para
a realização do teste, 3.750 pessoas de todo o Reino Unido doaram amostras de
roupas usadas que foram presas a suportes de metal para os cães farejarem
(meias e máscaras). Se a peça de roupa cheirasse a Covid-19, o cão indicava
isso ao seu treinador; se não detectasse o vírus, passaria pela amostra sem dar
qualquer indicação. Perante o seu acerto, os cães foram recompensados com uma
guloseima ou com um jogo de bola. “Isto prova o impacto positivo que os cães,
com seu rápido tempo de resposta, podem ter na triagem em massa quando acompanhados
por um teste de PCR confirmatório, enquanto continuamos a lutar contra a
pandemia. Acreditamos que seus narizes podem fornecer uma forte linha de defesa
contra futuras pandemias”, disse o diretora científica e investigadora
principal do estudo, Claire Guest, no site dos cães de detecção médica.
Este teste inglês sucede e confirma um alemão realizado em Hannover e depois de vários aeroportos, como o de Helsínquia e do Dubai, já estarem a usar cães na detecção do Covid-19 nas suas áreas de embarque e desembarque. Não obstante, a confirmação da utilidade canina na detecção do Covid-19 é sempre bem-vinda.
EQUADOR: COMBATER O TRÁFEGO DE DROGA NO PORTO DE GUAYAQUIL
Dois
carros blindados da polícia atingem o meio de uma fila de trailers num porto de
Guayaquil. Cinco polícias e um cão avançam para um enorme depósito com nove
contentores trancados com fitas e lacres de segurança. A equipa faz parte da
"Unipa" (Unidade Nacional de Investigação de Portos e Aeroportos),
uma unidade de investigação que actua nos portos e aeroportos do Equador. O seu
trabalho é controlar a carga que sai do país. Paralelamente está a realizar-se
noutro porto da cidade a fiscalização de um grande contentor com destino ao
Reino Unido. A equipa descobriu quatro toneladas de cocaína camuflada em sacos
de juta. Os investigadores dizem que descobrem grandes quantidades de drogas dentro
de contentores todas as semanas. Nos primeiros cinco meses deste ano, 18,4
toneladas foram apreendidas em Guayaquil, Posorja e Puerto Bolivar. Esse número
está próximo das 23,5 toneladas registadas ao longo de 2020. Em Guayaquil,
trinta trabalhadores uniformizados são responsáveis pela verificação de 800
contentores que cada navio transporta em média.
O
pessoal está organizado para realizar cinco tipos de fiscalizações. Os mais
comuns são os realizados antes do embarque e no navio. Por dentro, os
contentores são como edifícios e estão empilhados até oito andares. Um grupo
especializado em mergulho também está activo nos portos. Os enormes navios
porta-contentores são inspeccionados debaixo d'água e por razões de segurança
toda a equipe permanece anónima. Todos os anos, os agentes passam por testes de
polígrafo e estudos toxicológicos. Isso é para descobrir se os investigadores
estão envolvidos com gangues criminosos. A digitalização de um único contentor
pode levar de três a onze horas.
No
entanto, os traficantes de drogas também operam em alto mar. No início deste
mês, os traficantes tentaram esconder mais de cem quilos num carregamento destinado
à Ásia. Quando o navio deixou Guayaquil, um pequeno barco chegou e os
criminosos carregaram os narcóticos a bordo. A polícia seguiu uma pista horas
depois e encontrou a carga ilegal. Combater a o tráfego de droga num país como
o Equador é uma tarefa muito difícil, quem o faz corre risco de vida, o
dinheiro corrompe e os meios usados pelos traficantes superam em muito os
usados na sua fiscalização e combate. Os cães usados pela polícia continuam
impolutos e incorruptíveis e por eles nenhuma droga sairia dos aeroportos e
portos do Equador.
Apesar de todos os esforços das polícias dos países produtores de droga, das inspecções feitas nos países consumidores e das apreensões realizadas por uns e outros, continuam a não faltar doses diárias para os seus consumidores. O tráfico de droga é um negócio muito rentável e muito bem organizado, que torna muita gente respeitável e destrona quem quer, que se presta a financiar actividades terroristas e que sempre acaba por despertar a cobiça dos poderosos. A guerra pelas drogas não acabou com a “Guerra do Ópio”, que opôs ingleses e chineses na segunda metade do Séc. XIX, ela continua nos nossos dias e por várias partes do Globo, dissimulada, cruel e sangrenta como sempre foi.
CONTESTAÇÃO EM FRANÇA
Mais
cedo ou mais tarde, com reflexos para a Europa e para o Mundo, a França irá sofrer
maiores e mais graves convulsões sociais do que as que tem suportado até agora,
pelo que importa que encontre consensos e formas de se unir, caso queira evitar
um sério conflito capaz de ultrapassar a suas próprias fronteiras. Emmanuel
Macron, com o seu partido centrista-liberal, “La République En Marche! - LREM, veio
para consertar (conciliar) o que aparentemente não tem conserto na sociedade
francesa, mas espelha o desejo de paz da maioria dos franceses.
Onde
parece haver consensos tanto na França como no Mundo, é no que diz respeito aos
direitos e ao bem-estar dos animais. Ontem, Domingo, 30 parlamentares, apoiados
por 43 ONG’s, exigiram que o projecto de lei sobre os maus tratos animais seja
debatido no Senado, documento quase aprovado por unanimidade em Janeiro deste
ano, mas que ainda não foi agendado neste órgão de soberania. Para que isso
aconteça, os mesmos 30 parlamentares exigem-no numa carta aberta ao
primeiro-ministro, Jean Castex, publicada pelo Journal du Dimanche, onde a determinado
ponto dizem: “Uma secção inteira de seres sencientes fica hoje sem protecção
suficiente e cabe aos decisores políticos remediá-la”.
Este
reclamado projecto de lei visa, entre outras, evitar a compra impulsiva de
animais, o que segundo os seus mentores leva muitos ao abandono (cerca de
100.000 animais são abandonados anualmente em França); aumentar as penas nos
casos de maus-tratos; proibir gradualmente a manutenção de animais em circos itinerantes
e delfinários; a presença destes animais nas televisões, discotecas e festas
privadas, assim como encerrar as fazendas de visons. Há quem veja algum exagero
nestas medidas, algumas delas capazes de lançar mais gente no desemprego e de comprometer
economicamente muitas actividades, num país onde a economia, mesmo sem a
contribuição da pandemia, está bem longe dos seus melhores dias. Contudo, tudo
leva a crer que com alguma salvaguarda ou emenda, o projecto de lei acabará por
entrar em vigor.
Entre os signatários desta carta aberta estão Aurore Bergé, vice-presidente do grupo de deputados do LREM, Guillaume Gontard, líder dos ambientalistas no Senado, o pesquisador e ex-deputado do LREM Cédric Villani, e o vice-presidente do PS do Senado Laurence Rossignol. Cerca de 43 ONGs co-assinam o texto, incluindo a Fundação Brigitte Bardot, France Nature Environnement, L.214, PETA France e a Alliance Anticorrida, lutando esta última pela abolição das touradas, pela supressão de ferimentos e mutilações infligidos a animais nos eventos tauromáquicos e pela protecção de menores.


















































