domingo, 21 de março de 2021

SUFFOLK: BATIDA POLICIAL RECUPERA MAIS DE 80 CÃES ROUBADOS

 

Numa batida policial levada a cabo no condado inglês de Suffolk, no leste do país, foram resgatados em determinado local mais de 80 cães supostamente roubados. Durante a operação policial de uma hora foram presos presos 3 homens e 3 mulheres suspeitos de roubar animais. As autoridades procuram agora os legítimos donos dos cães.

O roubo de cães aumentou significativamente no Reino Unido durante a pandemia, disse a polícia. A organização Doglost, que opera um banco de dados de cães desaparecidos, registrou 465 cães roubados no Reino Unido e na Irlanda no ano passado - mais de duas vezes e meia do que em 2019. 

Neste momento, não só no Reino Unido e enquanto o confinamento durar, gangues de criminosos estão a transferir-se do narcotráfico para o “negócio” do roubo de cães, animais agora muito procurados que atingem preços exorbitantes. O fim da pandemia irá ditar também o fim desta actividade criminosa, mas não dos criminosos.

CARRO DE COMBATE ITALIANO NEUTRALIZA GALINHEIRO

 

As razões que me levam a ironizar a prestação das forças armadas italianas são históricas e múltiplas, porque tradicionalmente vêm-se confrontadas com situações estranhas e com inimigos pouco comuns, o que as leva a emproar feitos que mais ninguém reconhece. O último episódio, para acrescentar ao já extenso rol, aconteceu na passada quarta-feira à noite, dia 17 do corrente mês, durante um exercício nocturno no campo de tiro de Cellina Meduna, histórica instalação militar na província de Pordenone, onde um Centauro da Gênova Cavalleria, um veículo blindado com 8 rodas motrizes e 27 toneladas de peso, munido com um canhão de 105 mm idêntico ao Leopard alemão, por razões ainda por apurar, abriu fogo contra um aviário de galinhas, “neutralizando” cerca de 50 e destruindo uma “perigosa” parede que as abrigava (a notícia não é falsa e foi divulgada inclusive pela Ansa).

Estranhamente, depois de terminado o exercício, todos voltaram para a base como se nada tivesse acontecido. Quando o dono da exploração aviária se deparou com a devastação daquele “ataque”, comunicou às autoridades e o procurador de Pordenone apreendeu os quatro blindados Centauro, na sequência da investigação a levar a cabo para determinar quem é o responsável por aqueles “danos colaterais”. Como lhe compete, o exército também encetou uma investigação interna. Verdade seja dita: há mais de 50 anos de actividade militar em Cellina Meduna, nunca houve um acidente semelhante!

Por razões históricas, o 4º Regimento Genova Cavalleria, tem como mote a seguinte frase em francês: “SOIT A PIED SOIT A CHEVAL, MON HONNEUR EST SAN ÉGAL” (A pé ou a cavalo, a minha honra é sem igual). Depois do sucedido e com justiça, deverá esse mote ser alterado para: “SOIT A PIED SOIT A CHEVAL AVEC UNE POULET SOUS LE BRÁS, MON HONNEUR EST SAN ÉGAL”. O carro blindado Centauro está em vias de ser substituído e já foi chamado a actuar em vários cenários de guerra desde a Somália ao Iraque, onde provavelmente não teve galinhas e galinheiros como opositores.

OBRAS NA PUJANTE PRIMAVERA

 

A primavera é um momento único em qualquer parte do globo, mas a portuguesa, na confluência entre o Mediterrânio e o Atlântico, é particularmente encantadora, plena de luz e de sons, pujante e arrebatadora – um hino à vida – mesmo com a pandemia assombrá-la. Nas terras abaixo dos 500 metros de altitude, predominam as flores sazonais amarelo-limão e azuis, delicadas campainhas que se elevam a meio metro de altura. Os malmequeres amarelos e brancos, junto com as roseiras bravas e as papoilas vermelhas (que são cada vez menos), tomam conta dos vales e procuram roubar a primazia à flor dos trevos e das azedas (Oxalis pes-caprae).

Enquanto as giestas e os oleandros despontam nas auto-estradas, multicoloridas flores despertam em varandas e sacadas logo aos primeiros raios solares matinais. Lagoas, ribeiras, charcos e sapais, enchem-se de vida e o coaxar das rãs parece dar as boas-vindas às aves de longínquas paragens e despedir-se daquelas que partem. A generosa nespereira já mostra os seus frutos e abundam árvores em flor. Nas florestas e nos bosques dá-se início à nidificação, as charnecas enchem-se de borboletas, aqui e ali saltitam coelhos e sobre eles sobrevoam milhafres e outras aves de rapina. O deslumbre é imenso e inesquecível para quem o assiste. Debaixo desta profunda transformação e tocados por ela, procedemos alegres à construção e transporte da nossa paliçada.

O obstáculo é obra do Jorge Guerreiro, vulgo “Xarrôque das Soldadurras”, serralheiro de profissão e condutor do simpático Soneca (de marreta em punho na foto acima), que o elaborou de acordo com o parecer e saber do Adestrador para que seja resistente, prático e sirva os seus múltiplos propósitos. Os restantes cavalheiros presentes na foto, junto com o autor da fotografia, ajudaram no hercúleo transporte da Paliçada ao longo de um acidentado percurso de 50 metros!

Exceptuando o Jorge, os restantes senhores resistiram a ser fotografados para não virem a ser confundidos com alguns trabalhadores camarários, que geralmente aparecem em grupo, mas só um é que trabalha, ficando os outros compenetradamente a assistir. Os nossos projectos primaveris englobam ainda a construção de mais 4 obstáculos prioritários e indispensáveis a pista táctica.

sexta-feira, 19 de março de 2021

EM DETROIT AINDA VAI ACABAR TUDO À DENTADA

 

Durante dois anos consecutivos, o Rottweiler ocupou o 2º lugar na preferência dos habitantes de Detroit, no estado norte-americano do Michigan e agora alcançou o 1º lugar. Detroit tem como principal renda a indústria automobilística, abrigando a sede mundial da General Motors, a Ford Motor Company e a sede americana do Grupo Fiat Chrysler Automobilizes Em simultâneo, é considerada uma das cidades mais violentas dos Estados Unidos, com uma taxa média de homicídios de 47 em 100.000 habitantes (dados de 2006). As assimetrias sociais são enormes e mais de 20% das famílias vivem abaixo do limiar da pobreza e, como se isso não bastasse, a região metropolitana da cidade é uma das metrópoles mais segregadas dos Estados Unidos.

Diante deste cenário alguém acredita que a esmagadora maioria dos proprietários locais de Rottweilers adquiriu-os para os sociabilizar precocemente com terceiros? Todos sabemos dos tumultos que a cidade já sofreu, dos saques e da destruição, da brutalidade policial, da ausência de escrúpulos de alguns euro-americanos e do pavor que a maioria dos afro-americanos tem pelos cães. Detroit é como um vulcão prestes a entrar em erupção, só que desta vez vai haver muito cão pronto a entrar em acção. A opção pelo Rottweiler (o cão não é culpado de nada) está directamente ligada com a instabilidade social que despoleta múltiplos conflitos. Como as armas têm venda livre nos States, o Rottweiler é mais uma ao serviço de toda a casta de vigilantes, justiceiros e ladrões. Oxalá que não, gostaria de estar enganado.

O BULLDOG FRANCÊS ESTÁ A INVADIR A AMÉRICA!


É bem possível que o Bulldog Francês venha a ser o cão mais popular nos Estados Unidos da América, depois de ter ganhado ali uma popularidade vertiginosa no último quarto de século, ocupando agora o 2º lugar das preferências dos norte-americanos, logo atrás dos Labradores, que são líderes há 30 anos consecutivos, isto segundo o último ranking do America Kennel Club (AKC). Brandi Hunter, a porta-voz do AKC, diz acertadamente sobre os Bulldogs Franceses: “Eles não são aquele tipo de cão que faz caminhadas consigo, mas se você quer um cão para se aconchegar a si, que seja fofo, adaptável e com o mínimo cuidado… então esta a raça que procura”.

No TOP 10 das preferências dos norte-americanos, depois dos Labradores e dos Bulldogs Franceses, seguem-se os Pastores Alemães; os Golden Retrievers; os Bulldogs; os Poodles (Caniches); os Beagles; os Rottweilers; os Bracos Alemães e os Dachshunds. No ano passado juntaram-se ao registo do AKC mais 98.300 Labradores contra 66.500 Bulldogs Franceses. Quando os Labradores alcançaram o 1º lugar das preferências dos norte-americanos, em 1991, os Bulldogs Franceses ocupavam um modesto e distante 82º lugar. Os Pastores alemães continuam a ocupar o seu histórico lugar.

Várias celebridades contribuíram para a divulgação da raça, das quais podemos destacar, entre tantas, Martha Stewart, Lady Gaga e Dwayne “The Rock” Johnson. O seu tamanho compacto (gorducho), a moderada necessidade de exercício, o manto que dispensa maiores cuidados e o seu comportamento cómico acabaram por convencer muitos apreciadores de cães. Para Nicole Denny, uma treinadora profissional de cães que cria Bulldogs Franceses há 15 anos, após 20 anos com Doberman Pinschers, estes cães “ são pequenas máquinas de amor a roncar e a traquejar-se.”

A mesma Denny, de Pleasant, no Ohio, vê a popularidade dos Frenchies simultaneamente como uma bênção e uma maldição, explicando: “Eu sentir-me-ia de certa forma egoísta se outras pessoas não pudessem disfrutar desta raça de cães tão maravilhosos, mas há muitas pessoas que não reproduzem a raça com sabedoria”, aludindo que esta pode estar sujeita ao superaquecimento, a dificuldades respiratórias, a problemas lombares e a outros. Com traques ou sem eles, certo é que os Frenchies estão a invadir os lares norte-americanos. 

LOBOS-GUARÁ NASCIDOS EM MONTPELLIER

 

A cidade francesa de Montpellier anuncia agora o nascimento de dois cachorros de Lobo-Guará no Jardim Zoológico de Lunaret, que aconteceu no dia 29 de dezembro do ano transacto, depois de sensivelmente dois meses de gestação. “Eles estão muito bem e exploram cada vez mais o seu ambiente, sob o olhar protector dos pais”, sem intervenção dos tratadores e ainda não se sabe qual o seu sexo.

Este nascimento é inédito no Zoológico Lunaret e esta espécie encontra-se em declínio no seu habitat natural. A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) classificou o lobo-guará na categoria “quase ameaçado”, pois “as suas populações estão a diminuir, principalmente no Brasil devido ao desmatamento e a colisões com veículos”, lamenta a cidade. Acredita-se que existam apenas 17.000 indivíduos na natureza. Os lobos-guará de Lunaret fazem parte do programa europeu de conservação de Eaza, a Associação Europeia de Zoológicos e Aquários, que trabalha para sua preservação.

O Lobo-Guará (Chrysocyon brachyurus) é o maior canídeo da América do Sul e o único pertencente ao género Chrysocyon. Habita por norma em áreas semiabertas com arbustos, nas savanas sul-americanas, sendo um animal típico do Cerrado, pelo que pode ser visto no centro e sudeste do Brasil, no Paraguai, Argentina e Bolívia. Foi praticamente extinto no sul do Brasil, mas pensa-se que ainda sobreviva no Uruguai. 

Animal esguio, tímido e esquivo, capaz de caçar aves, o Lobo-Guará é um animal quadrado, rústico e resistente, com célere transição de andamentos, ao ponto de transitar automaticamente do passo de andadura para o galope ou de manter a marcha por quilómetros infindos. É capaz de se colocar na vertical para observar ou para colher alimentos.

Pode atingir entre 20 e 30 kg e medir até 90 cm à cernelha, é notoriamente pernalta, as suas pernas longas e finas somadas ao seu denso manto avermelhado conferem-lhe uma aparência inconfundível. É um animal crepuscular e omnívoro, o que o torna num excelente dispersor de sementes no Cerrado. Solitário, os seus territórios são divididos por só casal, que se junta por ocasião do período do estro da fêmea e que podem abranger uma área superior aos 120 km2. 

A comunicação entre eles acontece principalmente através da marcação odorífera do território, mas também ocorrem vocalizações semelhantes ao ladrar. A gestação dura até 65 dias, os recém-nascidos nascem cinza ferro e pesam entre 340 e 430 g. Caso fossem Pastores Alemães seriam bem fraquinhos, deploráveis. Será que há por aí muita gente que tem Lobos-Guará e não sabe? Resumindo, há que felicitar o Zoológico de Montpellier pela feliz ocorrência que exalta o seu cuidado com os animais.

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

 

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:

1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Alemanha, 5º Reino Unido, 6º Itália, 7º Peru, 8º Suíça, 9º Rússia e 10º França.

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

 

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:

1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015

2º _ HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE, editado em 11/05/2016

3º _ PASTORES ALEMÃES LOBEIROS: O QUE OS TORNA ESPECIAIS, editado em 02/11/2015

4º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011

5º _ ENCANTO E DESENCANTO, editado em 14/03/2021

6º _ QUIS ESPAIRECER E SAÍ COM O PACO, editado em 15/03/2021

7º _ SEM FILTROS, editado em 17/03/2021

8º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2013

9º _ O ESTRANHO ANÚNCIO DOS PASTORES ALEMÃES CASTANHOS, editado em 26/04/2013

10º _ O CERTO E O ERRADO, editado em 14/03/2021

PIADA PARA O FIM-DE-SEMANA: CÃO ESPERTO

 

Numa jubilosa manhã de fim-de-semana, ao receber o jornal da boca do seu cão, uma afável esposa diz para o marido que o cão deles é muito esperto porque traz os jornais diários todas as manhãs. O marido não vê nada de extraordinário nisso e diz para a mulher que muitos cães fazem o mesmo. A esposa, com aquele pequeno brilho nos olhos, diz-lhe: “Mas nós nunca assinámos nenhum!”

UMA DÚZIA DE PERUANOS

 

Ontem fomos surpreendidos por uma dúzia de leitores peruanos, o que muito nos agradou, porque exceptuando o Brasil, cujo número de leitores chega a ultrapassar o dos portugueses, raramente temos leitores doutros países sul-americanos, apesar dos laços culturais que unem as nações ibéricas às sul-americanas.

Queremos continuar a manter o interesse destes leitores, agradecemos o seu contacto e estendemos-lhes o nosso mais sincero bem-vindo, desejando que outros sigam o seu exemplo e estabeleçam connosco o intercâmbio que a todos enriquece. 

quinta-feira, 18 de março de 2021

QUANDO PARAR?

 

Escusado será dizer que os cães convidados para os saltos de endurance devem gozar de boa saúde (física e anímica), ter mais de 18 meses e menos de 6 anos de idade, menos de 85 pulsações por minuto em descanso e ter sido objecto de treino aturado para esse efeito. Como a prática da endurance é para os binómios, a unidade binomial será a sua melhor motivação, nunca um brinquedo, porque a ânsia da sua captura, poderá levar ao desnorteamento dos animais e sujeitá-los a lesões graves (vão a olhar para o boneco e poderão acabar esborrachados). Quando é que deveremos parar um cão num salto em extensão? Quando mostrar sinais evidentes de cansaço, desinteresse e resistência, pormenores visíveis na partida para os saltos. Também quando o seu ritmo cardíaco ultrapassar as 120 pulsações por minuto (mais vale ir mais devagar do que estoirar os animais) e quando o cão efectuar um salto “à justa”, porque o seguinte será ainda mais curto e por isso mesmo mais perigoso para a saúde e o bem-estar do animal. No GIF acima, à guisa de exemplo, vemos um “salto à justa”, um indicador claro para mandar parar o cão, neste caso o nosso amigo SRD Dingo, cujos posteriores já rasam a vertical de saída. Deveria até ter saído no salto anterior, mas arriscámos um pouco em função do que pretendíamos explicar. O mundo da endurance obedece a muitas regras e fórmulas matemáticas e, quem as desconhece, é melhor enveredar por outra disciplina cinotécnica antes de maltratar e lesionar os cães ao seu encargo.  

RAPTO DE CÃES EM FRANÇA

 

Um cão sequestrado na passada quinta-feira, dia 11 de março, no Sul de França, em Nissan-lez-Enserune, no Departamento de Hérault, foi parar a Rennes, na Bretanha a 886,5 km de distância (pela A62). Dois dias após o rapto, a dona do animal foi contactada pelo raptor, que lhe exigiu 300€ para reaver o seu cão.

Logo após o desaparecimento do animal, que foi raptado na sua casa enquanto a dona foi levar os filhos à escola, esta lançou várias mensagens no Facebook, até que no último sábado, dois dias depois após o rapto, é contactada por um homem que se diz residente em Rennes, que tem o cão na sua posse e à última da hora lhe pede 300€ para o devolver, os necessários “para pagar a passagem do comboio”.

Antes do homem lhe ter exigido tal quantia, a senhora havia combinado encontrar-se com ele a meio caminho, entre Brittany e Hérault, para reaver o animal. Como depois de adiantar a quantia o raptor só respondia por mensagens, a dona do cão disse-lhe que ia buscar o animal à casa dele e pediu-lhe o endereço. Já com a morada do homem, a proprietária canina contacta a gendarmerie perto da sua residência que por sua vez comunica com os seus colegas de Rennes.

Os gendarmes de Rennes surpreendem o raptor na sua residência, sujeitaram-no a interrogatório e resgataram o cão, vindo este a ser entregue à sua legítima dona na passada segunda-feira, dia 15 do corrente mês. Este caso lembra outro ocorrido há semanas atrás, que envolveu o cão de um casal, que desapareceu durante uma caminhada em Theix-Noyalo, no dia 19 de fevereiro deste ano. Após um telefonema a meio da noite e oriundo também de Rennes, o casal viajou 1400 km para recuperar o animal, hipoteticamente também roubado. Ao que tudo indica, a França está a viver dias difíceis. 

quarta-feira, 17 de março de 2021

SEM FILTROS

 

As nossas fotos e os nossos GIFs têm um propósito pedagógico e por isso são publicados sem filtros, para que os visados aprendam com os seus erros e melhorem a sua prestação. Não se trata aqui de incriminar ou de troçar de alguém, mas de explicar para todos o que está certo ou errado. No GIF acima, no cruzamento de dois cães sobre a passerelle, o mais difícil foi alcançado, porque o Labrador cumpriu com o que lhe foi exigido ao deitar-se para facilitar a passagem à Pastora Alemã. Porém, se repararmos com atenção, vemos que o seu condutor repete o comando gestual de “deita”, obrigando o cão a desobedecer à primeira ordem. Caberá a culpa ao Labrador? De maneira nenhuma! Quando se reforçam os comandos verbais com os gestuais ou se usam os últimos isoladamente, é obrigatório existir uma perfeita sincronia entre o gesto e o movimento ou figura do cão. Neste caso o condutor foi apressado demais, tão apressado que o cão não viu o que ele queria. O movimento da mão do condutor deveria ter reproduzido os três momentos presentes no “deita”, estendendo o seu braço aquando da projecção dos anteriores do animal, porque só assim haveria perfeita sincronia entre o gesto e a acção requerida. Lamentavelmente, o condutor em questão esteve literalmente a falar para o boneco (adestramento é arte e em algum momento a educação dos donos terá que acontecer).

No GIF acima, também na Passerelle, com o Labrador a ser conduzido de modo nuclear e a Pastora de modo dinâmico, é pedido aos cães avancem em direcção um do outro e que num último momento retornem ao seu ponto de partida, o que veio a verificar-se. Todavia, o condutor da CPA partiu atrasado ou deixou-a atrasar e a inversão de marcha dos cães não aconteceu ao meio da prancha central como foi pedido (a velocidade com que a cadela retrocedeu deveria ser igual à usada na entrada do obstáculo). Também o condutor do Labrador não fica isento de culpas, porque deveria ter cadenciado a marcha do seu cão de acordo com a cadência que a CPA trazia, enquanto parte de um binómio mais antigo e experimentado. Estes exercícios foram desenvolvidos debaixo de alguma pressão para forçar os automatismos, são próprios das obediências dinâmica e nuclear e destinam-se aos binómios mais evoluídos mas ainda com grande margem de progresso. Daqui agradecemos a colaboração dos intervenientes e o olhar sempre atento do nosso carismático e compassivo fotógrafo, sem o qual seria bem difícil ilustrar aquilo que ensinamos.

terça-feira, 16 de março de 2021

O INÍCIO DO MASSACRE ESTÁ MARCADO PARA O MÊS QUE VEM

 

Em abril inicia-se a nidificação dos passarinhos que se estende até agosto. Todos os anos milhares de ninhos são vandalizados por cães e invadidos por gatos, o que tem dotado os nossos parques e jardins de um silêncio assustador, como aquele que normalmente antecede a tempestade. Pintassilgos, verdilhões, lugres, tentilhões, rouxinóis, chamarizes e pintarroxos, entre outros, raramente se ouvem e há anos em que o cuco não se faz ouvir.

Todas as aves que nidificam em arbustos veem a sua sobrevivência ameaçada, porque os espaços verdes são cada vez menores e têm que dividi-los com cães e gatos à solta, que estão a contribuir decididamente para o seu extermínio, quase sem darmos por isso. De que vale proibir a apanha e o cativeiro destas aves cantoras se os nossos cães e gatos destroem os seus ninhos, quebram os ovos e comem os pequenos passarinhos? De agosto a abril, os gatos deveriam ver os seus movimentos controlados e os cães deveriam circular à trela nos espaços verdes para perpetuar os passarinhos que sempre anunciaram a primavera e o fervilhar da vida com seu cantar mavioso. Para matar saudades basta clicar em cima de https://www.youtube.com/watch?v=LYznDS36N_Y

REDIRECCIONAR ALVOS

 

Um cão que se atira a outros cães ou que cace outros animais dificilmente será um bom guardião se não abandonar essa tendência, apesar de haver por aí, misturando técnicas de caça, quem se valha da captura de pequenos animas domésticos para alcançar a humana, o que automaticamente obsta à necessária sociabilização desses guardiões e levá-los-á a perseguir alvos menores e menos intimidatórios, o que é um tremendo disparate, a menos que importe fazer frente a algum coelho que ouse assaltar uma casa de cenoura em punho.

Sem a sociabilização entre iguais e com os restantes animais, nenhum cão de guarda é digno desse nome, porque mais depressa ladrará a algum gato do que sinalizará um intruso de duas pernas, ao qual poderá até dar-lhe as boas-vindas e cumprimentá-lo, mesmo que ele carregue um “petisco” capaz de o enviar para o paraíso dos cães. Por outro lado, sem o contributo da sociabilização, será praticamente impossível formar uma matilha funcional.

Para certas raças caninas e para cães mais resilientes, a sociabilização precoce é obrigatória e deverá acontecer logo que o cachorro entre na nossa casa, para que gatos, coelhos, furões e outros sejam considerados por ele como amigos. Mas como raramente isso acontece, os cães acabam por vir sociabilizar-se nas escolas, servindo as aulas colectivas muito bem esse propósito. Pelo que disse até aqui, redireccionar alvos na disciplina de guarda é na verdade um processo de reeducação e o seu sucesso será mais fácil entre os cães valentes. 

Poderá um cão de caça transformar-se num guardião sem ser acorrentado? Pode, desde que seja jovem, convenientemente sociabilizado e conte com o auxílio de outros cães. Para além das aulas colectivas e das comuns manobras de sociabilização, ele deverá ser objecto da “condução lado-a-lado” pelo tempo julgado conveniente, que consiste em ser conduzido com outro cão por um só condutor, que poderá ser o seu dono ou o condutor do outro cão, dependendo isso do seu perfil psicológico e o do cão auxiliar, pois há que evitar qualquer tipo de escaramuça.

Esta condução lado-a-lado, numa fase mais evoluída entendida como “condução à arreata”, produz efeitos imediatos quando alcançada, ainda que dependa, e muito, da qualidade e saber do condutor escolhido para o efeito. Na foto abaixo vemos o Pedro Baptista na condução lado-a-lado com o seu cão (Lord) e o Labrador Soneca. A escolha do Pedro ficou a dever-se à necessidade de animar o seu Weimaraner, que até ali temia todo e qualquer cão. Não escolhemos o condutor do Labrador para que este não achasse por bem carregar sobre o braco ao vê-lo como um intruso.

Em paz com os cães e confiante no seu apoio à retaguarda, o Weimaraner decidiu finamente dar caça aos intrusos e fê-lo de maneira a não deixar dúvidas a ninguém, mostrando que um cão de aponte também pode vir a ser um excelente cão de guarda, desde que tenha perfil psicológico para isso, seja previamente sociabilizado e devidamente redireccionado.

A sociabilização canina pode ser absoluta ou parcial de acordo com o tipo de interacção pretendida e rara é a disciplina cinotécnica que a dispensa totalmente. Nos cães destinados à guarda e defesa de pessoas e bens, a sociabilização com qualquer tipo de animal doméstico e silvestre é obrigatória, porque a sua inexistência levará a uma prestação condicional, induzirá os cães a caçar e a desleixar o seu serviço.

segunda-feira, 15 de março de 2021

PRISÃO PREVENTIVA PARA AGRESSOR ANIMAL

 

A cidade mediterrânica francesa de Marselha, que dizem as más-línguas ter perdido o esplendor de outrora e ser hoje um antro de cultura antigaulesa, de actividades ilícitas e de criminalidade, tem no seu brasão de armas a frase latina “Actibus immensis urbs fulget Massiliensis” ("Pelas suas grandes acções, a cidade de Marselha brilha"), saltou para a ribalta das notícias internacionais sobre animais por conta de um proprietário canino que deitou no caixote do lixo o seu cachorro de 3 meses, depois de supostamente o ter queimado (80% do corpo) e espancado no passado mês de fevereiro, vindo em função disso a ser-lhe aplicada a prisão preventiva pelo tribunal de Bouches-du-Rhône. Foi uma vizinha que alertou a SPA (Société Protectrice des Animaux) após ouvir os uivos do cachorrinho. Acompanhada pela polícia, a referida associação deslocou-se à residência do suspeito mas não foi possível deter o indivíduo por falta de provas. No dia seguinte, o cachorrinho viria a ser encontrado por alguns transeuntes dentro de um contentor de lixo.

Atendido pela SPA, o animal foi tratado das queimaduras de terceiro grau presentes em 80% do seu corpo. A associação também teve que remover um dos seus olhos. A SPA apresentou uma queixa e foi aberta uma investigação. O dono do cachorro viria a ser localizado dois dias depois, mas teria recusado revelar sua identidade. Depois de se ter passado por louco, conseguiu escapar-se durante um exame psicológico, acabando por ser apanhado pela polícia que o levou debaixo de custódia. Como não pôde ser julgado imediatamente, o seu julgamento foi adiado para o próximo dia 08 de abril. Considerando o histórico do seu registo criminal, os tribunais decidiram prendê-lo preventivamente até essa data. O cachorro irá precisar de ser cuidado ao longo de meses devido à gravidade das queimaduras. Lamento dizê-lo, mas o tribunal marselhês, ao aplicar a pena suspensa a este agressor animal, fez jus ao mote da cidade e elevou a justiça que nela pratica.

QUIS ESPAIRECER E SAÍ COM O PACO

 

Raramente saio com o meu CPA depois do pequeno-almoço e antes do jantar, porque já não suporto os bajuladores, os entendidos que já tiveram um Pastor Belga Groenendael como ele e os “doutos” com os seus sábios conselhos. Mas hoje, com o sol a bater-me forte na janela, decidi espairecer e sair com o Paco depois de almoço, porque tinha comido demais e já andava farto de ver ruas vazias e jardins desertos. Estranhamente, tinha necessidade de ver gente, apesar de me julgar um eremita, o que de certa forma sou. Há falta de melhor companhia e porque ele é um excelente confidente, decidi comentar com o cão o que ia vendo, enquanto ele, esfusiante, marcava todas as esquinas com o seu odor, comentários que passo a dividir com os meus leitores.

Ao domingo e ao bom jeito português, pese embora o confinamento decretado pelo governo, muitos esticam os seus passeios para a orla marítima como se desconhecessem os limites dos seus concelhos ou aos fins-de-semana, por milagre, todos se fundissem uns nos outros. Há muita gente a praticar desporto, mais velhos do que novos e as caminhadas vieram para ficar, muito embora seja desagradável esbarrar com pessoas atadas atrozmente em licra, com mais pregas que um Sharpei num show de conformação, no que eventualmente lembram loucos amarrados a camisas de força. Perguntei para o cão se aquele mau-gosto seria passageiro, mas ele nem olhou para mim, interessado que estava em dois minúsculos cãezinhos que não se cansavam de ladrar para ele.

Numa hora, cruzámo-nos com duas dúzias de cães, na sua maioria miniatura. Com pedigree só avistámos Buldogues Franceses, Pinschers Chihuahuas e Pugs, sendo os demais híbridos destas raças, mas todos eles irritadiços, inexplicavelmente soltos e por demais vulneráveis. Felizmente o Paco é bom ouvinte e depressa anuiu ao meu conselho, desinteressando-se deles como se de coisa desprezível se tratasse. Tolerou-os melhor do que eu, que cheguei a casa ainda com os ouvidos a tinir. Com o aumento da corrida aos cães de abrigo, muitos daqueles que só tinham um cão passaram a ter dois, o que tem aumentado de sobremaneira a chinfrineira nos parques e jardins quando se avistam uns aos outros. Inesperadamente e do meio do pagode, há sempre um ignoto inteligente que diz: “Esse cão é perigoso, deveria andar com açaime!” – apesar do Paco ser extraordinariamente obediente, estar bem controlado e ser naturalmente simpático.

Quando isto acontece, eu costumo dizer para o cão: “Conheces o animal de algum lado? Então não lhe ligues nenhuma, que é exactamente aquilo que eu faço.” Verdade seja dita, o Paco é bonito e apelativo como poucos, chama à atenção de quem o vê passar e não falta gente igualmente linda que se acerca dele para o cumprimentar e afagar. Com facilidade daria um excelente cão casamenteiro, muito embora estivesse mais interessado em arranjar uma noiva para si. Terminado este passeio em horário excepcional, o cão cumprimentou com alegria os vizinhos e devorou a marmita toda, por ter andado a meter o nariz onde não era chamado. Eu não vi nada de novo, mas adorei levar o cão a passear - ele não nasceu para estar preso!

domingo, 14 de março de 2021

ENCANTO E DESENCANTO

 

Nas aulas de adestramento colectivo é de todo conveniente educarmos os olhos para aquilo que nos é dado a observar, entendimento que fará com que evitemos uma série de erros, o que poderá livrar o nosso cão de vários desacertos e da aquisição de posturas erradas. Sim, temos que aprender a ler e interpretar a linguagem mímica dos cães para poder acompanhá-los e valer-lhes quando mais precisam de nós, para que se sintam confiantes e não desamparados, para que sejam audazes e não temerosos, para que cerrem fileiras connosco e nunca nos abandonem. Nesta arte de ensinar cães existe uma relação directa entre ânimo e encanto e entre desânimo e desencanto, reacções caninas advindas daquilo que os donos têm para oferecer. Na foto acima, durante a execução da Passerelle (a nossa é bem alta), vemos uma prestação binomial viva e alegre, um verdadeiro hino à cumplicidade e à juventude. Na foto a seguir, o que vemos nós?

Um cão “a carregar a garupa às costas”, a ser rebocado como se tivesse um freio entre os dentes, abaixado, cauda abatida, orelhas para trás, desanimado, desencantado e indeciso, em voo rasante como se força do vento lhe caísse sobre os olhos. Cão e dono “ficaram mal na fotografia”, o primeiro porque não foi devidamente socorrido e animado, e o segundo porque não prestou o socorro e o ânimo necessários, o que muito se estranha atendendo à raça do cão, cuja natureza dócil, tendência para a recolha e forte impulso ao alimento produzem exactamente o contrário. A execução deste cão parece “tirada a ferros”, como se houvesse sido anteriormente espancado ou violentado, quando a única violência que sofreu foi a de não ter sido convenientemente estimulado. Ninguém duvida que existe um problema de comunicação entre o dono e o cão, que o primeiro terá que resolvê-lo a partir do particular individual do seu companheiro de 4 patas. A transcendência no adestramento inicia-se na transformação dos donos que os leva a ser compreendidos.