terça-feira, 24 de novembro de 2020

ESTAVA MESMO A PEDI-LAS!

 

Quando sair com o meu cão à rua, se a sua boa forma física já teve dias melhores e não está preparado para enfrentar um cão grande ou dois, o melhor que tem a fazer é não se afastar muito dos aglomerados urbanos, por mais tentador que seja o convite da natureza, porque os cães problemáticos são por norma soltos longe das pessoas e dos outros cães. Mas se persistir em ir para uma floresta ou bosque com o seu cão, não vá sozinho, procure alguém capaz de o acompanhar e ajudar em caso de necessidade, porque a desventura sempre engorda com o casamento da idade com a inexperiência. Este cuidado não teve um cidadão de Butzbach, cidade alemã do estado de Hessen, que na passada sexta-feira por volta das 15h40 decidiu ir passear com o seu cão à trela para a floresta abaixo da montanha local, segundo fez saber a polícia hoje.

Enquanto disfrutavam da bela paisagem que os rodeava, homem e cão foram subitamente atacados por um Pastor Alemão preto de pêlo comprido e por um Labrador bege que se encontravam soltos. “O homem de 66 anos caiu no chão, tentou proteger o seu jovem cão e repelir o ataque dos cães o melhor que pôde", fez saber um porta-voz da polícia. Em consequência deste ataque, o sexagenário sofreu vários ferimentos e ao cair acabou por partir um perónio. O seu jovem cão também ficou ferido em consequência de algumas dentadas. Afortunadamente, os cães agressores soltaram o aposentado e o seu cão alguns momentos depois, desparecendo em seguida para direcção desconhecida. O aposentado teve que ser internado no hospital e a polícia anda agora a tentar localizar os dois cães, o seu proprietário e testemunhas do incidente.

Pela descrição do ataque, os cães agressores não me parecem exageradamente perigosos, porque doutro modo teriam matado o outro cão e deixariam o seu dono muito mais mal tratado, ao invés de se terem posto em fuga. É possível que a surpresa tenha levado o aposentado a agir instintivamente e a proteger o seu cão, quando deveria tê-lo soltado, para que melhor se pudesse defender ou escapar-se, partindo depois para cima dos cães até que desistissem dos seus intentos e se pusessem em fuga, valendo-se da trela como ventoinha ou chicote, ou de algum tronco à mão. Cada vez mais, atendendo ao número de cães que por aí andam e à altíssima possibilidade de confrontos, é exigido aos proprietários caninos que sejam prudentes, previdentes e que antevejam aquilo que eventualmente os espera nas ruas, para que não sejam surpreendidos pelo mau-humor dos cães alheios, o que geralmente tem como consequência o envio dos donos para o hospital e a ida apressada dos cães para o veterinário – quando ambos se safam – o que nem sempre acontece!

GUARRERÍAS DEL PARAGUAY

 

Antes de divulgarmos o que de nojento aconteceu na cidade paraguaia de Fram, no departamento de Itapúa, vale a pena dar a conhecer alguns pormenores desta cidade, fundada a 20 de Março de 1927 pelo norueguês Pedro Cristophensen e por Mateo Sanchez de Carmen del Paraná (o seu antigo nome era Apereá). Os residentes da “Colónia de Fram”, é assim também conhecida, são maioritariamente de origem eslava (ucranianos, russos e polacos), muito embora por lá habitem também alemães e japoneses. “Fram” é uma palavra norueguesa que significa “avançar” e é também o nome do famoso navio que levou o explorador norueguês Fridtjof Nansen e a sua tripulação até ao Árctico em 1983. A cidade é também conhecida como “A Capital do Trigo”, porque desde a sua formação se dedicou à produção deste cereal. Como já era de esperar, o distrito de Fram tornou-se num centro de desenvolvimento nacional, um exemplo de desenvolvimento comunitário e de autogestão, onde a concertação e a justiça social são um facto.

Nesta colónia maioritariamente ucraniana, situada no sul do país e onde não falta uma bonita igreja ortodoxa (na foto acima), na passada quarta-feira, faz amanhã oito dias, o pai de uma senhora chamada Ignacia Lugo, comprou um pedaço de carne de porco por 10.000 guaranis para ser comida no final da semana. No Domingo, quando a cozinheira foi buscar a carne ao frigorífico para cozinhá-la, apercebeu-se rapidamente que algo estava errado. Desconfiada, a família deu aquela carne para o cão e para o gato, e nenhum deles a comeu (na foto abaixo). O repúdio dos animais só veio aumentar as suspeitas e a família decidiu apresentar queixa na esquadra da polícia local. A carne foi examinada por um veterinário que concluiu tratar-se de carne de cão, de um de raça pequena! As vítimas do logro esperam agora que o Ministério Público intervenha e que continue a investigar o caso. A carne de cão vendida como de porco foi comprada num minimercado de um tal Saturnino González.

O Paraguay actual ainda lembra o antigo “faroeste” e a “febre do ouro” do tempo dos cowboys norte-americanos, porque é um país onde falta regulamentação e quando existe é letra morta, sendo por isso uma terra de aventureiros e um ”El Dorado” para os estrangeiros que para lá vão pilhar, especialmente para os brasileiros que não conseguiram prosperar no seu país por razões geográficas ou de oportunidade. No Paraguay a ganância pelo lucro de alguns é tanta que se assiste ciclicamente à destruição indiscriminada dos mais variados ecossistemas, o que não augura um bom futuro para o país, para a América do Sul e para o Planeta.

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

NDRF: UM EXEMPLO A SEGUIR

 

O esquadrão canino indiano da National Disaster Response Force (NDRF) que tem como missão realizar operações de busca e resgate e que habitualmente treina para o efeito Pastores Alemães e Labradores, introduziu no seu 8º Batalhão 4 cães párias indianos, tipo vulpino, também conhecidos como “cães Desi”, que inundam as ruas das cidades da República Indiana e que foram adoptados no Campus de Govindpuram em Ghaziabad. Dois são cães adultos e os restantes são cachorros com pouco mais de 2 meses de idade. Responsáveis da NDRF disseram que esta iniciativa é uma resposta ao repto lançado pelo 1º ministro Narendra Modi que apelou ao uso dos cães locais na polícia e no exército. Estes cães, para quem não sabe, são muito idênticos aos nossos podengos, com uma morfologia similar, igual relação de envergadura, idêntica carga instintiva, robustez, resistência e também dotados de um excelente olfacto. O comandante do 8º Batalhão não se inibe em dizer que o treino destes stray dogs é um pouco mais difícil por faltar-lhes consistência, mas que apesar disso têm evoluído conforme o esperado, apresentando como vantagem o facto de já se encontrarem aclimatados em relação aos cães importados.

Os dois “Desi”, baptizados de Blaze e Tiger, que iniciaram o seu treino em instalações separadas por serem avessos às outras raças de cães policiais, terão agora que fazer parte da matilha policial e efectuar treinos conjuntos com Pastores Alemães e Labradores, porque já respondem afirmativamente aos comandos. Todos os cães do batalhão são treinados de manhã e o seu treino consiste em exercícios físicos, cursos de obstáculos e operações de busca e resgate. “Os cães errantes (“Desi”) são muito ágeis, o que por vezes dificulta a sua concentração. Se as raças europeias podem ser conduzidas por vários tratadores, os “Desi” gostam principalmente de receber comandos do seu próprio tratador”, disse Sandeep Kumar, responsável pelo do treino do primeiro lote de cães errantes da NDRF. A opinião dos treinadores do Batalhão é unânime: os cães “Desi” têm mais resistência física e são menos propensas a doenças do que os demais, o que poderá aumentar-lhes o sucesso nas missões de busca e resgate.

Vamos tentar seguir a evolução destes cães, porque o projecto indiano, ao ser um projecto-piloto, poderá servir de mote para o aproveitamento dos muitos podengos que temos por cá, em tudo idênticos aos cães “Desi” e membros duma grande família canina que une cães africanos, ibéricos e indianos, vulpinos que é mais aquilo que os une do que aquilo que os separa.

BONNE NUIT, À DEMAIN FRANCE

 

Eu queria acreditar que a França de hoje não passasse de um pesadelo e que amanhã retornasse àquilo que já foi, que Paris, a cidade-luz, deixasse de ser uma metrópole de caixotes do lixo a arder e um assentamento para toda a casta de meliantes e indigentes. Na cidade francesa de Montpellier, no departamento de Hérault, há pouco mais de uma semana, um homem de 25 anos foi preso e levado sob custódia policial, sob suspeita de ter proferido ameaças contra a polícia, que na ocasião foi obrigada a intervir na Praça Planchon, para dispersar vários indivíduos que se encontravam a contender. Bêbado durante os factos, o suspeito é também acusado de ter agredido violentamente um cão da polícia, dando-lhe socos e pontapés, para além de ter ameaçado de morte o animal e o seu condutor. A polícia adiantou que o cão se encontrava na altura açaimado e que se encontra bem de saúde. O homem terá que explicar-se diante do Tribunal Criminal de Montpellier.

Se até aqui não era fácil ser polícia, daqui para a frente também não será nada fácil ser um polícia canino, face à pandemia, ao desemprego, ao terrorismo e ao descontentamento social. Os cavalos já conseguimos tirá-los da guerra, oxalá os cães não demorem muito a sair dela, porque desde que os domesticámos sempre se fizeram presentes nas nossas lutas, primeiro pela nossa sobrevivência e depois pela nossa segurança e bem-estar. Infelizmente, os cães em França têm pouco tempo para descansar e não se podem distrair, não venha de lá mais um bêbado com vontade de os pontapear.

SUSTO DOMINICAL ÀS 2 HORAS DA TARDE

 

Ontem, domingo, por volta das 14h00, no município austríaco de Kennelbach, no distrito de Bregenz, estado de Vorarlberg, um casal que passeava descontraidamente, cruzou-se a determinada altura com um homem a rondar os 30 anos, que se fazia acompanhar por um cruzado de Rottweiler, cão que segundo ele era muito confiável e que podia ser acariciado. A jovem, com 28 anos de idade, acreditou nas palavras daquele homem e acariciou o animal. No entanto, quando ela parou de acariciá-lo, o cão mordeu-lhe levemente uma das coxas. A polícia pede ao dono do cão e/ou às pessoas que observaram o acidente que se apresentem na esquadra de Wolfurt, adiantando como é hábito um número de telefone.

Como não são poucas as pessoas que acabam mordidas nestas circunstâncias, por razões que se prendem com o proprietário do animal, com o cão e com a ingenuidade de quem o acaricia, iremos esclarecer as principais razões por detrás destas agressões e adiantar procedimentos capazes de evitá-las. Há por aí donos, felizmente poucos que, por pura maldade, prestam falsas informações sobre os cães que conduzem, dizendo-os mansos para se divertirem com a aflição e dolo alheios, mostrando-se depois pretensamente surpresos como se estivessem perante uma novidade (“ele nunca tinha feito isto antes”). Outros há, ainda mais perigosos que os anteriores, mas também em número mais reduzido, que se aproveitam da inocência dos incautos para aprimorar os seus cães na defesa pessoal e no escorraçar de intrusos. 

Mas como a esmagadora maioria dos proprietários caninos, não procura nem uma coisa nem outra, somente o bem-estar dos seus cães. Quando eles mordem alguém, tal ficar-se-á a dever a 1 dos 3 factores que vamos adiantar ou até à sua totalidade. São eles: a impropriedade da liderança, a ausência de controlo e a instigação involuntária por parte da vítima. Pelo que acabámos de dizer, quando pretendermos acariciar um cão, em abono da nossa segurança e salvaguarda da nossa integridade, não devemos fixar-nos somente no cão, mas também e em primeiro lugar no seu dono, para que através da sua postura, mímica e discurso consigamos descortinar as suas intenções e o controlo que tem sobre o animal. ATENÇÃO: nunca faça festas a um cão desconhecido com ele ao lado do dono, motivo mais do que suficiente para que você venha a ser atacado, ao ser considerado um intruso. Ao invés, deverá chamar o animal para si, mas com o dono a segurá-lo pela trela e, só depois de avaliá-lo, deverá avançar para a festa.

Para além dos estereótipos atrás descritos, há ainda outro inequivocamente patológico que se prende com o gosto de aterrorizar os demais, geralmente encontrado em indivíduos entre os 16 e os 35 anos de idade. Sobre o comportamento dos donos e a sua identificação, importa reconhecer as seguintes diferenças para não sermos enganados. Na maioria dos casos (há excepções) os proprietários caninos que pretendem causar-nos dolo, mostram-se confiantes e levemente sorridentes, tentando atrair as atenções sobre si e menos para os cães, para que o seu discurso nos leve ao engano, sendo normalmente controlados de mímica para não denunciarem a verdadeira natureza dos cães que conduzem. Quando lhes é perguntado se é possível acariciar os seus cães, eles respondem imediatamente que sim e sem qualquer problema, permanecendo erectos e sem olhar para os animais, para que a sua postura não os iniba de alguma forma, enquanto os outros ingenuamente se dobram e vão ao encontro dos cães.

Procedimento diverso têm aqueles que optam por sociabilizar os seus cães e integrá-los harmoniosamente na sociedade, porque ao consentir que lhes façam festas, advertem primeiro os animais para os excessos e ensinam depois aos seus admiradores a acariciá-los correctamente, exemplificando primeiro e quantas vezes for necessário, para que tudo decorrer sem qualquer novidade desagradável ou imprevisto traumático – pacificamente. Quando lhes perguntam se podem fazer festas aos seus cães, eles dizem que sim e alegram-se disso, mas também são lestos a afirmar que há regras a respeitar para o bem de todos. Com líderes destes sempre estaremos em segurança e os seus cães acabarão, mais cedo ou mais tarde, por ser nossos amigo.

Os proprietários caninos que dificilmente controlam os seus cães, mostram-se mal-humorados, evoluem a reboque, trazem os animais à trela curta, desfilam justificadamente cansados, fogem do contacto com outras pessoas e animais, tremem perante a hipótese de alguém tentar afagar os seus cães e ralham-lhes continuamente, havendo alguns que saem à rua munidos de um cacete para sanar qualquer peleja imprevista. Estes, raramente anuem ao desejo alheio de acariciar os seus cães e só estão bem quanto voltam a casa, desertos de se livrar do seu suplício. Pelo sim, pelo não, porque a agressividade passa com facilidade dos donos para os cães, o melhor que há a fazer é procurar outros para acariciar.

A compreensão da mímica canina deve anteceder o nosso desejo de acariciar cães e isto deve ser ensinado às crianças mal tenham algum senso de responsabilidade, porque as nossas boas intenções podem ser inadequadas e obter como resposta algo não esperávamos. Os cães que aceitam festas de toda a gente não são muito comuns, sendo mais os que as detestam do que aqueles que as aceitam. Os que as aceitam e com os quais estamos à vontade, têm uma mímica própria pela qual podem ser identificados: esticam a cabeça para nós, abatem as orelhas para trás, lambem-nos as mãos, abanam a cauda e gemem ou ladram dolentemente para que lhes toquemos, havendo inclusive alguns que se viram de barriga para cima perante a nossa aproximação. Agora, quando um cão permanece tenso, imóvel, de olhar fixo, orelhas viradas para a frente e de cauda imóvel, abatida ou levantada em arco, e rosna-nos perante aproximação, o melhor é desistir da intenção, porque tudo indica que irá atacá-lo.

Quanto a si, caro leitor, jamais deverá fazer festas a um cão se o temer, porque nem a si se engana, quanto mais ao cão! Os cães conseguem identificar com facilidade quem os teme e costumam tirar parido disso, não hesitando em carregar sobre os mais fracos ou sobre aqueles que lhes causam alguma suspeição. Para os cinófobos, que são gente como nós, existem cães especialmente treinados para ajudá-los a vencer o medo ou o trauma, animais cujo comportamento dócil não exala qualquer tipo de temor. Perante o sucedido em Kennelbach e diante dos comportamentos dos donos atrás descritos, em qual deles poderíamos colocar o dono do cão?

domingo, 22 de novembro de 2020

CÃO FAREJADOR ENCONTRA IDOSA 12 HORAS DEPOIS

 

Ontem, sábado, pelas 21h30, uma residente num lar com 89 anos de idade, desapareceu na cidade alemã de Burgdorf, no distrito de Hannover, estado de Niedersachsen, segundo foi denunciado à polícia local. De imediato foi realizada uma busca no lar por funcionários e polícias, que veio a revelar-se infrutífera. Depois disso, a polícia procedeu a uma busca mais ampla na área valendo-se de um helicóptero. Em simultâneo, valeu-se de um Mantrailer-Hund, um binómio laboral próprio para a procura de pessoas desaparecidas. “Este cão mantrailer tem um excelente olfacto e é capaz de diferenciar os diferentes odores humanos. Ele orienta-se de acordo com as características do cheiro da pessoa que está a ser procurada e pode, por assim dizer, farejar a distância percorrida por alguns quilómetros", disse um porta-voz da polícia.

Neste caso, o caminho ia do lar para a Sylter Strasse em Burgdorfer Weststadt. Lá, a octogenária foi finalmente encontrada por volta das 08h45 no jardim da frente de um prédio ainda por concluir, deitada no chão e entregue a uma pequena depressão, sendo dali retirada com uma leve hipotermia para o hospital. Cães com estas características e aptidões nunca são demais, porque o seu trabalho salva vidas e contribui para a nossa segurança. Que venham mais! 

A TECNOLOGIA AO SERVIÇO DA INTERACÇÃO CANINA

 

Uma startup sediada em Seattle acaba de lançar o seu mais recente brinquedo para cães – o PupPod – uma ferramenta de treino com um custo de 199 dólares, que incluiu um brinquedo flutuante, um alimentador e um aplicativo móvel, baseada numa aplicação que visa a estimulação mental dos cães, colocando deste modo a tecnologia ao serviço da interacção canina através de jogos inovadores e da distribuição de guloseimas.

O que se pretende é que o cão toque no brinquedo e que saiam guloseimas do comedouro. O aplicativo tem vários níveis que dificultam o alcance da recompensa por parte do animal, como ignorar certos sons ou tocar no brinquedo imediatamente após um som. Como se antevê, a experiência não dispensa algum nível de envolvimento dos donos para ensinar os cães a interagir com o brinquedo e o comedouro, podendo ambos ser controlados remotamente (do lado de fora da casa). O aplicativo possui um recurso de streaming de vídeo ao vivo através de uma câmera no alimentador.

De acordo com os fabricantes do brinquedo, ao exigir que os cães usem o seu córtex pré-frontal, ele poderá contribuir para uma maior capacidade de atenção e reduzir a senilidade nos cães mais velhos, podendo também criar associações positivas com certos sons, como campainhas ou fogos-de-artifício.

Como este brinquedo milagroso é vendido ao preço de uma bagatela, não há nada como mandá-lo vir e comprovar das suas mais-valias, brinquedo que no entender dos seus criadores irá “ajudar a democratizar a aprendizagem animal”. Esperamos estar cá para ver!

PROCESSO SIMPLES PARA RESOLVER MANOBRA COMPLICADA

 

Qualquer trabalho solicitado ou distribuído a um binómio deverá isentar de stress os seus constituintes, o condutor para que não ordene debaixo de dúvida e o animal para que não apele aos seus instintos pela suspeição e entre em desobediência, factores que condicionarão negativamente a operacionalidade binomial. Assim, todos os exercícios cinotécnicos exigidos a um cão, quer eles sejam de índole cognitiva, psicológica ou física, deverão ser antecedidos de fases simples que propiciem a sua solução, que constituídas em experiências felizes, levarão o animal a avançar em segurança e a executar o trabalho com confiança. E a regra é esta: qualquer manobra complicada deverá ser antecedida por um processo simples que a resolve ou torna possível. No GIF acima vemos o CPA Bohr a rodar sobre uma superfície estreita pouco elevada do solo, o que não é tarefa árdua, mas é o primeiro dos passos para que amanhã inverta o sentido de marcha, quando tal lhe for ordenado, em superfícies estreitas mais elevadas do solo. Por norma, quando não se faseia o trabalho no adestramento, os cães são abusados e violentados, obrigados a ir para diante com medo do reparo ou do castigo, o que sempre reduzirá, justificadamente, a sua predisposição laboral. Quanto maior for a capacidade de fasear os trabalhos, maior será também a qualidade de um adestrador.

sábado, 21 de novembro de 2020

LUNA & CO

 

A cachorra CPA preto-afogueada na foto acima a aprender a equilibrar-se sobre um tronco é a Luna, uma amiga valente que tem agora 5 meses de idade. Depois de adquirir o equilíbrio necessário, foi pedido à cachorra que vencesse o tronco, agora decorado com algumas pedras para dificultar a sua passagem. Sobressai no GIF abaixo o extraordinário e brilhante manto da cachorra.

No mesmo trabalho, mas noutro plano, podemos observar o desembaraço e a decisão da Luna, assim como a harmonia dos seus aprumos traseiros durante a transposição que lhe foi solicitada. A prontidão da sua resposta também não deixa dúvidas a ninguém.

Perante a resposta afirmativa da cachorra e certos que executaria a tarefa confiante e comodamente, convidámo-la a saltar sobre a Patrícia que se encontrava a meio do tronco, obstáculo  que ultrapassou com a maior naturalidade e sem se desequilibrar.

Chamada a perseguir um “ladrão” que se havia posto em fuga, a pequena CPA respondeu prontamente à solicitação, indo no encalço do larápio até ao seu covil, francamente disposta a dar-lhe o correctivo necessário.

Pedimos aos cães adultos no tronco que o ultrapassem com dois corpos a obstruir a sua passagem. É curioso reparar nas diferentes abordagens dos cães: enquanto o CPA Bohr avança sem querer ser notado, o Labrador Soneca dispara literalmente sobre tudo e sobre todos.

Quando o Soneca viu roubar algum dos pertences do dono correu imediatamente atrás do “ladrão” e não fora o meliante ter subido uma rede, depressa o Labrador o alcançaria, porque é extraordinariamente zeloso do seu dono e pertences.

Como o ladrão era muito resiliente e estava disposto a provocá-lo, optou por fugir-lhe sobre um tronco elevado do solo. Mesmo assim, o Soneca perseguiu-o sem hesitar e se o meliante não se tem deitado ao solo em decúbito ventral, o Labrador não hesitaria em “acertar-lhe as contas”.

Num dos nossos momentos de supercompensação, uma menina com cerca de 4 anos acercou-se do grupo escolar e pediu para fazer festas aos cães. Apostados em satisfazer-lhe o desejo, pusemos-lhe o CPA Bohr à disposição.

Bohr que mais tarde viria ser convidado para uma perseguição a 30 metros. Gaba-se a preparação física do perseguido, a todos os títulos notável, mas que por pouco não lhe valeu de nada, porque escapou por um triz aos dentes aguçados do lupino (se o líder do cão o tivesse acompanhado, o fugitivo não se teria escapado)

Como o CPA Jay estava reticente em vencer o trono, foi pedido ao Jorge Guerreiro que o ajudasse a vencer os seus receios. Depois de 3 ou 4 passagens, o cachorro aprendeu a equilibrar-se e venceu o medo.

E de tal maneira o venceu que dali a pouco já andava no tronco descontraidamente atrás da sua condutora, apresentando esta algum nervosismo e também algum incómodo diante do arbusto encostado à saída do tronco.

No final dos trabalhos efectuámos uma escada humana para o Soneca ultrapassar. A prática e a utilidade desta formação serão brevemente visualizadas para que todos possam compreender os seus propósitos e aplicações.

Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: Jessica/Jay; Jorge/Soneca; José Maria/Mel; Patrícia/Keila; Paulo/Bohr e Pedro/Luna. Amanhã é dia de estágio para todos. Segunda-feira retomaremos os nossos trabalhos. Bom fim-de-semana para todos.

A MAIOR CERVEJEIRA DO MUNDO JÁ TEM UMA “CERVEJA” PARA CÃES

A Anheuser-Busch, uma fabricante multinacional americana de cervejas, localizada na cidade de St. Louis, no Missouri, tornada na maior cervejeira do mundo quando adquirida pela sua congénere belgo-brasileira InBev, já tem uma “cerveja” para cães, uma bebida feita de caldo de osso, vegetais, ervas, especiarias, água e caldo de porco, nutritiva e saborosa que ajuda a promover um sistema digestivo saudável (estamos a citar). A empresa adianta que o caldo de osso é excelente para os cães que resistem a comer alimentos sólidos, porque nele encontram todos os nutrientes extra.

Os donos também podem beber um gole desta “cerveja”, muito embora ela tenha sido feita especialmente para cães, sendo para os humanos bastante insonsa e insípida. A Busch Dog está isenta de álcool e de lúpulo, porque ambos são tóxicos para os cães, sendo por isso substituídos pelo caldo de osso especial. A Dog Brew será apenas vendida online, mas pode ser enviada para todos os Estados norte-americanos. Se a bebida aprovar, e tudo leva a crer que sim, haverá alturas em que não chegará para as encomendas, como já aconteceu com outros produtos destinados aos cães. 

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

COLOMBO ESTAVA CERTO: CHEGA-SE À ÍNDIA PELO OCIDENTE

 

Afinal Colombo estava certo, chega-se à Índia pelo Ocidente, porque no que concerne a cães de rua e à frequência dos seus ataques, parece não haver diferença entre a República da Índia e os Estados Unidos. Na noite da passada quarta-feira, quando se encontrava a passear no Condado de Jackson, na Flórida, um homem de 65 anos foi atacado por uma matilha de cães vadios e acabou por falecer. Aparentemente ninguém se apercebeu daquele ataque cruel nem ouviu os possíveis gritos de socorro da vítima. Só quando tudo acabou, por volta das 20h00, é que os residentes na área descobriram o corpo do homem coberto de sangue, que se encontrava caído na Kirkland Road, perto da calçada. Chamaram imediatamente a polícia, mas infelizmente já não havia nada a fazer pela vítima. A polícia descobriu que o sexagenário residia em Bascom e concluiu que as feridas presentes no seu corpo foram resultado de várias dentadas de cães, que ele foi atacado e morto por cães abandonados. Como os cães envolvidos na morte deste homem fugiram após o ataque, a polícia informou a autoridade local do bem-estar animal, que de imediato montou armadilhas na área.

Como se calcula, a vizinhança só descansará quando os cães forem todos capturados, uma vez que representam uma ameaça letal, não sendo muito os que se aventurarão a sair à noite. Ataques assim são muito comuns na Índia, porque grande é o número de cães errantes nas cidades, mas também acontecem com alguma frequência nos Estados Unidos, como o sucedido no dia 09 do mês passado em Nauvoo, no Estado do Alabama, que vitimou Ruthie Mae Brown de 36 anos, morta 3 dias antes de completar o seu 37º aniversário e que deixou 4 filhos órfãos. Como os cães abandonados são um perigo para a saúde pública e uma ameaça para a vida das pessoas, quando doentes ou em matilha, há que encontrar-lhes solução por toda a parte, antes que causem terríveis sofrimentos e mais mortes.

SABIA QUE…

 

Sabia que a primeira canção de natal para cães já foi lançada em Inglaterra? A canção tem o nome de “Raise The Woof!”, dizem que foi cientificamente pesquisada com o objectivo de pôr os cães a abanar a cauda durante esta época festiva. É ao estilo de reggae, contém sons de alta frequência, brinquedos estridentes e frases clássicas como “Good boy” que aumentam os níveis de serotonina dos cães. A faixa foi gravada no mundialmente famoso Abbey Road Studios e está disponível para transmissão no Spotify e na Amazon Music. Uma cópia em vinil de “edição limitada” poderá ser adquirida por 10 libras, montante que será destinado à instituição de caridade Dudes & Dogs. Como já ouvimos a canção e achámo-la extraordinária, aconselhamo-la a todos os condutores caninos, em particular aos que apresentam dificuldade em mostrar afecto para os seus cães, o que será sem dúvida uma excelente prenda para os animais. Para ouvir um excerto da canção, basta clicar em cima de https://www.youtube.com/watch?v=AGqrsD3o4tY.

COLABORAÇÃO POPULAR E CONTRA-ORDEM

 

Na sociabilização dos nossos cães sempre temos contado com o apoio popular, gente que voluntariamente trabalha connosco por amor aos cães, colaboradoras e colaboradores cujos nomes ignoramos na maioria dos casos, mas que são de suma importância para a perfeita inclusão social dos animais que treinamos. Ontem encontrámos duas senhoras aposentadas na praia e uma delas, que já teve um Pastor Alemão, imediatamente se prontificou para trabalhar connosco, prestando-se a outra como fotógrafa (na foto acima). A primeira coisa que pedimos à nossa voluntária ocasional foi que passeasse o F.S.Miguel Doc durante alguns minutos visando a sociabilização deste alano-molosso para que futuramente não desconfie ou tema de quem se vier a cruzar na sua frente.

O cuidado com a sociabilização do Doc não se remeteu apenas às pessoas, mas estendeu-se também aos cães que naquele momento se encontravam na praia acompanhados pelos seus donos, nomeadamente um que se encontrava apenas 10 metros distante de nós. Apostados por causa nisso na fixação exclusiva do cão na pessoa do dono, pedimos ao José António que executasse o APC no areal.

Com o decorrer do tempo que trouxe o aumento da confiança, solicitámos depois à nossa prestimosa voluntária que fizesse com o Adestrador uma vertical crua para o Doc ultrapassar. O cão não hesitou e a senhora encantou-se com a experiência.

E como a sociabilização dos cães não dispensa o empenho dos seus donos, também o José António constituiu com a voluntária uma nova vertical crua, servindo de baliza e meia vara para gáudio do Fila que adora saltar e que nisso mostra uma elegância fora do comum.

Da voluntária, para além da sua disponibilidade, só gravámos que trabalhou durante antes numa escola e que agora está a gozar a sua merecida aposentadoria. Atendendo à confiança demonstrada, pedimos-lhe que se dobrasse para que o cão lhe saltasse por cima. Ela anuiu sem medo e quando deu por isso, já o cão a tinha ultrapassado, porque o José António sabia bem o que fazer com a trela.

Finalmente optámos por executar o mesmo salto em liberdade, passando o Adestrador para o comando do cão, para diminuir os riscos da simpática senhora vir a ser projectada para o chão. Conforme se pode ver no GIF abaixo, o cão, que andava ávido de galopar, foi um pouco descuidado, porque ainda tocou levemente com um dos posteriores nas costas da senhora.

Com o cair da noite rumámos à cidade e procedemos ao “jogo do sobe e desce” com os dois binómios presentes, manobra que procura fixar a indiferença canina à contra-ordem e ao suborno. Na foto abaixo, com o Doc de pé, segundo lhe ordenou o dono, o Adestrador tenta por todos os meios mandá-lo sentar, não hesitando inclusive em suborná-lo. O cão ignorou a contra-ordem, não desobedeceu ao dono e não lhe tirou os olhos de cima como convinha.

Entretanto, aproveitando um grupo de senhoras que parou para observar-nos, convidámos três delas para se constituírem em obstáculo, fazendo a mais jovem e mais leve de vara. As senhoras são bem visíveis e o CPA está a partir para o salto.

No final, com o Advento à porta e com o Natal comercialmente adiantado (o 1º Domingo de Advento é já no próximo dia 29), tirámos uma fotografia dos dois cãs presentes no treino, tornados vultos engalanados por milhares de luzes de uma grande árvore de natal férrea e cónica.

Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: José António/Doc e Paulo/Bohr. Algumas fotografias constantes neste relato foram da autoria de uma das senhoras que colaborou connosco na praia. A montagem, como não podia deixar de ser, foi da autoria do Paulo Jorge. A noite esteve serena e quente, e custou voltar para casa, porque se estava melhor na rua. Hoje retomaremos os nossos trabalhos na esperança de reencontrarmos o nosso “Xarrôque das Soldaduras”, pexe que parece ter largado para o Golfo da Guiné.