quinta-feira, 24 de setembro de 2020

GUERRA ABERTA AOS CÃES NA SAXÓNIA

 

Dificilmente haverá um povo tão amigo dos animais como o alemão, o que não significa que todos os alemães sejam assim, porque entre eles sempre houve gente do pior calibre, literalmente capaz de matar meio mundo debaixo de propósitos obscuros e ideais nojentos. Em vários lugares na Saxónia há quem se dedique sistematicamente a envenenar cães e no último fim-de-semana em Wurzen, envenenaram uma Cocker Spaniel, de nome Maxi, que pertencia ao Centro de idosos Haus Alma em Hohburg. Segundo Heike Formann, gerente do lar de idosos, o horror tomou conta de funcionários e residentes, porque a Maxi substituía os cães que os idosos tiveram em casa, proporcionando-lhes muitos momentos de felicidade.

Este não é um caso isolado, porque em Nischwitz já morreram cães no passado. Administração do lar já apresentou queixa contra estranhos pela morte da adorável cadelinha e está a oferecer 500€ de recompensa a quem der pistas que levem à identificação do criminoso ou criminosos. O acto cobarde de envenenar cães com iscos, sujeita as famílias a um tremendo desgosto pela perca dos animais, a morte de um cão pertencente a um lar é muito mais dolosa, porque os idosos perdem uma âncora que liga os à vida, sendo o animal muitas vezes o único companheiro presente. Se os envenenadores no Estado da Saxónia estão em guerra aberta com os cães, é chegada a hora de lhes dar luta sem quartel, na Saxónia e noutros estados alemães, porque este crime acontece um pouco por toda a República Federal.

CITIUS, ALTIUS, FORTIS

 

Inevitavelmente, o adestramento é também cultura e não uma mera actividade pró animal, onde dois ou três asnos escoiceiam sistematicamente uns quantos apaziguados. Adoptámos desde a nossa fundação o lema olímpico “Citius, Altius, Fortius”, criado pelo Padre Henri Didon, amigo do Barão Pierre de Coubertin, sendo este último o criador dos jogos olímpicos modernos, que significa “mais rápido, mais alto, mais forte”, lema que sintetiza o que nos propomos fazer e alcançar. No GIF acima vemos o Labrador Soneca num percurso de aceleração e travamento sem perder o galope, porque importa que seja rápido. No GIF seguinte vemos o Fila Doc, que ainda não tem 1 ano de idade, a vencer as altíssimas verticais de endurance, não se escusando inclusive a vencer uma fresta elevada a 120 cm do solo. Treinamo-lo assim para que salte mais alto, para que de alguma forma possa valer a si mesmo, aos donos e a terceiros. E quando assim procedemos, os nossos cães tornam-se mais fortes.

Sobre as verticais de 60 cm instruímos todos os binómios na interrupção de marcha e convidámo-los ainda para a obediência linear. O binómio José António/Doc treinou ainda o “quieto” e o “aqui”, tarefa que lhe foi também aconselhada como TPC. O Paulo Jorge esteve nas fotografias e bem, o Tiago marchou descalço com o Doberman Alfa por se ter esquecido dos sapatos em casa e há muito tempo que não temos notícias da Rita e da Tuka. Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: Jorge/Soneca; José António/Doc; Julieta/Lexa; Paulo/Bohr; Svetlana/Russa; Tiago/Alfa e Tomás/Dingo. Hoje retomaremos as nossas actividades certos de que alcançaremos progresso. 

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

A IRRESPONSABILIDADE DE NÃO ENSINAR OS CÃES

 

Eu gostava de dizer que não ensinar todos os cães é criminoso, apesar de sê-lo, mas não posso dizê-lo porque não temos nenhuma lei que a isso obrigue, pelo que quedo-me pelo termo “irresponsabilidade” quando os cães ficam por ensinar, problema que outros tentam resolver pelas ajuda dos “santos castração e esterilização”, a despeito dos problemas de saúde que possam causar a cães médios e grandes. Nem mesmo os cães esterilizados podem dispensar o ensino, por mais bobalhões que sejam, porque mesmo no seu “estado de encantamento” correm os mesmos perigos que os outros.

Ontem, em Minderlittgen, município alemão no Distrito de Bernkastel-Wittlich, no Estado de Rheinland-Pfalz, um rapaz de 13 anos ficou ferido quando o cão que trazia à trela correu para a rua e foi atropelado por um carro. A colisão foi tal que o rapaz acabou arrastado para a estrada, sendo depois transportado para o hospital por suspeita de fractura num pé. Também o cão foi examinado por um veterinário, mas as autoridades não forneceram qualquer informação sobre o seu estado de saúde.

Por vezes alguns pais, para aumentar o senso de responsabilidade dos seus jovens filhos, anuem ao seu desejo de terem um cão, atribuindo-lhes em contrapartida todas as tarefas inerentes à posse do animal, como a alimentação, a higiene e os passeios diários. No entanto, apraz-me lançar uma questão: será responsável entregar um cão sem qualquer tipo de ensino a um jovem com pouca ou nenhuma experiência? Eu julgo que não e esta notícia de Minderlittgen parece dar-me razão.

SONECA NA CONTRA-MÃO

 

Ontem foi dia de ensinar e aplicar a “contramão”, indicação contrária à da entrada do cão em relação ao seu condutor no intuito de melhor direccionar os saltos e evitar que os animais saltem outros para além dos indicados, sendo por isso “uma mão de travamento”. No Gif acima é possível ver uma indicação de contramão no 3º salto do percurso (no último), indicada pelo Jorge e executada pelo Soneca (o cão chega do lado esquerdo e a indicação é dada pela mão direita do condutor). Poderá parecer estranho e porventura abusivo, estabelecer percursos sobre obstáculos de endurance. Contudo, a natureza dos saltos e o seu grau de dificuldade estão directamente relacionados com os propósito dos cães: os de desporto saltarão sobre obstáculos de agility, de pequena dimensão e baixo grau de dificuldade; os de trabalho são convidados para obstáculos de endurance próximos dos que encontrarão no seu quotidiano enquanto animais de guarda, resgate e salvamento. Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: Jorge/Soneca; Paulo/Bohr e Svetlana/Russa. Hoje retomaremos os trabalhos à hora do costume com o mesmo interesse e empenho.

terça-feira, 22 de setembro de 2020

TIERSAMMELSUCHT IN BRAUNAU

 

Na cidade austríaca de Braunau am Inn, no distrito com o mesmo nome, no Estado da Alta Áustria, local de nascimento do autor do livro “Mein Kampf”, foram libertados pela polícia 14 cães, 12 vivos e 2 mortos, no passado mês de Junho, pertença de uma jovem que vivia num apartamento com apenas 40 m2. Os animais encontravam-se cobertos de urinas e fezes, tinham a pele ferida e as suas unhas compridas indicavam que nunca vieram à rua. Acabaram transferidos para um abrigo de animais em Lochen, onde foram minuciosamente lavados antes de serem examinados e tratados. Na foto abaixo é possível ver um destes cães depois do banho.

Para Jürgen Stadler, da organização de bem-estar animal Pfotenhilfe, que afirma estarem os cães novamente saudáveis, a sua ex-dona, que está a viver actualmente em Hallwang, Salzburg, já deverá ter um novo cão. Explicando a patologia da jovem, adiantou: “O problema é que o açambarcamento de animais é uma doença que geralmente não é reconhecida por muito tempo. Os afectados acreditam que não podem viver sem eles e acumulam-nos o máximo possível, sem se aperceberem que ficam completamente sobrecarregados e que os animais ficarão cada vez pior.” Para este activista dos direitos dos animais, a referida jovem devia ser proibida quanto antes de ter e criar animais.

A doença desta jovem é descrita em alemão por “Tiersammelsucht” e em inglês por “Animal Hoarding”, é uma acumulação de animais patológica que leva algumas pessoas a coleccionar e a manter uma variedade de animais num espaço confinado, sem lhes garantir os requisitos mínimos de alimentação, higiene e cuidados veterinários. As pessoas assim afectadas desconsideram igualmente os efeitos negativos sobre a sua própria saúde e bem-estar assim como dos membros do seu agregado familiar. Como se antevê, a jovem que outrora vivia em Braunau, deverá ser consultada, aconselhada e acompanhada, porque doutro modo voltará a fazer o mesmo. Pensando bem, todos conhecemos duas ou mais pessoas com esta patologia, indivíduos cujos cães vivem encafuados em canis, raramente de lá saem ou vêem o sol – reprodutores tristemente internados num antro de loucos.

A JULIETA APRENDEU A CONDUZIR À DIREITA

 

A Julieta aprendeu a conduzir à direita e a mudar de mão com a Lexa. Também o Paulo desenvolveu o mesmo trabalho com o CPA Bohr. Participaram nos trabalhos de ontem os seguintes binómios: Julieta/Lexa; Paulo/Bohr; Svetlana/Vlad e Tomás/Dingo.

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

A COMOVENTE E INACREDITÁVEL HISTÓRIA DO APPU

 

Segundo notícia publicada no site da gulfnews, há coisa de uma semana atrás, na aldeia indiana do Chamampathal, no Distrito de Kottayam, Estado de Kerala, um cão (APPU) morreu electrocutado para salvar a vida do seu dono. A sua história foi divulgada em primeira mão por usuários das redes sociais de Kerala. Ajesh, o dono do cão, que andava devagar por ter tido um acidente há pouco tempo, caminhava matinalmente com o seu filho e o dedicado animal no intuito de ir comprar leite. Em conversa com os repórteres, Ajesh disse que o Appu ia na frente deles e que em determinada altura do caminho, o cão detectou um cabo eléctrico solto, com corrente e descarnado. Ao detectá-lo, puxou-o para o lado com os dentes para que nada acontecesse ao seu dono e ao filho. Infelizmente, o cão viria a morrer de electrocução, bem na frente daqueles que optou por salvar. As autoridades do Conselho de Electricidade do Estado de Kerala (KSEB) desligaram mais tarde o fornecimento de energia, ocasião em que o corpo de Appu foi recuperado.

O cão, que estava com a família há dois anos, foi posteriormente enterrado junto a um prédio residencial. Foram muitos os que através das redes sociais estenderam as suas condolências aos donos do animal, exaltando em simultâneo a lealdade canina. Apesar da história parecer demasiado rebuscada para os mais cépticos, eu posso garantir-lhes que tal é possível e que já me aconteceu com cães e cavalos. Lembro-me imediatamente do sucedido num dia de invernia tremendo, lá para a década de 80, com inundações por todo o lado, estradas cortadas e pontes caídas, quando decidi ir ver de uma manada Mertolenga que se encontrava à solta num cerro. Ao chegar perto de uma passagem de nível, o cavalo que montava e desbastei, parou inesperadamente e não havia nem rédea nem espora que o fizesse sair dali. Inconformado, apeei para tentar compreender a situação. Ao olhar para o chão enlameado ao meu redor, a um metro na minha frente, deparei-me com um cabo de alta tensão quebrado. Provável e lamentavelmente, há muito que este cavalo foi desfeito em bifes, mas jamais me esquecerei dele – chamava-se Trovão, era castanho e salvou-me a vida naquele dia.  

ACONTECE AOS MELHORES

O Ötscher é uma montanha no sudoeste da Baixa Áustria, nos Alpes de Ybbstal que fazem parte dos Alpes Orientais-Norte. Tem 1893 m de altitude e o seu pico principal, oficialmente chamado de Ötscher, é por vezes também chamado de Großer Ötscher (Ötscher Grande). Aos fins-de-semana a afluência à montanha é grande, facto que põe de prevenção pilotos de helicóptero, equipas de resgate de montanha, binómios de busca e salvamento, bombeiros e polícias, que de um jeito ou de outro sempre acabam por ser solicitados, por vezes sem terem tempo para descansar, devido ao extenuante número de operações que acontecem de sexta a domingo, porque subir ao Ötscher é um projecto familiar para muitos austríacos, carregando consigo cães e crianças. É possível que o facto de não terem mar os remeta para a aventura e a evasão nas montanhas.

Este Domingo (ontem), as equipas de socorro viram-se obrigadas a resgatar um cão Pastor de 43 kg que entrou em pânico repentinamente ao chegar a determinada altitude, permanecendo rígido e incapaz de dar sequer um passo para a frente ou para trás. Não é a primeira vez que acontece um caso assim, em que pastores experientes nas montanhas acabam por ter medo das alturas. Depois de uma equipa de resgate ter tentado em vão transportar o animal, este viria ser resgatado pela equipa do helicóptero de resgate, sendo devolvido ao seu dono são e salvo. Este não é único problema que acontece no escalar da montanha, porque há sempre gente que se perde, fere, cai e precisa de ser transportada para o hospital.

Deste incidente algumas lições devem ser tiradas, particularmente pelos profissionais da cinotecnia, que a terem cães para resgate na montanha, deverão instalá-los e treiná-los numa para que a sua adaptação elimine a estranheza, diminua as dificuldades e melhore o seu desempenho, porque doutra forma, os animais poderão vacilar e aumentar os problemas. Quanto aos dedicados proprietários caninos, aqueles que tudo fazem em prol do bem-estar dos seus parceiros de 4 patas, aconselhamos que passeiem com eles na orla marítima durante o Outono e Inverno e que o façam nas montanhas na Primavera e no Verão. Serra da Estrela, Gerês e Planalto Transmontano são excelentes destinos para o efeito. Andar, treinar e trabalhar em altitude não é só bom para os cães, é-o também para os donos, porque dota ambos de maior saúde e resistência, oferecendo em simultâneo a possibilidade de passarem um Inverno mais saudável. Ainda voltando aos adestradores, o facto de um cão ter sido na treinado na montanha e nunca mais lá ter voltado, não o torna capaz de trabalhar sempre nesse ecossistema, conforme atesta esta notícia.

PS: Uma escola canina digna desse registo, deverá elaborar um calendário de actividades anual que contemple o que atrás dissemos, porque não são os cães que têm que vir para a escola, é a escola que deve ir ao encontro das suas necessidades, porquanto são excursionistas e não procuram tanto o “lugar social” como os gatos.       

PELO TERCEIRO DIA CONSECUTIVO

 

Ontem, pelo terceiro dia consecutivo, vimos ultrapassado o nosso recorde anual de visitas diárias, que passou de 618 para 659 leitores. Para além das razões que já adiantámos atrás para este aumento de visitas, no caso do dia de ontem, ao extraordinário afluxo de leitores norte-americanos veio juntar-se uma centena de russos. Perante isto, encanta-nos saber que são muitos os interessados em melhorar a comunicação interespécies e em educar os seus cães, gente que não nasceu para estar só e que por isso não dispensa a companhia de um cão. Obrigado a todos pela visita e mantenham-se em contacto, porque em cada dia que nasce a esperança renova-se e há muito que aprender – não estamos sós e estamos cá para valer uns aos outros!

domingo, 20 de setembro de 2020

UMA CENTENA DE RUSSOS

 

Recebemos hoje a visita de cerca de uma centena de leitores russos, facto que se saúda por se repetir várias vezes em cada ano. Estranhamente, o mesmo não acontece com os nossos leitores ucranianos, outrora muitos e hoje poucos. A Rússia é o 4º país que mais leitores nos dá desde sempre, logo a seguir aos Estados Unidos.

Os leitores deste enorme país não são constantes, aparecem e desaparecem, mas quando aparecem vêm em massa. Daqui agradecemos o seu interesse, esperamos que continuem a visitar-nos e que a sua paixão por cães se mantenha.

HIGGINS, NIL TÚ I DO AONAR!

 

Ontem morreu a cadela de um homem bom, chamava-se Sioda, era uma Berner Sennenhund (Cão de Montanha de Berna) e sucumbiu após curta doença. O homem é Michael Daniel Higgins (Mícheál Dónal Ó hUigínn), 9º Presidente da Irlanda, homem querido do seu povo e um incontornável político europeu. O seu desgosto já o experimentámos muitas vezes e sentimo-lo também nosso, sabemos quanto custa, porque quando nos morre um cão, parte de nós vai com ele. Contudo, Higgins reerguer-se-á mais depressa do que o esperado, os irlandeses são assim!

EM HALLE A DONA CHEGOU A TEMPO, VOCÊ PODE NÃO CHEGAR!

Na cidade alemã de Halle (Saale), que estranho brasão de armas tem, pertencente ao Estado de Sachsen-Anhalt, cidade geminada com a nossa Coimbra e onde se encontra depositada a máscara mortuária original de Martinho Lutero, uma senhora conseguiu arrancar um pedaço de salsicha com vários centímetros da boca do seu cão enquanto caminhava no Rennbahnring, ontem pelas 10 horas, segundo a polícia anunciou hoje. Após ter sacado a guloseima ao cão, a referida senhora verificou que a salsicha estava crivada de pregos e de lâminas de barbear.

 

Lamentavelmente, estes engodos fatais são encontrados e expostos repetidamente no Estado de Sachsen-Anhalt, como aconteceu na Primavera passada nas Montanhas do Harz e de Magdeburg, onde foram encontradas almôndegas e salsichas cravejadas de pregos e de lâminas de barbear. Desta vez, a senhora de Halle conseguir chegar a tempo, sacar a salsicha e evitar o pior. Você pode não ter a mesma sorte e o seu cão vir a perecer.

Caso não tenha o seu cão ensinado para recusar engodos, independentemente daquilo para que o quer, dirija-se a uma escola canina ou contrate um treinador para o ensinar, pois não falta por aí gente malvada capaz de o eliminar – há coisas que não acontecem só em Halle.

É UM PASTOR ALEMÃO, BELGA OU HOLANDÊS?

Hoje, tanto nas companhias cinotécnicas militares como nas policiais, assim como nos grupos de trabalho civis, a pergunta acima faz todo o sentido e a resposta é invariavelmente a mesma: é um “Pastor”, ainda que o exemplar em questão descenda das três raças, opção que remonta aos anos 80 do século passado, quando a eugenia negativa, suportada na consanguinidade e na endogamia, estava a comprometer irremediavelmente o desempenho das raças ditas de trabalho. A princípio a mestiçagem era feita às escuras e agora resplandece à luz do dia, sendo visível a olho nu. Estes cruzamentos começaram a despontar e a eclodir um pouco por toda a parte antes da queda do Muro de Berlim e não teriam acontecido sem os erros do passado e os avanços da etologia.

 

Que não se assustem os mais puritanos, porque esta estratégia para salvaguardar, preservar e fazer proliferar os cães pastores é um regresso à raíz comum, quando era mais o que unia as três raças do que aquilo que as separava, separação centenária que tirou a cada uma delas uma parte que só podia ser encontrada nas outras, considerando a versatilidade, a interacção, a valentia, a disponibilidade e a rusticidade, entre outros particulares também importantes para os distintos serviços historicamente distribuídos aos cães.

Assim, a existência destes “Pastores” não se encontra cativa ao que os difere dos outros, mas ao que é comum aos 3 e que os torna excepcionalmente aptos, depois de legitimados pela depuração do trabalho, enquanto método próprio para a selecção de cães de utilidade. A selecção dos reprodutores em “Quadro Aberto” não pode ser arbitrária e baseada em palpites, como tantas vezes sucede, mas por quem consegue reconhecer e destrinçar neles os instintos e impulsos herdados que se pretendem perpetuar, no são equilíbrio entre o impulso ao conhecimento e os restantes considerando a excelente interacção.

Pessoalmente, enquanto criador de Pastores Alemães, não sou adepto desta estratégia, porque entendo que o Pastor Alemão é um todo que se completa nas variedades que foi desprezando e que ainda hoje existem, não sendo por isso necessário retornar à raiz comum de pastores belgas e holandeses para recuperar a sua histórica reputação como cão de utilidade, o que não significa que me oponha a que beneficie as suas raças congéneres ou contribua para o aparecimento de outras, como sempre aconteceu e certamente continuará a acontecer, agora até mais do que nunca. O que importa guardar, tendo em conta que as aparências iludem, é que um cão exteriormente Pastor Alemão pode ser maioritariamente Malinois e vice-versa, e que um cão de aparência similar a um Pastor Holandês pode ter mais de Pastor Belga e de Pastor Alemão do que à partida se imagina. Assim vai o mundo, assim vai canicultura e a cinotecnia. 

NOVO RECORDE DIÁRIO DE LEITORES

Surpreendentemente, ontem alcançamos um novo recorde anual de leitores diários, que bateu o alcançado um dia antes (540), estando agora em 618 visitas diárias, o que equivale a dizer que somos visitados por mais de 25 leitores a cada hora que passa. É possível que este aumento de visitas esteja relacionado com a presente pandemia e com o confinamento global a que obriga, para além da publicidade do tipo “parents and relatives” assim como da procura de mestres e aprendizes cinotécnicos. O crescente interesse por esta plataforma alegra-nos vivamente porque estamos cá para servir. A todos agradecemos a visita, o intercâmbio havido e as questões colocadas. Um bom Domingo para todos!

sábado, 19 de setembro de 2020

ENCONTRARAM-SE DE DIA E FORAM PELA NOITE DENTRO

 

Os trabalhos de hoje incidiram sobre dois comandos basilares da obediência: o “junto” e o ”aqui”. Para além desta recapitulação que visa o aprimoramento da resposta canina, executámos alguns percursos de “up” e “abaixo” para combater a mecanicidade das acções e as más associações nos nossos cães, factores que obstam à funcionalidade binomial, geram delongas e que podem ser fatais para donos e cães quando carenciados de socorro. Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: Afonso/Nasha; Jorge/Soneca; José António/Doc; Julieta/Lexa; Paulo/Bhor e Tomás/Dingo. O Dingo venceu mais um obstáculo, a Patrícia prometeu vir e não apareceu, o José Maria foi cear para um sítio aprazível e o Paulo ficou entregue às fotos como sempre. A chuva desapareceu e a classe acabou a trabalhar pela noite dentro. Amanhã, como acontece todos os Domingos, os nossos binómios vão gozar um merecido dia de descanso.

PARAGUAY: POST CARDS DE LA ESTANCIA MARCA TRÉBOL

 

No Chaco paraguaio, região semiárida que está a ser desmatada rapidamente, uma estância que cria gado (Estancia Marca Trébol) tem sido notícia pelas piores razões. Ao que parece, é propriedade de um conhecido político que empreende uma verdadeira cruzada contra os cães e que obriga os seus empregados a participarem nela (empregado que se negue é despedido), pelo que todos os seus funcionários são obrigados a assinar um documento sobre a matança dos cães e o seu silêncio. Infelizmente, atitudes destas têm muito de sul-americano no mau sentido, de terra queimada e de desrespeito pelos outros, quer sejam ecossistemas, pessoas ou animais. Porque razão este senhor, ao invés de pagar a trabalhadores para matar os cães, não contrata um veterinário para esterilizá-los? Será por causa da impiedade que só considera os custos? Todo aquele que vai para o Paraguai e que tenha 3 dedos de testa prospera e assim continuará até o país se transformar num sítio impossível para se viver, atendendo aos abusos cometidos pela exaustiva exploração pecuária e pelo progressivo envenenamento dos campos agrícolas.

Mas voltemos à matança de cães na Estância Trébol, porque sobre o resto cabe exclusivamente aos paraguaios pronunciar-se. Segundo o jornal semanal La Nación, um tal de Nicodemus Ruiz Díaz, veterinário na citada estância e pelos vistos também “carabineiro”, teria matado a tiro pelo menos 36 cães a mando dos seus patrões, recebendo 150.000 guaranis (12,0614€) por cada cão morto e 300.000 (36,1842€) por cada cadela prenhe?! Quando as fotos dos cachorros mortos começaram a aparecer nos media em Fevereiro e Março, a Procuradora Norma Paredes tomou conhecimento do assunto e conseguiu confirmar que os cachorros que ali estavam enterrados tinham sido baleados. 

Neste momento, com base na Lei nº 4.840/13 relativa ao bem-estar animal, que a breve trecho diz “todos são obrigados a proteger todos os animais contra danos e danos" e que abrange os animais domésticos, os silvestres e os exóticos em cativeiro, prevendo uma pena de prisão efectiva até 2 anos a quem maltratar ou matar animais, grupos de bem-estar animal estão a pressionar a procuradoria para que o dono ou donos da Estância sejam processados. Oxalá seja feita justiça, o que sinceramente duvido, a menos que a opinião pública internacional se manifeste contra esta escusada e cruel matança. 

POR ENQUANTO NÃO HÁ VOLTA A DAR

 

Apesar do profundo desejo de ajudarmos os nossos cães a envelhecer graciosamente e a manter-se mentalmente saudáveis, um novo estudo sugere que mesmo a melhor dieta e o treino não conseguirão atrasar-lhes o peso dos anos - por enquanto não há nenhuma fórmula mágica capaz de travar o envelhecimento dos nossos cães. Assim como os seus donos humanos, os cães podem experimentar declínios de pensamento e mudanças de comportamento à medida que envelhecem, podendo mostrar menos curiosidade sobre novos objectos e mostrar declínio na sua capacidade de resposta social, memória e atenção, segundo adiantaram os autores do estudo.

Estudos anteriores tinham vindo a sugerir que o treino ao longo da vida e uma dieta enriquecida podiam retardar o envelhecimento mental dos cães, mas poucos exploraram o envelhecimento nos cães de estimação em ambientes da vida real. Neste último estudo, uma equipa internacional de pesquisadores liderada por Durga Chapagain, da Universidade de Medicina Veterinária de Viena, na Áustria, descobriu que cães entre a meia-idade e a velhice, que foram treinados ao longo da vida e alimentados com uma dieta rica em nutrientes durante um ano, não tiveram melhor desempenho nos testes de raciocínio do que os cães que receberam menos treino e comeram uma dieta regular.

O estudo incluiu mais de 100 cães de estimação de várias raças e com mais de 6 anos de idade. Os cães participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos: metade foi alimentada com uma dieta rica em nutrientes, incluindo antioxidantes e ácidos gordos ómega, enquanto a outra metade consumiu uma dieta regular. Os pesquisadores também recolheram informações dos donos dos animais sobre o treino anterior dos seus cães. Depois de um ano de dieta, os pesquisadores avaliaram as capacidades mentais dos cães a partir de um teste cognitivo desenvolvido para cães mais velhos. Infelizmente, a dieta e o treino não tiveram um impacto significativo no declínio mental, disseram os autores do estudo. 

Os cães idosos experimentaram declínios em quatro áreas específicas: solução de problemas, sociabilidade, ousadia e dependência. No obstante, os resultados mostraram que a sua capacidade de treino e a sua independência de actividade pareceram permanecer com alguma nitidez. O estudo foi publicado online no dia 16 de Setembro na revista “PLOS ONE”. Se porventura conseguíssemos travar o processo de envelhecimento dos cães, não demoraria muito que intentássemos fazer o mesmo connosco. Como a ciência está em constante evolução, aguardamos novos estudos e conclusões mais peremptórias sobre esta matéria.

NOSTALGIA DE OUTONO COM CÃES DE RECICLAGEM

 

A mais recente exposição pública do artista nova-iorquino Will Kurtz, cujo tema é o melhor amigo do homem, chegou a Midtown na “The Big Apple” para combater a nostalgia neste Outono. Esta exposição intitulada “Doggy Bags” está localizada na Broadway, no Garment District entre a 38ª e 40ª Streets e apresenta uma série de cães gigantescos e brincalhões feitos totalmente de materiais reciclados para destacar a necessidade da reutilização.

“Doggy Bags” inclui seis estátuas caninas: “Maisy” o Pug; “Stanley” o Basset hound; “Spicy” o Chihuahua; “Harriet” o Bulldog inglês; “Gomer” o Bullmastiff e “Daphne” o Vizsla. Os cães são construídos com uma armadura de aço, sacos plásticos reciclados descartáveis e fita adesiva. Cada um retrata as características e a personalidade da sua raça, enquanto a escolha dos materiais denúncia o absurdo dos resíduos e a necessidade de reciclar.

A instalação deste evento cultural faz parte do “Garment District Art on the Plazas”, um programa de arte pública durante todo o ano, possibilitado por “Arterventions”, uma subdivisão do Programa de Arte do Departamento de Transporte da Cidade de Nova York (DOT). A Garment District Alliance e o DOT trabalham em conjunto para coordenar e instalar exposições e peças individuais, que embelezam as praças públicas tornando-as ainda mais acolhedoras para os nova-iorquinos e turistas. Resta dizer que a exposição é gratuita para o público e estará na Broadway até 20 de Novembro. Que bonito e útil seria termos aqui uma exposição idêntica com os mesmos propósitos e preocupações.

INVERSÃO E CONDUÇÃO A DUAS MÃOS

 

Ontem os nossos trabalhos assentaram sobre a Técnica de condução, uma vez que os condutores presentes já trabalham com os seus parceiros em liberdade. Começámos por inversões simples mediante a condução nuclear com o cães a trabalhar sozinhos na frente e com os condutores para trás da linha de salto, conforme se pode ver no GIF acima, onde o binómio José António/Doc executa uma inversão valendo-se de um arco e de uma vertical crua. No GIF abaixo vemos o binómio Paulo/Bohr num pequeno percurso que obrigou a mudança de mão, sendo o CPA conduzido primeiro pela mão direita e depois pela mão esquerda do condutor.

Sem grande alarido, o binómio Julieta/Lexa vai gradualmente evoluindo na Técnica de Condução. No GIF abaixo vemo-lo a executar um pequeno percurso de mão esquerda com uma inversão simples. A Lexa segue a Julieta para toda a parte e tudo faz para agradar à sua terna condutora.

Em sentido inverso pedimos ao binómio José António/Doc que fizesse o mesmo percurso, o que obrigou a uma condução de mão direita. Com esta e outras tarefas similares procurámos dotar os cães de duas mãos de condução, equilibrando-os tanto do ponto de vista físico como do operacional.

Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: José António/Doc, Julieta/Lexa e Paulo/Bohr. O Afonso não compareceu porque começou as aulas, o Tomás foi para parte incerta e o Paulo realizou a reportagem fotográfica. Hoje, com ou sem chuva, retomaremos decididos os trabalhos.

NOVO RECORDE DIÁRIO DE LEITORES

Ontem batemos novamente o recorde de leitores diários deste ano, que passou 514 para 540 visitas. Os primeiros responsáveis pelo aumento da nossa procura são os leitores norte-americanos que ultimamente têm ultrapassado os portugueses, tanto diária como semanalmente. Na Europa, para além dos lusos, destacam-se os alemães, irlandeses e britânicos. Angolanos e moçambicanos são os nossos leitores mais assíduos de África. Os leitores brasileiros ocupam o 2º lugar dos nossos leitores de sempre. A todos agradecemos o interesse, queremos mantê-lo e aguardamos novas visitas.