domingo, 27 de outubro de 2019

COM OS CANHÕES MARCHAR, MARCHAR!

Iniciámos os trabalhos de Sábado num jardim onde aperfeiçoámos a condução em liberdade dos 3 binómios mais em evidência. Depois disso começámos a ensinar o Soneca a transportar outros objectos para além dos seus brinquedos, buscando assim o seu fim útil, ensinando-o a transportar o seu bebedouro.
Como bom retriever que é, foi-lhe solicitado que fosse buscar e entregasse o bebedouro ao seu dono, trabalhos que o cão efectuou com rara alegria e prontidão como se estivesse a brincar. Doravante ser-lhe-ão dados outros objectos a transportar que ele identificará pelos nomes.
Aproveitando as comemorações do DIA DO EXÉRCITO PORTUGUÊS, que decorreram este ano entre 19 e 27 de Outubro, optámos por visitar os stands das diversas armas e serviços do nosso Exército, vertente terrestre das Forças Armadas Portuguesas e responsável pela defesa militar do País. O Dia do Exército Português comemora-se a 24 de Outubro, dia em que as tropas de D. Afonso Henriques, Patrono do Exército Português, conquistaram Lisboa aos mouros, com a ajuda dos cruzados e após quatro meses de cerco, tomada que aconteceu em 1147. Tendo em vista a sociabilização dos nossos cães e a admiração que devemos aos nossos militares, entregámos os nossos cães a três deles para confraternizarem.
O Soneca, em matéria de confraternização (sociabilização), é o nosso melhor cartão-de-visita, porque e simpático para toda a gente, alegre, generoso e cuidadoso com as crianças, com as quais está acostumado a brincar. Certos do seu acerto, pedimos-lhe que vencesse um túnel humano constituído por 3 militares.
Quando menos esperávamos, encontrámos um velho amigo, o SEBASTIÃO, um pequeno Pinscher dourado vivaço e valente, que foi vedeta nas nossas classes e do qual já sentíamos alguma saudade, por ser único, extremamente curioso e dono de uma vontade indomável. Como o Pinscher não podia ter vindo sozinho, aproveitamos também para rever a sua dona, a ISABEL, senhora simpática que consideramos nossa amiga.
Depois de nos despedirmos do Sebastião e de lhe desejar longa vida, reparámos numa pequena camioneta de caixa aberta carregada de baias. Sem hesitar e dando continuidade a treinos anteriores, pedimos ao Afonso que levasse a Nasha a saltar a sua caixa de carga.
Como o passeio não dispensava o trabalho, aproveitámos o salto sobre uma caixa eléctrica para melhorar a técnica dos condutores e muscular os cães, insistindo nas transposições a meio do obstáculo e no adiantamento dos condutores na sua saída.
Com o Paulo Jorge ainda debilitado e com o CPA Bohr a precisar de trabalhar, o Adestrador decidiu pegar no Pastor e ultrapassar um arbusto trabalhado, simultaneamente alto, largo e redondo, que “exigia pernas”.
Aproveitando um carro de combate da BRIGADA MECANIZADA, depois da devida autorização, o Adestrador ordenou ao CPA Bohr que saltasse para cima daquele blindado e ali se deitasse, sendo a imobilização do animal garantida pelo seu dono.
Com um poder atlético sensivelmente igual ao do CPA Bohr, a Fila de S. Miguel NASHA, foi também convidada a saltar para cima do carro de combate, sucesso que ficou também a dever-se ao treino de que tem sido alvo e ao incentivo do seu condutor.
Aproveitando a presença de outro carro de combate, ensinámos os cães a rastejar por baixo dele, cabendo as “honras da casa” ao CPA Bohr, cão já muito experimentado nestas andanças e acostumado a resolvê-las com sucesso.
E como o melhor exemplo para um cão é outro cão, perante a excitação do Soneca, o Bohr serviu-lhe de guia e o Labrador acabou por passar debaixo do carro em alta velocidade e com alegria, tentando apanhar o Pastor que tinha na frente.
Com tantas baias à disposição, o Adestrador escolheu uma para exercitar os cães, pegando no CPA Bohr para exemplificar aquilo que se pretendia. A escolha do Bohr serviu para poupar o seu condutor e exercitar o Pastor.
Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: Adestrador/Bohr; Afonso/Nasha; Jorge/Soneca; José António/Ben; Paulo/Bohr e Svetlana/Lexa. A reportagem fotográfica ficou a cargo do José António e do Paulo Jorge. Como pedagogia e aulas teóricas, assistimos às exibições dos binómios militares presentes no certame. Sentimos a falta do José Maria e da Jessy, mas compreendemos a sua ausência por conta do aniversário da última (que conte muitos!).
Para a semana retornaremos com novos desafios e aventuras, experiências que farão parte da nossa história e que mais tarde recordaremos com alguma emoção e saudade. Boa semana de trabalho.

A LUCKY CONTINUA PRESENTE

A LUCKY é uma Pastora Alemã preta-afogueada de pêlo comprido que acabou de fazer 16 anos de idade, nascida na ACENDURA BRAVA e propriedade do nosso ex-aluno e amigo EDUARDO RAMOS, que dela tem cuidado esmeradamente ao longo da sua existência. Tomámos conhecimento desta efeméride através de um email que nos enviou há dois dias atrás.
Recordista na sobrevivência, a Lucky, que sempre foi tratada como uma menina em casa, é a memória viva dos cães criados na Acendura, sendo filha do KOLUMBOS e da MENINA. Recordá-la é trazer à memória outros homens e outros cães que com ela cerraram as nossas fileiras, binómios de boa memória, alguns já desaparecidos, que engrandeceram o nosso nome. Desejamos a continuação de longa vida à Lucky, certos do apoio incondicional dos seus donos e da parceria dos dois machos CPA’s que coabitam com ela: o TWIX, um exemplar chocolate e o NIDOS, um preto afogueado, todos presentes na foto seguinte.
De parabéns está também o nosso amigo Eduardo Ramos, a quem enviamos daqui as nossas cordiais saudações, porque a longevidade da Lucky não pode ser separada do cuidado que lhe tem dedicado. Ficamos a aguardar pelos 17!

sábado, 26 de outubro de 2019

O QUE TEM QUE SER TEM MUITA FORÇA!

Quando se pensa em algo, o Brasil tem e se não tem, breve terá! Dissemos anteontem no artigo “HASTA AN DER SPITZE”, no seu 2º parágrafo, o seguinte: “Os cães aparecem hoje nos lugares mais impensados e por toda a parte, verdade que já não deixa ninguém surpreso. Por enquanto são benzidos à porta das igrejas, mas não faltará muito para os deixarem entrar, provavelmente antes que os seus donos deixem de frequentar as igrejas para ficarem em casa a adorá-los, como já vai sucedendo.” Dito e feito! Tivemos ontem conhecimento de um Padre pernambucano que abre as portas da sua igreja aos cães abandonados e que oficia missas com eles a seu lado, factos que o estão a tornar conhecido pelo mundo afora. Trata-se do Padre João Paulo Araújo Gomes, pároco de Sant’Ana Gravatá, no município de Gravatá, em Pernambuco, no nordeste brasileiro.
Por ocasião das missas dominicais, o Padre João abre as portas da igreja aos cães vadios, que dão as boas-vindas aos fiéis e assistem à liturgia, na esperança de encontrarem uma família de adopção. Durante a celebração das missas, os cães têm livre circulação no altar e por vezes interrompem o cerimonial para pedirem carinho ao pároco, vindo a ser por ele acarinhados. Grande parte dos cães que chegam à igreja aparecem famintos e carenciados de carinho e atenção.
O Padre não se fica por oferecer abrigo e comida aos cães, vai mais longe – garante-lhes os cuidados médico-veterinários necessários. Respondendo à iniciativa do seu Pároco, a comunidade de Gravatá está agora empenhada em encontrar um lar para os cães, o que indicia haver maior preocupação com os animais. A prová-lo está o menor número de cães de rua presentes na cidade, já que dezenas deles foram adoptados por famílias que vão à missa na Paróquia de Sant’Ana. O Padre também adoptou três e levou-os para a casa paroquial, animais que considera seus filhos e que segundo disse: “dormem com ele na cama”.
Louva-se o amor do Padre pelos cães, mas algumas perguntas pairam no ar: atendendo à necessária prática das boas obras para a sua salvação, será que irá para o Céu por amor aos cães? Lavará ele as mãos antes de proceder à Eucaristia? Não haverá nos bancos da igreja algum pulguedo? O que fará ele com as pessoas que não gostam ou temem os cães, mandá-los-á a outra paróquia ou pedir-lhes-á que façam a sua própria igreja? A obra social da sua paróquia dará primazia aos animais? No meio de tanta azáfama em prol dos cães, será que ainda lhe sobra tempo para pregar o Evangelho? Enquanto ainda fala a língua dos homens, eu gostava de ouvir algumas homilias do Padre João – o apóstolo dos cães.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

OS LOBOS AFINAL ERAM HUSKIES

Na manhã de Quarta-feira, em Marktredwitz, no Distrito de Wunsiedel, na Alta Francónia/Alemanha, várias testemunhas disseram que os lobos rasgaram dez ovelhas e duas cabras, acabando por matá-las. Agentes da polícia distrital, ao seguir o rasto dos animais, descobriram que se tratava de dois Huskies fugitivos e seguiram-nos até à casa do seu dono. Por sua vez, as marcas das dentadas nos animais abatidos confirmaram que foram cães e não lobos quem os vitimou. As ovelhas encontravam-se num pasto e o dono das cabras assustou os pretensos lobos com uma forquilha. Este incidente espalhou medo e terror pela cidade de Marktredwitz.
Cãezinhos fofinhos destes, afinal tão parecidos com os lobos, com olhos azuis, raramente interactivos, naturalmente teimosos, com surdez selectiva, que nunca se cansam de fugir e que são o terror de capoeiras e rebanhos, não podem dispensar de maneira nenhuma o treino de obediência, porque doutro modo os seus donos nunca poderão ficar descansados e os cães poderão acabar seriamente feridos ou mortos por força das suas instintivas desventuras.
Mesmo que um Husky consiga chegar à condução em liberdade e nela tenha sido amplamente aprovado, sempre será melhor trazê-lo atrelado perto de outros animais, porque de um momento para o outro, aparentemente sem razão, poderá lançar-se sobre eles e dizimar alguns, abate que fará à velocidade de um relâmpago logo da primeira vez. Nos passeios mata adentro também não convém soltá-lo, porque depressa começará a rastrear e dificilmente voltará para si, especialmente em áreas onde abundem espécies cinegéticas. O homem de Marktredwitz sabia os cães que tinha e do que eram capazes? Talvez ele não soubesse, o que eu seriamente duvido, mas se você tem um Husky e leu este artigo, já sabe com o que pode contar!

CHINA: PESTE SUÍNA AFECTA CÃES

A China, maior produtor e consumidor de carne de porco do mundo, está neste momento a enfrentar uma grave escassez desta carne, porque graças à peste suína que se instalou no continente, a população de porcos caiu para 41% entre Setembro de 2018 e Setembro de 2019, segundo anunciou o Ministério da Agricultura chinês. Convém dizer que a China tem sido responsável por metade da produção mundial de porcos e que esta carne é ali a mais popular. Como consequência, o preço da carne suína duplicou e tornou-se rara, levando à falência dos seus fornecedores nas pequenas cidades do interior.
A somar a isto, porque é cara, esta carne está a deixar de ser interessante para os seus compradores. Apesar do governo chinês ter optado pela importação de carne de porco para suprir a sua falta, no interior, onde as rendas familiares são três ou quatro vezes menores do que em Xangai ou Pequim, as pessoas estão agora a recorrer ao consumo de cães e coelhos, cujas carnes estão disponíveis e são acessíveis. Lamentavelmente, os cães nunca tiveram grande sorte na China, onde também não é nada fácil alimentar tanta boca. Com a população mundial a atingir números nunca vistos, há que encontrar alternativas para substituir a carne, antes que nos matemos uns aos outros e/ou acabemos com o mundo (preparados para o fazer já estamos!).

PIADA PARA O FIM-DE-SEMANA: JANTAR EM CASA DOS FUTUROS SOGROS

Um rapaz é convidado para ir jantar à casa dos futuros sogros e a dada altura, depois de ter comido que nem um valentão, senta-se no sofá da sala. O cãozinho da família ao vê-lo ali, senta-se ao seu lado. De repente e sem contar, o rapaz solta um traque silencioso mas muito mal cheiroso, temendo que alguém desse por isso. A mãe da namorada vira-se imediatamente para o cão e diz-lhe para sair dali. Ao ver o cão ficar com as culpas, o rapaz não hesita em largar um segundo traque ainda mais potente que o primeiro. A senhora dá pelo pivete novamente e manda o animal sair daquele sofá outra vez. Convencido que as culpas estavam a ser atribuídas ao animal, o rapaz, carenciado de se aliviar, solta um terceiro traque mais potente que os anteriores. A senhora exasperada grita então para o cão: “Bobby, tu sai mas é daí que ele ainda te mata!”

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE?, editado em 11/05/2016
3º _ PASTORES ALEMÃES LOBEIROS: O QUE OS TORNA ESPECIAIS, editado em 02/11/2015
4º _ O MELHOR E O PIOR DO PASTOR SUÍÇO: ANÁLISE MORFOLÓGICA E FUNCIONAL, editado em 21/06/2011
5º _ INTEGRAÇÃO ACIDENTAL, editado em 20/10/2019
6º _ CONHEÇA OS CÃES DE BIOSSEGURANÇA AUSTRALIANOS, editado em 22/10/2019
7º _ NASHA + 2, editado em 21/10/2019
8º _ SOFRÍVEL NARRADOR DE POESIA BIOMECÂNICA, editado em 15/10/2019
9º _ O ORDENADO NÃO ERA NADA MAU!, editado em 22/10/2019
10º _ PALAVRAS PARA QUÊ? SÃO ARTISTAS PORTUGUESES!, editado em 22/10/2019

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Rússia, 4º Estados Unidos, 5º Região Desconhecida, 6º Reino Unido, 7º Alemanha, 8º Moçambique, 9º Irlanda e 10º Angola.

A SALSA “ABRIU O LIVRO” E O FOTÓGRAFO ESTAVA LÁ!

Ontem fui mais uma vez treinar a Salsa e levei comigo o nosso fotógrafo, o Paulo Jorge, que apesar de se encontrar de baixa, teve “que se chegar à frente”. E em boa hora foi, porque a Cão de Gado Transmontano decidiu “abrir o livro” e mostrar todo o seu potencial. Iniciámos o treino com um Slalom em liberdade, dando continuidade aos conteúdos de ensino adiantados na sessão de treino anterior.
Vencido o trabalho relativo à obediência dinâmica, passámos para a transposição de um Castelo Vertical, com 110 cm, que mais tarde transformaríamos em Exel. A cadela venceu o obstáculo com alegria e naturalidade, o que fez-nos aumentar o grau de dificuldade nos obstáculos posteriores.
Depois de constituirmos o obstáculo num Exel, colocámos no seu meio uma senhora, para que a Salsa deixe de temer os humanos e com isso possa defender a propriedade onde se encontra instalada. É evidente que existem outros métodos para o mesmo efeito, quase todos baseados na instigação e na constituição de presas, muitas vezes responsáveis por acidentes e ataques indevidos. Quando o grau de dificuldade dos obstáculos aumenta, o Adestrador deverá ir em socorro do animal para lhe garantir o sucesso e transmitir confiança ao seu condutor.
Na incerteza do sucesso dos condutores, o adestrador deverá capacitar os cães a despeito da menor valia técnica dos seus líderes, mecanizando-lhes as acções através da menor ajuda e do aumento das dificuldades.
Uma coisa é pedir a um cão que salte sobre uma pessoa constituída em barreira, outra bem diversa e mais difícil é saltar de frente para ela, encará-la na linha de salto, o que obviamente exigirá do animal maior coragem, independentemente da pessoa a saltar ser o seu líder ou um desconhecido.
Quando o adestrador antevê todas as dificuldades dos cães e ajuda-os a vencê-las, a passagem para as mãos dos donos não resultará num menor desempenho, mas na continuidade do acerto.
A meio do treino convidámos uma amiga nossa para nos acompanhar nos trabalhos, ensinando-lhe a pegar na trela e a solicitar os comandos de “junto”, o “alto” e o “senta”. Para além das questões pedagógicas relativas à senhora, importava capacitar a cadela a ser conduzida por uma segunda pessoa e verificar a assimilação dos códigos.
Debaixo dos mesmos propósitos e certos de que não estávamos a prejudicar ou a malbaratar o desenvolvimento atlético da Salsa, pedimos à senhora convidada que conduzisse a cadela num salto sobre um castelo vertical. Tudo correu conforme o esperado.
E como entre nós “convidado” é sinónimo de voluntário, pedimos à senhora que aumentasse com o seu corpo a altura do obstáculo a transpor, convite que ela aceitou de bom grado e com rara alegria, tanta que nem conseguia abrir os olhos!
Depois foi-lhe pedido que conduzisse uma cadela Labradora sem qualquer tipo de ensino, certos das dificuldades que encontraria, para que pudesse compreender de imediato a importância do treino canino e as vantagens que ele oferece.
No final da aula, uma vez que o aquecimento estava feito, pedi-lhe que fizéssemos uma corrida de velocidade. Ela não esteve mal e eu não esperava estar tão bem! E eu que não queria acreditar que a mocidade é por vezes um estado de espírito!
Voltando à Salsa, sem medo das pessoas e bem sociabilizada com os outros animais (vejam por onde anda o gato na foto abaixo), é possível que venha a desempenhar funções que à partida não estariam ao seu alcance.
E assim terminou mais um dia de instrução desta magnífica cadela Cão de Gado Transmontano, uma gigante no tamanho, na aprendizagem e na dedicação, um animal único que tem muito para dar e cujo limite ainda se desconhece.

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

CÃES: BIOTECNOLOGIA AO SERVIÇO DA ARQUEOLOGIA

Cães primeiro usados para farejar túmulos em investigações criminais, têm vindo a descobrir túmulos da Idade do Ferro na Croácia que datam de quase três mil anos. Estes cães farejam baús que contêm ossos e artefactos humanos num forte situado numa colina das montanhas Velebit, ao longo da Costa do Adriático. De acordo com alguns especialistas, o uso dos cães pode ser uma boa maneira de identificar sítios arqueológicos, porque é menos destrutivo que muitos métodos tradicionais. Além disso, “o nariz dos cães não comete erros”, disse Vedrana Glavaš, professora associada de arqueologia da Universidade croata de Zadar e principal autora do estudo publicado no “Journal of Archaeological Method and Theory”.
Depois de ter encontrado alguns túmulos numa necrópole perto do Forte pré-histórico de Drvišica, que remonta ao século XVIII AC., Glavaš, na esperança de vir a encontrar mais, contactou Andrea Pintar, uma adestradora que trabalha com cães usados para farejar túmulos em investigações criminais. Em 2015, Pintar levou para aquele local remoto Pastores Alemães e Malinois. Glavaš enviou os cães pela primeira vez para os túmulos que haviam sido desenterrados no ano anterior, mas que não se encontravam visíveis, sem informar da sua localização aos treinadores. “Sempre usamos pelo menos dois cães para confirmar a posição”, disse Glavaš, acrescentando que o segundo binómio não foi informado onde o primeiro indicou o túmulo. Os cães descobriram as três sepulturas, muito embora os restos humanos, artefactos associados e o solo circundante tenham sido previamente removidos.
Aquela área foi também exposta ao vento, ao sol e à chuva durante a escavação. Glavaš disse que a rocha porosa ao redor do solo escavado absorveu provavelmente o odor suficiente da decomposição, o que possibilitou aos cães detectá-la. Os cães foram depois soltos numa área onde se suspeitava haver mais restos, sinalizando seis novos túmulos que viriam a ser escavados. Os cães foram extremamente precisos em todos os casos e os túmulos consistiam em pequenos baús de pedra inseridos no meio de círculos de paredes, cada um com cerca de 5 metros de diâmetro. Cada baú continha ossos pequenos, com dedos e pés de vários indivíduos, possivelmente várias gerações da mesma família, para além de fivelas e outros artefactos. O principal autor do estudo adiantou que ossos escavados eram provavelmente de pessoas bastante pobres devido ao clima severo e ventoso da área, condições que levaram à dificuldade de cultivar.
Apesar de Glavaš ter usado cães com sucesso noutros locais da Croácia e na Alemanha, ainda lhe falta escavar alguns túmulos localizados pela sua equipa em Drvišica por falta de tempo e dinheiro (onde é que eu já ouvi isto?). Angela Perri, pesquisadora de arqueologia de pós-doutorado da Universidade de Durham, que não participou do estudo, disse que o uso de cães para farejar túmulos é uma técnica particularmente promissora, porque não é destrutiva e pode ser usada nas situações em que o radar de penetração no solo ou outras técnicas não funcionem. A mesma Perri, que estuda os primórdios da domesticação e do uso dos cães, disse que esta técnica é somente a mais recente na longa história humana em usar os cães como biotecnologia. Quanto a Glavaš, parece não ter dúvidas ao afirmar: “Muitos arqueólogos estão à procura de locais de sepultamento. Acho que os cães podem resolver os seus problemas.”

HASPA AN DER SPITZE!

A HAMBURGER SPARKASSE AG (HASPA), fundada em 1827, com sede em Hamburgo, é o maior dos cinco bancos de poupança pública alemães, com um balanço de milhares de milhões de euros e 5.000 funcionários. Porém, não é do prestígio e da riqueza deste banco que queremos falar, mas sim de uma novidade de que é pioneiro no seu sector, ao deixar os seus empregados trazerem para o trabalho os seus cães, como sucede no balcão de LANGENHORNER MARKT, onde já é possível encontrar três: CHARLOTTE, EMIL e LOTTA, respectivamente uma Golden Retriever, um Cocker Spaniel e uma mestiça de Pastor Australiano, animais que tornam o ambiente mais descontraído entre o balcão e o cofre.
Os cães aparecem hoje nos lugares mais impensados e por toda a parte, verdade que já não deixa ninguém surpreso. Por enquanto são benzidos à porta das igrejas, mas não faltará muito para os deixarem entrar, provavelmente antes que os seus donos deixem de frequentar as igrejas para ficarem em casa a adorá-los, como já vai sucedendo. Não há muito tempo, no lugar de Antas, Freguesia de Rubiães, Concelho de Paredes de Coura, no Alto Minho, numa missa de corpo presente na Capela de S. Bartolomeu, o cão do defunto foi deitar-se debaixo da urna do dono, um homem que foi toda a vida pobre. Ao ver o cão ali, alguém fez menção de expulsá-lo do templo, acção que o celebrante achou desnecessária por consentir a presença do animal. Para mim, que sou cristão pela Graça de Deus, que não entendo a Igreja como um reduto e que sou “Perrero” de vocação, o sacerdote agiu muito bem!
Estamos a atravessar uma nova era no relacionamento com os animais e a natureza, disso não tenhamos dúvidas, mas melhorámos em simultâneo a fraternidade entre os homens, preocupamo-nos agora mais uns com os outros? Se os cães contribuírem para a união dos homens muito bem, caso contrário, mais cedo do que se julga, homens e animais estarão condenados e com eles o Mundo.