sexta-feira, 24 de maio de 2019

PIADA PARA O FIM-DE-SEMANA: 100 EUROS SÃO 100 EUROS!

Um casal de idosos, Manuel e Maria, tinham por hábito ir todos os anos a um espectáculo aéreo no dia do aniversário do Manuel. No dia do seu 85º aniversário, o homem vira-se para a esposa e diz-lhe que desejava andar de helicóptero e que aos 85 anos poderia ser a sua última oportunidade. A mulher relembra-o que andar de helicóptero custa 100 euros, que isso é muito dinheiro e que a pensão de ambos é muito pequena. Um piloto que por ali estava ouviu a conversa e propôs-lhes um acordo, que oferecia-lhes a viagem desde que não dessem um pio durante a mesma, mas caso dissessem qualquer palavra ou soltassem qualquer grito, o acordo ficava sem efeito. O Manuel e a Maria aceitaram e embarcaram no helicóptero.
O piloto subiu, desceu, virou o helicóptero ao contrário, evoluiu em ziguezague e executou manobras que fariam qualquer um gritar, mas nenhum deles abriu a boca! Ao aterrar, o piloto mostrou-se muito admirado e disse para o Manuel que as manobras que desenvolveu fariam berrar qualquer piloto da Força Aérea, mas que deles não ouviu um único pio, dando-lhe em seguida os parabéns, dizendo-lhe que o prometido é devido e que não lhe cobrava a viagem. O Manuel deixou falar primeiro o seu interlocutor e respondeu-lhe: Eu estive para dizer qualquer coisa quando a Maria caiu do helicóptero, mas 100 euros são 100 euros!

HÁ MULHERES EM PLAUE QUE NÃO SÃO PARA BRINCADEIRAS

Por todo o lado há gente que não apanha o cocó que o seu cão faz na rua e sempre quem indevidamente acabe por pisá-lo, motivo mais que suficiente para discussões infindas recheadas de palavras impróprias ou talvez não. Na pequena cidade alemã de Plaue, Distrito de Ilm-Kreis, na Turíngia, uma mulher parece ter encontrado uma maneira radical de educar os proprietários caninos menos asseados, que normalmente se “esquecem” de apanhar os dejectos dos seus cães. Vamos à ocorrência.
Ontem, quando um homem de 40 anos passeava com o seu cão na margem do rio, em Plaue, o animal lembrou-se de fazer cocó e o seu dono não recolheu os dejectos, despropósito que muito irritou uma residente que não esteve com meias medidas. A mulher apanhou os dejectos caninos com um ancinho e atirou-os várias vezes contra as costas do homem, os dois envolveram-se numa luta e a agressora foi parar ao chão (a polícia local está a investigar o caso).
Se levar com um trapo encharcado no focinho é a coisa que mais humilha um cão, é possível que levar com cocó de cão pelas costas seja o melhor antídoto para os donos porcalhões. Depois de uma experiência destas duvido que o homem de Plaue persista em não apanhar os dejectos do seu cão, porque dificilmente se esquecerá do encontro com aquela mulher, do ancinho e do cocó pelas costas abaixo.
PS: A fonte deste relato veio da Agência de Notícias alemã DPA (DEUTSCHE PRESS-AGENTUR GmbH), fundada em 1949, com sede em Hamburgo e com um escritório central em Berlim, sendo a maior agência de notícias da Alemanha, que comporta media impressa, rádio, televisão, on-line, telemóveis e agências nacionais de notícias. As suas notícias estão disponíveis em quatro idiomas: alemão, árabe, espanhol e inglês. Possui escritórios em algumas centenas de países, também 12 escritórios regionais alemães e mais 55 escritórios adicionais em solo germânico.

MÁ SORTE!

Com base numa notícia da emissora de televisão norte-americana WTHR (filiada à NBC), o jornal sensacionalista alemão BILD, na sua edição online de ontem (Quinta-feira), fez saber que uma pequena Shih Tzu chamada Emma foi abatida e enterrada junto da sua falecida dona, de acordo com a vontade desta lavrada em testamento.
Segundo os media americanos adiantaram, a cadelinha deu entrada no Chesterfield County Animal Shelter em Março, logo após a morte da dona. Duas semanas depois, o executor testamentário apareceu no abrigo e explicou que o pequeno animal tinha que ser sacrificado por vontade da sua defunta dona.
Os funcionários do abrigo tentaram demovê-lo da sua funesta obrigação, dizendo-lhe que encontrariam um novo lar para a Shih Tzu onde ela ficaria muito feliz. Com a lei do seu lado, o executor não mudou de ideias, já que na Virgínia não é ilegal abater um animal de estimação sem um bom motivo.
Apesar de não ser comum enterrar animais junto dos donos, há por aquelas bandas cemitérios que o permitem. A desafortunada Emma pereceu por injecção letal num veterinário, foi depois cremada e finalmente sepultada ao lado da dona. Há nisto tudo algo de sinistro, doentio e idólatra, um especismo assassino pouco visto que remonta aos tempos mitológicos da Antiguidade, aos milhares de anos em que os direitos dos animais foram desconsiderados. Decididamente Emma rimava com má sorte!

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:
1º _ APRENDER PARA SABER, PRATICAR E ENSINAR, editado em 19/05/2019
2º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
3º _ JÁ ANDAM NAS CERCANIAS DE LÜBECK, editado em 20/05/2019
4º _ HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE?, editado em 11/05/2016
5º _ O ANTROPOMORFISMO DE CADA DIA, editado em 21/05/2019
6º _ OS BEIJA-VACAS (KUHKÜSSER), editado em 18/05/2019
7º _ O PRÉSTIMO DE UM ALEIJADO, editado em 19/05/2019
8º _ ISTO INTERESSA-LHE, editado em 22/05/2019
9º _ QUEM NÃO SABE BEBER VINHO, QUE BEBA…, editado em 21/05/2019
10º _ LER O RÓTULO E SABER DO QUE SE TRATA, editado em 22/05/2019

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Rússia, 5º Reino Unido, 6º Alemanha, 7º Irlanda, 8º Moçambique, 9º França e 10º Ucrânia.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

SALVOS PELA BOX

Sempre fomos contra enjaular cães dentro de casa, mas há momentos em que fazê-lo pode salvar a vida aos cães, como aconteceu ontem na casa de um homem de 25 anos em Schleißheim, Distrito de Wels, na Áustria, quando alguém depois de partir o vidro de uma janela, arremessou em seguida uma salsicha coberta de agulhas para dentro da habitação. Felizmente os cães não alcançaram o engodo porque se encontravam encerrados dentro das suas boxes. O meliante da proeza ainda não foi identificado e a polícia continua no seu encalce. Nas casas onde existem cães descontrolados e miúdos endiabrados, as gaiolas de arame dão muito jeito e poderão ser indispensáveis, particularmente quando os papás não largam o telemóvel ou persistem em ver o futebol na TV.

UM ESTUDO SÓ VÁLIDO PELAS RECOMENDAÇÕES

Ontem saiu a público um estudo proveniente da THE OHIO STATE UNIVERSITY WEXNER MEDICAL CENTER/US, publicado no INTERNATIONAL JOURNAL OF PEDIATRIC OTORHINOLAYNGOLOGY, para dar a conhecer quais as raças caninas e as características físicas dos cães que apresentam o maior risco de morder e causar ferimentos graves, não se abstraindo dele qualquer novidade a não ser as recomendações adiantadas (o mês de Maio é tramado), muito embora o tema seja actual porque nos States quase 5 milhões de pessoas são mordidas por cães anualmente. Uma das conclusões do estudo é que 60% dos ataques foram perpetrados por cães de raça desconhecida e que as raças cruzadas são responsáveis por uma parte significativa dos ataques.
Para além disso, este trabalho explora os riscos de lesões por dentadas de cães em rostos de crianças e outros ferimentos graves pela raça, tamanho e estrutura da cabeça dos agressores, vindo a concluir que os Pitbulls e os cães de raça cruzada são os que apresentam maior propensão para morder e causar mais dano, assim como aqueles que ostentam cabeças largas e curtas, com um peso entre os 30 e os 45 kg. Para avaliar a gravidade das dentadas, os pesquisadores reviram 15 anos de casos de traumas faciais relacionados com cães no Nationwide Children's Hospital e na University of Virginia Health System, analisando o tamanho da ferida, a ruptura dos tecidos, as fracturas ósseas e outras lesões graves que justificassem a consulta por um trauma facial de um cirurgião reconstrutor, criando em simultâneo uma escala de gravidade dos danos.
Os pesquisadores realizaram também uma extensa pesquisa bibliográfica, de 1970 até à presente data (as meta-análises estão na moda), em artigos sobre ataques caninos que relatavam a raça dos agressores para se determinar a propensão de determinada raça para atacar, combinando depois os dados do hospital para determinar o risco relativo de morder de uma raça e os danos no tecido intermédio por ela causados.
Estima-se que existam nos Estados Unidos 83 milhões de cães com dono e este número continua em ascensão. Tendo disso conhecimento, os autores do estudo pretenderam ajudar as famílias na escolha do cão certo para as crianças (de acordo com os Centros para o Controle e Prevenção de Doenças, 4,7 milhões de pessoas nos Estados Unidos são mordidas por cães anualmente e 20% dessas vítimas precisam de assistência médica para as suas feridas. Aqueles que necessitam de tratamento após serem mordidos por cães são predominantemente crianças com idades compreendidas entre 5 e 9 anos).


Depois de adiantarem que as crianças pequenas são mais vulneráveis e sujeitas a ser mordidas por cães ao não se aperceberem da subtil mímica canina, os médicos deste estudo esclareceram que as circunstâncias que levam um cão a morder são várias e podem resultar do comportamento da raça canina em questão, do comportamento da vítima, dos pais e do dono do cão. MEGHAN HERRON (na foto abaixo), professora associada de serviços clínico-veterinários da Faculdade de Medicina Veterinária do Estado de Ohio, completou ainda: “As crianças imitam os pais… Seja um exemplo para o seu filho e evite interacções conflituosas ou arriscadas que possam desencadear um medo ou uma resposta de agressão por medo se a criança o imitar, o que inclui severas repreensões, agressões, o empurrar de móveis e o confisco de algum pertence do cão à força”.
A professora atrás mencionada adianta os seguintes conselhos: 1º_ Como a maioria dos ataques sobre crianças ocorre quando o cão está em repouso e a criança se aproxima, tente encontrar e encorajar locais de descanso longe dos lugares onde as crianças correm e brincam; 2º _ Muitos ataques a crianças ocorrem mesmo quando um adulto está na mesma sala. Se você não puder dedicar sua atenção às interacções entre o cão e a criança, é melhor criar uma barreira física entre eles, como um portão de bebé ou uma box para o cão. Este procedimento é de extrema importância para as crianças com comportamentos mais erráticos, imprevisíveis ou assustadores para um cão; 
3º _ Ensine as crianças a não importunarem os cães em repouso e a não invadirem ficarem as boxes dos cães, camas e outros locais de descanso atribuídos ao cão. Se o lugar favorito do cão for no sofá, coloque uma toalha ou um cobertor em baixo para delinear claramente o espaço do cão em relação ao espaço da criança; 4º _ As crianças não devem abordar, tocar ou interagir com os cães quando eles estiverem a comer. Forneça áreas tranquilas e separadas para os cães comerem longe dos espaços onde as crianças correm e brincam. Toda a casta de biscoitos e guloseimas a distribuir a um cão só deverão ser entregues em áreas separadas dos locais de brincadeira das crianças ou na sua ausência; 5º _ Ensine as crianças a pedir ajuda a um adulto quando o cão levar um de seus brinquedos ou lanche. As crianças nunca deverão tentar recuperar esses itens por conta própria.
Como se pode comprovar o presente estudo vale mais do ponto de vista pedagógico do que do científico. Lamentavelmente até os docentes são obrigados a dizer que estão vivos, porque doutro modo serão esquecidos!

OS ECOLOGISTAS DA SERESTO

A coleira insecticida Seresto da Bayer funciona. É possível que nenhuma outra seja tão eficaz quanto ela e por causa disso temos vindo a recomendá-la. Contudo, há cães que lhe são alérgicos e outros a quem pode provocar sérios problemas gástricos, ainda que a maioria de cães e gatos a tolere facilmente. Os problemas que pode causar resultam de um fortíssimo pesticida presente na sua composição – o Imidacloprid - um insecticida à base de nicotina, sistémico, que actua como uma neurotoxina e pertence a uma classe de compostos químicos chamados neonicotinóides dos quais é de 1ª geração. O uso de neonicotinóides na agricultura representa um risco inaceitavelmente alto para as abelhas, porque desregula o seu sistema imunológico, tornando-as susceptíveis a infecções de vírus contra os quais eram resistentes antes do contacto com estes venenos.
Como resultado disso, sucede o desaparecimento das colónias no Inverno. Para além das abelhas, a toxicidade do Imidacloprid é letal para uma gama enorme de animais, actuando assim eficazmente contra a biodiversidade. Vamos a três perguntas inquietantes: poderei considerar-me um ecologista/ambientalista e perpetuar a fabricação e o uso de um veneno destes? O bem-estar dos pets deverá sobrepor-se ao de outros animais? O exagerado número de cães e gatos não estará a desequilibrar uns quantos ecossistemas? Dá que pensar! 

SEMPRE A AUMENTAR

Segundo o Ministério do Interior de Stuttgart anunciou, a pedido dos jornais "Heilbronner Stimme" e "Mannheimer Morgen", o número de ataques caninos sobre pessoas continua a aumentar no Estado Federal de Baden-Württemberg, habitado por 10,7 milhões de pessoas e o terceiro maior Estado alemão, tanto em área como em população, que evoluiu de 1214 ataques registados em 2014 para os 1397 verificados o ano passado (2018). Considerando a totalidade dos habitantes deste Estado, o número de ataques não é alarmante, mas poderá vir a sê-lo se continuar a aumentar. O fenómeno não se restringe apenas ao território alemão ou à Europa, mas estende-se por toda a parte (menos na Santa Terrinha), sendo por isso um problema global que importa resolver quanto antes (as vítimas agradecem).

NINGUÉM PÁRA ESTA ALEMÃ!

Apesar de estar sempre acompanhado, um adestrador é um homem de certo modo sozinho que conduz homens e que ministra cursos de liderança, um visionário que sempre espera ver a seu lado quem aceite os seus desafios e vá para diante, disposto a caminhar lado a lado, com o seu cão ao lado, léguas sem fim. Infelizmente não irá encontrar muitos alunos assim, mas esperá-los-á, porque o ânimo que o domina nunca o deixará dar por vencido. Hoje, ao conhecer os feitos de JACQUELINE FRITZ, alegrei-me de sobremaneira por ainda haver gente capaz de ultrapassar as suas limitações.
Esta alemã de 33 anos viu a sua perna direita amputada na adolescência, na reabilitação aprendeu a reorganizar a sua vida e a entendê-la como uma dádiva e é hoje uma feliz e realizada alpinista. Só com uma perna, duas canadianas e tendo como parceiro o seu cão “LOUI”, para além da camerawoman Laila Tkotz, decidiu levar de vencida os Sete Cumes do Vale de Stubai no Tirol/Áustria, a saber: o Elfer (2499 m), o Hohe Burgstall (2611 m), o Serles, (2717 m), o Rinnenspitze (3003 m), o Habicht (3277 m), o Wilde Freiger (3418 m) e o Zuckerhütl (3507 m).
A aventura no Tirol tinha tudo para não dar certo, porque no ano anterior, ao atacar as sete montanhas mais bonitas do Vale Stubai, Jacqueline sofreu uma fractura na anca e numa perna, contrariedades que não a fizeram desistir, já que 4 semanas depois estava a escalar e a vencer os sete cumes. Quando convidada a pronunciar-se para os demais disse: “Gostaria de encorajar as pessoas em situações semelhantes… mostrar-lhes o que é possível fazer, apesar dos handicaps”. O filme das proezas de Jacqueline Fritz vai para o ar no próximo Sábado, dia 25 de Maio, no centro de lazer Neustift em Stubaital, no Tirol.
Depois de conhecer a história desta alemã, perguntei-me: se ela quisesse treinar o seu cão, alguma coisa a impediria? Estou certo de que nada a impediria, como nada impede qualquer deficiente de treinar o seu cão! O adestramento não foi feito para quem ousa ultrapassar as suas dificuldades? Todos os deficientes são bem-vindos ao mundo da cinotecnia e nela poderão formar um excelente auxiliar. Como eu adoraria de ter uma aluna como a Jacqueline!

quarta-feira, 22 de maio de 2019

ISTO INTERESSA-LHE

A Stiftung Warentest, organização de consumidores alemã envolvida na investigação e comparação de bens e serviços de maneira imparcial, sediada em Berlin, testou recentemente 26 alimentos húmidos e 5 menus congelados (Barf Menus) para cães. O vencedor do teste pertence à faixa de baixo preço e alguns produtos supostamente de qualidade chegam a colocar a saúde dos cães em risco. Dos 31 produtos testados, 9 foram classificados como deficientes (insuficientes) por não satisfazerem as necessidades nutricionais diárias caninas de vitaminas, aminoácidos e ácidos gordos, indispensáveis para apoiar o coração, o esqueleto, o fígado, o manto e os músculos.
Por outro lado, as refeições de carne e legumes encontram-se mal balanceadas, faltando-lhes vitaminas e minerais. E como se isto não bastasse, foram detectados em quatro dos produtos testados altos níveis de contaminação microbiana, incluindo enterobactérias. Em certos produtos mais caros, onde podemos incluir o alimento húmido “cervo com quinoa, abóbora, pêra e óleo de prímula”, os investigadores teores de chumbo demasiado altos, pouca quantidade de comida e pouca vitamina B1 e E. Nos ditos alimentos crus biológicos (barfen) é notória a ausência de cálcio, magnésio e vitamina A.
Da totalidade dos alimentos testados, 6 deles foram classificados como “muito bons”. A Stiftung Warentest recomenda para os cães mais pequenos o “Paté Schlemmerkern com carne, batatas e ervas da Orlando à venda nos supermercados Lidl e o “Paté da Romeo Select com carne e legumes” dos supermercados Aldi Süd. Para os de grande porte recomenda as latas grandes e de baixo preço da Edeka (“pedaços de carne suculentos com molho fino”).
Com a indústria alimentar para os animais de estimação em franca expansão e com tendências ainda para aumentar, importa estar atento às trafulhices que possibilitam aos menos escrupulosos angariar grandes fortunas à conta de donos confiados.

LER O RÓTULO E SABER DO QUE SE TRATA

Todos já reparámos na descrição da composição das rações para cães nos sacos, mas nem todos sabemos a importância dos seus ingredientes, pelo que a seguir explicaremos os mais importantes.
PROTEÍNA BRUTA: As proteínas brutas são todos constituintes da alimentação que contêm nitrogénio e, portanto, a maior parte da soma de todos os compostos proteicos presentes na alimentação. A Proteína de alta qualidade e digerível desempenha um importante papel cão: contribui para a preservação da substância do corpo e a formação de novos tecidos.
GORDURA BRUTA: A gordura bruta descreve o conteúdo energético da ração e garante uma pelagem brilhante e uma pele saudável. Um alimento seco rico em energia, por exemplo, tem mais de 15% de gordura. Isso é importante para cães em crescimento e com alta actividade física (ex: cães de segurança, de desporto, de resgate e de trenó, etc.). Para amigos de quatro patas com uma actividade convencional o teor de gordura bruta aconselhável é de 10 a 12 por cento em alimentos secos e um por cento (1%) em alimentos enlatados.
FIBRA BRUTA: O teor de fibra bruta inclui os componentes não digeríveis do alimento para cães, por exemplo, celulose, hemicelulose e lignina. Uma certa quantidade de fibra bruta na alimentação do cão é importante para a actividade intestinal do cão - níveis muito altos, no entanto, poderão levar a inchaço e grandes quantidades de fezes.
CINZAS BRUTAS: Como a ração é por demais aquecida e depois queimada, os seus restos são pesados, sobrevivendo somente substâncias inorgânicas como oligoelementos e minerais. Demasiada cinza bruta na ração geralmente significa uma mistura de produtos de farinha de ossos baratos. Para um bom alimento seco, o valor total das cinzas deverá ser inferior a dez por cento (10%) e para alimentos enlatados, menos de dois por cento (-2%).
CARNE E SUBPRODUTOS ANIMAIS: Dependendo das rações tanto pode tratar-se de carne muscular de alta qualidade como também resíduos de matadores inferiores. Resíduos de matadouro como fígado, coração e miúdos contêm nutrientes vitais para o cão. Na UE, os produtos só podem vir de animais que são abatidos para produzir carne, e não de outras carcaças de animais.
SUBPRODUTOS VEGETAIS: Os subprodutos incluem, por exemplo, cereais, legumes ou leguminosas. São absolutamente proibidos os enchimentos como palha ou serradura. Entre outras coisas, o número de cargas processadas determina o teor de fibra bruta na alimentação.

ADITIVOS SENSORIAIS: São quaisquer aromatizantes e corantes que contribuem para uma apresentação mais agradável e apetitosa da comida canina, sendo os mais comuns o amaranto, a glicina e os carotenóides. Como importa não dar gato por lebre ao seu cão, mantenha-se sempre atento aos testes levados a cabo pela DECO sobre as rações caninas à venda no mercado e solicite uma análise à ração que distribui caso duvide da sua qualidade, pois não faltam por aí rações caras que são ruins. 

terça-feira, 21 de maio de 2019

O ANTROPOMORFISMO DE CADA DIA

Os cães antropomórficos estão na moda e parece que vieram para ficar, por todo o lado é perceptível o seu culto, pois é algo que se vê, sente, ouve e respira, remanescente do paganismo de outrora que sempre abraçou e confundiu os mais simples e carentes de esclarecimento. Necessitarão os cães de ser humanizados e divinizados ou terão as gentes necessidade de levantar outros deuses, porque os que têm já não lhes servem? Tal como os loucos, esta maralha embarca na fantasia e desembarca nos pântanos da imaginação com os cães a assistir de camarote à confusão!

O MEU BARCO NÃO IRÁ NAVEGAR EM MARES DE PLÁSTICO

Para combater a desesperança e procurar evitar pesadelos com o que virá depois, num frémito aparentemente sem explicação, um homem decide fazer uma escuna à escala e em fósforos, trabalheira para vários meses que só acaba quando a embarcação estiver pronta. A partir daí começam os sonhos, a imaginar-se como seria o barco em tamanho real e os desafios que enfrentaria, uma amálgama de conjecturas que nos liga à vida e que nos mantém salutarmente entretidos.
Daí a pouco, a realidade sufoca o sonho e o mundo podre que nos cerca toma conta de nós – o mar já não é o que era e cada barco que por ele passa ainda lhe traz maior desgraça. Longe vai o tempo em que era desconhecido e respeitado, em que era cristalino e generoso em peixe, tempos que não voltam mais e que auguram um triste fim. Não, o meu barco não irá navegar em mares de plástico, ficará em casa quietinho, de velas desfraldadas sem ir a lugar nenhum!

QUEM NÃO SABE BEBER VINHO, QUE BEBA…

Como já não tenho fígados para ver sofrer crianças, sejam elas quem forem, revolto-me e fico abatido quando tenho notícia de alguma que foi molestada, maltratada ou morta, ainda mais quando tal acontece por negligência. Neste último Sábado, por volta das 22 horas, perto de Mokopane, no Limpopo/África do Sul, uma mulher de 36 anos entrou numa taberna, na Zona 1 de Mahwelereng, com a sua filhinha de 3 anos. Supostamente veio a colocar a criancinha noutro quarto e voltou para a taberna. Entretanto a menina acorda e procura pela mãe, reacção que não foi do agrado de alguns cães ali perto, que de imediato jogaram-se sobre a criança, mordendo selvaticamente.
Os fregueses da taberna vieram em socorro da menina, mas ela viria a ser declarada morta ao chegar ao hospital, segundo comunicou o porta-voz da polícia local na Segunda-feira, que aproveitou para dizer às pessoas responsáveis pelas crianças que devem colocar em primeiro lugar a segurança delas e que levar uma criança para uma taberna é totalmente desnecessário e não deve acontecer, para evitar episódios fatais como o ocorrido! O que se faz a uma mulher destas? Deixamo-la ter mais um filho? Razão tinham os homens simples que me viram nascer, que diziam uns para os outros à guisa de conselho - “Quem não sabe beber vinho, que beba…” - já que a miséria não explica tudo.

UMA DESCOBERTA INÉDITA E INOVADORA

Valendo-se do Registo Sueco de Gémeos (o maior do género no mundo) e usando informações de 35.035 pares, investigadores da Universidade sueca de Uppsala e da inglesa de Liverpool levaram a cabo um estudo sobre a hereditariedade da posse de cães que sugere que a variação genética explica mais de metade da variação dessa posse, o que indicia que a escolha de obter um cão é fortemente influenciada pela composição genética de um indivíduo. Os resultados deste estudo foram publicados pela primeira vez na revista Scientific Reports, os investigadores compararam a composição genética de gémeos com a posse de cães, tendo como objectivo determinar se a posse de um cão tem uma componente hereditária.
Tove Fall (na foto seguinte), principal autora do estudo e professora de Epidemiologia Molecular no Departamento de Ciências Médicas e no Laboratório de Ciência para a Vida da Universidade de Uppsala, referindo-se ao estudo adiantou: “Ficámos surpresos ao ver que a composição genética de uma pessoa parece ter uma influência significativa no facto de possuir um cão. Como tal, estas descobertas têm implicações importantes em vários e diferentes campos relacionados com a compreensão da interacção cão-homem ao longo da história e embora os cães e outros animais de estimação sejam companheiros comuns em todo o mundo, pouco se sabe como afectam o nosso quotidiano e saúde. Talvez algumas pessoas tenham uma propensão inata maior para cuidar de um animal de estimação do que outras”.
Por seu lado, Carri Westgarth (na foto abaixo), conferencista em interação homem-animal na Universidade de Liverpool e co-autora do estudo, acrescenta: "Estes resultados são importantes, pois sugerem que os supostos benefícios para a saúde ao possuir-se um cão, já relatados em alguns estudos, podem ser parcialmente explicados pela diferente genética das pessoas estudadas". Como o “Todesenge” Josef Mengele já sabia, estudar gémeos é um método bem conhecido para desvendar as influências do ambiente e dos genes na nossa biologia e comportamento. Como os gémeos idênticos partilham inteiramente o seu genoma e os não-idênticos partilham em média somente metade da variação genética, comparações de concordância dentro do par e entre a posse de cães podem revelar se a genética desempenha ou não um papel importante na posse de um cão. Os pesquisadores descobriram que as taxas de concordância da posse de cães são muito maiores em gémeos idênticos do que em não-idênticos, o que sustenta a hipótese da genética realmente desempenhar um papel importante na escolha de ter um cão.
Ao pronunciar-se sobre este estudo, Patrik Magnusson (foto seguinte), autor sénior do estudo, Professor Associado em Epidemiologia no Departamento de Epidemiologia Médica e Bioestatística no Karolinska Institutet e Chefe do Registo Gémeo Sueco, disse acerca deste trabalho: “Este tipo de estudo sobre gémeos não pode dizer-nos exactamente quais genes que estão envolvidos, mas pelo menos demonstra, pela primeira vez, que a genética e o ambiente desempenham papéis iguais na determinação para a posse de cães. O próximo passo óbvio é tentar identificar quais variantes genéticas que afectam esse gene e como elas se relacionam com traços de personalidade e com outros factores como alergia".
Também Keith Dobney, zooarqueólogo e co-autor do estudo, presidente de paleoecologia humana no Departamento de Arqueologia, Clássicos e Egiptologia da Universidade de Liverpool, realçou “as grandes implicações deste trabalho para a compreensão da história profunda e enigmática da domesticação de cães”, concluindo que que “décadas de pesquisa arqueológica ajudaram-nos a construir uma imagem melhor de onde e quando os cães entraram no mundo humano, mas os dados genéticos modernos e antigos estão agora a permitir-nos explorar directamente o porquê e como".
Se há um gene que leva alguém a ser proprietário canino, possivelmente haverá outro por detrás de cada adestrador. O tema do estudo é apaixonante, abre portas e a sua continuidade poderá levar ao desvendar de alguns mistérios.