sexta-feira, 15 de março de 2019

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Rússia, 5º Reino Unido, 6º Ucrânia, 7º Região Desconhecida, 8º França, 9º Singapura e 10º Alemanha.

segunda-feira, 11 de março de 2019

CHAMA-SE 发自我的网易邮箱手机智能版 E É A CARA CHAPADA DO AVÔ!

Aos Sábados, antes de partir para as aulas matinais do adestramento, tenho por hábito brincar um pouco com uma menina chinesa chamada Elen Zhang (发自我的网易邮箱手机智能版), tal qual avô babado que se encanta com uma netinha incansável e que não sabe dizer-lhe não, o que me faz sair da brincadeira mais morto do que vivo. A menina, que faz o encanto de todos no bairro e que por todos é mimada, é muito simpática, fala bem português e cumprimenta efusivamente quem passa. Os seus pais exploram uma frutaria, estabelecimento que lembra as velhas mercearias de aldeia, que geralmente tinham de tudo um pouco. Brincamos à apanhada, às escondidas e fazemos corridas de aviões de papel. A miúda é competitiva, atenta e leva jeito, qualidades que aprecio e que me fazem deixá-la sempre vencer, vitórias que ela celebra com uma alegria transbordante. Com o passar do tempo tornámo-nos bons amigos e estamos a ficar parecidos um com o outro, isto segundo o parecer de um indivíduo de pouco crédito que connosco se cruzou, que a determinada altura exclamou: “É a cara chapada do Avô!”

OBEDIÊNCIA, EQUILÍBRIO E PERSEGUIÇÃO

Os trabalhos deste Sábado incidiram sobre obediência, equilíbrio e perseguição, funcionando as manobras indutivas como recompensa do trabalho anteriormente realizado. No equilíbrio a enfâse recaiu sobre o tronco elevado, onde importava que os cães mais velhos passassem. Na foto acima podemos ver o Pedro a fazê-lo com o Doberman Zeus com a maior das tranquilidades. A obediência ministrada assentou exclusivamente na linear e mais propriamente nos subsídios de imobilização.
Como sempre, houve lugar à troca de condutores e a manobras de sociabilização animal. A foto que se segue é bastante elucidativa sobre o primeiro destes trabalhados, porque nela aparecem a Sónia e a Svetlana a conduzirem outros cachorros que não os seus: o Labrador Soneca do Jorge e Pinscher Sebastião.
O Binómio Isabel/Sebastião, conforme já noticiámos atrás, participou nos nossos trabalhos, porque importava saber como estava de obediência e matar saudades da sua condutora, uma amiga que não esquecemos. Na foto seguinte podemos o Sebastião a cruzar frontalmente com os restantes cães.
O pequeno grande Pinscher continua fiel às suas afeições e zeloso do que lhe pertence, de tal modo que defende a dona de tudo e de todos mal suspeite das intenções de quem dela se aproximar. A foto abaixo mostra um desses momentos e o bom empenho do cão miniatura.
Num dos momentos de supercompensação, com os binómios em descanso e o Pedro a brincar, é possível ver o clã moldavo numa imagem simultaneamente descontraída e idílica, tendo como pano de fundo um cargueiro de passagem, que ao invés de despropositado, parece fazer parte da paisagem.
Entregue aos seus pensamentos distantes, como se ali não estivesse, a Sónia Bouça avança com o pequeno Sebastião no círculo de obediência, incansável companheiro de ocasião cuja vontade ultrapassa em muito o seu tamanho.
Infelizmente há poucos cães como a cachorra Doberman Lupa, daqueles que na gíria são tratados como “guias de cegos”, por acertarem com aquilo que os seus donos não conseguem atinar, o que  facilita por demais o seu ensino, como se houvessem já nascido com um kit de adestramento incorporado. Apesar do acerto do João, a cadela consegue desembaraçar-se sózinha.
O Jorge iniciou o Labrador Soneca nas passagens estreitas sobre pilares de cimento deitados no chão com 25cm de largura e distantes entre si de 15cm, progressão que não foi imediatamente do agrado do cachorro. Mas como Labrador que é, com um biscoito na frente, feliz e bem depressa venceu o desafio.
E de tal maneira o venceu, que depois de algumas travessias felizes, “abriu o livro” e ultrapassou sozinho o tronco da vala em direcção ao seu radiante dono, que não cabia de alegria pelo sucesso do seu pupilo. O caso também não era para menos, uma vez que se tratava da primeira lição do cachorro.
O Pedro Mendonça está a crescer a uma velocidade vertiginosa, facto que se aquilata pela maior tomada de responsabilidades e pela novidade de interesses. Como o esforço do Doberman Zeus estava a ser malbaratado sobre o tronco aéreo, o Adestrador veio-o em seu socorro e mostrou para todos como vencer aquele desafio. Para convencimento geral, perante condutores que tendem a relegar para os cães a responsabilidade dos seus desacertos, o Adestrador pôs o pequeno Pedro a conduzir o grande Doberman, tarefa que o infante realizou várias vezes com inequívoco sucesso. A testá-lo está o vídeo seguinte.
Depois houve lugar a “Ataques de Intercessão”, ataques lançados que visam a formação de matilhas funcionais destinadas à guarda e defesa de perímetros, que jamais subsistirão se os cães escolhidos se digladiarem entre si ao invés de se completarem nas acções e nos golpes. Seguidamente explicaremos com mais pormenores o porquê e o proveito destes ataques lançados.
Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: Andreia/Russa; Carlos Kimi; Isabel/Sebastião; João/Lupa; Jorge/Soneca; Paulo/Bohr; Pedro/Zeus e Svetlana Zeus. Demos pela falta da Carla e da Pétia. A secção de fotografia e vídeo ficou entregue ao Carlos Bouça e ao Paulo Jorge Motrena. O personificação das cobaias coube à Andreia, ao Jorge e ao Tomás Mendonça. Este é um resumo diminuto das nossas actividades no Sábado que passou, que foi muito farto em experiências e rico em desafios, sessão de treino variada e rica que muito valeu a donos e cães. Para a semana há mais! 

ATAQUES DE INTERCEPÇÃO

ATAQUES DE INTERCEPÇÃO são ataques lançados da guarda real e não desportiva que visam a constituição, melhoramento e treino de uma matilha funcional, tendo como base as estratégias de caça seguidas pelos lobos e que são por vezes praticadas pelas matilhas destinadas à caça grossa, onde dominantes e submissos se constituem num todo visando o propósito ou a sobrevivência do grupo. Os cães partem para cima das cobaias em fuga à mesma distância mas de diferentes direcções, alcançando-as em simultâneo e atingindo-as de acordo com o seu particular psicológico, fortemente motivados pelas acções uns dos outros.
Se os ataques de intercepção são manobras de estímulo que visam o aproveitamento dos cães submissos e/ou a iniciação de cachorros para o ofício guardião, apresentando-se como uma solução colectiva para problemas individuais, também é verdade que propiciam ataques cirúrgicos e praticamente indefensáveis, porque cada cão respeita a área de entrada dos outros e procura a que lhe pertence, segundo o seu carácter e vantagem procurada. Visando a surpresa que possibilita a salvaguarda dos cães, estes ataques lançados, numa fase ulterior, deverão partir de áreas de ocultação pouco prováveis e serem despoletados por meios inaudíveis. Voltaremos a este assunto.

domingo, 10 de março de 2019

NÃO PRATICA YOGA, MAS NÃO ESQUECEU O QUE APRENDEU

O Sebastião, o Pinscher Miniatura agora com 9 anos, que entre nós aprendeu os rudimentos de obediência e alguns subsídios de defesa pessoal, o que o tornou num exímio guarda de malas de mão, visitou-nos também este Sábado na companhia da Isabel Palmela, sua dona. A visita teve a ver com a sua possível participação na área da ficção. O cãozinho não esqueceu o que aprendeu e encontra-se apto e disponível para o papel a que o propomos. Quanto à Isabel, a novidade vem da prática do Yoga, conceito ligado às tradicionais disciplinas físicas indianas e também associado a práticas meditativas, conforme desnuda a foto seguinte.

UMA VISITA HÁ MUITO ESPERADA

Este Sábado fomos visitados por uma fracção da Família Bouça, pelo Carlos e pela Sónia, que acompanhados pela cachorra CPA Negra Kimi, participaram e bem nos nossos trabalhos sabatinos. Esta visita há muito que era aguardada, porque os Bouça já fazem parte da história da Acendura e a cachorra foi por nós recomendada e acompanhada. O Carlos, para além de conduzir a super-cachorra, prestou-se ainda como fotógrafo-de-dia e a Sónia fez jus ao aforismo que diz “quem sabe nunca esquece”. Na próxima volta esperamos já contar com a presença dos seus filhos, juventude que acabou por crescer entre nós.

BINÓMIO JORGE/SONECA

Deu entrada nas nossas classes o binómio constituído pelo Jorge e pelo Soneca. O condutor é um jovem interessado no adestramento, ávido de novos conhecimentos, curioso e disponível, para além de um amigo incondicional do seu cachorro. O Soneca é um labrador dourado, a rondar os 4 meses de idade, observador, de bem com a vida e sedento de interacção. O binómio faz-se acompanhar pela Liliana, mulher do Jorge, que é também uma fã dedicada do cachorro. Desejamos os maiores êxitos para os 3 entre nós, certos de que tudo faremos para que sejam uns vencedores.

sexta-feira, 8 de março de 2019

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ MARS SUR LA PLAGE AU PORTUGAL, editado em 05/03/2019
3º _ HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE?, editado em 11/05/2016
4º _ FAZ-SE DO LADO DE LÁ, PODE FAZER-SE DO LADO DE CÁ, editado em 12/09/2015
5º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 19/08/2013
6º _ PASTORES ALEMÃES LOBEIROS: O QUE OS TORNA ESPECIAIS, editado em 02/11/2015
7º _ ACÓNITO E CÃES NÃO COMBINAM, editado em 06/03/2019
8º _ LET’S TALK ABOUT RAW MEAT, editado em 06/03/2018
9º _ O MUNDO À NOSSA VOLTA: OS 4 DA VENEZUELA, editado em 05/03/2019
10º _ DOBERMAN: O CÃO QUE É MENOS DO QUE SE SUPÕE E MAIS DO QUE SE IMAGINA, editado em 06/03/2016

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Rússia, 5º Reino Unido, 6º Alemanha, 7º Ucrânia, 8º França, 9º Angola e 10º Tailândia.

quinta-feira, 7 de março de 2019

BUDDY: O PRIMEIRO CÃO DE RESGATE EM ÁGUA DA BAVIERA

Antes de me debruçar sobre o Buddy, um camarada cuja história vale a pena conhecer, vou falar sobre o jornal alemão que mo deu a conhecer na sua edição online de ontem, o AUGSBURGER ALLGEMEINE, jornal diário regional que foi publicado pela primeira vez em 30 de Outubro de 1945 com o nome de SCHWÄBISCHE LANDESZEITUNG, por iniciativa de Curt Frenzel. Após a morte deste, Ellinor Holland, sua filha, renomeou o jornal para Augsburger Allgemeine em 1 de Novembro de 1959 e assim continua até hoje. No período do nazismo já tinha havido ali um jornal com o mesmo nome e não foi nada fácil para o Sr. Frenzel dirigir e manter um jornal debaixo do domínio aliado.
Dito isto, vamos lá falar do Buddy, um Bernese Mountain Dog com 6 anos de idade e 60 kg de peso, que é o primeiro cão de resgate em água da Baviera e que trabalha em parceria com Marco Greiner, Gerente de Operações da Augsburger Wasserwacht. O Buddy foi parar às mãos de Greiner quanto tinha 8 semanas de idade, aos dois anos iniciou o seu treino como resgatador na água e durante dois anos frequentou com o seu condutor um curso na “Squadra Italiana Cani Salvataggio” em Itália, reputada escola canina deste tipo de salvamento, que já existe há mais de 30 anos e cujos cães já salvaram centenas de vidas nas costas italianas. Greiner e Buddy foram ali aprovados em 2017, apesar das exigentes provas a que se viram sujeitos. Depois disso, o Buddy funcionou como instrutor de cães de resgate na água em Tenerife, a maior ilha do Arquipélago das Canárias, participando assim na formação de unidade espanhola (GRAP Rescue).
Greiner, debruçando-se sobre as exigências que teve de enfrentar como o Buddy, diz que um cão de resgate em água não pode ter medo de saltar de um helicóptero para lagos ou mares para tirar de lá pessoas; deve ser capaz de nadar 4 km de uma só vez; trabalhar dentro de água num período até 2 horas; deve pesar no mínimo entre 25 e 30 kg para conseguir retirar as cargas dentro de água; ter uma natureza dócil e que o rapel é parte integrante do treino na Itália para resgatar pacientes de lagos montanhosos remotos de helicóptero. Quanto ao trabalho binomial dentro de água, o homem socorre e agarra o sinistrado enquanto o cão tira-os para fora dela, trabalho sem dúvida exaustivo.
Apesar de Greiner ter alcançado o direito de treinar cães de resgate na água, o exame e aprovação destes binómios continua a acontecer em Itália. Actualmente a Augsburger Wasserwacht tem onze cães de resgate na água, quatro deles já credenciados e sete equipas em treino. Os cães escolhidos são sempre propriedade de membros da Wasserwacht e esta sempre trabalha em colaboração a Bergwacht Augsburg, equipas de resgate de montanha na Baviera.
Noticiámos a história e proezas do Buddy como forma de incentivar outros a seguir o exemplo de Marco Greiner, particularmente os proprietários de grandes molossos, que geralmente não sabem o que fazer com os seus cães por não encontrarem actividades que os solicitem. Se tivesse um Terra Nova, um Labrador ou um Castro Laboreiro, amanhã já estaria dentro de água!

quarta-feira, 6 de março de 2019

LET’S TALK ABOUT RAW MEAT

Há muito que discute se as refeições à base de carne crua são ou não boas para os cães. Há menos tempo tive um aluno que pretendia suceder-me no mundo da cinotecnia com o meu aval, que para além doutras veleidades, decidiu, não se sabe a conselho de quem, inventar uma dieta crua para os seus cães, da qual dizia maravilhas, muito embora os cães tivessem sido criados doutro modo, com ração e um reforço diário de comida cozinhada, conforme o aconselhei. E como há teimosos por todo o lado, cientistas de toda a parte estudam agora as vantagens e desvantagens da chamada Raw food, nalgumas paragens também apelidada de Barf, mostrando-se os microbiologistas muito cépticos relativamente à distribuição de carne crua aos cães.
Existem vários estudos, já anteriormente publicados, que refutam o potencial de dietas à base de carne crua, para transmitirem patógenos bacterianos e parasitários, não apenas para os cães, mas também para os seus donos. Um estudo proveniente da Holanda e publicado em 2018 relatou a análise de 35 pacotes BARF de oito embaladores comerciais. Os pesquisadores encontraram Escherichia coli em 80% deles, Listeria em 43% e Salmonella em 20%, concluindo que as dietas de ração de carne crua “podem ser uma possível fonte de infecções bacterianas em animais de estimação e, se transmitidas, representarão um risco para os seres humanos”.
Em 2019, a Food and Drug Administration, agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos (FDA), moveu-se para investigar três casos de animais de estimação que adoeceram e, usando o sequenciamento completo do genoma de bactérias isoladas dos animais, rastreou a fonte até os produtos de carne crua.
Na última pesquisa, publicada na revista VetRecord, os cientistas liderados por Josefin Hellgren, da Universidade Sueca de Ciências Agrícolas, em Uppsala, na Suécia, analisaram 60 embalagens congeladas da BARF de 10 diferentes fabricantes. Os resultados mostraram que as bactérias da família Enterobacteriaceae, que inclui E.coli, estavam presentes em níveis acima do padrão de segurança da União Europeia em 31 das amostras. Espécies de Salmonella e Campylobacter foram encontradas em 7% e 5% das amostras, respectivamente, levando Hellgren e os seus colegas a alertar sobre "potenciais riscos para a saúde de animais e humanos, especialmente jovens e indivíduos imunocomprometidos".
Os mesmos pesquisadores oferecem dicas para os donos interessados em reduzir as chances de promover sobrecargas patogénicas em alimentos crus, são elas: manter congelada a carne destinada ao cão até ao seu uso; a carne crua destinada aos cães deverá ser separada de todos os alimentos humanos (um novo frigorífico vinha calhar) e usar utensílios próprios para o efeito; evitar beijos e lambidelas de cães que acabam de comer carne crua e não lha dar em lares com gente imunocomprometida, alertando também que Raw food não deverá ser distribuída a cães com medicação antimicrobiana.
Você poderá reduzir ainda mais o risco alimentando o seu cão somente com carne destinada para consumo humano, em vez de carne para animais, pois a carga bacteriana e a presença de outros contaminantes deverão ser mínimos. Todavia, os cães requerem dietas balanceadas com vitaminas e minerais em determinadas proporções para evitar doenças, o que equivale a dizer que todas as dietas caseiras deverão ser confeccionadas de acordo com o parecer de um veterinário.
Torna-se evidente por tudo que foi dito, que os cães estão preparados e podem comer carne crua, o que não os livra de bactérias patogénicas, como Salmonella, exactamente como nos sucede. A opção pela carne crua na alimentação dos cães assenta na maioria dos casos numa razão económica e quando assim é, não lhes serão distribuídos bifes, mas sim toda a carne e subprodutos que forem mais baratos: frango; miúdos de frango; aparas, gorduras, carcaças, vísceras, coração de boi, entremeada, ovos, esporadicamente carne de vaca para cozer e outras partes menos nobres das diversas carnes, os mesmos ingredientes que outros converterão em ração seca e em latas de paté. Diante de opções destas, a saúde de cães e donos é posta em causa pelo risco da contaminação, tornando-se por inerência um problema de saúde pública (ninguém vive só).
A carne crua não basta só por si para fazer um cão mais robusto e resiliente, muito embora haja situações em é a única opção possível (estamos a falar de cães saudáveis): quando não temos outra opção ou quando esporadicamente é reclamada para o bom desempenho canino. Fora destas opções, a administração exclusiva e sistemática de raw meat transformará os cães em gulosos e levá-los-á a desprezar dietas mais balanceadas e próprias para a actividade que desenvolvem. A alimentação ideal para os cães ainda está para chegar, mas não vai demorar muito, porque tudo acontece a uma velocidade vertiginosa e nenhum de nós deverá atrasar-se.
PS: A distribuição de carne crua aos cães contribui eficazmente para a sua eliminação, aos torná-los mais susceptíveis diante de diversos engodos cada vez mais apelativos. Acerca de contaminações lembro-me de uma idosa senhora com a qual privei há alguns anos atrás, que há falta de melhor, quando entrava numa cabine de telefone pública, sempre levava na sua mala de mão um paninho e um frasco de álcool para limpar o auscultador. Debaixo do mesmo cuidado, quando ia a casa de gente menos asseada ou dona de animais, sempre levava roupa própria para se sujar.

ACÓNITO E CÃES NÃO COMBINAM

Deus deve ter os cães em boa conta, porque se assim não fosse, muitos já teriam morrido envenenados, nomeadamente os pertencentes aos ignorantes, confiados e descuidados. Como sempre me interessei por botânica e floricultura, interesses que ainda mantenho, deparei-me num site de vendas com a oferta de uma planta altamente venenosa – o ACÓNITO (Aconitum napellus), pertencente à família Ranunculaceae e muito usado em fármacos homeopáticos. A planta é também conhecida por mata-lobos, devido a uma lenda que a dizia ser capaz de enfraquecer lobisomens.
O nome genérico dos sais derivados do ácido aconítico a partir desta planta recebe o nome de aconitato. O veneno do Acónito foi o mais utilizado pelos arqueiros desde a Antiguidade até à Idade Média. Todas as partes da planta são muito venenosas por possuírem alcalóides distintos, sendo igualmente venenosas todas as suas variedades desde que a sua semente se encontre madura. Para se ter uma ideia mais aproximada da toxidade desta planta, basta dizer que 10g da sua raíz bastam para matar um ser humano adulto, uma vez que é ali que se concentra a maior parte dos seus princípios activos.
Depois de ter sido usado para envenenar lobos e raposas, o Acónito é agora vendido como planta ornamental para jardins. Os sintomas mais comuns do envenenamento por esta planta são: sensação de angústia; perca de sensibilidade; falta de ar ou respiração lenta; aceleração dos batimentos cardíacos; tremores; rosto dormente, salivação excessiva, zumbido nos ouvidos e visão desfocada. Quanto aos medicamentos homeopáticos e fitoterápicos feitos à base de aconitina, somente os médicos podem prescrevê-los.
Como as crianças adoram ir brincar para o jardim e os jardins costumam ter os cães como residentes habituais, na hora de adquirir uma moradia já ajardinada, informe-se sobre as plantas que preenchem o jardim e decoram os seus canteiros, que naturalmente não deverão ser tóxicas. De igual modo, quando pensar em adquirir uma nova planta, certifique-se primeiro da sua toxidade, já que é a vida das suas crianças ou dos seus cães que estão em causa.
Continuo a não perceber por que razão se continuam a plantar flores, arbustos e árvores tóxicas em infantários, escolas, moradias e lares. Faltará aos profissionais da área formação específica? Quem tem cachorros pequenos sabe que não pode descansar quando eles se encontram soltos, porque tendem a roer tudo à sua volta, tanto dentro de casa como no quintal, mesmo depois de advertidos e de modo mais incidente dos 3 para os 5 meses de idade. Igual ou maior perigo correm as crianças com idade inferior aos 4 anos.
Estamos fartos de dizer, mas não cansados, que os cães só devem ser soltos no exterior depois dos donos baterem minuciosamente o local onde pretendem soltá-los, para não serem vítimas do ataque de outros cães; de engodos; de substâncias químicas ou corrosivas; de restos industriais lesivos e da ingestão de plantas tóxicas capazes de eliminá-los. Uma dessas plantas é a Figueira-do-Diabo (Ricinus communis L.), espécie invasora que segundo um protocolo adaptado do Australian Weed Risk Assessment (Pheloung et al. 1999), ocupa um nível de risco de 22 em termos de comportamento invasor em Portugal. Segundo o mesmo protocolo os valores acima de 6 já implicam num comportamento invasor, o que na prática significa que temos Figueira-do-Diabo por todo o lado.
Apesar do óleo desta planta se prestar para vários usos industriais e até como laxante, a sua semente, quando purificada, é tóxica devido principalmente a uma proteína chamada ricina, que é mortal quando ingerida mesmo em pequenas doses. Três sementes podem matar uma criança, oito um adulto, onze um cão e oitenta um pato. Os primeiros sinais da intoxicação acontecem logo nas primeiras horas depois do envenenamento e traduzem-se em ardor nos olhos e na garganta, dores abdominais, diarreia e vómito com sangue. O processo, que dizem incontrolável, só termina quando a vítima falece por desidratação.
Para além disto, a planta possui ainda uma potente proteína alergénica chamada CB-1A ou albuminas 2S nas suas sementes e pólen. Um terceiro elemento nela presente é a ricinina, um alcalóide que pode ser encontrado em todas as partes da planta, que afecta o sistema nervoso central e poder ter vários efeitos, entre eles: convulsão, melhoria de memória e falta de equilíbrio. As maiores concentrações de ricinina encontram-se nas flores e nas folhas jovens. Infelizmente não são só o Acónito e a Figueira-do-diabo que são tóxicas entre nós.
Com isto não queremos semear o pânico ou ser mensageiros de fortes calamidades vindouras, somente alertar os proprietários caninos para os riscos a que expõem os seus amigos de 4 patas ao pô-los em contacto com plantas que são nocivas para ambos, neste país onde a informação é escassa sobre o assunto e povo é por norma desinteressado. Em síntese, há que inventariar as flores, arbustos e árvores dos nossos jardins e expulsar deles as que são tóxico e/ou venenosas. Debaixo do mesmo cuidado, antes de soltarmos os nossos cães no exterior, devemos primeiro observar minuciosamente a sua flora e só depois soltar os animais, o que só será possível se previamente tivermos obtido a informação necessária.
E como por vezes todos os cuidados são poucos e as distracções acontecem, é bom ter memorizado ou ter na memória do telemóvel o número do CIAV (Centro de Informação Antivenenos) do INEM, que é o 808 250 143.
Escusado será dizer que as crianças entre o primeiro ano de vida e o quarto, devido ao seu particular etário, incorrem nos mesmos riscos que os cães quanto expostas ao mesmo tipo de plantas. Há muito que se deveria proceder a um esclarecimento nas escolas sobre o assunto, o que de imediato levaria ao arrancar dos Oleandros (Nerium oleander) presentes em inúmeras delas, obra de algum inteligente que nos julgou todos burros. E já agora, por que carga de água é que as plantas tóxicas presentes nos nossos jardins públicos não têm junto delas uma placa identificativa da sua toxidez? Seremos porventura cidadãos de segunda? Não se esqueça: amar o nosso cão, antes de tudo, é protegê-lo dos perigos que o cercam, independentemente do serviço que nos preste, porque se o amamos, não podemos contribuir paulatinamente para o seu extermínio, reflexão que estendemos também àqueles que se dizem treinar cães para guarda e que os podem condenar à morte pela previsibilidade dos seus ataques (felizmente raro é o cão que virá a ser solicitado para o efeito).

terça-feira, 5 de março de 2019

O MUNDO À NOSSA VOLTA: OS 4 DA VENEZUELA

Rarissimamente temos leitores da Venezuela e hoje tivemos quatro, o que nos lembrou de imediato da situação vivida naquele país da América do Sul, onde o povo passa toda a sorte de privações e vê-se obrigado a zarpar dali por todos os meios ao seu alcance para fugir à fome, à miséria e à morte. Se o responsável pelo flagelo popular é o ditador que ainda não foi deposto, por colocar os seus ideais acima do bem-estar do povo, os responsáveis pela perpetuação do problema são as grandes potências, para quem os recursos naturais e posição geográfica da Venezuela valem mais que a sua população. O que está a acontecer na Venezuela é uma vergonha para todos nós, porque todos somos responsáveis por pactuar com a situação. Deseja-se uma solução pacífica, rápida e justa, solução que só poderá acontecer quando a liberdade for devolvida ao povo venezuelano. Chamamos de bem-vindos os que nos visitaram, a quem obviamente também estendemos a nossa solidariedade.

MARS SUR LA PLAGE AU PORTUGAL

Este Inverno que de Inverno pouco ou nada tem, tem sido farto em dias de sol, parco em dias de chuva, sem frio e com as temperaturas a ultrapassarem os 20 graus celsius. A temperatura média à superfície da água do mar tem rondado os 14.5 graus centígrados e em alguns dias chegou mesmo a ultrapassar os 15. Sábado foi um desses dias e a classe de instrução rumou alegremente à praia, a pensar na salvaguarda dos cães e na necessidade que têm de aprender a nadar, habilidade que infelizmente nem todos possuem e cuja ausência já contribuiu, por exaustão para a morte de alguns.
Chegámos à praia antes da maré alta para acostumar os cães ao ambiente marinho e ali podermos descontraí-los através de jogos e outras brincadeiras, momentos que aproveitaram para se espraiar com lhes deu na gana, competindo entre si por tudo e por nada.
Considerando o nosso objectivo, tínhamos 4 cães para ensinar a nadar correctamente (com os 4 membros abaixo da linha de água): 1 CPA cachorro, 2 cachorras Doberman e 1 Doberman adulto. Neste trabalho contámos com a precisão colaboração do CPA Bohr, um verdadeiro príncipe das marés e um nadador exímio, que mais uma vez serviu de estímulo para os demais. Na fotografia seguinte podemos vê-lo a ser conduzido em terra firme pelo João Freire.
Com a ajuda dos donos, que avançavam água adentro na sua frente e de trela esticada, impedindo assim que os cães levantassem os membros anteriores e apenas esbracejassem, todos aprenderam a nadar. O cachorro CPA Bjorn, sem qualquer ajuda do seu dono, mostrou ser um nadador ingénito, vencendo todos os exercícios propostos como se houvesse nascido dentro de água (de alguma forma nasceu).
Os Dobermans deram muito mais trabalho, tanto o adulto como as cachorras, dificuldades que acabaram por sobrar para os seus donos, que não tiveram outro remédio do que se fazerem à água tantas vezes quanto as necessárias, conforme aconteceu com a Andreia e a Doberman Russa.
Com a desvantagem de ser o mais curto de perna, o que não o impediu de trabalhar e bem, o Afonso conseguiu ensinar a nadar correctamente a Doberman Lupa, sua companheira nestas lides, que a princípio não se agradou do ambiente marinho e que obrigou a um sem número de travessias margem-a-margem.
O adestramento, quando levado a sério, exige dos condutores considerável aptidão física e psicológica, exactamente como qualquer desporto. Como o Afonso sempre se mostrou disponível, acabou também por conduzir o Doberman Zeus nas travessias, com o cão invariavelmente interessado em saltar-lhe para os ombros e apostado em arranhar-lhe as costas. Na foto seguinte podemos ver o apuro em que se viu o adolescente.
A Svetlana viu facilitado o seu trabalho com o Doberman Zeus, porque os seus colegas de classe vieram em seu auxílio, inclusive o Luis Carvalho, que ainda vez algumas travessias com aquele cão. Certo é que o Zeus saiu dali a nadar e bem, muito embora não dispense a usual recapitulação que tudo torna possível.
Vencida a fase de indução à trela, os cães foram depois convidados para acompanhar os donos em liberdade nas travessias. Mais uma vez o CPA Bjorn mostrou-se à altura dos acontecimentos, acompanhando o seu dono perfeitamente à vontade.
Certos das garantias que este cachorro estava a dar-nos, pedimos-lhe que atravessasse aquele braço de mar sozinho para ir ter com o dono, solicitação que o animal aceitou sem hesitar e com muita alegria.
Também o mais recalcitrante dos cães, o Doberman Zeus, acabou por aprender a nadar correctamente, vindo depois a fazê-lo sozinho e distante da sua dona.
Ainda houve tempo para a condução linear, onde desenvolvemos os comandos direccionais e de travamento mais comuns, servindo a natação como supercompensação para os trabalhos da obediência.
Como memória do excelente dia que passámos à beira-mar, o Luis Carvalho posou junto a uma rocha com o seu cachorro, companheiro que inevitavelmente lhe trará muitas alegrias, graças à sua curiosidade e aptidão.
Com um tronco de árvore caído ali perto, convidámos os binómios a transpô-lo, tarefa que não foi nada fácil para os donos. Na foto seguinte podemos ver o Afonso com a Doberman Lupa a executar irrepreensivelmente o exercício.
Depois de aprenderem a nadar e a transportar brinquedos dentro de água, os cães mais aptos e com características para isso, poderão ser encaminhados para o salvamento e prestação de socorro a náufragos, substituindo-se os brinquedos pelos dummies e estes por pessoas nos simulacros.
Como nas semanas anteriores muito insistimos nas passagens estreitas, para que os cães não diminuam nelas a cadência da marcha e tardem a cumprir as suas missões, aproveitámos o que resta de uma velha amurada como recapitulação para esse efeito.
Alegres por termos alcançado todos os objectivos propostos, saímos daquele porto com vontade de lá voltar, porque ao contrário de outros, não hesitamos em voltar aos lugares onde fomos felizes.
Participaram nos trabalhos seguintes binómios: Afonso/Lupa; Afonso/Zeus; Andreia/Russa; Andreia/Zeus; João Freire/Bohr; Luis Carvalho/Bjorn; Luis Carvalho/Zeus; Pétia/Bjorn e Svetlana/Zeus. O Paulo Motrena foi o fotógrafo e continua convalescente. Sentimos a falta da Carla e esperamos tê-la em breve entre nós e a nossa amiga e colaboradora Tatiana Pomenko regressou à sua terra natal (Moldávia). Sobre o trabalho de Sábado nada mais há a acrescentar. Esperamos que no próximo tudo nos corra de feição e que os nossos objectivos sejam mais uma vez alcançados.