quarta-feira, 26 de setembro de 2018

PARA QUE NÃO MORRA QUEIMADO

Se tirarmos a nossa preocupação com a sua salvaguarda, tudo o que ensinamos aos cães não passa de circo e vaidade. Com os incêndios que têm assolado o País nos últimos anos, mesmo com o cuidado que tem havido no resgate de animais, muitos cães acabaram por morrer carbonizados, por não serem capazes de ultrapassar pequenas cercas e muros onde se encontravam confinados, morrendo literalmente à distância de um pulo para a vida. Há uma dezena de anos atrás, uma conhecida nossa que abrigava cães abandonados, recolheu 3 num quintal entre dois prédios cercados por um muro de 120cm. Um incêndio deflagrou, alastrou-se às duas habitações e estendeu-se ao quintal, sem saber como sair, os animais foram ali incinerados vivos.
Para além doutros usos, que são acessórios, ensinamos os cães a saltar tendo como objectivo a sua sobrevivência, quando rodeados de barreiras físicas que impedem de pôr-se a salvo, diante de circunstâncias como inimigos armados, incêndios, desabamentos, inundações, queda de árvores, terramotos e outros cataclismos. Diante destas eventualidades, cada vez mais recorrentes com as alterações climáticas, todos os cães confinados em quintais deverão estar aptos, quando tal for necessário, para transpor as barreiras que delimitam as propriedades que os albergam. Na impossibilidade dessas transposições, caberá aos donos arranjar saídas de emergência para os animais.
Ensinar um cão a saltar é uma brincadeira que começa aos 4 meses de idade, altura em que começam a demonstrar curiosidade e apreço por aprender. A altura e a extensão dos saltos aumentam com o passar dos meses e com a robustez que os cachorros vão alcançando. A iniciação ao salto, que começa com verticais de 10cm, induzirá mais tarde a saltos da mesma natureza com 120cm de altura. O ensinar um cachorro a saltar implica em acompanhá-lo e conduzi-lo à trela, para que aprenda o modo correcto de fazê-lo: a marcar a entrada ao obstáculo, a fazer a suspensão e a sair dele em segurança. Mais tarde, o animal virá a saltar em liberdade e sempre que lhe ordenarem. No que concerne ao corpo das verticais, evoluiremos das tapadas para as abertas, podendo ser as últimas de rede ou cruas (de uma só vara sobre um espaço aberto). Na foto abaixo podemos ver o CPA CAPO, agora com 8 meses, a saltar uma vertical de 40cm.
Como este cachorro trabalha há alguns meses e já alcançou a robustez necessária, convidámo-lo depois, no treino matinal deste dia, para transpor uma vertical fechada de 80cm em liberdade, desafio que venceu com grande naturalidade por havê-lo conseguido primeiro à trela e debaixo de forte incentivo, sendo depois generosamente recompensado de acordo com o seu empenho e esforço. Preocupados com o bem-estar das suas articulações, optámos por executar estes saltos num jardim relvado.
Com uma cerca de rede elevada 100cm do solo na nossa frente, achámos por bem, certos de que nenhum mal resultaria para o cachorro, convidá-lo para a sua transposição. Para melhor nos fazermos entender e também para facilitar o desempenho do animal, tapámos primeiro a vedação de rede com uma manta, constituindo-a assim numa vertical fechada. Depois de 2 ou 3 passagens bem-sucedidas, tirámos a manta e cão saltou confiante a rede que tinha na frente, segundo testemunha a foto que introduz este artigo e a que segue abaixo.
Afinal o que andámos a fazer hoje com este cão? A saltar? Bem mais do que isso. Estivemos a habilitá-lo física e psicologicamente para a sobrevivência, a trabalhar para que não morra baleado, queimado, soterrado ou afogado. A tanto nos obrigou o amor e o respeito que temos pelos cães.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

ESTARIA A PRECISAR DE APANHAR AR?

Segundo noticiou o jornal on-line holandês NU.nl, na sua edição de Segunda-feira, tendo como base o depoimento de um funcionário do Aeroporto de Moscovo citado pela agência de notícias russa INTERFAX, um cão conseguiu sair da sua box no compartimento das bagagens (carga) e abrir a escotilha do BOEING 737 onde viajava, que fazia o vôo de São Petersburgo para Moscovo.
O alarme soou quando a escotilha abriu alguns centímetros, abertura que resultou na redução da pressão da aeronave para os 4.000m de altura, percalço que levou o piloto a aterrar preventivamente. Nenhum passageiro ficou ferido no incidente e o curioso cão continua óptimo.
Estaria o animal a queixar-se da pressurização ou simplesmente estaria a precisar de tomar ar?

PHISHING E VISHING: OS NOVOS CONTOS DO VIGÁRIO EM FRANÇA

O PHISHING e o VISHING são os novos aliados electrónicos dos meliantes que se dedicam à extorsão nas redes sociais. PHISHING na internet refere-se a actividades criminosas que tentam obter informações confidenciais de modo fraudulento através do correio electrónico. Infelizmente os emails de phishing não são a única maneira de obter informações confidenciais para roubar a identidade alheia ou cometer fraudes, os criminosos também usam o telefone das vítimas para solicitar-lhes informações pessoais, sendo esta versão de phishing denominada de VISHING. Estas duas actividades criminosas estão a aumentar em toda a França e visam particularmente os proprietários caninos cujos cães desapareceram.
As autoridades gaulesas alertam sobre os perigos de uma fraude realizada em todo o país por uma rede de vigaristas, que afirma estar na posse de cães e gatos desaparecidos e que exigem dos seus donos um resgate em dinheiro para devolvê-los, por norma 1.000€. Na Internet, particularmente em sites dedicados a anúncios de animais perdidos, os criminosos contactam por e-mail ou telefone as pessoas que relatam a perda do seu cão ou gato, afirmando estar na posse dos animais e que só os devolverão mediante determinada quantia em dinheiro. Como se antevê, na maioria dos casos, os vigaristas não encontraram os animais em questão e deixam de responder a qualquer mensagem ou chamada depois de se abotoarem com o dinheiro.
Diante deste flagelo que assola toda a França, denominado de vishing ou phishing, as autoridades chamam à atenção das possíveis vítimas, que deverão continuar, como até aqui, a anunciar o desaparecimento do seu animal nas redes sociais e nos sites especializados, sem contudo concordarem em dar dinheiro a um estranho pela sua troca. Para os que já foram enganados e os que virão a ser, é aconselhado que apresentem queixa. A notícia chegou-nos através do Wamiz.com, um site para entusiastas de animais de estimação, na sua edição de ontem. Há algumas décadas atrás o vishing proliferou nos arredores de Lisboa e nos Concelhos de Oeiras e Cascais, actividade criminosa que se julga hoje extinta e que esteve ligada a uma minoria étnica em particular. Oxalá a polícia gaulesa consiga desmantelar esta rede de vigaristas o mais rápido possível.

IAIN BOOTH, O USO EXCESSIVO DO SMARTPHONE E OS CÃES

Primeiro importa esclarecer quem é IAIN BOOTH (na foto abaixo). Booth é veterinário britânico que fundou a VetUK.Ltd, uma empresa varejista on-line, como o site vetuk.co.uk, sediada em Thirsk, North Yorkshire/UK, que fornece produtos para animais de estimação, incluindo brinquedos, acessórios e alimentos, para além de tratamentos para animais que dispensam receita e medicamentos para prescrição veterinária.
Segundo o parecer deste veterinário britânico, revelado à Metro.co.uk, o jornal de maior circulação do Reino Unido, o uso excessivo dos smartphones é também prejudicial para a saúde os cães, não porque os usem, mas porque vêem-nos usá-los. “Somos uma nação obcecada por telemóveis, mas a dependência destes dispositivos está a colocar em risco o relacionamento que temos com os nossos animais de estimação, especialmente com os cães e em menor medida com os gatos domésticos” – disse Booth.
Para este cientista, “o cão precisa de constante feedback e interacção, e se ele está sentado a olhar para si, mas você está muito ocupado a olhar para o Facebook, você passa a ter um problema”, o que equivale a dizer que quando o cão procura a atenção do mestre e vê-o constantemente ao telefone, ao invés de se interessar por ele, pode sofrer e/ou causar danos inesperados. Este clínico entende que é ESSENCIAL NÃO POLUIRMOS COM A TECNOLOGIA OS MOMENTOS QUE DEDICAMOS AOS NOSSOS ANIMAIS. “Para mim, levar o telemóvel quando anda com o seu cão é como ignorar a sua esposa num restaurante enquanto visita o Facebook" – disse.
Booth recomenda que os smartphones sejam guardados quando estamos a acariciar, a brincar ou a passear com os nossos cães e apela aos donos que saboreiem e construam relacionamentos com os seus animais de estimação, dando-lhes a atenção necessária, para que não venham a SOFRER DE SOLIDÃO E A DESENVOLVER DISTÚRBIOS COMPORTAMENTAIS TAIS COMO A DESTRUIÇÃO, O LADRAR CONTÍNUO E A AGRESSÃO.
Nos casos mais graves, OS CÃES PODERÃO AINDA ENTRAR EM DEPRESSÃO se os seus donos não satisfizerem as suas necessidades. Por outro lado, a ausência de exercício físico regular, induz os cães ao aumento de peso e à obesidade. Para evitar que isto aconteça em França, o veterinário ANTOINE BOUVRESSE (na foto seguinte) lançou o DOG WALKING CHALLENGE, um desafio que encoraja os donos a passear os seus cães, ao invés de passarem horas em frente dos seus ecrãs.
Diante do vício dos smartphones, cada vez mais enraizado, muitos donos, devido à falta de atenção, acabam por condenar os seus cães à depressão, cujos sintomas passam por falta de apetite, mais horas de sono, comportamento esquivo e inusitado lamber ou mastigar das suas patas para se acalmarem, podendo alguns enveredar pela automutilação, nomeadamente das suas caudas. Cães assim desprezados acabam por tomar antidepressivos para toda a vida devido à gravidade dos seus sintomas. Está mais do que na hora de largar os gadgets e viver, de construirmos momentos inolvidáveis a partir de relacionamentos que nem homem nem cães podem dispensar! 

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

A TERAPIA QUE ESCOLHERIA

Os jornais online britânicos têm vindo a dar notícia do ataque perpetrado por dois cães, possivelmente Staffordshires, sobre um rapaz de 11 anos num parque em Speke, Condado de Merseyside, Liverpool, no passado mês de Junho, enquanto brincava com os amigos, deixando-o profundamente traumatizado e ferido, conforme se pode ver na foto abaixo.
O pai do garoto achou por bem, ao vê-lo naquelas condições (físicas e psicológicas) e pensando na sua recuperação, livrar-se dos cães que tinham em casa, um Labrador de 7 anos, escolhido e criado pelo garoto e uma Pastora Alemã com 4 anos de idade (na foto seguinte), que foram separados e entregues a amigos, o que nem para os cães foi a melhor opção.
Ao que parece, a recuperação psicológica do rapaz tem sido lenta, porque demorou uma semana a retornar à escola e dela regressou a vomitar, apesar de haver retomado ao boxe. Agora, quando vê um cão, tende a esconder-se atrás do pai e resiste em ir sozinho até à paragem do autocarro que dista da sua casa apenas 10 metros, temendo que lhe surja qualquer cão pela frente. À parte disto, o garoto sente-se culpado pela saída forçada dos cães da família.
A terapia preconizada pelo pai da criança, se assim se puder chamar, eu jamais a faria, porque ao invés de solucionar o problema só irá agravá-lo, problema que podia começar a ser solucionado pela contribuição dos cães familiares que foram desalojados, já que a má imagem que o garoto tem dos cães não desaparecerá apenas pela sua ausência ou distância. Ao invés, fará com que este miúdo, a entrar na adolescência, venha mais tarde a ser mordido por qualquer cão por evidenciar medo, reacção que os cães associam atavicamente às suas presas.
Se o filho fosse meu, e recomendo o mesmo procedimento para os nossos leitores obrigados a enfrentar uma situação destas, começaria por harmonizá-lo com os cães familiares, seus conhecidos e ligados a experiências felizes, que ainda por cima têm o mau hábito de confortar os donos quando os vêem tristes ou abatidos. Vencida esta fase, ainda que a uma distância cómoda para o garoto, começaria a convidá-lo para a observação dos cães alheios, ensinando-o em simultâneo a identificar as suas expressões mímicas e vozes, que denunciam os seus diferentes comportamentos.
Uma vez aprovado nesta face, depois de habilitado a decifrar as intenções dos cães, acompanhá-lo-ia para mais perto dos animais, questionando-o acerca dos comportamentos sucedâneos à sua linguagem gestual, aumentando assim a sua confiança e diminuindo desse modo o medo injustificável. Depois interagiria com um ou mais cães enquanto me observaria e finalmente chamaria um dos seus colegas, de preferência um menor, mais novo e mais frágil para fazer o mesmo, para que se sentisse mais confiante e em vantagem – apto para fazer o mesmo.
Depois de alcançada essa meta e vitória, levá-lo-ia a um centro de treino canino vocacionado para cães de suporte e assistência, onde o deixaria interagir pelo tempo necessário com os cães. Daí, depois ultrapassadas as possíveis dificuldades e atendendo à sua idade (11 anos), deslocar-me-ia com ele a uma escola de agility canina, para que se familiarizar-se com os diferentes andamentos naturais presentes nos cães e conseguisse sair dali capaz de conduzir/liderar alguns.
Com mais esta etapa vencida, levá-lo-ia a uma escola própria para cães de guarda, para ali se familiarizar com as técnicas usadas, com os diferentes tipos de ataque e particularidades de algumas raças destinadas àquele serviço, para além de lhe adiantar técnicas de defesa e de imobilização, assim como os procedimentos correctos diante do ataque de uma matilha. Com a confiança em alta, pedir-lhe-ia, comigo ainda a seu lado, que se imobilizasse no solo correctamente, perante o avanço de um cão a 50m.
Seguidamente suportaria o ataque à manga de um cão e colocaria o rapaz na minha retaguarda, repetindo este exercício até que me pedisse para fazer mesmo comigo ao seu lado. Seguro e convenientemente incentivado, levá-lo-ia a suportar o ataque comigo à distância, primeiro com cães mais leves e menos violentos, depois com os mais pesados e duros a sacudir. É difícil de dizer quanto tempo demoraria a recuperação do garoto, mas estou convencido que seria mais célere do que a tirada a partir do afastamento dos cães.
E, depois disto, ver-me-ia aflito para afastar o rapaz do “vício” dos cães!

NÓS POR CÁ: A DIFÍCIL TRANSIÇÃO DO CORREDOR DA MORTE PARA O ABRIGO

Antes de tudo, importa dizer que mais vale começar bem do que remendar continuamente o que está mal, dando razão ao aforismo quando diz que “quem nasce torto, tarde ou nunca se endireita”. JÁ ENTROU EM VIGOR A LEI Nº27/2016 DE 23 DE AGOSTO, a mesma que proíbe o abate de animais nos canis municipais, “por motivos de sobrepopulação, de sobrelotação, de incapacidade económica ou outra que impeça a normal detenção pelo seu detentor" e que diz também que os animais acolhidos pelos Centros de Recolha Oficial, que não sejam reclamados pelos seus donos no prazo de 15 dias, a contar da data da sua recolha, são "considerados abandonados e são obrigatoriamente esterilizados e encaminhados para adoção”.
Apesar dos prazos dados pelo Governo para a aplicação da lei, ainda existem muitos municípios sem condições de cumpri-la, porquanto não é fácil transitar automaticamente duma estrutura de corredor da morte, que era isso que os canis municipais eram, para um abrigo de animais, diante da necessidade de novos meios físicos, técnicos e humanos, obrigados pela novidade de serviços e que exigem uma forma de gestão diferente da acontecida até aqui. Oxalá as autarquias não acabem a rivalizar com os abrigos já existentes nos seus concelhos, o que a ninguém serviria e mais as endividaria.
A nosso ver, e já vimos tanta coisa que não valia a pena ver, as câmaras municipais deveriam subsidiar os abrigos já existentes nos seus municípios e/ou estimular o seu aparecimento caso ainda não existam com as receitas vindas do licenciamento animal (que há muito carece de uma verdadeira actualização) e do montante das coimas a aplicar aos proprietários dos animais que violem os diversos diplomas legais em vigor, como a não apanha dos cocós, a ausência de licenciamento e a circulação de cães soltos na via pública (há mais). Geralmente ninguém fala nisso, mas é nas cidades que existe maior número de cães sem licença e outros que só foram licenciados uma vez, como se todos morressem no 2º ano das suas vidas, tudo porque as câmaras não indagam e as polícias metropolitanas têm mais que fazer. No entanto, não deixaria de ser curioso traçar um paralelo entre a ausência de licenciamento e o abandono dos animais.
Nas sociedades livres, cuja liberdade não se remete apenas à liberdade de expressão, mas também ao estímulo e desenvolvimento da iniciativa privada, a mesma que embala na senda progresso, que gera riqueza, que dá emprego e que por norma não se endivida, contrariamente às nossas instituições públicas, que tradicionalmente penhoradas endossam a todos “cheques sem cobertura”, emitidos “casualmente” por ocasião das campanhas eleitorais, é mais do que lícito delegar aos cidadãos tarefas e serviços para os quais sejam aptos e neles extremamente zelosos. Neste leque de actividades colocamos nós (e não o inventámos) os abrigos para os animais que deverão substituir os “arcaicos e assassinos Centros de Recolha Oficial”, certos de que serão melhor geridos, quando sujeitos à necessária fiscalização.
Estas parcerias público-privadas que preconizamos ao nível autárquico, não deverão cair nos mesmos vícios das parcerias público-privadas onde o Estado normalmente se enleia, donde historicamente, nos casos de dissolução e falência, sai a perder perante os ganhos dos outros parceiros (administradores públicos inclusive), o que por força do hábito já ninguém estranha, mas obedecer a uma gestão equilibrada face ao esforço das edilidades a quem caberá a fiscalização dos dinheiros públicos empregues na subsistência dos abrigos e na sua preocupação com o bem-estar animal. Mais tarde ou mais cedo, quer se queira ou não, esta transferência de responsabilidades, que nós entendemos como reforma, irá acontecer e espera-se que as autarquias não saiam a perder.
Entretanto, face à impossibilidade de cumprir plenamente a lei já em vigor, é possível que o número de cães abandonados nos lugares públicos de certos Concelhos aumente, o que certamente não será uma boa notícia para os seus munícipes, considerando o perigo de várias zoonoses e os riscos que poderão constituir para a saúde pública. Diante desta situação e depois do parecer de entidades ligadas a este problema, é bem possível que o governo prolongue o prazo para a entrada em vigor da lei. Saúda-se o fim do abate de animais saudáveis e dos corredores da morte nos canis municipais – os animais também têm direito ao bem-estar e à vida!
PS: Como a presente lei só prevê o abate de cães por questões de saúde e de comportamento, espera-se que, de um momento para o outro, não comecem por aí a aparecer muitos “em estado terminal” e “demasiado perigosos”.

domingo, 23 de setembro de 2018

UM LOBINHO COM 50.000 ANOS

Em Klondike, na região do Yukon, no noroeste do Canadá, local famoso pela corrida ao ouro que ali despoletou em 1896, parou na década de 60 do século passado e que continuou dali até aos nossos dias, lugar com um clima extremamente severo que é muito quente e húmido no curto Verão e extraordinariamente frio no prolongado Inverno, com a liquefacção do permafrost, dois mamíferos da era do gelo – uma cria de lobo e um caribu, foram ali descobertos em 2016 por garimpeiros e revelados ao público na última Quinta-feira na cidade de Dawson, no Yukon, com uma idade datada pelo radiocarbono acima dos 50.000 anos!!!
O lobinho apresenta-se completo, com a cabeça, o corpo, a cauda, o manto e a pele intactas, o que é extremamente raro, porque a preservação da pele e dos tecidos musculares não costuma acontecer no registo fóssil. “Tanto quanto se sabe, este é o único lobo da idade do gelo mumificado já encontrado no mundo”, disse Grant Zazula, um paleontólogo local que trabalha em parceria com o governo Yukon, que enfatizou a colaboração recebida dos garimpeiros locais e da comunidade mineira nesta pesquisa paleontológica.
O caribu foi encontrado parcialmente conservado, apenas com a cabeça, o tronco e dois membros anteriores intactos.
Julie Meachen (na foto abaixo), uma morfologista carnívora que trabalha com mamíferos da era do gelo na Universidade de Des Moines e que brevemente fará pesquisas sobre o filhote de lobo, disse: “Quando Grant me enviou as fotos e pediu-me para participar, eu fiquei realmente excitada e um pouco fora de mim” e "Queremos fazer um antigo teste de DNA para ver com quem está relacionado e observar seu microbioma para ver se ainda há bactérias intestinais". Outros pesquisadores ao redor do mundo reagiram com idêntica empolgação à descoberta deste antigo predador e das suas presas, que estão bem preservadas para permitir futuras investigações de factores como causa da morte, dieta, saúde, idade e genética.
Este achado científico mereceu inúmeros comentários de paleontólogos de todo o lado, como foi o caso de Elsa Panciroli, paleontóloga da Universidade de Edimburgo/Escócia/UK, que a determinado trecho disse: “Os ossos de lobo da idade do gelo são relativamente comuns no Yukon, mas ter um animal preservado com pele e pêlo é simplesmente excepcional - você só quer agarrá-lo e acariciá-lo. É um vislumbre evocativo do mundo da era do gelo ”. Também Thomas Higham (na foto seguinte), um especialista em datação arqueológica da Universidade de Oxford, comentou: “Os restos são altamente evocativos porque permitem-nos fazer uma conexão quase cara a cara com animais que têm dezenas de milhares de anos, e que parecem muito mais recentes."
“Acredita-se que o lobo e o caribu tenham habitado numa paisagem de tundra seca ao lado de outros animais, como os mamutes-lanudos. A preservação da pele e do manto sugere que eles viveram num período frio” - considerou Jan Zalasiewicz (na foto abaixo), paleobiologista da Universidade de Leicester, que adiantou ainda: “Um clima mais seco e mais árido ajudará a preservar a pele e o manto, o que geralmente acontece quando o clima fica mais frio” e "O truque aqui é encontrar um meio de liofilizar a carcaça nestas condições áridas e enterrá-la ... É preciso encontrar uma maneira de secá-la e colocá-la no frigorífico muito rapidamente". Panciroli terminou dizendo: "Espero que estudos mais detalhados sobre esta ‘cria de lobo’ possam encontrar um DNA antigo" que poderia fornecer novas informações sobre as populações de lobos que viviam no Yukon naquele momento, como por exemplo: donde vieram e como estão relacionados com lobos modernos”.
E os cientistas esperam encontrar respostas, nós queremos dissipar dúvidas, pelo que seguiremos este assunto de perto e com rara curiosidade.

sábado, 22 de setembro de 2018

O REGRESSO DO POLO E DO PACO

O treino de hoje ficou marcado pelo regresso do Polo e do Paco às nossas actividades, desenvolvidas na serra pela manhã com o Paulo Morena a Fila-Guia, que aproveitando o aquecimento doado por exercícios anteriores, optou por convidar o CPA BOHR para escalar um muro acima dos 2 metros de altura.
Os trabalhos começaram por convidar os binómios presentes para a transposição de verticais consecutivas, de 25 a 50 cm de altura, com uma distância entre si de 2 metros, exercício em que todos os binómios experimentaram alguma dificuldade, mais por culpa dos condutores do que dos cães. Porém, todos cumpriram as metas pré-estabelecidas. Na foto baixo podemos ver a Svetlana com o Zeus neste trabalho.
O Paulo Motrena continua com algumas dificuldades em se fazer obedecer pelo Bohr na condução dinâmica, não lhe restando outro remédio do que atrasar-se em relação ao cão, conforme podemos ver na foto abaixo, onde o condutor parece evoluir com “pezinhos de lã”.
O binómio Polo/Paco, apesar da sua excelente aplicação e entusiasmo, é o que menos aulas tem e precisa de ganhar traquejo para alcançar o desempenho dos seus companheiros de classe, coisa que três ou quatro sessões de treino poderão levar de vencida.
A Svetlana está a assimilar os requisitos técnicos inerentes à ginástica cinotécnica, o que lhe tem permitido ir em auxílio da pouca vontade do seu cão, oriundo de shows de conformação, pouco curioso e por vezes demasiado parco de disponibilidade, dificuldades que a moldava tem conseguido superar com galhardia, elegância e vontade de vencer. Na foto seguinte vemo-la a ultrapassar um muro de 80 cm com o Zeus.
Na transposição da vala, também porque a estava a fazer pela primeira vez, quem sentiu maiores dificuldades foi o Polo, porque o Paco não se temeu e depressa venceu aquele obstáculo, cuja transposição foi exigida de dois modos: com os cães à frente e atrás dos condutores.
Estamos convencidos que na transposição da vala, atendendo ao tempo em que praticam, que tanto o Paulo como o Bohr podem fazê-la de olhos vendados. Com a boa vida que tem levado, o condutor do Bohr está mais roliço e menos ágil, pormenor que mais saltou à vista pelo calor que se fez sentir.
A Svetlana na vala está como peixe dentro de água, não apresentando nenhuma dificuldade nem sofrendo nenhuma contrariedade por parte do Doberman, que apesar de não ter cauda, equilibra-se muito bem em cima do tronco.
Temos que agradecer ao Polo a sua extraordinária disponibilidade, porquanto se dispôs a ser perseguido pelos cães, trabalho que nunca havia experimentado (há sempre uma primeira vez!). E como não há duas sem três, ainda treinou a subida da escarpa com o seu cão, animal sem dúvida vocacionado para o trabalho.
No final do treino, já com o almoço a pedir a comparência de todos, tirou-se uma fotografia do grupo escolar junto a uma pintura mural, por sinal um pouco mórbida mas nem por isso rejeitada. Antes da partida foi dito aos condutores qual a marca de biscoitos aconselhada pela escola. Se porventura alguém já se esqueceu, por favor contacte o Paulo Motrena.
A classe escolar foi constituída pelos seguintes binómios: Paulo/Bohr; Polo/Paco e Svetlana/Zeus. A logística coube a todos e ainda foi reforçada pela dedicada colaboração do João Mendonça, um habitué destas andanças. Como não há mais nada a relatar, desejamos um bom fim-de-semana para todos!