domingo, 21 de janeiro de 2018

FRACO NEGÓCIO E CARNAVAL À PORTA

Com o Carnaval à espreita, o mês de Janeiro em Portugal costuma ser mau para o negócio, porque o povo sempre acaba por gastar demais no Natal, facto que põe as feiras às moscas e os vendedores a olhar para o boneco (melhor sorte não terão os centros comerciais, o comércio retalhista e já falido comércio tradicional). Mesmo sabendo que iríamos encontrar menos gente, decidimos visitar uma feira de “antiques” cuja maioria dos produtos peca pela ausência de certificado de procedência, como se houvessem caído do ar e fossem pretensa de quem os conseguiu apanhar.
Com tanta cangalhada à nossa disposição, que pela novidade se constituía em múltiplos desafios e novas experiências para os cães, decidimos confrontar a SRD Hope com a sua própria imagem, tirando partido de um espelho para venda que não cativou qualquer interessado. A cadela mostrou-se indiferente à dupla imagem e não tirou os olhos do dono que se encontrava por detrás do espelho e num plano superior.
O cão mais difícil de serenar na circunstância foi o CPA Bor, que estranhamente reside a 200 metros do recinto da feira, distância a percorrer que provavelmente cansará em demasia o seu proprietário, homem talhado para os prazeres da vida, para o convite das cadeiras e para o tronco refastelado. Como podemos ver na foto abaixo, a mímica do cão (focinho e cauda) não denota qualquer tipo de medo. E se assim é, estamos perante um caso de desconforto ainda por vencer, que poderá ser ultrapassado pela repetida experiência variada e rica (reforço positivo).
Nas nossas andanças pela feira deparámo-nos com um músico de ocasião, um fadista cheio de garra e pleno de desafinação, muito conhecido na região por ninguém o querer ver (ouvir) por perto. Aproveitando a circunstância e sabendo que os cães são por norma mais tolerantes que os humanos, sentámos os nossos ao redor do guitarrista e nenhum deles se queixou (o que realmente nos importava era familiarizá-los com a música, com a guitarra e os seus tocadores.
A CPA Haia, ainda com algumas dificuldades na sociabilização entre iguais, é a que melhor se aguenta entre multidões, permanecendo “quieta” mais tempo que os demais, pelo que merece o trono que colocámos junto dela para a fotografia.
Na foto abaixo, junto a várias bicicletas, podemos ver sentada a SRD Hope, cadela que ao contrário da Haia, já não se interessa por outros cães, permanecendo indiferente aos seus convites e passagem, posando sempre serena quando solicitada.
Decididamente, em matéria de cães, passámos de um extremo ao outro. No passado não distante, o vulgo atirava-lhes pedras, agora vê-os como uma verdadeira panaceia. Vindo não se sabe donde, a não ser dos braços da mãe, colocaram um bebé que ainda não sabia andar entre os nossos cães e eles não estranharam a companhia.
Mesmo aos fins-de-semana, quando a maioria das pessoas não trabalha, o número de idosos nas ruas é bastante superior ao da população activa, gente que normalmente adora animais e cães em particular. Uma senhora de idade respeitável pediu-nos se podia fazer festas as cães, ao que respondemos afirmativamente e passámos-lhe um para a mão, enviando-lhe depois a respectiva foto desse momento para seu gáudio.
Sempre privilegiamos nas nossas saídas ao exterior o contacto entre os cães e as crianças, a tanto nos obrigam duas razões: a educação dos infantes e a sociabilização dos cães. Na foto abaixo podemos ver a Margarida e o Rodrigo, dois irmãos que bem se prestaram aos nossos interesses pedagógicos (a senhora que também aparece na foto é uma brasileira de Santos que descende de portugueses).
A Margarida (entendida entre nós por Guida) ainda se ofereceu como obstáculo humano para os cães em excursão. Na foto seguinte podemos ver o CPA Bor a transpô-la sem qualquer dificuldade, não fora ele um excelente atleta.
Sempre que saímos à rua com os cães somos objecto de admiração e estima, miúdos e graúdos param e apreciam os nossos trabalhos, mostrando alguns o desejo de colaborarem connosco. Ontem sucedeu o mesmo e acabámos por convidar alguns populares para se constituírem num túnel de passagem para os cães. A foto seguinte disso dá testemunho.
Mais uma vez solicitámos a presença da Sónia e do Pastor Belga Groenendael Shane, binómio que vale pela disponibilidade e alegria que empresta à classe. A Sónia cumpriu com o seu papel de líder e o Shane executou os exercícios em alta velocidade.
Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: João Graça/Hope, Nuno Falé/Haia; Paulo/Bor e Sónia/Shane. Para a semana voltaremos à excursão e ser-nos-ão colocados novos desafios de acordo com o particular do ecossistema encontrado e segundo o cronograma que previamente estabelecemos. 

sábado, 20 de janeiro de 2018

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ QUEM DÁ E TIRA, AO INFERNO VAI PARAR, editado em 28/11/2014
3º _ HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE?, editado em 12/05/2016
4º _ O CÃO: THE GREAT PRETENDER, editado em 28/11/2014
5º _ DEVO DAR CARNE CRUA AO MEU CÃO?, editado em 14701/2018
6º _ SAIR À RUA EM DIA DE CHUVA & SALDOS, editado em 13/01/2018
7º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
8º _ BINÓMIO ANA/ESTRELINHA, editado em 17/01/2018
9º _ 10 KG, ISSO É POUCO?, editado em 15/01/2016
10º _ O CÃO LOBEIRO: UM SILVESTRE ENTRE NÓS, editado em 26/10/2009

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país obedeceu à seguinte ordem:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos 4º Rep. Checa, 5º Reino Unido, 6º Espanha, 7º Angola, 8º Ucrânia, 9º Moçambique e 10º França. 

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

BINÓMIO H.MAIA/ZIRI

Entrou também hoje nas nossas fileiras o binómio constituído pelo Henrique Maia e pelo Ziri. O Ziri é um cachorro American Hairless Terrier com 6 meses de idade, um amigo sem pêlo que é atento, enérgico e inteligente, para além de demonstrar um forte instinto de caça. Como curiosidade adianta-se que no Inverno tem que andar agasalhado e no Verão tem que usar cremes de protecção solar, já que é maioritariamente branco. Não mostrou dificuldades de aprendizagem e o seu dono tem que aprender a dar e a mostrar todo o carinho que sente por ele. Os dois estiveram bem e assim deverão continuar. 

BINÓMIO ANA/ESTRELINHA

Deu hoje entrada nas nossas fileiras o binómio constituído pela Ana e pela Estrelinha. A Estrelinha é uma cadelinha SRD de pêlo comprido, agora com 4 anos de idade, que é muito medrosa, apesar da Ana lhe dedicar todos os cuidados. Esta pequena cadela já foi alvo de terapias indevidas e de difícil desmame, atendendo ao pânico que tarda em largá-la. Fez uma aula excelente, mostrou ser atleta e estamos convencidos que a sua recuperação será possível. Resta dar os parabéns à Ana pelo carinho que dedica à Estrelinha, uma companheira que foi resgatada de um abrigo.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

PIADA DA SEMANA: MARIA, O QUE É O JANTAR?

Um ancião vai a um Centro de Saúde marcar uma consulta para a sua mulher por achá-la surda. O funcionário que o atende, querendo facilitar o trabalho do médico, que só atenderia a senhora dali a 15 dias, disse para o idoso experimentar a que distância a mulher conseguia ouvi-lo, para depois ser comunicado ao médico.
Ao chegar a casa, na noite daquele dia, quando a esposa se encontrava a fazer o jantar, o idoso decidiu experimentar o que lhe haviam recomendado, perguntando-lhe o que era o jantar, primeiro a 10 metros de distância e não obteve resposta, depois a 5 metros e nada, a seguir a 3 metros e só silêncio.
Finalmente encosta-se às costas da esposa e volta a perguntar: “ Maria, o que é o jantar?”. Ela já desesperada responde-lhe:” É frango e já não é a quarta vez que te respondo!
 

AFINAL OS DE HANNOVER NÃO ERAM LOUCOS!

Quando chegou ao conhecimento público que os alemães sob a direcção da Sr.ª Margarethe Schmitt, com o aval do III Reich e patrocínio do Führer, criaram em Leutenberg, nos arredores de Hannover, uma escola que intentava pôr cães a falar (TIER-SPRECHSCHULE ASRA), projecto secreto que veio a ser revelado algumas décadas mais tarde, todo o Ocidente se riu como se duma gigantesca insanidade se tratasse. O que os nazis procuravam era alcançar a comunicação interespécies através da fala para fins militares, fazer com que os cães falassem para melhor serem compreendidos, tornando-se assim melhores soldados pelo aumento da sua utilidade e cumplicidade. Este trabalho pioneiro não passou desapercebido aos olhos dos cientistas até aos nossos dias e contra o cepticismo geral, alguns agarraram a ideia e foram adiante, não desistindo de alcançar um melhor entendimento entre homens e cães.
O Dr. Constantine Slobodchikoff, professor emérito de biologia na Northern Arizona University, um expert em linguagem animal que no início de 2008 fundou o Animal Language Institute e que leva junto com a sua equipa três décadas a estudar os cães da pradaria (Cynomys gunnisoni), depois de ter conseguido transformar, com a ajuda de um cientista da computação, as vocalizações daqueles animais para inglês, afirma que um tradutor para animais de estimação estará disponível em menos de uma década, um aparelho próprio para traduzir aquilo que os cães desejam – os donos falarão com os cães e estes responder-lhes-ão. Contrariamente à ideia preconizada pelos alemães, que pretendiam pôr os cães a falar, estes cientistas propõem-se alcançar um aparelho tradutor para os animais de estimação, valendo-se da inteligência artificial para analisar vocalizações e expressões faciais.
Este avanço tecnológico poderá também ser usado para limitar a violência animal por descodificação, ao adiantar se determinado animal está excitado ou tem medo. É improvável que os seres humanos sempre consigam comunicar com os cães por tópicos mais complexos, apesar da inteligência emocional canina ser muito maior do que aquela em que acreditamos, descoberta oriunda do University College London e que de acordo com a Prof.ª Sophie Scott, professora de neurociência neste estabelecimento de ensino superior, resulta de subestimarmos os cães ao vê-los como crianças, enquanto somos vistos por eles como machos-alfa.
Ainda que o prometido aparelho venha a ser útil para todos (homens e cães), ele será de extrema importância para os cães cujos donos não têm tempo para os observar e compreender, porque dessa forma serão atendidos e socorridos com maior brevidade e sem entraves. Entretanto, enquanto o aparelho não chega, seria bom que todos conhecessem as expressões mímicas dos seus cães, nomeadamente as faciais e a linguagem da cauda, presentes nos seus rituais sociais quotidianos.
PS: Já nos debruçámos sobre o trabalho pioneiro alemão no artigo “TIER-SPRECHSCHULE ASRA: AVANÇO OU LOUCURA?”, editado em 12/12/2014.

CÃO DE GUERRA CONDECORADO A TÍTULO PÓSTUMO

“Chips”, o cão de guerra do exército dos Estados Unidos que combateu na II Guerra Mundial e que em Itália atacou um ninho de metralhadoras aquando do desembarque numa praia da Sicília em 1943, um cruzamento de Husky/Collie/Pastor Alemão (na foto acima), que já foi objecto do nosso artigo “JÁ OUVIU FALAR DO CHIPS?”, editado em 04/12/2017, foi esta Segunda-feira condecorado por bravura a título póstumo com a “Dickin Medal”, a mais alta condecoração britânica atribuída aos animais de guerra. A cerimónia teve lugar no Churchill War Rooms na Capital inglesa e o elogio ao finado e heróico cão militar coube a Jan McLoughlin, director-geral da PSA, organização responsável pela atribuição desta distinção (ao centro da foto abaixo).
John Wren fez-se presente na entrega da medalha destinada ao Chips, septuagenário cujo pai doou o cão para o esforço de guerra e que na altura em que o Chips regressou da guerra tinha apenas 4 anos. Wren foi acompanhado na cerimónia pelo tenente-coronel dos EUA Alan Throop e pelo binómio Sargento Jeremy Mayerhoffer/ CPA Ayron, cabendo ao cão militar receber a medalha em nome do Chips.
Resta dizer que o Chips foi um afortunado cão de guerra, porque conseguiu voltar a casa, sorte que não acompanhou muitos dos seus colegas de alistamento. Quanto à Dickin Medal é curioso recordar que já foi entregue a 33 cães, a 32 pombos-mensageiros, a 4 cavalos e a um gato. O gato em questão, “Simon”, embarcado no vaso de guerra britânico HMS. Amethyst, nascido em Hong Kong e falecido no Surrey, tem também uma história curiosa de vida que vale a pena conhecer (encontra-se sepultado no PSDA Ilford Animal Cemetery, no leste de Londres).
Melhor, muito melhor que isto tudo, era que as guerras acabassem de uma vez por todas e que nunca mais houvesse memória de qualquer uma delas, desejo que me parece impossível mas que ainda me faz sonhar. 

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

10 KG, ISSO É POUCO?

Recebemos de um leitor, que julgamos ser brasileiro, o seguinte email acerca do nosso artigo “O PESO DOS 4 MESES NO CÃO DO AMANHÔ: “Tenho um Pastor Alemão capa preta de 4 meses com 10 kg, isso é pouco? Ele é puro e tem pedigree”. Como a pergunta é sucinta e objectiva, passamos imediatamente à rua resposta.
Caro leitor, infelizmente não nos adiantou a que linha de criação pertence o seu cachorro, se a alguma linha laboral ou a alguma própria para shows de conformação, também se o animal esteve recentemente doente ou não. De qualquer modo, 10 kg para um cachorro de Pastor Alemão com 4 meses é muito pouco, como o seria para outro com um mês a menos de idade. Criámos Pastores Alemães ao longo de décadas e nunca tivemos nenhuma cachorra razoável que aos 4 meses pesasse tão pouco. Assim, aconselhamos que leve o cachorro ao veterinário para saber a causa do problema e ali encontrar solução. Obrigado pelo contacto, continuamos ao seu dispor e desejamos as maiores felicidades para si e para o seu cão.

SIMON COWELL IS A GOOD FELLOW!

Simon Cowell como jurado é temível, como amigo parece não ser grande coisa, porquanto engravidou a mulher do seu melhor amigo em 2013. Mas como todos somos também a antítese de nós próprios, quando não o fazemos forçados ou por conveniência, este produtor musical provou ser solidário com aqueles que sofrem, ao oferecer 10.000 £ (11.232,93 EUR/44.037,58 BRL) de recompensa para quem encontrasse um Border Terrier, com 10 meses de idade, pertença de um menino de 3 anos a quem roubaram o pequeno cão e seu grande companheiro.
Ao que tudo indica, o cachorro saiu de casa e pouco tempo depois foi apanhado na estrada por dois homens que o encerraram dentro de um pick-up azul ou cinzenta, não se sabendo nada do animal depois disso. O desaparecimento e roubo do cachorro aconteceu antes do Natal e os pais de menino inconsolado, Amanda Hopkins e Richard Latter, de Marden, Kent, iniciaram desde logo uma campanha nos media sociais, campanha que mereceu a atenção e a generosidade de Cowell.
O pequeno Edward descobriu que o seu animal de estimação havia escapado aos seus raptores este fim-de-semana. Os seus pais receberam uma chamada telefónica de um casal que vivia a 20 milhas de distância, a dizer que encontraram um cão enlameado que parecia ser o do menino. Os pais da criança correram de imediato ao encontro do cão e verificaram que se tratava de “Morse”, o seu Border Terrier, que ao vê-los explodiu de alegria.
A senhora de 41 anos que encontrou o Morse, Michelle Holt, disse nada saber sobre a recompensa adiantada por Cowell, mostrando-se entusiasma com o regresso do cão à sua família. Como não podia deixar de ser, quem ficou mais radiante foi o pequeno Edward, por haver reavido o seu companheiro de pêlo crespo. Desconhece-se se a recompensa foi entregue à senhora que encontrou o Morse, mas sabe-se que a polícia anda a fazer todas as diligências para encontrar os seus raptores.
Tudo está bem quando acaba bem! Ao Cowell endereçamos o nosso “well done”, desejando em simultâneo as maiores felicidades para o pequeno Edward na companhia do Morse (oxalá nunca mais se separem!).

CHIES QUE NÃO CHIES, TENS QUE FAZER A TUA OBRIGAÇÃO!

No tempo em que o papel higiénico não abundava e a maioria dos homens trabalhava no campo, um deles foi acometido por uma forte dor de barriga. Apressado, dirigiu-se a um sítio meio escondido rodeado de calhaus. Depois de aliviado e por engano, pegou num sapo ao invés de pegar numa pedra para se limpar. O anuro ao sentir-se apertado chiou, merecendo do homem o seguinte comentário: ”Chies que não chies, tens que fazer a tua obrigação!” À imitação deste pobre homem, há por aí muita gente que força os cães a ser o que não são, a aceitarem serviços para além da sua aptidão, somente por lhe terem vindo calhar à mão!

domingo, 14 de janeiro de 2018

COMO IR AO MULTIBANCO SEM QUALQUER PROBLEMA

E se um não bastar arranjam-se dois!
Há remédio para tudo menos para a morte!

DEVO DAR CARNE CRUA AO MEU CÃO?

Esta é uma velha questão que divide canicultores, adestradores e proprietários caninos, todos eles preocupados com o bem-estar, saúde e uso dos seus cães, considerando os possíveis benefícios de tal dieta ou dietas para os animais. No dia 11 do corrente mês saiu um artigo na revista “Veterinary Record”, de uma equipa de investigadores sedeados na Holanda, onde se alerta para os riscos das dietas à base de carne crua a ministrar aos cães, as chamadas “RMBDs” (Raw Meat-Based Diets), hoje muito em voga. Segundo estes investigadores, estas dietas podem estar contaminadas com bactérias e parasitas zoonóticos capazes de colocar em risco a saúde de pessoas e animais.
A equipa de investigadores chefiada por Paul Overgaauw, da Universidade de Utrecht, teve como meta determinar a presença de quatro bactérias zoonóticas e duas espécies de parasitas em RMBDs comerciais, à venda em supermercados e lojas de animais, analisando 35 RMBDs comercialmente congeladas, de 8 marcas diferentes e à venda por toda a Holanda. A bactéria Escherichia coli O157 foi encontrada em oito produtos (23%), algumas espécies de Listeria estavam presentes em 15 produtos (43%) e Salmonella em 7 produtos (20%). Importa dizer que as infecções por E Coli O157 e Salmonella em seres humanos estão associadas a doenças graves.
Quadro dos produtos analisados (11%) continham o parasita Sarcocystis cruzi e outros quatro Sarcocystis tenella. Em dois produtos (6%) foi encontrado Toxoplasma gondii. As espécies Sarcocystes não são zoonóticas mas são um sério risco para as explorações pecuárias. Já o T gondii é uma zoonose capaz de transmitir grande número de doenças aos humanos. Os investigadores reconhecem o tamanho relativamente baixo das suas amostras (dos produtos congelados no seu estudo), o que não os impede de adiantar que muitas RMBDs têm um variedade de patógenos bacterianos e parasitas zoonóticos capazes de causar infecções bacterianas em animais de estimação, que uma vez transmitidos, poderão representar sérios riscos para os seres humanos.
Por outro lado e ainda segundo os mesmos investigadores, gatos e cães que comem dietas de carne crua são mais propensos a serem infectados com bactérias resistentes aos antibióticos do que aqueles que comem dietas convencionais, o que pode representar um sério risco para a saúde animal e para a saúde pública. Descrevem ainda várias maneiras dos donos dos animais e restante família serem contaminados por esses agentes patogénicos, nomeadamente através do contacto directo com o alimento, com um animal de estimação infectado, com superfícies domésticas contaminadas ou comendo alimentos humanos contaminados. Terminam sugerindo que os donos dos pets deverão ser informados dos riscos associados à distribuição da alimentação RMBDs, que deveriam ainda ser educados sobre higiene pessoal e o adequado manejamento de dietas com carne crua, avisos e instruções que a seu ver deveriam ser incluídos nas etiquetas desses produtos.
Se as desvantagens das dietas com base em carne crua foram agora denunciadas, contudo, falta ainda comprovar com evidências as suas vantagens, o que não impede obviamente a sua proliferação. Por que razão ou razões tantos insistem em distribuir carne crua aos seus cães? As razões são várias e a primeira resulta da tradição, que nunca se escandalizou com a entrega aos cães das vísceras e dos ossos frescos dos animais abatidos. Os cães por seu lado mostram um apetite voraz por este tipo de comida e há sempre donos prontos a satisfazer-lhes esse atávico desejo. E quando assim acontece, junta-se o útil ao agradável, porque o penso é barato, prático e dispensa qualquer tipo de confecção, o que é óptimo para gente que detesta ser incomodada ou que tem mais que fazer.
Haverá alguma razão operacional sobre a distribuição de dietas com base em carne crua? Sim, não uma mas várias e há muito comprovadas, razões que valorizam prioritariamente o uso dos cães, muitas vezes a despeito do seu próprio bem-estar (muitos cães sofrem de insuficiência pancreática exócrina (IPE) e de alergias alimentares). Estamos a falar do fortalecimento de carácter e do aumento da bravura visando acções de caça, defensivas e ofensivas, uma vez que a avidez pelo alimento irá provocar a sua defesa desassombrada a distâncias cada vez maiores e despertar nos cães uma autonomia irreverente e desafiadora, o que são péssimas notícias para os donos que temem confrontar-se com os seus cães.
Cão de guarda que prove sangue poderá nunca mais voltar a ser o mesmo e depois de lhe tomar o gosto, é possível que não queira outra coisa, procurando-o quando necessitado em animais dentro e fora de casa e até em pessoas, particularmente estranhos com uma apresentação menos confiante (medrosos, cinófobos, acamados, idosos e crianças), o que torna o roubo do penso cru numa manobra assassina de indução defensiva. Dentro deste contexto não é de estranhar que gente menos escrupulosa dê carne de porco crua aos seus cães por achá-la similar e indutora à humana, parecer que alguns canibais parecem já ter comprovado. 
Assim, a distribuição de pensos RMBDs (de carne crua) não é só prejudicial à saúde como pode alterar para pior o comportamento dos cães, apesar de tal não ser felizmente tão comum, não acontecer nas fêmeas e entre cães que foram castrados antes de atingirem a maturidade sexual. De qualquer modo há que ter atenção ao tipo de carne a distribuir (a carne crua de aves dificilmente contribuirá para o aumento da agressividade canina), pois há riscos que não vale a pena correr!

sábado, 13 de janeiro de 2018

SAIR À RUA EM DIA DE CHUVA & SALDOS

Na manhã deste Sábado, salpicada de aguaceiros breves, ao invés de irmos para a Serra, onde a lama esperava por nós, optámos por reforçar a obediência e a sociabilização dos nossos cães no meio da urbe, num dia pouco convidativo para os saldos que aconteciam um pouco por toda a parte, como senão estivéssemos em Janeiro e não importasse sacar das gentes as poucas migalhas que sobraram do Natal.
Com a Grande Avenida só para nós, optámos primeiro por tirar o “quieto” dos sítios mais impensáveis e mais convidativos à fuga, junto do borburinho das pessoas e dos seus afazeres. Depois evoluímos para junto das estátuas, certos da obediência dos cães e esperançados em tirar fotos curiosas como a seguinte, onde podemos ver a CPA Haia junto à estátua de uma voluptuosa senhora no centro de uma pequena Praça.
Debaixo do mesmo trabalho e esperança convidámos a SRD Hope para pousar junto doutra senhora num jardim mais movimentado, convite que a cadela aceitou ainda que com alguma desconfiança e uns tantos tremeliques, porque ainda lhe custa ficar a aguardar pela presença do dono. Apesar de tudo, foi a que teve maior aproveitamento no “quieto”.
Do “quieto” individual à distância evoluímos para a imobilização colectiva dos cães, colocando-os todos nos mais diversos patamares encontrados, para que menos temessem ou desconfiassem das pessoas à sua volta. No seguimento da nossa rota encontrámos um painel solar para uso municipal e ali mesmo imobilizámos uns cães por algum tempo.
Dali passámos para umas caixas de electricidade (iluminação) de diferentes tamanhos, distribuindo os cães de acordo com a sua capacidade de salto, obviamente que o Bor ficou na caixa mais alta, porque salta qualquer uma quase parado e sem lhe meter os pés em cima.
Quando nos cruzámos com outros cães ou com outros animais, aproveitávamos a ocasião para familiarizar os nossos cães com eles, acalmando-os, felicitando-os ou advertindo-os de acordo com as suas respostas. Na foto abaixo podemos ver o binómio João Graça/Hope a desenvolver essa tarefa diante de um pequeno bando de pombos, que indiferentes a sua presença tomavam deliciados o seu banho matinal numa poça de água.
Como os cães no Sábado anterior deram mostras de não gostar de ciganos, pormenor que muito desagradou a um que connosco se cruzou, hoje convidámos um primo desse cavalheiro para nos ajudar na sociabilização dos animais, convidando-o para que sentasse no meio deles enquanto fazia uma pausa na venda de óculos, relógios e perfumes, tudo produtos da melhor procedência e vendidos dentro da maior legalidade, segundo nos fez saber.
Continuando o processo de sociabilização encetado em torno das minorias raciais, aproveitámos a passagem de um sikh entregue à conservação de jardins e pedimos-lhe que tirasse uma foto junto da CPA Haia, já que de momento tal não é possível com o Bor. Tudo correu sem novidades e no final o bom indiano ainda nos agradeceu.
Depois aproveitámos um caracol para arrumação de bicicletas como túnel, convidando os cães presentes para a sua passagem, primeiro à trela e depois em liberdade. O primeiro cão a fazê-lo em liberdade foi a SRD Hope e outros logo seguiram o seu exemplo.
A CPA Haia está a melhorar a olhos vistos, tanto na obediência como na ginástica, comportando-se como não era seu hábito e imprimindo muita alegria a tudo que faz, mormente na ginástica onde apresentava sérias dificuldades.
O CPA Bor, como é sabido, está na ginástica como peixe dentro de água e até consegue acertar quando o seu dono erra. Na foto abaixo podemos ver o seu condutor atrasado e a apontar com o indicador esquerdo na direcção contrária à requerida ao cão. Afortunadamente o CPA não olhou para o lado e borrifou-se nas indicações do seu líder. Estaria o Paulo a trabalhar por antecipação e a dizer para o Bor que iria repetir o exercício? Estaria a reagir a alguma provocação? Só o Paulo sabe!
Quando menos esperávamos, encontrámos um grupo de escuteiros de várias idades e pedimos-lhe que colaborasse connosco na sociabilização dos cães, instando para que os acariciassem e posassem com eles, pedido que foi prontamente aceite e com muita alegria. E como “de pequenino se torce o pepino”, começámos pelos mais novos.
Depois coube a vez às meninas, que de tão contentes que estavam, não conseguiram esconder a sua alegria. Vale a pena reparar no à vontade dos cães e na ternura das suas acompanhantes de ocasião. Esta terapia é indispensável para a protecção das crianças e controlo dos cães e, como tal, não a podíamos dispensar.
Logo a seguir às meninas convidámos outro trio para o mesmo efeito e a acompanhante que coube ao Bor acalmou-o de sobremaneira, como se ambos já se conhecessem há largo tempo. A Hope está tão descontraída que até bocejou e a Haia nem se mexeu, apesar da menina ter pegado na trela ao contrário (não foi culpa dela, ninguém nasce ensinado!).
Sucedeu-se novo trio e desta fez fardado a rigor, os cães não estranharam a farda e os seus acompanhantes não rejeitaram a incumbência, formando homens e cães binómios que, sendo espontâneos, deram a impressão contrária, a de se terem constituído há muito.
Finalmente tirámos uma foto de grupo com todos os escuteiros junto dos cães, um registo para todos mais tarde recordarem, uma vez que estas fotos foram também enviadas aos escuteiros que tão generosamente nos ajudaram. Daqui agradecemos a sua disponibilidade e exemplo de vida. Voltaremos a encontrar-nos!
Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: João Graça/Hope, Nuno Falé/Haia e Paulo/Bor. Não sabemos exactamente o que se passa com o Tomás porque não compareceu. Continuamos à espera que a Tânia participe nos nossos trabalhos ao fim-de-semana e para a próxima contactaremos a Sónia e o Fred, a primeira para trazer o seu cão e o último para conduzir o CPA do Sr. Manuel Delgado. De hoje a oito dias abraçaremos outros desafios e esperamos vencê-los como fizemos hoje.