sábado, 23 de dezembro de 2017

LOS DOS DE NICARAGUA

Hoje tivemos os nossos dois primeiros leitores de Nicarágua, um país da América Central, situado entre o Caribe e o Pacífico, agora independente e outrora colónia de Espanha. País de clima tropical, com chuvas em Outubro e Maio, tem montanhas vulcânicas activas paralelas à Costa Ocidental e o Sul dominado pelos Lagos Manágua e Nicarágua.
A agricultura é a sua principal económica (culturas e pecuária) e o turismo a segunda. Trata-se de um país multi-étnico, com 69% de mestiços, 17% de europeus e 9% de índios e africanos, com gente simples e hospitaleira, governado por uma república presidencialista eleita de cinco em cinco anos. Como curiosidade adianta-se que o seu hino nacional, “Salve a ti Nicaragua”, é o hino mais curto da América e o único que não se inspirou na “Marselhesa”.
Pondo de parte as belezas naturais da Nicarágua, que não são poucas, e as múltiplas ofertas que tem para quem a visita, chamamos de bem-vindos os dois leitores daquele país que se interessaram pelo nosso blogue, desejosos que outros compatriotas seus manifestem idêntico interesse e enriqueçam o intercâmbio cultural que procuramos com as nossas publicações. Por eso, sean bienvenidos y vuelvan siempre! 

UMA ÁRVORE DE NATAL DIFERENTE

Dedicámos este Sábado soalheiro (estamos na antevéspera do Natal?) à sociabilização, à técnica de condução e alguns exercícios de endurance, para além de reforçarmos o comando de “quieto” que parece inimigo do binómio Paulo/Bor. Tirámos também várias fotos de conjunto como a de cima, em que “fizemos” uma árvore de Natal diferente, com cães no lugar de luzes, sinos e bolas resplandecentes. O primeiro exercício da manhã foi um Slalom constituído por pequenas verticais. A SRD Hope acabou por fazê-lo em liberdade e os outros cães não apresentaram qualquer dificuldade. Na foto abaixo podemos ver o Fred a executar o exercício com o CPA Blaze.
E porque o CPA Bor teimava eu não ficar quieto, foi convidado a permanecer imóvel em todo os quadros que encontrámos, umas vezes sozinho e outras acompanhado, conforme se pode ver na foto seguinte, em que teve a companhia da SRD Hope.
Aproveitámos depois os bancos de um jardim mais adiante para reforço do “quieto”, sentando todos os cães à volta de uma mesa, que a avaliar pela fotografia abaixo, parecem estar descontentes uns com os outros, o que não aconteceu.
Com o rio na frente, valemo-nos de uns bancos corridos na sua margem para reforço do comando se salto (“up”). A distância a saltar não excedeu os 80 cm e os bancos de pedra não ultrapassavam os 50 cm de altura. Contudo, do outro lado estava o rio e a água devia estar gelada. Afortunadamente ninguém foi ao banho e apenas o Blaze mostrou algumas dificuldades iniciais, tanto suas como de quem o conduzia. Como de costume, o CPA Bor saltou aquilo ”com uma perna às costas”.
A CPA cinzenta HAIA, propriedade do Nuno Falé e que ele conduz, tenho melhorado substancialmente no treino, não apresentando dificuldades na ginástica e assimilando os comandos de obediência com a maior naturalidade, carece ainda de maior sociabilização porque não perde “um pé de dança”. Na foto seguinte podemos vê-la com a atenção que a caracteriza, sempre pronta para o que der e vier.
Aproveitámos uma estrutura metálica na calçada para executarmos os comandos de “abaixo” e “quieto”. Depois disso colocámos os CPA´s Bor e Blaze debaixo dela para a fotografia.
E como o CPA Bor tem-se revelado um passarão e o seu dono uma ave de capoeira, quase em desespero, mandámos o Pastor Alemão ouvir os conselhos de um pintassilgo estampado num mural. Será que valeu a pena? Para a semana saberemos a resposta!
Também o CPA Blaze foi convidado para uma pintura mural, pintura essa que parece sugerir ao cão que se aprume, “que abra o olho” e que não adormeça na forma, porque se encontra bastante destreinado, de rim exageradamente adelgaçado e com pouca ou nenhuma vontade de trabalhar.
E como os nossos cães são uns verdadeiros artistas de rua, nada mais natural do que convidá-los a posar junto duma pintura representativa de outro grande artista, um actor português já falecido, bastante conhecido e amado pelo público.
Como menos esperávamos, no meio das nossas andanças, deparámo-nos com uma Pick-up que parecia estar à nossa espera. Num abrir e fechar de olhos, dissemos ao Paulo que a transpusesse com o Bor. Ordem dada, ordem cumprida, conforme atesta a foto seguinte.
E como não gostamos de perder pitada, tirando partido de umas caixas de iluminação pública, fizemos mais um quadro fotográfico com os 4 cães, colocando cada um deles onde se sentia mais confortável.
Ainda houve tempo para executarmos um “binómio estátua”, apesar do “cão-estátua” de estátua não ter nada. Ficaria por certo mais sossegado e cómodo debaixo das penas do seu dono, como é hábito de ambos e sua imagem de marca (salva-se a fotografia).
Participaram-nos trabalhos os seguintes binómios: Fred/Blaze; João Graça/Hope; Nuno Falé/Haia e Paulo/Bor. Aos binómios que não compareceram desejamos-lhes Boas Festas, um feliz Natal e boas entradas.
Para a semana trocaremos de ecossistema e aplicar-nos-emos noutros anfiteatros operacionais, sempre apostados na melhor adaptação dos nossos cães e tirando partido das suas mais-valias. Feliz Natal para todos.

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país obedeceu à seguinte ordem:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Rússia 4º Estados Unidos, 5º França, 6º Espanha, 7º Ucrânia, 8º Quénia, 9º Angola e 10º Reino Unido. 

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ QUEM DÁ E TIRA, AO INFERNO VAI PARAR, editado em 28/11/2014
3º _ NÃO DEMORARÁ MUITO, editado em 15/12/2017
4º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2013
5º _ O CÃO: THE GREAT PRETENDER, editado em 28/11/2014
6º _ QUE CÃO ESTÁ NAS ARMAS DE ALENQUER?, editado em 19/12/2017
7º _ BANKHAR: O LANDRACE MONGOL, editado em 19/12/2017
8º _ AMERICAN NIGHTMARE, editado em 21/12/2017
9º _ MENSAGEM DE NATAL, editado em 22/12/2017
10º _ TEM DONO QUE É CEGO!, editado em 18/12/2017

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

POR ONDE ANDARÁ O TEXAS DE DANBURY?

Um Bloodhound de 2 anos de idade, chamado Texas, propriedade da Polícia do Estado de Connecticut/USA, cujo treino custou mais do que 20.000 dólares, atribuído ao soldado de 1ª Classe Edward Anuszewski desde Agosto de 2016, desapareceu no final do dia desta Quarta-feira, quando realizava uma operação de busca num bosque perto de Wooster Mountain State Park e numa floresta junto à estrada de Sugar Hollow nos arredores da Cidade de Danbury. A pessoa perdida na Floresta foi encontrada, tratava-se de um homem de 42 anos, autista, que fugiu para o citado bosque depois duma zangada com a mãe. O cão desapareceu sem deixas rasto!
A Polícia estadual suspendeu as buscas pelo cão no final do dia de ontem, não sem antes ter passado o dia inteiro a procurá-lo dos dois lados da estrada de Sugar Hollow Road, ocasião em que também utilizou para esse efeito o helicóptero da polícia estadual ”Eagle One”, aparelho equipado com uma camera de infravermelhos para detectar sinais de calor no solo. Hoje retomou as buscas e até ao momento sem sucesso, do Texas, o Bloodhound treinado para localizar pessoas perdidas ou desaparecidas, não há sinal!
Visando o retorno mais célere do cão, a polícia enviou um alerta telefónico automático para os residentes daquela Cidade, adiantando que desapareceu com uma longa trela verde agarrada e que tinha o emblema da polícia na sua coleira. Disse ainda que o animal não é agressivo e que caso alguém visse, que ligasse para o número 203 797 4611 da polícia de Danbury. Como a floresta ao redor de Sugar Hollow Road é o lar de uma grande população de coiotes, caso o Texas fique preso pela trela, o seu futuro não será o mais auspicioso, receio que a polícia também manifestou.
Bem sei que só nos rimos com o mal dos outros, mas os Estados Unidos não param de nos surpreender, porque lá tudo acontece, desde veterinárias que matam cães e gatos a cães de busca que desaparecem. Haverá naquela floresta algo parecido com o “Triângulo das Bermudas” ou terá o prestável Bloodhound caído de amores por uma fêmea coiote mais desinibida? Oxalá seja encontrado quanto antes, porque doutra maneira lá teremos mais um morto em serviço, o que ninguém deseja. A melhor prenda de Natal para a polícia de Danbury e para o Soldado Anuszewski será o retorno pronto do Texas, são e salvo.

MENSAGEM DE NATAL

Eis-nos no Natal mais uma vez, época de grande alegria para alguns, de grande tristeza para muitos, de boas recordações para uns tantos e de triste e má memória para outros, sendo-lhe a maioria das gentes indiferente ou quase indiferente. Não faltará neste Natal, como não faltou nos outros, alguém para me recordar que ele foi posto no lugar da festa maior do paganismo romano e que não se sabe ao certo quando Jesus nasceu, lembretes que nunca pedi e que sempre visam desacreditar a fé que tenho no Salvador do Mundo: Jesus Cristo. Se a fé que tenho não fosse dom de Deus, por certo já estaria há muito confundido.
Todos os dias são dias de qualquer ou para qualquer coisa, praticamente em todos se comemoram feitos, datas e centenários, efemérides bem menores que o nascimento de Jesus Cristo, a encarnação de Deus dada ao mundo para salvação da humanidade, o que equivale a dizer que a nossa vida não acaba aqui e que outra melhor sucederá a esta, esperança que lamentavelmente não habita nos que desprezam Deus e a obra redentora do Seu Filho, que veio ao Mundo para nos reconciliar com o Pai. E se tudo começou com o seu nascimento, porque não haveremos de celebrá-lo? A sua chegada não é uma manifestação suprema do Amor de Deus?
Confiado nesse Amor dispenso as prendas, porque Deus deu-me a maior de todas; mesmo que não tenha ninguém sentado ao meu lado, jamais estarei só porque Deus está comigo. O meu Natal não acaba a 6 de Janeiro, Dia de Reis, é uma celebração contínua e eterna, uma dádiva de gratidão a Cristo, cujo nascimento agora celebramos. E sabem que mais? Natal sem Cristo é nada e é tudo menos Natal! A gratidão que sinto pela salvação e protecção divina leva-me a convidar outros sem excepção para a mesma experiência, porque o Natal é universal – Cristo veio para todos!
E se assim é, por que razão ou razões tantas pessoas abominam a época natalícia? Basicamente pela ausência de amor ao próximo que exala hipocrisia, que leva ao sectarismo de alguns e à ignorância de muitos, porque quem o havia de anunciar remete-se por norma a um ritualismo estéril, outros guardam o Natal só para si e para os seus e a grande maioria não sabe qual o seu real significado para a Humanidade, pelo que importa dizer que não estamos sós, Cristo (Emanuel) já veio e está connosco (Mateus 1:23). Diante deste panorama, não restam dúvidas: o Ocidente está necessitado de ser outra uma vez evangelizado!
E enquanto isso não suceder, o Natal continuará a ser a festa maior do consumismo (há mais gente nos shoppings que nas igrejas), um pretexto para a apostasia, o melhor dos sinónimos para a hipocrisia, uma excelente ocasião para a ostentação e para a vaidade, um fechar de olhos para o sofrimento que nos rodeia, uma porta fechada para quem precisa do nosso auxílio e um profundo desrespeito pela vinda de Jesus ao mundo, que encarnou para nos livrar desta carga e tropeço.
Bom Natal significa que Deus reconciliou o Mundo consigo, que através de Cristo temos paz com Deus e que tendo-a com o Pai somos convidados a estendê-la a todos os homens. Desejamos a todos os leitores deste blogue um Bom Natal, que o Menino Jesus que agora celebramos, os acompanhe para toda a vida e os conserve debaixo das suas promessas no caminho que nos leva à Vida Eterna. 

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

SOLSTÍCIO DE INVERNO

Hoje é o dia mais curto do ano e a noite mais longa, porque chegou o Solstício de Inverno, data associada a manifestações pagãs que se perdem pelos tempos da antiguidade e que alguns teimam em perpetuá-las. Hoje, como nos anos anteriores, um grupo de entusiastas místicos deslocou-se a Stonegenhe/Inglaterra para celebrar ali o “Gladius”, festa pagã associada ao culto dos ancestrais e que poderá ir pela noite dentro.
Por cá, porque em matéria de paganismo não ficamos atrás de ninguém, herdámos crenças de toda a parte e sobram-nos novos feiticeiros, costuma-se celebrar o “Yule Ibérico”, organizado conjuntamente pela Ordem Portuguesa de Wicca e pela Ordem Espanhola de Wicca.
E nós o que celebramos? A dobragem de mais um Solstício de Inverno pela Graça de Deus e a celebração do Nascimento do seu Filho. E quem não acredita em coisa nenhuma? Se for gente, deve estar contente por se encontrar bem; se for cão, não se sentirá mal também.

AMERICAN NIGHTMARE

Kelly Folse, uma veterinária da Louisiana com 35 anos de idade foi presa na última Terça-feira na cidade de Meredith e acusada de crueldade animal agravada por supostamente ter abatido o cão de uma vizinha com um tiro na cabeça. O animal chamava-se Bruizer, era um Bulldog Americano, tinha 15 meses de idade e pertencia a uns vizinhos de River Ridge. Antes da morte de Bruizer, a tresloucada veterinária enviou mensagens “hostis” a um dos vizinhos acerca do ladrar inconveniente do cão, segundo fez saber o Sheriff de Jefferson Parish, Joseph Lopinto, durante uma conferência de imprensa. A Família de Folse disse à estação local de notícias, WWLT-TV, que ela uma amante de animais e que as acusações de que é vítima são ultrajantes.
Bruizer morreu faz hoje uma semana, no dia 14, um dia depois de ter sido encontrado no quintal da sua casa com um ferimento de bala. A sua dona, a Srª Stacy Fitzner, disse ao Canal Fox 8 que o havia deixado no quintal quando foi trabalhar. 
Ao regressar no mesmo dia a casa, reparou que o cão não se mexia e que permanecia deitado e imóvel na relva. Quando se acercou dele viu que se encontrava rodeado de sangue. Bruizer foi de imediato enviado para uma clínica veterinária, onde viria a morrer como consequência dos seus ferimentos. Embora tenha sido enviado para a mesma clínica onde Folse trabalhava, “Abadie Veterinary Hospital”, ela não esteve envolvida no seu tratamento.
Segundo a WWLT-TV, quando os investigadores falaram com os proprietários de Bruizer, depararam-se com uma série de mensagens ameaçadoras remetidas por Folse, onde se queixava do excessivo ladrar do cão e da sua agressividade. O Sheriff Lopinto disse na conferência de imprensa que os investigadores não encontraram evidências de que o cão se comportasse de modo agressivo. 
Por seu lado, o Dr. Scott Abadie, proprietário do Hospital Veterinário Abadie, disse que demitiu Folse no mesmo dia em que Bruizer morreu, logo após os seus proprietários lhe terem mostrado as mensagens de texto “totalmente inapropriadas e repugnantes” que enviou acerca do desafortunado cão.
Abadie disse ainda a WWLT-TV que algumas das declarações feitas por Folse sobre o cão não se coadunavam com o seu parecer e com o parecer do seu corpo clínico, pelo que optaram despedi-la. Na Terça-feira, numa entrada no Facebook, o mesmo responsável pelo hospital veterinário, disse que todos ali se encontravam “chocados e desgostosos” com o sucedido. Para além da acusação de crueldade animal, Folse enfrenta acusações adicionais de disparo ilegal de arma de fogo (disparou perto duma escola) e de posse de várias drogas!? 
O caso é uma reminiscência do incidente ocorrido em 2015 que envolveu uma veterinária do Texas, Kristen Lindsey, que matou um gato com arco e flecha. Contudo, com uma diferença, Folse não admitiu ter matado o cão e Lindsey gabou-se ter eliminado o gato, ao ponto de ter escrito numa foto gráfica do Facebook a seguinte legenda: “O prémio do veterano do ano…aceitou de bom grado”.
No comments!  

UNDER THE LAW OF THE POTATO PEELER

Primeiro vamos de falar de Rusholme, um Município de Manchester onde tudo se passou e que dista duas milhas do centro desta grande metrópole inglesa. Rusholme é um lugar multi-étnico, está cheio de estudantes e segundo um estudo de segurança estudantil recente da União de Estudantes da Universidade de Manchester, 90% deles são vítimas de crime. Os crimes mais comuns contra os estudantes são os sexuais. Um em cada dois alunos são vítimas de crimes desta ordem, crimes que atingem três quartos das mulheres. Para além disto, apesar de nos últimos anos os incidentes de tiroteio terem diminuído, Rusholme ainda não se libertou do problema das armas e de uns tantos rufias constituídos em gangues (cool place to live!).
Connor McNally, um jovem de 20 anos, que pela cara e pelos actos parece ser bem mais novo, decidiu assaltar um mini mercado (Paradise Mini Market) em Rusholme, valendo-se de um descascador de batatas, porque pretendia arranjar dinheiro para comprar um cão até ao Natal, para substituir o que a sua mãe havia perdido duas semanas antes. O rapazola, que se encontrava desempregado, acabou por sair daquele estabelecimento comercial com 180 libras esterlinas. Infelizmente para ele, veio a ser detido por alguns moradores do bairro perto de um talho, onde manietado pelos populares ficou a aguardar a chegada da polícia. Quanto ao mini mercado assaltado, foi a segunda vez em dois anos que tal aconteceu, o que deixou a sua proprietária, Marym Hassan, aterrorizada.
A mãe do assaltante “à mão armada”, Maxine (na foto abaixo), que chegou a viver com o um tal de Christopher Lynch, que foi esfaqueado quatro vezes e que acabou assassinado na sua própria casa em 2010, trágico incidente a que também assistiu o seu enteado e jovem assaltante, ficou profundamente abalada com o sucedido, entrou em depressão e foi obrigada a mudar de casa, encontrando depois algum conforto junto de um Bull Terrier, de nome Kenny, que a família lhe ofereceu. Infelizmente, o cão acabaria por morrer duas semanas antes do assalto ao mini mercado.
Apostado em encontrar um cão para a mãe e sem dinheiro, Connor McNally, que ainda tentou arranjar trabalho na “Amazon” online sem sucesso, optou pelo fracassado assalto que perpetrou com um cúmplice. Quando foi travado pelos residentes locais, ele disse-lhes que podiam pontapeá-lo à vontade, sugestão que não aceitaram por se contentarem com a chegada da polícia. Connor admitiu o roubo e o Tribunal da Coroa de Manchester condenou-o a três anos de prisão efectiva. Diz-se neste momento arrependido do que fez e promete vir a ser melhor cidadão, promessa que dificilmente cumprirá depois de estagiar três anos no lugar onde está. Depois do que narrámos, uma pergunta fica no ar: não haveria naquela área nenhum abrigo para animais com cães para adopção? Quando notícias destas saem a lume sempre ouvimos alguém dizer: abençoado Brexit!”

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

DUAS PIADAS PRÁ SEMANA

Chamem-lhe parvo!
Não sei porquê nem onde, mas parece-me já ter visto isto em algum lado!

IRISH WOLFHOUND: A ILUSÃO DE SER GRANDE

Hoje vamos falar de um cão que começou por ser um landrace, desapareceu no Séc. XVIII e que reapareceu como raça no Século XIX: o Irish Wolfhound. Não se sabe ao certo quais foram as origens deste lebrel gigante. A maioria dos especialistas acredita que os seus ancestrais tenham vindo do Médio-Oriente e tenham sido transportados para as ilhas Britânicas pelos navegadores fenícios há 3.000 anos atrás. Cães que alguns julgam terem sido cruzados com grandes mastins locais para se alcançar um galgo gigante e que outros dizem ter resultado em parte da contribuição do Irish Sheepdog e do Scottish Deerhound.
Independentemente das suas origens, certo é que o Irish Wolfhound já era conhecido no ano 391 d.C., já que foi nesse ano que um cônsul romano recebeu da Irlanda vários cães destes como prémio, causando grande espanto e agitação entre os romanos da época. Durante os séculos seguintes, os Irish Wolfhounds, ao caçarem em matilha, foram apreciados como caçadores de lobos e de alces irlandeses gigantes. E foram tão proficientes no seu trabalho, que no final do Séc. XVIII já pouco tinham para caçar.
Crê-se que o último Irish Wolfhound morreu nas montanhas de WIcklow em 1770, muito embora haja quem acredite que alguns deles permaneceram no Condado de Carlow até 1786. Três factores contribuíram definitivamente para o desaparecimento deste lebrel gigante: a extinção do lobo e do alce irlandês, a exportação massiva de exemplares para o estrangeiro e a Great Irish Famine (A Grande Fome na Irlanda), que ocorreu entre 1845 e 1852, cuja principal consequência foi a emigração massiva de irlandeses, diáspora que reduziu a população da Irlanda a 20 ou a 25%.
Em 1862, um capitão escocês do exército britânico, George Augustus Graham, decidiu dedicar a sua vida a salvar da extinção o Irish Wolfhound. Ao reunir a totalidade dos poucos exemplares que pôde encontrar, é possível que os tenha cruzado com o Scottish Deerhound, Dogue Alemão, Borzoi, Montanha dos Pirinéus e com o Mastim Tibetano. Não há acordo entre os especialistas da raça acerca do trabalho de Graham, porque uns dizem que restaurou a antiga raça e outros que criou uma nova, o que não impede que tenha recuperado ou criado uma raça única para o melhor para o pior. Em 1885, o clube raça irlandês foi criado e o primeiro estalão da raça foi elaborado sob a tutela de Graham. O Kennel Club Inglês viria a reconhecer o Irish Wolfhound em 1925.
O moderno Irish Wolfhound já não é o imbatível caçador e guardião de outrora que atemorizou os antigos romanos mas um cão de companhia como tantos outros, apesar de substancialmente mais alto. A sua mansidão e tranquilidade fazem dele um companheiro maravilhoso, desde que tenha um espaço cercado onde possa brincar e galopar livre e frequentemente. Animal próprio para os shows de conformação, o Irish Wolfhound destaca-se dos demais pelo seu tamanho nos concursos em que participa.
Em 1902 um Irish Wolfhound foi apresentado como mascote para o Royal Irish Regiment pelos membros do Irish Wolfhound Club, que esperavam com isso aumentar a popularidade da raça. O nome do primeiro mascote foi Brian Boru. Em 1961, o cão-lobo foi admitido no selecto clube de mascotes "oficiais" do Exército britânico, o que lhe valeu o acompanhamento e os bons serviços do Corpo Veterinário do Exército Real, bem como a higiene, o alojamento e a alimentação a expensas públicas.
Originalmente, o mascote estava entregue aos cuidado de um baterista da Irish Guard, mas agora é cuidado por um dos bateristas do Regimento e pela sua família. Os guardas irlandeses são o único Regimento dos Guardas que permite ser guiado em desfile pelo seu mascote. Durante o “Trooping the Color”, o mascote só acompanha as tropas entre Wellington Barracks e Horse Guards Parade. O actual Irish Wolfhound do Regimento chama-se Domhnall. O seu antecessor, Conmael, fez sua estreia no Trooping the Color em 13 de Junho de 2009. No final de 2012, a cadela Conmael foi aposentada e substituída pelo novo Wolfhound Domhnall.
Quanto ao temperamento, o Irish Wolfhound é um cão introvertido, silencioso, inteligente e de carácter reservado. Como é um cão que cria fortes laços afectivos com os seus donos, o que à partida o torna menos adaptável, pode tornar-se destrutivo quando deixado só por longos períodos. Como não é um animal territorial, faz amizade facilmente com estranhos e não está minimamente interessado em defender espaços, particularidades que automaticamente o afastam do serviço de cão de guarda (há excepções à regra). O seu comportamento com as crianças é por norma gentil e é relativamente fácil de ensinar, apesar de ter sido criado para ser independente e não para a parceria.
Falemos da saúde deste cão, que tem uma esperança média de vida curta, entre os 6 e os 8 anos, longevidade consistente com a maioria das raças de tamanho semelhante. Os defeitos ou distúrbios hereditários mais comummente encontrados, mas não necessariamente, no Irish Wolfhound são: dilatação gástrica e volvo intestinal (Bloat); cancro nos ossos; fibrilação atrial; cardiomiopatia; dermatites; hipotiroidismo; síndrome de imunodeficiência; osteocondrose do ombro; malformação vertebral cervical (síndrome de Wobbler); entrópio; eversão da cartilagem da membrana nictitante; cataratas; shunt porto-sistémico; displasia coxo-femoral; atrofia retiniana progressiva e Doença de Willebrand, mazelas próprias do eugenismo negativo que presidiu à moderna formação do Irish Wolfhound, que desconsiderou a sua histórica condição de Landrace.
Subsistem oito factos relacionados com o Irish Wolfhound que vale a pena conhecer, são eles: que estes cães conseguiam bater em corrida cavaleiros; que o grande chefe irlandês Fionn Mac Cumhall ao invés de usar carros e cavalos nas suas pelejas, deu a cada soldado a pé dois Wolfhounds; que Oliver Cromwell (importante militar e político inglês do Séc. XVII) decretou que os estes cães fossem proibidos fora da Irlanda depois que o seu número diminuiu drasticamente, salvando assim a raça; que a famosa Dorothy Osborne (ilustre escritora inglesa do Séc. XVII) solicitou um Irish Wolfhound a Henry Cromwell quando este a cortejava. Apesar de Cromwell lhe ter dado dois, ela não se casou com ele; que os Irish Wolfhounds de hoje são conhecidos como "gigantes gentis" e os seus antepassados como protectores ferozes; que os cães de cor azul foram proibidos e abatidos no passado, sendo agora aceites e muito comuns; que o Royal Irish Regiment do Exército britânico ainda usa um Wolfhound como uma mascote e que estes cães foram usados na Irlanda como cães de pastoreio, sendo apresentados às ovelhas por um cordeiro na cozinha, para que entendessem que as ovelhas pertenciam à família e não eram presas.
Depois do que foi dito e explanado, o Irish Wolfhound actual vale mais pelo que aparenta e não tanto por aquilo que é. Não obstante, adoro ver o Domhnall desfilar na frente da Royal Irish Guard, apesar de rebocar por vezes o militar que o traz à trela, o que para mim já não é razão de espanto, acostumado que ando às cegadas caninas que acontecem na Rendição Solene da Guarda ao Palácio de Belém, onde invariavelmente vejo condutores cinotécnicos militares acabrunhados, desengonçados e aflitos, como se tivessem chegado ali vindos da Calçada da Ajuda aos rebolões por má vontade ou desnorte dos cães.