segunda-feira, 19 de junho de 2017

PEDRÓGÃO GRANDE: LENHA PARA NOS QUEIMAR

Quando um terreno não dá para mais nada, não abunda em água, fica num local ermo e é de difícil acesso, plantam-se lá uns eucaliptos do jeito que der e por vezes contra o ordenamento dos pertencentes aos proprietários vizinhos. Para ajudar à festa, porque estas árvores crescem rapidamente e dispensam maiores cuidados, poucos são os que se preocupam com o mato circundante, que ali nasce, murcha e seca às camadas servindo em simultâneo de adubo prós eucaliptos e de combustível prós incêndios. Assim aconteceu mais uma vez, desta vez ao redor de Pedrógão Grande, onde deflagrou um grande incêndio florestal que matou mais de 60 pessoas, causou dezenas de feridos, devastou várias aldeias, queimou hectares infindos de floresta, deixou muita gente sem tecto e muitos sem coisa alguma – o fogo tudo levou!
Para que isto não volte a acontecer Verão após Verão, é importante relembrar que a desertificação está a invadir Portugal, urge fazer um ordenamento ou reordenamento florestal nacional, levantar leis eficazes para a protecção e alargamento das nossas florestas que desaparecem à medida que o fogo avança e que mais nos expõem aos malefícios da poluição. Continuar a consentir que qualquer um plante como lhe aprouver uma mata de pinheiros ou eucaliptos é “arranjar lenha para nos queimar”, pelo que importa regrar e estabelecer condições a quem deseja aumentar o nosso depauperado parque florestal.
Contrariamente ao que nos é dito pelos governantes, que raramente perdem o controlo das situações e a quem cabe serenar os ânimos populares, se nada se fizer neste sentido, não haverá Protecção Civil ou meios que nos bastem, porque sempre estaremos condenados a inválidos planos de contingência, que a priori só servirão para contabilizar as vítimas e inventariar os prejuízos.
Obsta à solução do problema o facto dos governantes serem eleitos pelo voto, pelo que evitam tomar medidas antipopulares, impedir os magros proventos de muitos e sobrecarregar de impostos quem tem sido tão espoliado. Porém, não nos resta outro remédio do que preservar e aumentar a nossa floresta, enquanto fonte de vida, arranjar-lhe meios de defesa e socorro mais eficazes para que perdure até às futuras gerações.
Ando à procura de alguém inteligente que me explique porque razão se deixa chegar a floresta e o mato até às estradas, uma vez que muitas das vítimas ocorridas no incêndio de Pedrógão Grande morreram quando intentavam escapar-se de automóvel pelas principais vias de acesso. No tempo em que o Alentejo era cultivado, nesta altura do ano e para evitar o pior, os feitores mandavam ceifar uma larga faixa das searas ao longo das estradas, não fosse algum cigarro dali vindo incendiá-las.
Sempre será mais fácil resolver os problemas relativos à nossa floresta do que os advindos da nossa baixa taxa de natalidade, porque a floresta sempre poderá ser replantada e ressurgir, enquanto uma taxa de natalidade de 1.1 significa que em escassas décadas a nossa identidade e cultura sucumbirão connosco. Das cinzas poderá erigir-se uma floresta mas jamais se erigirá ou perpetuará uma nação sem povo. Lamentam-se as vítimas do fogo, quem lamentará Portugal?

domingo, 18 de junho de 2017

OS 120 DA HOLANDA

Ainda o mês vai sensivelmente a meio, já o número de leitores holandeses deste blogue ultrapassa os 120, facto que muito nos agrada pela novidade, porque dos Países Baixos raramente tínhamos leitores.
No panorama da cinotecnia europeia, a Holanda desempenha um importante papel na recepção, selecção, aprimoramento e distribuição de cães de utilidade, fornecendo unidades militares, polícias, seguranças privadas e demais gente ligada aos cães de serviço por todo o Continente, mantendo também o circuito comercial entre os canicultores do Leste e os clientes ocidentais. Como a Holanda dispensa maiores comentários, estendemos aos holandeses que nos procuram um sincero “bem-vindo”. 

sábado, 17 de junho de 2017

OS BEBÉS AMISH SÃO MAIS SAUDÁVEIS DO QUE OS OUTROS, PORQUÊ?

Já se sabe qual a principal razão que torna os bebés Amish mais saudáveis do que outros: o convívio com animais de curral nos 3 primeiros meses de vida. Um estudo recente, editado no “New England Journal of Medicine”/USA, provou que tanto os animais de curral como os cães podem ajudar a fortalecer o sistema imunológico das crianças contra alergias e a asma, uma vez que as crianças que viviam perto dos animais tinham menos probabilidades de ter asma do que as residentes em explorações industriais sem animais, ficando isso a dever-se a um bioma mais diversificado – a uma comunidade natural de fauna e flora, segundo o parecer do Dr. Jack Gilbert, director do Centro de Microbioma da Universidade de Chicago.
Segundo o mesmo estudo, os cães podem transportar para dentro de casa mais bactérias e micróbios bons do que outros animais de estimação, porque saem e brincam ao ar livre por mais tempo, pelo que levar o cão à rua é também trazer saúde para dentro de casa!
O “New England Journal of Medicine” fez ainda saber que outro estudo concluiu que “a posse dum cão aumenta os níveis de 56 classes de espécies bacterianas no ambiente interno, enquanto os gatos naturalmente mais exigentes conseguem apenas impulsionar 24 categorias”. Como se calcula, nem todas as bactérias animais são boas e as dos gatos, sapos e tartarugas são menos úteis, conforme o parecer de investigadores e veterinários.
Neste momento os pesquisadores andam empenhados em descobrir quais os organismos que tornam as crianças mais saudáveis, no intuito de produzirem probióticos definidos para obterem o mesmo benefício.
Também importa saber se o sistema imunológico das crianças expostas ao contacto com os animais atrás citados (cães e gado) se mantém forte ao longo das suas vidas, hipótese ainda não testada. Finalmente, depois de haver domesticado o cão há 40.000 anos atrás, o homem tenta agora descobrir como os cães afectam a nossa saúde.
O que mais importa destacar de tudo o que fizemos saber é que o contacto das crianças com os cães é benéfico por fortalecer o sistema imunológico dos infantes. A mesma convivência é igualmente salutar para o equilíbrio psicológico e processo de amadurecimento das crianças. 

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O RANKING Semanal dos textos mais lidos encontra-se assim escalonado:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ CONHEÇA O SEU CÃO: A MÍMICA DA CAUDA, editado em 13/06/2017
3º _ SABE O QUE É O “EFEITO LASSIE”?, editado em 10/06/2017
4º _ SABER ESTAR NUMA ESPLANADA, editado em 12/06/2017
5º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
6º _ O MISTÉRIO DOS LOBOS DA MUXAGATA, editado em 07/96/2017
7º _ TIER-SPRECHSCHULE ASRA: AVANÇO OU LOUCURA?, editado em 12/12/2014
8º _ O CÃO LOBEIRO: UM SILVESTRE ENTRE NÓS, editado em 26/10/2009
9º _ ESTE SEBASTIÃO NÃO É COMO O OUTRO: SÓ COME QUANDO A DONA MANDA!, editado em 14/06/2017
10º _ O AZEITE PRÀS CARRAÇAS, editado em 24/06/2010 

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país obedeceu à seguinte ordem:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Holanda, 5º Alemanha, 6º Moçambique, 7º Reino Unido, 8º Espanha, 9º França e 10º Índia.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

CURIOSIDADES: QUANTOS CÃES SOBREVIVERAM AO NAUFRÁGIO DO RMS TITANIC

Dos 12 cães embarcados no RMS TITANIC apenas 3 sobreviveram ao seu naufrágio, ocorrido de 14 para 15 de Abril de 1912: um Lulu da Pomerânia, um Pequinois e um Terra Nova, salvos graças à persistência dos seus donos em carregá-los para dentro dos botes de salvamento. 

AQUILO QUE OS TRIBUNAIS DEVERÃO CONSIDERAR

Agora que na maioria dos países ocidentais os cães deixaram de ser frigoríficos e passaram a ser seres sensíveis, em caso de divórcio ou separação dos seus donos, a sua tutela, quando não há consenso entre eles, acaba por ser atribuída por decisão judicial a uns ou a outros conforme o parecer dos juízes, decidindo também quando é que os restantes donos poderão visitá-los e conviver com eles. Como seguimos o problema de perto e internacionalmente, temos tomado conhecimento de decisões judiciais a este respeito totalmente lesivas para os cães em questão e atentatórias à Declaração Universal dos Direitos dos Animais. Afinal, com quem deverão ficar os cães, tendo em conta o seu bem-estar e a ignorância de muitos juízes em tal matéria?
Ao contrário do que muita gente julga, os cães podem e devem ser ouvidos, dar o seu parecer, porque é a sua felicidade que está em jogo e não deverão ser vítimas daqueles desenlaces! Todos sabemos que os cães ficam totalmente baralhados quando obrigados a trocar de território e de líder, comportando-se como desterrados e abandonados, privados dum mundo que conheciam e obrigados a adaptar-se a outro que não pediram, vindo a adaptar-se mais facilmente à novidade do território que à troca de líder, porque só reconhecem um como tal, são seres sociais, interactivos e cúmplices. Serão ainda mais desse líder quando foi ele que os passeou e treinou, que os ajudou a vencer os seus erros, recompensou em função das suas vitórias e dividiu com eles as tarefas do seu agrado.
Assim, havendo essa hipótese, melhor seria para o cão ficar com o líder na casa que sempre conheceu. Caso isso seja impossível, o animal deverá partir com o seu líder para outra casa, o que tornará a sua adaptação ao novo território mais célere. A terceira hipótese a considerar e a que menos agrada ao cão, é ficar com o conjugue não-líder no mesmo território, o que o sossegará mas não impedirá que venha se sofrer pela ausência do líder e a abraçar um estado de letargia causado pela ansiedade da separação. Agora, nunca por nunca, deverá partir com o não-líder para outra casa, porque se sentirá profundamente, confuso e baralhado como se tivesse sido abandonado, a menos que o líder seja incapaz de assumir essa responsabilidade, prescinda dela, tenha abraçado outros interesses ou sofrido um súbito e duradouro distúrbio mental.
O que levará um não-líder a reclamar um cão, situação em tudo análoga à encontrada na célebre “Justiça de Salomão” relativa às duas mulheres que reclamavam a mesma criança? Como dificilmente será o amor pelo animal, há todo um conjunto de sentimentos negativos e conveniências dos quais se destaca a raiva, o desejo de vingança, a projecção social, a conservação do status e o vil metal, sem o qual não se vai muito longe e que pode concretizar muitos sonhos, sendo ao mesmo tempo responsável por muitas dissensões, desgraças e crimes. 
Oxalá aquilo que revelámos aqui hoje pese doravante no parecer dos juízes: os cães agradecerão! 

quarta-feira, 14 de junho de 2017

ESTE SEBASTIÃO NÃO É COMO O OUTRO: SÓ COME QUANDO A DONA MANDA!

O Sebastião que nos coube em sorte, entendido como criança logo que entrou no lar da família que o adoptou, tem por hábito rosnar e jogar-se contra quem lhe mexer nos brinquedos ou tentar tirar-lhe da boca as suas iguarias preferidas (ultimamente já nem deixava que lhe mexessem na coleira) e morder quem o importunar quando está ao colo da dona ou de outro membro do agregado familiar, chegando a morder inclusive quem o acaricia. Apostados na resolução do problema, começámos hoje por pô-lo a comer à ordem e não quando lhe dá na real gana, a comer só da mão da dona e a rejeitar as guloseimas dadas por terceiros, porque não gostaríamos de vê-lo envenenado, a continuar a agredir quem lhe quer bem e a ser como outro de quem se dizia ser comilão e comer tudo, tudo sem colher.
O pequeno Pinscher depressa aprendeu a lição e agora já é possível interromper-lhe a refeição e tirar-lhe a comida da boca. Amanhã o trabalho incidirá sobre a entrega dos brinquedos, para que aprenda a largá-los quando lhe é pedido ao invés de os defender literalmente com unhas e dentes. Este trabalho tem que ser levado a sério e carece de recapitulação, já que o Sebastião vai ter brevemente a companhia de uma bebé em idade de gatinhar, que possivelmente quererá dividir com ele os brinquedos de ambos.
A parte mais engraçada disto tudo e que muito agradou ao Pinscher foi o de haver comido um queque como recompensa, paparoca que engoliu praticamente sem mastigar (hoje já não deve comer muito mais!). Depreende-se pelo que acabámos de dizer que a tarefa foi alcançada pela recompensa e fixada por comandos próprios. Este Sebastião é o máximo, deixou de encenar a Batalha de Alcácer-Quibir em casa e está a comportar-se agora como um soberano ao serviço do povo que o sustenta – sem dúvida o rei diferente!

ÀS CADELAS COM A MANIA DAS PRESSAS NASCEM-LHES OS FILHOS CEGOS

Orgulho-me da minha procedência provinciana e rural de tal maneira que ainda tenho como lições de vida os aforismos que por lá ouvi, como é o caso do usado para título deste texto e que se aplica muito bem à situação que iremos descrever. Quem anda por cá há algum tempo a ensinar cães sabe e quem tem dois palmos de testa também consegue alcançar: os cachorros privados de qualquer tipo de educação sempre serão cães mal comportados e os cães parcialmente ensinados só obedecerão em circunstâncias particulares e resistirão à desejável coabitação harmoniosa, obrigando os seus donos a subterfúgios para não agravarem o seu comportamento. 
Não obstante, ainda há gente que reclama por brevidade no ensino do seu cão após ter ignorado a sua educação. Agora compreendo por que razão a personagem bíblica Job, de quem se diz ter tido uma paciência nunca vista, suportou todas as privações: ele não era adestrador canino e caso fosse, isso seria o culminar da sua desgraça, porque com maior facilidade vacilaria da fé que o sustentou.

O DONO DE PELO NA VENTA E CABEÇA DE FÓSFORO

Num quintal virado a norte, sombrio e bolorento, onde a erva de São Roberto, a alfavaca-de-cobra, as serralhas e os trevos sempre voltam a rebentar, um homem colérico decidiu plantar naquele exíguo espaço feijão-verde. Citadino por obrigação e com saudades do campo que o viu nascer, este nano-agricultor decidiu ainda colocar ali um cão jovem, irrequieto e pleno de vida, companheiro que muito raramente leva à rua para passear.
Compreensivelmente e para lhe chamar à atenção, mostrando assim e em simultâneo a sua insatisfação e revolta, o cão vai-se às canas do feijão e transforma os canteiros num autêntico “arraial de S. João”, recebendo como paga pelos seus actos também um arraial diário de pancada, o que não resolve a situação e que leva o indigno dono a exclamar: “ Ah seu filho de mãe deportada pró Brasil, não tens mesmo vergonha nenhuma!”.
Farto de assistir aquela cena, sempre acompanhada por algazarra, pauladas, gritos de dor e rosnadelas, no intuito de esclarecer e ajudar, depois de muito matutar, decidi dirigir-me àquele homem e explicar-lhe como resolver a situação sem incomodar os vizinhos e bater no cão. Falando pausadamente e em linguagem simples, porque me apercebi que era pouco letrado e tinha algumas dificuldades de apreensão, expliquei-lhe que os cães não se sentem culpados e que apenas temem a reprimenda, que se passeasse o cão diariamente durante uma hora, dificilmente o animal voltaria a jogar-se às canas.
Alguns segundos depois da minha exposição, o homem olhou para mim com um olhar de asco e disse-me: “ O cão e o feijão são meus e não fui eu que o chamei. Pois então, meta-se na sua vida e deixe-me em paz!”. Ao contar o episódio para uns amigos meus, houve quem me dissesse que deveria ter chamado a polícia, ao que eu contrapus que o que deveria ter chamado era o 112, uma vez que o homem era violento, tinha cabeça de fósforo e necessitava de acérrima terapia numa unidade de saúde mental.
Eu não chamei a polícia mas outros o fizeram, o homem foi constituído arguido, o feijão-verde seca por falta de água e o cão nunca mais foi visto, terá tido melhor sorte? Uma nota curiosa salta deste relato: apesar do que apanhava, o cão nunca deixou de gostar do dono! O que interessa guardar desta história verídica é que os cães não se sentem culpados e que apenas temem o castigo, uma vez que não têm sentimento de culpa, conforme foi provado cientificamente em 2009 pela pesquisadora Alexandra Horowitz, do Barnard College, em New York. Aquele olhar de “culpados” que os cães comummente manifestam, afinal não passa de temor pela reprimenda ou do castigo. Assim, Mais vale respirar fundo e reflectir que levantar a mão pró cão e vir a arrepender-se da sua burrice. 

COMO DIFERENCIAR UM CÃO ENTRE MILHARES DE IGUAIS?

Hoje com o exame do ADN o problema fica automaticamente resolvido mas não deixa de ser dispendioso e a resposta sujeita a alguma delonga. Contudo, existe um método mais fácil e também infalível para identificar um cão, há muito conhecido, barato e ao alcance de qualquer um, algo idêntico às impressões digitais humanas que nos cães acontecem no nariz e não nas patas, uma vez que não existem dois narizes caninos iguais. Como os mais observadores já viram e é visível na foto seguinte, o nariz dos cães é composto por minúsculas saliências e rebordos que formam linhas e padrões distintos. No passado chegou a usar-se a impressão das patas para a identificação dos cães, mas logo foi abandonada e trocada pela identificação do nariz por ser mais confiável.
Com paciência e do mesmo modo que conseguimos imprimir as nossas impressões digitais, deveríamos proceder à impressão do nariz do nosso cão e guardá-la para o dia em que possa vir a ser necessária, quando se tornar importante provar que o cão nos pertence. Para os donos mais abastados, sabendo que os cães se perdem e são roubados, é de todo conveniente que façam o exame de ADN aos seus cães para o mesmo efeito. Por curiosidade e ainda dentro deste tema, adianta-se que o desenho afogueado que os Rottweilers apresentam ao redor do ânus difere de cão para cão, não havendo por isso dois iguais, muito embora se expanda com o avançar da idade. 

terça-feira, 13 de junho de 2017

CONHEÇA O SEU CÃO: A MÍMICA DA CAUDA

Sabia que a colocação e os diferentes movimentos da cauda do seu cão revelam os estados emocionais que ele atravessa? Que desnudam o seu carácter e intenções? O tipo de relacionamento que mantém consigo, com os outros e com o mundo à sua volta? Talvez você não saiba mas os cães entendem a linguagem da cauda uns dos outros e reagem de acordo com a mímica que lhes é apresentada.  Caso queira conhecer melhor o seu cão, para lhe valer e tirar partido disso, então não pode ignorar as diferentes mensagens que ele lhe transmite pelo movimento da cauda, precioso auxiliar para um melhor entendimento entre homens e cães.
Comecemos pela posição da cauda, que funciona como um medidor emocional. Quando a cauda se encontra a meia-altura, sensivelmente no prolongamento do dorso, significa que o cão se encontra perfeitamente descontraído. Quando ela se apresenta totalmente vertical, como na foto que introduz este texto, é um sinal de confiança e expressa dominância, um desafio social ou até um aviso: ”se te aproximas, vais ser mordido”. Ao invés, as posições mais baixas da cauda indicam submissão e/ou medo, atingindo o seu extremo quando cão mete a cauda entre as pernas e esconde-a debaixo da barriga.
Os cães, a menos que alguns pormenores morfológicos da sua raça o impeçam, abanam a cauda de três maneiras: para o lado direito, para o lado esquerdo e em círculo. Quando abanam a cauda sistematicamente para o lado direito mostram que estão ou são alegres e felizes.
Quando acusam experiências negativas, sentem-se ameaçados, temem ser agredidos ou sofrem de ansiedade abanam a cauda para o lado esquerdo.
Depois destas explicações, já comprovadas cientificamente, serão os nossos leitores capazes de identificar que emoção experimenta e transmite o cão do gif seguinte ?
Quando um cão abana continuadamente a cauda em círculo, significa que está feliz e que considera como amigo quem dele se aproximar. O movimento circular da cauda é por vezes usado pelos cães como chantagem psicológica sobre os donos, no intuito de amolecê-los e de evitar as suas repreensões. Por norma, a seguir ao movimento circular da cauda, os cães jogam-se alegremente aos donos, pelo que importa estarmos preparados para não sermos lançados ao chão.
O conhecimento da linguagem da cauda canina é importante para os canicultores, para os compradores, para os donos, para os adestradores, para os figurantes e para todos, quer tenham cães ou não. É importante para os canicultores porque ajuda na escolha dos reprodutores a seleccionar e é importante para os compradores para que não comprem gato por lebre, enquanto subsídio para a escolha do carácter procurado.
Através deste conhecimento os donos irão compreender melhor os seus cães, interpretar correctamente os seus estados anímicos, ir ao encontro das suas necessidades, reforçar pela recompensa o seu empenho, operar o seu reparo quando necessário, protegê-los dos ataques dos cães alheios e impedir que façam o mesmo aos outros (sociabilizá-los).
E se o conhecimento da linguagem da cauda é importante para os donos, muito mais o será para os adestradores, porque conjuntamente com a correcta interpretação das expressões faciais caninas, poderão elaborar um currículo de ensino mais apropriado para as necessidades específicas de cada cão, adequando-lhe tarefas que potenciem o seu bem-estar, colmatem as suas dificuldades e facilitem o acesso dos serviços ao seu alcance, onde naturalmente se sentirão mais confortáveis. Por outro lado, também através do decifrar da linguagem da cauda, os adestradores poderão aquilatar da qualidade do relacionamento interno de cada binómio.
Saber interpretar a linguagem canina da cauda é de suma importância para os figurantes, tanto no treino como nas provas. No treino porque importa melhorar as arremetidas dos cães, aumentar-lhes a tenacidade e potência das mordeduras, doseando a oposição para reforço do seu carácter (importância da experiência feliz). Nas provas para facilitar ou dificultar-lhes os ataques, “compor-lhes o ramalhete ou afundá-los de vez, o que indevida e infelizmente se repete por força de vários compadrios ou conveniências (um figurante experiente tanto pode exaltar um cão como desvirtuá-lo sem mais nem menos).
O conhecimento da mímica canina da cauda é importante para todos em caso de ataque e necessidade de defesa, porque permite aquilatar o grau de segurança e agressividade dos cães lançados para se operar a defesa acertada ou o contra-ataque eficaz, quando a imobilização quer do cão quer da vítima não forem possíveis.
PS: Faltou dizer que o movimento da cauda nas emoções positivas é muito mais acelerado do que o expresso pelas negativas.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

SABER ESTAR NUMA ESPLANADA

Com o calor a apertar e havendo essa possibilidade, nada melhor que passar alguns momentos numa esplanada à sombra, com uma bebida fresca na frente e com o nosso cão por perto. Todavia há que saber estar numa esplanada para que a presença do animal não cause transtornos a ninguém, coisa fácil de acontecer quando confrontado com pessoas que o temem ou que o observam amiúde e demoradamente, para já não falarmos daqueles que lhe surgem pelas costas sem qualquer pré-aviso, de outros que correm a abraçá-lo sem consentimento e da proximidade e apresentação doutros cães, também quando alguém chega inesperadamente para nos felicitar ou quando outros passam por nós em algazarra. Se porventura o cão estiver treinado para defesa pessoal ou para guarda, o cuidado terá que ser redobrado para que não haja lugar a acidentes e vítimas. Para se evitarem estas situações desagradáveis, de consequências mais ou menos previsíveis, o cão deverá ser convidado a deitar-se na frente no dono e não ao seu lado, erro tantas vezes repetido que coloca o animal pronto a atacar e os demais no papel de presas como podemos ver na foto abaixo.
Porque devemos deitar o cão na nossa frente e virado para nós nas esplanadas? Como são múltiplas as razões que presidem a este posicionamento estratégico nestes lugares de convivência social, adiantaremos somente as mais importantes visando a supremacia operacional dos donos: serenar o cão perante a eminência de ser surpreendido pelas costas, neutralizar a fixação que antecede os ataques, servir de barreira ou escudo humano entre o animal e os demais utentes das esplanadas, optimizar o controlo do cão pela posição de imobilização escolhida (deitado) e alcançar o perfeito domínio das suas acções, vantagens que jamais alcançaríamos se dono e cão tivessem paralelos entre si e de costas viradas para o mesmo lado. Na foto seguinte podemos ver qual o posicionamento correcto de um cão em relação ao dono numa esplanada.
A apropriação deste simples procedimento tende a evitar disparates e acidentes, concorrendo em simultâneo para uma melhor aceitação dos cães e para o aumento do seu bom-nome, pequeno detalhe que fará toda a diferença. 

CHINESICES OU TALVEZ NÃO

Já há muito tempo que não vou a um restaurante chinês, ainda que por vezes sinta desejos de vaca com bambu e cogumelos chineses, de chow mein de frango e da cerveja chinesa, cujo nome é fácil de decorar pela estranheza: “Tsingtao”, uma cerveja mais leve e menos alcoólica que as nacionais, parente próxima do “chope” brasileiro, que se pode beber à vontade caso não se vá conduzir, porque o “teste do balão” não mente e não aceita argumentos. Na casa desta cerveja, na cidade costeira oriental de Qingdao, o governo está a implementar uma política de “uma família, um cão”, exercendo para isso um duro controlo e pesadas multas. Em simultâneo, proibiu também a posse de 40 raças caninas consideradas ferozes aos moradores da baixa da cidade, constando entre elas o Pastor Alemão, o Mastim Tibetano e o Akita Inu.
A recente proibição não foi bem acolhida pela população que a considera uma medida draconiana, anda mais quando a posse de cães de raça se transformou ali num símbolo de status (aqui já estamos a perder as peneiras). O que pesou nesta tomada de decisão daquele governo? Primeiro, o número de canicultores não pára de aumentar em função da procura e a situação pode vir a tornar-se insustentável. Estima-se que existam na China cerca de 100.000.000 de animais de estimação e que deles 27.400.000 são cães, o que coloca aquela grande nação asiática nesta matéria imediatamente atrás dos Estados Unidos e do Brasil, respectivamente com 55.300.000 e 37.700.000 cães. Segundo, o aumento do número de cães anual, que ronda os 10%, tem contribuído para um sem número de queixas por incómodos e ferimentos. Perante estes factos e querendo evitar a morte de crianças e adultos à boca dos cães, entenderam aqueles legisladores prevenir ao invés de remediar, ou seja, em banir os cães antes que firam ou matem e não depois de haverem ferido ou matado, o que pode ser considerado como uma” solução à chinesa” ou uma “chinesice”, se olharmos do alto dos direitos e liberdades que as nossas democracias nos conferem.
Quem seguir com atenção a imprensa britânica acerca dos animais, vê que rara é a semana em que uma criança ou um idoso não é maltratado por um cão, vindo algumas dessas vítimas a morrer. Em 2014, só em Inglaterra, houve 7.227 ataques e o seu número tem vindo a aumentar, sendo que as crianças constituem 16% das vítimas e 2/3 das mortes! Será que o amor pelos animais nos encaminha para a um disfarçado e silencioso genocídio doméstico? Nas Ilhas Britânicas sabe-se há muito quais são as raças caninas responsáveis por tamanha atrocidade: British Staffordshire, American Pitbull Terrier e American Staffordshire. De que vale penalizar os donos e abater os cães depois do disparate? Evitarão estas medidas mortes inocentes? O que será mais vergonhoso: discriminar cães ou virar as costas ao assassínio dos que entre nós são mais frágeis?
Como adestrador nunca temi, corri demasiados riscos ou experimentei sérias dificuldades em ensinar uma raça canina em particular, apesar de durante anos me ter dedicado à reeducação de cães. No entanto também sei, pela experiência que tive e pelo que me foi dado a observar, que um número considerável de donos jamais terá condições de controlar ou dominar um cão potencialmente agressivo, impropriedade ou incapacidade que porá em risco todos aqueles que com eles se venham a cruzar, constituindo-se assim num perigo para a sociedade em geral. Perante este facto, apesar do que vou dizer ser antipopular, entendo que raças caninas susceptíveis de causar dolo a terceiros deveriam ser vetadas ao cidadão comum, porque nunca se sabe a que mãos irão parar e na dúvida mais vale salvaguardar a vida das vítimas. Assim, permitir a posse de um cão perigoso a um indivíduo sem condições para o segurar é literalmente dar-lhe liberdade para matar! E como dificilmente saberemos quem terá condições ou não, considerando ainda as diferentes circunstâncias e a ocorrência de acidentes, melhor será impedir a entrada de tais cães no país, restringindo-se o seu uso aos militares e às forças da ordem, uma vez que os usam no sentido inverso: para poupar vidas humanas.
Por tudo isto, penso que os legisladores de Qingdao estão certos, porque pensaram primeiro na salvaguarda dos seus concidadãos. E se há algo que não pode ser imputado aos chineses é de não serem clarividentes e pragmáticos (oxalá usem sempre essas qualidades em prol da paz, porque doutra maneira “o caldo vai ficar seriamente entornado”).