sábado, 14 de janeiro de 2017

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O RANKING semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ O CÃO AZUL: O SANTO GRAAL DO CPA, editado em 30/05/2016
3º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2013
4º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
5º _ DOBERMANN: O CÃO QUE É MENOS DO QUE SE SUPÕE E MAIS DO QUE SE IMAGINA, editado em 06/03/2016
6º _ “O MEU CÃO TEM UM FEITIO LIXADO: DETESTA CÃES GRANDES, NÃO GOSTA DE CICLISTAS E SÓ COME SE LHE DER A COMIDA À BOCA”, editado em 09/01/2017
7º _ SERÁ O BOERBOEL UMA BESTA APOCALÍPTICA, editado em 02/05/2015
8º _ PASTOR DE SHILOH: SUPER-CÃO OU DECEPÇÃO?, editado em 23/01/2014
9º _ O PESO DOS 4 MESES NO CÃO DO AMANHÃ, editado em 28/10/2010
10º _ AS DÚVIDAS DO MANUEL DE ANGOLA, editado em 09/01/2017

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim escalonado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Angola, 5º Alemanha, 6º Reino Unido, 7º França, 8º Espanha, 9º Índia e 10º Quénia.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

“NÃO COMPRE, ADOPTE”

Apoiamos sem reservas todas as campanhas para a adopção de animais domésticos em qualquer lado. No que concerne aos cães já o temos manifesto inúmeras vezes, realçando a gratidão e préstimo dos animais a adoptar, por norma mais saudáveis, equilibrados, menos exigentes e com maior esperança de vida. Os textos que editámos ao longo dos anos acerca dos cães de abrigo comprovam o que acabámos de dizer. Também do ponto de vista ético, considerando o apreço que temos por estes animais e o seu direito ao bem-estar, entendemos como prioritária a adopção de cães, prática que nunca desprezámos e que aconselhámos outros a segui-la. Em 10 anos adoptámos o mesmo número de cães da mais descarada raça indefinida, não procurando neles parecenças com outros padronizados, não lhes diferenciando o tratamento, dando-lhes todo o carinho e operando a sua reabilitação. Debaixo destes princípios nunca excluímos do treino nenhum dos que nos foram confiados, sendo muitos deles educados gratuitamente para não sobrecarregar os seus proprietários. O esforço valeu a pena e todos vieram a ser convenientemente adestrados.
Discordamos do slogan adoptado pelas campanhas internacionais “NÂO COMPRE, ADOPTE”, porque o entendemos radical, abusivo, utópico e injusto face ao contributo dado até aqui pelos criadores de cães raça, que desde os finais do Séc.XIX, 190 anos antes da Declaração Universal dos Direitos Animais, tudo fizeram e continuam a fazer em prol daqueles que escolheram e do bom-nome dos cães em geral, encontrando-lhes os mais variados préstimos e utilidades, sensibilizando as pessoas para o seu bem-estar e prós cuidados que o garantem. Entendemos tal slogan radical e abusivo porque afecta a liberdade de escolha, utópico porque ainda não podemos dispensar os “cães especialistas” e injusto porque sem o contributo dos cães sem pedigree os rafeiros não seriam tão bem tratados e respeitados, o que mais atrasaria e dificultaria a sua aceitação e posterior adopção.
Graças aos esforços embrionários dos canicultores oficiais, os cães saíram das barracas e dos currais para a coabitação, foram soltos das correntes para caminharem ao nosso lado, deixaram de comer restos e alcançaram dietas equilibradas, saíram do ostracismo e adquiriram um novo estatuto social, saltaram do desprezo para a complementaridade e passaram de fardo a um bem desejável. Os erros cometidos na selecção dos cães padronizados, a quem a eugenia negativa, a endogamia e a consanguinidade não são alheios, acabaram por contribuir para o avanço da ciência e para a identificação e tratamento das doenças mais comuns presentes no lobo familiar (algumas delas também extensíveis aos homens). Em simultâneo, ao desenvolverem cães para os mais diversos fins e serviços, impediram a dispensa e extinção dos cães em geral a expensas dos seus próprios bolsos, saindo muitos da empresa com eles vazios. Quem primeiro ensinou a cuidar dos cães? Quem mais contribuiu para os pôr ao serviço dos homens? Cada cão tem o seu préstimo e cada um saberá escolher o melhor que lhe convém.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

AS DÚVIDAS DO MANUEL DE ANGOLA

Recebemos de um leitor de Angola um email que transcrevemos na íntegra: “Boa tarde a toda a equipa da Acendura! Depois de algumas pesquisas pela Internet achei o nosso blog, pois interessei-me logo quando relataram a respeito das variedades de cores dos pastores alemães, pois tenho uma cadela que até ao momento deixa-me em dúvidas, quando a comprei não entendia muito sobre a raça, mais com o tempo fui aprendendo, porem depois de visitar a vossa página fiquei com mais dúvidas a respeito da minha cadela. Preciso da vossa ajuda para saber se ela é pastor ou não, tem agora 9 meses e teve o seu primeiro cio com 12 dias” (provavelmente há 12 dias atrás, dizemos nós).
Estamos em crer que este nosso leitor deseja saber se a sua cadela é uma Pastora Alemã, uma mestiça ou uma Malinois. Segundo a foto que nos enviou e que sucede ao título desta resposta, por amor à verdade não podemos dar um parecer peremptório, já que ela é pouco esclarecedora quanto à morfologia do animal, uma vez que se encontra sentado. Para uma melhor apreciação necessitaríamos de mais fotos noutros planos, com a cadela de pé para vermos se respeita ou não o estalão da raça. Julgamos que a cadela foi comprada sem pedigree e talvez denominada de Malinois. Infelizmente os mestiços de CPA/Malinois são hoje muito comuns, marosca e aproveitamento de quem se dedica ao negócio dos cães de guarda e nisto Angola é capaz de não escapar à regra.
Existem muitos mestiços, mesmo resultantes do cruzamento do Pastor Alemão com outras raças, que exteriormente aparentam ser Pastores Alemães e muitos deles são de cor vermelha (fulva), porque este excelente cão alemão é dominante da construção. Uma vez dito isto, aconselhamos o nosso amigo Manuel a inquirir junto de quem lhe vendeu a cadela qual a raça do animal e, não obtendo dessa pessoa os esclarecimentos necessários, a dirigir ao Kennel Club Angolano, que não sabemos se existe e em que moldes funciona. Não havendo essa possibilidade, sugerimos-lhe que consulte os estalões das Raças Pastor Alemão e Malinois para maiores esclarecimentos.
Pelo que nos é dado a observar pela fotografia que nos enviou, considerando as proporções crânio-faciais, o tipo de crânio, a disposição e formato dos olhos, o particular dos dentes, o formato da língua e das orelhas, a textura do manto, os membros anteriores, a disposição dos dedos e o tipo de cauda, podemos garantir que a sua cadela parece ter algo de Pastor Alemão. Será ela uma “Ay Fawn”? Caso continue interessado no nosso parecer, agradecemos-lhe que nos envie fotografias mais detalhadas da sua cadela, de vários ângulos e com ela de pé, adiantando-nos em simultâneo qual o seu comportamento, comprimento, peso e altura. Gratos pelo contacto, despedimo-nos com amizade.  

“O MEU CÃO TEM UM FEITIO LIXADO: DETESTA CÃES GRANDES, NÃO GOSTA DE CICLISTAS E SÓ COME SE LHE DER A COMIDA À BOCA”

A afirmação acima faz parte de um léxico interminável proveniente da insanidade dos donos somada à manha dos cães, conclusões alheias à verdade e hoje cada vez mais aceites segundo a trilogia homem, cão e antropomorfismo, como se os cães não pudessem ser regrados e os donos se vissem obrigados a aceitar as suas regras (deles). Para além do ridículo, que nalguns casos chega a rasar a obscenidade, afirmações deste género não conseguem esconder duas coisas: o despreparo da liderança humana e o desrespeito pela condição canina.
Numa aldeia que nos é grata e que não esquecemos, dizia-se no pique do inverno: quando a neve cai ao povoado, sofre mais quem anda descalço, aforismo que nos transporta para o mundo dos afectos de grande número de proprietários caninos, condicionado vivamente pelas circunstâncias sociais a que se encontram sujeitos, umas advindas da sua individualidade e outras que lhe vão sendo impostas, que somadas, levam-nos à procura dos cães como panaceia para o seu equilíbrio emocional, numa sociedade cada vez mais indiferente e perante um fim gradualmente mais incerto.
Todos sabemos que o grosso dos cães habita debaixo do tecto da classe média, porque os pobres não têm como os sustentar e os mais ricos têm outras prioridades e não estão para se incomodar, o que não é de todo mau, uma vez que sem eles não haveria emprego nem trabalho. Também sabemos, porque já é coisa antiga, que quem paga a maior fatia das crises económicas é a classe média, enquanto sustentáculo de qualquer nação, classe que hoje vai perdendo membros para o limiar da pobreza, que sobrevive às custas do trabalho precário, que tem famílias a prazo, que tem dificuldade em criar os filhos e que é também e por consequência, assombrada por uma crise de identidade e valores.
Face ao panorama, esta gente agarra-se aos cães como náufrago chegado à praia, “vendo” neles a sua tábua de salvação, aquilo que o mundo em vão tenta negar-lhe e que por substituição alcança (o homem actual está doente e o aumento do número de cães de terapia comprova-o). Assim sendo, cada cão é para esta urbe o filho que nunca teve, o amigo que gostava de ter, um companheiro sempre presente (por vezes o único), o confidente que não dispensam e também o requisito mais importante para o seu bem-estar, afirmação e realização individual.
À falta de melhor e vulneráveis pela avidez, estes indivíduos atribuem aos seus cães estatutos e prerrogativas que lhes são alheios, evitando-lhes qualquer reparo, permitindo-lhes toda a sorte de disparates, saciando e potenciando as suas manhas, fundamentando-lhes fobias e não lhes diferenciando o carácter da personalidade, o que do ponto de vista pedagógico é um disparate com o descalabro à vista, considerando o bem-estar, sociabilização e salvaguarda dos animais, que comportando-se como meninos rabinos, acabam por espelhar as taras presentes nos seus donos pela intimidade e cumplicidade experimentadas.
O carácter social dos cães, cujo escalonamento não dispensa a hierarquia e por conseguinte a liderança, obriga os donos a regrá-los, a apetrechá-los e a adaptá-los para a convivência doméstica e inserção na sociedade, onde o perigo ronda, não faltam outros cães, diferentes animais e gente que não quer ser importunada e que detesta vê-los por perto. O “feitio” dos cães pode ser suavizado e por vezes totalmente alterado, dependendo isso do perfil psicológico de cada cão, as “fobias” dos cães podem e devem ser vencidas e nenhum deles necessita que lhe levem a comida à boca.
Depois de tantos anos a educar cães, não estranhamos ter despendido mais tempo a educar os donos, servindo-nos dos cães para esse efeito, auxílio que sempre se revelou eficaz, ainda que a tarefa nunca tenha sido fácil e isenta de reveses. Haverá algo de estranho nisto? Não, porque educar cães é ensinar os donos a fazê-lo!

domingo, 8 de janeiro de 2017

EU SEI LÁ. VOCÊ SABE TANTO DISTO QUE ME PODE ENGANAR!

Há cerca de 30 anos atrás, na paradisíaca Quinta do Brejo, na Avessada, na altura propriedade dos herdeiros de Mestre Nuno de Oliveira, um dos maiores vultos da equitação tradicional portuguesa do Séc. XX, quando criávamos Pastores Alemães, apareceu-nos um homem que desejava adquirir um cachorro, não sem antes se inteirar da raça e conhecê-la o melhor possível, pelo que combinou connosco passar ali o seu mês de férias. Gratos pelo seu interesse, explicámos-lhe todos os meandros da criação, a identificar os principais impulsos herdados nos cachorros, as particularidades das diferentes variedades cromáticas e as suas díspares curvas de crescimento, a importância dos aprumos, os beneficiamentos entre linhas, os defeitos a evitar nos infantes assim como as possíveis impropriedades morfológicas e laborais presentes nalguns deles, explicações que seguia com muita atenção e de que ia tomando nota num pequeno caderninho. Quando o mês chegou ao fim e perante seis ninhadas, perguntámos-lhe qual era o cachorro que pretendia levar. Eu sei lá. Você sabe tanto disto que me pode enganar – disse-nos, saindo dali sem levar nenhum. Mais tarde viemos a saber que optou por um Rottweiler.

sábado, 7 de janeiro de 2017

NÓS POR CÁ: MORREU MÁRIO SOARES

Dizem que a História é escrita pelos vencedores, Mário Soares foi um vencedor, logo ficará na História, na história das democracias portuguesa e europeia, sendo o maior vulto político da segunda metade do Séc. XX português, um democrata antifascista e antitotalitário a quem devemos a liberdade em que vivemos e a nossa entrada na Comunidade Europeia. Foi duas vezes Presidente da República e três Primeiro-Ministro de Portugal. A extrema-direita portuguesa continua a contestar o modo como empreendeu a descolonização das ex-colónias ultramarinas, que ficou conhecida como “exemplar” e que gerou mais de 500 mil refugiados, entendidos ao tempo como “retornados”. Homem de luta, polémico, controverso e sem papas na língua, Mário Soares é reconhecido por todos como o “Pai da Democracia Portuguesa”. Morreu hoje no Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa com 92 anos de idade e o Governo decretou 3 dias de luto oficial pela sua morte. De luto estará também o Partido Socialista Português e o euro-socialismo.

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O RANKING semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ DOBERMANN: O CÃO QUE É MENOS DO QUE SE SUPÕE E MAIS DO QUE SE IMAGINA, editado em 06/03/2016
2º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
3º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
4º _ QUANDO O SANGUE É COR-DE-ROSA, editado em 31/12/2016
5º _ OS CÃES DA NICOLE SCHLAEPFER, editado em 30/04/2014
6º _ A CASOTA DO CÃO, editado em 29/12/2009
7º _ NÓS POR CÁ: O QUE FAZER COM O SR. SAAD MOHAMMED RIDHA E OS SEUS “MENINOS”?, editado eme 20/08/2016
8º _ O CÃO LOBEIRO: UM SILVESTRE ENTRE NÓS; editado em 26/10/2009
9º _ NÃO HÁ OUTRO REMÉDIO!, editado em 02/01/2017
10º _ PODENGO: PREFERENCIALMENTE PRETO!, editado em 13/11/2014

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Suíça, 4º Reino Unido, 5º Estados Unidos, 6º Espanha, 7º França, 8º Alemanha, 9º Polónia e 10º Angola.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

O CÃO-DRONE

Sempre que falamos em drones, atendendo ao caricato da situação, vêm-nos à memória um jovem brasileiro de gestos delicados, largos e expressivos, de trunfa pintada e voz estridente que juntava à insinuação a roupa justa, indivíduo que rapidamente ganhou a alcunha de “Flechinha”, quiçá numa alusão ao Deus Cupido, que se divertia com o seu drone a contornar a fachada do Palácio Nacional de Belém, residência oficial do Presidente da República, lançando-o e controlando-o a partir dos Jardins Vasco da Gama e Mouzinho de Albuquerque, sem nunca ser surpreso ou ver o seu aparelho apreendido?! Ainda bem que era apolítico, extremamente manso e nada tinha de subversivo, apesar de vítima do bullying verbal dos seus colegas de trabalho (atenção à nova legislação sobre os drones e a sua utilização). Mas se não era um perigo para a segurança nacional, não deixava de ser um incómodo para os proprietários caninos, porque com aquele aparelho perseguia e convidava para a perseguição os cães alheios. Deixemos o “Flechinha”, cuja paragem ignoramos e vamos ao que interessa.
Se entendermos um drone como um aparelho ou utensílio fácil de manobrar para realizar tarefas arriscadas, para complementar as acções humanas e tirar partido das suas vantagens, a analogia surge imediata: a transformação do lobo em cão deu ao homem o primeiro drone natural, sendo secundado mais tarde pelo aproveitamento de águias, falcões e outros rapaces. Como drone tem vindo a ser utilizado até aos nossos dias, enquanto cão de caça, de guarda, de polícia e como cão de guerra, bastando relembrar no último caso que foi usado como arma anti-tanque e ainda hoje é requisitado como detector de explosivos, o que do ponto de vista ético coloca sérias questões e alguns engasgos a quem o cria e usa para esse fim, isto se considerarmos a Declaração Universal dos Direitos dos Animais.
Poderão os cães vir a ser substituídos por drones autênticos, agora que o seu bem-estar é objecto de maior sensibilidade e os avanços tecnológicos não param de nos surpreender? Estamos convencidos que sim, que tudo será uma questão de tempo, considerando a experiência piloto em curso nos Marines norte-americanos, que testam há já alguns anos cães robotizados, protótipos dos futuros cães de guerra. É evidente que isso não será para já, porque subsistem ainda culturas, sociedades e regimes que menosprezam a vida dos cães e de outros animais, nações pobres, avessas ao desenvolvimento e que parecem viver em séculos anteriores ao nosso, para quem os cães são sinal de impureza ou de apostasia, por norma as mesmas que fazem explodir os seus próprios combatentes. Acresce a este atraso histórico o facto dos cães serem de fácil acesso e baratos. Se houver mundo para tanto, é possível que finalmente todos deixem os cães em paz.
Na gíria do adestramento chama-se “cão-drone” àquele que executa acções invasivas e ofensivas de surpresa sem se deixar apanhar, por via de condicionamento prévio com o dono oculto ou ausente, acções muitas vezes confundidas como instintivas ou acidentais. Para melhor se entender o que acabámos de dizer e porque infelizmente a violência doméstica só agora está ser denunciada e é considerada crime, também porque cresce o número de homens agredidos pelas suas companheiras, vamos a um caso hipotético de homicídio consumado:
Determinada senhora, há muito desiludida com o seu companheiro mas não com o seu dinheiro, para quem o divórcio nada aproveitaria, decide adquirir e treinar em segredo um cão para guardar objectos, no intuito de se livrar do marido e poder lançar mão da sua fortuna. Durante meses a fio potencia a força de mordedura do animal, impede-o de fazer amizade com o companheiro e condiciona-o a atacar violentamente quem lhe mexer na carteira. Chegada a ocasião propícia, vai para o carro e chama o marido que se encontra em casa com o cão, pedindo-lhe que lhe traga a carteira por se haver esquecido dela. O inocente homem satisfaz-lhe o pedido e acaba morto pelo animal! E como “só sabe do convento quem lá vai dentro”, depois de recolhida a carteira, facilmente o ocorrido será atribuído à raça do cão ou aos possíveis maus-tratos que o dono lhe houvesse dado. Infelizmente acontecem crimes assim por todo o lado, onde os cães pagam as favas e os seus autores são inocentados.
Cão-drone é também aquele que é deixado deliberadamente num espaço público para causar dolo a terceiros, uma forma de treino específico muito do agrado de donos fratricidas, cobardes e sem escrúpulos, patologia que se transforma numa séria ameaça para os incautos que se satisfazem a dar mimos aos cães que desconhecem. Todo o cuidado é pouco! 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

DECIDIDAMENTE O SCARFACE NÃO QUERIA FAZER PARTE DO PRESÉPIO

Com o Natal transformado na festa maior do consumismo ocidental, há quem intente transformar os cães em figuras de presépio ou vesti-los com roupas natalícias, como sucedeu este ano em Tampa/Florida/USA, onde o proprietário de um Pitbull decidiu vesti-lo a rigor para a ocasião, ideia que mereceu o total desagrado do cão. E perante o dualismo das vontades, o “Scarface”, assim se chama o Pitbull, acabou por agredir violentamente três membros do agregado familiar que o adoptou, remetendo dois deles para o hospital, apesar do filho dos seus donos o ter esfaqueado no pescoço, acção que permitiu que os três se fechassem em casa, chamassem a polícia e fossem assistidos. Quando a polícia chegou ao local, diante da tremenda agressividade do animal, viu-se obrigada a disparar-lhe um dardo tranquilizante e a fazer uso do taser (arma de electrochoques que consegue paralisar e derrubar uma pessoa). Acresce ao despropósito o facto daquela família só ter o cão há apenas um mês! Ignora-se a sorte do animal e sabe-se que as suas vítimas estão livres de perigo (ainda bem que não haviam crianças por ali!). Que Natal inesperado teve aquela família, pensará em vestir outro cão no próximo? Pensamos que não, mas há gente que não tem emenda, que apesar da idade, ainda acredita no Pai Natal. 

NÃO HÁ OUTRO REMÉDIO!

Essa verdade que diz ter o coração razões que a razão desconhece não pode ser aplicada na canicultura, considerando a melhoria esperada nos beneficiamentos e a utilidade procurada nos cães. Se uma cadela não transmite a robustez própria e necessária à sua prole, não há outro remédio senão dispensá-la da reprodução, justificando-se o mesmo procedimento diante machos com igual demérito e insuficiência, apesar do peso das cadelas ser maior nas ninhadas. O Cão de Pastor Alemão carece de boa cabeça e ossatura, dispensando crânios finos e alongados e, ossos por demais leves. Todavia, sobram por aí machos com cabeças de fêmea e fêmeas que em tudo lembram as alvéolas, também conhecidos por arvéolas passarinhos espantados, de constituição frágil e delgada. É sabido que na criação de cães, quando se começa mal, vamos passar a vida inteira a correr atrás do prejuízo. Não ignoramos que alguns criadores incorrem neste erro de forma intencional, na esperança vã de equipararem os seus CPA’s aos Malinois que contra eles concorrem e que estão agora na berra. Relembra-se que a venda de cães é uma prestação de serviço e não uma despudorada prática de burla.

ARTHUR: DAS FLORESTAS DO EQUADOR A ESTOCOLMO

Neste novo ano em que entrámos, desejamos que todas as guerras acabem, que os homens sejam mais solidários uns com os outros e por inerência mais sensíveis aos dramas dos animais. E neste âmbito, como incentivo aos desafios que nos esperam, nada melhor que contar-vos uma história com um final feliz, a relativa ao Arthur, um molosso cor-de-areia cerdoso, encontrado em muito mau estado nas florestas do Equador por uma equipa de suecos, constituída por 3 homens e uma mulher, que se dedicava e dedica à “adventure racing”, modalidade desportiva que engloba corrida a pé, ciclismo e caiaque nas áreas mais inóspitas do Planeta como uma duração de 3 a 8 dias.
Estava a dita equipa a competir nas florestas do Equador numa área de transição (TA), a transferir-se da bicicleta para a corrida a pé, ocasião que aproveitou para retemperar as forças e comer algo, quando um dos seus membros avistou pelo canto do olho um cão vadio, com cerca de 30 kg, faminto, nauseabundo e com feridas profundas no dorso. Sensibilizado com o drama e apresentação daquele cão, o atleta dispensou-lhe duas almôndegas, apesar de temer as pulgas e as possíveis doenças que pudesse transmitir-lhe. O animal agradecido nunca mais os largou, vindo a constituir-se no 5º elemento daquela equipa, percorrendo com ela 180 km em pisos de lama, atravessando rios e subindo encostas.
Perante a disponibilidade e parceria do animal, estava-se mesmo a ver: rumaria à Escandinávia com os seus companheiros de jornada e tornar-se-ia sueco! À última da hora e depois de vencida muita da burocracia equatoriana e sueca, o Arthur lá conseguiu embarcar para a Península Escandinava com os seus parceiros, onde se viu sujeito a uma quarentena de quatro meses, curou as suas feridas, cresceu e viu crescer o seu manto. Após a quarentena foi ainda sujeito a duas sessões de cirurgia para tratar dos seus dentes. Hoje é um cão saudável e feliz, pertence à família Lindnord e provavelmente não terá muitas saudades do Equador.
O bom do Sr. Mikael Lindnord acabou por escrever um livro acerca do encontro com o Arthur, ao qual atribuiu o título de “The Dog Who Crossed the Jungle To Find a Home” (O cão que cruzou a selva para encontrar uma casa), já editado pela editora britânica Hodder & Stoughton cujo preço é de 14,99 Libras (aproximadamente 17.7 €/ R$ 60.2186). No livro são adiantados detalhes que aqui omitimos por razões editoriais, pormenores que mais exaltam as qualidades do cão e as peripécias em que se viram envolvidos os seus companheiros. Já sabemos que para ser cão é preciso ter sorte, mas nunca deixamos de alegrar-nos quando outro finalmente a encontra. Ainda há gente boa no mundo!  

sábado, 31 de dezembro de 2016

DAVA JEITO QUE NOVA IORQUE FOSSE AQUI

Assim como os norte-americanos nutrem um especial fascínio por Paris, os europeus veneram Nova Iorque, essa grande metrópole do sonho americano que não se confunde com o interior dos Estados Unidos, por ser multicultural, multirracial, dinâmica, vanguardista e sempre surpreendente. Lá, segundo uma disposição constante no Código Sanitário, o comprimento das trelas dos cães não pode exceder 1.83 m. Pois aqui, como é tradicional e de bom-tom, chovem trelas extensíveis por toda a parte com comprimentos entre os 3 e os 8 metros, verdadeiras armadilhas para os incautos e para aqueles que circulam de noite, que não vendo o fino cabo daqueles acessórios, acabam estatelados no chão sem apelo nem agravo (por vezes com o cão por cima deles). E se tais trelas extensíveis são um perigo para os transeuntes, também não deixam de o ser para cães, que aproveitando a estultícia ou distracção dos donos, acabam enrolados uns nos outros como mosquitos em teia de aranha ou como formigas-soldado na peleja. Diante deste desrespeito e afronta, dava jeito que Nova Iorque fosse aqui. 

NASCEU FRANZINO E TORNOU-SE NUM MATULÃO

Chama-se Freddy, tem 4 anos, é um Dogue Alemão arlequim, vive com a sua proprietária em Leigh-on-Sea, no Reino Unido e foi considerado este mês pelo Guinness como o cão vivo mais alto do mundo. Este camarada nasceu franzino, chegou a ter metade do tamanho da sua irmã de ninhada e foi obrigado a um desmame precoce por ausência de leite materno. Mede 103.5 cm de altura ao garrote e quando apoiado somente nas patas traseiras atinge os módicos 2.27 m. Resta dizer que foi criado e continua a ser alimentado a comida fresca, dieta que não dispensa a mistura de várias carnes. Pelos vídeos divulgados pelos media britânicos, podemos ver que é activo e goza de perfeita saúde, apesar de andar bem perto do tamanho de um burro.

BALANÇO DAS ACTIVIDADES DA ACENDURA EM 2016

O Ano de 2016 marcou uma mudança nas nossas actividades e objectivos, apesar de continuarmos a ministrar aulas externas para catorze binómios, cujos cães são sete CPA’s, dois Pastores Belgas Groenendael, outros tantos Beagles, um Fila de S. Miguel, um Caniche e um Border Collie. No final do último trimestre abraçámos um projecto televisivo e ao longo do ano respondemos a 233 mensagens electrónicas que nos foram solicitadas pelo blogue que mantemos. Neste momento trabalhamos para a capacitação de duplos para a ficção e temos acompanhado de perto a selecção e produção de dois criadores. Apesar de já não termos criação própria, continuámos a ser procurados e consultados para a aquisição de cachorros, mantendo com os ex-alunos um relacionamento tão próximo quanto possível e, do Ano de 2016, pouco ficou por dizer.

PROPOSTAS DE ANOS IDOS PARA O VINDOURO

A composição fotográfica acima remonta ao tempo em que as fotografias eram a preto e branco, ocasião em que os cães eram treinados seriamente para as suas funções e não para o show como hoje acontece. Na primeira metade da composição podemos ver um CPA a ultrapassar um muro a rondar os 5 metros de altura e na outra metade a sua aplicação prática. Queremos daqui incentivar aqueles que não desistiram das pistas tácticas e que continuam a usá-las como o melhor dos meios para a selecção dos futuros progenitores caninos, gente naturalmente insatisfeita com a comezinha cinotecnia que nos rodeia, profícua em prosápia e de pouco ao nenhum préstimo, mais dada à brincadeira que à salvaguarda dos cães.

QUANDO O SANGUE É COR-DE-ROSA

Não conhecíamos o actor José Carlos Pereira (Zeca) de lado nenhum, porque mui raramente vemos telenovelas por falta de tempo e interesse, também porque já nos rendemos aos mais consagrados, cuja maioria já faleceu. Mas nas voltas que este mundo dá, acabámos por conhecer e trabalhar com o Zeca, individuo bem-disposto, simples, culto, empenhado no seu trabalho, não-maledicente e de trato fácil. Ao que consta, porque nunca nos importou aquilatar do passado dos outros, este actor já passou por períodos difíceis e de algum descalabro, que mais o prejudicaram a ele do que a outros, reerguendo-se por vontade própria dos assados em que se meteu. Não obstante, continua a ser alvo da “imprensa cor-de-rosa”, que faz da mixórdia notícia e que sangra como ninguém os seus visados para alcançar o sensacionalismo que a alimenta, migalhas fornecidas por gente torpe, mexeriqueira, dotada de pouca inteligência e ávida de escândalos, com muito para esconder e que não quer ser descoberta. Desejamos ao Zeca um feliz Ano Novo, cheio de força, novos projectos e muita clarividência, já que as sanguessugas, sendo vorazes e cruéis, vão continuar a engordar à conta dos incautos e esperá-los-ão a cada esquina. Desonrar alguém é fácil, devolver-lhe a honra é que é difícil, quiçá impossível.

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O RANKING semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
3º _ KRAV MAGA E CÃES DE GUARDA, editado em 28/12/2016
4º _ DHOLE: UM CÃO DESCONHECIDO E POUCO VISTO, editado em 27/06/2016
5º _ APANHOU BOLEIA E FOI PARAR A UMA COMPANHIA DE SAPADORES, editado em 26/02/2015
6º _ EU QUERIA, TU QUERIAS, TODOS QUERÍAMOS!, editado em 26/12/2016
7º _ PASTOR DE SHILOH: SUPER-CÃO OU DECEPÇÃO?, editado em 23/01/2014
8º _ CANAAN DOG: O PRIMO DO MÉDIO-ORIENTE, editado em 12/12/2014
9º _ TOMA LÁ, DÁ CÁ: O CÃO DE MÃO EM MÃO, editado em 12/12/2011
10º _ O CÃO LOBEIRO: UM SILVESTRE ENTRE NÓS, editado em 26/10/2009

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim escalonado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Rússia, 4º Estados Unidos, 5º França, 6º Alemanha, 7º Ucrânia, 8º Roménia, 9º China e 10º Polónia