terça-feira, 13 de setembro de 2016

VENEZUELA: MORRER À FOME OU ACABAR NO PRATO

A vida dos cães na Venezuela não está fácil, como não está a dos gatos e dos pombos, com os venezuelanos a passar fome e sem ter o que dar de comer aos seus filhos. Estes animais, de um momento para o outro e por causa da crise político-económica ali instalada, são muito disputados nas maiores cidades do país onde a comida escasseia e a sobrevivência é palavra de ordem e imperativa. Com mais facilidade se resolverá o problema que afecta os cães que os problemas sociais que assolam este país latino-americano, outrora próspero e hoje esfomeado, carente de quase tudo e sujeito a toda a sorte de “madurezas”, dominado por um modelo político há muito falido, petróleo-dependente, comprovadamente incapaz de valer às mais elementares aspirações populares e obstruente às reformas estruturais que as actuais sociedades exigem. Perfila-se naquelas paragens um “Impeachment à brasileira”, um golpe de misericórdia (é uma questão de tempo), já que a acção solidária de uma ONG internacional resolverá o problema dos pets e o “chavismo” está moribundo, isolado e não tem quem lhe valha. Quando cairá Maduro do topo da árvore do poder? Só os venezuelanos nos poderão dizer!
E como há que optar entre alimentar as pessoas ou os cães (muitas delas vão para a cama de estômago vazio), também porque a ração canina custa agora o equivalente a um dia de trabalho para quem ganha o salário mínimo, os cães são doados, abandonados nas clínicas, canis de abrigo e nas ruas. A falta de comida para os animais, que já vitima também os cavalos e os grandes mamíferos do Zoológico de Caracas, tem obrigado à desesperada tentativa de se alcançarem substitutos alimentares, medida de difícil implementação e que se tem revelado insuficiente, morrendo muitos cães à fome. Os que são jogados à sua sorte e abandonados na rua (nunca se viram tantos cães de raça nessas condições: Pastores Alemães, Rottweilers e outros) ou morrem à fome ou acabam no prato. Nem mesmo o maior abrigo para cães, apelidado de “Nevado” em honra do cão de Simon Bolívar, que é estatal e obra de Maduro, escapou ao colapso diante de tamanho influxo.
Com o descarrilamento de Nicolás Maduro, outrora condutor do metro de Caracas e hoje presidente de um país esfomeado, que resiste a um pedido de ajuda internacional para o seu esfaimado (hambriento) povo, nada impede que indivíduos ou organizações estrangeiras adoptem aqueles cães, antes que os outros os carreguem e engordem para fins culinários, na incansável procura de iguarias da sua preferência.
Como sempre, ao longo da história e por todas as latitudes, os animais são os primeiros a sofrer nas sociedades em colapso, as primeiras vítimas da fome quando ela se instala. Assim aconteceu e acontece agora na Venezuela. Dios permita que los vientos cambien y que los hombres los aprovechen, que el hambre cese y los perros puedan vivir en paz al lado de sus dueños en Venezuela. 

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

CAUTELOSOS OU CONFIADOS POR NOSSA CAUSA

Depois de alguns testes feitos a cães e a lobos recentemente, tendo como base a escolha de alimentos com maior ou menor risco na sua aquisição, investigadores austríacos do “Centro de Ciência do Lobo”, concluíram que os lobos são mais propensos a arriscar-se por uma presa maior e a perder tudo que os cães seus sucedâneos, que preferem arriscar-se menos e jogar pelo seguro, diferença que os investigadores justificam pela domesticação e selecção efectuadas nos cães, que por coabitação e imitação dos seres humanos acabam por adoptar nesta matéria uma política de “ mais vale ter um pássaro na mão que dois a voar”. Segundo o parecer da Dr.ª Sarah Marshall-Pescini, do Centro Científico atrás citado, a tendência dos lobos para o risco “parece ser inata” e poderá ter uma função ecológica, uma vez que preferem caçar grandes ungulados (veados, alces, bovinos, suínos, etc.), caça nem sempre bem-sucedida e que lhes pode ser fatal. As conclusões do presente estudo encontram-se publicadas na revista “Frontiers in Psychology”.
Este experimento e comprovante científico vem demonstrar duas coisas: que os cães são naturalmente cautelosos e que serão mais ou menos confiados de acordo com os nossos procedimentos, o que de imediato nos lança para a disciplina canina de guarda e para dois dos seus conteúdos de ensino – a recusa de engodos e a natureza dos seus ataques, considerando a sua salvaguarda, já que são menos instintivos e mais ricos em personalidade que os lobos na sua origem. Um cão bem alimentado não anda a roubar, a procurar ou pedinchar comida e muito menos a aceitá-la da mão de estranhos. O que torna um cão ladrão ou é a fome (carências alimentares) ou a nossa conivência, o que o leva a pedinchar comida é a nossa anuência e/ou ausência de disciplina, a sua aceitação de comida da mão de estranhos prende-se com os antecedentes permitidos.
Naturalmente cautelosos, os cães não dispensam a cautela nos seus ataques, sendo geneticamente propensos ao estudo das presas e à procura de vantagens. A cegueira dos seus ataques, quando não resulta do uso de raças ou de indivíduos psicologicamente impróprios, provém da cegueira humana induzida que desconsidera a sua salvaguarda, condicionamento que nas situações reais torna os seus ataques instintivos e como tal passíveis de lhes causar grande dolo e até a morte, mercê dum condicionamento artificial que sendo impróprio, os vulnerabiliza tanto quanto os lobos. É importante não esquecer que os cães aceitam qualquer investidura por apego aos donos, particularmente quando confiados na experiência feliz, violência que os leva ao engano e fá-los desconsiderar o perigo ou perigos, transformando-os em alvos de abate fácil e carne para canhão.
Regressando ao tema da comida, convém adiantar medidas ou regras que reforcem a cautela dos cães, que jamais deverão ter um comportamento confiado diante dos perigos que os cercam e dos inimigos que os esperam (todos os anos são assassinados cães por envenenamento), sabendo que eles serão tanto ou mais cautelosos quanto nós o formos. São doze as regras que adiantamos nesta matéria: 1ª _ Dê ao seu cão uma ração de acordo com a sua idade e actividade física, capaz de repor-lhe as energias perdidas e de manter-lhe os índices atléticos; 2ª _ Só o deixe comer debaixo de ordem; 3ª _ Faça a sua distribuição num comedouro regulado para a altura do cão; 4ª _ Mantenha religiosamente os horários de distribuição; 5ª _ Evite alterar o lugar do comedouro/bebedouro; 6ª _ Não lhe dê guloseimas fora do seu prato da comida; 7ª _ Não lhe dê petiscos fora dos horários da refeição; 8ª _ Não consinta que lhe pedinche comida; 9ª _ Não o deixe vasculhar sacos e caixotes do lixo; 10ª _ Não lhe jogue comida para o chão e repreenda-o quando espalha o seu penso no solo; 11ª _ Resista a dar-lhe comida na rua e 12ª _ Não consinta que outros lhe dêem de comer. Depois destas medidas preventivas, irá ser muito fácil ensinar-lhe a recusa de engodos na célebre e desejável relação entre tratamento e treino. Apesar dos cães nascerem cautelosos, todas as cautelas são poucas quando a sua vida corre risco.    

NÓS POR CÁ: A MORTE DOS SOLDADOS NOS COMANDOS

Lamenta-se a morte dos jovens soldados em questão, como se lamenta a morte de qualquer um nas mais variadas circunstâncias. Não acreditamos que tenham sido atraídos para a morte ou que tenham morrido em vão, porque o Corpo que abraçaram estava a treiná-los para sobreviver nas condições mais hostis e eles correram por sua conta e risco atrás dos seus livres desejos. Morreram na instrução como poderiam vir a morrer no cumprimento das suas missões, sabendo-se que infelizmente nem todos os que vão para a guerra regressam. A morte destes audazes está a ser desrespeitada e explorada pelos meios de comunicação social, que vivem do sensacionalismo para alcançarem o imperioso aumento de audiências, dando-lhe um cariz de tragédia grega.
A esmagadora maioria de jornalistas e políticos não entende da necessidade de tal tropa, a sua importância e aquilo que exige, enquanto bichos de secretária e polidores de bancadas parlamentares, apesar de todos se referirem amiúde à necessidade da independência e soberania nacionais. E no meio do alarido dos cobardes e perniciosos, Marcelo Rebelo de Sousa, enquanto Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, sossegou a Nação ao confiar na Instituição Militar e nas conclusões do inquérito que levará a cabo, realçando a importância das Forças Armadas para o País e a justeza dos seus procedimentos, que não inocentará abusos ou abusadores caso os hajam. Portugal precisa dos seus Comandos e eles como poucos têm elevado bem alto o seu nome. Dispensá-los-emos quando as guerras acabarem, o que infelizmente não será para breve. Até lá, continuaremos a precisar de militares altamente preparados para as missões mais difíceis, gente capaz de dar a sua vida para vivermos em paz, aqueles cujo lema é: “Audaces Fortuna Juvat”.   

sábado, 10 de setembro de 2016

SEMANA FINLANDESA

Esta semana tivemos vários leitores da Finlândia (só hoje foram cinco), novidade que muito nos apraz. Esperamos que mais finlandeses nos visitem e estabeleçam intercâmbio connosco. Da Escandinávia ali ao lado, suecos e noruegueses são visitas assíduas e os dinamarqueses são os que menos nos visitam. O número de leitores da Holanda, da Macedónia e do Mundo Árabe tem vindo a aumentar, assim como os provenientes da Indonésia e da Indochina. Agradecemos a todos a preferência e esperamos continuar a merecer o seu interesse.

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
3º _ NUNCA OUVI LADRAR O MEU PASTOR ALEMÃO NEGRO, editado em 17/10/2013
4º _ WOLFDOG KUNMING (昆明狼狗):A HIBRIDAÇÃO LUPINO/SPITZ PARA FINS MILITARES, editado em 20/07/2015
5º _ COYWOLF: UM HÍBRIDO COM MUITO QUE CONTAR, editado em 08/09/2016
6º _ PASTORES ALEMÃES LOBEIROS: O QUE OS TORNA ESPECIAIS, editado em 02/11/2015
7º _ O ESTRANHO ANÚNCIO DOS PASTORES ALEMÃES CASTANHOS, editado em 26/04/2013
8º _ HOJE VI MAIS UM E NÃO QUERO VER MORRER OUTRO ASSIM!, editado em 07/09/2016
9º _ O CÃO LOBEIRO: UM SILVESTRE ENTRE NÓS, editado em 26/10/2009
10º _ O MELHOR E O PIOR DO PASTOR SUÍÇO: ANÁLISE MORFOLÓGICA E FUNCIONAL, editado em 21/06/2011

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país obedeceu à seguinte preferência:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Alemanha, 4º Reino Unido, 5º Estados Unidos, 6º Espanha, 7º Angola, 8º Holanda, 9º Ucrânia e 10º Quénia.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

QUANTO VALE UM CÃO SÓ COM TRÊS PERNAS?

Quanto vale um cão só com três pernas? Para Owen Howkins, um menino britânico com sete anos de idade, portador duma doença rara que lhe ataca todos os músculos e que o impede de andar, um cão assim vale muito, particularmente se for como o seu amigo Haatchi, um Pastor da Anatólia que o acompanha para todo o lado. O Haatchi, foi resgatado quando se encontrava ferido pela RSPCA (Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals), entidade equivalente à Liga Portuguesa dos Direitos do Animal, e posteriormente entregue àquela criança. Por mérito do cão e pela confiança que transmite, o menino deixou de sair à rua encapuçado, está a “sair da concha”, as pessoas olham-no com menos dó e fazem-lhe perguntas sobre o cão, pormenores que o têm ajudado na sua inserção social. E uma vez dito isto, cada um que tire as suas conclusões.  

URL: O CÃO PARA COMBATER PEDÓFILOS E PORNOGRAFIA INFANTIL

O “URL” (Earl) é um Labrador preto nascido nos States que está a tornar-se internacionalmente famoso pela sua história e serviço, porque se encontrava num abrigo para cães, foi rejeitado por duas famílias, esteve em vias de ser abatido e acabou incorporado na Polícia de Utah, depois de seis meses de treino e de 10.000 dólares gastos na sua formação. Este Labrador, agora com 17 meses de idade, é um dos seis cães policiais que nos Estados Unidos são especializados na detecção de armazenamento electrónico (cartões Micro SD, pen drives, telemóveis, etc.), onde normalmente pedófilos e terroristas guardam os seus planos, contactos e porcarias. E com não há duas sem três, o bom do URL ainda dorme em casa do seu parceiro: o detective Cameron Hartman. Quantos “URLS” teremos por cá nos canis camarários e de acolhimento? Será que já mandámos alguns para as Filipinas e para a Coreia do Sul, enviados como animais de companhia e transformados em iguaria? Não sabemos quantos haverá porque também ninguém os procura! Não poderão as nossas polícias recrutar parceiros válidos nos canis de acolhimento? E não seria tal um bom exemplo? Infelizmente há coisas que só acontecem lá fora! 

PIADA DA SEMANA: CONFUSÃO SEMÂNTICA

Um orgulhoso pai inglês, por ter mandado o filho estudar para Portugal, decide telefonar-lhe para saber da sua evolução na língua de Camões: Hello son, are you okay? How is your portuguese? Sem hesitar, o filho responde-lhe: Hello father, he can not answer at this time, he’s taking a bath!

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

COYWOLF: UM HÍBRIDO COM MUITO QUE CONTAR

Com cerca de um século de existência (1919), o “Coywolf”, um híbrido de Coiote, Lobo Vermelho e Cão (maioritariamente de Pastor Alemão e Dobermann), prolifera na Província canadiana de Ontário, no nordeste dos Estados Unidos e avança agora para o sudeste norte-americano, alcançando novos territórios que as espécies selvagens na sua origem jamais ousariam, chegando inclusive a cidades como Washington, Boston e New York (estima-se que o seu número já ultrapasse um milhão). Esta subespécie ou nova espécie, outros dirão como classificá-la, surgiu naturalmente da hibridação atrás citada sem intervenção humana directa, resultando do desmatamento e da desenfreada caça ao lobo ocorridos na região Sul da província canadiana de Ontário, que quase levou à extinção do Lobo Vermelho e que o levou a procurar novos parceiros para copular (coiotes e cães domésticos).
O Coywolf apresenta na sua construção 60% de Coiote, 30% de Lobo Vermelho e 10% de Cão, infusão que o torna forte, inteligente e evasivo. Contrariamente à maioria dos híbridos, que são naturalmente menos vigorosos e mais frágeis quando comparados com as espécies na sua origem, o Coywolf demonstra uma adaptabilidade superior em diferentes territórios e ambientes, sendo um predador capaz de caçar tanto em florestas cerradas como em pradarias e para além delas, já que a contribuição dos cães domésticos permite-lhe adaptar-se ao viver citadino pelo alcance de novas dietas, das quais fazem parte abóboras, melancias e outros produtos hortícolas, assim como alimentos descartados, caçando também ratos, esquilos e até gatos, sendo também necrófago. A contribuição dos lobos e dos cães dotou-o de maior tamanho - 25 kg, sensivelmente o dobro do encontrado no coiote comum, de maiores mandíbulas e força de mordedura, de mais músculos, velocidade e poder de choque, sendo capaz de derrubar sozinho um veado e em matilha de abater um alce. Preferencialmente usa as redes ferroviárias para alastrar o seu território e tornou-se noctívago para se ajustar ao viver nas cidades.
Diante de tudo isto, estamos na presença de uma fantástica história de evolução. Os Coywolves uivam para unir o seu grupo ou para marcarem território, fazendo-o também quanto se encontram satisfeitos, nascem em tocas escavadas em encostas ou a coberto de árvores caídas no mês de Junho. O ensino dos cachorros é feito pelos pais e a sua formação acontece em pântanos “cranberry”, onde abundam arbustos dotados de frutos suculentos. Andam em média de 10 a 15 milhas por noite, apesar de haver notícia de alguns Coywolves terem caminhado 50. A sua grande mobilidade, mais do que qualquer boom, explica por que razão são vistos por toda a parte. Não é fácil capturá-los para estudo, porque são particularmente desconfiados e pouco arriscam, sendo necessário muita paciência e boa carne nas armadilhas. Muitos deles têm sido capturados para estudo do seu ADN e posterior implantação de coleiras de rádio, acção que visa um melhor conhecimento dos seus hábitos e rastreamento. Apesar de ser legal caçá-los de Outubro a Março no Estado do Massachusetts, a sua população é considerada estável e dificilmente virão a atacar seres humanos.
O treino convencional destes canídeos é praticamente impossível, porque nasceram para ser autónomos e são muito ricos em instintos, o que os torna particularmente desconfiados e obviamente pouco ou nada cúmplices, pormenores que ficam a dever-se ao alto percentual de coiote na sua construção, reforçado pelo percentual de lobo nela existente e à pouca contribuição dos cães na sua formação. Contudo, se invertermos o percentual dos caninos presentes na sua formação, dando-lhe 60% de Cão, 30% de Lobo e 10% de Coiote, podemos alcançar bons companheiros e até bons guardiões. Se procurarmos cães para a detecção ou para o rastreamento, o ideal é fazê-lo com 70% de Cão e 30% de Coiote ou de Chacal, sendo este último muito bem aproveitado para o efeito pelo biólogo russo Klim Sulimov, na década de 80 do século passado, que comprovou a sua eficácia na detecção de explosivos nos aeroportos russos.
Exceptuando a última hibridação cão-lobo levada a cabo recentemente pelos russos, com uma subespécie do lobo cinzento e nativa do Mar Cáspio, a maioria dos cães-lobos tem sido votada ao desastre, acontecendo o contrário nas hibridações entre os cães selvagens e os domésticos, dos quais o Wolfdog Kunming chinês é exemplo. Estamos convencidos, porque já o experimentámos, falando de cães-lobo, que a hibridação com o Lobo Ibérico (Canis lupus signatus) é viável e profícua. De qualquer modo, se ao invés do lobo para melhorar os cães tivéssemos usado o chacal, seríamos melhor sucedidos, muito embora essa hibridação seja melhor alcançada pela contribuição de cães tipo spitz ou eurasier, porque estes melhor do que outros conservam as qualidades de ambas as espécies que são indispensáveis ao trabalho procurado.
O futuro do cão-lobo, logo à partida condenado, passará por mais cão e menos lobo, pela redução do percentual do Canis lupus nos Wolfdogs. O despertar para as mais-valias do Chacal, que tardiamente aconteceu, parece que veio para ficar e um pouco por toda a parte é solicitado para a formação de novos cães de trabalho nas suas mais variadas vertentes ou especialidades. Pondo de parte as expectativas, os desafios e os benefícios lançados pela hibridação, importa atentar para o Coywolf como o mais insigne exemplo de evolução dos nossos dias.  

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

HOJE VI MAIS UM E NÃO QUERO VER MORRER OUTRO ASSIM!

Quantos donos têm sido condenados por negligência ao serem responsáveis pelo atropelamento dos seus cães? Não temos conhecimento de nenhum! Hoje vimos morrer mais um cão atropelado, um Border Collie que se soltou duma árvore onde se encontrava preso, saindo dali a correr atrás do seu dono, atravessando uma passagem para peões em alta velocidade e acabando esborrachado pelo pneu traseiro duma viatura. O dono, que se encontrava inconsolável, nunca condicionou o cão a parar e a sentar-se junto das passadeiras para peões, irresponsabilidade que acabou por vitimar o seu companheiro.
Algumas escolas caninas lembram ATL’s (Actividades de Tempos Livres), porque ávidas de cativar a sua clientela, vendem truques aos donos e desprezam a salvaguarda dos animais, ensinando movimentos e figuras para o show ao invés de apostarem na sobrevivência dos binómios, como se todos os comandos fossem lúdicos e perigo não cercasse os cães. Neste contexto o que mais interessará: ensinar um cão a dar a pata ou ensiná-lo a atravessar uma estrada?
Ainda que à partida poucos pensem nisso pelo entusiasmo que procuram, as escolas caninas estão cá para valer ao quotidiano dos cães e a validade do treino é comprovada dentro dos seus lares e na rua, porque doutro modo o préstimo escolar facilmente se confundirá com o circo e a magia. Todos os cães carecem de aprender a atravessar uma estrada em segurança e a fazê-lo sempre nas passadeiras para peões, condicionamento que os levará a sentar-se, observar e só depois avançar, procedimentos e currículo que nenhuma escola canina poderá dispensar. Por mais estranho que nos pareça, morrem por atropelamento mais cães com dono que os ditos abandonados, porque os últimos aprendem com os transeuntes onde e quando atravessar. Teremos cães para os matar? Quem ainda não ensinou o seu cão a atravessar uma estrada, já o deveria ter feito e se ainda não o fez, não sei do que está à espera! 
PS:Bem sabemos que os negligentes sempre têm muito que fazer, tanto que nada fazem, causam vítimas, choram a sua má sorte e dizem-se injustiçados.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

ELES AÍ ESTÃO!

Na foto acima podemos ver dois cachorros Irish Wolfhound aparentemente iguais a tantos outros, o que não corresponde à realidade já que são gémeos idênticos, os primeiros no Mundo, nascidos na África do Sul e de cesariana, indivíduos de ADN igual mas com subtis diferenças nas suas marcações. Os cachorros, ambos do sexo masculino, que receberam os sugestivos nomes de Cullen e Romulus, originários da divisão de um embrião, nasceram unidos com os cordões umbilicais dentro da mesma placenta. O seu nascimento por cesariana ficou a dever-se à angústia e ao esforço abdominal prolongado da sua mãe, e também a um abaulamento incomum do seu útero. A confirmação da condição de gémeos idênticos veio dos especialistas reprodutivos Carolynne Joone da James Cook University/Australia e de Johan Nöthling da Pretoria University/South Africa, confirmação tirada a partir das amostras de sangue que lhes foram enviadas, quando os cachorros alcançaram às duas semanas de idade. As conclusões destes especialistas encontram-se publicadas na revista da especialidade em língua inglesa “Reproduction in Domestic Animals”. Resta-nos desejar felicidade e longa vida a estes inesperados gémeos.  

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ SWEETY UND KAI BECKER, editado em 28/08/2016
3º _ CADERNO DE ENSINO: XXXIV. OS BRINQUEDOS, editado em 28/10/2010
4º _ CANAAN DOG: O PRIMO DO MÉDIO-ORIENTE, editado em 12/12/2014
5º _ ANDICS COMPROVOU O QUE SABÍAMOS HÁ MUITO TEMPO, editado em 31/08/2016
6º _ HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE?, editado em 11/05/2016
7º _ ATAQUES A ALVOS IMÓVEIS: O INIMIGO, editado em 09/08/2014
8º _ NÃO HÁ FOME QUE NÃO DÊ EM FARTURA, editado em 28/08/2016
9º _ O CÃO LOBEIRO: UM SILVESTRE ENRE NÓS, editado em 26/10/2009
10º _ AMOR PARA A VIDA E PRÁ ALÉM DA MORTE, editado em 29/08/2016

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado: 
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Reino Unido, 4º Alemanha 5º Estados Unidos, 6º França, 7º Espanha, 8º Quénia, 9º Rússia, 10º Angola.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

MAIS UM MÊS E O RADAR TERÁ COMPANHIA

Finalmente recebemos um email da Família Carreiras. A dupla João/Radar recomenda-se e a Joana tem passado bem. Estiveram aqui em Julho e no Natal retornarão para passar alguns dias de férias com as respectivas famílias. Dentro de sensivelmente um mês, a Família aumentará e o Radar já terá companhia. Oxalá tudo corra bem, o parto seja rápido e a menina nasça saudável, forte e escorreita. Logo que possível daremos notícia do feliz evento. Felicidades para os quatro! 

ANDICS COMPROVOU O QUE SABÍAMOS HÁ MUITO TEMPO

O Dr. Attila Andics, etólogo e investigador da Universidade de Eötvös Loránd/Budapeste/Hungria, comprovou mediante observações feitas num scanner de ressonância magnética, que os cães entendem o que dizemos e como o dizemos - as diferentes entoações que damos às mesmas palavras; que eles usam o hemisfério esquerdo de seu cérebro para processar o significado das palavras e seu lado direito para trabalhar a entoação, exactamente da mesma forma que os humanos processam a linguagem. Tais conclusões reforçam o papel das entoações que damos às palavras que lhes dirigimos. Quando elogiamos um cão e o tom usado é de louvor, o centro de recompensa do seu cérebro é activado e dispara, mas se dissermos o mesmo num tom apático, o cão vai perceber que não está a ser verdadeiramente elogiado. Do mesmo modo, um cão não deixará de nos lamber se o repreendermos debaixo de riso.
Há muito que havíamos constatado isto no adestramento, experiência que transmitimos através dos nossos manuais escolares nos textos “IMPACTO VISUAL, RESPIRAÇÃO E ENTOAÇÃO DE COMANDOS” e “CARÁCTER DA ENTOAÇÃO DOS COMANDOS”, normalmente distribuídos aos nossos candidatos a monitores. Conhecedores da importância dos comandos verbais e da sua entoação, sempre solicitámos aos nossos alunos que os proferissem através de uma voz clara e modelada, porque adestrar é também equipar os donos. Em simultâneo, sempre instámos com os nossos instruendos para que usassem a entoação adequada nos comandos solicitados, já que dissonância entre o tom e a ordem tende à desobediência dos animais. Conhecedores da importância da voz humana no adestramento, requisito técnico que muito contribui para o condicionamento procurado, quando usado a preceito, bem depressa reconhecemos ser ela válida por si mesma como recompensa, quando reforçada pela mímica que a acompanha, o que teve como resultado a fixação exclusiva na pessoa dos donos e a formação de cães impolutos e incorruptíveis. O “Reforço Positivo” não se limita à distribuição de guloseimas ou ao uso de brinquedos, vai ainda para além disso, estruturando-se também na linguagem e entoação utilizadas, que ao serem perceptíveis, tornam os cães solícitos pela gratidão que nutrem pelos donos. 

PIADA DA SEMANA: O ENCONTRO

Duas senhoras muito produzidas, hoje entendidas como “tias”, encontram-se à mesa dum café e uma relata para a outra o encontro que teve na noite anterior: Ai rica foi horrível! Começou por beijar-me com tanta força que me mordeu os lábios, de tal maneira que receei que me saltasse o implante de colagénio. Depois acariciou-me os cabelos ao ponto de me saltarem algumas extensões. Agarrou-se à minha cara com tal ímpeto que temi que o botox se espalhasse por ela abaixo e até as minhas pestanas postiças ficaram coladas ao seu nariz. Tive que o mandar parar. Depois avançou para as minhas pernas e começou a acariciá-las. Lembrei-me que não tinha feito a depilação e ao pará-lo saltaram-me duas unhas postiças. Dominado pela luxúria, abraçou-me com tanta força que quase alterou a forma dos meus implantes de silicone. Seguidamente pôs-se a beber champanhe do meu sapato e quase que morria sufocado por ter engolido o corrector de joanetes! E depois o que aconteceu? - perguntou-lhe a amiga. Acreditas que se foi embora?! – respondeu-lhe. A amiga chocada com aquele desfecho, exclamou: Cá para mim era maricas!

FLAGRANTES DA VIDA REAL: O SACRO E O PROFANO DAS NOSSAS ROMARIAS

Uma inequívoca manifestação de “Ex opere operato”: Eu vou, mas vou contrariado! O piedoso mocetão não estudou latim e como tal desconhece a célebre frase do poeta Catulo: “irrumabo vos et pedicabo vos". E depois, o Padre não é obrigado a saber inglês! Adoramos a sacralidade das nossas populares festas religiosas, porque a seguir às procissões costumam saltar para o adro da igreja três ou quatro moçoilas esculturais, tal qual “Afrodites”, que dançando com pouca roupa, acabam por mostrar o fio dental. Não há nada como a fé do povo, isto é cultura meus senhores, genuína e bem preservada cultura greco-romana!

terça-feira, 30 de agosto de 2016

ACABAR COM A VIOLÊNCIA ANTES QUE ELA ACABE CONNOSCO

Apesar das sociedades ocidentais estarem cada vez mais violentas, a venda e a incitação à violência não param de aumentar, particularmente entre os adolescentes que mais cedo começam a matar, sucedendo o mesmo nas reinventadas sociedades teocrático-repressivas que há mil e quatrocentos anos apelam ao martírio, justificam o assassinato e que fazem do castigo justiça. A escalada global da violência atinge também Portugal, cuja sociedade se encontra fragilizada pela novidade de conceitos e pela ausência de parâmetros, inundada por modelos sociais e familiares alheios, para os quais não se encontrava e não se encontra preparada. Diante desde espectro a solução é simples: ou acabamos com a violência ou ela acabará connosco!
A proliferação da pseudonovidade e a má qualidade da informação têm sido responsáveis pelo agravamento do fenómeno, bombardeio que tem vindo a fragilizar as famílias e a dotar crianças e jovens dum estatuto de “geração espontânea”, como se não devessem obediência a ninguém, os seus educadores pertencessem a um modelo há muito ultrapassado e tudo lhes fosse permitido. Tardiamente arranjámos leis e estatutos para os proteger mas ainda não encontrámos meios para nos defendermos das suas arremetidas e abusos, antídotos seguros para o seu desnorte, desadaptação, pouca aplicação, desinteresse, revolta, suicídio e outros crimes (os professores e outros pedagogos que o digam!).
Algo vai ter que mudar na família, na educação, na escola, na sociedade e na política dos homens e mulheres do amanhã, porque a presente utopia tende a ultrapassar a mais arrojada das anarquias, a exacerbar o culto individual em detrimento do bem-estar e esforços colectivos. Não temos como pretensão mudar o mundo mas podemos valer a muitos e contribuir para o decréscimo da violência. E quando dizemos nós, estamos a referir-nos aos adestradores, nomeadamente os civis ou aqueles que trabalham para eles, a quem cabe nesta matéria um importante papel, porque são duplamente pedagogos (de homens e cães), exercem profunda influência nos mais jovens e tendem a constituir-se em exemplo para pequenos e graúdos, não se escapando alguns e por causa disso a romances mais ou menos escaldantes. Depois do que dissemos, perguntamos-lhes: o que é um bom cão? Um que morde em quem queremos, um que não faz mal a ninguém ou outro que pode valer a muitos? A resposta parece óbvia.
Na impossibilidade de conserto dos desacertos familiares (as famílias monoparentais são cada vez menos excepcionais e apenas apresentam como vantagem a menor carga fiscal) e da ausência de modelos válidos para a educação dos mais novos, cuja plasticidade é física, psicológica e cognitiva, cabe à escola um papel deveras importante na sua formação, que deverá alterar, adaptar e actualizar os seus conteúdos de ensino, contribuindo assim para o interesse e bem-estar dos seus alunos, facilitando a sua futura integração na sociedade. Ainda hoje não compreendemos porque se ensinam tão tarde e tão pouco ciências como a Física e a Filosofia, porque não há no efectivo de cada estabelecimento de ensino um psicólogo. Teremos falta deles ou só serão válidos nos casos patológicos?
Indubitavelmente subsiste uma má relação entre a escola e as famílias, responsável muitas vezes pelo subaproveitamento ou mau rendimento escolar dos alunos. E se as famílias causam entraves à escola, então terá que ser ela a aproximar-se dos lares, colmatando as insuficiências neles presentes, mormente de carácter afectivo e por conseguinte de cariz social. Consegui-lo-á através de actividades divididas, mercê de tarefas que englobem pais e alunos. Nisto poderá haver também uma correlação entre o adestramento e a escola, considerando a paixão generalizada das crianças pelos cães e a dificuldade que a maioria delas tem em ter o seu próprio cão. É evidente que estamos a tratar da terapia canina, do despoletar ou do aumento da serotonina que o simples afagar dos cães oferece e que poderá pôr em sintonia pais e filhos, por norma com pouco tempo de convívio mútuo. À parte disto e considerando o bem-estar dos cães, que melhor acção e campanha poderíamos desenvolver contra os maus tratos e abandono que continuam vitimá-los?
Decididamente o adestramento não é uma panaceia mas também não deverá prestar-se ao eclodir ou potenciação de comportamentos marginais, coisa fácil de acontecer quando treinamos cães como armas e ensinamos os seus donos a usá-las, já que grande parte deles não possui a maturidade, o equilíbrio e a responsabilidade para tal empresa, o que mais agravará os seus desvios. Sim, o combate à violência passa também pelos Centros Caninos, que ao invés de se dedicaram à experimentação bélica, deverão usar os cães como uma ocasião para a paz e para a fraternidade, desenvolvendo actividades binomiais, que sendo do agrado dos animais, serão de grande préstimo para os seus donos e para a sociedade. O combate à violência começa dentro de cada um de nós e se lhe dermos combate, menor será o número daqueles que a abraçarão. O que mais valerá: o cão que guarda o seu quintal ou aquele que sai dele para socorrer e resgatar quem se encontra em aflição? Os cães já participaram em demasiadas guerras, há que sossegá-los para que nos tragam a paz! 

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

AMOR PARA A VIDA E PRÁ ALÉM DA MORTE

A dedicação dos cães pelos seus donos não é de hoje e como se repete amiúde por milénios, nem sempre merece o devido destaque. Todavia, na semana que findou, 3 cães foram destacados pela imprensa internacional: o Cocker vermelho que permaneceu ao lado do caixão do seu dono, morto pelo sismo em Itália; o Akita Americano Keola, que em Doncaster/South Yorkshire/Inglaterra alertou a sua dona grávida para uma grave infecção que a atormentava, acabando por salvá-la e ao bebé; e um Poodle chamado Polo que em Baltimore/Estados Unidos, no meio dum incêndio, salvou a bebé da sua dona ao deitar-se por cima dela, vindo depois a morrer. Perante tais exemplos só nos resta dizer que o amor dos cães é para a vida e vai para além da morte. Não deveria haver nas grandes metrópoles um monumento "ao heróico cão desconhecido"? Nós achamos que sim!