quarta-feira, 24 de agosto de 2016

QUANDO OS DEIXAM PEGAR EM TUDO ATÉ VIRAM FAQUIRES!

Por vezes o desencanto com as pessoas é tão e grande e a solidão tão gritante que alguns proprietários caninos tudo consentem aos seus cães, insanidade corrente que pode pôr em risco a saúde e até a vida dos animais, que deverão saber no que devem pegar ou não. Deu entrada recentemente num hospital veterinário em Sidney/Australia, um Staffordshire Bull Terrier com seis meses de idade, que segundo os seus donos apresentava dores de barriga. Sujeito a uma bateria de exames, veio a revelar-se que havia engolido a lâmina de uma faca de cozinha com 20 cm de comprimento (foto acima), estando em risco de vida. Os seus donos ignoram como ela foi lá parar, a extracção já foi feita, o cachorro sobreviveu, encontra-se agora em convalescença e livre de perigo. Que sorte dos diabos!
Mostramos alguma relutância em aceitar que os cães domésticos continuem a não ser alvo de qualquer educação básica, considerando a sua condição animal, tendências particulares e a enormidade dos perigos que os cercam. Educar um cão é algo que está além dos truques que possamos ensinar-lhe, geralmente associados ao nosso ego e prazer, ao invés, é adaptá-lo e adequá-lo convenientemente para a coabitação que dele exigimos, num mundo estranho que não lhe provoca estranheza ou receio pelo tanto que lhe queremos (connosco tudo podem). Logo a seguir ao amor que não dispensa, emerge a disciplina que o sustenta e que pode salvar-lhe a vida, já que o amor pelos cães não deverá ser inconsequente e ser baseado em expectativas ao ponto de nos afastar da realidade. Uma coisa é certa: donos impróprios resultam em cães disparatados.
Todos os cães que não são objecto de algum ensino, por menor que seja, tendem a mandar ou a desrespeitar os seus donos, a sujeitá-los à sua vontade e a incorrem num sem número de perigos, despropósitos advindos de uma liderança precária que desconsiderou a pedagogia necessária para a sua coabitação harmoniosa, bem-estar e longevidade. Os cães precisam de saber o que lhes é permitido e aquilo que lhes é proibido, porque doutro modo serão ou causarão vítimas de acordo com o seu rudimentar parecer, no que lembram também as crianças e a sua maior ou menor responsabilidade.
E se há coisas que desde logo importa disciplinar, uma das mais importantes é o que devem abocanhar e aquilo que não devem, que numa fase adiantada só levarão à boca o que lhes for solicitado por quem de direito – os seus donos, o que evitará grande número de disparates e poderá até salvar-lhes a vida.
E se há que abocanhar ou transportar algo, que seja os seus brinquedos e aquilo que é necessário aos seus donos, desde que esses acessórios, volumes ou pertences não ponham em risco a sua integridade e sobrevivência. O ocorrido na Austrália acabou em bem mas todos os dias, em qualquer parte do mundo, episódios idênticos acabam muito mal. Se o amor que nutre pelos cães o impede de discipliná-los, não os adquira e peça para fazer festas aos alheios, caso os seus donos nisso concordem.  

MAIS PRAIAS PARA CÃES, MAIS TURISMO, MAIOR RIQUEZA

Abriu recentemente a primeira praia para cães na Croácia, na pequena cidade de Crikvenica, no Mar Adriático, melhor apetrechada para atender donos e cães que a sua congénere portuguesa de Peniche, muito embora seja de louvar a iniciativa pioneira dos autarcas penicheiros. Longe de ser um gueto, um picadeiro canino a céu aberto ou um local próprio para recambiar os "tontinhos" dos cães, a praia de Crikvenica é um lugar paradisíaco, de águas calmas, com o conforto necessário aos donos, perto do centro da cidade, com bom estacionamento e aberta o ano inteiro, onde os cães são mimados e tratados como reizinhos, tendo ainda à sua disposição um bar (Monty Beach Bar) que lhes oferece cerveja e sorvetes apropriados, a primeira feita a partir de carne de vaca ou frango, não-alcoólica e rica em de malte de cevada.
Como todos sabem a Croácia é um dos destinos turísticos europeus, particularmente para os naturais do centro e leste da Europa, onde os alemães assumem algum destaque. Diante desta iniciativa só nos resta louvar os croatas pelo arrojo do seu empreendedorismo, muito embora seja ainda possível fazer melhor.
Se há coisas em Portugal que são directamente proporcionais, uma delas é a relação entre a falta de iniciativa e a pobreza, no que não difere doutros iguais e doutros economicamente mais débeis. Este ano exulta-se o aumento dos turistas e o seu contributo para o equilíbrio das nossas contas públicas, aumento que ficou a dever-se a um conjunto de factores externos e não a um maior investimento interno no sector. Valeu-nos o facto do Norte de África se encontrar “a ferro e fogo”, a invasão de refugiados nas praias mediterrânicas, a instabilidade grega, a insegurança em França e os tumultos que afectam a Turquia, já que nada disso aqui acontece e deseja-se que nunca se venha a verificar.
É do conhecimento geral que os europeus continuam com uma baixa taxa de natalidade, que os cães têm vindo gradualmente a ocupar o lugar dos filhos e que são cada vez mais os turistas que se fazem acompanhar pelos seus aperfilhados amigos de quatro patas, que tudo pagam e fazem para os ver felizes. Em simultâneo, ninguém duvida da assimetria turística existente entre o Norte, Lisboa e o Algarve, apesar da região nortenha ter muito para oferecer e continuar a ser muito procurada pelos galegos, que ali se sentem como em casa. Estamos a falar da sinceridade e afabilidade das suas gentes, da riqueza da sua cultura, etnografia, gastronomia, história, património histórico e geografia. Mais do que doutros eventos, tanto o Norte como o interior têm vivido turisticamente dos festivais musicais que por lá se vão realizando, verdadeiros acampamentos sobre um Portugal simultaneamente tão rico e tão esquecido, pleno de praias atlânticas e fluviais. Há que inverter a tendência e dar a conhecer aos turistas o muito que ainda temos para dar.
Quer se goste ou não, os cães são um lobby em ascensão e carregam ao seu redor muita riqueza. Não há nenhum país europeu ou ocidental que não tenha o seu Kennel Club, um calendário regular de exposições e vários campeonatos desportivos caninos, o número de cães de companhia e de terapia continua a crescer e os cuidados que lhe dispensam são cada vez mais esmerados, razões mais do que suficientes para se apostar na oferta de praias para cães e praias temos cá nós para dar e vender, areais imensos e sem cascalho! Por tudo isto, quer entremos no circuito ou não, costumamos abraçar as ideias quando elas já têm pouco para dar, de um momento para o outro, será elaborado um roteiro turístico europeu onde constará o nome, número e localização das praias que cada país tem à disposição dos nossos “fiéis amigos”, que dessa forma melhor poderão acompanhar os seus donos por toda a parte.
Uma praia bem concebida para cães, quer seja atlântica ou fluvial, não deverá ficar distante de outros polos de interesse e deverá ter hotéis por perto, ter bons acessos e estacionamento, ser cómoda e agradável para pessoas e animais, ter um regulamento próprio, ser de amplo espaço, oferecer um conjunto de actividades do agrado dos animais, ser sujeita a assídua higiene diária, distribuir sacos para dejectos e oferecer múltiplos serviços, nos quais deverão estar incluídos o apoio médico-veterinário (os veterinários portugueses passam o Verão a caçar moscas ou vão de férias com magros orçamentos), um serviço de tosquias (cabeleireiro), o aluguer e venda de acessórios (toldos, chuveiros de água-doce, bonés, toalhas, bóias, trelas, brinquedos, biscoitos, etc.), um bar à disposição para refrescamento de donos e cães e pessoal próprio para esclarecimento e fiscalização, que obviamente deverá falar fluentemente outras línguas para além da nativa. Também deverá ser considerada a venda de souvenires. Se os cães são hoje tratados como filhos, considerando o seu bem-estar, as suas praias deverão ser em tudo iguais às próprias para crianças.
Julgamos que um projecto destes é fazível e rentável, como rentável continua a ser a “Baubeach” italiana, que ano após ano tem melhorado a qualidade dos seus serviços e aumentado os seus proventos. Projecto que não terá dificuldades em arranjar os mais variados patrocinadores privados e públicos atendendo à sua natureza e retorno económico. Há que aproveitar o momento! Quem tem capital para obra, tem a vida facilitada e quem o não tem, desde que o projecto “tenha pernas para andar” apresenta-o ao banco. Apesar do projecto ser um desafio para todas as idades, ele cabe de feição aos jovens e aos veterinários empreendedores. Há que trocar o lamento pela iniciativa, ousar ir para diante e apostar no futuro. E se nós não o fizermos, outros virão alugar as nossas praias e fá-lo-ão.   

terça-feira, 23 de agosto de 2016

BENJAMIN ALLEN: UM ECOLOGISTA PRÁTICO OU UM PECUARISTA DA VIDA SELVAGEM?

Os australianos, também conhecidos como os “Cowboys da Oceania”, são gente notoriamente prática, pouca dada a pruridos, pouco afectada por dilemas e dada a soluções radicais, como se houvessem nascido de geração espontânea e não tivessem que dar contas a ninguém. O Dr. Benjamin Allen, ecologista, bolseiro de investigação do Instituto de Agricultura e Meio Ambiente da University of Southern Queensland/Australia, homem de grande experiência com Dingos e outros cães selvagens, tem sido notícia nos media de língua inglesa ao defender que os cães selvagens australianos (dingos e outros), deveriam ser reunidos, processados em carne e enviados para a China, parecer que causou grande alvoroço e revolta nos seus compatriotas defensores dos animais, que de imediato puseram a circular na Internet um abaixo-assinado contra tal ideia e negócio, como meio para impedir a matança e a exportação daqueles cães selvagens para Ásia (desconhecemos qual o parecer dos criadores de cães chineses que os criam para o mesmo efeito).
Apesar de muito proliferarem por aquelas paragens, proliferação que alguns consideram epidemia, a vida não está fácil para os cães selvagens, que continuam a ser abatidos a tiro (aéreo e terrestre) e por atropelamento, recebendo os seus executores entre 10 e 15 000 dólares australianos por cabeça, prémio que lhes é adiantado pelos governos locais mediante a apresentação do escalpe (cabeça ou pele), muito embora estes animais habitem maioritariamente no interior desértico da Austrália, terrenos que pouco a pouco vão sendo conquistados e que são cobiçados pelos fazendeiros e pecuaristas, que não vêem com bons olhos a intromissão dum predador de topo como o Dingo na sua expansão. Quanto ao nosso Dr. Allen, que a si mesmo se chama de ecologista prático mas que suspeitamos ser mais um pecuarista da vida selvagem, irá dar uma conferência em Brisbane, de 30 de Agosto a 1 de Setembro, onde irá divulgar o seu trabalho “Creating dingo meat products for Southeast Asia: potential market opportunities and cultural dilemas” (Criando produtos de carne de dingo para o Sudeste da Ásia: potenciais oportunidades de mercado e dilemas culturais), título mais próximo de um economista que dum ecologista. Certamente haverá outros meios, provavelmente mais dispendiosos e menos lucrativos, para controlar as populações de cães selvagens que dispensem a sua matança sistemática.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

LÁ VAI MAIS UM!

Em Huddersfield, West Yorkshire/England, um homem de 52 anos morreu no Hospital após ter sido atacado por um cão, quando intentava proteger o seu Yorkshire. Os vizinhos que assistiram à cena ainda lhe jogaram uma faca para se defender e um polícia valeu-se de um extintor para cessar aquele ataque. O cão assassino, de nome Alex, de raça considerada não-perigosa, havia sido apreendido pela Polícia em Junho, por ter sido considerado perigoso pela vizinhança, vindo a ser liberto cinco dias antes do ocorrido e entregue ao seu proprietário, após se verificar que não constituía qualquer risco para a população (quem lhe teria feito os testes?). O incidente deu origem a um inquérito policial para apuro de responsabilidades, porque também há quem diga que o animal havia sido detido por ter mordido alguém. O cão foi remetido para um canil policial e o dono, um homem de 29 anos, foi preso, sendo depois solto debaixo de fiança, tendo a Polícia endereçado os seus sentidos pêsames aos familiares da vítima.
Se os carteiros ingleses apresentam sérias dificuldades em lidar com cães, os polícias parecem não lhes ficar atrás, necessitando ambos de séria formação. Atendendo ao número de vítimas, estranha-se que tal se passe num país do 1º mundo, já que nos do 3º ele é menos elevado (se o crime se passasse no Algarve e a vítima fosse um cidadão britânico seria um escândalo!). E se as coisas assim continuarem, o melhor que há fazer é requisitar os serviços do “The Royal Gurkha Rifles” e solicitar-lhe um envio de uns quantos nepaleses para controlarem os bairros metropolitanos onde existem cães, uma vez que usam a faca “Kukri” como ninguém, soldados baratos de 1ª classe, tratados como de 2ª e aposentados como se fossem de 3ª, pois não há como ser pragmático e juntar o útil ao agradável.  
Este crime, para além de evidenciar o despreparo da polícia inglesa, nesta matéria a léguas da nossa GNR, vem mais uma vez realçar a necessidade urgente da educação canina e adiantar que os cães perigosos não são produto exclusivo de determinadas raças. O Dogue Argentino é considerado perigoso no Reino Unido e quem o quiser ter, precisará de uma decisão judicial favorável, comprometendo-se a circular com ele açaimado, atrelado, castrado, tatuado e com um microchip implantado, apesar de ali não haver notícia de qualquer ataque perpetrado por um só indivíduo destes, o que comprova o que atrás dissemos. Sobre o ocorrido em Huddersfield, à falta doutras informações, uma questão se levanta: teria o cão procedido a um ajuste de contas? Como não sabemos, ficamos a aguardar as conclusões do inquérito levado a cabo pela Polícia de West Yorkshire.

domingo, 21 de agosto de 2016

ABANDONO DE ANIMAIS: HERANÇA CULTURAL E MISÉRIA HISTÓRICA

Compreender quem somos e a nossa cultura não é fácil, especialmente quando nos encontramos no País, seguimos os nossos hábitos milenares, pouco ou nada estranhamos e não conseguimos isolar-nos, pelo que vale a pena sair daqui para fora, avaliar Portugal dalém das suas fronteiras e os portugueses na terra dos outros, quando inseridos nessas sociedades nos seus mais diversos patamares. Os maus tratos e o abandono dos animais a que sempre assistimos nunca se distribuíram uniformemente pelo território nacional e por todas as classes sociais, acontecendo com maior frequência nas zonas rurais, entre gente que ainda não cortou os laços com elas e que resiste a ser informada, apesar de viver hoje nas grandes urbes, ser licenciada e não dispensar o computador no seu quotidiano.
Herdámos da nossa mal escondida cultura semita, da qual ainda hoje não gostamos de falar, notadamente sincrética, um especismo que teimamos em não largar e que pouco considera o bem-estar e direitos dos animais, particularmente daqueles que não são rentáveis e que nalguns casos são até desprezíveis, como é o caso dos cães, ainda hoje associados a trabalhos desnecessários e à aspereza de vida, que terão dias melhores de acordo com a sua prestação caçadora e pastoril ou seja, quando se tornam imprescindíveis. Esta concepção cultural levou à formação de um slogan publicitário na década de 60 do século passado que dizia: “Um gato é um gato, um cão é um cão. Sumol é aquilo que os outros não são”, colocando o refrigerante publicitado acima desses animais domésticos. Só debaixo desta herança cultural e miséria histórica podemos compreender que os cães “devam” comer ossos e os gatos espinhas de peixe, que todo o cão e gato que não caçam são para pôr a andar (abandonar).
Ninguém duvida que quanto mais miserável é uma sociedade, pior trata os animais domésticos, como ninguém duvida que as sociedades mais evoluídas tratam melhor os animais ao seu redor. Portugal nunca foi um País rico e por razões sobejamente conhecidas sempre se atrasou a apanhar o comboio do progresso e, ainda hoje assim continua. Quem desejar sair de carro por essa Europa fora com a família e o seu cão, depressa se apercebe da sua chegada a França, porque dali para cima os cães são tratados de diferente maneira e objecto de maiores cuidados, podendo inclusive pernoitar com os seus donos nos hotéis, coisa que em Portugal e Espanha é quase impossível (não há como experimentar).
A chegada da Internet veio revolucionar a nossa relação com os animais domésticos, despertar-nos para os seus direitos e mais-valias, sensibilização que levou também à eleição para o nosso Parlamento de um deputado do PAN (Pessoas-Animais-Natureza) e à aplicação de sanções relativas aos maus tratos e abandono dos animais, o que nos leva a afirmar ser a revolução operada pelo conhecimento superior à conquistada pelas armas e que só a ignorância consegue pactuar com o mal-estar animal. Mesmo assim, segundo últimas notícias vindas a público, só na primeira metade deste ano foram instaurados pela GNR e PSP 282 processos-crime por abandono de animais, o que apesar da vergonha não de ser uma boa notícia. A GNR fez ainda saber que nos últimos 14 meses registou 7.734 contra-ordenações e 709 crimes relativos aos maus tratos e abandono de animais, o que dá uma média de 44 crimes mensais.
Apesar da sensibilização efectuada e da existência de sanções, quais as razões por detrás do aumento de cães abandonados? O momento de austeridade em que vivemos é responsável pelo maior número de pessoas no limiar da pobreza, pelos parcos rendimentos familiares, pela desagregação das famílias e pelo desemprego, condições que em conjunto contribuem para o fenómeno mas que não são únicas. Mais que os factores económicos, sobressai uma trágica opção emotiva que não considera o dia de amanhã, aquela que assiste aos incautos e que os leva a adquirir cães sem ter condições para tal, gente carenciada de esclarecimento e que acabará por votar os animais a uma sorte bem pior que a sua, muito embora saibamos da falibilidade da disciplina perante a afeição. Todavia, cabe a cada um de nós esclarecer e alertar as pessoas para os encargos e cuidados que a aquisição de um cão exige, levá-las a ponderar se têm ou não condições para isso, trabalho que é próprio de quem respeita pessoas e animais, combatendo deste modo a miséria histórica que se transformou em herança cultural, certos do agradecimento canino.

RIO 2016: SEMEAR EXPECTATIVAS PARA PRANTEAR

Parece que os portugueses têm uma necessidade imensa de pranto e de lamento, no que me lembram a avó de uma amiga minha, senhora já falecida, que se dizia santa e digna do Céu, ao ponto de desejar a morte pelo tanto que padecia, à imitação do que Cristo havia sofrido, pelas dores ósseas que a atormentavam e obrigavam a ficar imóvel, ainda que às escondidas se levantasse e andasse normalmente quando assim o entendia. 

No embarque para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, a situação repete-se em eventos desde género, foram muitas as expectativas depositadas nos nossos atletas, que contagiados e extasiados pela esperança à sua volta, prometeram aquilo que não conseguiram: as medalhas e um lugar no pódio. Agora com os jogos a chegar ao fim, onde falhámos estrondosamente por uma “unha negra”, em que no melhor dos casos fomos os primeiros dos últimos, todos lamentamos a esperança que em vão alimentámos. E como nesta coisas há sempre quem procure razões para o logro e quem necessite de justificar-se, seguimos com atenção as declarações dos nossos malfadados atletas, todas elas díspares e ao mesmo tempo iguais.
É evidente que no embrião deste bruar de falsas expectativas está a comunicação social, hoje mais do que nunca a necessitar de mais leitores e de maior número de audiências, a quem a esperança e o infortúnio servem perfeitamente aos seus interesses, mormente quando se trata de uma representação nacional e o patriotismo vem ao de cima. Todos sabemos que justificar derrotas não é fácil, a menos que reconheçamos a superioridade dos nossos opositores, reconhecimento quase omisso nas declarações dos nossos atletas, que alvitraram outras justificações, umas já gastas e outras que chocaram pela novidade e desplante, rematando-as quase todos com a importância de se sentirem bem com eles próprios, como se tivessem ido ali representar-se a si mesmos, custeado a sua deslocação e não tivessem que responder perante a Nação, que não encafuou nenhum deles contra vontade num avião rumo às Olimpíadas - todos foram para lá por terem alcançado os mínimos olímpicos exigíveis e estarem em condições.
Confrontados com o logro, uns disseram que a sua participação serviu de experiência, outros que passaram o calendário de treino adoentados, houve quem se queixasse do clima, de um treino inadequado por ausência de condições, do calendário das provas, quem se contentasse por ter chegado a uma final, quem prometesse que para a próxima faria melhor, quem nada dissesse depois de haver desistido e ainda quem justificasse o seu mau resultado pela pequenez do País, segundo a saga do eterno pranto que sempre nos tem acompanhado. Sobressai nisto tudo uma organização nacional que nos parece mal estruturada, tirada do desenrasque e votada ao “deus dará”, decorrente de uma filosofia e psicologia imprestáveis a quem a possibilidade do milagre não é estranha. Não obstante, apesar dos 17 milhões de euros gastos, há que dar os parabéns à Telma Monteiro por nos ter dado a única medalha que alcançámos.
Corrijam-nos se estamos enganados: a experiência ganha-se nos meetings internacionais; quem esteve doente durante a preparação, não deverá participar; o clima é igual para todos e num clima como o nosso há que aproveitar as estações do ano que mais se aproximam do encontrado no local dos Jogos; se não há condições de treino, não se justifica a participação dos atletas; o calendário das provas é o mesmo para todos e considera os seus tempos de recuperação ; ser 4º numa final é ser o primeiro dos últimos; promessas não são certezas; quem desiste deverá justificar o porquê e a sua futura participação deverá ser repensada e, a grandeza de um país não depende da sua área mas dos homens que nele habitam. Dos países europeus e entre todos os participantes, fomos o último dos medalhados, em parceria com o caribeño Trinidad y Tobago e com os Emirados Árabes Unidos, apesar da Bélgica, da Croácia, da Holanda e da Sérvia terem uma área menor que Portugal (há muitos mais). 
Alguma coisa vai ter que mudar na filosofia e no trabalho do Comité Olímpico Português, das Federações e também dos clubes, que parecem meras agências de viagens (“O Rio de Janeiro continua lindo!”), mais voltadas para o turismo do que para a representação e dignificação nacionais. É preciso mudar a política do desporto em Portugal, que carece de investimento e de ser levado a sério, mudança que deverá começar nas escolas, onde a Educação Física é desprezada e não conta para nada. Será que em Tóquio iremos ter mais do mesmo? Deseja-se que não mas também já não estranhamos!

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015.
2º _ A CASOTA DO CÃO, editado em 29/12/2009
3º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2013
4º _ UMA QUESTÃO DE OLHAR: ELES FALAM COM OS OLHOS, editado em 15/08/2016
5º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
6º _ CONVERSAS SOBRE PASTORES ALEMÃES À MESA DO CAFÉ, editado em 09/08/2014
7º _ O CÃO LOBEIRO: UM SILVESTRE ENTRE NÓS, editado em 26/10/2009
8º _ CARTOON DA SEMANA, editado em 18/08/2016
9º _ DE ABRIL A SETEMBRO COM O PULVERIZADOR ÀS COSTAS, editado em 07/06/2015
10º - SERÁ O BOERBOEL UMA BESTA APOCALÍPTICA?, editado em 02/05/2015

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país obedeceu à seguinte ordem:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Reino Unido, 4º Estados Unidos, 5º Alemanha, 6º França, 7º Moçambique, 8º Ucrânia, 9º Rússia e 10º Quénia.

sábado, 20 de agosto de 2016

NÓS POR CÁ: O QUE FAZER COM O SR. SAAD MOHAMMED RIDHA E OS SEUS “MENINOS”?

Os “meninos” do Sr. Saad Mohammed Ridha, actual embaixador do Iraque em Portugal, gémeos com 17 anos de idade, depois de se terem envolvido numa rixa, num bar de Ponte de Sor, acabaram por cercar um adolescente naquela cidade, a quem deixaram inanimado no meio da rua, após lhe terem desferido múltiplos socos e pontapés, na madrugada da última 4ª Feira. Um destes “meninos” frequentava aulas de vôo em Ponte de Sor e nenhum deles tinha habilitação legal para conduzir o carro do corpo diplomático em que se deslocavam. A vítima, um jovem português de 15 anos, do sexo masculino, acabou por ser transportado de helicóptero para o Hospital de Santa Maria, onde se encontra internado em estado grave, com prognóstico reservado, várias fracturas e com traumatismo craniano, sendo objecto de coma induzido e alvo duma cirurgia reconstrutiva, literalmente a lutar entre a vida e a morte. Os agressores, depois de identificados e detidos pela GNR, acabaram por ser soltos, por gozarem de imunidade diplomática. O assunto foi entregue à Polícia Judiciária e o “menino” iraquiano que frequentava a escola de vôo acabou dela expulso na sequência dos acontecimentos.
O actual Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, esclareceu ontem que as autoridades judiciárias não lhe solicitaram qualquer diligência e que caso o façam, desenvolverá as acções "necessárias e adequadas"?! Não deveria o titular da pasta dos Negócios Estrangeiros ter contactado de imediato o seu homólogo da Administração interna e através dele convocar de imediato as polícias e encabeçar o processo? Ficámos também a saber que há um “inquérito” a decorrer (o Presidente da República diz-se chocado com os acontecimentos).
Agosto e futebol são sagrados em Portugal, porque no primeiro se vai a banhos e o segundo parece ser o que mais interessa ao País. Apesar da Convenção de Viena proteger os “jovens meliantes”, o seu paizinho e eles deveriam ser jogados porta fora e declarados “persona non grata” sem apelo nem agravo, não sem antes indemnizarem exemplarmente a vítima, caso sobreviva, o que não invalida uma manifestação popular de repúdio à porta da Embaixada Iraquiana, coisa que dificilmente acontecerá e que facilmente aconteceria caso a vítima fosse uma baleia ou outro animal. A ausência de fraternidade entre os portugueses é histórica como histórico é o desprezo dos nossos governantes pelo povo. E como sempre, espera-se que não pela gravidade do ocorrido, tudo “acabará em águas de bacalhau” ou provar-se-á que o adolescente ponte-sorense tinha por hábito jogar à cabeçada com as pedras da calçada, daí ter sido encontrado em tão mau-estado.
Estra tradição da culpa morrer solteira já faz parte do nosso folclore e é mais generosa para os estrangeiros aqui residentes, que protegidos pelos seus governos, põem e dispõem como lhes apraz debaixo da mais descarada impunidade (exemplos não faltam, pois já cá tivemos um príncipe que matou o irmão, o caso da Maggie continua sem solução e o inspector português a quem foi entregue por pouco não foi parar à prisão). Portugal já é pequenino e se a situação não se alterar, breve deixará de se ver, regredirá de piolho para carcaça! 

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

GATO: O REI DAS EMBOSCADAS URBANAS

Desconhecemos se há em alguma parte uma lei relativa à prevenção contra os gatos perigosos e se não há, deveria haver, apesar dos seus ataques serem pouco frequentes, o que não impede que sejam bastante dolorosos e dolosos para pessoas e cães. Não há dois gatos iguais e há raças que se comportam como autênticos “cães de guarda”, levando nisso vantagem por se emboscarem e atacarem de surpresa. Algumas raças orientais são levadas da breca e a sua agressividade é extensível a machos e fêmeas, mesmo quando castrados, ainda que os de pelo comprido dificilmente sejam agressivos.
O gato é um predador inato, bastante territorial, capaz de agregar-se em grandes grupos, tanto no seu lugar social como em excursões de caça, sendo capaz de sobreviver, quando abandonado, com mais facilidade que o cão. Encurralado é extremamente perigoso e não hesitará em atacar a cabeça de quem o cercar, não se intimidando com os golpes que lhe vierem a ser infligidos e mostrando uma combatividade pouco vista (morre a lutar).
Os gatos guardiões são raros e costumam efectuar as suas guardas isoladamente, produzindo ataques ofensivos a partir da sua ocultação, o que não impede que ataquem em conjunto quando instalados e confinados no mesmo território diante dum intruso. Aqueles que se encontram confinados num apartamento, normalmente castrados e privados de caçar, são extremamente afectuosos e não produzem qualquer tipo de ataque, a menos que se vejam privados do seu território ou se sintam ameaçados por quem os visita.
Os gatos que costumam saltar de telhado em telhado e de quintal em quintal, também acostumados a caçar, consideram essas áreas seu território, não vendo com bons olhos a presença doutro animal ou de gatos desconhecidos, tudo fazendo para os escorraçar. Cada gato opta por um trajecto diferente até ao lugar social comum, entendendo esse caminho como sua pertença (território de caça), mesmo que ele seja concorrido por pessoas ou outros animais. Exemplo disso foi o ocorrido recentemente em Victoria/British Columbia/Canadá, onde um gato atacou e feriu gravemente sete Pitbulls que se encontravam a passear na rua com os seus donos, vindo um deles a receber tratamento hospitalar junto com o seu cão, saindo o gato dali ileso e os seus proprietários a pagar o prejuízo.
Assim como os cães necessitam de ser sociabilizados com os gatos, o inverso também é verdade atendendo à salvaguarda destas duas espécies domésticas, porque a mímica predadora de ambas, ao ser perceptível por uns e outros, transforma-os automaticamente em concorrentes. A maneira mais fácil de sociabilizar um cão com um gato ou vice-versa é fazê-lo quando ambos são pequeninos, antes de atingirem a sua maturidade sexual. E quando assim se procede, brincarão em conjunto, poderão completar-se e até caçar juntos. Uma cadela adulta, dócil e não ciumenta poderá adoptar sem maiores dificuldades um indefeso gatinho, a quem por norma tratará como se fosse seu filho, chegando ao ponto de criar leite para o amamentar.
Evitar o ataque de um gato que se sente ameaçado, que vê o seu território invadido ou que tem crias é praticamente impossível, porque ataca de surpresa, é rápido a golpear e não teme o número dos seus oponentes, pelo que importa evitar quintais abandonados, casas degradadas e unidades fabris encerradas, locais que escolhe para abrigo ou como lugar social. Um gato bem-sucedido no ataque aos cães sempre voltará a repeti-lo, tornando-se extremamente perigoso para eles. O facto de alguns cães se encontrarem sociabilizados com gatos não é razão suficiente para não virem a ser atacados por um destes felinos. Num combate de igual para igual entre um cão inexperiente e um gato experimentado, dificilmente o cão vencerá e só por sorte não sairá da peleja mordido e cego. Caso o cão seja nisso experimentado e o gato inexperiente, a morte do felino prefigura-se como o desfecho mais provável. Cães e gatos têm direito à vida e ambos gostam de ver respeitados o seu território e prole. Cabe-nos a nós evitar esses confrontos de funesto resultado.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

QUANDO 0+0=1 E 1+1=0

O medo e a valentia confundem-se como se confundem o medo e a agressividade caninos quando debaixo de ansiedade, muito embora já se tenham identificado 12 genes, altamente relevantes no seu genoma, responsáveis pelo ataque a pessoas e cães desconhecidos, genes que são consistentes com a via do núcleo do medo e da agressão neural conhecido como a amígdala do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. Raros são os cães aprovados para guarda que não necessitam de ser instigados ou objecto de algum transtorno emocional para procederem aos seus ataques e capturas e, quando o fazem por si mesmos, fazem-no por via instintiva e dominados pelo medo atávico, o que os torna perigosos por actuarem a seu bel-prazer e de modo inesperado, dispensando a ordem expressa e a provocação, companheiros raros, vulgarmente entendidos como “muito-dominantes” e de difícil travamento, restando saber se o fazem por valentia ou pânico incontido, já que cegam nos seus arremessos, não se acautelam, não acusam os golpes de que são alvo, confundem alvos e agem como estivessem “entre a espada e a parede”, podendo ferir-se e até perecer no calor da peleja. Por todas estas razões sempre será mais fácil habilitar para o efeito cães “dominantes” e “submissos”, já que os “muito-submissos” render-se-ão de imediato à intimidação e os inibidos serão tomados pela angústia que os levará ao pavor, pondo-se de imediato em fuga.
O despertar para as acções caninas ofensivas deve tanto à intimidação como à instigação, não existindo grande diferença entre o stick do figurante  e o chicote usado pelo domador de leões, uma vez que ambos obtêm dos animais a mesma resposta. Independentemente disso, a instigação deverá ser sempre superior à intimidação, porque todos os cães tem medo e só ela os fará avançar, não sem que antes se apercebam dos pontos fracos da cobaia que lhes é apresentada, preferindo atacá-la no intervalo dos seus golpes (depois de desferidos e antes da sua repetição). Debaixo desta preocupação e apostados no êxito dos cães, os figurantes pouco ou nenhum dolo causam aos cães com o stick, que é fabricado mais para o show e não como arma de defesa e contra-ataque propriamente dita. A pronta decisão dos ataques caninos fica a dever-se à experiência do sucesso alcançado nas acções anteriores: os cães partem na certeza da vitória, porque tanto eles quanto os homens detestam ser surpreendidos e podem ser facilmente dominados pela perplexidade. Medo e agressão são duas faces da mesma moeda, diferentes manifestações com a mesma origem, a quem a ansiedade não é estranha. O que faz uma moeda ficar sempre virada para o mesmo lado é a batota; o que faz um cão atacar sistemática e ofensivamente é a intromissão humana.
Por tudo o que dissemos até aqui, o beneficiamento entre dois cães “dominantes” ou entre um “muito-dominante” e outro “dominante”, dificilmente gerarão cachorros com essas características e comportamento, porque o excesso de agressividade transmitido pela manipulação reverter-se-á em medo, aproximando os cachorros dos seus parentes silvestres, somente valentes quando agrupados. Já o beneficiamento entre um cão “dominante” e um “submisso” ou entre dois “submissos”, tendencialmente gerará cachorros “dominantes” pela parceria que diminui a ansiedade e não causa entraves à cumplicidade. Dito isto, considerando o uso dos cães para guarda, mais importa o domínio do impulso ao conhecimento do que a potenciação do impulso à luta.
Pelas conclusões a que chegámos facilmente se compreende da vantagem dos cães criados para guarda sobre os mestiços de lobo, que serão tanto melhores quanto maior for o seu percentual no lobo doméstico.

ASSIM MORREM OS HERÓIS!

O Pastor Alemão branco da foto acima, abandonado para morrer numa montanha de Fochriw /South Wales, enrolado num tapete e sobre uma pilha de lixo, viria a ser encontrado por um caminhante que de imediato o levou a uma clínica veterinária. Apesar dos esforços dos clínicos, atendendo ao seu estado terminal e doloroso, acabou por ser abatido, desconhecendo-se a identidade do seu proprietário, que por descargo de consciência lhe deixou alguns grãos de ração quando o abandonou. Se há cães que tudo fazem pelos donos, ao ponto de darem a sua vida por eles, o Pastor Alemão é um deles, um companheiro altruísta, valente e seguro, qualidades típicas dos heróis que não merecem ter uma morte assim: inglória, longe dos seus, banido do seu território e abatido por estranhos. Vítimas do mesmo desprezo e ingratidão são os cães enviados para os canis terminais municipais para ali serem abatidos, prática que a todos envergonha e que há muito devia ter sido banida. Até quando continuaremos a pagar com o mal o bem que os cães nos fazem?

CARTOON DA SEMANA

Recebemos de um amigo nosso e leitor deste blogue o cartoon acima com a seguinte legenda:
“Have you seen the map of Europe recently? This is what it looks like without the UK!”
Não sabemos a proveniência deste cartoon, mas se for da autoria de algum britânico, o tiro acaba por sair-lhe pela culatra, já que o Reino Unido fez parte das forças que invadiram o Iraque, cuja consequência directa foi o aumento dos refugiados ao despoletar na região velhas rivalidades. 

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

FRANCIS YOU’RE WRONG, WE’RE NOT THE SAME AND THE HIJRA ON THE KAFFIRS IS BACK!

Por conta do ecumenismo, política hipócrita do Vaticano que mais interessa à sua defesa, o Papa Francisco tem um longo caminho a percorrer, aquele que leva ao arrependimento da sua Igreja por ter usurpado o poder pela mentira, não ter sido reformada quando devia, ter perseguido e morto judeus e fomentado as Cruzadas – por se ter afastado de Cristo, da Graça de Deus, da Escritura e da Fé. Mais uma vez e secundando os seus antecessores, alguns deles tornados “santos” pela ignorância popular, Francisco continua a confundir o Reino do Poder com o da Glória, como se a verdade saísse exclusivamente da “infabilidade” das suas profecias, a Igreja Romana fosse universal e governasse este mundo.  Como resultado disso tem dito repetidas vezes que os conflitos actuais resultam da bipolaridade entre ricos e pobres, que todas as religiões pregam o bem e que não existe nenhuma guerra de credos, mentira que compromete e mais comprometerá as livres sociedades ocidentais, hoje dominadas pelo laicismo, libertas da lei do “olho por olho e dente por dente” e apostadas na tolerância, tolerância desrespeitada hoje por aqueles que nos invadem.
Estamos verdadeiramente na presença de uma autêntica “Hégira” (الهجرة), perante uma imigração massiva muçulmana, a princípio pacífica, sobre os países europeus que considera cafres (الكفار), termo pejorativo que a lei islâmica usa para designar os infiéis que se recusam em aceitar a “Sharia”, corpo doutrinário religioso que determina comportamentos relativos ao viver quotidiano, à política, à economia, aos bancos, negócios, contratos, família, sexualidade, higiene e questões sociais. A “Hégira” está normalmente associada à “Muruna” (Doutrina do Equilíbrio), à flexibilidade ou a suspensão temporárias da Sharia pelos crentes em países não-muçulmanos, a quem é permitido violar alguns dos seus preceitos em prol da vitória, dando aos cafres a sensação de que é moderada até se encontrar em vantagem, estratégia em tudo igual ao mítico “Cavalo de Tróia”, que vem sendo aplicada com sucesso em várias cidades e territórios europeus, onde os muçulmanos se encontram em maioria.
Graças a esta estratégia, quando os primeiros muçulmanos chegam, achamos-lhes graça, porque são só sorrisos, parecem acessíveis, inofensivos e apresentam hábitos exóticos, particularmente quando a determinadas horas do dia se prostram sobre um tapete nas suas lojas em orações para nós imperceptíveis, chegando a vender crucifixos e imagens da Srª de Fátima, nome da filha de Maomé e local de reverência dos mouros fatimidas. Com o decorrer do tempo o seu número irá aumentar, tomarão conta do comércio local e quando se tornar maioritário ali, quem não quiser ir ao tapete é obrigado a mudar-se para fugir à pressão, à ofensa e à vergonha, usurpação territorial que podemos ver agora no degradado bairro lisboeta da Mouraria, que mais uma vez faz jus ao seu nome, local onde os muçulmanos dali reclamam da autarquia da capital uma nova mesquita, empreendimento que deverá ser inaugurado no próximo ano e que irá custar-lhe à volta de 3 milhões de euros, prioridade que a obrigará a desleixar algum do património histórico que herdou! A reconquista do “Grande Andaluz” continua e desta vez já ultrapassou os Pirenéus! Afortunadamente somos um País de parcos recursos, porque doutro modo os prejuízos seriam ainda mais avultados e a invasão muito maior.
Contrariando o parecer do Papa, pergunta-se: porque não fogem estes pobres emigrantes para os países ricos de idêntica religião e raiz linguística, como é o caso da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos? Não seriam ali mais facilmente integrados, melhor compreendidos e tratados? Não estariam mais perto de Meca e da peregrinação que lhes é recomendada fazer ali? Não temos a islamofobia como cavalo de batalha, só não queremos ser enganados, dominados e escravizados pelos bons ofícios de um novo “Cavalo de Tróia” que nos apresenta um deus que dispensamos e que não se compadece dos seus seguidores.
Há quem acredite numa reforma do Islão, nós não, enquanto a “Sharia” e as “Mutaween”, descarados atentados à Declaração Universal dos Direitos do Homem, persistirem nas poderosas nações islâmicas sem a oposição do Mundo Ocidental e este nada fizer para impedir a invasão dos seus esfarrapados e numerosos emissário-missionários, porque apesar da sua pobreza e desgraça nos cativarem, não podemos pactuar com os seus ideais sócio religiosos, próprios da Idade Média e que há muito banimos por considerá-los impróprios da dignidade e condição humanas. E caso tal reforma vier a ser possível, ela só poderá surgir do conflito interno dos muçulmanos e dentro do seu espaço geográfico (fronteiras), já que a sua religião é fratricida e todos optam por viver. Perante a actual ameaça somos obrigados a resistir, a preservar as leis que erigimos e que nos protegem, a defender a nossa liberdade e a felicidade das nossas famílias. E se isto for ofensa para alguém, quem estiver mal que se mude, que agarre no burkini e se faça ao mar!
Apostados na defesa dos nossos valores e da liberdade que nos assiste, não como provocação, circulamos esporadicamente pela Mouraria com os nossos cães, saindo do Largo do Martim Moniz, subindo a Rua dos Cavaleiros, penetrando na Rua do Terreirinho até alcançar o Largo do Intendente, descendo depois a Rua da Palma, num périplo pela nossa liberdade e identidade, geralmente animados pelo reprovo dos olhares e pelo estrondo do bater das portas à nossa passagem. Afinal, estamos ou não em Portugal?