sexta-feira, 22 de julho de 2016

… ALÉM DISSO TENHO QUATRO CÃES!

Fernando Santos, treinador e seleccionador da Selecção Portuguesa de Futebol, numa entrevista, após ter renovado o contrato que o liga à Federação Portuguesa de Futebol, quando questionado por um jornalista acerca da possíveis dificuldades que irá encontrar no seu trabalho, disse: “não sinto pressões e não tenho medo, além disso tenho quatro cães”, numa alusão ao provérbio popular que diz: ”quem tem medo, compra um cão”. Mas será que os tem de facto? Conhecê-los-á bem? Cuidará bem deles? Passará com eles o tempo necessário, serão seus cúmplices ou ser-lhes-ão de algum modo desconhecidos? São muitos os que nos dizem terem sido criados com cães por perto ou possuírem meia-dúzia deles para justificarem o seu pretenso saber e conhecimento básico dos cuidados que estes companheiros reclamam, não se provando nem uma coisa nem outra quando a conversa se estende.
Ter uma matilha de cães não implica em conhecê-los individualmente e ir ao encontro das necessidades de cada um, porque todos são diferentes, reclamam por atenção e exigem cuidados diversos. Quanto maior for o seu número, a menos que não façamos mais nada, menor será o nosso auxílio a cada um deles, porque não nos podemos repartir ou desmultiplicar equitativamente por ausência de disponibilidade, verdade que torna a colecção de cães num autêntico disparate e num gozo por demais dispendioso, opção que mal serve aos cães e que acaba por complicar a vida dos donos, muitos deles sem condições para cuidarem satisfatoriamente de um só, ficando os cães entregues uns aos outros e os donos literalmente entregues à bicharada!
Quem tem vários cães espera que eles se entretenham uns com os outros e que dispensem assim maiores cuidados, julgando-os felizes dessa maneira e pouco interagindo com eles, o que é falso apesar de cómodo. Todos os cães reclamam por um tratamento próximo e individual. E quando assim não sucede, porque os animais passam mais tempo uns com os outros do que com os donos, assiste-se à constituição da matilha animal e ao respectivo escalonamento social que a sustenta, que irá privilegiar os mais fortes em detrimento dos mais cúmplices, que virão agir de acordo com o que lhes é permitido e não segundo as suas capacidades ou mais-valias, agravando assim o seu fraco impulso ao poder e os seus receios, herança e inibição que os tornarão imprestáveis e por demais arredios. Há quem diga que eles se “entendem”, entendimento só possível pela lei do mais forte que escalonará aquela hierarquia à dentada. E quando as picardias se tornam mais graves e constantes, logo se apela aos bons ofícios da santa castração, em substituição de uma liderança inexistente, que não se quer intrometer ou que resiste à investidura.
É nossa opinião e quem nos deu ouvidos dá-nos razão, que só se deve adquirir um segundo cão depois do primeiro se encontrar minimamente educado, que a sociabilização canina é tarefa dos donos e que só ela poderá evitar a crueza e os desprezíveis reflexos do escalonamento animal puro e simples. Assim como os cães dominantes carecem de domínio, também os submissos necessitam de ser felizes e libertos dos seus medos, e só a ingerência humana será capaz de fazê-lo, ao reclamar para si o papel de líder no lugar do macho-alfa. E se um cão exige uma marcha diária de 5 km de extensão ao lado do dono para se manter em forma, se eu tiver 4 cães serei capaz de fazer 20 km diários? É evidente que poderei atrelá-los a um carro, entregá-los aos bons ofícios das passadeiras e carroceis mecânicos, mas prestar-se-á estas máquinas para o robustecimento do seu carácter e para o fortalecimento dos necessários vínculos afectivos com os donos? Que alegria desenvolverão quando condicionados naquelas máquinas?
Há quem justifique a sua irresponsabilidade pelo terreno que tem à disposição dos seus cães, que sendo extenso supriria as suas necessidades atléticas e excursionistas, mentira nua e crua porque os cães não tendo o que fazer nas grandes extensões, acabam por permanecer nos locais que lhes são mais aprazíveis e que lhes garantem a sua subsistência: junto às habitações, aos portões ou em locais onde se podem abrigar do frio e do calor, também naqueles onde se sentem mais protegidos e cómodos, porque há muito deixaram de ser selvagens e sobrevivem pela dependência. Ter muitos cães é não poder valer convenientemente a todos, é beneficiar os mais fortes e abandonar os mais fracos à sua sorte. E diante de tudo isto uma pergunta se agiganta: se não tenho tempo para eles, por que carga de água fui buscá-los? Para serem infelizes? Justificará o meu gozo a sua infelicidade? Ainda bem que os cães não falam!

PIADA DA SEMANA

Um amigo mostrou-me o “Facebook” e eu achei o máximo. O meu problema é não ter computador, mas achei tão fantástico que decidi mesmo assim encontrar amigos novos, aplicando os mesmos princípios. Então, saio todos os dias à rua e pergunto às pessoas que encontro se querem ser minhas amigas, conto-lhes a minha vida toda, digo-lhes quando é o meu aniversário, onde moro, o que faço, as empresas onde já trabalhei, mostro-lhes montes de fotos minhas e de outros amigos meus, do meu cão, da minha mulher, dos meus filhos, da minha sogra, minhas a jogar à bola em cuecas, escuto com muita atenção aquilo que me vão dizendo e respondo sempre “I like”. E sabem que funciona mesmo bem? Já arranjei 4 seguidores: dois polícias, um psiquiatra e um cão!

quinta-feira, 21 de julho de 2016

700 VISITAS DA RÚSSIA EM TRÊS DIAS

Em três dias e até ao momento, tivemos 700 visitantes da Rússia. Hoje o número de leitores daquele país quadruplicou o dos nacionais (503 russos para 106 portugueses) e não cessa de aumentar. Agrada-nos muito o interesse russo e seguimos com atenção a evolução da sua cinotecnia e os avanços científicos que tem dado à canicultura. Mantemos intercâmbio com alguns leitores russos e desejamos fazê-lo com mais. Esperamos continuar a cativar leitores daquelas paragens e agradecemos a sua preferência.

IGNORÂNCIA LEVA A RESGATE CANINO NOS MONTES GOLÃ

Três bem-intencionadas senhoras decidiram escalar os Montes Golã em Israel na companhia de dois cães, num terreno pedregoso, com a temperatura acima dos 30º graus celsius e com um baixo percentual de humidade, num ecossistema que lembra o clima e a geografia aqui encontrados nas serrarias das Beiras na época estival. Em determinado momento, exaustos e feridos nas patas, os animais cessaram a marcha e deitaram-se no chão, não tendo as suas companheiros como demovê-los das suas intenções, porque não se levantavam e dali não davam nem mais um passo. Os cães acabaram por ser resgatados por uma equipa de socorristas de montanha, que se viram obrigados a transportá-los à padiola, monte abaixo, numa maca própria para resgate de sinistrados de montanha. Os sinistrados foram tratados e já se encontram recuperados. Uma das proprietárias caninas adiantou que para a próxima vez, quanto retornar àqueles Montes, munirá o seu cão de botas para evitar que o sucedido se repita, botas que fazem parte do equipamento obrigatório dos cães de guerra israelitas quando trabalham naquelas paragens ou noutros locais com as mesmas dificuldades e características.
Pelas imagens e pormenores divulgados pelas agências noticiosas internacionais os cães dois eram braquicéfalos e pesados (um deles tinha 65 kg), o que tornou aquele passeio de alto risco para eles, considerando a altitude, as suas tradicionais dificuldades respiratórias, a rarefacção do oxigénio, a alta temperatura, a pouca humidade e o tipo de solo, detalhes que não deviam ter passado pela cabeça daquelas simpáticas escaladoras, provavelmente mais empenhadas em desfrutar a paisagem.
Problema idêntico poderão enfrentar os nossos cães nesta época do ano, quando convidados a acompanhar os seus donos pelas serrarias do interior Norte e Centro do País, onde o calor seco e impiedoso aperta, a humidade é menor que no litoral e os pisos são igualmente pedregosos. Como o uso de botas nos cães é raríssimo entre nós, caberá às escolas caninas alertar para a sua necessidade e benefícios, convidando os donos a colocá-las nos seus companheiros e dando-lhes algumas aulas com elas postas para que se acostumem, trabalho que deverá terminar antes de partirem para férias. 

quarta-feira, 20 de julho de 2016

CONTINUAM A DAR “BANHO” AOS DONOS!

Não há dúvida que os proprietários caninos portugueses estão muito mal servidos de escolas para os seus cães, como não há dúvida que são pouco exigentes e com pouco se contentam, não fora a ignorância um dos maiores negócios (talvez o maior) deste mundo e a vaidade causa de tanto disparate. A esmagadora maioria dos centros de treino caninos aqui existentes ensina os seus pupilos na perspectiva de uma ou várias modalidades desportivas, esquecendo a sua salvaguarda, saúde e bem-estar, apesar do grosso dos seus binómios abominar as competições e os donos pretenderem apenas ter um animal de companhia bem-comportado. No geral, o parque de obstáculos que têm à sua disposição é pobre e escasso, de lamentável concepção, dúbio conceito, mal apresentado, invariavelmente mal conservado e de pouco ou nenhum préstimo. Considerando os preços praticados, que são por vezes irrisórios, há quem diga que para quem é bacalhau basta!
Apesar de serem muitos os obstáculos e aparelhos em falta, necessários à recuperação, manutenção, desenvolvimento e maior aptidão dos índices atléticos caninos, em quase todas as escolas falta um em particular: a piscina, obstáculo que se presta à hidroterapia e que é indispensável para a salvaguarda dos cães. A hidroterapia, para além de ajudar na convalescença e recuperação dos cães saídos de lesões, de pós-operatórios ou condenados à inactividade por várias razões, é aqui primordial, considerando o pouco despiste que aqui é feito sobre a displasia do cotovelo presente nalgumas raças, que inibe grandemente o trabalho dos anteriores em qualquer dos andamentos naturais dos cães por ela afectados.

Saiu recentemente um estudo da autoria de um grupo de investigadores do Hartpury University Centre/UK, divulgado pela Society for Experimental Biology, acerca das vantagens da hidroterapia num grupo de Labradores com displasia do cotovelo, onde se faz saber que a claudicação de anteriores neles verificada foi suavizada graças à hidroterapia, saindo dela com uma maior amplitude de movimento, frequência de passos e comprimento de passada. No mesmo estudo foi verificado que os cães saudáveis convidados para a hidroterapia apresentaram andamentos mais soltos quando no solo. Ora, se os adestradores estão em falta, o que dizer das clínicas veterinárias que não oferecem ou não recomendam a hidroterapia?
Pondo de parte as questões terapêuticas, que de modo algum deverão ser desconsideradas, acresce o facto de muitos cães nadarem mal ou de não serem capazes de fazê-lo, inaptidão que importa vencer diante da sua salvaguarda, prestando-se a piscina cabalmente para esse efeito. No Verão, havendo uma piscina na pista de obstáculos, ela poderá ser usada para refrescar os cães nos momentos de supercompensação, constituindo-se assim como parte integrante do reforço positivo, já que os cães, depois de cómodos dentro de água, não querem outra coisa!
Há uns meses atrás perguntámos a um adestrador porque não tinha uma piscina na sua escola, para surpresa nossa respondeu-nos: “se os donos querem piscina para os cães que usem a deles e, se não tiverem uma, que vão prá dos amigos”. Tal sentença trouxe-nos à memória uma idêntica, proferida por um funileiro no pós-25 de Abril, na sua qualidade de presidente duma colectividade dedicada a dar chutos na bola, situada nos arrabaldes de Lisboa, que interpelado pelos associados acerca da necessidade de um pavilhão gimnodesportivo, não foi de modas e respondeu-lhes assim: Pavilhão Gimnodesportivo, ginástica? Os nossos jogadores já o fizeram na barriga das mães!”
E se a piscina está em falta nos nossos centros de treino, também é inexistente na maioria dos hotéis caninos, o que economicamente não se justifica pelos preços exorbitantes que cobram aos seus clientes. Infelizmente ainda há muita gente que não entende ser um hotel canino diferente de um amontoado de chiqueiros para porcos. E como o mundo não pára, quem se agarrar ao passado não alcançará o futuro. O cúmulo dos cúmulos é vermos uma placa de uma escola a dizer: “ensinamos cães para resgate e salvamento” e não ter no seu perímetro uma piscina! Enquanto a situação não mudar, felizes são os cães cujos donos têm uma à sua disposição.

terça-feira, 19 de julho de 2016

GUARDIA CIVIL, OLÉ!

O sucedido conta-se em poucas palavras. Um Guardia Civil deparou-se com um Pitbull fechado dentro de um carro, com a temperatura local a marcar 35 graus celsius, exausto e em vias de perecer. Consciente do estado crítico do animal, rebentou a murro uma das janelas da viatura e procedeu ao seu resgate, levando-o depois para uma sombra onde o refrescou, dando-lhe água a beber e humedecendo-lhe o corpo com uma esponja molhada para baixar-lhe a temperatura corporal. De acordo com o que foi comunicado, o cão fez uma boa recuperação após aquela provação e o seu proprietário enfrenta agora uma acusação de abuso animal.
Crê-se que o episódio aconteceu na Província Espanhola de Alicante e o ocorrido foi objecto de um vídeo no Facebook, realizado pela Guarda Civil, vídeo que teve 1.1 milhões de visitas! Há que tirar o chapéu ao guarda pela sensibilidade e valentia, sensibilidade porque se compadeceu do animal e valentia porque poucos se atreveriam a soltar um Pitbull alheio e desconhecido, mesmo que atarantado - Guarda Civil, Olé!

A HISTÓRIA DOS DOIS ASSOBIOS

Ouvimos hoje uma história que vamos divulgar para os nossos leitores, relato que nos feito por um septuagenário, militar aposentado e que remonta aos seus tempos de adolescente: “Passei a minha adolescência com os meus pais numa quinta que garantia a nossa subsistência. Como não tinha irmãos para brincar, o meu companheiro de aventuras era o cão das ovelhas. O meu pai era uma pessoa de poucas palavras e austera, daquelas que não gostava de se repetir e muito menos de ser contrariado. Quando ele chamava por alguém não tolerava atrasos e nem eu nem o cão escapávamos à regra. Chamava-nos por diferentes assobios: um para mim e outro diverso para o cão. Sempre que o ouvia assobiar corria para ele, porque não conseguia distinguir os assobios, erro que o cão nunca cometia. Com o decorrer do tempo passei a regular-me pelo cão: se ele não se mexesse, eu ficava; se ele ficasse parado, respondia eu à chamada!”.
… NO COMMENTS!

segunda-feira, 18 de julho de 2016

UMA NOTÍCIA E UM LIVRO

Segundo fez eco o Diário de Notícias online, na localidade catalã de Polinyà/Catalunha/Espanha, um cão esquecido numa varanda dum 3º andar por várias horas, debaixo de calor intenso, acabou por saltar dela abaixo antes dos bombeiros poderem efectuar o seu resgate, ficando a dever a vida a um estendal de roupa que lhe amortizou a queda. As autoridades daquele município divulgaram um vídeo no Facebook relativo a este episódio, no intuito de alertarem os seus cidadãos contra os maus tratos e o abandono dos animais. A acção do cão, longe de ser considerada suicida, poderá ter resultado de alguma carência social e/ou relacionada com o seu instinto de sobrevivência, porque os cães não procuram o suicídio e apenas enfrentam a morte para protegerem/salvaguardarem a sua vida e a dos seus, podendo incluir-se nisto a pessoa dos seus donos, como tantas vezes temos ouvido e visto, prova da sua inteligência instintiva, bem acima da encontrada nalguns mafarricos que se estoiram na esperança de encontrarem noutra vida os favores de 70 virgens, estes sim, verdadeiros tontos e suicidas, porque glorificam a morte em detrimento da vida.
Por cá e por falar em suicídio, saiu recentemente um romance da autoria do portalegrense Rui Cardoso Martins: “E SE EU GOSTASSE MUITO DE MORRER”, editado pela Dom Quixote e que aborda o tema do suicídio humano para além do Tejo que, como é sabido, acontece seis vezes mais que no restante território nacional, livro que vale a pena ler (já o fizemos) e que realça aspectos importantes sobre a patologia presente nalguns alentejanos, que ao contrário dos terroristas, preferem matar-se que matar. O romance, outra coisa não seria de esperar pela sua natureza, não aponta causas ou razões científicas para o facto. Mais do que falar da morte, o autor acaba por realizar uma autópsia pormenorizada e bem conseguida. A leitura da obra é agradável e torna-se descontraída, plena de verdades que reflectem a idiossincrasia e a cultura intrínseca daquelas gentes como factores indutores ao suicídio.
Poderão também os cães ser induzidos ao suicídio? Sem dúvida e todos os dias muitos morrem assim! Dificilmente se suicidarão pelas suas expectativas e facilmente o farão por ingerência humana, que ao aproveitar-se da sua lealdade e condição animal, mercê de uma investidura repetitiva e com um final feliz, leva-os a dispor da sua vida sem saber ao que marcham, loucura que até aqui tem privilegiado o ataque ao invés da salvaguarda dos cães de guarda (civis e militares), prática que deverá ser amplamente denunciada e abandonada, por razões que a Carta dos Direitos do Animal bem denuncia. Todavia, compreendemos mais facilmente um cão que morre vítima de engano que um homem que se deixa enganar, porque o animal parte em função do que viu e experimentou, e o homem-bomba do que nunca viu e que dificilmente verá, residindo nisto a diferença de fé neles presente.  

sábado, 16 de julho de 2016

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ 9 EM 1: UM VERDADEIRO 31!, editado em 02/07/2016
3º _ CORRER OU MARCHAR COM O SEU CÃO?, editado em 14/07/2016
4º _ VERDADES E MENTIRAS, editado em 12/07/2016
5º _ UM EMAIL QUE DÁ QUE PENSAR!, editado em 13/07/2016
6º _ O GUARDA DAS GALINHAS, editado em 05/04/2014
7º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, 29/08/2013
8º _ TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS, editado em 09/07/2016
9º _ GAIVOTAS: A MORTE QUE VEM DO MAR E PAIRA NO AR, editado em 20/07/2015
10º _ O CÃO LOBEIRO: UM SILVESTRE ENTRE NÓS, editado em 26/10/2009

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim escalonado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Angola, 4º Estados Unidos, 5º Alemanha, 6º Itália, 7º Espanha, 8º França, 9º Reino Unido e 10º Rússia.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

VALE TUDO!

Antigamente dizia-se que os portugueses são uns macacos de imitação, agora que temos mais instrução diz-se que somos uns plagiadores inatos (venha o diabo e escolha), porque desprezamos o que é nosso e copiamos tudo da estranja. Pois na cinecultura passa-se o mesmo, tudo o que acontece lá fora virá acontecer aqui (por vezes com algum atraso). E como importa só replicar o que é bom, escrevemos este artigo para alertar os psicólogos e outros profissionais de saúde mental, também para antecipar a denúncia do chico-espertismo de alguns (quiçá já os temos aqui de igual calibre). A Universidade de Missouri-Columbia/USA levou a cabo uma pesquisa onde revelou que muitos profissionais de saúde mental, indevidamente e a rogo dos seus pacientes, certificavam os cães destes como “ESAs” – Emotional Support Animal (animais de suporte emocional), como se fossem cães de serviço e tivessem sido aprovados para isso, certificação que cabe ao “ADA” - Americans with Disabilities Act, organismo que também se encarrega da certificação dos cães-guia e que defende para todos uma formação rigorosa, com uma duração de vários meses e por vezes até de anos.
Ao pedirem aos psicólogos tal certificação, que ao que tudo indica é também válida, o que pretenderão os pacientes? Somente as regalias dadas aos cães de serviço, que podem acompanhar os seus donos por toda a parte e permanecer junto deles em comboios, navios e aviões, usufruindo de taxas de transporte substancialmente mais baixas, assim como em restaurantes e hotéis. Alerta a citada Universidade para a responsabilidade criminal daqueles clínicos diante dos acidentes e prejuízos que estes falsos cães de serviço possam causar.
Estranhamente, dum dia para o outro e sem darmos conta, ignorando em simultâneo quem os teria certificado, começámos a ver por cá uma batelada de cães de serviço, nomeadamente de “terapia”, engalanados nos seus coletes de cores garridas e com esses dizeres escarrapachados, não nos parecendo que donos e cães fossem objecto dessa afincada formação, a menos que os condutores caninos que avistámos estivessem a usufruir das mais-valias dos cães que transportavam. O hábito enraizado de levar vantagem pelo engano de outrem não é exclusivo dos Estados Unidos, por sinal uma das mais novas grandes nações do mundo. Portugal é bem mais velho e ao sê-lo não lhe faltará matreirice! Também que diabo, se tivemos ministros com diplomas académicos forjados, que mal fará termos cães com falsos certificados? Em Roma não há que ser romano?
Ao abordarmos este assunto vêm-nos à memória as palavras dum simples homem com quem privámos, que amiúde repetia: “surpreendam-me com coisas boas que as más já não são para mim novidade”.

ALLÔ, ALLÔ? DAQUI COSTA, DA COSTA DO BIDONVILLE!

Não somos adeptos de teorias da conspiração mas que há conspirações, há! Portugal parece ser vítima duma movida pela União Europeia, que a mando não se sabe bem de quem, provavelmente de alguns magnatas encobertos que o nativo assimilado Durão Barroso bem conhece, quer castigar-nos agora com sanções económicas, não lhe bastando o facto de pôr e dispor aqui conforme lhe apetece. Membros periféricos de uma União que são obrigados a suportar por falta doutras opções, os portugueses atravessam uma grave crise económica idêntica à passada pelos seus conterrâneos emigrantes em Champigny, favela mundialmente conhecida por Bidonville, que durou 40 anos e que acabou por pressão de Jacques Chaban-Delmas, na altura 1º Ministro de França.
Como resultado da escravatura económica que nos é imposta, os portugueses são os europeus que mais tomam ansiolíticos e antidepressivos, têm uma taxa de desemprego elevada, têm dificuldade em criar os seus filhos, cada vez se suicidam mais, importam mais do que exportam, vêem aumentar o número de pessoas no limiar da pobreza, são euro-dependentes e estendem a mão à caridade a quem pouco ou nada quer saber deles (por muito menos tornou-se Portugal independente de Castela). Cresce o número de mães que se suicidam junto com os seus filhos, desespero que lembra o ocorrido no reinado de D. Manuel I, quando as mães judias, resistindo ao baptismo que lhes era imposto, se jogavam dos prédios abaixo com os seus filhos ao colo, preferindo a morte que tal sorte. À perca da nossa soberania sucede a morte lenta e dolorosa de Portugal e dos portugueses, que comem o que lhes põem no prato e pagam em dobro.
Há muito que sabemos ser o “jeitinho brasileiro” filho legítimo e cara chapada do “desenrasque português”, por isso não estranhamos a geminada corrupção luso-brasileira, para já não se falar na luso-angolana, porque os bandidos e os salafrários não têm terra, tornando sua aquela onde mais facilmente engordam e onde as suas manigâncias são melhor sucedidas. Antes de bater o pé à Comunidade Europeia, Portugal tem que arrumar a casa, “pegar o boi pelos cornos” e extirpar do seu seio, de uma vez por todas, a corrupção e os seus mentores, perpetrada escandalosamente por políticos, banqueiros e gestores públicos, causa primeira da nossa desgraça, que deveriam ser presos e deportados para longe da nossa costa, depois de virados dos pés para a cabeça, para que nada levem nos bolsos e deixem aqui tudo o que nos roubaram (por certo desenrascar-se-ão noutras paragens). E ao fazer isto, mais uma vez, estaremos a dar ao mundo novos mundos que tanto precisa deles!
Precisaremos de maior desgraça para nos unirmos e insurgirmos contra esta corja ou continuaremos como até aqui, dominados pela inércia que incapacita a nossa afirmação como contrapoder às instituições que nos chacinam? Terá que ser a nossa sociedade civil a fazê-lo, pois os militares há muito que se deixaram endrominar e mal seria se tivéssemos de nos matar uns aos outros para que finalmente a justiça reinasse nesta Terra que é nossa Mãe. Para isso precisamos de uma verdadeira política de cidadania, do envolvimento de todos e não dos actuais partidos políticos tutelados, classe à parte, distante das nossas dificuldades e de nefasto préstimo, que ao invés de nos protegerem mais nos expõem. E neles não há excepção, porque uns comem e os outros aproveitam-se! Há que começar tudo de novo e deitar no lixo tudo o que não presta. Eu, você e todos, precisamos e desejamos um Portugal Novo, de o libertar de quem o pôs de pernas para o ar.
Para alcançarmos Portugal para os portugueses não podemos incorrer em vícios antigos, aninharmo-nos debaixo dum ignoto mecenas (que tão bom resultado tem dado, cite-se o exemplo UE), esperar um milagre ou apostar no messianismo, porque só precisa dum mecenas quem não consegue sobreviver por si próprio, só espera milagres quem reconhece a sua impotência e só deseja um iluminado quem não distingue a noite do dia e não consegue alterar o seu destino. O fado canta-se à noite, o dia fazemo-lo nós, é chegado o tempo de acordar! Só a unidade de todos portugueses conseguirá fazê-lo, porque sendo poucos, unidos valemos muito mais e só assim seremos capazes de devolver a Portugal o seu e nosso esplendor.
Devemos proceder a contestação das instituições que nos governam (desgovernam), exigir que seja feita justiça, pôr em dúvida tudo o que nos é apresentado e proceder à eleição de listas de cidadãos independentes para nos representarem, tanto nas autarquias como no governo, livres da choça de quem nos governa e representa, apostados num país livre, próspero e soberano. Hoje mais do que nunca, e já tarda, todos somos convocados para tomar as rédeas do nosso destino, esta é a hora de todos nos fazermos ouvir.
Pode parecer estranho num blogue dedicado ao ensino de cães abordarmos este assunto, mas talvez por ensiná-los, saibamos por experiência própria quando e porque nos mordem e quais as suas intenções. Sabemos também que eles mordem mais depressa a quem os teme do que a quem os não teme – é tempo de perder o medo! Com o “não” garantido, vamos à procura do “sim”, dizendo não para quem nos enterra vivos e sim para um Portugal mais justo, fraterno e dono do seu destino, com os portugueses ao leme a lançar borda fora os traidores da nossa pátria e algozes dos nossos filhos. Viva Portugal!
PS: Mais do que de afectos, precisamos de livrar-nos das graves afecções que nos molestam (não andamos à procura de medalhas e não nos agradam os beijoqueiros) 

quinta-feira, 14 de julho de 2016

ESTRATÉGIAS PARA A FIXAÇÃO DO “QUIETO” NO EXTERIOR

Ter um cão que nos obedeça em casa ou na escola não é difícil, ter um que o faça fora das suas portas ou num ambiente desconhecido é outra, porque os cães resistem à novidade, estranham novos ambientes e desconfiam de estranhos, devido à sua territorialidade inata, ao facto de viverem segundo a experiência que têm e de não se sentirem confortáveis no meio doutros grupos para além do seu. Conhecedores disto, entendemos que nenhum adestramento estará terminado se os cães não tiverem idêntico comportamento tanto em casa como na rua. Um dos comandos mais difíceis de instalar no exterior é do “Quieto”(fica) apesar de ser primordial prà salvaguarda dos nossos fiéis amigos. É evidente que os cães mais frágeis de carácter serão aqueles que apresentarão maiores dificuldades, porque a sua insegurança criará entraves adicionais para o alcance da figura. Apostados em valer aos nossos leitores nesta situação, adiantaremos seguidamente alguns procedimentos que facilitarão a fixação do “quieto” no exterior, procedimentos decorrentes do prévio treino doméstico ou escolar.
Como partimos em desvantagem frente à natural resistência dos cães, importa sermos pacientes e fazermos a instalação do comando gradualmente e sem atropelos, de acordo com as respostas positivas que vamos obtendo. O melhor local para levar a cabo a tarefa será num jardim duma avenida, medianamente concorrido e farto nas situações que o cão irá enfrentar no seu quotidiano. Numa primeira fase sentar-nos-emos num banco com o cão ao nosso lado, serenando-o sempre que necessário perante a passagem de pessoas de diversos comportamentos ou com diferentes apresentações (gente com bengalas, em cadeiras de rodas, transportando carrinhos de bebé, etc.). Tanto podemos servir-nos dum banco como dum muro mais alto onde o cão possa sentar-se. O facto de se encontrar acima do nível do solo, torná-lo-á mais confiante pela diminuição da silhueta dos transeuntes aos seus olhos, vantagem que importa considerar.

Quando ele já conseguir ficar calmo e relaxado nesse patamar, é chegada a altura de começarmos a afastar-nos dele, primeiro a dois ou três passos e depois a distâncias maiores, tendo o cuidado de manter a sua fixação na nossa pessoa e de não o deixar abandonar a figura de imobilização (senta ou deita) que lhe solicitámos antes de nos afastarmos. No início as pessoas passarão por detrás do emissor da ordem e depois entre o cão e o seu líder. Caso o cão se levante ou mostre particular ansiedade ou inquietação, deveremos retornar à primeira forma, serená-lo e recompensá-lo, repetindo depois as acções em falta até à sua plena satisfação.
Torna-se evidente que as dificuldades no “quieto” são um reflexo inequívoco do temor do animal perante a novidade daquele ecossistema, em tudo diferente aos que estava acostumado, temor que logo se desnuda no “junto”, uma vez que o animal tende a evoluir atrás de nós e a desconfiar de quem circula na sua retaguarda, parando e olhando amiúde para trás por insegurança, o que torna a obtenção do “junto” indutora e precursora do “quieto”. Para resolver este problema importa acostumá-lo ao movimento das pessoas, sugerir-lhe inversões do sentido de marcha (Roda/volta) para que entenda não correr perigo, pedindo depois aos viandantes que o acariciem para se acalmar e levar de vencida o medo que nutre por eles. Caso encontremos pessoas dispostas a ajudar-nos, podemos pedir a algumas delas que circulem ao redor do cão, que deverá ficar imobilizado e junto de nós, pedindo-lhes que circulem da sua frente para a retaguarda. A resposta afirmativa do animal levar-nos-á ao seu afastamento gradual e por mais tempo.
À medida que os dias vão passando, os procedimentos são repetidos e o local conhecido, o cão começa a sentir-se mais à vontade e a mostrar outra disposição, cumprindo sem maiores delongas todo e qualquer comando de imobilização. Caso o medo em relação às pessoas se mantenha, é de todo conveniente apresentá-lo a uma criança de 8 a 10 anos, que depois de o recompensar, circulará com ele num ou mais trajectos de curta distância, debaixo do nosso auxílio e supervisão. Proceder-se-á de igual modo com pessoas cuja apresentação ou comportamento lhe sejam suspeitas, normalmente deficientes, gente pouco cuidada ou portadores duma mímica pouco vista. Quando mais o cão andar na rua, mais depressa nela obedecerá.  

CORRER OU MARCHAR COM O SEU CÃO?

Permitam-nos contestar o exercício actualmente mais recomendado para donos e cães: Running with your dog, prática em voga por toda a parte, entendida como must e que pode reverter-se num grandessíssimo disparate. A prática da corrida conjunta irá exigir primeiro que donos e cães visitem os respectivos clínicos, para se aquilatar da saúde de ambos face ao exercício proposto, independentemente da idade de cada um. Cães e donos deverão fazer à priori um check-up anual, que lhes indicará estarem ou não em condições para a corrida. Não havendo riscos e contra-indicações, importa considerar a morfologia e biomecânica do cão, porque nem todos se prestam a correr de modo continuado, aumentando significativamente os seus ritmos vitais e estoirando-se precocemente, como vulgarmente acontece com os obesos, os privados de exercício diário, os portadores das diferentes displasias, os braquicéfalos, os cães miniatura, os bassetóides, os molossos acima dos 45 kg e os mais idosos, porque queiramos ou não, a trela ao ser um incómodo acabará por ser desprezada, perfazendo os cães mais quilómetros que os donos. Em simultâneo há que considerar a Estação do Ano e o horário da corrida, sabendo-se que ela não deverá ser efectuada nos dias e horas de maior calor, o que acontecer poderá perigar a saúde e a vida dos animais.
Nenhum grupo somático canino ou raça em particular se encontram apetrechados naturalmente para galopar distâncias acima de uma légua terrestre (5 km), havendo indivíduos de distintas raças caninas que abandonam o galope em distâncias inferiores aos 100m e outros que apenas o fazem em meia-dúzia de metros. Os cães são biologicamente maratonistas, ficando isso a dever-se ao seu carácter excursionista e territorial. Os domésticos, porque têm a comida à mão e não necessitam de caçar, também porque se encontram confinados, factores que os induzem à obesidade e ao encurtamento dos seus dias, são menos excursionistas que os selvagens, que chegam a defender e a inspeccionar territórios de caça entre os 15 e 50 km2 e a viverem para além dos 16 anos. Contudo, não o fazem a galope mas em marcha, porque doutra forma faltar-lhes-iam as forças para caçar durante o trajecto. Apesar do homem haver seleccionado e criado um grupo de cães próprio para as carreiras (lebréis), animais que facilmente transitam da imobilidade para o galope rápido, nenhum deles passa os seus dias a galopar continuamente e caso o fizessem, cadenciariam o galope e perderiam a requerida velocidade instantânea, pormenor que obriga os galgos a diferentes métodos de treino consoante se destinem a “corridas à pele”, às lebres mecânicas ou às naturais, actividades de alto risco que podem ser-lhes até fatais.
Se o andamento preferencial dos cães saudáveis é a marcha (andamento e velocidade de excursão), algo equivalente ao trote dos cavalos, que os dota da resistência inerente ao seu bem-estar, musculação e longevidade, pergunta-se: correr com eles para quê, uma vez que não desejamos estoirá-los? Há por aí muita gente que tenta erroneamente “rebentá-los” para que não façam disparates em casa ao invés de proceder à sua acertada coabitação e escalonamento social, valendo-se para isso de intermináveis correrias atrás duma bola ou doutro brinquedo, tolice que julga o exercício físico capaz de substituir ou preencher o viver social dos seus cães. E quando assim não fazem, valem-se de passadeiras mecânicas, jogam-nos em grandes espaços ou atrelam-nos a toda a sorte de veículos. A nosso ver, nada justifica correr com o cão a não ser o propósito de o induzir a entrar em marcha, andamento que o animal não pode dispensar a bem da sua saúde e que se compreende diante da incapacidade do dono em fazê-lo a andar ao seu lado, ligada ao seu despreparo físico ou à disparidade de tamanho entre ele ambos, quando o dono não tem “pernas para andar”, a passada do cão ultrapassa 120 cm ou sua cadência de marcha é por demais elevada. Correr com um cão miniatura, para além de desnecessário, é contraproducente, porque o cãozinho para acompanhar o dono terá de o fazer a galope e com facilidade entrará em marcha com o dono a andar sem qualquer esforço.
A experiência demonstrou-nos que uma jovem senhora de 1.55m, em boas condições físicas e disposição para isso, pode manter constante a capacidade de marcha de um Cão de Pastoral Alemão com 70cm de altura, pelo que qualquer indivíduo saudável poderá também fazê-lo! É salutar correr com o cão? É, desde que não se obrigue o animal ao galope constante e este tenha condições de acompanhar o seu dono em marcha. Isto significa que não devo consentir que o meu cão galope? De maneira nenhuma, porque este andamento é um dos andamentos naturais presentes nos cães que o usam quando necessário ou quando se sentem particularmente alegres. Quando o convidarei para o galope? Depois de convenientemente aquecido na marcha. A que velocidade média terei que andar para garantir a constância de marcha do meu cão? Se ele não ultrapassar os 75cm de altura basta deslocar-se a uma velocidade de 5 a 6 km/h (os cães miniatura exigem uma velocidade de 3km/h e por vezes até menos). Que distância deverei marchar com o meu cão diariamente para mantê-lo saudável? 5km diários para os cães médios e grandes, de 1.5 a 2km para os mais pequenos. Posso dividir essa distância em 2 percursos a horas diferentes? Pode e nalguns casos até é aconselhável.
Debaixo de que temperaturas deverei sair em excursão do meu cão? A temperatura ideal para isso deverá oscilar entre os 11 e os 23 graus celsius. Os cães acostumados aos climas mais frios podem fazê-lo entre os -2 e os 5º celsius e os acostumados aos climas setentrionais entre os 20 e os 28º celsius. Poderemos fazer a légua diária com temperaturas acima ou abaixo dos valores atrás indicados? Podemos, desde que os cães nasçam em ecossistemas com essas amplitudes térmicas ou tenham sido gradualmente preparados para isso. A partir de que idade encetarei a légua diária com o meu cão? Gradualmente, depois dele ter atingido a maturidade sexual (depois de fazer 7 meses de idade). Até lá, que distância deverei andar com ele diariamente? Dos 4 aos 7 meses vão de 1.5 a 3km, devendo os percursos ser subdivididos. Até que idade do cão deverei manter a légua diária? Basicamente até que o animal o faça sem esforço e mostre vontade para isso. Por norma, a partir dos 8 anos (nalguns casos a partir dos 6) reduz-se para metade a distância dos trajectos diários, mercê do estágio etário atravessado ou por força doutras debilidades (estamos a referir-nos aos cães “puros”, os filhos da selecção natural/rafeiros são mais longevos).
Garantindo a marcha do cão, o que será melhor: correr ou marchar com ele? Atendendo ao bem-estar do animal não subsiste nenhuma diferença que obste a qualquer das opções. Poderei fazer com ele mais do que uma légua diária? Poder, pode, mas não há necessidade disso, porque um cão acostumado à rotina da légua diária pode vir a bater distâncias esporádicas superiores aos 30km sem grande esforço. Normalmente quando se ultrapassa a légua diária assiste-se ao desinteresse do cão pela excursão, o que no caso dos mais submissos transforma-os inusitadamente em autómatos e menos solícitos. Porque devemos caminhar com ele uma légua diária? Porque abaixo dessa distância o cão dificilmente manterá a sua forma ou melhorá-la-á, não sofrendo por isso qualquer alteração benéfica. O que mais importa: pô-lo isoladamente a fazer a légua diária ou acompanhá-lo na excursão? O cão é um ser social e não dispensa o grupo, quando isolado tende à letargia e ao desinteresse, sentindo-se tal qual um escorraçado, pelo que adora partir à descoberta acompanhado e enquadrado, cabendo ao dono caminhar a seu lado para que se sinta útil e feliz.
Deverei mudar os trajectos de excursão? Sem dúvida! Mas nunca antes do animal ter sido aprovado nos anteriores. Quanto maior for a sua variabilidade, maior será também o interesse do cão pela excursão, desenvolverá e potenciará novas habilidades, tornar-se-á mais seguro e fortalecer-se-á no apego ao dono, seu líder e companheiro de jornada. Porque preferimos ordinariamente marchar ao invés de correr com os cães? Porque nos importa a sua salvaguarda, não queremos pôr em risco a integridade de terceiros, queremo-lo sempre o mais encostado a nós e apostamos na sua autonomia condicionada. À parte disto, ao marcharmos com o cão, poderemos fazê-lo por mais tempo e ganhamos saúde, temo-lo mais à mão, protegemo-lo e somos protegidos, desenvolvendo e ratificando a postura side by side que mais fortalece os vínculos binomiais e que leva à unidade por maior que seja o desafio.
Correr com os cães é óptimo pela evasão que transmite, mas marchar a seu lado ainda é melhor, porque o acompanhamento a par e passo fortalece quem marcha alinhado.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

UM EMAIL QUE DÁ QUE PENSAR!

Veio-nos parar à caixa de correio electrónico o seguinte email com a fotografia abaixo: “ A Alemanha foi colonialista, a França foi colonialista, a Inglaterra foi colonialista, a Holanda foi colonialista, a Espanha foi colonialista, a Itália foi colonialista, Portugal foi colonialista, mas só Portugal consegue que os povos dos países por onde andou se manifestem em massa. Sofram com as derrotas de Portugal como se fossem eles próprios os derrotados… vibrem com as vitórias de Portugal como se fossem eles próprios vencedores e gritem bem alto: Ganhámos! Ganhámos! Ganhámos! É por tudo isto, por sermos multiculturais, multirraciais, que esta “Europa da treta” não nos suporta…
Uma imagem que vale mil palavras – uma timorense a sofrer por Portugal em 2016, meio milénio após a primeira vela com a Cruz de Cristo ter alcançado o Mar de banda. E há quem diga que o Mundo Português já lá vai… Não vêem a vela bem acesa nestes olhos? Dizem que é apenas futebol! Não! É muito mais do que isso! É raiz ancestral, é passado vivo, é esperança no futuro. É o assumir de uma identidade incompreensivelmente bela e tensa. É o desejo do bem personificado na perfeição. Rainer Daehnhardt”. Este email foi-nos reenvidado por um amigo e julgamos ser da autoria do Dr. Rainer Daehnhardt, um coleccionar e historiador luso-alemão, perito em armaria antiga e descendente de diplomatas e militares alemães radicados em Portugal desde 1706.