A “Freya” é uma cadela com
seis anos de idade, cruzada de Staffordshire com Bull Terrier, que se encontra
aos cuidados do Animal Rescue Freshfields em Liverpool e que foi resgatada das
ruas aos 6 meses de idade. Mantém o título de “Britain’s Loneliest Dog” (o cão
mais solitário da Grã-Bretanha) porque já foi rejeitada por 18720 pessoas que
poderiam adoptá-la. Segundo se consta, é um animal delicado, meigo e
interactivo que adora festas. Como sofre de epilepsia, doença que requer alguns
cuidados (medicação e análises), é possível que não venha a ser destronada para
breve do título que a acompanha. E mesmo que não padecesse da doença, o facto
de ser cruzada de Staffordshire não lhe é nada abonatório, uma vez que nas
Ilhas Britânicas tal raça tem vitimado crianças e adultos, por ser muito
popular, de grande potência de mordedura e o controlo dos seus proprietários
não ser o desejável. Não obstante, quantas “Freyas” haverá em Portugal e no
Mundo, animais que ninguém quer resgatar e que acabam para sempre nos canis de
acolhimento? Por certo também haverá em terras lusas um recordista destes,
provavelmente um cão pouco apelativo e doente que infelizmente nunca virá a ser
adoptado. Diante duma notícia destas, depressa se percebe que o amor e a
caridade dos povos não é genuíno nem autêntico, que ninguém está para ter
trabalhos, que a maioria das gentes prefere ser servida que servir, que a cinofilia
não é incondicional, que o amor pelos cães tem limites e anda pleno de
vaidades e interesses. E se fizéssemos isso só com os cães… não viria ao mundo grande
mal!
quinta-feira, 26 de maio de 2016
NÓS POR CÁ: CCB E RAQUEL TAVARES
Nasci a ouvir fado, desprezei-o
e ridicularizei-o na adolescência, apesar das grandes fadistas de então, por
achá-lo próprio de velhos bairros degradados e de tradições em que não me revia,
por entendê-lo como um grito de gente “pé-de-chinelo”, mais presa à si mesma, à
desventura e ao desgosto que apostada no progresso e na inovação. Redescobri o
fado com as composições que Alain Oulman escreveu para Amália Rodrigues, o que
me transformou para sempre num “oulmanista” inveterado, muito embora discorde
da presença de Amália no Panteão Nacional, mesmo sendo quem foi e o que deu ao
fado. A minha fadista de eleição foi e será sempre Maria Teresa de Noronha,
pelo timbre de voz, classe, sentimentos que irradiava e pela áurea de mistério
que emprestava às suas actuações. Depois dela só Maria da Fé e foi por causa
desta fadista nortenha que me desloquei na última Sexta-feira ao CCB, onde de
camarote assisti à actuação de Raquel Tavares, que se diz sua sobrinha,
restando saber se é dela ou do marido, o poeta alentejano José Luís Gordo.
A actuação iniciou-se com
10 minutos de atraso, a sala estava cheia e a fadista de 31 anos apresentou-se descontraída
e cheia de garra, porque cantou até que a voz lhe doesse, culminando a sua
actuação a cantar “Estranha Forma de Vida” sem microfone, opção que a
comprometeu por destratar as notas agudas. O espectáculo mereceu várias ovações
do público que foi convidado inúmeras vezes pela fadista para a acompanhar
nalgumas estrofes dos fados. Raquel Tavares é uma fadista de mão-cheia, disso
não restam dúvidas, muito embora a sua mímica seja mais “gitana” e tangente ao “flamenco”,
plena de gestos largos e desafiadores.
Os músicos presentes não
defraudaram e foram inexcedíveis, sendo em grande parte responsáveis pelo
sucesso do espectáculo. A fadista em várias ocasiões exaltou o conceito de “fado-verdade”,
adiantando que a falecida fadista nortenha Beatriz da Conceição foi o seu ídolo
e musa inspiradora, não se escusando também a realçar a sua relação familiar
com Maria da Fé e o seu marido (a fadista sénior fez-se presente nas primeiras
filas da plateia). O estilo empregue, o repertório e os temas dele constantes,
ainda que do agrado do público (que é quem paga os bilhetes) pouco ou nada me
disseram, porque esperava algo de novo e acabei por ouvir o que sempre conheci.
À parte disso Raquel Tavares esteve bem e proporcionou uma noite agradável a
quem a foi ver actuar. Pouco a pouco vou retomando a minha vida social, pois
nem só de cães posso viver, mormente agora que o fado é “património imaterial
da humanidade”. O “Black” ficou em casa e caso pudesse ter ido comigo ao
espectáculo não teria razões para uivar.
terça-feira, 24 de maio de 2016
VIVEMOS A ENCHER O EGO E FAZEMOS DOS CÃES CEGOS!
Não há gato-sapato que não
se diga defensor do bem-estar animal, quando na verdade poucos compreendam o
que isso significa e a sua abrangência, lembrando o que acontece com a “Declaração
Universal dos Direitos Humanos” que nenhum governo nacional respeita
integralmente. Infelizmente não temos como valer ao Mundo mas podemos valer aos
cães ao nosso encargo, respeitá-los enquanto espécie diferente e ir ao seu
encontro, ao invés de os sobrecarregarmos com truques e habilidades,
manifestações hedonistas que não se coadunam com a cinofilia que deverá
sustentar todas as actividades relativas aos cães, que hoje mais do que nunca
são amplamente explorados, na procura do proveito e em detrimento do seu
particular biológico.
E se o vulgo assim procede
por ignorância, também os adestradores atentam contra o bem-estar canino,
quando varrem dos seus currículos de ensino a pistagem e todas as actividades
que não dispensam o farejar. Se perguntassem aos cães e eles soubessem
responder qual das disciplinas escolares é a do seu maior agrado, a esmagadora
maioria responderia ser a pistagem, a procura de objectos, doutros animais e de
pessoas, porque o olfacto é primeiro sentido que desenvolvem e é para eles o
mais importante. E neste sentido felizes são os cães entregues ao ofício cinegético.
Enquanto os humanos
identificam o mundo ao seu redor usando primeiro a visão, depois o tacto, em
seguida o ouvido e finalmente o olfacto, os cães fazem-no primeiro pelo
olfacto, depois pela visão, em seguida pelo ouvido e finalmente pelo tacto.
Diante disto, privar os cães de usarem o nariz é cegá-los deliberadamente, um
crime que cometemos contra a sua natureza e bem-estar, muitas vezes até sem
darmos conta. Os cães vivem, reproduzem-se e sobrevivem pela experiência e esta
não dispensa a identificação olfactiva prà sua compreensão.
Mais do que petiscos,
cliques e afagos, usados de modo interesseiro e que provocam avidez e
ansiedade, importa convidarmos rotineiramente os nossos cães para o uso do seu
nariz, havendo alguns que têm mais de 220 milhões de receptores olfactivos, 44
vezes mais que os presentes nos humanos. Escola canina que se preze, atendendo
ao bem-estar dos cães e também aos benefícios que a pistagem oferece para as
restantes disciplinas cinotécnicas, pelo reforço da parceria e da cumplicidade,
deveria atribuir à pistagem 60% do tempo destinado às classes. Dir-nos-ão que
tal é utópico e impossível de levar a cabo, que os donos não se agradariam e
resistiriam a tal ideia. Mas afinal estamos ou não estamos preocupados com o
bem-estar animal? Se explicarem para os donos, eles bem depressa compreenderão,
pois só querem o melhor para os seus cães. Cego é aquele que não quer ver!
segunda-feira, 23 de maio de 2016
CORREIO DOS LEITORES: O VELHO PROBLEMA DAS ORELHAS
Recebemos dum leitor o seguinte
email que transcrevemos na íntegra: “Olá, Gostaria de pedir a vossa ajuda
relativamente a um pastor alemão que nasceu 11 de Fevereiro portanto completa 4
meses a 11 de Junho, com 3 meses pesava 13kg, pela estrutura será um
amigo(Marley) bem grande e de uma personalidade bem forte. Todos os pastores
que eu tive nunca me surgiu a dúvida relativamente às orelhas se manterem
erectas, mas este é a primeira vez que tenho um completamente preto e com uma
estrutura tão desenvolvida. Na sequência do último artigo “TÊM 3 MESES E MUITAS
ALEGRIAS PARA DAR!” e verificar todos os cachorros estarem com as orelhas
levantadas fez-me pedir-me a vossa ajuda a esclarecer esta mesma questão pois
o, pelo que eu estive a ler a nível da internet não me devo preocupar até pelo
menos aos 5/6 meses com esta questão, e efectivamente só estou a pensar visitar
o veterinário nessa altura por causa desta questão. Contudo gostaria de saber
se esta situação é porque sendo ele aparentemente desenvolvido tenha
necessidade de mais tempo, pelo menos até à dentição final ou sendo ele de cor
preta e se aconselham algum procedimento, para ajudar na cartilagem tal como na
alimentação. Já evitamos qualquer tipo de esfregar nas orelhas, mas é impossível
evitar as brincadeiras destes dois... Actualmente está ser alimentado com ração
Visan Optima para cachorro, contudo li algumas pessoas a aconselhar dar,
pescoços/patas de galinha ou gelatina, contudo não queria a começar qualquer
alteração ao que tenho feito sem algum conselho de alguém mais experiente com
estas situações. Obrigado pela vossa atenção”.
Em primeiro lugar importa
dizer que os problemas com as orelhas de alguns Pastores Alemães, que
graciosamente cada vez são menos incidentes, resultam duma origem genética e
também da sua implantação em cada indivíduo, se baixa, média ou alta (a fotografia
que nos mandou não é conclusiva a este respeito). Por outro lado, os cães
maiores, com forte impulso ao alimento e bem alimentados tendem a levantar as
orelhas mais tarde e os mais pequenos, esfaimados e mal nutridos a levantá-las
bem cedo, razões que não tornam o seu cão negro mais preguiçoso em levantá-las.
Não creio, em função do peso aos 3 meses do cachorro, que se trate de um exemplar
excepcionalmente grande e lamentamos que em simultâneo não nos tivesse
adiantado também a sua altura, valor que nos faria aquilatar melhor do seu
crescimento (os nossos cachorros negros pesam aos 3 meses entre 15 e 18 kg).
Como também não sabemos se se trata de um exemplar de trabalho ou de linha
estética, crescem as dúvidas acerca do particular do seu cachorro (tem pedigree?).
Também não nos fez saber se ele alguma vez as teve de pé, porque é normal que
tombem por altura da muda dos dentes, vindo depois a levantá-las. E quando isso
acontece, temos por hábito, numa primeira fase, enrolar uma a uma e ligá-las
depois entre si, para que no futuro não venham a ter uma apresentação
peripatética.
Adianto-lhe desde já que,
cão que não as levanta até aos 9 meses, dificilmente as levantará daí para a
frente. Seria bom e de todo conveniente que expusesse quanto antes ao seu
veterinário assistente o problema, ao invés de esperar fazê-lo daqui a 2 meses,
porque o tempo não concorre a seu favor e ele melhor do que ninguém o saberá
aconselhar acerca das dietas e do seu enriquecimento. Ademais, só os bons cães
necessitam de ajuda, porque aos desprezíveis não lhes sobra qualquer conserto.
No entanto, como sabemos fazê-lo e nisso temos experiência, pode combinar
connosco uma visita através do email deste blogue, porque podemos ajudá-lo na
solução do problema, isto se não for de origem genética, pois para isso cá estamos
e sentimo-nos gratos em valer aos demais. Como diz o povo: “ao pé do pano é que
se talha a obra”, traga-nos o cachorro e faremos tudo o que estiver ao nosso
alcance. Obrigado pelo contacto.
ANDA TÃO MAL-EMPREGADO, SERÁ UM MERO SIGHTHOUND?
A pergunta que formulamos
neste título é referente ao Border Collie, um cão que nos apaixona pela sua
qualidade e versatilidade de serviços, uma raça que adoptaríamos de braços
abertos caso não nos dedicássemos aos Pastores Alemães, paixão que nos
acompanhará até deixarmos os cães e rumarmos para a outra vida, onde
provavelmente não nos irão fazer falta alguma. Mas enquanto essa hora não
chegar, esperamos que tarde, continuamos atentos ao que se passa com a
canicultura e cinotecnia. Não nos custa acreditar, assim como o Séc. XX foi o
século do Pastor Alemão, que o cão deste seja o Border Collie, animal
inteligente, astuto, de fácil aprendizagem, rara disponibilidade, voluntarioso,
valente e cúmplice, um camarada que num ápice saltou dos rebanhos para o
Agility, como se fosse essa a sua única e verdadeira vocação: um sighthound de
obstáculos!
Nos periódicos de língua
inglesa é notícia o sucedido no Canadá, quando o Sr. Reid Roberts se viu
confrontado na última Terça-feira (dia 17) com uma ursa negra que guardava os
seus filhotes, vindo a ser atacado por esta e jogado no chão. Valeu-lhe na
ocasião o seu Border Collie, o “Pacer”, que vendo o dono em apuros caiu sobre a
ursa e pô-la em debandada, acção que acabou por salvar a vida àquele homem, que
jamais esperaria ter um encontro daqueles (há horas felizes).
A bravura do cão não nos
espantou porque há muito sabemos do que os Borders são capazes, achamos até que
estes cães andam a ser mal aproveitados, que o seu potencial vai muito para
além da prática lúdica dos obstáculos e que se prestam a um sem número de
disciplinas e especialidades cinotécnicas, guarda inclusive, devido à sua
concentração e dedicação aos donos e seus pertences, prestando-se de
sobremaneira ao resgate e salvamento, porque são rápidos, incansáveis, rústicos,
nadam primorosamente, não são cegos de nariz e adoram trabalhar.
Transformá-los maioritariamente
em galgos para obstáculos não será muito pouco para quem tem tanto para dar?
Nós julgamos que sim e ninguém nos convence do contrário, porque nunca os vimos
ficar para trás, fosse de quem fosse e independentemente das tarefas. Ao invés,
sempre os vimos entre os primeiros nos mais diversos trabalhos, ombro a ombro
com os melhores, que geralmente levam e continuarão a levar de vencida.
Parabéns se tem um Border Collie, não o desbarate, aproveite o seu potencial e
torne-o útil, esteja à sua altura, honre e usufrua da sua excepcional parceria.
TÊM 3 MESES E MUITAS ALEGRIAS PARA DAR!
Estes Pastores Alemães
negros têm 3 meses, são naturalmente robustos e de linha laboral, lembram
outros que já tivemos e não nos pertencem, tendo como proprietários os mesmos
que indicamos a seguir para o cachorro azul. Pelas fotos é visível que são
robustos e de excelente envergadura, tendo ao mesmo tempo angulações traseiras
que fazem inveja a muitos cães de exposição (a Joana Melo apaixonar-se-ia por eles).
Ser proprietário de um CPA
negro é ficar cativo desta variedade cromática, por ser precoce em relação à
dominante, silenciosa e concentrada, extremamente cúmplice e ávida de funções e
trabalho, não sendo por acaso que, quem teve um CPA negro, acabe por optar por
outro da mesma variedade. Estes cachorros, cujo porte impressiona, estão à
venda. Quem estiver interessar em adquirir algum deles poderá fazê-lo através do
endereço deste blogue, que de imediato o poremos em contacto com os seus
criadores.
O desprezo pelos CPA
negros não pode ser dissociado da menor prestação dos Pastores Alemães em
geral, porque a sua escolha e aparecimento, que remontam aos primórdios da
raça, legitimam os propósitos por detrás da sua formação, que normalmente
garantem os índices de disponibilidade, versatilidade e prontidão que desde
sempre caracterizaram o Deutscher Schäferhund, pelo que criar cães de trabalho
sem a contribuição dos exemplares negros é tornar órfã essa mesma criação. O
cão negro nasceu para o trabalho e ao contrário de outros nisso tem
permanecido. Olhamos par estes cachorros e a saudade invade-nos, porque sabemos
quanto valem e as muitas alegrias que têm para dar.
ZEUS UM AZUL QUE PROMETE
O Zeus é um CPA com dois
meses de idade, que nasceu todo cinzento (azul) e que manterá essa cor no manto
e na máscara do focinho. Pertence à Verónica e ao João e veio do Norte do País.
A partir dele se poderão vir a ter cachorros azuis uniformes, caso venha a
beneficiar uma cadela negra com um máximo de 4/8 em lobeiro, isto depois de lhe
ser feito o despiste das diferentes displasias, obrigação a que os seus
proprietários não fugirão por se quererem dedicar à criação de Pastores
Alemães.
O cachorro ronda agora os
10 kg de peso, é atento e activo, ladra grosso, come bem e é um regalo para a
vista. Evidencia bons aprumos, não se apresenta exageradamente plantígrado, tem a convexidade
de linhas que o Estalão reclama, ossatura forte e um manto bastante denso e
apelativo. Oxalá assim continue e venha a ser patriarca de uma prole numerosa
com idênticas características. Não existem em Portugal, na Europa e no Mundo
muitos Pastores Alemães cinzento uniformes (azuis), pelo que são muito
admirados e procurados, para além da cor do seu manto ser bastante chamativa. O
alcance de um CPA azul uniforme por meios lícitos, sem a recorrência aos
exemplares brancos (há muito afastados do Estalão), mostra o saber de quem se dedica
à criação da raça e domina os seus segredos. Desejamos bons ventos e melhores auspícios
para o cachorro e seus proprietários.
domingo, 22 de maio de 2016
TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS
O
TOP 10 semanal de leitores por país obedeceu à seguinte ordem:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º
Rússia, 4º Reino Unido, 5º Alemanha, 6º Estados Unidos, 7º Angola, 8º Irlanda,
9º Quénia e 10º Cabo Verde.
RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS
O
Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º
- OS VÍRUS, OS LOBBIES E AS DOENÇAS TÍPICAS DA RAÇA, editado em 17/05/2016
2º
_ HAUS: RESGATADO PARA RESGATAR, editado em 16/05/2016
3º
_ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
4º
_ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/062011
5º
_ A LEI DE MURPHY E AS OPÇÕES TÉCNICAS DOS CONDUTORES CANINOS, editado em
15/05/2011
6º
_ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado m
29/08/2013
7º
_ OS CÃES DA NICOLE SCHLAEPFER, editado em 30/04/2014
8º
_ O MELHOR E O PIOR DO PASTOR SUÍÇO: ANÁLISE MORFOLÓGICA E FUNCIONAL, editado
em 21/06/2011
9º
_ SERÁ O BOERBOEL UMA BESTA APOCALÍPTICA?, editado em 02/05/2015
10º
_ COISAS DA MINHA JOANA!, editado em 16/05/2016
quinta-feira, 19 de maio de 2016
O BLACK E O CANHÃO
O Black é o meu
companheiro quotidiano, um camarada que me dá cabo da cabeça e que intenta
dominar-me, desafiando-me vezes sem conta e tentando impor-me a sua vontade,
apesar de nunca ser bem-sucedido. Rosna-me quando lhe mexo na comida, puxa-me à
trela como um desalmado, avança para cima de qualquer cão, tenta abocanhar os
gatos, pisa-me o canteiro no jardim, rói-me a mangueira, rouba-me as
ferramentas, escapa-se para dentro de casa sem autorização, põe-se atrás da
porta de entrada para ladrar aos outros cães e arranha-me a porta. Está a
precisar de ser treinado e eu que não conheço nenhum treinador! À parte disto,
é extremamente meigo, brincalhão, atento e valente, ainda que pouco concentrado
e com o seu quê de suicida, decididamente um espírito livre ou um escravo da
selecção que o gerou. Com o tempo quente passa os dias à sombra e à noite
deita-se a meu lado, muito embora saiba que não deve fazê-lo por causa do imenso
pêlo que larga pela casa fora. E o pior de tudo é que lhe acho graça e aprecio
a sua irreverência, educando-o contrariado, fazendo-lhe cara de pau quando me
apetece abraçá-lo. Será que os cães não podem ser quem são? Será que não os educamos
por conta dos hiatos dos seus criadores? Dá que pensar!
Um dia destes levei-o para
a serra e esperava que entrasse em correrias loucas, que nunca mais aparecesse
e que me obrigasse a ir à sua procura. Mas não, nunca se afastou de mim e
quando deixava de o ver, bastava assobiar-lhe que logo aparecia (não é maluco
de todo), desinteressando-se dos viandantes ao seu redor e regressando alegre e
desafiador, apesar de não medir os perigos e de ter andado por cima dos
telhados de velhas casernas militares desactivadas e degradadas. Acabei por lhe
tirar várias fotografias, uma delas junto a uma desusada bateria de costa e não
tive que insistir para que ficasse quieto. É realmente uma contradição: na rua
encosta-se a mim e em casa resiste à minha liderança. Eu não conheço o seu
criador e caso conhecesse teria com ele uma conversa pé-de-orelha, nem que
fosse para compreender quais os critérios que seguiu para gerar indivíduos
assim. Caros leitores e canicultores, tanto nos Pastores Alemães como em
qualquer raça, o primeiro impulso herdado a potenciar é o relativo “ao
conhecimento” e não outro! De que me vale um cão que corra muito se não o
consigo controlar, para que servirá um cão que morde a torto e a direito? Que
resiste à liderança e que sempre incorre na desobediência? Não é o Black que é
tonto mas o alienado que o criou! Estou grato a Deus por me ter vindo parar às
mãos, porque doutro modo seria irremediavelmente desleixado, catalogado de
maluco e perigoso, capaz de ter como certo um fim pouco digno e honroso. Cada
um é para o que nasce e eu nasci para ajudar o Black.
É POR ESTAS E POR OUTRAS QUE EU GOSTO DE PASTORES ALEMÃES
Conheço poucos cães com a capacidade
de sacrifício, nobreza de carácter e apego aos donos como o Pastor Alemão, cão
que nas condições mais difíceis e em risco de perecer não abandona o seu líder
e permanece fiel ao seu lado, um companheiro para os dias bons e maus, um amigo
pouco visto e um bicho que quer ser gente. As agências noticiosas
norte-americanas têm vindo a divulgar a história da “Freeway Frida”, uma
Pastora Alemã que se presume ter seis anos, agora resgatada pela polícia, que
foi largada duma pick-up na auto-estrada norte da Califórnia, ficando ali retida
durante um mês com uma perna partida, fractura resultante da sua descarga
apressada. Depois várias tentativas forçadas, finalmente a cadela foi laçada e
resgatada, apresentando pouca resistência por se encontrar fragilizada e com
quase 10 kg a menos para o seu tamanho. Neste momento encontra-se a recuperar no
VCA Bradshaw Animal Hospital em Elk Grove e será depois operada para tratar da
fractura. Pensa-se que conseguiu sobreviver por ter ingerido lixo e ter bebido
água da chuva. Facilmente se compreende porque a alcunharam assim: “Frida” por
ser de raça alemã e “Freeway” devido ao local onde foi resgatada. Oxalá
encontre uma família que a adopte, respeite e ame, porque é uma sobrevivente
que merece ser estimada, apreciada e feliz. Caso a Califórnia fosse aqui ao
virar da esquina, quem ficava com ela era eu!
quarta-feira, 18 de maio de 2016
OS JAPONESES NÃO BRINCAM EM SERVIÇO E JOJI YAMAGUCHI TAMBÉM NÃO
Durante séculos pensou-se,
erradamente segundo provou a história do Séc. XX, que a raça ariana era
superior às demais, a única capaz de governar este mundo e que as outras lhe
deviam estar sujeitas, razões suficientes para legitimar os impérios agora
findos. Debaixo da mesma sobranceria, sofreram os russos estrondosa e
humilhante derrota às mãos dos japoneses, aquando da Guerra Russo-Japonesa
(1904-1905), o que fez o Império Russo vacilar e transformou o Japão numa
grande potência imperial. Todos estamos lembrados do modo como os americanos
ganharam a Guerra do Pacífico (1941-1945): lançando duas bombas atómicas, uma
sobre Hiroxima e outra sobre Nagasaki. Apesar da derrota e dos custos dessa
guerra, o Japão reergue-se e os japoneses encontram-se na vanguarda dos avanços
científico-tecnológicos. E quem disso duvidar, basta olhar para a sua indústria
automóvel, cujos carros são tão ou mais fiáveis quanto os dos alemães. Quem
sabe se o mundo de amanhã virá a ser governado por uma raça asiática, ideia que
entre outros assombrou também Napoleão. Quem vier que venha por bem, o ISIS não
será certamente!
Joji Yamaguchi saltou para
a ribalta por conta dum invento surpreendente que permite visualizar o estado
emocional dos cães através de diferentes luzes LED incorporadas num colete, no
qual também se encontra incorporado um micro monitor de frequência cardíaca,
novidade que torna visíveis as alterações de humor caninas. Quando o colar fica
vermelho, o cão encontra-se excitado; quando fica azul, significa que está
relaxado; quando fica branco, que está concentrado e quando fica arco-íris, que
se encontra feliz. Este invento revolucionário permitirá a qualquer um
compreender os estados anímicos do seu cão e as causas ou motivos por detrás
das suas alterações de humor, possibilitando em simultâneo compreender imediatamente
as suas necessidades e preferências, combatendo o stress e ajudando de sobremaneira
quem se preocupa com o bem-estar canino (agora os cães "já podem falar por si"). Até aqui e enquanto este dispositivo
não se generalizar, a leitura dos estados emocionais dos cães continua a ser feita pela
leitura e interpretação das suas expressões mímicas (linguagem corporal). Estes
japoneses são levados da breca!
Não se pode dizer que o
invento seja caro, pois custa agora 149.95€. E dizemos custa agora porque se os
chineses descobrirem como é feito e como funciona, depressa o imitarão e
venderão mais barato como é seu apanágio, restando saber se a sua qualidade
será a mesma. Justiça seja feita a Joji Yamaguchi porque através do seu invento
tornou possível a empatia imediata entre homens e cães através da visualização
dos estados anímicos que os últimos atravessam. O mundo é feito de mudança,
está a mudar rapidamente e nisto têm os japoneses uma importante cota-parte.
Nem ousamos pensar o que inventarão a seguir!
CESTRUM NOCTURNUM: UMA DAMA PRÓPRIA PARA OS CANIS
Por maior que seja o
cuidado com a limpeza e higiene dos canis, acima de 3 cães alojados,
dificilmente alguém se livrará do incómodo odor que libertam, particularmente
no Verão, em dias de baixa pressão, em locais de cota baixa, normalmente
húmidos e pouco arejados. O odor canino tende a impregnar tudo à sua volta,
agarrando-se às paredes, móveis, utensílios e roupas das habitações
circundantes, para além de se alojar facilmente na nossa pele e de se misturar
com a nossa transpiração, ainda que a sua habituação não nos leve a detectá-lo.
E quem tem canis nos seus jardins sabe do que estamos a falar, porque mal abre
uma porta ou uma janela na sua direcção, logo recebe aquela baforada quente,
desagradável e nauseabunda.
Sujeitos durante anos ao
mesmo problema, vamos hoje adiantar uma planta para disfarçar ou minorar o odor
canino, mais um subsídio a juntar à higiene diária dos cães, à drenagem e
secagem dos canis. O nome científico da planta é “Cestrum Nocturnum”, conhecida
vulgarmente entre nós por “Dama da Noite” e que é originária da América Central
e do Sul, um arbusto que pode ser constituído em barreira, cerca ou latada, que
se desenvolve rapidamente à média luz ou sob sol intenso, apesar de ser
sensível à geada, largando à noite um perfume agradável, intenso e paradisíaco,
que por vezes parece transportar-nos para outras paragens, quando sentados no
jardim a beber um gin tónico, um whisky ou uma caipirinha com a família e os
amigos, depois de um de trabalho. O perfume vem-lhe das flores que tanto podem
ser brancas como amarelas.
Convém dispor somente duas
plantas destas por 50m2, porque se plantarmos mais, devido ao seu rápido
desenvolvimento, podemos transitar do perfume para o pivete e virmos a ser
intoxicados. A Dama da Noite carece de ser podada anualmente, tanto para ser
encaminhada como para robustecer os seus troncos, tarefa fitossanitária que
deverá acontecer de meados de Outubro até ao início do Inverno, dependendo isso
do Outono ser mais ou menos rigoroso. Como a Cestrum Nocturnum é toda ela
tóxica (tronco, folhas e flores), convém não a plantar dentro dos canis,
portanto na sua área exterior, tendo o cuidado de a proteger da curiosidade e ingestão
dos cães. Durante o dia ela tende afastar moscas e mosquitos, só sendo à noite
cobiçada por pequenas borboletas nocturnas que não constituem qualquer perigo
para os animais.
O preço da planta oscila
entre os 15 e os 30€, consoante o seu tamanho e local de compra. Daqui para a
frente a maioria dos viveiros já a tem à disposição dos clientes interessados, uma
vez que já se encontra em floração. Mesmo para aqueles que têm jardins e não têm
cães, a Dama da Noite é uma planta a adquirir, pelo particular do seu perfume,
pelo bem-estar que oferece e pela evasão a que convida. Eu tenho uma no meu
jardim, entre malmequeres, pelargónios e roseiras e, quando me vou deitar, oiço
da rua o comentário consensual: “que bem que aqui cheira”, apesar do meu cão
dormir perto dela e não ser por vezes muito asseado.
terça-feira, 17 de maio de 2016
OS VÍRUS, OS LOBBIES E AS DOENÇAS TÍPICAS DA RAÇA
Quando um médico não sabe
que doença afecta um paciente logo alvitra tratar-se de um vírus, quando um
veterinário não encontra explicação para determinadas afecções de um cão
remete-as imediatamente para o cardápio das
doenças típicas da sua raça, explicações que nada satisfazem diante da óbvia
relação causa-efeito. Este mundo está sobrecarregado de lobbies, de mentiras
inquestionáveis que vitimam homens e cães, que para irem ao médico terão que
ter uma saúde dos diabos, porque doutro modo depressa enfermarão. Ao lobby da
indústria farmacêutica nos humanos, que chega a destituir governos e a
subsidiar campanhas, podemos juntar o da indústria alimentar nos cães, que rapidamente intenta estabelecer parcerias com os veterinários, querendo fazê-los seus comissários
a troco de umas migalhas.
Esta semana um proprietário
canino pouco letrado e nada informado gabava-se diante doutro por dar ao seu
cão a melhor ração do mercado, que segundo ele é à base de salmão, rica em
ácidos ómega e do melhor para a saúde do animal. Todos sabemos que a esmagadora
maioria do salmão que comemos e que vai para as rações dos animais de companhia
é de viveiro e não de mar, que adquire aquela apelativa cor vermelha por via
química e não por ingestão de camarão como seria de esperar. Esse cocktail
químico, para além ser uma ameaça ambiental por estar a poluir e a envenenar os
leitos dos ricos, é altamente cancerígeno. Homens e cães vivem do que comem e
diante desta verdade pergunta-se: porque têm os cães actuais menor esperança de
vida que os do passado, apesar de auxiliados pelos medicamentos? Serão as
alterações climáticas promovidas pelas distintas poluições as únicas
responsáveis pelo fenómeno? Não nos parece porque, debaixo dos mesmos
condicionalismos, os cães que consomem alimentos frescos vivem por mais tempo.
Não é por acaso que alguém apelidou a ração de “Junk food” (comida de lixo)”,
não obstante umas serem de melhor qualidade que outras. Sim, o consumo
sistemático da ração está a apressar doenças e a encurtar os dias dos cães.
E se o controlo de
qualidade dos alimentos destinados aos humanos é por vezes falho e nalguns
casos parcial e até inexistente, imagine-se o destinado aos animais, que
normalmente comem toda uma catrefa de subprodutos desleixados, nalguns casos
verdadeira mixórdia, ainda que por vezes encapotados num rótulo enganoso.
Existem doenças típicas de uma ou várias raças? Infelizmente sim, sendo a maior
parte delas proveniente da descuidada ou abusiva selecção humana. No entanto,
essas doenças congénitas não se manifestam somente numa ração em particular ou
quando substituímos uma por outra, ainda que algumas contribuam para o
agravamento dos problemas inatos caninos e até lhe arranjem outros. Em termos
de alimentação e perante a inevitabilidade da ração segue-se a máxima
futebolista que diz: “em equipa que ganha não se mexe!” Ao invés, se determinada
ração causa algum problema ou mal-estar aos nossos cães há que desprezá-la
imediatamente. Não há nada melhor que a comida fresca, que infelizmente exige
conhecimento, dá trabalho, despesa e não dá lucro a ninguém, já que a ração outra
coisa não é que um “manjar de combate”, comida de substituição à falta de
melhor. Existem boas rações no mercado? Existem, mas nem sempre são as mais
conhecidas e badaladas, cujos fabricantes subvertem a sua qualidade e não se
escusam à oferta dos mais variados brindes. É mentira, a ração não tem tudo, falta-lhe o essencial - ser fresca!
segunda-feira, 16 de maio de 2016
COISAS DA MINHA JOANA!
O trabalho da Acendura
Brava nos últimos anos não pode ser separado da Joana Melo, porque foi
literalmente “pau para toda a obra”, ajudando-me como monitora, figurante e
rebocadora de classes. Juntos percorremos quilómetros infindos, montámos uma
escola, estruturámos uma matilha funcional e estivemos em vários acampamentos,
onde ela exerceu irrepreensivelmente as funções de que foi incumbida. Dedicada,
interessada, decidida e valente, nunca rejeitou serviço e deu o melhor de si,
qualidades que a elevam dos demais e que sempre mereceram o meu sincero apreço,
admiração e gratidão, ao ponto de a considerar mais filha do que aluna pelo
tanto que me deu a mim e à Escola. Caso não fosse assim, jamais o “Radar”
chegaria onde chegou, porque foi o seu querer que fez dele o Pastor Alemão que
é hoje. Orgulho-me de a ter tido como aluna e sinto-me feliz por me ter acompanhado,
pelo que suportou e por me ter aturado, sempre solícita e sem queixumes.
Obrigado miúda!
Casada
e a viver com o marido em Inglaterra, onde se encontra a fazer um mestrado,
finalmente vai ser mãe. Agora grávida de 4 meses, tem andado meio enjoada e ao
que parece carrega consigo uma menina a quem irá pôr o nome de Alice, notícia
que nos deu por email e que divulgamos em primeira mão para os muitos amigos
que cá deixou. Perante tamanha e agradável novidade está a família Carreiras de
parabéns. Queira Deus que tudo corra bem e que a Alice se desenvolva, nasça e
cresça saudável. Força Mamã!
HAUS: RESGATADO PARA RESGATAR
As agências noticiosas
norte-americanas têm feito eco do ocorrido com um Pastor Alemão em
Tampa/Flórida há três dias atrás, que se interpôs entre uma menina de sete anos
e uma cascavel, acabando por lhe salvar a vida apesar de ter sido mordido pela
cobra venenosa três vezes (a mais venenosa da América). O Haus, assim se chama
o cão, havia sido resgatado de um canil de abrigo há apenas dois meses, o que
exalta a sua gratidão pela nova família de adopção. Neste momento luta pela
vida e tudo indica que se salvará. Entretanto, ao tomarem conhecimento do feito
do Pastor, muitos americanos prontificaram-se a cotizar as despesas do seu
tratamento e recuperação, alcançando um montante que ultrapassou os 50 000
dólares. Também por cá existem cães com igual valentia e destemor, companheiros
que aguardam ser resgatados das associações que os recolheram. Foi um Pastor,
podia ter sido outro cão, com raça ou sem nenhuma em particular, porque a
gratidão canina não é mérito só de alguns mas comum a todos os cães. Há sempre
um cão que espera por si! Aqui não temos cascavéis mas temos víboras, pelo que
aconselhamos os nossos leitores a consultarem o texto “ALERTA VÍBORA: PROCEDIMENTOS ESCOLARES
E DOMÉSTICOS”, constante neste Blogue e editado em 28
de Janeiro de 2010.
THE INCREDIBLE !NDIA
A Índia é realmente
incrível porque é simultaneamente longínqua e próxima, fácil de compreender e misteriosa,
onde a riqueza, a miséria, o ascetismo e a porcaria vivem lado a lado. Terra de
homens santos e antro de facínoras, de pompas inigualáveis e de desgraças
infindáveis: um retrato do mundo, do que temos e daquele que gostaríamos de
alcançar. Apesar de ser um pais que não pára de nos espantar, destaca-se ali a
relação harmoniosa entre as gentes e os diferentes animais, tão próxima que por
vezes parecem todos “farinha do mesmo” saco, numa desordem ordenada que sendo
de gritante paridade, choca os pruridos de muitos ocidentais, quiçá por provir
doutros valores culturais e religiosos, doutra visão cósmica, normalmente apelativa
à curiosidade e às expectativas juvenis dos que nascem do outro lado do mundo.
E já agora, a talhe de foice, falar inglês nalguns recantos daquele
subcontinente é atrair sobre si a dita ira presente no “quinto dos infernos” (vá-se
lá saber porquê!). Inglês por inglês, mais vale passar-se por ser quem é ou
então por norte-americano.
Certa vez alguém me disse,
referindo-se à empatia que mantenho com os animais, que se lhe dissessem que me
tinham visto montado num hipopótamo acreditaria, o que não deixa de ser um
exagero. Já na Índia e entre os indianos tudo é possível devido à coabitação
milenar entre humanos e não-humanos, não sendo de estranhar ver gente, civil e
militar, montada em toda a sorte de animais (avestruzes, búfalos, vacas, camelos
e elefantes), habilidade e conhecimento que nos deixam boquiabertos pela
simbiose atemporal que há muito perdemos, que empresta à Índia e aos seus
habitantes um colorido único e fascinante a tudo o que fazem, apesar da outrora
“Crown Jewel” ser também uma nação de cheiros, de bons e de maus.
Trabalhar no Sul da Índia
debaixo dum calor insuportável não é tarefa fácil para ninguém, muito menos
para os cães farejadores da Polícia do Estado de Karnataka (Estado que confina
a Noroeste com Goa), nomeadamente no Verão e em Bellary, lugar onde as
temperaturas são mais elevadas e o calor mais intenso. Sabendo disso, o Departamento
de Polícia daquela região dotou os canis de ar condicionado, já que alguns cães
sentem-se desconfortáveis e diminuem a sua eficiência em temperaturas iguais ou
superiores a 35 graus celsius. Atendendo à mesma razão, também a alimentação
destes animais merece cuidados especiais, sendo a sua dieta regular reforçada
com alimentos de maior teor nutricional, com glicose e vitamina D, para além
doutros aditivos. Sempre têm à sua disposição água fria, os seus repastos são
mais líquidos e três vezes ao dia é-lhes distribuído coco para combater a mais
que possível desidratação. Como se depreende, as actividades ao ar livre dos
cães estão restringidas ao início da manhã e à noite, porque forçá-los a
trabalhar noutras horas do dia poder-lhes-ia ser fatal.
É evidente que a maioria
dos indianos não usufrui nem usufruirá para breve destas condições (talvez nem
os tratadores destes cães as tenham dentro dos seus lares). Com o Verão à
porta, agora que a chuva parece ter-se-ido embora de vez, aconselhamos os nossos
leitores a manterem grandes quantidades de água fresca à disposição dos seus
cães, a alojá-los em locais arejados e afastados do Sol intenso,
particularmente os mais débeis, os obesos, os idosos, os de pêlo lanoso ou duplo,
os de cores melânicas e os braquicéfalos, animais que na época estival sofrem
em demasia com o calor e que mais facilmente entram em colapso. As nossas
actividades escolares no Verão sempre privilegiaram os horários matinais e
nocturnos, procurando também treinar em matas de maior altitude. Adiantamos
para os nossos leitores brasileiros, caso queiram visitar Portugal no Verão, a
prepararem-se para o calor, pois aqui ele é mais agressivo e menos húmido que o
verificado nos Estados do Centro-Sul brasileiros (chega a ser sufocante). E
sobre os cães da índia por agora é tudo.
domingo, 15 de maio de 2016
RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS
O
Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:
1º
_ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
2º
_ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
3º
_ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em
19/08/2013
4º
_ O CÃO LOBEIRO: UM SILVESTRE ENTRE NÓS, editado 26/10/2009
5º
_ MEIA-DÚZIA DE CHECOS, editado em 11/05/2016
6º
_ HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE?, editado em
11/05/2016
7º
_ O MEU CÃO TOIRO por Sancha Costa Lobo, editado em 10/10/2013
8º
_ AZUL? SÓ SE FOR DE PRETO!, editado em 16/04/2015
9º
_ ROTTWEILER E SERRA DA ESTRELA (AQUILO QUE OS UNE E SEPARA), editado 07/01/2010
10º _ SERÁ O BOERBOEL UMA
BESTA APOCALÍPTICA?, editado em 02/05/2015
TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS
O
TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º
Rússia, 4º Estados Unidos, 5º Alemanha, 6º Ucrânia, 7º República Checa, 8º
Angola, 9º Moçambique e 10º Quénia.
quarta-feira, 11 de maio de 2016
HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE?
Outros antes de nós
sonharam em juntar o melhor dos cães do Ocidente com os do Oriente, talvez por
isso tivesse surgido na década de 60 o “Wolf-Chow”, um híbrido inicialmente de
Wolspitz e Chow-Chow, mais tarde beneficiado com Samoiedo e rebaptizado por “Eurasier”.
Um destes exemplares, produto da Sr.ª Charlotte Baldamus, foi parar às mãos de
Konrad Lorenz, que o considerou como o melhor cão que houvera conhecido
(Babett). O cão mongol, hoje julgado chinês, foi aceite pelos chineses de
braços abertos pelas suas características peculiares, sendo por natureza
independente, persistente, incorruptível, protector e fiel, mais fácil de sociabilizar
com outros animais que com os seus pares, um cão de indómita vontade que acabou
a guardar templos e que continua a exigir um dono experiente. Estas características
do Chow-Chow fazem as delícias de quem procura ou se dedica aos cães de guarda,
porque raramente estão todas presentes nos indivíduos cujas raças se destinam a
esse serviço, apesar de ser teimoso que nem um burro, o que por um lado é bom,
porque dificilmente alguém o dominará e por outro é mau, porque dá luta e
resiste ao controlo dos donos. Sim, ele vale mais do que aparenta.
Amigos de esmiuçar
até âmago o potencial de cada raça, para melhor as compreendermos e
descobrirmos as suas virtudes, defeitos e mistérios (omissões deliberadas dos
criadores), nunca nos interessou vivamente a criação ou procura de híbridos,
apesar de permanecermos atentos a toda e qualquer novidade referente à
canicultura. Certo dia ofereceram-me um Chow-Chow preto, adulto e de pelo
curto, dava pelo nome de “Tuly”, um camarada vistoso, alegre, gracioso e
irrequieto, que veio a ocupar uma box num canil repleto de Pastores Alemães,
ainda que à noite dormisse em casa. Disseram que havia sido um acidente, depois
que havia sido proposital, certo é que ele acabou por cruzar com uma Pastora
Alemã preta-afogueada recessiva em negro, nascendo desse enlace dois cachorros
(um cor-de-areia e um preto-afogueado) e três cachorras negras. Ficámos com o
macho cor-de-areia e depois do desmame oferecemos os restantes a amigos e
pessoas conhecidas. O pimpolho recebeu o nome de “Afonso” e mais tarde os
títulos de “cão-máquina” e “cão-relógio” devido ao esmero e graciosidade que
emprestava ao trabalho e à parceria. Com ele trabalhei em dois filmes e numa
série, recebendo de quem nos contratou os mais rasgados elogios e entrando em
cena debaixo de um coro de aplausos. Não voltei a ver e a conduzir um cão
igual, era de facto uma máquina, possivelmente superior à Babett de Konrad
Lorenz, que valia pelo que era e não tanto por aquilo a que se prestava.
Naquele cruzamento
juntou-se o melhor dos dois hemisférios: a autonomia presente nos cães
orientais e a riqueza de personalidade visível no Pastor Alemão, simbiose que
eclodiu no Afonso para nosso contentamento. Todos os cruzamentos entre Chow-Chow
e Pastor Alemão darão cães assim? É evidente que não! Bastaria que o pai fosse Pastor
e a mãe Chow-Chow, ainda mais quando ambas as raças são dominantes na
construção, uma vez que o impulso ao conhecimento presente nos cachorros deve-se
mais à mãe que ao pai, transmitindo-lhes o patriarca os impulsos inerentes à
dominância (ao alimento, movimento, à luta e ao poder). Qualquer Chow-Chow
cruzado com qualquer Pastora Alemã produzirá a mesma excelência? Não, porque
ambos carecem de se casar perfeitamente e pertencerem a variedades específicas.
Se nos valermos dum Chow-Chow vermelho, cor-de-areia e até preto para cruzarmos
uma CPA lobeira sem factor negro será um autêntico desastre, porque à teimosia
do cão mongol juntar-se-á a tardia maturidade emocional dos lobeiros
responsável pelo seu comportamento silvestre, dotando os cachorros de maior
rebeldia e resistência á cumplicidade por mais tempo ou definitivamente.
Também o cruzamento
entre um Chow-Chow de pelo comprido com uma CPA de peito estreito, com abatimento
de metacarpos e demasiado angulada dos membros traseiros (linha estética) não é
recomendável, porque os híbridos que deles nascerão padecerão das mesmas
incapacidades e apresentação, para além doutros problemas relacionados com a
endogamia de ambos que influirão negativamente na sua biomecânica e desempenho,
por serem desaprumados, esgalgados, leves de osso, menos resistentes e
propensos a ladrar em demasia. O Chow-Chow recomendado para estes cruzamentos
deve ser bem-aprumado, de pelo curto, preto ou dourado, nunca cor-de-areia,
porque o factor cinzento está também presente no CPA através dos lobeiros, recriando
uma dominância silvestre de pouco ou nenhum préstimo. A CPA a usar para a
obtenção deste híbridos deverá ser de linha de trabalho, negra ou recessiva
nessa variedade cromática, pormenor que tornará os cachorros mais precoces,
curiosos, mais controláveis e menos arredios.
Escrevemos este
artigo para aqueles que gostam de comprovar tudo o que ouvem ou para aqueles
que querem experimentar a mesma felicidade que nós sentimos. Experimentem
cruzar um Chow-Chow negro de pelo curto com uma CPA negra ou recessiva nessa
cor e verão se existem cães-máquina ou não! O cão mongol tem muito a dar às
várias raças caninas ocidentais em matéria de aptidão e segurança, ainda que pareça um inofensivo e carinhoso ursinho de peluche.
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