terça-feira, 19 de abril de 2016

PASTORES ALEMÃES DO ARCO-DA-VELHA

Na foto acima podemos ver uma ninhada de Pastores Alemães com uma curiosidade: o cachorro ao alto apresenta manchas brancas desde o pescoço até aos genitais. O pai da ninhada é negro e a mãe é lobeira. Será que é produto de mestiçagem? Teriam havido cópulas sucedâneas e a cadela ter sido também fecundada por um segundo cão? Estaremos na presença dum fenótipo? Poderá ser aquele cachorro puro? Sim, pode ser puro se não resultar doutras circunstâncias, já que o mesmo nos sucedeu em idêntico beneficiamento, apesar de não havermos registado os dois cachorros que nasceram como essa apresentação. O surgimento de cães assim, apesar de raro, é mais comum nos beneficiamentos negro-lobeiro cinzento (o mais antigo que tem a pele branca e cuja evolução pigmentária é tardia). Hoje a ocorrência de cachorros assim é quase impossível, porque os lobeiros actuais, sendo mais vermelhos, nascem com a pigmentação já definida, transmitindo à sua prole a mesma característica.
A que fica a dever-se a presença de cachorros destes nas ninhadas? Ao particular dos lobeiros utilizados como reprodutores e ao seu beneficiamento com os negros, variedade recessiva que quando cruzada com a lobeira tende a gerar cachorros negros com manchas brancas no peito e nas patas, por vezes até na ponta da cauda, ainda que possam desaparecer até ao 1 ano de idade se não forem demasiado grandes, retornando depois na velhice. Negros e lobeiros, enquanto cães na origem da raça, são contemporâneos dos brancos que com eles a estabeleceram, possuindo assim maior percentual de sangue branco que o actual preto-afogueado, variedade cromática que o tem vindo a suprimir. Acresce o facto dos lobeiros acima citados contribuírem decisivamente para a despigmentação das restantes variedades cromáticas. Por estas razões e outras, entendemos como certa a opção pela dominância do preto-afogueado.
Cachorros como estes não deverão ser registados porque atentam contra o estalão da raça e muitos menos usados como reprodutores, a menos que procuremos “pastores alemães panda”, retrocesso e despropósito que nada adiantariam à raça e que mais a comprometeriam. Ao invés, quer sejam dados ou vendidos por um preço simbólico, deverão ser castrados para evitar a sua proliferação. Obrigatoriamente, os seus irmãos nascidos dentro do estalão, deverão ser beneficiados com preto-afogueado (capa preta no Brasil) e os seus descendentes também, o que nem sempre acontece, para lhes garantir a pigmentação aceite. Assim, os progenitores destes cachorros jamais deverão ser convidados para se beneficiarem mutuamente, até porque a qualidade laboral dos seus filhotes não aumenta com a proliferação da cor branca, sendo por norma mais desatentos e menos curiosos, mais carentes de protecção do que protectores (sobressaem excepções ligadas as impulsos herdados que estão para além da cor dos indivíduos). Os lobeiros cinzentos deverão ser sempre beneficiados com preto-afogueado se quisermos livrar-nos de cachorros destes, beneficiamento que garantirá a proliferação da variedade sem as abusivas pinceladas de branco. Pastores alemães do Arco-da-Velha? Não. Obrigado.

“BAD” SO GOOD!

Recolher cães é uma coisa, reinstalá-los ou levá-los à adopção é outra bem diferente e mais difícil. A maioria das associações que se dedicam à recolha de cães, por múltiplas razões, entre elas por ser incapaz de reconhecer o potencial de cada animal e a sua utilidade, acaba por ficar por tempo indeterminado com grande número deles, o que quase invalida a sua actividade pela superlotação, por apelar somente à sensibilidade dos cinófilos, estratégia que nem sempre resulta com os cães menos apelativos, mais velhos, deficientes e com os portadores de alguma incapacidade, que dificilmente virão a ser adoptados, ainda que válidos para diferentes trabalhos e parcerias. Urge que esta gente de grande coração abrace quanto antes o mundo da cinotecnia, formação que mais a ajudaria na recolocação dos seus protegidos pela exposição das suas mais-valias, tantas vezes ocultas à primeira vista.
O caso do “Ruger” é exemplo disso, um cão negro, de raça indefinida, agressivo e parcialmente cego, recolhido na Reserva Blackfeet em Montana/USA, catalogado inicialmente como “bad” (inadaptável), que acabou na Zâmbia (África Austral) a dar caça e a identificar caçadores furtivos pela “South Luangwa Conservation Society” (sociedade zambiana responsável pela protecção da vida selvagem), onde até ao momento já colocou fora de actividade 150 caçadores de elefantes ligados ao tráfico de marfim, por ser um excelente pisteiro e ter sido aproveitado e adaptado por Megan Parker, uma veterinária, etóloga e bióloga norte-americana especializada na marcação de odores e territorialidade caninas, que desde a sua infância se dedicou à cinotecnia (obediência, busca e salvamento), obrigada a enfrentar o cepticismo inicial dos guardas africanos e a provar a utilidade do “Ruger”, no que foi bem-sucedida e os méritos do cão reconhecidos.
Quantos “Rugers” teremos por cá, ainda que não tenhamos muitas Megan Parker? Como o mundo em que vivemos é uma aldeia global, um cão de pouco préstimo num lado pode ser de extrema utilidade noutro. Todos os cães, enquanto indivíduos, carregam diferentes mais-valias individuais que importa identificar e aproveitar. Quantos cães como o “Ruger” já abatemos? Os mesmos que a nossa ignorância permitiu! Resta dizer que a Dr.ª Megan reeducou o cão por substituição de alvos, usando o instinto de presa do animal para o transporte e identificação de objectos. De que estarão à espera as nossas associações de recolha de cães para melhor lhes valer: da inspiração de um clique ou da ruína da sua actividade? Cães abandonados há-os por todo o lado mas nem em todos os lugares são compreendidos. 

segunda-feira, 18 de abril de 2016

QUANTOS CÃES VÃO PARA REEDUCAÇÃO NO LUGAR DOS DONOS?

Nunca tantos cães foram enviados para a reeducação e nunca tantos têm sido “reeducados”! Será caso para darmos os parabéns aos nossos adestradores pelo seu saber e sucesso ou os pêsames aos donos por serem impróprios, desleixados e ignorantes? Como temos alguma experiência nesta matéria e somos conhecedores das razões que levam os donos a procurar este serviço extraordinário, inclinamo-nos decididamente para a segunda opção, muito do agrado dos adestradores, que se fazem entendidos e vêem assim um dinheirinho extra que tanta falta lhes faz, havendo inclusive alguns que nada fazem e que recebem como se muito tivessem feito.
E como importa denunciar e desambiguar esta situação, há que dizer primeiro o que é a reeducação e a quem se destina, para que não se estenda a quem não deve e não se confunda um vulgar aprendiz de sapateiro rabecão com um reeducador canino. A reeducação canina é um processo pedagógico, mais ou menos demorado, que visa a reinserção social dos cães no seu grupo e na sociedade, sendo própria para os cães manifestamente agressivos e para aqueles cujo medo atenta contra o seu bem-estar, impedindo-os de se relacionarem satisfatoriamente com os seus donos e demais cidadãos, de quem normalmente fogem tal qual “bicho-do-mato” ou reagem de modo impróprio. Enquanto processo de descodificação, ela destina-se também aos cães que forem objecto de induções atentatórias, propositais, forçadas ou negligenciadas, contra os direitos universais de cidadania ou contra um grupo em particular, que ao tornarem-se incontroláveis pelos donos, carecem de ser reeducados por uma terceira pessoa – um profissional. Assim sendo, a primeira tarefa da reeducação é descobrir se o comportamento a alterar ou a transformar é de origem genética, ambiental ou resultou do seu somatório. Este processo pedagógico extraordinário, apesar de estar sujeito a algumas confrontações e retrocessos, assenta maioritariamente sobre dois pilares: persuasão e recompensa (regra e prémio).
Ora, a maioria dos cães actualmente recambiados para a reeducação não obedece a estas condições nem manifesta em pleno os comportamentos que a reclamam, mas são-lhes sujeitos pela inexistência de qualquer tipo de treino anterior por ausência de disponibilidade ou vontade dos donos, que em determinado momento mudam de opinião e querem ver os seus cães educados, não hesitando em pagar avultadas quantias para verem satisfeito o seu desejo, porque o ensino dum cão em regime interno operado por terceiros é em média 30 vezes mais caro que o ensino convencional feito pelo dono, opção muito do agrado para quem ensina por esperar avidamente clientes destes – donos papalvos e cães soft, já que com meia dúzia de lambidelas acertam os cães, fazem render o peixe, deixam-nos esquecidos nos canis, fazem-se pagar bem e ainda por cima são tratadores como encantadores, magos de dons pouco vistos. Diante deste panorama quem deveria ser reeducado?
A lei relativa aos cães perigosos têm-se constituído numa excelente oportunidade para gente pouco escrupulosa, que abusando dela, intencionalmente dramatiza comportamentos caninos que nada têm de perigoso, marginal ou extraordinário, desejando com isso sacar proventos. Mas ainda há quem faça pior, que ao invés de reeducar os cães, porque os donos carecem de um papel que prove a sua reeducação, acabe por passá-lo a troco de alguns milhares de euros sem nunca ter visto os animais, irresponsabilidade que a breve trecho poderá reverter-se num tremendo disparate e causar vítimas.
Conclui-se assim que o medo advindo da ignorância é o primeiro recrutador para a reeducação canina, seguido do comodismo dos donos que leva ao desleixo pelos animais, que não querendo ser incomodados, deixam para mais tarde ou desprezam em absoluto a sua educação. Contrariando o Padre Américo, que dizia não haver rapazes maus, existem cães problemáticos e até maus, mesmo sem serem instigados ou levados a isso, carga genética que pode isentar os donos mas que não desculpa os seus criadores. Ainda que a maioria das pessoas não seja cinófoba, grande parte dela teme os cães rotulados de perigosos, por desconhecimento da realidade canina e influenciada pelo que lê, ouve e vê nos noticiários, casos esporádicos que passam vezes sem conta ao longo do dia, por norma mais panfletários do que rigorosos, o que torna a saga do cão perigoso sucedânea à do Lobo-Mau, porque todos temos medo e por ele todos nos mantemos vivos. Torna-se urgente reeducar os donos, despertá-los para a realidade canina, para a diversidade do seu comportamento e para o que exigem, porque doutro modo jamais conseguiremos travar o seu holocausto, que como qualquer outro, é farto em vítimas inocentes. Para descansar os mais temerosos, adiantamos que o número dos cães verdadeiramente perigosos não chegou a 1% do total dos cães que ensinámos e que actualmente a sua ocorrência é substancialmente menor, apesar da ignorância dos seus proprietários crescer assustadoramente. Não há outro caminho: há que reeducar quanto antes os donos!

HÁ POR AÍ MUITO CÃO RECALCADO

Quem estará melhor: um burro num palheiro ou um cão num canil? Um gato no quintal ou um cão lá dentro à espera dos donos? Uma galinha a comer grãos ou um cão a comer ração? Um canário a cantar numa gaiola ou um cão a ganir atrás duma porta? Uma cabra no monte ou um cão longe do dono? Nenhum cão nasceu para estar preso, ficar isolado, comer sempre do mesmo, ser ostracizado e viver longe do dono, porque nasceu para correr e saltar - é excursionista, biologicamente social, um carnívoro interactivo que não dispensa a companhia do Homem e que o aceita como líder. Há por aí muito cão recalcado! Ter um cão é um incómodo que nos faz correr por gosto, uma inquietação que nos traz vida, uma obrigação que nos liberta, um contributo para o nosso bem-estar e um companheiro sempre presente. E se há cães recalcados, muito mais homens haverá!    

domingo, 17 de abril de 2016

QUER VER AUMENTADA A SUA ACTIVIDADE FÍSICA DEPOIS DOS 65 ANOS?

Obviamente não somos milagreiros, não temos para venda nenhuma droga milagrosa e não descobrimos a cura para o cancro, somente tomámos conhecimento de um estudo levado a cabo pela Universidade escocesa de St. Andrews, Universidade mais antiga da Escócia e uma das mais antigas em actividade no Mundo, fundada entre 1410 e 1413, que concluiu duas coisas: que os proprietários caninos com mais de 65 anos têm um comportamento até 10 anos mais jovem que os seus congéneres da mesma idade sem cão e que são em média 12% mais activos que os seus pares, conclusões que parecem indicar ser a companhia dos cães também benéfica para a 3ª idade, benefício de que já suspeitávamos pelo que temos observado, não só do ponto de vista físico mas também dos pontos de vista psicológico, cognitivo e social, não sendo raro encontrar hoje reformados a passear ou a correr com os seus cães ao lado, alegres, decididos e confiantes ou a treiná-los para diferentes fins nas mais diversas escolas caninas, quiçá dispensando um rol de drogas que dizem surtir efeito nas depressões típicas da sua idade. 
A aquisição de um cão poderá ser entendida como um procedimento de e para a medicina preventiva? Alguém mais credenciado o dirá, apesar de crermos que sim. Já sabe, quer ver aumentada a sua actividade física depois da reforma? Sim? Então arranje um cão, caso tenha condições para isso, porque doutro modo poderá agravar as suas condições de vida e acelerar o inevitável (consulte o seu médico assistente e também o parecer da sua família, porque a aquisição de um cão deverá ser um projecto familiar). 

E SE FOSSE CONSIGO (6 CONTRA 2)?

Aproveitando o nome do novo programa televisivo da SIC Notícias “E SE FOSSE CONSIGO?”, rubrica que promete fazer furor, trazemos para os nossos leitores um caso real, acontecido recentemente em Inglaterra e fazemos-lhes a mesma pergunta. No passado dia 06 de Março, numa das ruas de Stockport, Greater Manchester/UK, quando se encontrava a passear o seu Boxer Branco, um proprietário canino viu-se confrontado com dois Pastores Alemães, que aparecendo de surpresa, decidiram atacar o pobre do Boxer, ferindo-o repetidas vezes. No meio da aflição e sem saber como agir, aquele dono ficou sem reacção, vindo a ser socorrido por 6 cidadãos (transeuntes), que munidos de vassouras e de uma cadeira, se predispuseram a afastar aqueles cães, apesar de não conseguirem neutralizar de imediato os seus ataques, que se repetiriam por várias vezes. A cena foi gravada pela camera duma senhora aflita e aos gritos, pedindo a quem a ouvisse que lhe ligassem para o “999” (número de emergência idêntico ao nosso 112) ou para a polícia. Como existe essa possibilidade, aconselhamos os nossos leitores a assistirem ao vídeo do ocorrido, à sua disposição em www.mirror.co.uk/all-about/dogs, no subtítulo “Horrifying dog attack caught on camera as 6 men drag loose German shepherds from family pet”, o que lhes permitirá tomar contacto directo com a situação, perguntando-lhes em simultâneo o que fariam naquelas circunstâncias, muito embora o nosso objectivo seja o de prepará-los para uma eventualidade destas (vejam primeiro o vídeo).
Pelo que nos é dado a observar pelo vídeo, o dono do cão agredido “pôs-se a jeito”, não esboçando qualquer manobra capaz de defender o animal e de travar a sua agressão, tampouco de empreender uma fuga que garantisse a sua protecção ou de encontrar para ele algum resguardo. Os cães agressores, apesar dos comentários escritos e dos constantes no filme, não eram por demais violentos e nem estavam aptos para carregar sobre pessoas, ainda que carentes de sociabilização, porque um dos transeuntes conseguiu agarrar o mais decidido e não sofrer qualquer tipo de resposta ou contra-ataque, não respondendo nenhum às cadeiradas de que foram alvo. Pela manobra dos pastores contacta-se que se encontravam amatilhados e que um deles era por demais submisso, já que fazia ataques de surtida e fugia. O receio que evidenciava era comum à maioria dos seus opositores, em número três vezes superior e sem disso tirar vantagem, despropósito que ao servir de estímulo, contribuiu para a retomada daquelas agressões, que aconteceram repetidas vezes, o que demonstra o seu despreparo, ausência de decisão, de sangue-frio e de experiência, tudo isto comprovado pelos meios e modo com os usaram. Como procederiam os nossos leitores naquelas circunstâncias?
Vamos primeiro ao que competia ao dono do cão ou ao seu “dog handler”, que nada fez para proteger o seu companheiro. Pelo que as imagens revelam, existe um portão e um muro no passeio do lado esquerdo, abrigo mais que suficiente para operar o seu resguardo, caso pegasse no cão ao colo e o escondesse naquele quintal. Na eventualidade do portão se encontrar fechado, poderia projectar o animal por cima do muro lá para dentro, porque sendo baixo, da queda não lhe resultariam lesões graves; caso aquela entrada não tivesse porta, deveria o dono colocá-lo dentro do quintal e interpor-se na entrada entre a vítima e os seus agressores, ocultação que promoveria o desinteresse dos pastores alemães pela resistência oferecida. Os populares que acorreram em seu auxílio, muitos mas de pouco préstimo, não sabendo e não tendo como imobilizar ou travar aqueles cães, deveriam ter feito um círculo protector em torno do cão visado, colocando-o no seu interior, impedindo assim as arremetidas dos agressores, escorraçando-os e promovendo a sua cessação. A falta de outras soluções e privado de ajuda deveria o dog handler ter soltado o cão, facilitando desse modo a sua autodefesa, uma vez que mantê-lo atrelado é colocá-lo em manifesta desvantagem. E se isso fizesse, poderia servir-se da trela como arma e reforçar a defesa do agredido, ainda que esta solução acarretasse riscos pela proximidade da estrada.
Em eventualidades como esta, apesar de ninguém o querer, o proprietário de um cão é um “street fighter”, porque ao sair à rua não sabe aquilo que o espera. Ao avaliarmos friamente o ocorrido, chegamos à conclusão que aqueles pastores, não sendo potencialmente perigosos, ainda que assim considerados à luz da Lei pela natureza dos seus actos, eram de fácil desarme e passíveis de serem ludibriados sem maiores riscos (esperamos que não venham a ser abatidos e que o seu proprietário seja devidamente penalizado). Neste caso concreto, estamos também na presença de um episódio de incompatibilidade somática, sabendo que o díspar mimetismo das duas raças em questão opera automaticamente picardias como esta, que são históricas e que tendem a perpetuar-se. Além disso e para agravo da situação, sabendo-se que facilmente dois Pastores Alemães, mesmo desconhecidos um do outro, constituem-se em matilha contra um terceiro cão, somaticamente diferente e para eles mal compreendido, a eclosão do problema não pode desligar-se deste facto. Não obstante, qualquer um deles poderia ter sido agarrado pela coleira ou pelo pescoço e ter sido afastado dali.
Aconselhamos os nossos leitores, ao saírem à rua com os seus cães, que considerem a ocorrência de situações como esta, precavendo-se e escolhendo percursos que mais garantias ofereçam  à sua evacuação, resguardo e defesa. Caso optem por frequentar uma escola canina com eles, é de todo conveniente, caso tenham essa possibilidade, que assistam e até participem das aulas destinadas aos cães de guarda, onde poderão ver os seus distintos modos de ataque e como se opera a sua defesa e desarme, já que a situação que aqui analisámos só foi “Horrifying” pelo despreparo dos seus intervenientes humanos. Acautele-se (“ponha-se a pau”, como diz o saloio) pois o mal não acontece só aos outros!

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim escalonado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Reino Unido, 5º Alemanha, 6º Rússia, 7º Angola, 8º Moçambique, 9º França e 10º Japão.
PS: Esta semana tivemos dois leitores oriundos da Tunísia (uma novidade). 

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ SABIA QUE OS CPA FAWN (RED SABLE AY) EXISTEM?, editado em 29/02/2016
2º _ O CÃO LOBEIRO: UM SILVESTRE ENTRE NÓS, editado em 26/10/2009
3º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
4º _ O MEU CÃO TOIRO, POR SANCHA COSTA LOBO, editado em 10/10/2013
5º _ CONVERSAS SOBRE PASTORES ALEMÃES À MESA DO CAFÉ, editado em 09/08/2014
6º _ REFLEXIONS ABOUT NICKY’S FUNERAL, editado em 12/04/2016
7º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
8º _ CPA: O NEGRO SEM AS INDESEJÁVEIS MANCHAS BRANCAS, editado em 29/02/2016
9º _ “X” DE JARRETE DE VACA, editado em 25/07/2011
10º _ O NOSSO LITORAL SERIA MAIS SEGURO SE TIVÉSSEMOS UM WHIZZ POR CÁ, editado em 12/04/2016

sábado, 16 de abril de 2016

A DOG’S LIFE: CHARLIE CHAPLIN

Hoje, dia 16 de Abril, data dedicada ao “Dia Mundial da Voz”, caso fosse vivo, o cómico inglês Charlie Chaplin (Charlot), um dos maiores vultos do cinema mudo, completaria 127 anos e perante tal efeméride não podíamos ficar calados, atendendo às personagens que encarnou e ao tanto que nos deixou, prestações que o tornaram imortal e inigualável na Sétima Arte.
E se houve filmes em que nos encantou, “A Dog’s Life” (1918) foi um deles, obra que escreveu, dirigiu e produziu para a ”First National”, onde para além de ter contracenado com o seu irmão Sidney, a quem entregou um pequeno papel, contou como “Guest Star” com o cão “Scraps” (restos), que no enredo resgata das ruas e das agressões dos outros cães, tornando-o num amigo inseparável, resultando dessa coabitação cenas inesperadas e de rara hilaridade.
Quase 100 anos depois da produção deste filme, ainda se maltratam e abandonam cães na via pública, apesar de tais acções serem consideradas crime pelo nosso Código Penal, actos que importa denunciar em defesa do bem-estar e salvaguarda destes fiéis companheiros, hoje mais do que nunca discriminados, penalizados e de entrada interdita em muitos recintos e estabelecimentos comerciais. Denunciar tais actos é um dever de cidadania e uma obrigação para todos os cinófilos. 

sexta-feira, 15 de abril de 2016

ORLANDO TIVANE: O ENCANTADOR DE CÃES DE MOÇAMBIQUE

Por casualidade, quando nos encontrávamos à procura de novidades na Internet, dando especial atenção ao que se passa nos PALOP’S em matéria de canicultura e cinotecnia (Angola vai de vento em popa, oxalá a crise económica não comprometa o trabalho já realizado), descobrimos Orlando Tivane, um moçambicano que se dedica ao adestramento e que tem uma história de vida que nos sensibilizou, porque tinha tudo para não ser ninguém e desbravou um lugar ao sol, sendo hoje um homem respeitado, com algum sucesso e empenhado em valer aos outros. Aos 10 anos de idade viu-se obrigado a sair de casa, forçado pelos desentendimentos dos seus pais, pela miséria e pela Guerra Civil que a todos fustigava. Acabou como tantos outros miúdos da sua idade nas ruas de Maputo, a arrumar carros, a lavá-los e a carregar os cestos das vendedoras para o Mercado Central, servindo-lhe os vãos de escada e os bancos de jardim como leito.
Em 1990, incluído num grupo de 35 crianças, foi recolhido por uma equipa da “Cidadela das Crianças” pertencente à ADPP, uma ONG criada em 1982 que actualmente implementa mais de 60 projectos em todas as províncias do país, empregando mais de 3.000 trabalhadores e beneficiando mais de 2 milhões de moçambicanos anualmente, apostada na Educação, Saúde, Agricultura e Energias Renováveis, centrando-se na melhoria da educação básica através da Formação de Professores, melhoria da segurança alimentar e dos meios de subsistência nas zonas rurais através dos Clubes de Agricultores e da melhoria da saúde da comunidade através do Programa TCE de prevenção do HIV/SIDA, que abraçou a missão de promover o desenvolvimento social e económico equitativo do povo moçambicano e em particular daqueles que estão numa posição mais vulnerável - as crianças, os órfãos e os pobres rurais, especialmente as mulheres e raparigas - a fim de garantir que possam participar em igualdade de condições para o desenvolvimento do seu país e desfrutar dos seus direitos humanos ao máximo (estamos a citar).
Encantado por se terem lembrado dele, viu com muita alegria a sua integração na “Cidadela das Crianças”, porque queria estudar e ali teria acesso à educação. Aos 12 anos, por ser um miúdo sensato e cumpridor, foi incumbido pela Directora daquela instituição para ser o aluno interno responsável pela Machamba, pela criação de gado, cabritos, porcos, galinhas patos e coelhos, encargo que aceitou de bom grado e que aumentou ao cuidar dos dois Pastores Alemães do Director, ocasião que lhe despertou o amor pelos cães e a paixão pelo adestramento, sentimento e emoção que nunca mais o largaram e que o transformaram no reputado adestrador que é hoje, sendo em simultâneo mais um caso de sucesso daquela instituição. Acabou por criar um método próprio de adestramento, chamando-lhe “agility training”, juntando à disciplina de obediência a prática de obstáculos, o que muito tem agradado aos proprietários dos cães. Trabalha das 05H30 até às 19H00, clientes não lhe faltam, já ensinou outros a seguir-lhe as pisadas e tem também um hotel para cães, desenvolvendo em paralelo exibições que revertem a favor dos mais vulneráveis e desfavorecidos. Tem hoje 37 anos e uma família numerosa.
Encantar-nos-ia conhecê-lo pessoalmente, saber mais acerca do seu trabalho e expectativas, porque respeitamos o seu esforço e congratulamo-nos com o seu sucesso, pondo-nos desde já à sua disposição para o que lhe aprouver. Parabéns Orlando, segue em frente!      

quinta-feira, 14 de abril de 2016

QUAL SERIA A RAÇA DO “CÃO DOS BASKERVILLE”?

Ao relembrar-me da minha juventude, quase sempre sem livros próprios para ela, sobrando muita propaganda de soldados, santos e heróis, deixando de parte os clássicos da nossa literatura e aqueles livros que se encontravam à média luz em bibliotecas soturnas, guardadas por funcionários barrigudos, de palito nos dentes e de farda gasta, tinha em casa as Selecções do Reader’s Digest, a Colecção Morcego de policiais, um sem número de livros da norte-americana Pearl Buck (que adorava), biografias de beatos e beatas (que detestava) e vários romances de Sir Arthur Conan Doyle relativos à personagem Sherlock Holmes (que devorava). Li vezes sem conta “O Cão dos Baskerville”, relato dramático e impressionante que me punha a divagar sobre qual seria a raça daquele animal, revestido a pó de fósforo para se tornar mais fantasmagórico. Os anos foram passando e as edições desta obra foram trazendo na capa cães de raças diferentes, algumas bastante improváveis, contudo mais conhecidas do público ao tempo.
Apesar de saber de cor todos os finais dos romances relativos a Mr. Holmes e ao seu companheiro Dr. Watson, ainda hoje me encanta vê-los transformados em episódios televisivos, apesar de me desgostar de alguns actores que interpretam a personagem. Mas se há um que me agrada particularmente e que julgo estar mais próximo da descrição de Conan Doyle, ele é Jeremy Brett (já falecido) na série “O Regresso de Sherlock Holmes”, recentemente repetida e passada na RTP Memória, produzida por Michael Cox e June Wyndham Davies em 1984. E se gosto da obra do criador de Sherlock, gosto igualmente da personagem “Poirot” de Agatha Christie, um pouco mais do que da “Miss Marple”, que me parece cheirar a naftalina, ser snob e metediça.
Passados tantos anos, decidi ir investigar qual a raça do “Cão dos Baskerville” pelos indícios adiantados no romance, que não são muitos e que se encontram condensados no Capítulo 14 do livro, onde se pode ler: “It was not a pure bloodhound and it was not a pure mastiff; but it appeared to be a combination of the two -- gaunt, savage, and as large as a small lioness." Ora, se não era um bloodhound nem um mastiff puro, mas parecia-se com a mistura dos dois, sendo magro, selvagem e tão grande como uma pequena leoa, ainda que improvável devido ao comportamento oposto das raças, seria certamente uma mistura de ambos, um cão ficcionado e parecido com o Cão de Fila Brasileiro. Apostado em saber qual seria o seu aspecto de acordo com o relato, decidi ir ao Google procurar fotografias de híbridos resultantes das duas raças. Na verdade não há muitos e acabei por encontrar o “Kash”, um cão já falecido que tinha 155 lbs de peso, um pouco mais de 70 kg. Dele é a imagem que se segue.
Eu não sei se o livro influenciou a minha opção pelos cães, certo é que nunca me esqueci da sua história, porque obriga ao uso da “massa cinzenta”, como dizia Poirot referindo-se à psicologia humana. No final a solução é tão lógica que justifica a célebre e repetida frase de Holmes para o seu amigo: “ Elementar, caro Watson!”   

NÓS POR CÁ: “É PREFERÍVEL MORRER A LUTAR DO QUE VIVER A FUGIR”

Estas são palavras do defunto lutador português de MMA João “Rafeiro” Carvalho, de 28 anos, que fez a sua estreia internacional no National Boxing Stadium em Dublin/Irlanda do Norte, no passado Sábado, ao defrontar Charlie “The Hospital” Ward, sendo derrotado por KO técnico e saindo da peleja em muito mau estado. Viria morrer na Segunda-feira depois de ter sido sujeito a uma intervenção cirúrgica cerebral. A confirmar-se que a sua morte resultou daquele combate, o que não deve ser difícil, sobe para cinco o número de mortos resultante daquela modalidade de “vale tudo”. Atendendo à sua idade, circunstâncias da sua morte e aos dois filhos menores que cá deixou, lamentamos profundamente o seu desaparecimento prematuro, apesar de ter morrido como disse preferir, quiçá por julgar que isso não lhe sucederia, porque quem luta fá-lo para vencer e não para morrer, entendendo-se a morte como uma possibilidade remota.
Eu não conheço nenhum exército no mundo que não tenha um “toque de retirada” e muitas das fugas empreendidas no campo de batalha são estratégicas, procuram anular desvantagens, reagrupar e encontrar vantagens, para além de se prestarem à anulação da desnecessária perca de vidas, revelando-se assim uma opção inteligente. Quando a morte é certa, pôr-se a jeito ou apressá-la é puro suicídio (mais facilmente aceitaríamos o desejo de um moribundo sem esperanças de vida). E apanhar bordoada até cair, sem hipóteses de defesa e dar resposta, é deixar-se matar, coisa de tolos e uma profunda cobardia para quem o faz, cobardia a que nem os animais se prestam, obrigados pelo instinto de sobrevivência, a menos que sejam iludidos ou induzidos para isso. Não estamos a falar do caso do tristemente falecido lutador português de MMA mas do trabalho a que se encontram sujeitos os cães destinados à guarda, quando às mãos dos figurantes, porque também estes deverão ensiná-los a ataques de surpresa, a procurar vantagem, a desarmar os seus agressores, a desviar-se dos golpes e até a pôr-se em fuga, quando for imperativo, porque doutro modo estarão a condená-los à morte.
Ainda que um cão se veja sujeito a impactar alguns golpes e a ripostar, em simultâneo, deve aprender a desviar-se daqueles passíveis de lhe causar maior dano ou ser-lhe fatais, incumbências dos figurantes que são pagos para isso, pois ameaçá-lo ou aplicar-lhe somente golpes com o stick/bastão, o que não lhe causa dolo algum, é prepará-lo para sucumbir às mãos de qualquer meliante pela ilusão experimentada, uma vez que a sua vantagem no confronto directo com um humano sempre dependerá da sua preparação específica, algo urgente, necessário e bem para além do show. Caso estes cães se pudessem manifestar e soubessem o risco que correm, certamente prefeririam fugir do que morrer (os seus donos também). Por tudo isto, um bom figurante, por mais bem pago que seja, não tem preço.   

FIZEMO-LOS TÃO DIFERENTES QUE NÃO SE ENTENDEM

Quem passa a vida a sociabilizar cães entre si, sabe que nalguns casos não é tarefa fácil, particularmente machos adultos de grupos somáticos diferentes, cujo mimetismo sendo também diferente, suscita picardias por incompreensão dos díspares estados emocionais que desperta, erradamente entendidos por uns e por outros como provocatórios, o que alvitra a existência duma possível relação entre o mimetismo dos diversos cães e o seu processo de sociabilização, que será mais fácil ou difícil de acordo com a mútua interpretação das suas expressões mímicas, quando aceites ou rejeitadas, já que brincam uns com os outros imitando posturas por contágio emocional, o que espelha a genuína sociabilização, que jamais deverá ser confundida com a tolerância e a indiferença que muitos cães alcançam por via da obediência. Assim, cães que não conseguem brincar uns com os outros, jamais estarão verdadeiramente sociabilizados, ainda que trabalhem em conjunto, escalonamento que fica a dever-se à acção da liderança e não à empatia entre eles. Contudo, ainda que as brincadeiras entre cães sejam um indício inequívoco da sua sociabilização, não podemos consentir que se sirvam delas para propósitos que possam vir a comprometê-la, pelo que devem ser desenvolvidas debaixo da arbitragem dos donos, uma vez que todos os jogos carecem de regras e limites.
Como se depreende, ao contrário do que nos é dito por muitos, que a vendem a metro, a verdadeira sociabilização canina raramente se alcança, porque não é absoluta (que o diga o ingénuo do César Millan, agora a responder por maus tratos animais), carece de aprimoramento e reciclagem, necessita de passar a rotina (é um processo continuado) e não dura para sempre, condicionalismos ligados à própria natureza dos cães, que sendo predadores inatos e competitivos, carregam instintos e impulsos, também ligados à diferença de género, que os diferem como indivíduos levando-os à rivalidade, nem que seja pela atenção dos donos. Comummente confunde-se sociabilização com a cativação à liderança e com carácter imperativo das suas ordens, o que é falso, porque esses animais dificilmente se agradarão de brincar com outros cães ou de participar das suas brincadeiras, por se encontrarem completamente submissos aos propósitos dos seus proprietários. A somar a isto, como produzimos cães para diferentes fins, potenciamos em cada uma das raças diferentes instintos e impulsos, tornando-as mais ou menos predadoras, mais fratricidas ou fraternais, o que torna mais fácil a sociabilização dos rafeiros entre si, independentemente se se encontrarem castrados ou não, que são castrados para evitar a sua proliferação e não por aspectos ligados a qualquer dificuldade no seu processo de sociabilização.
Os filhos da selecção natural (os rafeiros, “vira-lata” no Brasil) possuem um mimetismo de fácil entendimento para os seus congéneres de raça, não se constituindo aos seus olhos numa ameaça, sendo por isso normalmente melhor aceites, também por serem menos agressivos, desconsiderarem o racismo e constituírem com maior facilidade matilhas espontâneas. O recurso a um rafeiro no processo de sociabilização de um ou mais cães “puros” tem-se revelado uma excelente estratégia, o que torna bem-vindos aos centros de treino caninos, atendendo a essa mais-valia, os cães que são tudo em geral e nada em particular. Sociabilizar cães dentro do mesmo grupo somático é mais fácil do que sociabilizar indivíduos de grupos somáticos díspares pela analogia do seu mimetismo e reacções, que facilitarão a imitação do comportamento desejado. Se eu sou proprietário de Husky instintivo e desnorteado e pretendo adquirir um segundo cão que me ajude a recuperá-lo, a melhor opção passará pela aquisição de um Pastor Alemão, preferencialmente de sexo diferente, que pertencendo ao mesmo grupo somático e tendo um mimetismo próximo ao encontrado no cão siberiano, melhor nos auxiliará na sua recuperação. Alcançaríamos um resultado totalmente inverso, caso nos valêssemos de um molosso grave, sério e pouco dado a explosões, que sem paciência e com o tempo, acabaria por se antagonizar com o Husky (aqui, como em tudo, existem excepções que confirmam a regra).
As diferenças morfológicas presentes nas actuais raças caninas, para além de resultarem em diferentes apresentações, comportamentos e rituais, modos diversos de abordagem, de defesa e de ataque, produto das diversas selecções que sustentam a multi-variedade somática existente, tendem a agravar-se com a idade por serem de difícil compreensão, aceitação, assimilação e imitação por todos. Por estas razões, sempre será mais fácil sociabilizar um cachorro com um cão adulto doutra raça, mesmo de mimetismo e comportamento contrastante ou antagónico ao seu, graças ao concurso da familiarização. E nisto, tanto a disciplina de obediência como as aulas colectivas têm uma importante palavra a dizer, porque os cães são seres sociais, vivem em constante observação, tendem a imitar-se e a constituir-se em matilha, o que torna ambas num subsídio seguro para a mútua compreensão e aceitação, mediante a aquisição de posturas e comportamentos comuns por força de idêntico condicionamento. Por causa disso, também por seguirmos o método da precocidade e termos sempre em pista Pastores Alemães, os Labradores (para além de outros) que treinaram e cresceram com eles, julgando-se idênticos, acabaram por ter a mesma prestação nas áreas relativas à defesa e segurança de pessoas e bens.
Para quem deseja estar informado e alargar horizontes, aconselhamos a leitura do estudo levado a cabo pela Universidade de Pisa/Itália, divulgado em Dezembro do ano transacto na Internet, dedicado ao ”rápido mimetismo e contágio emocional em cães domésticos”, que teve como pesquisadora-chefe a Dr.ª Elisabetta Palagi, especialista em antropologia biológica, biologia evolutiva e neurociência. Sociabilizar cães é ensiná-los a amar-se uns aos outros depois de os termos constituídos em inimigos, um ofício nobre e urgente – uma ocasião para a paz. 

terça-feira, 12 de abril de 2016

O NOSSO LITORAL SERIA MAIS SEGURO SE TIVÉSSEMOS UM WHIZZ POR CÁ

Alguns portugueses parecem possuir os vícios da ancestral nobreza lusa, que outrora à frente de territórios e capitanias além-mar, eram mais dados as prazeres da vida do que ao empreendimento, contrastando nisso com ingleses e holandeses, que de imediato formavam companhias e transformavam as suas feitorias em entrepostos comerciais. E se há portugueses assim, a maior parte deles estará na canicultura e na cinotecnia, porque se uns criam cães para gozo próprio, os outros treinam-nos para futilidades e conforme lhes dá na gana. Morreu recentemente com 12 anos de idade, o Terra Nova “WHIZZ”, que foi condecorado a título póstumo pela sua prestação no salvamento, por haver salvado no Reino Unido 9 pessoas e 1 Setter de morrerem afogados, enquanto membro da “The Severn Area Rescue Association and Marine Volunteer Service”, associação de voluntários que trabalha em conjunto com a Royal Navy Rescue.
Com 200 milhas náuticas marítimas de zona económica exclusiva (ZEE), Portugal é 97% mar, para além de possuir rios extensos e caudalosos, onde sobram praias fluviais, algumas delas bastantes traiçoeiras e nem sempre vigiadas, ainda que apelativas. Não obstante, exceptuando um adestrador que por carolice a isso se dedica, não se vêem cães treinados para salvamento dentro de água, apesar de sempre aparecerem nos centros caninos Terra Novas para adestrar, cães que devido ao seu tamanho, peso, docilidade e presença de membranas interdigitais são próprios para esse ofício. E como um mal nunca vem só e a miséria é uma bola de neve embalada pela ignorância, raríssimas são as escolas caninas que têm uma piscina à disposição dos animais ou que os levem ao mar e aos rios para que ali aprendam a nadar, o que é sua obrigação, uma vez que nem todos os indivíduos e raças nadam satisfatoriamente, correndo o risco de se afogarem.
Nos tempos que correm, fartos em informação e com viagens baratas para todo o lado, tanto de avião como de comboio, o que impedirá os nossos adestradores, caso não o possam fazer aqui, de se deslocarem à Espanha, à França ou ao Reino Unido e se especializarem também no salvamento dentro de água? Somente o desrespeito pelos cães e o apego ao comodismo!  O nosso litoral seria mais seguro se tivéssemos não um WHIZZ mas vários WIZZIES por cá, que tanta falta nos fazem. Como “whizz” significa em língua inglesa “zumbido”, zumbimos agora a quem nos quiser ouvir e queira andar para a frente. 

NÓS POR CÁ: UM PARANAENSE QUE É UM ORGULHO PARA PORTUGAL

Henrique Silvestre Ferreira, um jovem de 27 anos, engenheiro agrónomo de profissão, nascido no Estado Brasileiro do Paraná e vindo para Portugal aos 12 anos de idade, que já havia sido distinguido como Melhor Jovem Agricultor Português 2013, ganhou recentemente o Prémio de Jovem Agricultor da Europa, sendo o seu projecto considerado como o “mais inovador” do Velho Continente, por se dedicar à produção de uvas sem grainha em Ferreira do Alentejo, propriedade de 6 hectares que tivemos oportunidade de visitar na nossa última ida ao Alentejo, cujas estufas ao sol se confundem com um grande lago na planície alentejana. Oxalá sirva de exemplo e incentivo para outros jovens, nomeadamente para aqueles ligados à canicultura, à etologia e à cinotecnia, uma vez que a cinofilia faz parte do ADN dos portugueses.  

DOIS DA ESLOVÉNIA

O número de leitores eslavos deste blogue cresce de forma para nós inesperada, cabendo aos russos a maior fatia (3048), cuja nação é a quinta que nos fornece maior número de leitores, no que é antecedida por Portugal (124 646), pelo Brasil (54 355), pelos Estados Unidos (11 262) e pela Alemanha (3 084). Albaneses, bielorrussos, búlgaros, checos, croatas, húngaros, romenos, polacos e ucranianos sempre nos visitam (a Ucrânia é a 9ª nação que mais leitores nos dá), mas da Bósnia, Eslováquia, Eslovénia e Macedónia raramente temos visitas. Esta semana tivemos mais dois leitores da Eslovénia, facto que muito nos agradou, porque queremos chegar a todos aqueles que gostam de cães, independentemente da sua cultura e lugar geográfico. A Eslovénia é um país de paisagens magníficas e únicas, Liubliana, a sua capital, é uma cidade de grande interesse histórico e cultural, sem dúvida alguma um país que vale a pena visitar. Entretanto, aguardamos que mais eslovenos nos visitem porque são bem-vindos. 

REFLEXIONS ABOUT NICKY’S FUNERAL

Vamos aos factos. Nicky, um Pastor Belga Malinois de oito anos, nascido na Holanda e incorporado na Unidade K9 do Departamento de Polícia de Las Vegas/USA, que já havia sido brutalmente esfaqueado na cabeça em serviço, acabou abatido a tiro, no dia 31 de Março deste ano, ao que parece por fogo amigo, durante a perseguição empreendida por 4 polícias a um presumível duplo homicida. Na última Quarta-feira, dia 06 de Abril, no Cemitério de Craig, local destinado ao sepultamento de cães-policia, onde já descansam 50, realizou-se o seu funeral e sepultamento, que contou com a presença de todos os binómios disponíveis daquele corpo policial, para além de muitos outros elementos do Departamento de Polícia de Las Vegas, numa cerimónia oficial que para além da evocação do falecido, teve direito aguarda de honra e a uma salva de tiros protocolar, culminando com a entrega da bandeira americana ao Sargento Eric Kerns, que proferiu o seu elogio fúnebre e que foi seu parceiro nos últimos 3 anos. A notícia chegou-nos através de agências noticiosas inglesas e norte-americanas.
Diante da solenidade do acto realizado pergunta-se: não terá sido exagerado? Não creio que tenha sido. E não creio porque um cão-polícia é para todos os efeitos, tanto no papel como na vida, um agente igual aos seus parceiros humanos, merecendo o mesmo respeito, admiração e honras, por dividir com eles idênticas missões e o próprio destino, salvando-lhes muitas vezes a pele ao alertá-los, ajudá-los e socorrê-los, chegando a dar a vida por eles, muito embora não saiba ao que vai e responda segundo a preparação que recebeu, engano que jamais será reparado e que obriga os seus parceiros a louvá-lo pelo sacrifício da sua vida. E assim sucedeu no cerimonial fúnebre do Nicky: um polícia que morreu no cumprimento do dever.
Será justo tornar cães inocentes em “carne para canhão”? Justo não será certamente, contudo conveniente, face ao especismo que justifica o seu uso, porque são recrutados e morrem para poupar vidas humanas (os cães de guarda encontram-se sujeitos ao mesmo fado). Como usamos os cães para este fim há milhares de anos e a humanidade se encontra em constante evolução, é possível que no futuro tal deixe de suceder e venham a ser substituídos por máquinas ou por outros meios igualmente pouco dispendiosos, porque é um contra-senso dizer que gostamos deles e industriá-los depois para a morte. Sim, chegará o dia em que deixaremos de malbaratar a vida dos outros animais nas nossas guerras, como ainda há pouco tempo aconteceu com os cavalos.
Ainda que a perca dum cão destes seja para a restante comunidade uma baixa se somenos importância (alguns relativizá-la-ão de imediato e outros até a ridicularizarão), para os seus parceiros não o é, porque não existem dois cães iguais e quando morre um cão destes, desaparece também e para sempre parte da vida dos seus companheiros. E isto é tão verdade que já chorei e ainda choro a perca de alguns cães que me acompanharam ao longo do meu trajecto, animais únicos que jamais vi reencarnados e que deixaram profunda saudade, por vezes até remorsos, por ter sido com eles pouco condescendente face à sua finidade. E se há coisas ainda por explicar, o amor pelos cães é uma delas, porque não há termo nem conceito capaz de explicá-lo cabalmente.
Quem foi militar profissional, quer queira quer não, sê-lo-á para sempre, porque até sem dar por isso, aqui e ali, nisto e naquilo, as marcas da sua formação virão ao de cima e levá-lo-ão a ver o mundo com outros olhos, numa primeira fase a necessitar de disciplina e na derradeira carenciado de amor (é nesta em que me encontro). Ao olhar para a apresentação dos membros do Corpo Cinotécnico do Departamento de Polícia de Las Vegas presentes naquele funeral, que contrastava com a dos restantes polícias ali presentes, lamentei-os pela falta de brio militar, má uniformização e parco espírito de corpo, lembrando-me em tudo uma polícia dum país meridional da CEE, que com fardas da cor de “fato-de macaco”, por vezes até gastas, desbotadas e russas, vem para a rua no cumprimento do seu dever, julgando com isso ter-se tornado mais operacional.
O Nicky morreu e já foi sepultado, breve outros cães-polícia terão o mesmo destino e repetir-se-á a mesma homenagem. Chorará quem tiver de chorar mas os cães não chorarão certamente!