segunda-feira, 2 de novembro de 2015

O PREÇO DOS CÃES E A VENDA DOS CAVALOS NA GOLEGÃ

Todos os anos, por alturas do S. Martinho, realiza-se a Feira Nacional do Cavalo na Golegã, evento popular bastante concorrido que faz jus à máxima: “o que melhor levamos desta vida é comer, beber e…satisfazer outros desejos”, já que não faltam “comes e bebes” nas tascas e os romances proibidos acompanham a realização do certame, com o seu quê de saudosista, marialva e até quixotesco, porque não há gato-sapato que não ouse montar a cavalo, julgando-se mestre na arte de bem cavalgar, cavaleiro andante, protector de desafortunadas damas e até estribeiro-mor de el-Rei, ainda que seja um fardo de palha montado em cima dum penco (pangaré). É costume por aquelas bandas, quiçá pela influência do álcool e pelo gosto de aldrabar (remédios corriqueiros prá miséria crónica), ouvir-se falar de doces enleios em quartos alugados e na venda de cavalos por um preço astronómico, o que raramente corresponde à verdade. Desafortunadamente passa-se o mesmo com a venda dos cachorros na boca dos seus criadores, que acabam por vendê-los mais barato do que apregoam, com medo que ninguém lhes pegue e acabem por ficar com eles todos. Assim vai a canicultura portuguesa, à espera de dias melhores, profundamente ligada aos desígnios da classe média, doce mãe para quem compra e despudorada madrasta para quem cria.

CORREIO DOS LEITORES 1

Os dois textos que dedicámos aos podengos nacionais têm sido objecto de muita procura e leitura, particularmente o último: “PODENGO: PREFERENCIALMENTE PRETO! “, editado em 13/11/2014. No último dia do mês de Outubro (31) recebemos mais um comentário sintético acerca dele, que vamos agora dividir com os nossos leitores: “Gostei, eu por acaso tenho um preto, e é um espectáculo super inteligente, raçudo!!!”. Os podengos negros continuam a dever a sua sobrevivência aos caçadores e à caça, actividade onde sempre se destacaram, apesar de pouco numerosos e por isso menos conhecidos. Quem os tem, como é o caso deste leitor, não lhes poupa elogios. Deseja-se que o gradual desaparecimento da caça não implique também no desaparecimento desta raça e particularmente desta variedade cromática, que devido à sua excelente máquina sensorial, interacção e cumplicidade, poderá vir a ser também usada na detecção de substâncias químicas.

UMA CADELA ASSEADA

Recebemos duma leitora o seguinte email que transcrevemos na íntegra: “Tenho uma cadelinha com 9 meses (D.N.:08/02/2015), cruzada de Serra da Estrela (Mãe) com Leão da Rodésia ou Pastor da Anatólia - não puro (Pai). Apesar de desde pequenina, ter mantido bons hábitos de higiene - temos um quintal com uma área reservada para o efeito -, recentemente começou a urinar e defecar no pátio empedrado (zona de passagem pedonal), e mesmo com "ralhetes" e castigos, tem mantido este comportamento de há 2 semanas até agora. Como, para não variar, na nossa estrutura familiar temos um "pai humano" mais rígido" e uma "mãe humana" mais permissiva, gostaria de perceber se esta alteração de comportamento poderá ter a ver com a aproximação do primeiro cio, tanto mais que foi criada com uma macho da mesma ninhada que mantém bons hábitos de higiene. Procuro uma explicação e uma possível solução (ou pelo menos perceber se é uma questão fisiológica/hormonal ou de "rebeldia" da idade”.
Cara leitora, pelo enunciado que nos adianta, o problema não tem uma origem fisiológica ou hormonal, nem resulta de algum tipo de rebeldia etária, mas ao facto da sua cadela ser asseada. As cadelas são por norma mais “asseadas” que os cães, que usam a urina e as fezes para marcarem território. Pouco a pouco, com o passar do tempo, a sua cachorra vai-se tornando adulta e não se agradará de defecar onde outros já o fizeram. Ter um local próprio para vários cães satisfazerem as suas necessidades fisiológicas obriga a acérrima higiene, à retirada imediata dos dejectos, porque doutro modo todos se afastarão dali, porque nenhum gosta de se atolar neles. A exiguidade do espaço pode contribuir para a ocorrência do fenómeno e facto dos cães se encontrarem invariavelmente soltos também, particularmente quando privados de saídas regulares ao exterior. Para resolver o problema e induzir a cachorra às rotinas higiénicas, convém que a área destinada a WC seja vedada e tenha no mínimo 16m2, colocando-se nela os animais logo após a distribuição do penso diário, só os soltando depois de terem defecado. Pode também circular com a cadela à trela até que ela faça as necessidades no sítio indicado, recompensando-a pelo acerto. Não obstante, para eliminar o mau hábito da cachorra defecar onde não deve, duas soluções se apresentam: ou não apanha as fezes durante vários dias, o que a levará ao repúdio daquele local ou fará uso das comuns armadilhas de apanhar passarinhos, que ao menor toque se fecham, surpresa que causa incómodo aos cães sem os magoar e que os leva a afastarem-se (o uso de lixívia nos locais emporcalhados é capaz de resultar também como medida dissuasora). De qualquer modo, o que mais importa é colocar os animais no recinto destinado às suas necessidades logo após terem comido e só os tirar de lá depois de haverem defecado, rotina que tende à resolução do problema. E convém que a ponha em prática antes da cadela entrar em cio porque depois, ao invés de um… terá dois “porcalhões”! 

SOLUÇÃO DA RUBRICA “QUAL SERÁ O MOTIVO (XLIV)?”

A hipótese certa para a rubrica “QUAL SERÁ O MOTIVO (XLIV)?” é a D: O moço costuma esconder comida no forro do sofá e dar parte dela ao cão. As Hipóteses “A”, “B” e “C” deverão ser descartadas diante do comportamento irrepreensível do cão. A Hipótese “E” é totalmente descabida, porque não é manifesto no texto qualquer quezília entre o cão e os seus proprietários, não sobrando assim qualquer motivo para o amuo do animal.

QUAL DELES SERÁ O INDICADO (1)?

Esta é uma nova rubrica que veio substituir a já gasta “QUAL SERÁ O MOTIVO?”. Nela pretendemos ajudar os futuros criadores de Pastores Alemães laborais nos beneficiamentos que empreenderão, auxiliando-os na escolha do parceiro certo para o seu cão ou cadela, de acordo com determinadas expectativas e visando a obtenção de cachorros de qualidade igual ou superior à dos seus progenitores. Determinado cavalheiro, agora com mais tempo para os cães, porque se encontra reformado, tem uma Pastora Alemã Lobeira com ¾ de linha moderna, alta, com boa cabeça, peito largo e excelente ossatura, cuja garupa se encontra desfasada da espádua por não lhe corresponder em robustez. Por causa disso, deseja tirar dela cachorros mais equilibrados e com melhores garupas. Para o efeito tem 5 machos à disposição: um lobeiro também grande e de idêntica construção; um negro sensivelmente mais baixo, de meia-linha e com ascendente em lobeiro, um preto-afogueado oriundo das linhas de exposição muito bonito; um preto-afogueado homozigótico de linha de trabalho e um red sable, também de linha laboral e com ascendente em negro. Qual deles será o mais indicado? Para a semana adiantaremos qual a escolha certa e porquê, equacionando para os nossos leitores um novo caso.

BRITISH POLICE: WHERE THE COPS ARE FRIENDS

Se há coisas de que os britânicos se podem orgulhar é da sua polícia, historicamente vanguardista no tratamento a dar aos cidadãos e um exemplo para outras que se confundem nas suas atribuições (as nossas evoluíram bastante e estão no bom caminho), quiçá por actuar na mais antiga democracia do mundo, cujo início remonta aos finais do século XVII. Conhecedores dos benefícios da terapia canina e querendo estendê-los a um grupo de idosos residentes num lar (Star & Garter), em Surbiton, no sudeste londrino, alguns polícias de Kingston levaram os seus cães de serviço até àqueles pensionistas, iniciativa do agrado dos visados e que surtiu efeitos surpreendentes. Como alguns dos residentes daquela instituição de apoio à terceira idade se encontravam acamados e impedidos de sair dos seus quartos, não podendo deslocar-se para assistir à apresentação dos polícias com os seus cães, o Sargento-adestrador Tony Marshall foi visitá-los um a um, levando consigo a Daisy, uma cachorra de 11 meses, que arrancou reacções positivas junto daqueles enfermos, normalmente distantes e apáticos, deixando em lágrimas algumas enfermeiras ali presentes. No comments!

CÂNCRO INFANTIL E CÃES DE TERAPIA

Uma nova investigação levada a cabo nos Estados Unidos pela American Humane Association e financiado pela Zoetis, em colaboração com a Canines and Childhood Cancer (CCC), apresentada perante a American Academy of Pediatrics National Conference & Exhibition, no último Domingo em Washington, provou e revelou que os cães de terapia exercem um efeito calmante sobre as crianças em tratamento oncológico, benefício que também se estende aos seus familiares. Segundo os investigadores, chefiados pela pesquisadora Dr.ª Amy McCullough, a visita semanal dos cães de terapia àqueles pacientes, que é parte do seu tratamento, tem melhorado substancialmente a sua qualidade de vida, aumentando-lhes o bem-estar, o equilíbrio emocional e social. A prová-lo estão as medições feitas sobre a tensão arterial, frequência cardíaca e níveis de ansiedade dos pacientes, melhorias resultantes do seu contacto e interacção com os cães. O presente estudo, um marco na compreensão dos benefícios operados pelos vínculos partilhados entre pessoas e animais, recaiu sobre um grupo de 68 crianças, com idades compreendidas entre os 3 e os 17 anos, encontrando-se 39 delas em tratamento e 29 em grupos de controlo. A idêntica conclusão já haviam chegado alguns investigadores do Mount Sinai Beth Israel Medical Center de New York City, junto de pacientes adultos, segundo noticiou no princípio deste ano o “Medical News Today”, adiantando que alguns daqueles pacientes não abandonaram os tratamentos graças à presença dos cães e dos seus treinadores certificados. É possível que no futuro e entre nós, depois de existirem treinadores qualificados e credenciados, como já acontece noutros países, que os cães de terapia venham a gozar das mesmas regalias e regime de excepção atribuídos aos cães-guias. Queira Deus que assim suceda! PS: Ainda que todos os cães sejam potencialmente terapeutas, nem todos se prestam como cães de terapia.

MORRER POR TER CÃO!

No Reino da Arábia Saudita, aliada e parceira comercial do Mundo Ocidental, lugar de peregrinação prioritária para qualquer muçulmano que se preze, está em vigor há já alguns anos uma “fátua” (decreto religioso), que condena à pena de morte quem possuir cães dentro de casa ou no jardim, que não sejam destinados à caça e à segurança de pessoas e bens, uma vez que tal prática atenta contra o Corão, por serem estes animais considerados impuros e por isso mesmo indignos de coabitarem com os crentes, segundo explica a “Comissão para a Promoção da Virtude e a Prevenção do Vício”, conhecida como muttawa ou polícia religiosa, a quem cabe fiscalizar e fazer observar esta lei que impede e criminaliza a posse de animais de estimação. Também no Paquistão está em vigor uma lei, lavrada por um imã, que impede o uso de cães-polícias pelas autoridades daquele país e a República Islâmica do Irão não só adoptou o parecer saudita sobre esta matéria, como também proibiu o trânsito de cães nos passeios porque, segundo um teólogo dali: “Indubitavelmente, o cão é um animal imundo. Não só não pode andar no passeio, como nem sequer pode ser mantido dentro dos muros de casa ou do jardim”,  e completando: “As relações amistosas com os cães são uma cega imitação dos costumes ocidentais. Os Ocidentais querem mais aos seus cães do que à sua mulher e filhos”.
No nosso mundo, graças a um Deus que morreu por nós, mais dado ao perdão e à vida do que à vingança e à morte, há muito que se reconhece a importância da terapia canina e se usam cães para valerem aos cidadãos que necessitam deles, mercê de algum tipo de afecção ou deficiência. Agora que estamos a ser sucessivamente invadidos por levas de emigrantes muçulmanos (oxalá os turcos segurem o grosso), é possível que no futuro, caso essa gente seja maioritária nalgum espaço geográfico, os cães-guia venham a ser impedidos de entrar nos táxis e os invisuais se vejam obrigados ou a abandoná-los ou a calcorrear com eles grandes distâncias a pé, provavelmente por locais ermos e por caminhos de pé-de-cabra! Depois de termos ultrapassado a Idade Média, para muitos entendida como “Idade das Trevas” e acabado com ignominiosa inquisição, não necessitamos doutros tribunais eclesiásticos e muito menos de “muttawas” (polícias de costumes). A escolha é muito simples: ou impedimos a “Sharia” ou ela acabará por nos ser imposta. Fartos que nos “enfiem o barrete”, só nos faltava levar agora com a “burka” e como já temos terços para a troca, não necessitamos de nenhum “masbaha”! E se a coisa der para o torto, até as ossadas dos nossos antepassados clamarão por Santiago, aquele que ficou conhecido como “mata-mouros”. Mas antes que isso suceda e ninguém o deseja, convém ensinar aos que chegam que “em Roma há que ser romano”, enquanto a liberdade for o mais querido dos nossos bens.

SÍRIA: CÃES, GATOS E BURROS SÃO AGORA HALAL

Dizem o portugueses “que em tempo de guerra não se limpam armas” e assim sucede na Síria, onde sobreviver é imperioso diante conflito que por lá grassa, responsável pela morte, miséria e fome que atinge a sua população. A situação é tão grave que os clérigos muçulmanos de Muadhamiya, nos arredores de Damasco, através duma “fátua” extraordinária, autorizaram o povo a comer cães, gatos e burros para combater a fome, animais considerados impuros à luz do “Corão” e por isso indignos e impróprios para consumo humano. Éditos religiosos semelhantes foram anunciados em Homs e Aleppo, áreas onde os conflitos são mais encarniçados. Mediante este decreto extraordinário, estes animais passaram a ser “halal”, alimento agora permitido aos crentes naquela situação, o que exalta a sobrevivência sobre os preceitos religiosos. Esta tomada de decisão ficou também a dever-se ao incompreensível bloqueio dos comboios humanitários que impede o atempado socorro das populações. É tão fácil regrar quando se tem a barriga cheia como desprezar regras quando ela se encontra vazia, verdade que alberga em simultâneo cristãos, muçulmanos e outros, conforme vamos tendo notícia. Assim, os animais domésticos deixados para trás pelos seus proprietários em fuga, acabam por se constituir num desejável repasto para os combatentes. Será que ainda chegarão a comer os mortos? Oxalá que não e que a guerra termine o mais rápido possível! Entretanto, foi libertado o último preso britânico de Guantánamo, Shaker Aamer, de 48 anos, nascido na Arábia Saudita e há 13 preso naquela base-prisão norte-americana, onde ainda se encontram detidos 112 prisioneiros. A libertação de Shaker, segundo dão conta várias agências noticiosas, ficou a dever-se a uma campanha publicitária e aos esforços de David Cameron (1º Ministro Britânico) junto de Barack Hussein Obama (actual Presidente dos Estados Unidos).

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
2º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2013
3º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
4º _ O CÃO LOBEIRO: UM SILVESTRE ENTRE NÓS, editado em 26/10/2009
5º _ O MUITO-DOMINANTE E O DOMINANTE: A ESCOLHA ENTRE O BRUTO E O ASTUTO, editado em 22/10/2015
6º _ O CÃO JOVEM (DOS 7 AOS 18 MESES): DA PUBERDADE À MAIORIDADE, editado em 26/10/2009
7º _ PACHÓN NAVARRO: UNIR EL PASADO AL PRESENTE, editado em 01/07/2015
8º _ CONVERSAS SOBRE PASTORES ALEMÃES À MESA DO CAFÉ, editado 09/08/2014
9º _ A CASOTA DO CÃO, editado em 29/12/2009
10º _ O PESO DOS 4 MESES NO CÃO DO AMANHÃ, editado em 28/10/2010 

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP10 semanal de leitores por país obedeceu à seguinte ordem:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Rússia, 5º Alemanha, 6º França, 7º Reino Unido, 8º Quénia, 9º Argentina, 10º Canadá.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O MUITO-DOMINANTE E O DOMINANTE: A ESCOLHA ENTRE O BRUTO E O ASTUTO

Erram os actuais adestradores civis e militares quando procuram cães muito-dominantes para as suas fileiras e erram triplamente, porque não aprenderam as lições do passado e vêem comprometida a salvaguarda e controlo dos animais, porque tais cães partem à desfilada e carregam sobre tudo o que mexe, descorando a sua segurança individual e tomando amigos por inimigos, o que os torna presa fácil nas mãos de gente mais experimentada, que os manietará pela troca de alvos ou pela dissimulação, operando depois a sua imobilização e possível eliminação. Os cães muito-dominantes do passado sempre eram entregues a tratadores experimentados, gente que sabia com o que contava e como sair dos possíveis imbróglios em que se metia, já que os cães ao seu encargo eram de pura natureza ofensiva e havia que estar atento. Nisto diferiam e não diferem muito pouco dos toiros que, partindo às cegas, fatalmente acabam com um monte de farpas no lombo e têm a morte como certa. Não serão as cargas caninas uma versão optimizada e dissimulada das investiduras taurinas? Um remanescente do soltar das feras no Coliseu Romano? Semelhanças não faltam e também as motivações não parecem díspares!
O cão muito-dominante é obra humana, deve-o à manipulação genética e tanto pode surgir por procura ou ocasionalmente (jamais acontecerá por investidura), já que tal fenómeno não tem equiparação no seu ancestral lobo, animal mais defensivo, que não se expõe e que avança dissimulado, ainda que use a força no estabelecimento na cadeira hierárquica para garantir a sobrevivência das alcateias. O cão que vive essencialmente para os ataques é mais bruto que astuto e torna-se previsível, o que lhe rouba de imediato as vantagens do efeito surpresa e sujeita-o a toda a sorte de desaires, para além de se ensurdecer nos travamentos e poder morder no seu próprio líder por desespero, o que nalguns casos resulta dum desequilíbrio psicológico indutor a um medo maior ou a um pânico incontido (irá ser a descoberta desse trauma que possibilitará a sua recuperação, quando ela é possível). Qualquer cão de guarda genuíno, valha-nos isso, é mais defensivo que ofensivo, sendo mais astuto do que bruto, o que eleva a procura dos cães dominantes em detrimento dos muito-dominantes para este ofício (disciplina), já que avançam por ordem expressa, debaixo de cautelas, procuram a vantagem e escolhem o momento da captura quando entregues a si próprios, protocolos que melhoram substancialmente com o treino e a experiência, ao contrário dos muito dominantes cujo exagerado impulso ao poder causa sérios entraves ao desenvolvimento e uso do seu insuficiente impulso ao conhecimento, o que os torna menos manobráveis e lhes impede a defesa. Como os ataques caninos são provenientes dos instintos de caça e de presa e dos impulsos à defesa e à luta, se os cães muito-dominantes tivessem que caçar para sobreviver, certamente morreriam à míngua ou comer-se-iam uns aos outros, porque a sua exagerada exposição impediria o alcance das presas, particular que os caçadores há muito conhecem.
Para além dos aspectos relativos à morfologia a respeitar, a hibridação do Pastor Alemão com distintos lobos, quando não surgiu duma necessidade, como foi o caso do Lobo Checo, foi justificada pelo reforço do impulso à defesa nesses híbridos, uma vez que os seus progenitores caninos nisso eram deficitários, diferença que melhor lhes garantiria a sua salvaguarda. E se na maioria dos casos assim não sucedeu e alguns se assilvestraram, isso ficou a dever-se à inexcusável caça em grupo que os lobos não dispensam, a uma maior carga instintiva que obstou à cumplicidade e ao pormenor de se fazerem mais tarde que os cães. E se o dono do cão é aquele que lhe dá comida, facilmente compreendemos o que mais aflora o impulso à defesa e porque não devem outros a dar-lhe de comer. Quando Tina Barber optou por criar o Pastor de Shiloh estava certa no seu raciocínio ao cruzar Pastores Alemães com Malamutes, já que os últimos mantêm incólumes a dissimulação e a astúcia presente nos lobos, de quem são parentes próximos. Também o cruzamento CPA/Husky se presta ao mesmo fim e o seu produto manifesta a tendência de carregar em intercepção, sendo praticamente inaudível e invisível antes das capturas propriamente ditas. Para rematar, importa dizer que o mais excelente dos Pastores Alemães pode ficar atrás de um bom Lobo Checo em matéria de defesa, muito embora seja dificílimo encontrar um Cão-Lobo assim. E isto porquê? Porque o Pastor Alemão é mais propenso a reagir a provocações e menos cauteloso, o que o torna mais previsível e fácil de enganar (não é por acaso que nos Estados Unidos existe vasta legislação para regular o percentual de sangue lobo nos híbridos).
Se dividirmos a grosso modo os cães em muito-dominantes, dominantes, submissos, muito-submissos e inibidos, então somos obrigados a reconhecer que os primeiros são brutos, os segundos astutos, os terceiros cautelosos, os seguintes inseguros e os últimos puramente medrosos. Diante da autonomia laboral exigível a um cão de guarda, melhor será que seja astuto do que bruto, o que equivale a dizer que entre um muito-dominante e um dominante, a escolha deverá recair sobre o segundo, até porque o primeiro morre a lutar e o último recua para encontrar vantagem sem contudo desistir (retirada estratégica), o que nos possibilitará desenvolver e subsidiar o seu impulso à defesa, para que surpreenda e não venha a ser surpreendido. Voltaremos a este assunto quando nos for sugerido ou acharmos necessidade disso.

ESTA DISPOSIÇÃO DE MEMBROS É UMA CARACTERÍSTICA DA RAÇA!

Por vezes a revolta é tanta que não sabemos por onde começar! Vamos ao factos. Sei saber como nem porquê, acabámos por nos cruzar com um cavalheiro de meia-idade acompanhado pelo seu Pastor Alemão, um exemplar preto-afogueado despigmentado, com 2 anos de idade, mal provido de músculos, agachado de traseira, de garupa frágil e com jarrete de vaca por demais pronunciado, tanto que o cão parecia indicar estar pronto para defecar a qualquer momento. Condoídos com o estado articular do animal, aconselhámos o seu dono a marchar diariamente com ele, para que o aumento da massa muscular viesse a aliviar o esforço articular e combatesse o desaprumo. O proprietário do cão agradeceu o conselho mas disse-o desnecessário porque, e passamos a citar: “esta disposição de membros é uma característica da raça”, pondo-se ao fresco depois (desparecendo). De má raça será certamente e se é como ouvimos, gostaríamos de saber a partir de quando a raça é assim, muito embora já saibamos a resposta!
O jarrete de vaca, apoio cruzado dos aprumos traseiros que leva à junção dos curvilhões (jarretes), é a um apoio ortopédico anómalo que acaba por limitar a capacidade atlética dos cães seus portadores, comprometendo o seu equilíbrio e livre desenvolvimento dos andamentos naturais por menor impulsão, o que obrigará ao maior esforço dos anteriores que pela sobrecarga se desaprumarão também, dando origem ao atirar das mãos para fora e ao abatimento de metacarpos, pelo uso nos arranques e mudanças de direcção. Não sendo combatido, resultará em artroses que cedo se manifestarão e que serão extremamente limitadoras na 3ª idade. Este defeito limitador (que para alguns é virtude), trará implicações na natação, na escalada, na marcação dos saltos, na transição dos consecutivos, nas rampas e condenará de sobremaneira o galope, que sendo “à coelho”, por falta da necessária projecção para diante das pernas, cedo levará à exaustão dos animais. A prática da marcha diária, a natação e o concurso aos obstáculos naturais presentes nas pistas tácticas (particularmente o “Extensor de Solo”), tendem a resolver o problema e é por isso que os verdadeiros cães de trabalho raramente se apresentam assim.
O jarrete de vaca deve mais à genética do que à ausência de exercício físico regular, ainda que o último possa contribuir só por si para a ocorrência do fenómeno. Nenhuma raça canina, atendendo ao seu bem-estar, pode ter como característica o jarrete de vaca, muito menos as destinadas ao trabalho, como é o caso do Cão de Pastor Alemão, muito embora sobrem muitos assim nas classes de exposição, onde se sobrevaloriza a estética a despeito da biomecânica que se deseja própria para a função. Jarrete de vaca? Não, obrigado!

MANTENHAM VIVA A TRADIÇÃO!

Fomos encontrar esta fotografia nos arquivos do National Geographic. A acção remonta a 1919 e nela podemos ver um CPA a perseguir um pretenso larápio, que em vão intenta escapar-se pela janela dum 1º andar. O sucesso do cão ficou a dever-se à sua extraordinária capacidade de impulsão e ao apoio que as gelosias lhe deram, tanto a tombada sobre a parede como a fixa na janela. A foto mostra o segundo salto do animal, tirado a partir de um primeiro que lhe possibilitou a captura e assente sobre a gelosia tombada. Pelo que nos é dado a observar, o CPA já vem em movimento descendente. Assim foram os Pastores Alemães doutrora, oxalá assim continuem e mantenham viva a tradição!
PS: Se o cão em questão tivesse jarrete de vaca, teria que aguardar pela queda ou saída do ladrão!

O PAPEL DO ADESTRAMENTO NA INCLUSÃO SOCIAL BINOMIAL

Ninguém duvida que o adestramento trabalha para a coabitação harmoniosa dos cães na sociedade, que através da exaltação das suas mais-valias, procura o seu bem-estar, salvaguarda, direitos e o aproveitamento do seu potencial complementar, o que não dispensará os donos da necessária formação e ensino para que melhor os consigam entender, proteger, respeitar e aproveitar, mediante um código de posturas e práticas que lhes garantirá a comunicação interespécies. Assim sendo, o adestramento visa em primeira instância a inclusão social dos cães em abono da sua salvaguarda.
Não é preciso pensar muito para concluir que a inclusão social dos cães levará à melhor reinserção dos donos na sociedade, sabendo-se que muitos deles vivem apartados dela e entregues aos seus cães, voluntariamente ostracizados por se sentirem lesados diante da presente ordem das coisas, havendo alguns que preferem a sua companhia ao melhor dos convívios ou associações, insanidade que importa combater em prol dos homens e dos cães, porque ambos são seres sociais e avessos ao isolamento. Podemos dizer, sem medo de nos enganarmos, que o cão é o melhor dos veículos para a reinserção social dos donos, já que a maioria das pessoas gosta de cães e através deles sempre surgem novos relacionamentos. Que ninguém duvide: os efeitos da terapia canina acontecem primeiro nos donos e só depois nos outros!
Tendo isto em conta, uma escola canina deverá vocacionar-se para o público em geral e não se remeter somente a grupo de iluminados, virtuosos, aficionados ou resistentes, mas diversificar as suas actividades, torná-las desejáveis e ao alcance de qualquer um, para que a heterogenia dos seus condutores, ao servir de recrutamento, garanta a sua continuação, actualização, desenvolvimento, maior abrangência e utilidade de serviços, ao ponto de ser cada vez mais procurada (entendem-se as razões que levam à menor procura das escolas que se dedicam unicamente a uma raça ou tipo de cães, disciplina ou modalidade cinotécnica). Bem vistas as coisas, assim como as escolas caninas são centros de ensaio para os cães, também o deverão ser para a melhor aceitação social dos donos, que deverá iniciar-se dentro dos espaços onde adestram os seus cães.
E adestrador que não tenha esta sensibilidade e preocupação é como aquele caixeiro, que não o sabendo ser, se verá obrigado a fechar a loja. Ainda que de início possa fazer furor pela excelência da técnica, por não saber ou não ter como valer às pessoas, cedo verá comprometido o seu ofício e ficará apenas rodeado de um pequeno grupo de sequazes, muito mais agora que o dinheiro está caro. E como ensinar cães é ensinar pessoas, os adestradores carecem de ser solícitos, moderados, cultos, informados e atentos. E quando possuem ou desenvolvem estas qualidades irão ser bem-sucedidos e adequarão sem maior dificuldade homens e cães para a sociedade que os rodeia.

A INTERMINÁVEL HISTÓRIA DO “ROSNA E COME”

Do alto de um edifício que ultimamente tenho sido obrigado a frequentar, todas as manhãs avisto uma mulher de 50 anos que sai à rua com os seus cães atrelados, dois rafeiros de médio porte, castrados, cada um de sua cor, díspares de características e de comportamento diverso, ambos obesos e pendurados à trela, que dão a sensação de serem melhor cuidados que a dona, que se apresenta de postura descaída, com os cabelos descolorados e desgrenhados, de capa comprida e nada limpa, por cima dumas calças russas e cheias de nódoas, rematadas por umas botas já gastas, isentas de conservação e a exigir conserto. Quando os avisto digo para mim mesmo: lá vem o “Trio Odemira”, porque os cães não param de ladrar e a dona de serená-los, lembrando um canto a várias vozes, apesar de desagradável, abusivo e caricato (que me perdoem os cantantes alentejanos que nada têm a ver com isto).
Acontece que um dos cães, cuja bastardia em Beagle ainda é notória e que vai seguro pela mão direita da senhora, para além de ser um péssimo cantor, ainda embirra com todos os cães e intenta atacá-los, provocando o desequilíbrio da pobre coitada, que ocasionalmente é jogada ao solo pelas arremetidas daquele arruaceiro. Vejo-os sair de casa, a primeira a pôr a cabeça fora de portas é a dona, que antes de mandar avançar os seus companheiros, se certifica da inexistência doutros cães por perto. Mas como eles não faltam por todo o lado, não demorará a cruzar-se com algum, incómodo que tenta evitar a todo o custo e que a obriga a circular com a cabeça em catavento, tal qual louco estranhando a saída dum hospício. Inevitavelmente, porque fixa e rosna, o rafeiro mais agressivo acabará por se embrulhar com outro cão de passagem, incidente rotineiro que não isentará a dona de gritaria. Depois de sanados os conflitos, que nem sempre chegam a vias de facto, a mulher afasta-se, serena o cão e dá-lhe biscoitos, ainda que no intervalo deles o animal mantenha o mesmo desejo e determinação, tudo fazendo para voltar à carga.
Diante daquele continuado disparate e da inutilidade do protocolo utilizado, várias vezes pensei em dirigir-me àquela mulher no intuito de a aconselhar e ajudar, mas como me parece mais alienada do que apegada à razão e ao bom senso, sempre acabo por desistir dos meus intentos, porque necessito de serenar, de encontrar forças para ir adiante e já não me comprazo em polémicas. É óbvio que o cão, a necessitar de travamento e sociabilização, está a associar a recompensa ao disparate e ela está a potenciá-lo, de tal maneira que o outro cão, que não é de natureza agressiva, intenta agora participar nos ataques. Se porventura algum dos nossos leitores tem um cão com este tipo de comportamento contacte-nos, que logo lhe adiantaremos a solução para o problema e, caso se justifique, indicar-lhe-emos uma escola canina que lhe possa valer. 

O MUNDO À NOSSA VOLTA: NÃO DEVERÁ MUGABE SER PRESO E AÇAIMADO?

Brada aos céus o desinteresse do mundo ocidental pelos crimes que são cometidos em África sobre os africanos, produto de ditadores e de regimes pseudo-democratas, que bem servem os seus ditadores e estraçalham os seus povos, o que tem resultado na perpetuação da ignorância, em guerras intermináveis, genocídios, violações de toda a ordem, campos de refugiados, fome e miséria. Quantos países africanos assentam sobre regimes verdadeiramente democratas e quantos não? Quantos têm presidentes ou monarcas vitalícios, levam a cabo eleições fraudulentas, gastam mais dinheiro em armas do que na educação, produzem terroristas e crianças-soldado, incentivam o tribalismo e condenam os seus povos à pior das misérias, apesar de ricos em recursos naturais e que estranhamente ainda têm representantes e assento na ONU? Vale a pena contá-los! À cabeça da sandice governativa africana temos Robert Mugabe, “presidente” do Zimbabué, muito embora a concorrência seja muita e tristemente qualificada. No regime deste louco a vida humana não tem qualquer valor e qualquer um pode morrer por qualquer insignificância, o que no Zimbabué acontece amiúde. E nalguns casos a situação é tão má que alguns povos chegam a desejar o regresso do colonialismo, quando sujeitos à fome e a toda a sorte de sevícias, desejo que também ouvimos em naturais de S. Tomé e Príncipe e da Guiné, os primeiros por não terem carne para comer e os últimos por se encontrarem fartos dos abusos perpetrados pelos históricos do PAIGC, renitentes a largarem a cadeira do poder. Teremos que chamar mais uma vez “os Américas” para trazerem todos os “Mugabes” e “Zezinhos” corruptos a julgamento pelos seus crimes contra os seus povos e contra a humanidade?
Segundo o adiantado no site do “Zimbabwe Latest News”, no dia 02 do corrente mês, 8 jovens encontravam-se a nadar numa pequena piscina natural da Floresta Tropical Zambezi, vindo a ser surpreendidos e detidos por alguns “Zimparks Rangers” (Corpo Policial que se ocupa da guarda e conservação dos parques naturais), debaixo da acusação de caça furtiva. Sob prisão, aqueles jovens foram entregues à polícia, que lhes exigiu o pagamento de uma multa individual de 20 dólares americanos, quantia que não possuíam e que os obrigou a um serviço comunitário na dita floresta por 3 horas, o que veio a acontecer. Uma vez terminada a tarefa e já de saída, eis que surge um polícia, no seu Jeep Defender, com um cão, que acusando-os de serem caçadores furtivos, largou-lhes de imediato o animal em cima. Do ocorrido resultaram dois feridos graves, sendo que um dos jovens se encontra entre a vida e a morte no Victoria Falls Hospital. Os homens feridos foram transportados até à cidade pela Polícia, que depois os mandou ir para o hospital a pé, cujas despesas não têm como pagar. Episódios destes são comuns naquelas paragens e ainda recentemente foram mortos 2 homens por “caça ilegal”, sem nenhuma evidência nisso, sendo provável que se encontrassem a apanhar lenha. Não obstante, alguns estrangeiros endinheirados acabam por caçar o que querem sem ser importunados (se for preciso abatem-se os batedores para se isentarem os clientes de culpa).
Mugabe, que para os seus opositores é de filosofia maoísta (malvado é de certeza) e que tem na China o seu principal aliado, conseguiu reduzir em poucos anos a população branca para 10%, quer pressionando-a, matando-a ou expulsando-a. Dele são as palavras: "O nosso partido deve continuar a semear o medo no coração do homem branco, o nosso pior inimigo!" Mercê da sua intifada Gukurahundi acabou por ser responsável pela morte de 30.000 africanos afectos ao Estado Ndebele e às etnias matable, sob o pretexto dessa gente apoiar os seus opositores políticos. O Zimbabué, considerado após a independência do Reino Unido em 1980, um celeiro da região e um exemplo para o mundo, encontra-se agora à cabeça dos países mais miseráveis do globo, com uma taxa anual de inflação a rondar os 230 milhões por cento. Graças à falência do sistema de saúde, a SIDA que ali grassa tem contribuído para a baixa da esperança média de vida, que é agora de 36 anos (a epidemia de cólera já causou pelo menos 1.900 mortos desde Novembro de 2008). O Prémio Nobel da Paz Desmond Tutu, o antigo procurador do Tribunal Criminal Internacional da ONU, Richard Goldstein e a antiga Alta-Comissária da ONU para os Refugiados Mary Robinson, assim como a ONG “Médicos pelos Direitos Humanos” não têm dúvidas: “o partido e o regime de Mugabe continuam a violar os direitos cívicos, políticos, económicos e culturais dos povos do Zimbabué”. De que estaremos à espera para prender e açaimar Mugabe, que ele nos solte os cães em cima ou que nos envie mais uma leva de refugiados?

MR. PRESIDENT LET THEM BACK HOME WITH HIS COMRADES

Finalmente parece que será feita justiça aos cães militares das Forças Armadas dos Estados Unidos, que futuramente poderão retornar a casa com os seus tratadores e viver ao seu lado depois de terminadas as suas missões, facto que não tem acontecido até aqui e que muito tem chocado os seus inconsoláveis adestradores e a opinião pública norte-americana. Para que isso aconteça é necessária a assinatura do Presidente dos Estados Unidos (Barack Hussein Obama), uma vez que só ele poderá transformar em lei o “National Defense Authorization Act 2016”, relativo a essa matéria e já aprovado pelas duas Câmaras dos Estados Unidos (Senado e Câmara dos Representantes), merecendo a aprovação tanto de Republicanos como de Democratas, mercê das acções levadas a cabo pela American Humane Association. Até à presente data, os cães militares que são dispensados do serviço em zonas não-beligerantes, tornam-se civis e não podendo ser transportados por meios militares (terrestres, marítimos ou aéreos), vendo-se assim forçados a separar-se dos seus tratadores, que impossibilitados de os adoptarem, precisavam deles para melhor se adaptarem no retorno à sociedade civil. Estima-se que cada cão militar possa poupar a vida de 150 a 200 soldados. Estamos em crer que 1º Presidente afro-americano dos States assinará o presente documento sem reservas, porque os cães combatentes merecem melhor sorte, verem reconhecido e premiado o seu esforço e o actual habitante da Casa Branca parece nutrir especial simpatia por cães. De qualquer modo, não conseguimos compreender porque tardou tanto em fazer-se justiça aos cães militares e como têm conseguido desprezá-los.

OPÇÃO CHILENA PARA UMA PRÁTICA IRREMEDIÁVEL

Do Chile não sobram grandes notícias e inventos, por vezes parece esquecido na América do Sul, quiçá pelos Andes lhe taparem o Atlântico e estar virado para o Pacífico. Apesar de remoto e de só ser mencionado quando alguma calamidade por lá acontece, desta vez saltou para a ribalta por boas razões: cientistas da Universidade de Veterinária e Pecuária dali descobriram uma vacina contraceptiva para cães, válida para machos e fêmeas, barata e eficaz para ajudar a controlar a crescente população canina daquele país. Apesar da dita vacina já ter sido patenteada no Chile, Europa e Estados Unidos, ainda continua a ser testada em condições controladas e a sua fórmula final só será comercializada depois de autorizada pelo Serviço Agrícola e Pecuário Chileno. A presente vacina foi desenvolvida a partir de uma fórmula já existente para esterilizar porcos, usada na Austrália segundo o conceito da imuno-castração, no intuito de ser também aplicável aos animais domésticos, particularmente aos cães e para criar uma melhor alternativa para os suínos, que até agora precisavam de duas doses e doravante necessitarão apenas duma.
De acordo com os seus inventores, o efeito da vacina é semelhante ao da castração cirúrgica mas sem os cuidados subsequentes que esta exige, para além de ser reversível com base em alterações hormonais, uma vez que apenas bloqueia a produção de hormônios, não funcionando como um contraceptivo mas sim como imuno-castrador, pelo que não apresenta os efeitos secundários de outras formas de contracepção, geralmente associadas a alterações do útero e ao surgimento de vários tipos de cancro. Entretanto, nos Estados Unidos e noutras zonas do Globo, vacinas idênticas estão a ser desenvolvidas. O surgimento desta vacina é uma excelente alternativa à castração cirúrgica, porque a castração não é definitiva nem irremediável e pode ser abandonada quando tal se justificar por distintas razões, quer elas sejam terapêuticas ou ligadas à necessidade de reprodução dos indivíduos. Finalmente boas notícias do Chile e também óptimas notícias para a canicultura!

QUAL SERÁ O MOTIVO (XLIV)

O “Soldaat” é um Pastor Holandês com 3 anos de idade, a coabitar com os donos dentro casa, onde nunca fez disparates e sempre se comportou irrepreensivelmente. A pessoa da família que mais adora é o filho dos seus donos, um moço de 12 anos, obeso e com restrições de dieta. Ultimamente, sem se saber porquê, o cão passa horas infindas diante do sofá no salão, donde dificilmente sai, como se estivesse à espera de algo. Os donos andam alarmados com a situação e até já pensam consultar um psiquiatra animal, devido à novidade daquele comportamento. Porque se comportará o Soldaat assim? Hipótese “A”: Porque quer ver um dos donos sentado no sofá e quer deitar-se a seus pés. Hipótese “B”: Deseja subir para o sofá e espera consentimento. Hipótese “C”: Os seus donos trocaram o sofá de lugar e ele estranhou a mudança. Hipótese “D”: O moço costuma esconder comida no forro do sofá e dar parte dela ao cão. Hipótese “E”: Fica a olhar para o sofá porque se encontra amuado com os donos. Para a semana indicaremos qual a hipótese certa e cá estaremos com um novo caso.