quinta-feira, 16 de abril de 2015

APRESENTA-ME O TEU CÃO E CONHECER-TE-EI MELHOR

Para todos os efeitos, o cão presta-se como o melhor “cartão-de-visita” do dono. Políticos, intelectuais, artistas, VIPS, modelos e até comuns cidadãos sabem disso e fazem-se fotografar ao lado de um ou mais cães - o cão virou imagem de marca, um meio de aproximação dos ídolos aos seus fãs e uma ponte entre as pessoas pelos sentimentos que desperta. Mais do que a imagem, interessa-nos o comportamento canino, o do cão de cada um, naquilo que ele indicia ou esconde sobre a personalidade do seu dono. As pessoas de bem com a vida e com os outros têm cães simpáticos e afáveis que invariavelmente correm para os braços de qualquer um dando-lhes assim calorosas boas vindas e os mais ardilosos exigem dos seus cães o mesmo comportamento para alcançarem os seus intentos, havendo ainda outros que fazem dos seus cães o seu retrato fiel e/ou a extensão da sua personalidade. A escolha da raça também pode estar ligada aos propósitos e expectativas de cada um, influenciando ainda nisso a idade, o particular social, as conveniências e as preocupações que cada qual atravessa. De um modo ou doutro, os cães sempre identificarão os donos e as suas expectativas, revelando eventualmente alguns dos seus sentimentos mais ocultos, anseios menos visíveis e sonhos incontidos. Para a maioria dos comuns mortais isso será muito bom e para outros nem tanto, o assunto merece reflexão, cabendo a cada um apresentar ou não o seu cão aos outros.

AZUL? SÓ SE FOR DE PRETO!

O interesse pelos Pastores Alemães Azuis (totalmente cinzentos) tem aumentado significativamente entre nós e também por essa Europa fora, facto que comprovamos pela leitura assídua dos textos que temos publicado sobre esta variedade cromática. Durante uma década dedicámo-nos a criá-la, não para a fazermos proliferar mas para sabermos mais acerca dela, por que razão ou razões se tornou tão rara e porque não alcançou o estatuto de variedade dominante na raça. Contam-se pelos dedos de uma mão os criadores de Pastor Alemão Azul em toda a Comunidade Europeia, normalmente tidos como experts pelos seus congéneres, apesar de operarem beneficiamentos com exemplares brancos para a sua obtenção, estratégia desaprovada pela “SV” a partir do momento em que expulsou a variedade branca do seu seio. Não foi esse o caminho que tomámos e alcançámos o azul pelo contributo do negro e do lobeiro (cinzento parcial ou bicolor), opção mais dispendiosa e menos rentável para o efeito, já que o uso dos Pastores Brancos torna mais célere o alcance de exemplares azuis, para além de diminuir a ocorrência de exemplares bicolores.
Retornar ao azul, dependendo dos casos, é retornar ao atavismo e desprezar os benefícios da selecção operada até há bem pouco tempo, porque esta variedade irá apresentar menos valias físicas e psicológicas há muito vencidas e tangentes às encontradas no lobo cinzento, que fica a dever a sua robustez às diferentes amplitudes térmicas provocadas pelas Estações do Ano, também responsáveis pelo enriquecimento e alteração das dietas. Os pastores azuis, quando beneficiados entre si ou com grande percentual de branco e lobeiro, tendem a abater os metacarpos em demasia e em não absorver os elementos minerais indispensáveis à formação do seu esqueleto e à sua saúde articular, para além de desaproveitarem a acção benéfica dos Sol e dos seus raios que os fixariam, advindo disto uma propensão para o pernatismo e gigantismo, já que a maioria deles ultrapassará os limites de altura toleráveis  para a raça e a sua envergadura deixará muito a desejar. A bem da variedade e para minorar estes problemas, quanto mais denso for o seu manto, melhor. Só a construção em 4/8 na variedade preto-afogueada lhes garantirá à supressão destas impropriedades, pelo que será lastimável e nefasto excluí-la da sua formação.
Nestas circunstâncias, também assistiremos a alterações psicológicas, interligadas a uma curva de crescimento maior, menor robustez física e atraso no alcance diferentes das diferentes maturidades, sendo estes cães “bebezões” por mais tempo, o que também retarda o seu uso e aproveitamento atlético, cujo desenvolvimento biomecânico obedecerá a maiores delongas, quando comparado com os restantes pastores. A procura pela cor azul e pela sua potenciação está também associada a comportamentos particulares: a uma menor parceria, maior carga instintiva, diminuição do sentimento gregário, indiferença e forte desejo de autonomia. Há nisto tudo um contra-senso, porque estes cães surgem maioritariamente entre os cães de trabalho e se assim é, para quê transformá-los em exemplares de exposição e de menor préstimo? Só porque a cor é rara e nascem com os olhos azuis ou verdes? Se cruzarem um Pastor Alemão com um Cão Leopardo Cataoula da Louisiana, para além da cor dos olhos, ainda alcançarão maior exotismo!
O retorno seguro, legítimo e autêntico às variedades hoje menos vistas ou praticamente extintas no Pastor Alemão só será possível pela contribuição do lobeiro, variedade dominante na proto-selecção, que possibilitou o aparecimento das variedades bicolores e que ainda carrega a maioria das uniformes por detrás da formação da raça, sendo recessivo nalgumas delas. Por causa disso, porque não há dois lobeiros iguais, já conseguimos identificar 18 tonalidades diferentes neste cão cinzento bicolor. Com ele e com o negro podemos chegar ao cinzento uniforme (azul), tanto a partir de exemplares destas variedades quanto dos recessivos nelas, o que possibilita a dois cães preto-afogueados geraram um ou mais cães azuis. As vantagens do uso do preto e não do branco para a obtenção de exemplares azuis são muitas e desejáveis, desde que o preto utilizado tenha pelo menos 3/8 de construção em preto-afogueado, porque doutro modo a sua prole será esganiçada e próxima dos limites mínimos de altura adiantados pela raça.
Os exemplares negros usados para o alcance de pastores Alemães Azuis, quando portadores de boa envergadura, excelentes aprumos e produto de beneficiamentos policromáticos, donde não se pode excluir o contributo da variedade dominante (preto-afogueado), transmitirão à sua prole azul, minoritária nas ninhadas, um crescimento harmonioso, a relação de envergadura desejável, uma curva de crescimento padronizada, melhor assimilação dos elementos minerais indispensáveis ao seu desenvolvimento, exigirão menor variedade e riqueza nas dietas, absorverão naturalmente os benefícios prestados pelo Astro-Rei, consolidarão o seu esqueleto no em simultâneo com as outras variedades cromáticas, alcançarão as respectivas maturidades sem maiores delongas (o que facilitará o seu uso) e serão mais manobráveis, menos esquivos e portadores de um carácter mais sólido, pormenores que, quando díspares, afastam desnecessariamente as variedades recessivas dos benefícios da dominante, revelando a causa ou as causas do seu desleixo.
Conhecedores destes aspectos, que comprovámos ao longo de décadas, sabemos que nenhuma variedade recessiva subsiste sem o contributo da dominante, porque a sua hegemonia não se prendeu exclusivamente à cor mas também à qualidade funcional dos seus exemplares (pelo menos até aos anos sessenta). Nenhuma variedade cromática, por si mesma, é superior à outra, todas contribuem dentro da raça para as suas mais-valias e em todas elas subsistem bons e maus exemplares, o que torna a criação isolada de uma variedade cromática numa quimera que a breve trecho se transformará num pesadelo, quer seja ela dominante ou recessiva, considerando os espectros inibidores da endogamia. A selecção dentro Pastor Alemão deverá ser orientada pela procura da qualidade e jamais baseada numa determinada cor, erro que os nazis cometeram quando expulsaram indevidamente o branco do seu estalão.
Se abominamos a criação exclusiva do preto-afogueado, de igual modo e com a mesma veemência condenamos a criação isolada de uma variedade recessiva e nisto incluímos também a azul que, dependendo dos casos, não se encontra isenta de problemas.

DEITA ABAIXO!

Lá para os lados de Winchester, em Hampshire, no Sul de Inglaterra, aconteceu há alguns dias atrás algo insólito, dois cães, um Jack Russel e um Staffordshire bull terrier, comeram alguns órgãos vitais da sua dona, depois desta se encontrar há já alguns dias morta. Ao que parece, a defunta faleceu de uma overdose acidental de medicamentos, uma ex-joalheira de 61 anos de idade. O corpo foi descoberto por um vizinho, que estranhando o desaparecimento daquela senhora e não lhe abrindo esta a porta, optou por entrar pela porta das traseiras, vindo a dar com o seu cadáver. Os cães foram imediatamente apreendidos e posteriormente mandados abater pelo Conselho de Oficiais da Polícia. Ao que tudo indica, pelos arranhões presentes no cadáver, os pobres animais tentaram acordar ou reanimar a dona, não o conseguindo e a braços com a fome, acabaram por lhe comer alguns órgãos, obrigados pelo instinto de sobrevivência. Este episódio traz-nos à memória o fatídico “Voo 571 da Força Aérea Uruguaia”, ocorrido a 13 de Outubro de 1972, quando um avião se despenhou com 45 passageiros a bordo nos Andes, numa altitude de 3.600m, obrigando os sobreviventes a consumirem parte dos cadáveres dos seus amigos e companheiros de viagem mortos, por não lhes restar outra solução. Que se saiba nenhum deles foi condenado ou cumpriu pena por antropofagismo, porque se compreendeu o acto pela necessidade. Não seria justo e lícito entender a acção dos cães de igual modo, uma vez que se encontravam na mesma situação? Serão os pets obrigados a desprezar o instinto de sobrevivência e a desenvolver um carácter altruísta prá além dele? São cães, não são? Deita abaixo!
Bem sabemos que os terriers foram originalmente criados para a matança e que não são santos, contudo nunca vimos o diabo encarnado em nenhum deles, que preferissem a carne humana em detrimento do seu repasto. Pela mesma desconsideração temos condenado à extinção várias espécies animais. Será que a partir daquele dia aqueles cães passariam a preferir a carne humana ou espreitariam ocasião para a comerem? Lá vem outra vez a história do “Lobo Mau”! Os homens tomados pelo medo são capazes de tudo e os cães não? Há quem viva muito bem à conta do medo que provoca em pessoas e nos animais. Todavia, enquanto não deixarmos de ser animais não teremos livre arbítrio (provavelmente teremos que morrer para o alcançar).

QUAL SERÁ O MOTIVO (XXV)?

O “Fido” é um Pastor de Brie com 2 anos, bem-disposto e muito dado, apesar de ajuizado e convenientemente treinado, demonstrando uma seriedade e dedicação ao dono louváveis. Como é muito bonito não lhe dão descanso na rua e toda a gente se acerca dele, circunstância que não é totalmente do agrado do dono. Ontem, um cavalheiro acercou-se do seu proprietário e perguntou-lhe o nome do cão, pedido que foi prontamente atendido. Depois de o chamar ingloriamente várias vezes, o estranho soltou: “Ele é surdo ou não joga com o baralho todo?”. O que teria sucedido para o cão não reagir ao chamamento? Hipótese “A”: O cão encontrava-se mal disposto. Hipótese “B”: Estava aflito para fazer as necessidades. Hipótese “C”: O dono adiantou para o estranho um nome fictício. Hipótese “D”: O cão não respondeu ao chamamento porque era surdo. Hipótese “E”: O animal desconfiou do estranho. Para a semana adiantaremos qual a hipótese certa e cá estaremos com um novo caso.

SOLUÇÃO DA SEMANA ANTERIOR

A hipótese correcta para a esta rubrica da semana passada é a Hipótese “E”: Rosna e ladra porque confunde a palavra “Acção” com “Atenção”. A Hipótese “A” carece de fundamento porque um cão devidamente treinado trabalha de debaixo de ordem e não segundo as suas susceptibilidades, não antevendo inimigos fora do seu território. Como o cão de guarda está acostumado ao silêncio, logo não seria a ausência de roído a causadora da sua mudança de humor, o que faz a Hipótese “B” falsa. Dificilmente um cão se interessaria por um homem imóvel, por detrás duma máquina e isento contacto visual, o que torna a Hipótese “C” fantasiosa. Se porventura desejasse os seus donos perto de si não rosnaria, antes gemeria, o que transforma a hipótese “D” numa inverdade.

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:
1º _ QUAL SERÁ O MOTIVO (XXIV)?, editado em 09/04/2015
2º _ O AZEITE PARA AS CARRAÇAS, editado em 24/06/2010
3º _ H3N8 UM 31 E UM BICO-DE-OBRA!, editado em 09/04/2015
4º _ MEMÓRIAS DA ADOLESCÊNCIA: O ALEMÃO DA SILÉSIA, editado em 10/08/2012
5º _ O QUANDO O BEBÉ CHEGAR, O QUE FAZER COM O CÃO?, editado em 31/08/2009
6º _ TAIGAN: PARA RASTREAR ATÉ AOS 4.000m DE ALTITUDE, editado em 09/04/2015
7º _ O MELHOR E O PIOR DO PASTOR SUIÇO: ANÁLISE MORFOLÓGICA E FUNCIONAL, editado em 21/06/2011
8º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
9º _ UM VELHO E DURO INIMIGO: A PROCESSIONÁRIA DOS PINHEIROS, editado em 07/08/2010
10º _ O AMIGO MEXILHÃO VERDE (PERNA CANALICULUS), editado em 10/08/2012

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3ºRússia, 4º Estados Unidos, 5º Alemanha, 6º Reino Unido, 7º França, 8º Ucrânia, 9º China e 10º Espanha.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

H3N8: UM 31 E UM BICO-DE-OBRA!

Lá pelas terras do "Tio Sam”, primeiro em Chicago e agora também no Wisconsin e em Indiana, grassa um surto epidémico de gripe canina nunca visto que, segundo o que foi apurado, se deve ao contágio pelo vírus H3N8, um subtipo de "Influenza A" responsável pela transmissão duma nova estirpe da Tosse do Canil. Só em Chicago, já foram infectados cerca de 1000 cães e 5 deles acabaram por falecer. Ao que tudo indica, as actuais vacinas não combatem esta estirpe da afecção, apesar de já haver sido criada uma, que ainda não se encontra disponível no mercado norte-americano. O vírus foi isolado pela primeira vez na Flórida, em Janeiro de 2004, entre uma população de galgos e foi transmitido de cão para cão (pensou-se a princípio que o contágio seria operado a partir dos equinos), estendendo-se depois às outras raças. Daí até Abril de 2008, 5000 cães foram infectados no Distrito de Colúmbia e em mais 25 Estados. A doença não tem poupado a Flórida, que entre Janeiro e Maio de 2005, em cães alojados em canis, viu afectados a priori 58 cães, com e sem pedigree, com idades compreendidas entre os 3 meses e os 9 anos, acabando por vitimar 6 deles. No mesmo ano, numa clínica ao Sul deste mesmo Estado, foram também detectados 40 cães com a mesma doença, vindo 1 deles a morrer. O exame histológico feito veio a revelar a presença de traqueíte, bronquite, e bronqueolitis broncopneumonia purulenta associada com a erosão extensiva de células epiteliais com a infiltração de neutrófilos. Ninguém melhor que o seu veterinário saberá dizer-lhe do que se trata (o dicionário também poderá dar-lhe uma ajuda).
Numa altura em que se questiona, no mundo mais desenvolvido, o uso das vacinas nos seres humanos, os veterinários de Chicago estão a aconselhar a vacinação para conter o surto desta gripe, que segundo eles mata 5% dos animais infectados, podendo esse número duplicar na ausência de contenção. De acordo com o que dizem o “Aurora Beacon-News” e o “Chicago Tribune”, o H3N8 não afecta as pessoas mas é facilmente transmitido entre cães até 20m, alerta que teve como consequência o encerramento dos hotéis caninos daquela área. Estes jornais adiantam ainda os sintomas da infecção: tosse, espirros, febre, dificuldade respiratória, perca de apetite e letargia, concluindo que esta gripe pode tardar 10 dias a manifestar-se e que os seus sintomas podem durar até 2 semanas, que o contágio tanto pode acontecer pelo contacto com outros cães como pelos humanos, no primeiro caso por derramamento e no segundo por ausência da lavagem das mãos e troca de roupa, logo após terem tocado ou convivido com um animal doente, cuidados que em Portugal seriam dificilmente respeitados, atendendo ao mau hábito generalizado de afagar os cães alheios, com ou sem permissão. Alguns veterinários de Chicago, que entendem não ser a vacinação sempre recomendável, diante deste surto, recomendam-na apenas para os cães com alto risco de contágio, vacinando para além deles aqueles que pela sua idade se encontram mais vulneráveis, os cachorros com menos de 1 ano e os cães a partir dos 7 anos.
A Dr.ª Cynda Crawford, professora e assistente clínica no Programa de Medicina Shelter do Maddie, na Universidade do Florida College of Veterinary Medicine, em Gainesville, que se tem dedicado ao diagnóstico, tratamento, gestão e prevenção de doenças infecciosas de cães e gatos em alojamentos comuns, dando especial enfoque ao diagnóstico de vírus e bactérias que causam infecções respiratórias agudas nos cães instalados em canis, centros de acolhimento e hotéis, adianta e sintetiza 10 coisas que importa saber sobre a gripe canina provocada pelo vírus H3N8, que vamos já saber.
São elas: que a presente gripe canina é uma doença altamente contagiosa, só descoberta na América em 2004, específica e resultante dum subtipo particular do Vírus A, o H3N8; que o vírus se encontra restrito ao território norte-americano, afectando 30 Estados e o Distrito de Colúmbia, sendo mais prevalente em muitas comunidades do Colorado, Flórida, Nova Iorque e Pensilvânia; que o vírus causa uma infecção respiratória aguda nos cães, isoladamente ou em conjunto com outros agentes patogénicos respiratórios caninos e que contrariamente ao que sucede com a gripe humana, a doença não é sazonal; que os sintomas e sinais desta gripe são: tosse, espirros, corrimento nasal e possibilidade de ocorrência de febre, sintomas que não diferem doutras infecções respiratórias caninas. Apesar dos cães recuperarem em 2 semanas e não lhes sobrarem outras complicações para a sua saúde, a ausência de cura pode evoluir para pneumonia, facto associado a infecções bacterianas secundárias e, se o índice de mortalidade da gripe é baixo, o mesmo não se poderá dizer da pneumonia secundária e dos seus reflexos para a saúde dos animais, adiantando ainda que não existem evidências relativas à raça ou à idade dos cães que os tornem mais susceptíveis à pneumonia provocada pelo vírus; que a actual gripe canina, que não afecta humanos nem aves por provir dum vírus novo, faltando aos cães a preexistente imunidade e que tanto pode atacar os cães vacinados ou não, sendo mais frequente nos locais destinados ao alojamento, competição e convívio de vários cães, pelo que os animais instalados em casa correm menor risco.
Que o H3N8 é transmitido pelo contacto directo com outros cães infectados ou por pessoas que estiveram em contacto com eles, podendo ser também transmitido através de instalações, bebedouros, comedouros, trelas, coleiras e demais acessórios, assim como pelas mãos humanas nos casos atrás referidos, muito embora o vírus seja inactivado pelo lavar das mãos, das roupas e outros utensílios com água e sabão (Ah Orgi, sempre tiveste razão! 1); que só os veterinários estão habilitados e sabem como tratar a doença, prescrevendo a terapia de suporte adequada ou hospitalizando os vitimados pela pneumonia secundária; que esta gripe, ao ser altamente contagiosa, obriga ao isolamento dos cães infectados por 2 semanas e que pode ser transmitida por outros sem sinais exteriores da doença (o vírus da Influenza não provoca uma infecção permanente); que o diagnóstico desta gripe não pode ser encontrado pelos seus sintomas ou sinais clínicos, uma vez que são idênticos aos causados por outros patogenos respiratórios, mas através da colheita das secreções presentes na boca e nariz, submetendo-as depois a um teste laboratorial de PCR (Reacções em Cadeia da Polimerase) válido para a detecção do presente vírus. Contudo, o teste mais preciso e recomendado para confirmação da infecção, requer a recolha de uma pequena amostra de sangue do cão durante a primeira semana da doença, seguido pela recolha doutra amostra de 10 a 14 dias mais tarde, enviando-se essas amostras de soro emparelhadas para um laboratório de diagnóstico, afim de serem calculados os anticorpos formados em relação à infecção; que já existe uma vacina desenvolvida contra o H3N8, produto da Intervet / Schering Plough Animal Health Corporation, sem efeitos colaterais ou problemas de segurança, conclusões confirmadas por um teste de campo que incluiu mais de 700 cães na faixa etária das 6 semanas até aos 10 anos, de 30 raças diferentes (como contém um vírus inactivado, não existe a possibilidade da própria vacina poder causar infecções respiratórias). Infelizmente ainda não está disponível nos consultórios veterinários, porque o seu preço ainda não foi definido.
Como afortunadamente o vírus H3N8 ainda aqui não chegou (esperemos que não), para as estirpes mais comuns da Tosse do Canil, vão-nos valendo as vacinas combinadas junto com as específicas (a nasal ou a injectável). Depois do que fizemos saber, recomendamos, para evitar males maiores, as seguintes medidas:  meça diariamente a temperatura ao seu cão (o valor mais exacto acontece depois dele haver defecado) e se ele tiver febre leve-o ao veterinário; se o cão apresentar algum destes sintomas, tome o mesmo rumo; vacine-o contra a Tosse do Canil; afaste-se dos cães infectados; se o seu cão se encontra infectado conserve-o em casa durante duas semanas; evite acariciar os cães alheios (caso o faça lave as mãos e a roupa com sabão logo após tê-lo feito; passeie o seu cão por locais menos frequentados por outros; não divida o seu comedouro, bebedouro e outros acessórios com os demais; devido ao risco, não importe neste momento cães dos Estados Unidos. Para mais e melhores informações contacte o seu Médico-Veterinário, sem dúvida o melhor amigo do seu cão, para além de si é claro!
( 1 Senhora octogenária que connosco privou e que sempre primou pela higiene e limpeza, a quem por vezes chamam de exagerada).

TAIGAN (Тайган): PARA RASTREAR ATÉ AOS 4.000m DE ALTITUDE

Quem já ousou rastrear ou treinar pistagem em altitude, devido diminuição da pressão atmosférica, à rarefacção do oxigénio, à diminuição da temperatura e humidade, à desidratação, ao aumento das frequências cardíaca e respiratória e ao risco de congelamento, sabe que acima dos 1.500m de altitude a maior parte dos cães deixa de ser operacional ou apresenta grandes dificuldades no rastreamento, necessitando de uma adaptação e aclimatação lentas mas ao mesmo tempo progressivas. Por outro lado, a permanência em altitude (por vários anos) induz ao aumento do volume pulmonar e da capacidade difusora do oxigénio, o que obriga os binómios profissionais ao trabalho sazonal na montanha, para que se tornem mais resistentes e consigam desempenhar cabalmente o seu serviço. Os melhores cães para este tipo de resgate nascem e vivem na montanha, muito embora as raças típicas desses ecossistemas sejam normalmente pesadas e o seu socorro por vezes demorado. Hoje qualquer cão aerotransportado pode rastrear com êxito em altitude, contudo a sua autonomia funcional será sempre reduzida, o que obrigará a buscas mais curtas ou faseadas, particularmente se acontecerem no Inverno.
 A prestação de salvamento canino nas montanhas irá exigir animais com boa máquina sensorial, robustos, leves, rápidos e com um bom volume pulmonar, características todas elas presentes numa raça ainda não reconhecida pela FCI, mas reconhecida na Alemanha, Bielorrússia, Cazaquistão, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Polónia, Rússia, Ucrânia e Uzbequistão, lebróide, provavelmente descendente do Saluki e nativa da Cordilheira de Tian Shan no Quirguistão: o Taigan, também identificado como “Borzoi do Quirguistão”, até aqui usado como caçador pelos nómadas daquela região.
O Taigan é um lebrel com características particulares, a sua pelagem é macia, longa e grossa e no Inverno a densidade do seu subpelo aumenta consideravelmente. Apresenta orelhas tombadas e revestidas de pelo longo, as vértebras na base da sua cauda encontram-se colocadas, sendo impossível desfazer-lhe o anel, pormenor que o distingue dos restantes lebréis. A cor mais comum é o preto e branco, subsistindo exemplares totalmente negros, cinzentos, castanhos, brancos e com diversas tonalidades de amarelo, sendo próprio para dar caça à cabra selvagem, a corços, lobos, raposas e marmotas.
Como cão de montanha que é, o Taigan apresenta características diferentes dos seus congéneres do deserto ou das planícies, tanto físicas quanto sensoriais e gregárias, porque é mais cúmplice, apresenta forte ossatura, grande volume pulmonar e ao invés de caçar unicamente à vista, usa também a audição e o olfacto, num modus operandi que lembra o Podengo Ibicenco, mais-valias que o podem tornar num cão de resgate e salvamento em grandes altitudes, em acções prolongadas até aos 4.000m, no que tem vindo ser testado com raro sucesso.
O Taigan é um símbolo do Quirguistão e com a falência da União Soviética, que levou ao abandono das unidades de exploração agrárias, retornou às florestas e às montanhas, acompanhando os nómadas que, movidos pelas circunstâncias, se vêm agora obrigados a regressar ao seu viver ancestral. Os quirquiz das classes mais abastadas e residentes nas cidades acabaram por adoptá-lo como símbolo da sua cultura e identidade nacional, não vendo com bons olhos a sua dispensa ou venda a estrangeiros, apesar de alguns criadores da raça terem cachorros para venda e o anunciarem na Internet.
Este cão foi para nós uma agradável surpresa, porque jamais esperaríamos ver um galgo com tamanha ossatura, a valer-se do olfacto na caça e tão habilitado para o trabalho em altitude. A canicultura no Leste tem muito a ensinar à Ocidental, porque conservou e continua a perpetuar raças superiormente adaptadas para trabalhar nas condições mais difíceis, cuja rusticidade é incomparavelmente superior aquelas que temos vindo a desenvolver.

SAI-ME DA FRENTE, DEIXA-ME EM PAZ, LARGA-ME DA MÃO!

Diz-se que “a ocasião faz o ladrão” para realçar o quão importante é tirar partido das ocasiões, circunstâncias e oportunidades que nos surgem. E se mais não fosse, o adestramento é uma prática de oportunidades baseado na disponibilidade que o viabiliza. Há momentos no ensino em que ficamos com a sensação que os cães não nos ouvem, em que nos sentimos literalmente “a falar para o boneco”, como se estivessem ausentes, surdos ou a dormir e outros em que não nos deixam em paz, normalmente quando temos outros afazeres e lhes endereçamos frases do tipo “sai-me da frente”, deixa-me em paz” ou “larga-me da mão”, o que nos relega para a seguinte questão: quando devemos ensiná-los, quando não nos ouvem ou quando querem “falar” connosco? Postas as coisas desta maneira parece não haver dúvidas, devemos capacitá-los quando reclamam por atenção, aproveitando e satisfazendo estrategicamente os seus desejos para fim útil, desde que tal não cause entraves à sua salvaguarda.
O cão constrói-se em casa e a sua cumplicidade alcança-se dentro das suas quatro paredes para mais tarde frutificar no treino. Perdoem-nos a fraqueza: a maioria dos cães vem para as escolas por falta de atenção no seu lar de adopção, por ausência do necessário acompanhamento doméstico que obriga ao conserto cinotécnico, que será mais ou menos duradouro, consoante a mudança de atitude dos donos, a sua permanência ou abandono nos maus hábitos que obstam ao melhor entendimento entre homens e cães.

ELES DIZEM-NOS QUE NÃO E NÓS TEIMAMOS QUE SIM! PARA QUÊ?

O adestramento, no seu sentido mais genuíno e autêntico, porque é obrigado a considerar os indivíduos, não é um método mas uma sumula deles, obrigando os seus agentes ao conhecimento, estudo, observação, temperança e versatilidade, considerando o reforço do carácter dos animais, a sua salvaguarda e autodefesa, princípios de respeito obrigatório para quem se dedica ao ensino dos cães de guarda ou treina outros para qualquer fim. O que torna qualquer método válido é a sua praticidade, assimilação e sucesso absolutos, tornando-se obsoleto quanto inválido, impróprio ou lesivo para um ou mais cães, ainda que por vezes o desacerto se deva mais aos agentes de ensino (adestradores e condutores) do que ao método propriamente dito, por não o terem compreendido, haverem-no transmitido mal ou por não ter sido correctamente assimilado.
Assim como não existe “tábua rasa” em matéria de ensino, também não existe um método universal no adestramento, porque mais do que adaptar o cão a um método, importa escolher o mais apropriado para o cão que temos na frente. Quando o método escolhido é impróprio, ou subaproveita-se ou esfrangalha-se o animal, que carregará as marcas do confronto das vontades, que tanto poderão levar à não-aceitação da liderança como ao seu temor, reacções extremadas que obstarão à constituição da equipa (binómio) e à complementaridade laboral do cão, que no primeiro caso não acatará as nossas ordens e que no segundo deixará de confiar em nós, deméritos que o levarão a desprezar a nossa segurança, quer atentando contra nós quer desprezando a nossa defesa. Ensinar cães nunca foi fácil e rebentá-los nunca foi difícil, porque adestradores seguros há poucos e cobardes não faltam, sobrando alguns que “mordem” nos cães como medo de serem mordidos, sobrecarregando-os na obediência para subverterem os seus impulsos à luta e à defesa, cujos benefícios vão muito para além do comum ataque à dentada.
A menos que se torne estritamente necessário, sendo muito raros os casos hoje em dia, nenhum método que se preste à confrontação entre homens e cães é válido, porque a resistência canina dificulta o seu aprimoramento e não estamos cá para dobrar cães mas para melhor aproveitar o que têm para dar, conceito que não é de hoje e sobre o qual assentaram os rudimentos da cinotecnia. E como cada cão é um caso, uns precisarão mais de regra e outros de alento, uns de travamento e outros de estímulo, porque nasceram assim ou não têm donos para os acompanhar. Todos sabemos que as alterações produzidas pelo treino não são definitivas e que o desuso das condições que as sustentam leva ao seu desaparecimento. Pergunta-se: que benefícios alcançados pelo treino terão maior duração, os tirados a partir das características individuais dos cães ou os alcançados por imposição? Como a resposta é óbvia, será o cão a indicar-nos qual o método a aplicar-lhe e não aquele que mais nos agrada ou no qual nos sentimos mais confortáveis.
Teimar com um cão por sistema é uma manifestação de impropriedade, falta de recursos ou subsídios, uma incapacidade que não esconde barreiras na comunicação e que provoca fricção e desgaste. Não estamos com isto a defender uma macedónia de métodos ou a dar a razão unicamente aos cães, muito pelo contrário, mas a afirmar que o adestramento não dispensa a sensibilidade e a clarividência responsáveis pela supressão dos momentos de tensão, imprestáveis a qualquer tipo de condicionamento. Dar a volta ao animal significa compreendê-lo, ajudá-lo nas suas dificuldades e usá-lo para fim útil segundo a sua vocação, pelo que importa induzi-lo e desprezar a prepotência.

HE WAS THERE, THEY WERE THERE!

Dez anos depois dos atentados terroristas ocorridos nos Estados Unidos sobre o World Trade Center, em 11 de Setembro de 2001, a fotógrafa Holandesa Charlotte Dumas decidiu retratar os cães de salvamento ainda vivos que vasculharam o “Ground Zero” na procura de sobreviventes, indo para o efeito ao lar de cada um deles. Naquelas operações de busca e salvamento participaram 100 cães, na sua maioria Labradores, que ao longo de semanas trabalharam dia e noite ingloriamente. O cão da foto acima, um Labrador chocolate chamado “Moxie”, agora com 13 anos de idade, foi um deles, vindo de Winthrop/Massachusetts com o seu treinador, o Sr. Mark Aliberti, trabalhando no meio dos escombros durante 8 dias consecutivos.
Apenas sobrevivem 12 cães dos usados naquelas buscas, mas o trabalho da holandesa, ao homenagear os vivos, está também a relembrar aqueles que já morreram, todos eles de valor inestimável e de dedicação insofismável. A reportagem da fotógrafa mereceu o sugestivo nome de “Retrieved”, numa aglutinação dos significados “retriever” e “retired”. Fizemos eco da notícia porque o ofício destes cães é digno de todo o mérito e ao fazê-lo desejamos que outros abracem o mesmo serviço, actividade maior e das mais dignas a que o adestramento se presta.

OS OUTROS AVIAM-SE, AMANHAM-SE E NÓS COMPRAMOS!

Contestação e falta de iniciativa sempre andaram de mãos dadas em Portugal, constituindo-se nos pilares-base para a desunião nacional, o que invariavelmente nos colocou na dependência doutros e nos tem votado ao servilismo pela necessidade de consumo, debaixo da sempiterna desculpa da falta de recursos naturais, como se o homem não fosse um agente transformador da natureza e a riqueza do nosso clima não concorresse a nosso favor. Depois dos gregos terem trazido a alfarrobeira da Ásia Menor, os árabes encarregaram-se de a transplantar para o Norte de África e dali para a Península Ibérica, o que veio a transformar Portugal no 3º produtor mundial de alfarroba, aqui também conhecida como “ouro negro do Algarve”, região onde são produzidas anualmente 50.000 toneladas. Exportamos alfarroba para vários continentes graças ao seu valor nutricional e variados usos industriais, que vão desde a confeitaria até à farmacologia, podendo ainda constituir-se, quando devidamente aproveitada, em biocombustível. A semente é processada em Portugal e os produtos obtidos são exportados para o Japão, Holanda, Dinamarca e EUA, remetendo-se o consumo interno maioritariamente à produção de ração para animais, subaproveitando muitos dos seus usos e acabando por comprar os seus derivados a outros, tanto por ausência de iniciativa como por atraso industrial, condições que não podem ser dissociadas e que mais desequilibram a nossa balança de pagamentos.
Há muito que a alfarroba é usada no fabrico de rações e biscoitos para cães, produtos que na sua esmagadora maioria importamos, porque os nacionais, quando comparados com eles, são de menor qualidade, quiçá também por menor investigação, ausência de meios, excessiva concorrência ou por não passarem da fase embrionária. Lá para os lados de Manchester/UK, onde a revolução industrial aconteceu a tempo e horas, uma loja para animais tem feito furor com “ovos da Páscoa” para cães, substituindo o cacau pela farinha de alfarroba na sua confecção, porque esta ao contrário do chocolate, que pode ser fatal para eles, não tem cafeína nem teobromina e apesar de ser rica em açúcares, tem um baixo valor calórico, não tem glúten, protegendo com as suas fibras naturais a flora intestinal, combatendo as úlceras, os radicais livres e as doenças crónico-degenerativas, tendo em simultâneo um potencial antioxidante muito elevado. E como se isto não bastasse, a acção das suas fibras, quando comparadas com as outras comummente usadas na alimentação canina, reduz para metade o colesterol no sangue. Graças à farinha de alfarroba, assim transformada no “chocolate” amigo dos cães, a Pet Shop de Chorlton esgota os “ovos” e não tem mãos a medir no Natal e na Páscoa, ocasiões especiais que levam os donos à distribuição de “miminhos” aos seus cães.
E se é reconhecida a superioridade da nossa gastronomia, confeitaria, pastelaria e panificação em relação à inglesa (há quem diga que isso ficou a dever-se também à aceitação das disposições do Concílio de Trento e de termos desprezado a Reforma e o pietismo dela divergente), pergunta-se: se temos a matéria-prima, produzimos a farinha e temos gente habilitada para o fazer, porque não fazemos nós os “ovos” e não os vendemos aos outros? Será por falta de lembrança ou por ignorância? Estamos convencidos que se alguém arriscasse fazê-lo, seria bem-sucedido e veria esgotado o produto como em Inglaterra, há imitação do que aqui sucede com o bolo-rei, até porque os portugueses são tradicionalmente mais passionais e mãos largas que os súbditos de Sua majestade e diante disto, bem que se poderia criar um novo ditado popular: “dá Deus alfarroba a quem não a sabe aproveitar!” 

O SENTINELA QUE SAI DE GATAS

Parece estranho e a nós também nos pareceu, que o 4º texto mais lido deste blog seja “ A CASOTA DO CÃO”, editado em 29/12/2009 e com 4336 leitores até agora. Se reparamos na foto acima começamos a compreender o porquê, já que o guardião da imagem é obrigado a entrar e a sair de gatas da sua guarita, quando deveria fazê-lo sem se agachar, contratempo bastante comum entre os cães cujos donos compram casotas já feitas e ignoram este pormenor, o que geralmente leva ao abandono ou desprezo dos habitáculos por parte dos animais, por se sentirem vulneráveis, incomodados ou verem dificultada a sua acção, particularmente aqueles mais despertos, activos e vigilantes. Depois de medida a altura do cão ao garrote ou cernelha, dever-se-á acrescentar-lhe mais 40 ou 45% (consoante as raças) para se determinar a altura conveniente da entrada da casota. Se for cachorro, tiraremos esse valor a partir da altura máxima adiantada pelo estalão para o seu sexo (isto se não for excepcionalmente grande); se for híbrido, mestiço ou sem raça definida a partir da sua altura expectável aos 12 meses, considerando os valores presentes nos seus progenitores (um cachorro aos 4 meses, com uma curva de crescimento vertical até aos 12, já apresenta 35% da sua altura definitiva). E porque existem outros pormenores a respeitar relativos à casota, aconselhamos a leitura do texto atrás indicado aos interessados.

QUAL SERÁ O MOTIVO (XXIV)?

O “Bambini” é um Pastor Maremano Abruzês que os seus donos adquiriram em Itália, quando para lá rumaram e foram visitar o centro daquele País. Compraram-no em cachorro na Cidade de Chieti, na Província de Abruzzo. Como a sua raça é própria para guarda e querendo usufruir da sua protecção, os donos acabaram por treiná-lo para esse serviço, encargo que prontamente assumiu. À parte disto, o “Bambini” é muito bonito e não raramente é convidado para fazer publicidade televisiva. Contudo, quando nas gravações, sempre que houve da boca do assistente de realização a voz de “acção” desata a ladrar e a rosnar, facto que obriga aquele técnico à troca de palavras, passando a usar “gravar” em vez de “acção”. Porque reagirá o cão assim? Hipótese “A”: Não vai com a cara do assistente de realização. Hipótese “B”: Estranha o silêncio do momento. Hipótese “C”: Reage assim porque desconfia dos operadores de camera. Hipótese “D”: Reage assim porque deseja os donos a seu lado. Hipótese “E”: Rosna e ladra porque confunde a palavra “Acção” com “Atenção”. Para a semana cá estaremos com um novo caso e adiantaremos qual a hipótese certa.

RESPOSTA DA SEMANA ANTERIOR

A resposta certa para esta rubrica da semana anterior é a Hipótese “C”: Vai lá porque alguém esconde ali comida. A Hipótese “A” é falsa porque os cães, antes de defecarem, rodopiam na procura do magnetismo terrestre e embrenhando-se dentro de um oleando tal seria impossível para o cão. A Hipótese “B” não deverá ser considerada porque debaixo de um oleandro a possibilidade de haver ervas é muito menor que em campo aberto, por causa da sombra ou ausência de luz natural. A hipótese “D” é totalmente descabida, já que o texto indica que o cão não corria atrás dos outros animais domésticos, com os quais se encontrava sociabilizado. O texto indica que o cão nunca se afastava muito dos donos, o que torna a Hipótese “E” destituída de qualquer fundamento.

NÓS POR CÁ: JOSÉ DA SILVA LOPES E MANOEL DE OLIVEIRA

Depois do recente desaparecimento do poeta Herberto Hélder (nunca tão falado em vida), faleceram no dia 2 do corrente mês, dois incomensuráveis vultos da nossa cultura: o economista e ribatejano José da Silva Lopes e o cineasta portuense Manoel Cândido Pinto de Oliveira. O primeiro passou a vida a alertar-nos para os pesadelos e o segundo a realizar sonhos, lembrando, quando comparados, as duas personagens centrais da obra mais conhecida de Cervantes, Sancho Pança e Dom Quixote, até porque Silva Lopes era de origem plebeia e Manoel de Oliveira da baixa fidalguia. O economista foi interventivo e como bom ribatejano sempre “pegou o toiro pelos cornos”, o cineasta sempre emanou uma aura de bondade e mistério, uma profunda paixão pela vida e seus prazeres. E talvez por causa disso, o portuense tenha vivido mais 24 anos do que o ribatejano, falecendo com a bonita idade de 106 primaveras. Um e outro foram objecto das mais altas distinções nacionais, outras se seguirão, já que os portugueses, por norma, valem mais depois de mortos. Vá-se lá saber porquê!
De Silva Lopes fica para a história a sua carreira no Ministério das Finanças, sendo depois do 25 de Abril de 1974 Secretário de Estado das Finanças do I Governo Provisório e três vezes Ministro desse pelouro nos II e III Governos provisórios e no III Constitucional, ocupando ainda o cargo de Ministro do Comércio Externo no IV Governo Provisório. Foi Deputado à Assembleia da República, Administrador e Representante de Portugal no Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento, Consultor do FMI e do Banco Mundial, Presidente do Conselho Económico e Social, Técnico consultor do Banco Lisboa & Açores, Membro do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos, Presidente do Conselho de Administração do Montepio Geral e 10º Governador do Banco de Portugal (a lista de cargos, trabalhos e intervenções dedicadas ao serviço público é quase infindável). Mais do que por via dos cargos que ocupou, Silva Lopes fica para os seus contemporâneos como um tecnocrata interventivo, pragmático, fácil de entender e por vezes desabrido, aqui e ali pautado por uma pontinha de humor. Exemplo do que acabámos de dizer é a opinião que manifestou ao “Jornal de Negócios”, em Junho de 2013: “Em Portugal, querem que o Governo gaste mais, não querem que o Governo aumente os impostos e querem que o Governo tenha um défice mais pequeno. Ora, isto é uma impossibilidade aritmética. E, no entanto, as mesmas pessoas, o mesmo grupo, o mesmo partido, querem estas coisas ao mesmo tempo. Este tipo de situações ilógicas é que nos levou a isto”. E sobre a relação entre o serviço público, ao qual dedicou a sua vida, e as novas gerações, é magistral o que disse: “Muitos não querem assumir a ideia de ir para o Estado porque não vale a pena. Ainda por cima, vão para lá e só levam pontapés nas canelas, mesmo que sejam bons ministros e estejam a fazer o melhor que podem… Um dos grandes dramas do país é que hoje ir para o Estado não tem prestígio. As boas capacidades do país estão a planear a campanha de um detergente. Ou num banco qualquer. O país está a aproveitar muito mal as suas capacidades”. Palavras proféticas?
Se é difícil enumerar o trabalho realizado por Silva Lopes, o mesmo acontece com o de Manoel Oliveira, azáfamas completamente díspares e encetadas por personalidades totalmente diferentes, ainda que igualmente notórias quanto ao número e qualidade. Manoel de Oliveira realizou 32 longas-metragens, 17 curtas e médias metragens e 9 filmes, participou como actor noutros 5 e supervisionou mais 2, ficando ainda com trabalho por concluir, porque aproveitou a vida ao máximo e era seu desejo fazer filmes até morrer, vontade e engenho que viu premiados ao longo de décadas nos mais prestigiados festivais dedicados à 7ª Arte. Como a sua obra é muito extensa, destacamos aqui três dos seus filmes que nos cativaram e que aconteceram em momentos diferentes da sua carreira: “Aniki-Bobó”, realizado em 1942, “Benilde ou a Virgem Mãe” de 1975 e “Non, ou a Vã Glória de Mandar” de 1990. Há um facto na vida de Manoel de Oliveira que é pouco conhecido pela maioria dos portugueses: na sua juventude, ele foi Vice-Campeão Nacional do Salto à Vara pelo Sport Club do Porto durante três anos consecutivos, com a marca de 3.35m. Com 25 anos de idade, em 1933, participou como actor secundário no Filme “ A Canção de Lisboa”, da autoria de Cottinelli Telmo, ao fazer o papel de Carlos, o amigo do Vasco Leitão (Vasco Santana) que chega num belo carro e que o leva até ao “Retiro do Alexandrino” (Casa de Fados). Morreu o mais velho realizador cinematográfico do mundo e sobre ele ainda muito se escreverá. Num ápice e no mesmo dia, Portugal perde dois dos seus filhos mais ilustres: o economista pessimista (realista) e o seu ícone maior do cinema, o primeiro livrou-se das “personagens” e o segundo ficou sem fita, atingindo como havia dito “o fim da macacada” (a morte).

quarta-feira, 8 de abril de 2015

1ª SEMANA DE ABRIL: 1 MILHAR DE LEITORES E PRIMAVERA RUSSA

A semana que passou foi a mais concorrida da história deste blog, que teve um milhar de leitores, mais 40% de visitantes do que o usual. Ontem parecia que era o Dia Nacional da Rússia, que se comemora a 12 de Junho para celebrar a Declaração da Soberania do Estado (efeméride que muitos cidadãos daquele País confundem ou ignoram), porque tivemos 100 leitores daquela República pela madrugada. A Rússia sempre nos fornece algumas dezenas de leitores semanalmente, sendo o País do Leste Europeu que mais concorre a este blog, seguido pela Ucrânia e pela Polónia. É possível que o pequeno artigo: “CARA DE UM, FOCINHO DOUTRO”, que editámos na semana passada, tenha contribuído para esta inesperada demanda, apesar de não ter sido objecto de muita procura e preferência, já que não aparece nos 10 mais lidos. Contrariamente, o texto: “UM VELHO E DURO INIMIGO: A PROCESSIONÁRIA DOS PINHEIROS” teve uma procura nunca vista, o que muito nos agrada, atendendo à época do ano e à nossa preocupação com o bem-estar canino. Resta-nos agradecer a preferência dos nossos leitores, que cada vez são mais além-fronteiras, manifestando-lhes o nosso desejo de continuar a servi-los, em prol dos cães e para felicidade dos donos.

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ UM VELHO E DURO INIMIGO: A PROCESSIONÁRIA DOS PINHEIROS, editado em 07/08/2010
2º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
3º _ QUAL SERÁ O MOTIVO (XXIII)?, editado em 01/04/2015
4º _ OUTRORA COM ELAS SEMPRE EM PÉ E AGORA COM ELAS MURCHAS!, editado em 01/04/2015
5º _ SALUKI: O PRÍNCIPE DO DESERTO QUE NUNCA DORMIU AO RELENTO!, editado em 02/04/2015
6º _ THE SAPPHIRE EYES, editado em 01/04/2015
7º _ RESPOSTA DA SEMANA ANTERIOR, editado em 01/04/2015
8º _ O ESTRANGULADOR, editado em 12/03/2010
9º _ O PESO DOS 4 MESES NO CÃO DO AMANHÃ, editado em 28/10/2010
10º _ O “CONDE” DO CEARÁ, editado em 01/04/2015

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país adiantou o seguinte resultado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Rússia, 4º Suíça, 5º Reino Unido, 6º Estados Unidos, 7º Alemanha, 8º França, 9º Ucrânia e 10º Macau.