domingo, 12 de outubro de 2014

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim distribuído:
1º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
2º _ CADERNO DE ENSINO: XXIX. TIRAR O MEDO AOS TIROS OU PREPARAR O CÃO PARA OS DISPAROS?, editado em 23/09/2010
3º _ ROTTWEILER E SERRA DA ESTRELA (O QUE OS UNE E SEPARA), editado em 07/10/2010
4º _ PASTOR DE SHILOH: SUPER-CÃO OU DECEPÇÃO, editado em 23/01/2014
5º _ O MELHOR E O PIOR DO PASTOR SUIÇO: ANÁLISE MORFOLÓGICA E FUNCIONAL, editado em 21/06/2011

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:
1º Portugal. 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Alemanha, 5º Reino Unido, 6º Espanha, 7º Ucrânia, 8º China, 9º França e 10º Israel.

sábado, 4 de outubro de 2014

COMEÇAR MAIS CEDO PARA MAIS TARDE FAZER MELHOR

Quando em 1991 começámos a treinar cachorros a partir dos 4 meses de idade, contrariamente à maioria que só os aceitava depois da maturidade sexual, por volta dos 8 meses, por conselho de alguns veterinários e seguindo a tradição que até ali reinava, para além de sermos incompreendidos, fomos rotulados de oportunistas, de agiotas e até de “matadores de cães”, mimos que não nos afastaram das razões que nos assistiam e que tornaram excelentes os cães que treinámos, mercê do “Método da Precocidade” preconizado por Trumler, um cinólogo infelizmente ainda pouco conhecido entre nós. Recentemente, ao repararem nalguns textos publicados neste Blog, vários alunos nos disseram que estamos a “abrir-nos demais”, a transmitir conhecimento de mão beijada para quem não nos merece. E nisto concordamos com eles, muito embora seja esse o nosso objectivo, porque muitos dos que saíram das nossas fileiras são hoje treinadores ou com aspirações para isso, uns melhores e outros piores, gente que tem ao seu encargo vários cães e que deverá amá-los, respeitá-los e aproveitá-los de modo condigno, visando a sua salvaguarda, longevidade, bem-estar, utilidade e coabitação harmoniosa na sociedade. O nosso objectivo é mais abrangente e estende-se também àqueles que, não sendo nossos alunos, precisam igualmente de ajuda, funcionando esta publicação como um manual de ensino à distância. Dando seguimento a esse propósito, o de valer aos cães, vamos tentar aqui desfazer equívocos, explicando as razões objectivas que nos levaram a aceitar cachorros na idade da cópia, prática que mantemos até à presente data.
Pensou-se e disse-se, não fossem a inveja e a má-língua instituições nacionais, que começávamos o treino canino mais cedo para mais cedo o alcançarmos, o que nunca objectivámos, porque bem depressa rebentaríamos os cachorros dos pontos de vista físico, cognitivo e social, mercê da sua fragilidade estrutural, do condicionamento abusivo e dos efeitos dele resultantes, castradores em absoluto da versatilidade canina que abraça um número cada vez maior de usos e disciplinas, sabendo-se que do exercício precoce da obediência resultaria a total apatia defensiva dos cachorros, pelo rebentamento do seu sentimento territorial, forçado pela a sobrecarga da liderança, assim alicerçada num travamento lesivo e injustificado, efeitos completa e totalmente antagónicos ao primeiro objectivo do adestramento: a salvaguarda dos cães, que considera como primordial o seu bem-estar. A somar isto, convém recordar que na década de 90 aconteceu o “boom” dos cães de guarda, altura em que os bancos ofereciam dinheiro pelo telefone e ele parecia nunca mais acabar, o que levou muitos, fatidicamente, à compra de segunda habitação, à aquisição de carros novos, à novidade de equipamentos e consequentemente a um exagerado endividamento familiar. Nós como outros, vivemos dos clientes e naquele tempo não podíamos produzir cordeiros, quando se procuravam lobos, o que desde logo tornou injustificados os ataques ao nosso método e fez dos seus detractores mentirosos, nomeadamente os que o consideravam nocivo para os cães de guarda (nessa altura chegámos a ter 48 Rottweilers em treino e que se revelaram excelentes na Disciplina de Guarda).
Quer se brinque ou se exija, se ludibrie ou se estimule, se procure o truque ou se domine a técnica, o treino canino sempre será mais anaeróbio do que aeróbio, por força da preparação específica que garante a complementaridade, pelo que importa contrabalançá-lo com exercícios aeróbios que suportem e minimizem o desgaste indutor às lesões. E essa é a primeira das preocupações do “Método da Precocidade”, que ao decidir acompanhar os ciclos infantis dos cachorros, garante-lhes por mais tempo os exercícios aeróbios necessários à prática anaeróbia. Por outro lado, esse aumento do tempo de treino, sensivelmente mais 3 meses, irá ajudar os donos menos aptos e deixá-los em igualdade de circunstâncias com os demais condutores, para além de levar todos a uma melhor relação binomial, mercê do trabalho conjunto e assim prolongado, o que será também excelente para o estabelecimento de rotinas visando o bem-estar dos cães, tarefas relativas ao seu entendimento, higiene e necessidades específicas. Não trabalhamos mais cedo para mais cedo alcançarmos, começamos mais cedo para melhorar a futura prestação dos animais, dotando-os de uma experiência variada e rica que melhor os sociabilizará e os capacitará prós diferentes serviços. O aumento do tempo de treino irá ainda possibilitar, pela observação detalhada, o acerto nas carreiras a atribuir a cada cão, de acordo com as suas capacidades, qualidades e propensões (físicas, cognitivas e psicológicas).
Em síntese, o “Método da Precocidade” promove o impulso ao conhecimento canino, pode operar a correcção morfológica dos cachorros (aprumos), melhor capacita e responsabiliza os condutores, reforça o carácter dos cães, melhora as sua performances atléticas e torna a sua sociabilização mais fácil, porque irá acontecer antes da maturidade sexual e dos seus entraves. Dos 4 aos 6 meses de idade, do ponto de vista cognitivo, os cachorros encontram-se na “idade da cópia”, aprendendo por exemplo e imitação as lições dos cães adultos, vindo a escalonar-se socialmente por volta dos 6 meses. Neste período a plasticidade física acompanha a cognitiva, tornando possível a correcção morfológica, através de aparelhos que para isso concorrem, suprimindo ou suavizando desaprumos tais como: pé-chato, abatimento de metacarpos, mãos divergentes, peito estreito, dorso selado e jarrete de vaca. Essa correcção irá ser possível pela obediência dinâmica, que a partir de aulas colectivas, estimulará os mais novos a seguirem os cães adultos sobre os obstáculos próprios para a sua idade, que sendo baixos e pouco extensos, são por natureza mais aeróbios do que anaeróbios, causando-lhes apetência e livrando-os da saturação. A exemplo da musculação, também a correcção morfológica canina acontece da parte para o todo, o que a torna também anaeróbia, porque jamais se corrigirá o dorso selado se não vencermos primeiro as suas possíveis causas (mãos divergentes, dedos abertos, abatimento de metacarpos, peito invertido e descodilhamento locomotor).
No nosso modesto entender, ratificado pelos resultados que sempre obtivemos, todos os cachorros deverão ser convidados para os obstáculos e usufruir dos seus benefícios, obstáculos que nunca deverão ser superiores à sua apetência e capacidade de resolução. Como subsídio para a prática dos obstáculos, sempre usámos a marcha como pré-requisito, numa toada de 3km horários dos 4 para os 5 meses e de 5km horários daí para diante, enquanto andamento musculador por excelência, que garante a transição segura e natural prós restantes andamentos. À marcha atrelada sempre dedicámos 3/4 das aulas e aos obstáculos a parte restante. Explicámos algumas das razões relativas ao método que aperfilhámos, seguimos e recomendamos, apesar de ainda sobrarem muitas (temos consciência disso). Esperamos que assim nos compreendam melhor, isto se não nos houvéssemos já feito entender ou se ainda nos houvessem compreendido. Voltaremos à temática sempre que o esclarecimento se justificar.

JOGADA DE MESTRE

Diz-se por aí à boca calada uma mentira desgraçada, que alguns veterinários, assim como quem não quer a coisa, até porque o segredo é alma do negócio e o mundo é dos espertos, foram até Espanha adquirir algum créditos na área de comportamento animal, no intuito de leccionarem numa faculdade privada um curso de treinadores de cães. Ao que parece, os agora docentes daquela cátedra, pouca ou nenhuma experiência têm no adestramento. Ainda bem que não optaram por ser equitadores ou mestres de equitação, porque sem saberem aparelhar, montar e equilibrarem-se num cavalo, bem depressa cairiam dele abaixo. E como um mal nunca vem só e a maledicência parece não ter fim, dizem que os alunos daquele curso, nem numa trela sabem pegar. Se Fernando Pessa ainda por cá andasse, sempre diria desta jogada: “E esta, hein!”. Não obstante, estamos a lembrar-nos dum amigo nosso, de origem alemã e pródigo na sua língua materna, que ao ter conhecimento disto, certamente diria: “vão apanhar umas valentes dentadas no «schwantz»”. Sempre um homem ouve cada coisa! 

ELES CHEGARAM BEM E O RADAR TAMBÉM!

Desta vez foi de vez! O João Carreiras, a Joana Melo e o Radar já se encontram em Sheffield, cidade inglesa para onde irão morar nos próximos anos, mercê de melhores condições formativas, laborais e salariais. A viagem de Lisboa para Sheffield foi feita de carro e demorou três dias, sem tensões e com muitas paragens, para o Pastor Alemão esticar as pernas e satisfazer as suas necessidades fisiológicas. No primeiro dia chegaram a Bayonne e ali pernoitaram, no segundo foram até Calais e no terceiro pisaram finalmente solo inglês. A travessia do Canal da Mancha foi feita por ferry, porque o João sofre de claustrofobia e a hipótese de o atravessar via túnel ficou fora de questão. Chegaram bem, a casa parece reunir todas as condições, tem um bonito e cuidado jardim e o Radar está a adaptar-se (mas depressa se adaptará o cão do que nós à sua ausência e dos seus donos).
Porque deixaram aqui familiares e amigos, voltaremos a vê-los já na próxima quadra natalícia, altura em que terão muito para contar sobre a sua permanência em terras de Sua Majestade. O número do telemóvel português da Joana já está desactivado e cedeu lugar a um inglês Contudo, o correio electrónico da nossa amiga continua o de sempre e quem quiser contactá-la já sabe como o fazer. Nós sempre estaremos em contacto com eles porque, para além de alunos, são amigos e nesta vida eles são muito poucos. Com isto, perdemos o cão fila-guia da escola, um camarada que construímos ao longo de três anos e que guardamos nos nossos corações, pela sua irreverência, disponibilidade e alegria. Desejamos sucesso e apostamos no seu sucesso, porque os conhecemos bem e são para nós família (Radar inclusive). A maior dificuldade que a família irá sentir será no trânsito, porque ali acontece pela esquerda, contrariamente ao que acontece no restante continente europeu. O João já se integrou e a Joana não deverá ter grandes dificuldades nisso, até porque sempre será mais fácil ambientar-se a Sheffield do que à Mata Amazónica, local donde recentemente saiu. Felicidades! No Natal cá vos esperamos.

MORREU UM FLAVIENSE: ALPOIM CALVÃO

Se não podemos condenar Álvaro Cunhal por ter sido fiel às suas convicções, muito menos poderemos condenar Alpoim Calvão por ter arriscado a pele a bem da Nação. E dizemos isto por apego à verdade dos factos e não por sermos saudosistas ou adeptos de qualquer fascismo, quer ele provenha da direita ou da esquerda. A história encarregar-se-á de lhe fazer justiça. Morreu o Comandante da “Operação Mar Verde”, um dos militares mais condecorados do País, um operacional renomado e um excelente fuzileiro. O seu funeral foi discreto em honrarias mas farto em marinheiros e fuzileiros, ex-combatentes anónimos que vieram prestar-lhe a última homenagem, uns vestidos de branco e outros de boina na cabeça. Por ter acreditado nas suas convicções e de as ter defendido até ao fim, sendo um anti-comunista ferrenho, acabou vítima da política e dos políticos, sobre os quais disse um dia, a respeito da guerra colonial e da descolonização: "Em termos puramente militares, todos sabem que uma guerra de guerrilha não se ganha nem se perde. Aliás, as guerras são iniciadas pelos políticos e têm de ser terminadas pelos políticos. Os militares limitam-se a aguentar o espaço e o tempo para se desenhar uma solução política. A solução política a que os políticos chegaram foi o desastre que foi. Para ambos os lados”. Quem desejar saber mais sobre este extraordinário militar português nascido em Chaves, poderá adquirir a sua biografia com o título “ Alpoim Calvão – Honra e Dever”, da autoria do jornalista Rui Hortelão e dos Capitães-de-Fragata Luís Sanches de Baêna e Abel Melo e Sousa. Evoca-se o homem e regista-se a efeméride.

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos deu o seguinte resultado.
1º _ EU QUERIA UM PASTOR ALEMÃO, DE PREFERÊNCIA TODO PRETO, editado em 05/06/2010
2º _ SÓ AGORA É QUE SE LEMBRARAM DISSO?, editado em  28/09/2014
3º _ UNS ENSINAM TUDO E OUTROS QUASE NADA, editado em 28/09/2014
4º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
5º _ O CÃO LOBEIRO: UM SILVESTRE ENTRE NÓS, editado em 26/10/2009 

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º França, 5º Ucrânia, 6º Alemanha, 7º China, 8º Reino Unido, 9º Espanha e 10º Turquia

domingo, 28 de setembro de 2014

SÓ AGORA É QUE SE LEMBRARAM DISSO?

O apogeu das cinotecnias civis a que assistimos, tem desconsiderado a sua origem militar, primeira responsável pelo seu avanço, ao ponto de a desprezar e agora a adulterar, repetindo erros que já conhecidos e vencidos em décadas anteriores, mercê da ignorância que desconsiderou a história. Estamos em crer e julgamos não estar enganados, que entre os adestradores militares de hoje, poucos serão os que leram as obras de Costa Campos e os manuais de Colares Rodrigues, apesar destes ilustres desconhecidos terem enaltecido de sobremaneira a cinotecnia nacional (o César Milan é o maior!). Hoje fala-se muito de exercícios anaeróbios e aeróbios, dois conceitos que obrigarão muitos a ir ao Google ou ao dicionário. Os exercícios anaeróbicos apontam para actividades físicas que exigem movimentos rápidos e de alta intensidade, geralmente destinados a atletas carenciados de força e de massa muscular (ex: musculação, sprints e saltos). Os exercícios aeróbios, mais ligados ao bem-estar geral, que trabalham uma grande quantidade de músculos de modo ritmado, são contínuos e prolongados, e quando usados sistematicamente, são os que trazem maiores benefícios para a saúde (ex: andar, correr, nadar e pedalar). Agora alguns “inovadores” intentam trazê-los para o treino canino. Porque só se lembraram disso agora, reconhecidos que são os seus benefícios? Será que no passado ninguém se lembrou disso e não constatou da sua necessidade?
Desde que existem pistas tácticas, aqui tão pouco vistas e que sofreram especial incremento durante e após a I Guerra Mundial, que os exercícios anaeróbios e aeróbios se fazem presentes no currículo a ministrar aos cães, mercê de necessidades específicas relativas ao seu desempenho, enquanto cães de guerra e depois policiais, testemunho confirmado pela natureza dos obstáculos escolhidos, o que torna gratuita a presente inovação e rotula de ignorantes os seus autores, muito embora a sua preocupação seja válida e resulte da necessidade, mercê da sobrecarga anaeróbia que vitima os actuais cães desportivos, em constante risco de lesão e afastados dos exercícios aeróbios que melhor os protegeriam, na relação ideal entre a preparação geral e a específica (temos andado a estoirar cães e a remeter para a sorte a sua saúde).
Considerando o pentatlo funcional exigível aos actuais cães desportivos, que passa pelo aumento da velocidade, da capacidade de salto em extensão e da resistência (pelo robustecimento da coluna vertebral e da caixa torácica), por maior poder de rotação e maior força de ombro (para se evitarem os riscos de lesão), adiantaremos seguidamente os obstáculos e exercícios, tanto anaeróbios como aeróbios, há um século utilizados e por nós usados há mais de quatro décadas, enquanto praticantes e adeptos das pistas tácticas, outrora também entendidas como “pistas de fogo”, enquanto simulacros para o anfiteatro operacional.
Jamais treinámos uma disciplina específica ou uma aptidão em particular sem operar a devida correcção morfológica dos cachorros, aproveitando a sua fase plástica e os aparelhos passíveis de operar essa correcção. Nunca sugerimos ou exigimos percursos de galope a cachorros com idade inferior aos sete meses e sempre esperámos pela sua maturidade sexual. Como preparação para o galope, no intuito de robustecer os indivíduos e facilitar as transições dos seus andamentos naturais, sempre optámos pelo desenvolvimento da marcha até alcançar a sua suspensão, mais-valias que alcançámos pelas verticais do perímetro exterior, pela totalidade dos seus obstáculos e pelo contributo do “Extensor de Solo”. Para além do uso da marcha, sempre tirámos partido da natação e abominámos a tracção. O treino do galope propriamente dito, sempre o iniciámos em pisos de areia molhada ou em terrenos de terra solta, numa frequência moderada, passando gradualmente para os relvados e daí para os mais duros, em distâncias nunca superiores aos 100m. Temos usado como estímulos para o disparo dos cães o chamamento pelo dono, o instinto de presa, a perseguição de pessoas ou objectos e a competitividade entre iguais. O treino anaeróbio do galope sempre nos remeteu para os 12 ou 18 meses de idade nos cães, no intuito de os isentarmos do risco de lesões.
O aumento da capacidade do salto em extensão, que resulta primeiro da capacidade de impulsão pronta e imediata, temo-lo alcançado pelo concurso de verticais consecutivas de 50cm de altura e distantes entre si a 1m. Uma vez alcançada essa capacidade, respeitando igualmente a idade dos cachorros e considerando a sua maturidade sexual, temos avançado sem maiores delongas para o salto em extensão, primeiro sobre a ponte-quebrada e o exel, e depois sobre o extensor de solo, indo gradualmente aumentando o número de varas a saltar. Qualquer cão médio-grande assim treinado poderá vir a saltar 3.75m de extensão, desde que a divisão da sua altura pelo peso não exceda 1.8 (já tivemos cães a saltar mais de 5m de extensão). Na transição dos exercícios aeróbios para a prática anaeróbia sempre nos valemos dos obstáculos do perímetro exterior (mesa alemã, verticais de 20 e 50cm, podium, extensor de solo, exel a 80cm, bidons, muro de 1.08m e paliçada). Há muito que sabemos que o aumento da resistência nos cães se encontra relacionado com o robustecimento da caixa torácica e da coluna vertebral, por causa isso sempre nos valemos dos primeiros obstáculos de cada grupo para a sua obtenção e ao nosso dispor na pista táctica.
Pela sua importância e eminente risco de lesão, mais nos interessa falar sobre o robustecimento dos ombros que opera as rotações seguras. Para o fortalecimento dos ombros somos obrigados a socorrer-nos de figuras de obediência e obstáculos que exigem o robustecimento da parte para o global, exercícios de indubitável cariz anaeróbio. Escavar, escalar, nadar, recuar e rastejar são comandos que operam esse robustecimento, quando usados com conta e medida e de acordo com a idade e morfologia dos cães. Todos os obstáculos elevadores (rampas) contribuem para o mesmo fim, tanto na sua entrada como na sua saída, quer os cães subam ou desçam. O robustecimento dos ombros não dispensa a correcta marcação do salto e a saída equilibrada dos cães, quando na transposição de verticais ou de obstáculos tipo alvo, já que as saídas oblíquas tendem a lesionar os cães e a aumentar a sua resistência aos obstáculos. Como se depreende os trabalhos são primeiro desenvolvidos á trela e posteriormente em liberdade. Escusado será dizer que a prática da marcha diária, normalmente com uma hora de duração e numa toada de 5km horários, também contribui para o mesmo objectivo (o robustecimento dos ombros), uma vez que obriga ao mesmo trabalho e intensidade os quatro membros. Baloiços e obstáculos oscilantes servem prestam-se para o mesmo fim.
O desprezo pelas pistas tácticas encontra-se intimamente ligado ao desconhecimento biomecânico da maioria dos actuais condutores caninos, a quem é visível um sem número de dificuldades técnicas e que levam muitos a não saberem pegar numa trela, o que os impede de muscular correctamente os cães ao seu encargo. E como se isto não bastasse a obediência dos seus pupilos é precária e dependente de condições, factos que aumentam o risco de acidentes. Desprezar as pistas tácticas é relegar para nunca mais a correcção morfológica dos cães, a melhoria dos seus aprumos e isentá-los de uma experiência variada e rica. E o que dizer do desconhecimento biomecânico? Como poderão levar a cabo os exercícios anaeróbios e aeróbios indispensáveis à melhor prestação dos cães? O remédio vem agora de umas bolas e almofadas que se prestam ao aumento do equilíbrio canino, o que nos leva a dizer: com papas e bolos se enganam os tolos! O concurso às pistas tácticas mantém nos cães a massa magra que induz ao aumento da sua longevidade (dentro do peso atlético), dá conhecimento objectivo sobre a biomecânica canina e desenvolve um número infindo de aptidões. Apesar de muitas escolas caninas terem nomes pomposos, não passam de simples “lanchonetes”, considerando a disparidade entre a pobreza do seu parque de obstáculos e o stand da venda de acessórios, rações e biscoitos. Por todo o lado se sentem ventos de mudança e mais cedo que se espera, as pistas tácticas estarão de volta, até porque não há mais nenhuma volta a dar!

UNS ENSINAM TUDO, OUTROS QUASE NADA

Viajando incógnitos num périplo pelas escolas caninas nacionais, onde cresce o número de sequazes dos mestres desenrascados, pretensamente certificados e inovadores, como sempre aconteceu (pela ignorância que suporta a lei do bota abaixo, a esperteza saloia erige os “entendidos”), olhando para os históricos que estiveram na sua origem e lhes serviram de inspiração, notoriamente mais práticos do que eruditos, ainda que alguns deles se alvitrem agora em conferencistas, para ultraje da gramática, da retórica e do conhecimento científico, porque badalam o que rascunharam, não compreenderam e lhes soa bem ao ouvido, o que em tudo lembra as considerações de Espinosa acerca dos académicos coimbrões do seu tempo, pudemos dividi-los em dois grupos: uns que ensinam tudo o que sabem e outros que têm como sabedoria pouco ou nada ensinar, apesar de ambos acabarem depauperados, vituperados e isolados, uns pelo aumento da concorrência que os ultrapassará e os outros pela aversão que os votará ao abandono, fenómenos também reforçados pela marcha do tempo, que sempre opera a inevitável substituição das gerações. E se assim é e for para bem, que venha daí o progresso!
Exemplo do que acabámos de dizer tem sido o antagonismo prático entre dois adestradores civis, sobejamente conhecidos no nosso panorama, de origem comum e escola idêntica, concorrentes ao longo de décadas e outrora na berra, hoje à beira da substituição e menos solicitados, homens que ficarão para a história da cinotecnia nacional pelo que fizeram e pelo seu particular, enquanto pioneiros e mestres de referência, justificando-se avaliar o seu legado, reconhecer as suas virtudes e aprender com os seus erros. O primeiro deles, que trataremos aqui como “alfa”, um passional canino, notoriamente extrovertido e pouco precavido, cuja maior qualidade é tratar todos os cães como seus, dedicando-lhes o melhor de si e suscitando dos donos cumplicidade e empenho, não se inibe em ensinar tudo o que sabe, sempre acaba por se expor, sendo um homem “de tudo ou nada”, daqueles a quem se ama ou se odeia. Apoia abertamente qualquer causa e abraça qualquer um. A sua franqueza tem vindo a engordar a barriga de muitos, particularmente daqueles, que à sua sombra, alcançam algum gabarito e teimam em pôr “os corninhos ao sol”, desafiando-o e vindo depois a concorrer-lhe. Dominado pelo empirismo, que até hoje lhe tem bastado, peca por falta de erudição e inovação, tratando jocosamente os novos companheiros de profissão por “doutores e engenheiros caninos”.
O outro, tratado aqui por “beta”, é a sua antítese perfeita, mais introvertido e ambicioso, falsamente titubeante nos esclarecimentos, menos apostado no progresso dos cães, adepto do “dar tempo ao tempo”, perito no uso de regras para benefício próprio, reticente em ajudar, frívolo na escolha das suas vedetas (que só o serão se lhe derem interesse) e indiferente quanto baste ao desacerto dos seus pupilos. Guarda para si o que sabe, não se descontrola e garante a liderança, não se desnuda, é selectivo e cerca-se de quem se presta à sua ascensão. Hábil no “cala-te boca”, semeia dissensões para enfraquecer a concorrência e sai de mansinho. Atento ao que se passa além fronteiras, inova pelo plágio e busca os louros, ainda que nem sempre dê continuidade a essas modalidades e disciplinas, particularmente quando fáceis ou tornadas comuns. Falsamente humilde, espreita oportunidade e serve-se do adestramento como trampolim, usando-o como acréscimo para alcançar parcerias mais rentáveis, não se escusando a recrutar a outros para atingir os seus objectivos, mesmo aqueles por quem nutre alguma antipatia, intentando ser manager de tudo e de todos.
Graças à paixão duns e à ambição doutros, agora secundados por praticantes com idênticas características, a periclitante cinotecnia civil portuguesa instituiu-se, enquanto geração artificial e proveniente da enxertia estrangeira, muito embora subsista pelo improviso e careça do impulso alheio para a sua continuidade, porque somos naturalmente avessos à mudança e mais chegados à vaidade, cegueira que continua a obstar à investigação, ao conhecimento científico, ao progresso e à formação de uma verdadeira escola de cariz nacional. É chegada a hora, que já peca por algum atraso, dos nossos etólogos enriquecerem os práticos com o conhecimento erudito, de baixarem às escolas e de prevalecerem os seus currículos pelos resultados no terreno, transitando assim da teoria à prática e valendo a quem deles necessita, já que o adestramento é uma actividade objectiva e mensurável, que dispensa dogmas e sofismas. É triste relembrar uma frase já batida: “para fazer um clube bastam dois ingleses e para o desfazer dois portugueses bastam”. O Treino canino deverá congregar todos o que para ele concorrem e nunca constituir-se em tomo de discórdia, porque só assim a nossa cinotecnia se perpetuará e abandonará o seu carácter rudimentar, sectário, quase marginal, chauvinista e alquimista, pródigo em mitos e retrocessos.

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ OS AFRICANOS E OS CÃES, editado em 16/11/2013
2º _ SIM! EU ACREDITO NO CÃO MACACO, editado em 17/12/2012
3º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
4º _ O MELHOR E O PIOR DO PASTOR SUIÇO: ANÁLISE MORFOLÓGICA E FUNCIONAL, editado em 21/06/2011
5º _ EU QUERIA UM PASTOR ALEMÃO, DE PREFERÊNCIA TODO PRETO, editado em 05/06/2010

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país deu o seguinte resultado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Roménia, 5º Alemanha, 6º Ucrânia, 7º França, 8º Espanha, 9º China e 10º Reino Unido.

sábado, 20 de setembro de 2014

NÃO FAÇA DELE UMA GIRAFA

Há muito que gostaríamos de ter posto uma pedra sobre este assunto, mas infelizmente sempre somos obrigados a abordá-lo, contrariados e face ao mal-estar dos cães. Bem sabemos que as diversas raças caninas apresentam diferentes angulações de metacarpos, mas em nenhum delas é desejável o seu exagerado abatimento, insuficiência grave e de funestas repercussões, considerando risco de lesão, o mal-estar que provocam, o esforço a que obrigam, as agressões sobre o esqueleto, a perca de qualidade de vida e o seu encurtamento. Se a anomalia for de origem genética, pouco ou nada haverá a fazer, muito embora os ortopedistas possam, dependendo dos casos, minorar a deficiência e os seus efeitos. Felizmente que o fenómeno, ao contrário do que por aí se prega, é na maioria dos casos de origem ambiental, resultando das más dietas e da sua distribuição em acessórios impróprios, comedouros e bebedouros colocados no chão, que obrigam os cães a comer e a beber como as girafas da foto, desengonçadas e em esforço.
O ideal, aquilo que é desejável, é que os cães comam em comedouros reguláveis, colocados a uma altura 5cm abaixo da encontrada ao seu garrote, para que não venham a perpetuar o abatimento de metacarpos, o pé chato, a divergência de mãos, o estreitamento do peito, o descodilhar em marcha, o selamento do dorso e a agravar o jarrete de vaca. Proceder assim, é também dar combate à indolência e à obesidade, aumentando os índices de prontidão dos nossos fiéis amigos, que doutro modo se tornarão bonacheirões, desatentos, menos propensos à parceria, mais irritadiços e resistentes à novidade de desafios, já que a breve trecho, por lhes ser mais cómodo, acabariam por comer deitados. Mas mais importante ainda que as razões físicas e psicológicas, sobressai a relativa à sua salvaguarda, já que comer à altura certa é prevenir contra os envenenamentos, pela alteração de hábitos que induzirá ao desprezo pela comida jogada no solo, estratégia que ajudará de sobremaneira a recusa de engodos e levará à formação de cães impolutos e incorruptíveis, se formos ajustando a altura dos pratos de acordo com o crescimento dos cachorros.
Considerando esta última preocupação e vantagem, encaramos com alguma reticência a introdução à pistagem pelo recurso a engodos, apesar de se tornar mais fácil para os cães e menos trabalhosa para os donos. Ainda que mais tarde esse procedimento venha a ser abandonado, ele não desaparecerá por decreto e poderá ficar para sempre gravado na memória afectiva dos cães. Somos conhecedores dos diferentes aproveitamentos do faro canino e reconhecemos que algumas especialidades não dispensam este tipo de procedimento, contudo ele não deve ser único, não é absoluto e nalguns casos é até contraproducente. Como não nos dedicamos à detecção de explosivos, de drogas ou de cadáveres, sempre preterimos a indiciação pelo aproveitamento dos círculos odoríferos. Todos já vimos na televisão, que até tem um canal que a isso se dedica, perseguições empreendidas por cães policiais, normalmente bem sucedidas para mal dos fugitivos, geralmente reclusos evadidos ou criminosos a monte com bloodhounds no seu encalço. Até hoje eles não se lembraram, dizemos nós por ausência de notícia, de engodarem os seus trajectos ou de criar outros com comida envenenada, valendo-se dos produtos químicos usados nas limpezas e lavandarias das penitenciárias, capazes de imobilizar, afrouxar, desnortear e até matar os seus perseguidores de quatro patas, isto se induzidos à perseguição pelo recurso ao alimento.
Mas deixemo-nos de suposições e doutras realidades, de dramas quotidianos que mais parecem ficção. O que importa guardar é que os cães devem comer à altura certa, para não sofrerem indesejáveis alterações físicas e psicológicas, responsáveis pela menor qualidade de vida e pelo seu subaproveitamento, para melhor resistirem ao suborno dos envenenadores que sempre os cercam. O facto dum cão comer à altura certa, não irá dispensar o treino aturado na recusa de engodos, mas facilitá-lo-á e muito, pelo abandono dos maus hábitos que atentam contra a sua vida. 

REDE OU VARÕES?

Apesar das redes serem mais baratas, terem desenhos apelativos e serem de fácil aplicação, sempre será melhor optar por um gradeamento em varões para as frentes dos canis, para que os cães não prendam lá as mãos e venham sistematicamente a incorrer na luxação dos ombros, malefícios recorrentes nas cercas de rede. Os varões deverão ser de alto a baixo, sem travessas de junção, somente soldados nas suas extremidades à armadura ou caixilho. A distância ideal entre eles é de 80mm e o seu diâmetro deverá ser de 20mm. Até pelas frentes dos canis se reconhece quem percebe da arte e em que consideração tem os seus cães. Se tem frentes em rede, quando tiver pecúlio para isso, proceda à sua substituição por gradeamentos de varões, para que possa dormir descansado e sem preocupações. Os cães agradecem!

FROM THE UK WITH LOVE

Ainda que o título do artigo se preste a isso, não vamos aqui falar do recente referendo acontecido na Escócia, onde o “Não” ganhou e o Reino Unido continua como até aqui, constituído pela Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte, apesar de reconhecermos que o medo da mudança foi fatal para os independentistas. David Cameron, o primeiro-ministro inglês, terá que honrar as promessas atabalhoadas que fez a galeses, escoceses e irlandeses e terá à perna os Torys, o que não será nenhuma pêra doce, considerando o histórico carácter conservador inglês. A foto acima mostra um hotel para cães no Reino Unido, nomeadamente a sua entrada e as suas cercas, cujo desenho aplaudimos sem qualquer reticência, uma vez que os varões do portão e do muro do lado esquerdo se encontram rematados com esferas e a cerca de madeira do lado direito também não apresenta qualquer perigo para os cães. Vale a pena reparar no gradeamento do lado esquerdo, colocado a meio da largura do pequeno muro, o que impedirá o apoio e a fuga dos animais ali hospedados. Se o seu cão é um saltador ou pratica uma modalidade cinotécnica que faz usos dos saltos caninos e procura a sua potenciação, é de todo conveniente que os varões dos gradeamentos tenham mais 1.8m e sejam rematados com esferas, com o dobro ou o triplo do seu diâmetro, para que os cães não se firam ao intentarem transpô-los. Rematar varões com pontas de seta é um autêntico disparate, porque alguns cães já lá ficaram espetados e com rasgos assinaláveis. E se alguns não morreram, tal se deveu ao seu socorro imediato. Fica o aviso.

O VELHO DO OLHAR EMPEDRENIDO

Vimo-lo casualmente ao olharmos pela janela do carro, imóvel, gasto e já curvado, de queixo levantado, no meio da mata e entre as penhas, de olhar fixo e demorado na serra, como se ali não estivesse ou dali nunca houvesse saído, enquanto a brisa nocturna chegava e não se avistava vivalma. Temendo o pior pelo anormal daquele avistamento, saímos da viatura e decidimos entabular conversa com ele, talvez precisasse de algo, fosse vítima de assalto, tivesse sido abandonado, estivesse doente ou perdido. Apesar dos estalar das folhas que denunciavam a nossa aproximação, ele manteve-se impenetrável como imbuído de determinada missão, indiferente à nossa presença, com os olhos postos na mesma direcção. Junto dele, vimos cair-lhe uma lágrima furtiva sobre a boca contraída, que ele tentou disfarçar pelo enrugar da face. Intrigados e perplexos, hesitámos em falar-lhe, temendo ser inoportunos e não sabendo o que dizer-lhe. Passados alguns segundos, inesperadamente, diz-nos: “Descansem que estou bem, venho visitar uma amiga, regressar ao passado e matar saudades, lembrar a alegria para que a tristeza não me abata!”.
E continuou: “ Fiz a mesma caminhada que fazia com ela a pé, cerca de uma légua, em passo apertado e pelo lado esquerdo da estrada, o mesmo percurso ao longo de 11 anos. Ela ia a meu lado sem puxar, alegre, atenta e invariavelmente a olhar para mim. Aqui costumava soltá-la, tirar-lhe a trela e mandá-la para diante. Na mata sentia-se como em casa, desaparecia por entre os arbustos e corria serra acima. Eu deixava de a ver, sabia por onde andava pelo abanar dos fetos, até que finalmente parava naquela penha mais alta, vitoriosa e desafiadora, ladrando para que a acompanhasse. Ainda parece que a vejo, focinho ao vento, orelhas erectas, de postura solene sobre o horizonte. Vou voltar para casa sozinho, mas enquanto aqui estou, sinto a sua presença e saio reconfortado. Amanhã cá estarei de novo! Venho aqui todos os dias à mesma hora, menos às Terças, porque saio da fisioterapia já cansado. Morreu a olhar para mim na mesa do veterinário, envenenada não se sabe por quem, de olhos vidrados, sem convulsões e em silêncio, provavelmente vítima de um vizinho mal intencionado. Como não a enterrei, continua viva para mim, a correr por esta encosta acima e aqui reencontro-me com ela”.
Aturdidos com a narrativa, perguntámos-lhe como se chamava a cadela. “ Ela chama-se Beth, porque ainda vive em mim!” – respondeu-nos compenetrado e imóvel, como quem não pode e não quer ser distraído. Momentaneamente, apeteceu-nos confortá-lo e abraçá-lo, manifestar a nossa solidariedade e aconselhá-lo a adquirir outro cão. Mas como não nos deu entrada para isso, sentindo-nos infiéis perante tamanha peregrinação, zarpámos dali com cordiais votos de saúde, jurando para nós mesmos que jamais retornaríamos àquele local na mesma hora. De volta a casa e aos treinos, sensibilizados por aquele encontro, alterámos o plano de aula e procedemos à recusa de engodos, motivando os donos pela desgraça daquele binómio, outrora real e agora fictício, para que não venham a sofrer o mesmo desgosto e idêntica alienação. A história é real e não acontece só aos outros, acontece com mais frequência a quem ignora o seu desfecho.

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ A CASOTA DO CÃO, editado em 29/12/2009
2º _ SIM, EU ACREDITO NO CÃO MACACO, editado em 17/02/2012
3º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
4º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIFERENTES LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2013
5º _ O MELHOR E PIOR DO PASTOR SUIÇO: ANÁLISE MORFOLÓGICA E FUNCIONAL, editado em 21/06/2011

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim escalonado:
Portugal, 2º Brasil, 3º França, 4º Estados Unidos, 5º Alemanha, 6º China, 7º México, 8º Canadá, 9º Holanda e 10º Ucrânia.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

JÁ LÁ DIZ O VELHO DITADO…

Já lá diz o velho ditado que: “quem dá e reparte e não fica com a melhor parte, ou é tolo ou não tem arte”, o que é verdade quando as escolhas são livres e não forçadas, caso contrário não restará outra opção a quem reparte, não fosse o dinheiro a raiz de todos os males e não sobressaíssem necessidades imediatas, sortilégio que, no seu sentido mais amplo, irá transformar a miséria duns no aumento dos proventos doutros, o que torna todas as crises benditas aos olhos dos gananciosos. Fomos convidados para avaliar uma ninhada e ajudar na escolha de um cachorro para o seu criador. Sem maiores delongas, porque já temos os olhos preparados para isso (há quem lhe chame olho clínico, entre tantas coisas), concluímos ser uma cachorra a melhor dos exemplares naquela ninhada, considerando os prós e os contras do beneficiamento na sua origem e as expectativas do seu criador, mais interessado num macho do que numa fêmea. Na impossibilidade de suportar dois cachorros e não abdicando da sua escolha inicial, o criador irá “despachar” a cachorra por um preço irrisório, passando para outro o que por direito lhe pertencia, remetendo-se à qualidade possível e entregando a excelência, o que nos leva à exacta compreensão doutros três aforismos da sabedoria popular: ”dá Deus nozes a quem não tem dentes”, “quando uns não querem, estão os outros estalando” e “a ocasião faz o ladrão”, ainda que se possa usar outro com propriedade: “com o mal dos outros posso eu bem”.