“Em tempo
de guerra não se limpam armas”. Este aforismo serve perfeitamente como
introdução ao assunto que aqui vamos tratar de modo sucinto: o destino dado aos
cães com doenças de origem genética e sem cura à vista, particularmente neste
tempo de profunda recessão económica, onde o Eutasil não deixa de ser requisitado
amiúde. A sobrevivência das famílias, sujeitas ao exíguo orçamento doméstico,
tem levado ao abate precoce de muitos cães, que arredados dos tratamentos e
sujeitos à injecção letal, vêem assim encurtados os seus dias,
independentemente da sua idade, grau de incapacidade, tipo de prestação, modo
de parceria ou valor sentimental, porque o dinheiro está caro e cães há muitos!
E como se isto não bastasse, ainda há quem mande abater cães por considerar que
uma intervenção cirúrgica é um luxo fora do seu alcance, daí não espantar que
em certas zonas do País seja maior o número de abates do que o montante das
intervenções cirúrgicas realizadas. Pode ser, se esta crise entretanto demorar
a passar, que mandemos os chineses de volta e passemos nós a comer cão. E se
nalguns casos tal ainda não aconteceu, talvez isso tenha ficado a dever-se à
desconfiança oriunda da falta de hábito! Ironia à parte, a sorte dos cães menos
saudáveis não se prefigura risonha e a sua sentença parece tirada do desfolhar
de um malmaquer: “ mal me quer, bem me quer…”, e logo se verá qual o veredicto!
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
PEQUENA CRIMINALIDADE E CÃES DE GUARDA
Apesar da
pequena criminalidade ter aumentado em Portugal no último ano, nem por isso a
procura de cães de guarda aumentou, mantendo-se em valores abaixo aos
encontrados em 2008, o que à partida não deixa de causar alguma estranheza. No
entanto, analisando o problema ao pormenor, os furtos e roubos perpetrados aconteceram onde a eficácia canina é pouco objectiva e impossível de actuar.
Estamos a falar de roubos de carteiras e telemóveis em restaurantes, nos
transportes colectivos e na via pública, dos bem conhecidos roubos por esticão
e de um número infindo de burlas. O grande apogeu do cão de guarda aconteceu na
década de 90, altura em que se treinava essa disciplina quase em exclusivo e
afincadamente, como se houvesse um ladrão para cada cidadão exemplar, o que
nunca foi o caso - valha-nos Deus! Em Terras Lusas, o aumento ou diminuição da
procura por cães de guarda nunca resultou da evolução ou decréscimo dos índices
de criminalidade, mas sim do maior ou menor poder de compra da classe média,
hoje vítima dum empobrecimento nunca visto ou sentido, o que tem vindo a
relegar os cães para depois e invariavelmente para nunca mais - para a Neverland! Estamos em crer, oxalá que
não, que os nossos irmãos brasileiros irão sofrer (não já, mas daqui a um
tempinho, se calhar depois do Mundial) de idêntica recessão, porque tudo o que
acontece na Europa acaba por ecoar mais tarde nas Américas. A solução que os
canicultores aqui encontraram passou pela diminuição das despesas e efectivos,
pela interrupção das ninhadas de até então e pela produção de cães miniatura,
daqueles que comem diariamente entre 90 e 200g de ração, que levam a um débito
diário nunca superior a 52 cêntimos ou que se contentam com as sobras lá de
casa, o que é do agrado tanto dos criadores quanto dos futuros proprietários.
NÃO TEVE PORQUE A MAMÃ NÃO QUERIA!
Exigir
dos cães caçadores outro tipo de parceria nunca foi uma tarefa fácil, ainda que
lancemos mão do reforço positivo, procedamos à constante troca de alvos (presas)
e abusemos da recompensa. No caso dos galgos o problema agrava-se ainda mais,
porque caçam à vista, são naturalmente taciturnos e carecem de grande incentivo
para novas motivações, já que detestam correr sem lebre à frente. Criar um
galgo sem o recurso aos brinquedos (espólio) é no mínimo absurdo, porque ele
vive para a perseguição e nisso reside a sua satisfação. Recentemente recebemos
nas nossas fileiras um Whippet que foi objecto desse desrespeito, um animal
quase mórbido a quem foi proibido ter qualquer tipo de brinquedo, porque a
matriarca da família assim o entendeu em abono da limpeza, boa ordem e arrumo
da casa. Não nos sobrando outro remédio perante a tristeza do animal, temos
optado por brincar com ele nas aulas, valendo-nos para isso dos peluches que
ele nunca teve e que hoje tanto adora. Graças à brincadeira, já anda alinhado
pela dona em liberdade, desfilando garboso e convicto do seu papel como cão
oriundo da transumância.
DE HUMVEE PARA SMART
Não são
só os políticos que passam de marxistas-leninistas na juventude para
sociais-democratas na idade do amadurecimento, também os apaixonados por cães
sofrem idêntica transformação, adquirindo mais tarde animais de raças
diametralmente opostas àquelas que tiveram na sua mocidade. É evidente que
sempre sobram algumas excepções, ficando isso a dever-se à falta de
amadurecimento dos indivíduos ou à continuada paixão por determinada raça.
Houve neste extremo ocidental da Europa uma época de ouro para o Rottweiler
(década de 90), ocasião em que treinámos várias dezenas destes valentes e
dedicados guardiões alemães. Agora, vinte anos depois, e não tanto por causa da
lei relativa aos cães perigosos, escasso é o número daqueles que se fazem
acompanhar por estes molossos de tamanha utilidade. Os mancebos de outrora
contraíram família, assumiram outras responsabilidades e os Rottweilers vieram
a ser substituídos por Bulldogs Franceses, Bull Terriers, Teckels, Daschunds e
outros que tais, numa transição que lembra o abandono dum Humvee para a
aquisição de um Smart.
VÊ LÁ SE QUERES LEVAR COM ELE!
Uma aluna nossa já falecida, amiga do
seu cão como poucos, senhora que deixou saudades, detestava dizer “Não” para o
seu fiel amigo, um guardião sério, normalmente bem comportado mas tremendamente
engenhoso, chegado a paródias e senhor do seu nariz. O bicho comportava-se
exemplarmente na escola e em casa aproveitava para extravasar, sendo ali
difícil de segurar. Sabe Deus com que custo, contrariada, a dona lá lhe ia
dizendo uns tímidos “Nãos” para o refrear, infelizmente sem sucesso. Farta de
ser gozada e depois de ter dado muitas voltas à cabeça, decidiu gravar o “Não”
do adestrador no intuito de regrar o cão, estratégia que veio a funcionar em
pleno. Depois de ter recorrido algumas vezes ao gravador, quando importava pôr
o pobre bicho “em sentido”, bastava dizer-lhe: “vê lá se queres levar com ele”
e imediatamente o cão cessava as acções inusitadas, temendo pela presença dum
homem, que apesar ausente, parecia estar em todo o lado. Dona e cão já
partiram, resta a saudade que ambos deixaram.
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
CHEGOU A VEZ DO DOGUE ARGENTINO
Num país onde a maior parte da
juventude não tem qualquer contacto com animais, exceptuando o havido com os do
Jardim Zoológico que se encontram por detrás das grades e em exposição ao público, o papão do bicho-cão
cresce assustadoramente e toda a gente jura ter-se cruzado com um cão
potencialmente perigoso pelo menos uma vez na vida. Apesar da psicologia aqui
ter chegado tarde e a etologia ser para muitos desconhecida, o populacho julga-se
agora “entendido” em cães e não se inibe na formação de pareceres, movido pelo
cagaço que leva à confusão entre o indivíduo e a sua raça, segundo a ignorância
de quem tudo sabe e de acordo com as manchetes que lhe bombardeiam os ouvidos. Chegou
a vez do Dogue Argentino, porque, ao que parece, já causou duas vítimas
mortais. Quem será o freguês que se segue?
O grande boom do Dogue Argentino, que entre nós não foi assim tão grande,
iniciou-se no final da década de 80 via Espanha, depois da adesão de Portugal à
CEE e a raça começou por ser recrutada para a guarda convencional, uma vez que
vinha acompanhada de uma fama que nunca lhe sobrou em proveito e que a fazia
devoradora de pumas. Sobraram desse tempo uns tantos vídeos de má qualidade,
que pela sua natureza sanguinária, foram e continuam impróprios para os serões
familiares. O desaproveitamento massivo da raça na guarda convencional,
motivado pelo seu pouco interesse na disciplina, pela constante confusão na
troca de alvos, precária resistência às invernias, pouca predisposição laboral,
problemas articulares e inadequada máquina sensorial (ainda sobrevivem na raça
muitos exemplares surdos), reencaminhou o “porco branco”, nome como ficou
conhecido na gíria em analogia ao Rottweiler, para o seu lugar de eleição: as
matilhas de caça grossa, acontecendo com isso o seu desbarato e banalização.
Assim como não se pode esconder que alguns Dogues Argentinos se vieram a constituir
em bons guardiões, também não se deve omitir a escassez do seu número, enquanto
cães matilheiros, afáveis de trato e de fácil coabitação, qualidades
desconsideradas por aqueles que os desconhecem
e que agora ao condenam.
Nestas coisas dos cães, como em tantas
outras áreas, mais vale cair em graça do que ser engraçado, muito embora a
situação vire desgraça para qualquer proprietário canino que se faça acompanhar
pelo seu cão, em particular se for grande e pouco visto, porque sem grande
dificuldade poderão ser entendidos como uma ameaça pública, plebe a evitar e
companhia nada recomendável. Recentemente, debaixo do medo instalado, num
jardim público, uma pequena cachorra de 12 kg e 5 meses de idade, sem raça
defenida, no intuito de brincar, empoleirou-se num miúdo de 13 anos, obeso e a
rondar os 100 kg, que se encontrava a jogar à bola (a guarda-redes) com o pai.
Da brincadeira resultaram exíguas marcas das patas no animal nas pernas do
rapaz, “insólito” que deu azo ao seguinte protesto do seu papá: “ Veja
lá se prende a cadela, ela é perigosa e a prova disso encontra-se nas pernas do
meu filho. Ele não está aqui para ser ferido!” Decididamente, perante a
escassez de espécies cinegéticas, e de uma vez por todas, abriu a caça ao cão!
Urge reatar o salutar convívio com os cães, fazer saber aos homens porque razão
é o cão considerado o seu melhor amigo.
Sosseguem
as mentes inquietas e os corações atribulados que do Dogue Argentino não virá
grande mal ao mundo. Lamentavelmente, o mesmo não se poderá dizer de todos os
donos, tanto dos proprietários dessa raça como das outras, que de forma
intencional ou não, pela irresponsabilidade, projectam o disparate e põem a
cabeça dos cães a prémio. No nosso entender, todos os cães deveriam ser
treinados e não somente os que se portam mal, porque a ausência da prática do
bem já é mal que a todos basta. E depois, pior do que qualquer raça canina e
muito mais mortífera do que qualquer uma delas, tem sido a actual crise que
teima em se ir embora, responsável por uns tantos suicídios, pela destruição de
muitas famílias e pela diminuição da taxa de natalidade. O País precipita-se
para a cova e nós a correr atrás dos cães!
O NOSSO RIN TIN TIN
Brevemente iremos voltar a este assunto,
está prometido, quando estivermos melhor documentados e nos for facultado o
acesso a alguns ficheiros há muito esquecidos, porque o tema nos interessa e
faz parte da história da cinecultura nacional, da nossa cinemateca e espelha o
trabalho dos tratadores militares que nos antecederam, trabalho embrionário que
geralmente é pouco lembrado. Quarenta e dois anos depois do filme “The Man From
Hell’s River”, que marca a estreia do mítico Rin Tin Tin no cinema, em 1964,
estreia-se em Lisboa, no cinema Odeon, o filme de Constantino Esteves “9
Rapazes e Um Cão”, uma produção nacional levada a cabo por Manuel Queiroz,
ficção filmada em Campolide com uma duração de 94 minutos, com um guião ao
gosto da época, a enaltecer o drama e o heroísmo juvenis.
Ao que
nos foi dito e isso parece confirmado, o cão protagonista veio das fileiras da
GNR, ali dando entrada por doação da sua proprietária. Quem o conheceu diz que
era quase todo negro, que o afogueado da sua máscara era por demais claro e que
era pernalto de morfologia. O seu tratador, que foi acompanhado nas filmagens
por um Cabo, vivia até há pouco tempo na área de Algés. Também segundo o que
nos foi contado, o cão era um “Às” dentro e fora do cinema, chegando a
interpôr-se entre tratadores e cães, quando a integridade dos segundos era
posta em risco. Meia dúzia de anos depois da sua formação, a cinotecnia da
Guarda começava a dar os seus frutos, a cerrar fileiras e a constituir-se
naquilo que até hoje nos chegou. Poucos tratadores desse tempo continuam entre
nós e a memória dos seus cães irá morrer com eles. Até lá, relembram em cada
Pastor Alemão que vêem um pouco da sua história e vão adiante. Mas como
“serviço é serviço e conhaque é conhaque”, o que fica para a história é que
quarenta anos antes do aparecimento da série do “Inspector Max” em Portugal, já
um Pastor Alemão havia sido protagonista num filme. Continuamos sem saber o seu
nome, mas ele ainda pode ser visto, o cinema imortalizou-o.
ELES ENTENDEM-SE!
Os
conceitos quando não são científicos, e não estamos aqui a tratar da
transcendência das verdades metafísicas, mais cedo ou mais tarde, acabam por
ser desacreditados e desprezados. O mundo canino está impregnado de falsos
conceitos que para alguns ainda são verdades absolutas, inverdades que a seu
tempo acabarão por revelar-se. Certo zootécnico, por sinal bem sucedido no seu
ofício, decidiu aceitar mais uma cadela no seio da sua já numerosa matilha
heterogênea. Na ocasião da entrega do animal foi alertado para os riscos do
amatilhamento canino sem a interferência humana, ao que respondeu: “Eles
entendem-se!”. Acabou por descobrir, da pior maneira, que estava redondamente
enganado e foi ontem enterrar a cadela miniatura que mais adorava, vítima da
outra que recentemente havia adquirido. A sociabilização canina não é gratuita
e não dispensa tanto a liderança humana quanto a familiarização, porque o
escalonamento da matilha animal não acontece de forma pacífica, mas sim por
meios ligados à “lei do mais forte” que normalmente não dispensam o recurso à
violência, o que sempre levará o Homem a estabelecer regras e a fazê-las
cumprir.
ESCONDA-SE PARA SER ENCONTRADO E SEMPRE ANDARÁ ACOMPANHADO
Um dos problemas mais comuns entre os
proprietários caninos é a fuga dos seus cães e a dificuldade no seu retorno,
quando em liberdade e em espaço aberto, o que tem levado muitos,
justificadamente, a conservá-los quase sempre atrelados ao seu lado nas
rotineiras deambulações pelos espaços públicos, conforme a Lei e para defesa da
integridade de homens e animais. Tecnicamente falando, estamos perante a
inexistência de um comando básico – o “Aqui”, que quando associado ao “Junto”
(ao lado), constitui a base piramidal do adestramento. A constactação do
problema levará alguns donos e outros tantos cães até às portas dos centros de
treino caninos, onde por norma encontrarão solução através de um ou mais tipos de
condicionamento, consoante os métodos utilizados e de acordo com as
características individuais de cada cão.
A causa do problema é gregária e
aponta para algum descuido no ciclo infantil que antecede os quatro meses de
idade nos cachorros, altura em que começam a manisfestar a sua propensão
excursionista, partem à descoberta do mundo que os rodeia e procuram nele um
lugar que lhes seja mais cómodo, vantajoso ou propício. É também nesta idade
que começam a compreender e a respeitar a hierarquia, cujas bases normalmente
se encontram consolidadas aos seis meses. A incidência do problema é maior
junto dos cachorros que passam a maior parte do seus dias sózinhos e daqueles
que aos nossos olhos nos parecem mais erráticos, quiçá por uma selecção mais baseada
nos instintos do que na parceria. Como atrás se disse, tanto para uns como para
outros, a partir dos 4 meses, as escolas caninas tendem a resolver o problema,
dentro de um cronograma mais ou menos longo que sempre exigirá alguma
recapitulação até ao alcance do automatismo desejado, delongas associadas à
resistência dos animais, à aceitação da liderança e ao despreparo dos seus
condutores, geralmente suavizadas e tornadas mais céleres pelo recurso ao
reforço positivo. Por razões óbvias, o problema deverá ser resolvido antes da
maturidade sexual dos cães (antes dos 7 meses de idade), isto se quisermos
evitar maiores entraves.
No entanto, se você acabou de adquirir
um cachorro com dois meses de idade e não deseja vir a passar pelo mesmo
problema ou embaraço, saiba que ele pode ser evitado a partir de uma simples
brincadeira e que os cães, mesmo entre eles, aprendem brincando. A brincadeira
é algo similar ao “brincar às escondidas”, você esconde-se e convida o seu
cachorro a procurá-lo, chamando primeiro pelo nome e desaparecendo depois sem
pré-aviso. A constância na brincadeira, que é do inteiro agrado do cachorro,
leva-lo-á a nunca o perder de vista e possibilitará a inserção quase automática
dos comandos de “Busca” e “Aqui”, exercitando assim o seu faro enquanto sentido
director. O adestramento tem sofrido profundas alterações nas últimas décadas e
as tradicionais caminhadas lineares ou circulares destinadas à obediência, têm
cedido lugar, na fase introdutória do treino, à administração do currículo
básico de pistagem, ganhando-se com isso os vínculos afectivos binomiais
indispensáveis a um adestramento mais alegre e mais profícuo. Até lá, brinque
às escondidas com o seu cachorro e ganhe um companheiro que sempre se fará
presente a seu lado, pois mais vale conquistar o cão em casa do que perdê-lo no
meio da rua.
PROTESTARAM E COM RAZÃO!
Certo
empregado dedicado e fiel, amigo do seu patrão e zelador dos seus cães, chegada
a hora, decidiu trocar os cachorros de habitáculo e separá-los um a um, cada um
para o seu canil, três Pastores Alemães de 5 meses e há 3 a viverem em
conjunto. Esperou pela noite para fazer a mudança e depois foi dormir
descansado, distante dos animais porque morava longe. Os bichos não se calaram durante
toda a noite, arranharam as portas, gemeram e uivaram, e não deixaram os
vizinhos “pregar olho”. Na manhã seguinte o coro dos protestos fez-se ouvir e
os vizinhos indignados não foram nada simpáticos, protestando veementemente
pelo incómodo a que se viram sujeitos. O pobre homem derreteu-se em desculpas,
mas isso para alguns pareceu não bastar. Agora já sabe como fazer e
gradualmente vai acostumando os cachorros aos canis, primeiro de dia e depois à
noite, nunca sem antes permanecer um pouco a seu lado e lhes deixar uma
guloseima ou petisco do seu agrado (um deles até gosta de ouvir rádio).
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
MEMÓRIAS DA ADOLESCÊNCIA: O ALEMÃO DA SILÉSIA
Ao cair
da tarde, depois de vir da praia e ter lanchado, tinha por hábito entabular
conversa com os estrangeiros que cercavam o meu local de férias, gostava de
ouvir as suas histórias e acabava por jantar com eles. Os mais acessiveis eram
os ingleses, particularmentemente os mais idosos, porque adoravam relatar o seu
trajecto pelo mundo, eram generosos no meio do seu orgulho e sempre me
presenteavam com algum souvenir,
apesar de comedidos e da sua cozinha ser uma lástima. Ingleses, franceses e
alemães constituiam o grosso daqueles que nos visitivam, muito embora houvessem
alguns espanhóis. As senhoras eram todas tratadas por madames e os homens como messrs.
Pouco a pouco, fui aprendendo a identificar a nacionalidade dos proprietários
das casas pelo odor e raramente falhava. Graças à minha curiosidade juvenil e à
ânsia de aprender, tornei-me popular entre eles e acompanhava-os para todo o
lado
Contrariamente aos outros estrangeiros
que viviam na minha rua, nada interessados em disfarçar a sua riqueza e
pretensa superioridade, massificada pela extravagância, número de criados e
pela qualidade dos seus automóveis, havia um “cámone” que vivia sózinho numa pequena casa alugada, já idoso,
pouco dado a conversas e que à noitinha saía para passear o seu pastor alemão,
sempre à mesma hora e com um garbo nunca visto. Pouco ou nada se sabia acerca
dele, uns diziam que era polaco e outros que era alemão. Intrigado com aquela
personagem, decidi aproximar-me do homem e correr o risco de vir a ser
escorraçado, porque olhava para as pessoas de soslaio e falava o mínimo
indispensável, como se não tivesse tempo a perder ou os outros nada tivessem
para lhe dizer. O cão comportava-se do mesmo modo e era tão evasivo quanto o
dono, chamava Boris, era preto-afogueado e tinha cinco anos de idade.
A abordagem não foi fácil e obrigou-me
a umas quantas tentativas (demorei um mês para conseguir falar com o homem),
porque ele era perito em esgueirar-se e nunca desacelerava o passo, fixava os
olhos no horizonte e dali raramente os tirava. Não tendo outro remédio, vali-me
da cadela de uma vizinha, a Gipsy, uma rafeira malhada e decidi-me a passeá-la
à mesma hora, ainda que fosse a reboque e com a cadela contrariada. O caricato
da situação suscitou do estrangeiro os seus bons ofícios e foi assim que
começámos a falar. Afinal o homem havia nascido na Silésia, no seio duma
família alemã e detestava que o
tratassem por polaco, abominava a Polónia e o seu regime de então, sentia-se
alemão apesar de ser pobre, esquecido e
menos badalado. Ao olhar para o crucifixo que eu trazia ao pescoço, disse-me um
dia à guisa de sentença: “ Você vai à Igreja? Acredita no Céu e no Inferno?
Pois fique sabendo uma coisa, um e outro estão cheios de pastores alemães, num
estão os bons e no outro estão os maus, mas no purgatório ficarão para sempre
os outros cães que não conseguiram ser tão bons quanto eles”. O homem chamava-se
Manfred Klose, se a memória não me atraiçoa, pertenceu à Wehrmacht, sofreu
horrores com o avanço do Exército Vermelho e finalmente conseguiu chegar a
Portugal. Morreu três meses depois do Boris e foi sepultado aqui em campa rasa, sem pompa, pranto ou alarde,
acabando por morrer como viveu. Lembro-me sempre dele quando vejo pastores
alemães sem préstimo ou desperdiçados. A memória tem destas coisas!
O CÃO DOS OBESOS: DESTINO E FUNÇÃO TERAPÊUTICA
Apesar de nunca se ter visto tanta
gente praticar exercício, a obesidade parece ter virado uniforme em Portugal,
porque há um gordo em cada esquina e pessoas mal vestidas por todo o lado,
sendo a sua combinação muito frequente, particularmente no Verão. Há quem diga
que a moda pegou de estaca, que resultou da influência e descontração dos
sul-americanos que aqui chegaram em bardo. Pondo de parte estas considerações
de consenso comum, porque o nosso encargo se remete aos cães, interessa-nos
analisar a situação particular do cão dos obesos, não raramente com a mesma apresentação
e tipo de problema, numa parceria, que sendo autêntica, se vem tornando cada
vez mais castiça, tal como foi a Severa ou o fado vadio.
A compra de um cão tem vindo a ser
aconselhada por alguns médicos como terapia para uns quantos pacientes, que
sofrendo de achaques de vária ordem, não podem dispensar o exercício físico
para o seu restabelecimento. Estamos a falar de enfermidades comummente
provocadas ou agravadas pelo excesso de peso. Contudo, a esperança dos clínicos
acaba por afundar-se nisso mesmo, porque os seus pacientes dificilmente
trocarão de hábitos e os cães acabarão a maior parte dos seus dias fechados em
casa, também eles sem exercício e condenados a idêntica maleita. Os obesos que
vemos a passear os seus cães, e não são muitos, trazem-nos com uma trela
extensível e funcionam inúmeras vezes como estacas, desaproveitando o embalo
canino para se exercitarem. Como os cães são também animais de hábitos, ao abraçarem
a indolência como modo de vida, vão adquirindo as morfologias, posturas e
apetências presentes nos seus donos. A obesidade canina agrava-se no caso das
cadelas, que sendo na sua maioria castradas, acabam extraordinariamente
desfiguradas, lembrando grãos de bico ou balões prestes a rebentar. O destino
do cão dos “XXL’s”, geralmente um animal miniatura ou de pequeno porte, híbrido
ou mestiço, não se apresenta muito risonho, porque de imediato verá a sua saúde
comprometida e o encurtamento dos seus dias tornar-se-á um facto.
À parte disto e avaliando somente os
resultados da função terapêutica canina, sem faltar à verdade, podemos afirmar
que os cães têm valido a muitos, combatendo eficazmente o stresse, o isolamento
e o ostracismo dos seus donos, tornando-se seus companheiros e confidentes,
motivação e razão de estímulo, promovendo assim a sua reinserção social, novos
interesses e apego à vida, em especial junto dos idosos e doutras franjas
etárias, que sendo mal compreendidas, acabam por ser desconsideradas. O leque
da terapia canina é muito vasto, não se esgota no chihuahua aos ombros do
cigano romeno ou no cidadão obeso que passeia o seu cão no jardim, vai muito
para além disso e ajuda num sem número de desacertos, nomedamente nos
provocados por desiquilíbrios emocionais. A relação de proximidade que o cão
reclama do homem tem sido uma bengala de valor inestimável e doravante ainda o
será mais, porque o mundo contemporâneo é deveras impessoal, frio e distante
dos problemas individuais. Por causa disto, não nos espanta que alguns cães
sejam interpretados e tratados como pessoas, patologia que também tem os seus
custos e cuja cura não se prefigura fácil. O cão tudo faz para agradar ao dono
e vê-lo feliz, massifica os seus sonhos e assume qualquer personagem pela
investidura que transforma a ficção em realidade – ele acredita em nós!
O AMIGO MEXILHÃO VERDE (PERNA CANALICULUS)
Como alternativa à cartilagem de
tubarão, que tão bons resultados tem alcançado nos cães com problemas
articulares, cada vez mais se vem usando o extracto de mexilhão verde, que para
além de ser 2/3 mais barato que a primeira, tem revelado ser capaz de manter e reconstruir
tecidos como a cartilagem, tendões e ligamentos. As suas propriedades
anti-inflamatórias contribuem para o alívio temporário da dor, redução das
inflamações articulares e do inchaço. O extracto deste bivalve, que se encontra
nas águas da Nova Zelândia, é rico nas vitaminas do grupo B, em minerais e
elementos vestigiais, em Ómega 3, proteínas e aminoácidos essenciais, propriedades
que o tornam num excelente suplemento alimentar para cães saudáveis, em
crescimento ou com problemas articulares.
Fomos à procura da confirmação destes
resultados e contactámos a Drª Andreia Severino da Tojalvet, que já usa este
extracto à meia dúzia de anos (Glyco flex 600). Segundo ela, nos casos mais
agudos, aqueles que notoriamente impedem os cães de se locomover livremente, a
administração diária de 2 comprimidos é a posologia indicada, passando-se
depois para 1 comprimido após confirmação da melhoria dos animais. A dose de
manutenção é igualmente de 1 comprimido diário, isto se o peso do cão não
exceder os 35 kg. O preço de venda ao público ronda os 40€ e o Glyco flex 600 é
distribuído pelo Laboratório Sorológico. Assim sendo, a manutenção dos cães com
problemas articulares torna-se francamente mais barata e ao alcance de quase todos.
Vale a pena experimentar, consulte o parecer do seu veterinário assistente.
UM LOBEIRO CHAMADO WILLY
O Willy é
um Pastor Alemão lobeiro de 3 meses e meio, já ultrapassou os 20 kg, é saudável
e um grande amigo do Márcio Duarte, um dono orgulhoso que cuida do cachorro
irrepreensívelmente. A qualidade do infante tem vindo à tona a cada dia que
passa e vem robustecendo a cumplicidade entre ambos. O dono vai com ele para
todo o lado e o cachorro agradece, porque se sente desejado, é muito curioso e
anda louco por aprender. Desejamos as maiores felicidades para o binómio e
estamos certos do seu sucesso, porque quem assim começa dificilmente acabará
mal.
UM CAÇADOR OU UM TERRITORIAL?
Na hora de escolher um cão para
colocar dentro de um apartamento a escolha não é fácil, as dúvidas subsistem e
o aconselhamento peca por ser escasso. A opção pelos cães miniatura é a mais
comum, o que nos parece correcto diante das características psíquicas e
morfológicas desses animais, menos explosivos e mais carentes, francamente
dependentes e pouco dados à excursão. Alguns deles, forçados pela apertada
coabitação, adquirirão traços comportamentais tangíveis aos dos seus donos e
manterão com eles uma relação quase telepática.
Se para os mais os mais velhos a
escolha é óbvia, por beneplácito da experiência e do peso dos anos, para os
mais activos e para aqueles que embicam contra os cães pequenos as dúvidas
permanecem. Actualmente assiste-se à proliferação do Weimaraner e o braco
cinzento deambula pelos jardins como libélulas à volta de lagos ou pequenos
cursos de água, num troar único provocado pelo rasgo do seu galope, alegre,
meio escangalhado e constante, sucedendo agora aos Spaniels, Retrievers e Boxers
nos lares portugueses urbanos, apesar dos machos adultos rondarem os 30 kg e de
alguns chegarem a ultrapassar esse valor.
Há por cá uma idéia errada acerca dos
cães territoriais, aquela que os julga inadequados para conviver em apartamentos,
o que de sobremaneira tem beneficiado os cães caçadores. E dizemos errada
diante do bem-estar animal e face à distinção existente nos diferentes grupos
somáticos caninos, considerando o seu particular psíquico, gregário e
excursionista. O cão de caça necessita de bater território, para isso nasceu e
foi criado, de mau grado se vê encerrado, de inicío ladra por protesto e vai
acabar gordo e anafado, o que nada abona em função da sua saúde, qualidade de
vida e longevidade, pois nasceu para a excursão e a sua isenção irá condená-lo,
torná-lo incaracterístico e desalentado, num caçador de petiscos com o espectro
da obesidade à porta, o que de certa maneira muito tem contribuído para a
devoção ao Stº Cesar Millan e seus truques, rotineiramente nos altares da televisão
(que saudades temos do Speedy Gonzalez).
No nosso
entender, e temos farta experiência nisso, o cão territorial estará melhor num
andar que o cão de caça, apesar de necessitar de maior controlo, porque
naturalmente é um defensor de pessoas e bens e raramente se afasta delas e seus
pertences, vivendo feliz no território que lhe foi destinado ou confiado, pois
considera casa do dono como seu castelo, refúgio e fortaleza, tem menos
propensão excursionista e sempre procura a companhia do seu líder, possui
poucos instintos e observa sem maiores dificuldades as regras a que irá ser
sujeito, porque é maleável e tem vindo a ser seleccionado para a parceria,
dando até aqui inequívoca mostra disso. E dentro dos cães territoriais há-os de
todas as cores, tamanhos e pesos, sendo grande número deles desconhecido do
público em geral. Informe-se ou solicite-nos informação, porque para além da
sua felicidade pessoal, importa que o cão que você escolher se sinta bem e
venha igualmente a ser feliz.
SAIKOH: UM CÃO DE PÔR OS OLHOS EM BICO!
O Saikoh,
nome cantonês para pequeno, é um pinscher energético que não fica para trás de
ninguém, adora trabalhar e não apresenta dificuldades em aprender. É conduzido
actualmente pela Olga Sin e teve como madrinha nestas lides a Joana Melo. É
causa de espanto quando trabalha dentro das classes regulares, porque obedece
como os demais e mantém uma postura pouco visível noutros, não obstante ser o
mais pequeno e pesar apenas ¼ do peso dos seus companheiros de lições. É
versátil, activo e elegante, uma verdadeira graça levada a sério pela sua
proprietária. Graças à sua disponibilidade, o Saikoh tem servido de inspiração
para todos, tem-se revelado um namorador nato e um aluno exemplar. Como dizia
Fernando Peça, jornalista já falecido, é caso para se dizer: E esta, hein?
CÃES MECÂNICOS E GENTE STRESSADA: O CÃO ESFRANGALHADO
A constatação e prática do reflexo
condicionado, os benefícios e novidade da escola inglesa pós Darwin, o
pragmatismo dos ancestrais criadores germânicos e os seus rigorosos critérios
de selecção (hoje continuados por outros), formaram um todo que deu origem ao
Cão de Pastor Alemão, um animal “estupidamente” obediente, mecânico e por isso
mesmo de alta capacidade de aprendizagem, pouco temperal, objectivo e seguro.
Mas quando o dono dum cão destes é a sua antítese, comportando-se sem regra e
enveredando pelo stresse, o animal é lançado na mais profunda confusão, resiste
à liderança e tende a procurar quem o respeite na procura de identificação,
podendo inclusive tomar iniciativas que por direito não lhe pertencem, ainda
que compreensíveis e tornadas justas por força do desacerto. As pessoas mais
temperamentais, fustigadas por estados de ânimo radicais, não devem procurar
cães mecânicos e muito menos proceder ao seu ensino, para que o treino não se
torne num suplício para homens e cães. Assim, os cães nesta situação, deverão
ser treinados por outrém e entregues aos donos para fim terapêutico,
ajudando-os no equilíbrio de que tanto necessitam para a sua felicidade, pois o
regime de internato canino sempre se justifica pelos desacertos binomais,
independentemente da sua razão ser humana ou canina. Não há necessidade de
esfrangalhar cães!
E DEPOIS DO ADEUS?
Para onde
irão os cães de competição quando a velhice chegar e o cronómetro perder a sua
razão de ser? Será que serão preteridos e arrumados como troféus ou serão
objecto dos mesmos cuidados e honrarias? Uma coisa é certa: sempre deixam de
ser vistos! Os bons ainda serão relembrados por algum tempo e outros nem isso.
Será que ficarão esquecidos num canil até ao fim, condenados a ração de má
qualidade e a afagos de surtida? Porque será que ninguém fala deles e sempre se
enaltecem aqueles que os vieram render? Estaremos numa política de “rei morto,
rei posto”? Seria bom que não, os cães não o merecem, particularmente aqueles
que, a despeito do seu esforço, nos encheram o ego ou barriga.
A DUNA DA DONA SEN NOME
A Duna é
uma Golden que enche de alegria as ruas por onde passa, um “espírito livre” que
adora rebolar-se em qualquer poça. Desfila de cauda erguida e sempre procura a
companhia dos outros cães, com quem adora dividir brincadeiras e estabelecer
cumplicidade. A “pinta” do animal é tal que ninguém sabe qual é o nome da sua
dona, apesar de simpática e acessível. A cadela a todos encanta pela sua
afectividade e boa disposição, faz a alegria da criançada e põe a cabeça do Radar
às voltas, um Pastor Alemão que a quer como namorada, mesmo sendo bruto e de
rudes maneiras. Continuamos sem saber o nome da dona, apenas sabemos que é
galega e que a Duna a adora. Para a próxima vamos perguntar-lhe.
terça-feira, 24 de julho de 2012
ONDE MENOS SE ESPERA, HÁ UM PINSCHER QUE ESPERA POR SI
Parece não haver dúvida: o mundo do
adestramento está cheio de preconceitos. Nos países meridionais da Europa, por
vezes mais preconceituosos que os demais, quiçá pela diferença social ser mais
gritante, os preconceitos esfumam-se agora diante da actual crise pelo espectro
da sobrevivência e ficam a aguardar por melhores dias. Antigamente ia-se até ao
Brasil e agora são muitos os brasileiros que nos visitam, ainda que alguns os
atendam com um nó na garganta. Tempos houve em que se consideravam os cães
pequenos como “EPês” (cães de encher o pé), canitos
sem interesse para os adestradores e por isso mesmo desprezados, entendidos
como chinchilas e muitas vezes identificados como “LCs”, sigla que o decoro não
nos permite desvendar. Com as contas feitas à vida, porque um cão de 35kg come
em média um saco de ração que custa entre 52 e 75€ (estamos a falar de rações
de qualidade), os cães de raça abaixo dos 15kg viraram moda, ainda que
obrigados a preço de saldo, caso contrário, os canis municipais têm demasiados
cãezinhos atractivos à espera de quem os queira resgatar, rafeiros muito engraçados
e por vezes mais bonitos e saudáveis do que os ditos de pura casta, fáceis de
“arrumar” em qualquer apartamento e pouco dispendiosos.
Como
consequência disso, as matilhas escolares tornaram-se mais heterogeneas e nunca
se viu tanto cão toy a deambular entre molossos de 40 e tantos quilos ou
bassetóides a alinhar por lupinos. A “era da pequenada”, depois de algum
desconforto inicial, tem-se revelado uma alegre surpresa, porque indo prá além
das expectativas, tem revelado uma aptidão e uma capacidade de adaptação nunca
vistas, concorrendo para isso o trabalho desenvolvido pelos pinschers, teckels,
dachshunds, cockers e tantos outros, para já não se falar dos seus híbridos ou
mestiços. Nas zonas interiores, onde ainda sobrevivem muitos podengos, e entre
eles alguns anões, o mesteño de
podengo tem vindo a engrossar significativamente as classes de adestramento,
comportando-se como um verdadeiro mustang. Contudo, na cabeça da lista dos “Top
10” encontra-se o pinscher, um pequeno valente muito disponível, que aprende
com facilidade e “vai a todas”, que nos lembra outro cão bem maior (somente na
morfologia e cor), que poucas ou nenhumas saudades nos deixou, porque quase
sempre gorou as nossas expectativas e por isso mesmo caiu em desuso
Subscrever:
Mensagens (Atom)
























