segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

TARDE PIASTE!

A expressão acima é tipicamente beirã, duma região onde Portugal assenta as suas raízes mais profundas e é aplicada a todo o indivíduo que chega tarde, não falou atempadamente ou que perdeu a oportunidade há tanto esperada, alcançando por isso mesmo uma situação irremediável. O adestramento renova-se a cada dia, vai adiante pelos avanços da etologia, estuda a antrozoologia, usufrui do conhecimento genético, adapta-se aos novos desafios do quotidiano e actualiza-se pela contribuição das novas tecnologias. Desprezar as novidades ou avanços colaterais que podem subsidiar e optimizar a arte de ensinar cães é também piar tarde demais, permanecer num pretenso puritanismo típico de outras eras, geralmente abraçado por sectários e normalmente remetido aos museus de cariz etnográfico, porque os diferentes métodos em uso nas actuais escolas caninas são somente metas para o alcance de distintos objectivos, muitos deles já desactualizados ou deslocados e outros alcançados a tosco modo, cujo secretismo não consegue esconder práticas ou técnicas menos conseguidas e por conseguinte violentas para os cães. Assim como nenhum método é perfeito, também nenhuma escola conseguirá alicerçar-se sem o contributo de algum, porque as lacunas ou dificuldades que apresenta aguçam o engenho, levam à descoberta que induz à inovação e procedem à sua lapidação. O método enquanto meta para o alcance dos objectivos sempre estará cativo à realidade histórica do seu tempo, preso ao momento da sua adopção e às expectativas humanas dessa época. Nos nossos dias onde a informação dispara ao ritmo das balas e quase tudo é mutável, o que dificulta deveras a nossa adaptação e é também causa de muito desastre por força do desajuste pergunta-se: será desejável manter incólumes os métodos de treino caninos como até aqui? Responderão eles aos novos desafios e garantirão por si mesmos a salvaguarda dos cães? Tempos houve em que essa salvaguarda foi por demais omitida, cite-se como exemplo e não foi o único, o uso que lhes deram os russos por ocasião do cerco de Stalingrado. A relação homem-cão alterou-se desde então, continua a não dispensar a cumplicidade que gera a parceria, mas tem vindo a substituir o uso pelo bem-estar que garante a companhia, ainda que à posteriori possam ser exigidos aos cães tarefas milenares ou outras de acordo com a novidade dos tempos (finalmente o cão ganhou direitos, apesar de continuar legalmente entre nós como um pertence do dono, tal qual um frigorífico ou uma prótese). A aposta na salvaguarda canina é agora o objectivo primeiro e central do adestramento e a sua substituição, para além de poder promover a quarentena ou o abate dos animais, poderá reavivar ainda o tempo em que os homens andavam a jogar ao pau com os ursos!
Tem sido a procura da optimização na comunicação que tem norteado o avanço dos métodos ou a sua novidade (procura-se hoje o aproveitamento de todos os cães e não somente os benefícios específicos presentes nalguns). Contudo, em todos eles subsiste a necessidade de reavivamento dos códigos e persiste a dificuldade na comunicação à distância, quando os donos se encontram ausentes ou longe da vista dos animais, porque as adaptações produzidas pelo treino, sendo artificiais, não têm igual duração, sucumbem perante a ausência das rotinas e muitas delas carecem da presença activa da liderança para o seu despoletar ou cumprimento, insuficiências que continuam a limitar quer o tempo quer a operacionalidade dos cães ditos de trabalho, transformando desse modo as suas tarefas num jogo de sorte e azar. Por causa disso, infelizmente, vemo-nos sujeitos a um policiamento canino condicionado e de curta duração, à menos valia do cão perante a superioridade binomial e entregues à esperança que espera o acerto. Por melhor adaptado ou equipado que esteja um cão, quando isolado e entregue a si próprio no desempenho de tarefas específicas, a sua ineficácia e vulnerabilidade não deixarão de aumentar, o que geralmente coloca em risco tanto o serviço quanto a sobrevivência do animal, logro que não queremos e destino que abominamos. Assim, o isolamento dos cães relativo à liderança tem sido responsável por um sem número de descalabros e desastres, desventuras que não têm poupado cães e pessoas, ceifando vidas, penalizando inocentes e gorando expectativas. Torna-se mais do que evidente a necessidade da omnipresença do dono sobre toda e qualquer acção canina, garantindo dessa forma a operacionalidade dos cães e a sua sobrevivência, labuta fisicamente inalcançável e um paradoxo perante a procura da complementaridade animal. Como poderemos fazer-nos sempre presentes mesmo estando ausentes?

Importa primeiro classificar o trabalho escolar como oficinal (essencial, básico, genérico e primário), que apesar de não poder ser dispensado e ser uma meta a respeitar, sempre será inconsequente se não produzir alteração e não transitar para a realidade adjacente à instalação e serviço dos cães transformados em alunos, pois é na escola que acontece a sua codificação e se envereda pelo concurso das diferentes linguagens (gestual, sonora e verbal), consoante a evolução dos distintos membros de cada binómio e a natureza dos seus encargos. Como a supremacia da linguagem verbal sobre a gestual é indubitável, considerando a brevidade das respostas, ela jamais deverá ser abandonada, porque será a responsável pelo transporte de homens e cães para outras formas de entendimento recíproco, abrindo em simultâneo novas portas e apossando-se da novidade tecnológica ao alcance de cada um. Entretanto, importa não desvalorizar a importância da mímica, apesar dela não prescindir da presença física dos condutores, porque pode garantir ao mesmo tempo a coabitação harmoniosa do cão em sociedade e todo um conjunto de acções ofensivas ou defensivas silenciosas, perceptíveis para quem as executa e imperceptíveis para quem abusa. Tanto o apito de ultra-sons como o clicker servem exactamente o mesmo propósito e são geralmente usados e bem sucedidos nas situações de retorno e nos automatismos de travamento ou imobilização. Como estas formas de linguagem sonora não dispensam a presença do emissor e sem ele não há emitente, elas só são válidas até onde se fizerem ouvir. Não obstante (mais o clicker do que apito ultra-sons), podem constituir-se em meios eficazes para a obtenção da esperada codificação escolar (quando associados à recompensa).
Todos já tomámos conhecimento do trabalho operado por distintos biólogos com uma ou várias espécies animais, especialmente com aquelas menos conhecidas ou em vias de extinção, quando colocam nos indivíduos dessas espécies coleiras sinalizadoras ou emissores de vária ordem que possibilitam o seu controle e detecção por ondas rádio ou por satélite, o que lhes garante um estudo mais aproximado dos seus hábitos, número de exemplares e distribuição geográfica, esforço em tudo suportado pelo avanço tecnológico ao seu dispor. Se invertermos a polaridade dessa novidade e dela fizermos uso, alcançaremos eficazmente um melhor controlo dos nossos cães e melhor garantiremos a sua salvaguarda, à distância e quando ausentes, exactamente nos momentos de menor desempenho e maior vulnerabilidade para os animais (quando isolados). Neste momento estamos a transitar os comandos verbais para mensagens telefónicas ou radiofónicas, valendo-nos para isso de walkie talkies e telemóveis, usando preferencialmente os segundos pelo menor alcance dos primeiros, acessórios que colocamos nos coletes de pistagem ou nos próprios para o passeio dos cães. No caso dos telemóveis, como podemos seleccionar vários toques para o mesmo destinatário e substitui-los por distintas mensagens de voz, estamos a proceder à substituição dos comandos por mensagens telefónicas e a habituar os cães à novidade emissora. Como esta fase experimental se tem revelado animadora e os resultados surpreendentes, a comunicação via telemóvel virá a fazer parte do currículo normal a ministrar a todos os binómios desta Escola.
As vantagens deste tipo de ensino, em tudo dependentes do prévio trabalho oficinal a desenvolver em classe, são imensas e dão resposta às mais variadas situações a que os animais se encontram sujeitos, efectivando-se como normas e subsídios para o seu trabalho e sobrevivência. Imagine-se o caso dum cão que se perde ou desnorteia, por razão instintiva ou devida à novidade territorial. Com um simples toque se avisa a quem pertence e quem deve ser contactado, evitando-se dessa forma o seu abandono acidental e possível abate. Também o cão guardião tendencialmente guloso poderá ser constantemente alertado para a recusa de engodos e o menos disponível para o despoletar das acções, com o dono dentro de casa e entregue aos seus afazeres. Mediante o telemóvel é também possível ordenar operações de “ronda” com o dono ausente ou entregue a compromissos sociais de vária ordem, quer se encontre dentro ou fora do País. Toda e qualquer manobra evasiva ou invasiva poderá ser despoletada por um simples toque, assim como qualquer acção ou a sua cessação. Para além disto e a validade deste tipo de ensino não se esgota aqui, poderemos ainda alertar à distância que não toquem ou dêem guloseimas ao nosso cão, bastando para isso “teclar” a mensagem certa. Não merecerá o cão ter um telemóvel? O avanço tecnológico serve vários fins e propósitos, subsidia qualquer actividade e facilita extraordinariamente a comunicação à distância, vantagem a considerar pela cinofilia e cinotecnia, enquanto vocações que se espraiam na comunicação interespécies. Se os pastores do passado/presente tivessem telemóvel, os seus braços, pernas e gargantas agradeceriam, pelo desuso das pedras, da correria e do assobio e os cães seriam poupados ao constante movimento de vai-vem na procura do retomar das ordens. Quem não aproveitar os avanços na tecnologia das comunicações pode piar tarde ou pior do que isso: chegar tarde, perder o pio e vir a ser ultrapassado.

VENHAM OS DIFÍCEIS: AQUELES QUE OUTROS REJEITARAM E NÃO LHES VIRAM QUALQUER PRÉSTIMO!

Continuamos a aceitar todos os cães nas nossas fileiras, especialmente aqueles a quem não lhes foi reconhecido qualquer préstimo, os portadores de qualquer desvio (por mais grave que seja) e todos aqueles a quem o ensino não produziu alteração, tidos como resistentes, dominantes e com pouco apego ao conhecimento. A experiência ensinou-nos que por norma são excelentes cães, nunca tigres ou leões, somente companheiros mal compreendidos e por vezes mal amados. A todos eles estendemos o nosso caloroso “bem-vindo”.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

MOLHAR A SOPA E ENTORNAR O CALDO: A RENDIÇÃO DO CÃO DE GUARDA

Temos como experiência que o que é bom nunca se perde e que actualmente apenas 2% dos cães ditos para guarda o virão a ser de facto, daqueles capazes de aguentar um ataque de intensidade igual ou superior àquele que causam e ainda contra-atacar. Já depois da II Guerra Mundial, na transição do cão de guerra para o policial, mercê dos exageros e de uma maior consciência por parte dos cidadãos dos seus direitos e dos direitos dos animais, a selecção de cães sofreu profundas alterações, optando-se pela substituição do ataque deliberado pelo provocado ou instigado, substituindo-se a valentia que apenas necessitava de travamento por um maior impulso ao conhecimento nos cães ditos de utilidade policial. Com a entrada em vigor das recentes leis relativas aos cães perigosos na Europa, muitas raças acabaram desprezadas e o seu número diminuiu significativamente, acontecendo em simultâneo a eliminação de algumas variedades cromáticas mais propensas à agressividade dos estalões aos quais pertenciam até então (tal é o caso dos cães vermelhos irremediavelmente afastados da construção da maioria dos molossos e lupinos actuais). Salvou-se o Malinois, um cão que não necessita de maiores trabalhos para se lançar e usar os dentes, porque tal lhe é instintivo e por isso mesmo automático, pese embora o facto de ter uma baixa potência de mordedura e de dificilmente aguentar um contra-ataque sério, valendo pela surpresa e força de impacto, considerando o carácter imprevisto dos seus ataques e a velocidade que lhes imprime. No entanto, subsistem por cá alguns exemplares ditos desta raça de oriundos do Leste, apimentados de tudo um pouco e com diferente disposição de dentes, tipo de mordedura e díspar conformação de focinho entre si. Pondo de parte a excepção que ao Malinois pertence, a maioria dos cães aproveitados para guarda é-o por força da indução que aproveita os impulsos herdados que sustentam um desempenho mais ou menos satisfatório, desempenho esse que será melhor ou pior alcançado pelos pilares da simulação que se irão constituir em experiência directa (treino aturado e experiência feliz: o cão parte na certeza da vitória). Infelizmente temos constatado que o aforismo popular “quem tem medo compra um cão” não perdeu a sua actualidade e tende a perpetuar-se, apesar de aos medrosos, em abono dos cães, não lhes ser recomendável tal aquisição, porque invariavelmente morrem de medo dos seus próprios companheiros e acabam por esfrangalhá-los, temendo pelo dolo que eventualmente possam causar-lhes. Vezes sem conta e ao longo dos anos temos ouvido a sentença: “se o meu cão me morder, só o fará uma vez porque de imediato o matarei!” Para além dos medrosos que desde cedo carregam nos cachorros abusivamente, rebentando desse modo parcial ou totalmente os impulsos herdados inerentes à prestação que lhes é requerida, também aos coléricos e impacientes falta o tacto e a liderança necessários à sã capacitação dos cães, porque não raramente são parcos na paciência que induz ao esmero e à concentração dos seus auxiliares. Tanto uns como outros, inadvertidamente, tendem a molhar a sopa, a agredir os animais violentamente perante dificuldades de comunicação, respostas erradas ou pretensos disparates, entornando assim o caldo que sujeitará os cães à rendição, experiência que lhes será fatal diante de confrontação e frente a invasores violentos. A última coisa a que se deve induzir um guardião é à rendição, porque tal é impróprio aos cães de guarda e enterra de uma vez por todas a cumplicidade que é exigida a um binómio, já que a alma do cão provém da vontade do dono e o bicho parte na certeza do apoio do seu condutor. Como seria bom que a Lei exigisse a todos os proprietários de cães um atestado de sanidade mental. Com isso evitar-se-iam muitos disparates, práticas clandestinas, um sem número de vítimas e muitos animais seriam poupados aos maus-tratos

QUE SE EXPLODA!

Gostaríamos que o episódio que vamos narrar nunca tivesse acontecido, que fosse obra de ficção ou uma simples parábola. Infelizmente a história é verdadeira, repete-se vezes sem conta e tarda em desaparecer. Ao anoitecer um jovem sai com a sua cachorrinha à rua, não se vê vivalma, a noite cai serena e a escuridão impera. Deliciados pela companhia um do outro, homem e cachorra circulam felizes, atrelados e entregues à afeição que os une, felizes pelo trajecto comum na evasão que ele oferece. Inesperadamente e vindos não se sabe donde, surgem cinco cães caçadores, quatro bracos alemães e um epagneul breton, que de imediato se lançam sobre a cachorrinha atrelada de 4 meses, atacando-a em matilha e furiosamente, como se de uma espécie cinegética se tratasse. Apesar dos esforços do dono (aflito, desarmado e surpreso), que em vão tenta afastar os predadores, os ataques sucedem-se, um atrás do outro e cada um deles pior do que o primeiro. De barriga para o ar e totalmente vulnerável, a pobre cachorra suporta todas as investidas, o seu dono temendo o pior, opta por gritar e pede socorro. O caçador quebra o silêncio e finalmente chama os cães, sem tão pouco se inteirar ou interessar pelo estado da pobre cachorra, numa atitude clara de indiferença do tipo “que se exploda!” Milagrosamente a cachorrinha sobrevive, sujeita a umas quantas costuras e à perfuração dos pulmões. Contudo o seu estado é crítico e o seu internamento torna-se urgente. Encontra-se agora em recuperação e indicia que irá recuperar, oxalá que completamente. O caçador nunca se fez presente, apesar de morar perto do proprietário da desafortunada convalescente. Exactamente por ser vizinho e querer salvaguardar uma política de boa vizinhança, o proprietário da cachorra não apresentou queixa, o que nos soa a estranho atendendo aos seus direitos, à gravidade dos ferimentos infligidos e ao bem-estar dos demais cães nas redondezas. Em situações como a ocorrida, dependendo da idade e do particular de cada animal (sexo, robustez e estado físico), desde que daí não resulte maior dano para os cães tornados vítimas, aconselha-se que se peguem os cachorros ao colo perante ataques deste género e que desatrelem os adultos para melhor se defenderem. Em qualquer dos casos, porque estamos perante a investida instintiva de uma matilha animal e em desvantagem numérica, os proprietários dos cães constituídos em presa deverão auxiliar os seus companheiros no contra ataque, respondendo às agressões com uma intensidade igual ou superior àquela de que eventualmente virão a ser vítimas, o que infelizmente não está ao alcance de qualquer um. Um condutor mais experimentado conseguirá identificar qual o cão indutor aos ataques, o despoletador das acções, escolhendo-o como alvo da sua resposta, o que naturalmente e após o dolo infligido levará à debandada do grupo. De qualquer modo e atendendo às possíveis consequências ou transtornos de vária ordem, convém que a escolha dos percursos prà excursão binomial não reserve surpresas tanto para homens como para cães. Primeiro há que reconhecer o terreno e aquilatar os riscos, tarefa melhor alcançada durante o dia. Circular em áreas bem iluminadas possibilita uma defesa mais atempada, pronta e apropriada, já que os perigos de emboscada são menores. Todo e qualquer percurso deverá permitir uma visibilidade mínima de 50 metros ao seu redor e em todas as direcções, o que só por si conseguirá dissuadir o ataque de um ou mais submissos, normalmente a trabalhar na frente do cão dominante, carenciados de camuflagem e peritos em ataques de surtida. Aqui como na vida, mais vale prevenir do que remediar.

TOMA LÁ, DÁ CÁ: O CÃO DE MÃO EM MÃO

Como o que é dado não custa a ganhar, muitos dos cães adoptados acabam nas mãos de quem não os resgatou, arcando estes com a responsabilidade dos ímpetos ou desejos doutros, seus parentes, amigos ou conhecidos. Recentemente uma jovem foi buscar a um canil de adopção um cachorro dito mestiço de Pastor Alemão com Rafeiro Alentejano. A paixão pelo animal desfez-se em dois meses e meio, porque o diabrete não parava quieto, não gostava de estar sozinho, tudo roía e os estragos começavam a avultar-se. Segundo nos fizeram saber, foi recambiado para a quinta de uns parentes lá na província, para um lugar mais amplo e por onde andará à vontade sem causar maiores transtornos. É caso para se dizer: para grandes males, grandes remédios! Queira Deus que vá para melhor e que ali permaneça feliz para sempre, o que raramente acontece e pode acabar da pior forma para os desgraçados dos animais sujeitos a este fado (abandonados mais uma vez, atropelados, envenenados, electrocutados, abatidos na caça, entregues ao bom serviço dos canis terminais municipais, etc.). Até quando trataremos os cães como trapos que não usamos? Pior do que isto só as mães que abandonam os próprios filhos! Pense bem antes de adoptar um animal, veja se tem condições para o ter e informe-se primeiro, pois ele é um investimento para uma dezena de anos (no mínimo).

A SÍNDROME DO CÃO QUE EU TIVE

Mal vai o cão cujo dono pensa noutro que já teve e não vê no actual o muito que ele tem para dar, porque sempre será julgado por comparação e ver-se-á obrigado a ser aquilo que não é. É do conhecimento geral que não existem dois cães iguais e com rara propriedade o confirmarão os criadores votados à endogamia, porque por mais idênticos que sejam os animais produzidos, sempre subsistirão algumas diferenças pelo peso da individualidade. O apego declarado ao cão que já se foi tende a menosprezar o rendimento do recentemente adquirido, porque as diferenças obrigam à novidade de procedimentos e a disponibilidade operacional do dono, traído pela afeição e ávido de um clone autêntico, não será certamente a desejável, o que condenará o trabalho do cão ao sub-rendimento, a um aproveitamento parcial e à obtenção de respostas artificiais de difícil instalação. Este fenómeno é visível nos condutores que no passado tiveram em mãos um cão excepcional ou tido como excepcional, normalmente produto do trabalho alheio que não reclamou do dono grande empenho ou esforço em demasia. Graças à bitola do dono, presa ao passado, imprópria e alheia ao cão, o animal tornar-se-á evasivo, desatento e pouco interessado, factores advindos da ausência dos verdadeiros afectos que tarde ou nunca lhe chegam. A relação entre ambos dificilmente chegará à cumplicidade e o bicho enveredará justificadamente por tarefas a modo próprio, tornando-se desatento para aquelas que lhe serão solicitadas. O mundo do adestramento tem o seu esqueleto nos afectos, tanto que a mão que acaricia é ordinariamente a mesma que despoleta a ordem e é seguida. Como nenhum ânimo é válido se provir do desgosto ou desalento e o carácter dinâmico do adestramento assenta sobre o aproveitamento da novidade, importa alertar tais donos e convidá-los para a unicidade e mais-valia dos cães que conduzem, colocados à sua disposição e sedentos por apresentar trabalho. Ensinar cães é semear esperança nos condutores, despertá-los para a realidade e fomentar-lhes a parceria. E nisto que Deus nos conserve!

OUTRA VEZ NATAL

Estamos de novo às portas do Natal, num advento que nos renova a esperança e induz à fraternidade. Celebrar esta época festiva do calendário litúrgico cristão é viver na certeza que a nossa salvação já foi alcançada pelo Deus Menino cujo nascimento agora celebramos, um Deus que se fez homem, que pagou com a vida o preço das nossas iniquidades e que ao ressuscitar nos foi preparar lugar, garantindo-nos unicamente pelo seu sacrifício a vida eterna e a eterna comunhão com Deus. A celebração do nascimento do nosso Salvador, para além do uso ou proveito que cada um lhe dará, implica em reconhecer pela Fé, também ela mérito divino semeado no coração dos homens, que para além da morte à vida, que aqueles que n’Ele crêem serão consolados, que temos um Deus connosco e que sempre nos guiará até ao Pai. Celebrar o Natal é viver na certeza de que não estamos sós, que um Salvador nos nasceu e que a nossa redenção foi alcançada. Que o presente Natal acalente os corações dos nossos leitores, semeie a esperança entre os desesperados, conforte os abatidos, induza ao perdão e despolete a solidariedade entre os homens. Estamos a chegar ao final deste ano e a aproximar-nos do vindouro, altura certa para a despedida do redactor deste blog, que ao longo de 33 meses sorveu convosco o amor pelos cães, dividiu experiências e indicou soluções em prol da melhor comunicação entre os homens e o seu animal de eleição. Oxalá tenha conseguido. Feliz Natal para todos!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

ADEUS TARUNCAS, VER-NOS-EMOS? (HOMENAGEM TARDIA AO CÃO QUE A NÃO TEVE)

Acordei e senti a tua falta, tinha sonhado contigo e julgava que ainda estavas vivo, como sempre ao meu lado, deserto de ir para a rua e possesso por marcar território. Mas nada do que era teu está à minha volta, somente a trela e o estrangulador pendurados na parede, um metro e oitenta de cabo e o volume vazio de 40 cm de pescoço, acessórios que reconheço obsoletos e com os quais tantas vezes te contrariei, por força da autoridade que aceitaste a troco da minha amizade, impelido pela sobrevivência e apostado em agradar-me. Arrependo-me agora por te ter moldado à minha imagem e de malbaratar a tua individualidade, quis-te unha com carne e ignorei muitos dos teus apelos, explorei o melhor que havia em ti e tu nem sequer te queixaste. Queixaste-te ou fui eu que me fiz de cego, surdo e mudo? Ao certo não sei, porque a intimidade da nossa relação nunca esclareceu onde começava um e acabava o outro pela cumplicidade que o tempo foi construindo. Poderias ter sido o cão mais feliz do mundo e não o foste pela minha pequenez, pelos entraves que continuam a atrapalhar-me e pelas dificuldades que nunca levei de vencida. Até os pobres dos cães necessitam de alguma fortuna! E agora que cá não estás e perante o muito que te fiquei a dever pergunto-me: valeu a pena? Se pudesse voltar atrás procederia do mesmo modo? Não! Apenas me preocuparia com a tua sobrevivência, apostaria no teu bem-estar e educar-me-ia para melhor te compreender, para além das minhas ambições, tendências naturais e gozo, pois não tive melhor companheiro do que tu. Se nos voltarmos a ver, o que me parece impossível, irei pedir-te perdão pela minha estultícia e recompensar-te pelo muito que me deste. Entretanto, porque há por aqui outros tantos como tu, manifesto a minha contrição para que os seus donos ajam com eles doutro modo, homenageando-te em cada cão que passa e sofrendo por cada um que não é compreendido.

A MATILHA E A MARALHA: A NECESSIDADE DE LIDERANÇA

A matilha, enquanto modo de escalonamento social e meio de sobrevivência para o grupo, poderá servir de inspiração a uns tantos que naturalmente abominam ou ignoram a necessidade da liderança. Qualquer grupo animal, inclusive o humano e aqui de sobremaneira, carece de uma liderança autêntica e determinada para o alcance das metas e objectivos dos seus agregados, para que a desorganização não impere e os mais sãos propósitos caiam em saco roto. O grosso dos condutores na cinotecnia funciona também como agente de ensino sobre todos os cães em classe, influindo directamente no seu progresso ou retrocesso, porque constituirá parte integrante da experiência directa desses animais. Cabe à liderança, para além dos seus mais variados e múltiplos deveres, preservar a unidade do grupo em torno do seu objectivo maior: o adestramento, já que a disparidade de interesses leva ao sectarismo, ao desânimo, ao desinteresse e pode provocar nalguns o abandono das classes escolares pelo logro do processo pedagógico anteriormente anunciado. É de todo desejável que os condutores cinotécnicos possuam outros interesses em comum para além do desejo de ensinar cães, porque isso mantê-los-á unidos por mais tempo e facilitará o seu entrosamento. No entanto, convém que a globalidade dos interesses comuns não usurpe o tempo e a dedicação necessários ao adestramento, tornando-o desse modo um pretexto e não um fim. A matilha espontânea escolar exige um grupo coeso em torno do ensino canino e cabe à liderança zelar por isso, ainda que lhe apeteça ir pescar lulas a candeeiro ou serpentear os montes de parapente, exactamente como alguém disse: “ Conhaque é conhaque e serviço é serviço”.

O QUE ENSINAR PRIMEIRO: O “JUNTO” OU O “AQUI”?

Diferentes escolas caninas optam por diferentes estratégias para alcançar o ensino dos cães e isso torna-se visível logo na escolha dos exercícios primários que cada uma delas adopta. Menosprezando as excepções, porque o manancial do engenho humano parece ser infindo, umas começam pelo “aqui” e outras pelo “junto” (ao lado), na explanação de duas filosofias: a de “sempre que te chamo, fazes-te presente” e a de “ sempre andarás ao meu lado”. Nenhum dos exercícios é na sua essência uma resposta natural por parte dos cães e nenhum deles irá ser alcançado gratuitamente, sobrando daí a necessidade do condicionamento, condicionamento esse que deverá ser cativo às leis ou princípios da pedagogia geral de ensino. Independentemente do exercício inicial proposto e mesmo a expensas do reforço positivo (mais-valia que ninguém deverá desprezar e que tende a contrabalançar a coerção de qualquer exercício e a suavizar todo e qualquer condicionamento), há que considerar o histórico global de cada animal, porque o adestramento não se caracteriza por um ensino à “tábua rasa”, já que se destina a indivíduos, alguns deles únicos e por isso mesmo dependentes de especial cuidado, considerando o seu bem-estar, aproveitamento e uso, submetendo-se estes dois últimos ao primeiro e à capacidade de resolução presente em cada cão. Assim, a opção pelo exercício inicial deverá sujeitar-se ao particular individual animal, às dificuldades a vencer e à sua solução ou resolução. Entre nós é comum começar-se pelo “junto” e isso deve-se ao alcance do “aqui” em casa, à cuidada instalação doméstica que não despreza o carinho, a coabitação, a alimentação adequada e a higiene requerida, que aproveita os momentos lúdicos, tira partido dos brinquedos e que opta por uma experiência variada e rica em prol do aumento cognitivo dos infantes, factores indispensáveis à cativação dos cachorros e à cumplicidade que lhes será exigida. Doutro modo teríamos que carregar uma trela cumprida no início do treino e de forma mais persuasiva ou coerciva operar o comando de “aqui”. A opção pela primazia do “junto” prende-se ainda com o método que seguimos, baseado na precocidade e empenhado no acompanhamento dos distintos ciclos infantis. Assim, afim de evitar a fadiga e a saturação dos cachorros, vamos ao seu encontro numa idade em que avidamente procuram a excursão e seguem os cães adultos, o que é deveras importante face ao seu desenvolvimento e evita o excessivo travamento que pode obstar ao seu total aproveitamento. À parte de tudo isto, importa aproveitar a sua fase plástica e promover a inerente mais-valia morfológica, coisa que a marcha oferece e que induz ao concurso dos aparelhos correctores, através dos quais se pode operar a superação de anomalias físicas castradoras do bom desempenho canino. O concurso sistemático ao comando de “aqui” como introdutor ao treino só se justifica quando os laços afectivos binomiais são deficitários ou inexistentes, quando a rebeldia dos cães é por demais evidente ou quando a autoridade do dono não é reconhecida pelo animal.

O ROBUSTECIMENTO DO CARÁCTER CANINO É POSSÍVEL E OBRIGATÓRIO

O treino canino sempre deverá pressupor o robustecimento do carácter dos animais em classe e providenciar todo um conjunto de exercícios que sirvam esse propósito. Como normalmente os automatismos ou comandos de imobilização tendem a agravar as lacunas respeitantes ao carácter de alguns cães, especialmente se forem servidos a frio e sem o contributo do reforço positivo, convém dar maior ênfase na fase primária do treino aos subsídios ou automatismos de direcção, particularmente aqueles que suscitam dos animais maior autonomia e que contribuem para a sua auto-confiança. Nenhuma figura de obediência ou exercício são correctamente executados quando os cães teimam numa mímica que denota medo, incómodo, revolta, stress, suspeita ou desconfiança, porque a correcta instalação dos códigos isso exige e adestrar jamais será atabalhoar. Cabe a cada condutor atentar para a mímica do seu cão, saber interpretá-la e operar as necessárias compensações. Quando isto não se verificar, o adestrador ou monitor deverá alertar incessantemente os condutores em falta e convidá-los para o reparo que é devido aos cães, pois é tantas vezes condutor quantos condutores tiver em classe. Qualquer figura desnuda num cão o modo da sua obtenção e não deve evidenciar qualquer fragilidade de carácter, coisa que outros aproveitarão para fazer lograr o seu serviço ou comprometer a sua prestação.

WAS IST LOS: CEE ODER LEBENSRAUM?

Dez mil criminosos (assassinos, pirómanos, violadores, beberrões, apóstatas e ladrões de toda a casta), tal é a estimativa mais fidedigna acerca do número dos bárbaros germânicos que atravessou os Pirinéus por ocasião da queda do Império Romano do Ocidente, naquilo que a nossa história registou como as invasões bárbaras, iniciaram assim a coabitação entre os Iberos, que fartos da exploração romana pouco ou nenhuma resistência lhes ofereceram, consentindo inclusive que os invasores se nobilitassem diante dos seus olhos e vivessem às suas expensas, cobrando impostos e nada fazendo à boa maneira romana! Graças às divisões entre eles, os Mouros foram convidados a vir para a Península e junto com os árabes acabaram por estabelecer o Al-Andalus, subjugando a maioria dos seus reinos até às Astúrias. Daí para cá, salvo honrosas excepções, da Alemanha não tem vindo grande coisa, tanto para nós como para os restantes europeus e demais povos do Mundo, uma vez que iniciou duas Guerras Mundiais, enveredou pelo genocídio e levou ao extremo a prática do eugenismo, sendo também responsável pela Guerra-fria, factura que acabou por ser paga pelos norte-americanos e europeus, colocando o planeta à beira de uma possível catástrofe nuclear. Apesar de tudo isto, a célebre frase “ Über alles, über alles in der Welt”, continua a fazer parte do seu hino e a ser cantada a pelos pulmões, como se nada tivesse acontecido e a fera tivesse sido, de uma vez por todas, finalmente amansada. Perante tal exortação, fratricida sem dúvida, urge perguntar: serão alguma vez este povo e os seus governantes capazes de entender valores universais como a fraternidade e a solidariedade? Que modelo de globalização preconizarão? Será aquele que defende a conquista dos territórios pertencentes às pessoas “menos desenvolvidas”?
Desde Friedrich Ratzel que a Alemanha não larga a ideia do “Espaço Vital” (Lebensraum) e vem tentando de todas as formas alcançá-lo, até porque a geografia continental da CEE lembra as fronteiras do outrora Sacro Império Romano Germânico e as actuais políticas económicas visam o seu engrandecimento em prejuízo dos países mediterrânicos, mais uma vez desleixados, tornados periféricos, condenados a uma confederação de segundo plano e por conseguinte a um menor desenvolvimento. Se nada de novo acontecer na CEE, a Sr.ª Merkel fará dançar de contentamento o Cabo de Braunau am Im na sua tumba, pois irá alcançar aquilo que ele nunca alcançou e que sempre desejou. Agora a Alemanha já não precisa de armamento, porque os magros orçamentos de estado impendem os mais fracos de se defenderem, colocando em risco a sua soberania, fustigados que andam pelo disparo dos juros e pelo fogo amigo da ajuda externa. Estamos no advento ou na presença da III Guerra Mundial, a guerra económica que se faz sentir um pouco por todo o Mundo, uma guerra mais cruel do que todas as outras que a antecederam. Se não houver resistência, brevemente a Sr.ª Merkel irá mandar nas contas dos estados membros e governará a Europa a seu bel-prazer desde Berlim, encargo que vai conquistando e que quer ver alargado. O mais do que eminente afundamento económico da Itália tem levado a França a agarrar-se desesperadamente à bainha das calças da Alemanha, denunciando um comportamento típico de protectorado que justamente receia o efeito dominó, porque por lá tout n’est pas parfait e nada disto aconteceria deste modo se a sacralização dos políticos não tivesse desde há muito acontecido.
Neste Portugal “que há-de cumprir-se”, profundamente metafísico e esperançado no Quinto Império, outrora orgulhosamente só e hoje pelos vistos mal acompanhado, há quem alvitre da necessidade de uma revolução, quem defenda uma austeridade atentatória ao desejável desenvolvimento e quem se conforme como é seu hábito, num trocadilho que nós entendemos melhor que ninguém: “ O fado é nosso e este é o nosso fado”. Agora que já não temos marinha mercante (breve perderemos a companhia aérea), que pouco ou nada pescamos e que abandonámos a agricultura, donde nos virá o socorro? Seremos capazes de fazer das tripas coração outra vez ou retornaremos à nossa condição de colónia inglesa? Mais uma vez a solução não partirá de nós, seguiremos as ideias de outros e acabaremos por adaptá-las à nossa realidade, porque assim tem sido e dificilmente acontecerá doutro modo. Só conseguiremos debelar a actual crise pela valorização do que é nacional e pelo contributo prà estagnação do mercado alemão. Tendo cada um na sua área estas preocupações, todos podemos alcançar estes objectivos, procurando sempre que possível o que é nosso e desprezando o que vem da Alemanha. E podemos começar também pelos cães, dando preferência aos criadores nacionais e também às raças que produzimos, comprando quando necessário acessórios provenientes de países em igual aperto ou sufoco. Portugal tem que cumprir-se! A Merkel responde perante os alemães e o superior interesse da Pátria congrega-nos prà sua defesa.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

AND THE SUN SHONE AGAIN

Já havia quem pensasse que o Sun, o CPA vermelho do Tiago, tivesse morrido ou sido abatido. Sosseguem as mentes mais sinistras que o caso não é para tal e o cão voltou às aulas, pleno de alegria e em franca recuperação. É caso para se dizer que o sol voltou a brilhar! A inactividade a que se viu votado por força da lesão levou à perca de músculos no anterior afectado, nada para além do recuperável e da vontade indomável presente neste guardião. Retomou o seu lugar nas nossas fileiras e no escalonamento escolar, veloz como sempre e pronto para qualquer desafio. A recuperação do cão ficou a dever-se ao empenho do Tiago e da sua família, a quem endereçamos desde já os nossos parabéns. Os amigos do Sun podem voltar a contar com ele!

GANAS Y OLÉ

A participação do público nas nossas aulas é algo natural, os cães cativam quem passa e surpreendem pela obediência que manifestam. Neste fim-de-semana uma senhora espanhola sentiu “ganas” de colaborar connosco e acabou por contribuir para a capacitação da Brownie. Guapíssima e cheia de salero fez de túnel e encantou quem a pôde observar. Gente moça gosta de desafios tanto lá como cá, mas os espanhóis têm algo de único, derramam paixão e dão azo aos seus impulsos, vivem cada momento intensamente e gostam de ser quem são. Não sabemos o nome desta colaboradora eventual, mas ficámos conhecedores do espanto que criou entre os condutores masculinos, surpresos pela prontidão e embevecidos pela sensualidade da moça (Jorge inclusive).

CHAMPAGNE AU JARDIN

É do conhecimento geral que os caniches são extraordinariamente aptos e que aprendem naturalmente tudo aquilo que lhes é ensinado. O Sam é o 2º caniche nas nossas fileiras nestes últimos 30 anos e não escapa à regra, mostrando-se atento e evoluindo mais rápido que os demais, apesar do seu tamanho e escasso peso. Ele e a Sandy são os alunos mais assíduos da Escola e o cão adora os seus companheiros de classe, maiores do que ele e maioritariamente Pastores Alemães, gigantes que o aceitaram naturalmente e que o consideram membro do grupo.
Não há comando que o Sam não assimile rapidamente e sempre quer aprender mais, é simpático e amigo de toda a gente, causa espanto e enche-nos de alegria. Orgulhamo-nos dele e temo-lo como exemplo. Obrigado Sandy por te teres lembrado do teu companheiro, de teres apostado no seu ensino e descoberto todo o seu potencial. Que venham mais como ele, porque tamanho não é documento e a capacidade de aprendizagem não depende da envergadura.

O HOMEM COM O NOME CERTO

Se há alguém que adore o seu cão, esse homem será certamente o António, um apaixonado incondicional pelo seu CPA. Persiste entre ambos uma cumplicidade invejável, coisa visível tanto no trabalho como nas brincadeiras. E porque a vida tem destas coisas, o homem tem como apelido Amante. Pois que continue assim, é isso que defendemos, porque sem amor não há ensino e vã é a disciplina diante dos vínculos afectivos. Por mais estranho que nos pareça e muitos não nos deixarão mentir, passamos a vida inteira a apelar ao amor pelos cães. Certamente o António será um vencedor e sempre terá ao lado o seu fiel companheiro, porque o amor nunca regressa de mãos vazias e transpõe qualquer obstáculo. Parabéns António!

ZENI DE ZEN: CONCENTRAÇÃO E PAZ INTERIOR

A Zeni é uma CPA de pêlo comprido, uma fêmea calma, meiga e afectuosa, de trato fácil, concentrada e de fácil aprendizagem. Para além dessas qualidades, ela é muito bonita e está sempre atenta, demonstrando em simultâneo o carinho que a Rute nutre por ela. A Zeni é daqueles animais que raramente se dá por eles, apesar de se fazer presente e estar sempre ao lado de quem adora. Veio de Espanha e foi parar ao norte do País, daí saltou para as mãos da Rute e vive agora feliz junto à barra do Tejo, ladrando aos comboios que passam e sendo a carraça da dona. Na escola comporta-se como uma asceta, por vezes parece que levita e raramente se dá por ela. Será que pratica Yoga?

KALI: A MOSELRING RESGATADA

Nascida nas Caldas da Rainha, junto a zona industrial dessa cidade e em terrenos outrora agrários, a Kali é uma CPA negra descendente de cães afamados do passado. Mostra aptidões extraordinárias e sem qualquer entrave engrossou o núcleo escolar. Tem vindo a recuperar peso e encanta quem dela se avizinha, porque é particularmente bonita e extremamente simpática, uma gracinha entre matulões. Mais uma semana e começará o treino propriamente dito, tarefa que lhe será natural e da qual muito se alegrará. O dono e a sua família tudo têm feito para que cresça saudável e robusta e nisto têm sido bem sucedidos. É a aluna mais nova da Escola e estamos em crer que será uma das suas imagens de marca.

A IRREVERÊNCIA DO 11

Poucos o conhecem pelo nome e todos sabem quem é o 11. Estamos a falar do Pedro que junto com o Black constituem um dos novos binómios escolares. O Jovem tem a irreverência atrevida das suas poucas primaveras e tem sido um elemento aglutinador para o grupo, um rapaz simpático e bem-humorado, educado e prestável que transporta e irradia alegria para a classe. O Black chegou já adulto à escola e ofereceu alguma resistência inicial aos exercícios. Hoje comporta-se de acordo com as solicitações e evolui a olhos vistos. Queremos agradecer a jovialidade do Pedro e a presença do Black, enquanto binómio que vai na frente e que muito nos agrada.

DA FLANDRES PARA SERVIR

De regresso à casa mãe, o Sr. João Franco trouxe consigo a sua nova coqueluche, um Bouvier da Flandres macho, da criação da Helena Sofia Noronha Firmino e filho do Nobel e da Bonna. O cão chegou-nos um pouco acobardado e não menos desconfiado, mostrando no entanto uma predisposição atlética notável. O binómio melhora a olhos vistos, facto que se deve à aplicação do dono e à genética do animal, acerto indispensável ao sucesso e imprescindível ao adestramento. Oxalá o Sr. João Franco consiga igualar ou suplantar a dedicação do seu filho Luis aquando da educação do Zappa, jovem bem sucedido e do qual sentimos saudade para além de agradecidos. Com um Bouvier ninguém sai comprometido e o dono tudo terá a ganhar.